Questões de EFAF Português - Morfologia
903 Questões
Questão 4 295826
IFRJ 2018Leia o texto a seguir e responda à questão.
Inquilinos
Ninguém é responsável pelo funcionamento do mundo. Nenhum de nós precisa acordar cedo para
acender as caldeiras e checar se a Terra está girando em torno do seu próprio eixo na velocidade apropriada, e
em torno do Sol de modo a garantir a correta sucessão das estações. Como num prédio bem administrado, os
serviços básicos do planeta são providenciados sem que se enxergue o síndico – e sem taxa de administração.
[5] Imagine se coubesse à humanidade, com sua conhecida tendência ao desleixo e à improvisação, manter a
Terra na sua órbita e nos seus horários, ou se – coroando o mais delirante dos sonhos liberais – sua gerência
fosse entregue a uma empresa privada, com poderes para remanejar os ventos e suprimir correntes marítimas,
encurtar ou alongar dias e noites e até mudar de galáxia, conforme as conveniências de mercado, e ainda por
cima sujeita a decisões catastróficas, fraudes e falência.
[10] É verdade que, mesmo sob o atual regime impessoal, o mundo apresenta falhas na distribuição dos
seus benefícios, favorecendo alguns andares do prédio metafórico e martirizando outros, tudo devido ao que
só pode ser chamado de incompetência administrativa. Mas a responsabilidade não é nossa. A infraestrutura já
estava pronta quando nós chegamos. Apesar de tentativas como a construção de grandes obras que afetam o
clima e redistribuem as águas, há pouco que podemos fazer para alterar as regras do seu funcionamento.
[15] Podemos, isto sim, é colaborar na manutenção da Terra. Todos os argumentos conservacionistas e
ambientalistas teriam mais força se conseguissem nos convencer de que somos inquilinos no mundo. E que
temos as mesmas obrigações de qualquer inquilino, inclusive a de prestar contas por cada arranhão no fim do
contrato. A escatologia cristã deveria substituir o Salvador que virá pela segunda vez para nos julgar por um
Proprietário que chegará para retomar seu imóvel. E o Juízo Final, por um cuidadoso inventário em que todos
[20] os estragos que fizemos no mundo seriam contabilizados e cobrados.
– Cadê a floresta que estava aqui? – perguntaria o Proprietário.
– Valia uma fortuna.
E:
– Este rio não está como eu deixei…
[25] E, depois de uma contagem minuciosa:
– Estão faltando cento e dezessete espécies.
A Humanidade poderia tentar negociar. Apontar as benfeitorias – monumentos, parques, áreas férteis onde
outrora existiam desertos – para compensar a devastação. O Proprietário não se impressionaria.
– Para o que eu quero o Taj Mahal? Sete Quedas era muito mais bonita.
[30] – E a catedral de Chartres? Fomos nós que construímos. Aumentou o valor do terreno em…
– Fiquem com todas as suas catedrais, represas, cidades e shoppings. Quero o mundo como eu o entreguei.
Não precisamos de uma mentalidade ecológica. Precisamos de uma mentalidade de locadores. E do terror da
indenização.
VERÍSSIMO, Luís Fernando. O mundo é bárbaro e o que nós temos a ver com isso. Rio de Janeiro: Objetiva, 2008. P 19-20
Vocabulário:
Salvador: um dos nomes de Jesus que, segundo a teologia cristã, veio ao mundo para salvar a humanidade.
Juízo Final: dia em que, segundo a teologia cristã, Jesus voltará para julgar as ações de toda a humanidade.
Inventário: descrição do patrimônio de pessoa falecida para que se partilhe os bens entre os herdeiros.
Inquilino: locatário. Residente de imóvel alugado.
Escatologia: doutrina que trata do destino final do homem e do mundo.
Na sequência – Cadê a floresta que estava aqui? – perguntaria o Proprietário, o termo destacado é um verbo conjugado no Futuro do Pretérito do Indicativo e apresenta a ideia de:
Questão 12 295725
IFRR 2018Para responder à questão, considere o fragmento da obra O rapto do garoto de ouro, de Marcos Rey, que segue:
Outra vez na escuridão do quarto, Alfredo já não tinha a companhia da serra, que o dia inteiro ouvira ao longe, mas o latido dos cães prosseguia, intermitentemente. Ao cair da tarde sentira muita fome e acabara com o queijo branco e as bolachas. Dos refrigerantes restava apenas um e a jarra de água descera pela metade. Comendo uma maçã, estirado na estopa, já não tinha muitas dúvidas de que seu cárcere era no próprio bairro. Todo bairro tem um cheiro especial e ele conhecia o cheiro da Bela Vista. Depois, a serra e os latidos eram ruídos familiares, principalmente quando percutidos ao mesmo tempo.
O fato de sentir-se perto de casa aproximava-o dum passado ainda vizinho. Lembrava-se de sua vida de menino, das brincadeiras de rua, do trabalho na oficina do pai e finalmente do dia em que Jaime, ex-radioator, agora no comércio de imóveis, teve a feliz ideia de levá-lo a uma Hora de Calouros depois de vê-lo e ouvi-lo inúmeras vezes cantar e tocar em festinhas. Nunca pensara em tornar-se artista profissional.
Simplesmente imitava os cantores famosos do rock na voz, no balanço e na guitarra. Mesmo um primeiro lugar no programa de amadores lhe pareceu bom demais. O convite da gravadora fora uma surpresa imensa.
Jaime, porém, advertira: "Não se iluda. Muitos gravam e nada acontece". Mas com ele não se deu assim. A música escolhida, de autor também desconhecido, tinha um pique sensacional. Era dessas que o público ouve, gosta e sai cantando. Em seguida, começou a ser chamado para apresentações na televisão e, logo depois, já contratado por Lazzari, passou a fazer shows, juntamente com um pequeno conjunto de roqueiros, pela capital de São Paulo, cidades do interior e outros estados. A essa altura, já não era mais o Alfredo, o Alfredinho, filho do seu Domingos, marceneiro, e de dona Bela, mas o Garoto de Ouro, o rapaz desinibido, de sorriso permanente, que vestia roupas esfuziantes e cujos retratos apareciam quase diariamente nos jornais e revistas e mesmo em pôsteres que as meninas e moças pregavam em seus quartos. Deixara de ser um jovem comum, magro e sardento, para ser um ídolo.
Na escuridão do seu presídio, perguntava-se se era feliz, e respondia prontamente que sim. Embora, reconhecia, era uma felicidade atabalhoada, inquieta, trabalhosa, febril, sem tempo para ser saboreada nem direito a descanso. Sempre num palco ou a bordo dum avião, forçado a demonstrar a alegria pela qual todos esperavam e pagavam, não lhe sobrava espaço para conviver com a família e os amigos da infância estavam cada vez mais distantes. Essa é minha primeira folga em mais de um ano, ele admitiu, arremessando para longe o cabinho da maçã. Um pensamento: todos os delinquentes cometem ao menos um erro. Meu raptor também cometeu?
Os trechos destacados no fragmento a seguir estão corretamente analisados, do ponto de vista sintático, no item:
Outra vez na escuridão do quarto, Alfredo já não tinha a companhia da serra, que o dia inteiro ouvira ao longe, mas o latido dos cães prosseguia, intermitentemente.
Questão 37 294457
IFRS 2018INSTRUÇÃO: Para responder à questão, considere o texto abaixo.
Calúnias
[01] Pelo que dizem por aí, o homem é o lobo
[02] homem.
[03] Mas nenhum lobo jamais mata outro lobo.
[04] Eles não se dedicam, como nós, ao extermínio
[05] mútuo.
[06] Têm má fama os lobos, mas não são eles que
[07] estão transformando o mundo num imenso
[08] manicômio e num cemitério tão habitado.
In: GALEANO, Eduardo. O caçador de histórias. Porto Alegre: L&PM, 2016. p. 140.
Considere as seguintes afirmações.
I - Não é possível associar o título “Calúnias” ao conteúdo apresentado pelo texto.
II - Ao questionar o ditado “o homem é o lobo do homem”, que denota que o homem é o maior inimigo do próprio homem, o autor demonstra que considera injusta a comparação entre lobos e homens.
III - Na linha 04, o pronome “Eles” faz referência aos homens, enquanto o pronome “nós” faz referência aos lobos.
Quais podem ser consideradas corretas, de acordo com o texto?
Questão 8 164363
IFBA 2018
Disponivel em: http:fbimusicdepartment.blogspot.com.br/2012/01/internet-pode-afetar-o-cerebro-co-mo.html. Acesso em 7 ago 2017.
Sobre as formas verbais da tira:
Questão 14 11003404
IFES 2017TEXTO

Fonte: https://i34.servimg.com/u/f34/17/84/35/30/65435_10.jpg. Acesso em 06/11/2016
As palavras poço, no título da tirinha, e esforço, no segundo quadrinho, têm respectivamente o plural poços e esforços com mudança do som da vogal da sílaba tônica.
Sendo assim, qual das palavras sublinhadas não apresenta a mesma característica quando pluralizada?
Questão 19 10785591
COLÉGIO SÓLIDO* 6º Ano 2017TEXTO

Dois galos estavam disputando, em feroz luta, o direito de comandar o galinheiro de uma chácara. Por fim, um põe o outro para correr e é autoproclamado o vencedor.
O Galo derrotado afastou-se e foi se recolher num canto sossegado do galinheiro.
O vencedor, tomado de orgulho e vaidade, voando até o alto de um muro, bateu as asas e exultante cantou com toda sua força.
Uma Águia, que pairava ali perto em busca de alimento, lançou-se sobre ele e com um golpe certeiro levou-o preso em suas poderosas garras.
O Galo derrotado saiu do seu canto, e daí em diante reinou absoluto livre de concorrência.
MORAL: Orgulho ou arrogância ainda é o caminho mais curto para a ruína e a perdição.
Disponível em: www:sitededicas.ne10.uol.com.br/fabula22a.htm. Acesso em: 19 de jul. 2016
No penúltimo parágrafo do texto, a palavra “águia” é precedida pelo artigo indefinido “uma”.
Em casos como esse, o uso do artigo indefinido é determinado pelo seguinte fator:
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