Questões de EFAF Português - Leitura e Interpretação de Texto
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Questão 4 482262
IFRJ 2019Educação e desigualdade - A luta por uma educação pública e igualitária deve estar na pauta das lutas políticas nos mesmos níveis das demais lutas sociais e econômicas.
Uma das características mais perversas da sociedade brasileira é a desigualdade de renda. Nas últimas
décadas, chegamos a ocupar a pior posição entre todos os países. Mesmo considerando certa melhoria mais
recentemente, ainda estamos entre os 12 países mais desiguais do mundo, juntamente com a África do Sul, o
Chile, o Paraguai, o Haiti, Honduras, entre outros. [...]
[5] Essa má distribuição de renda faz com que tenhamos em nosso território uma pequena elite que se
beneficia de todos os privilégios que o dinheiro pode oferecer, como escolas de altíssima qualidade, moradias
excessivamente bonitas, grandes e bem decoradas, refeições caríssimas e uma vida confortável e luxuosa, ao
passo que uma grande parcela da população convive com a miséria, fome, falta de saneamento básico, más
condições de higiene e saúde, desnutrição e outras mazelas.
[10] Muitos fatores estão na origem dessa situação, entre eles o sistema econômico, a ausência de uma
reforma agrária real e efetiva, as heranças do período da escravidão, a repressão aos movimentos sociais
organizados, o monopólio dos meios de comunicação usados para propaganda das “verdades” que interessam
às elites e, por fim, as políticas educacionais excludentes.
De fato, as políticas educacionais têm sido um importante instrumento para a reprodução das
[15] desigualdades. Vejamos alguns dados que ilustram como e com que intensidade isso ocorre.
Atualmente, três em cada dez crianças abandonam a escola, em definitivo, antes de completar o ensino
fundamental e praticamente a totalidade delas vem dos setores economicamente mais desfavorecidos. Como
o investimento anual na educação dessas crianças está na casa dos dois ou três mil reais, todo o investimento
ao longo da vida pode não exceder os dez ou vinte mil reais. No outro extremo, onde estão os mais ricos, o
[20] investimento por criança e por ano pode exceder – e em muito, se considerarmos as escolas de elite e
incluirmos cursos de línguas, aulas particulares, material didático, viagens culturais etc. – os trinta mil reais
por ano. Ao longo de toda a vida escolar esse investimento pode chegar a meio milhão de reais, ou ainda muito
mais que isso. [..]
Essa desigualdade se agrava quando consideramos que a renda de uma pessoa adulta está diretamente
[25] ligada ao seu grau de escolaridade. Assim, ao escolarizar mal as crianças e jovens mais desfavorecidos, nosso
sistema educacional está contribuindo para preservar ou mesmo piorar nossas desigualdades econômicas,
respondendo aos interesses das elites econômicas, que consideram inaceitável qualquer destinação de
recursos públicos para fins sociais, inclusive para a educação pública. Programas sociais, ainda que sejam
importantes instrumentos de distribuição de renda, têm efeitos apenas nos casos de pobreza e miséria
[30] extremas, pouco contribuindo para combater as raízes do problema da distribuição de renda. Para isso, seriam
necessários instrumentos mais permanentes e mais sólidos, que tornassem possível a desconcentração de
renda em longo prazo. E a educação é um deles.
A luta por uma educação pública e igualitária deve estar na pauta das lutas políticas nos mesmos níveis
das demais lutas sociais e econômicas, como a reforma agrária, a luta por moradia, a defesa do setor público e a
[35] luta por salários dignos. Se não rompermos com a atual situação educacional – e esse rompimento só será
possível por meio de uma ampla luta social – jamais construiremos bases realmente sólidas para superarmos
nossa desigualdade.
Adaptado de: https://www.brasildefato.com.br/node/7045/ Último acesso em 06/09/2018.
Observe o fragmento a seguir, retirado do último parágrafo do texto:
Se não rompermos com a atual situação educacional – e esse rompimento só será possível por meio de uma ampla luta social – jamais construiremos bases realmente sólidas para superarmos nossa desigualdade.
O conectivo destacado possui o mesmo valor semântico do que aparece em destaque no seguinte período:
Questão 17 11300091
IFMS 2018
(Disponível em: http://tiras-do-calvin.tumblr.com/page/2 Acesso em: 10 nov. 2017)
Com base na análise do texto, indique a alternativa que classifica corretamente as palavras retiradas da fala de Calvin, no segundo quadrinho da tirinha.
Questão 15 11299910
IFMS 2018Leia o texto e analise as afirmativas a seguir.
Esses vinte anos se passaram como vinte séculos, mas me lembro deles como se fossem apenas vinte dias, me lembro do dia do nosso casamento, me lembro de como ela estava linda, me lembro de ter pensado em como eu era sortudo por tê-la ao meu lado, ela sempre esteve ao meu lado, mas eu nunca estive ao seu. Em vinte anos ela se dedicou exclusivamente a mim, mas eu não fiz o mesmo.
(CARVALHO, Aaron. 20 anos. Site Jornal da Nova. Disponível em http://www.jornaldanova.com.br/noticia/355972/20-anos. Adaptado. Acesso em: 20 set. 2017.)
I. A gramática normativa prevê que frases não devem ser iniciadas com pronome oblíquo átono, porém o autor optou pelo uso da mesóclise nos trechos em destaque: “me lembro do dia do nosso casamento, me lembro de como ela estava linda, me lembro de ter pensado em como eu era sortudo [...]” para obter um efeito de sentido: aproximar-se da fala.
II. O mecanismo empregado no trecho em destaque chama-se próclise: “me lembro de ter pensado em como eu era sortudo por tê-la ao meu lado”.
III. Houve elipse da palavra lado ao final da frase: “ela sempre esteve ao meu lado, mas eu nunca estive ao seu”;
IV. O trecho “Em vinte anos ela se dedicou exclusivamente a mim, mas eu não fiz o mesmo” pode ser reescrito, sem prejuízo de sentido, da seguinte forma: “Embora ela tenha se dedicado exclusivamente a mim em vinte anos, eu não fiz o mesmo”.
Assinale a alternativa que contém somente afirmativas corretas.
Questão 4 11299196
IFMS 2018Bom conselho
Chico Buarque
Ouça um bom conselho
Que eu lhe dou de graça
Inútil dormir que a dor não passa
Espere sentado
Ou você se cansa
Está provado, quem espera nunca alcança
Venha, meu amigo
Deixe esse regaço
Brinque com meu fogo
Venha se queimar
Faça como eu digo
Faça como eu faço
Aja duas vezes antes de pensar
Corro atrás do tempo
Vim de não sei onde
Devagar é que não se vai longe
Eu semeio o vento
Na minha cidade
Vou pra rua e bebo a tempestade
(Disponível em: www.letras.mus.br/chico-buarque. Acesso em: 10 nov. 2017.)
Na letra da música, Chico Buarque optou por parodiar os ditos populares, invertendo seus significados e atribuindo-lhes novos sentidos.
Pode-se identificar a relação direta com os seguintes ditos populares, exceto:
Questão 14 11011776
IFES 2018Texto

Fonte: http://bit.ly/2APRavF. Acesso: Nov. 2017
Sobre “Leitura alimenta”, na peça publicitária, é INCORRETO afirmar que
Questão 12 11011770
IFES 2018Texto
Por que os brasileiros não leem?
A falta de tempo é o principal motivo alegado por não leitores (32%), leitores (43%) e não
estudantes (50%) – que gostariam de ter lido mais (3/4 dos leitores). Entre os não leitores, a
falta de gosto pela leitura é mencionada por 28%.
[5] Mas a principal barreira para a promoção da leitura e a formação leitora está identificada
nas respostas de não leitores. Somente 33% deles respondem que não encontram nenhuma
dificuldade para ler. A cada edição da pesquisa aumenta o número dos que afirmam ter alguma
dificuldade para ler. Quando comparamos com os resultados das edições anteriores, surge uma
preocupação que coloca em suspenso a avaliação positiva sobre os indicadores de leitura: em
[10] 2007, 48% dos não leitores disseram não ter dificuldades, e, em 2011, 43%. Estamos piorando?
Mais brasileiros dizem, em 2015, que não leem porque têm alguma dificuldade para ler. Entre
eles, 17% indicam algum problema físico (o que muitas vezes é argumento para não confessar
que não sabe ler). Apesar dessa dificuldade ter sido mais citada nesta edição, os demais (60%)
indicam dificuldade de compreensão ou habilidade leitora.
[15] O tempo livre dos brasileiros – O que concorre com a leitura
Os brasileiros – leitores e não leitores – continuam preferindo ver TV, conforme informaram
na edição anterior (73% em 2015 e 85%, em 2011), mas essa preferência está cedendo lugar
para o uso da internet (47%) e para outras atividades no computador ou no telefone celular:
redes sociais (35%) e WhatsApp (43%), especialmente na faixa de 14 a 29 anos.
[20] Essas atividades concorrem com a leitura do livro e de outros materiais, que receberam
somente 24% das citações.
Outro resultado que reflete o uso da internet: escrever teve um incremento importante
em citações, passando de 18% para 40%. Esse uso da escrita certamente está associado à
comunicação (escrita) nas redes sociais.
[25] Na comparação sobre o uso do tempo livre por leitores e não leitores, uma revelação importante:
leitores têm um repertório mais diversificado de atividades culturais e sociais. Ocupam
seu tempo livre de maneira mais frequente e variada que não leitores, inclusive praticando
exercícios físicos ou encontrando amigos, o que evidencia, também, maior disposição para
vivenciar e ocupar o próprio tempo com uma maior diversificação de atividades sociais e
[30] culturais. Essa mobilização e esse protagonismo revelam o poder da leitura.
Essa disposição e essa ampliação do repertório de atividades de diferentes naturezas entre si
também estão associadas à escolaridade e ao perfil de renda.
A maior escolaridade do indivíduo indica uma maior diversidade de materiais lidos e a
relação que ele estabelece com a leitura. Pessoas com maior nível de escolaridade tendem a
[35] ter maior habilidade leitora, o que lhes permite desenvolver outras relações com a leitura para
além do seu uso instrumental.
Adaptado de FAILLA, Zoara (org.). Retratos da leitura no Brasil 4. Rio de Janeiro: Sextante, 2016, p. 36-37.
Indique a parte do texto em que há advérbio alterando o significado de um adjetivo.
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