Questões de EFAF Português
15.488 Questões
Questão 5 10727237
CMC 6º Ano - Português 2014O texto a seguir serve de base para o item
UMA NOITE DE CÃO
[1] — Ramalho! Vá entrando. Eh? Que pacote é esse?
— Não sente o cheiro? Passei n’O Rei do Frango Assado. É o melhor que se faz em São Paulo. Eu não
ia chegar de mãos abanando.
Ramalho, um amigo do Rio, ao passar por São Paulo sempre aparecia em meu apartamento com
[5]grandes notícias e pequenos pacotes. Como chegava habitualmente tarde e faminto, comprava no caminho
qualquer coisa para comer: pizza, quibe, bauru. No entanto, jamais era bem-vindo por mim e minha
mulher devido à hora imprópria das visitas, quando já íamos dormir.
Virgínia Woolf não parava de balançar o rabo e de saltar sobre o Ramalho. Embora já quase o mordera
certa vez, aquela noite nossa encantadora dálmata deu de lhe fazer festa. Minha mulher levou o frango
[10]para a cozinha. Desembrulhado sobre a mesa, era uma tentação.
Sentamo-nos no living. Ramalho acomodou-se numa poltrona, de costas para a cozinha, a contar
novidades sombrias do Rio.
[...]
Levei um choque. E não era para menos. Virgínia entrava no living e postava-se elegantemente sobre
[15]as patas dianteiras ao lado do Ramalho. Com o frango na boca. Isso mesmo: com o frango na boca. Olhei
para minha mulher, que deixou escapar um:
— Meu Deus!
[...]
Se Ramalho olhasse para baixo veria a cadela segurando a peça entre os dentes, certamente à espera de
[20]autorização para iniciar a ceia. Ergui-me, forçando o visitante a olhar para o alto. Conversaria de pé.
Sentindo a presença da dálmata na vizinhança, ele estendeu o braço e começou a acariciar-lhe a cabeça. A
centímetros da coxa esquerda do bípede assado... Pensei nas consequências. Se ele descobrisse onde
estava o seu jantar, eu teria de me vestir, descer à garagem, toda lotada naquele horário, tirar o carro da
vaga e sair pela madrugada à procura talvez dramática de outro frango.
[25] [...]
Puxei um pufe para bem perto do Ramalho. Diminuindo seu ângulo de visão, ele teria menos
probabilidade de focar Virgínia. Já trabalhei na TV e entendo desses lances.
[...]
Ramalho recuou na poltrona, ficando na mesma linha que o cão. A cara consorte empalideceu.
[30] Olhei para o teto.
— Aquilo não é um inseto? — apontei.
Ramalho e ela olharam para cima. E a dálmata também, com aquele bruta frango na boca.
— É apenas uma mancha — ele observou.
— Detesto insetos andando pela casa.
[35] O expediente deu resultado. Minha mulher aproveitou o momento e atraiu Virgínia para o corredor.
Ouvi o cão rosnar. Não querendo entregar a presa, fugiu com ela para o terraço iluminado, em frente ao
living. Vi Virgínia, perseguida, passar com o frango.
— Gosto desse terraço — disse Ramalho levantando-se e encaminhando-se para as portas de vidro.
Num salto, apaguei a luz.
[40] — Ele fica mais bonito no escuro, observe.
Apesar da escuridão, vi a cachorra escondendo-se entre as floreiras.
— Vamos ao frango — ele decidiu. — O cheirinho tomou conta do apartamento.
— Primeiro sirvo um uísque.
Ouvimos ganidos que assustaram o Ramalho. Ele seguiu pelo corredor.
[45] — A cachorra deve ter se machucado.
Agarrei-lhe o braço.
— Tome o uísque. [...]
Minha mulher apareceu afinal com um sorriso. Para a cozinha!
Ramalho sentou-se diante do frango desossado. Só para ele!
[50] — O Rei do Frango Assado está com tudo — disse Ramalho no final. — Este estava demais! — E
generoso: — Deixei um pedaço de peito pra cadela. Será que ela gosta?
— Sei lá!
REY, Marcos. O coração roubado e outras crônicas. São Paulo. Ática, 1996. p. 25-8.
No trecho "Ramalho, um amigo do Rio, ao passar por São Paulo sempre aparecia em meu apartamento com grandes notícias e pequenos pacotes." (linhas 4 e 5), observa-se que a expressão sublinhada é uma:
Questão 4 10727236
CMC 6º Ano - Português 2014O texto a seguir serve de base para o item
UMA NOITE DE CÃO
[1] — Ramalho! Vá entrando. Eh? Que pacote é esse?
— Não sente o cheiro? Passei n’O Rei do Frango Assado. É o melhor que se faz em São Paulo. Eu não
ia chegar de mãos abanando.
Ramalho, um amigo do Rio, ao passar por São Paulo sempre aparecia em meu apartamento com
[5]grandes notícias e pequenos pacotes. Como chegava habitualmente tarde e faminto, comprava no caminho
qualquer coisa para comer: pizza, quibe, bauru. No entanto, jamais era bem-vindo por mim e minha
mulher devido à hora imprópria das visitas, quando já íamos dormir.
Virgínia Woolf não parava de balançar o rabo e de saltar sobre o Ramalho. Embora já quase o mordera
certa vez, aquela noite nossa encantadora dálmata deu de lhe fazer festa. Minha mulher levou o frango
[10]para a cozinha. Desembrulhado sobre a mesa, era uma tentação.
Sentamo-nos no living. Ramalho acomodou-se numa poltrona, de costas para a cozinha, a contar
novidades sombrias do Rio.
[...]
Levei um choque. E não era para menos. Virgínia entrava no living e postava-se elegantemente sobre
[15]as patas dianteiras ao lado do Ramalho. Com o frango na boca. Isso mesmo: com o frango na boca. Olhei
para minha mulher, que deixou escapar um:
— Meu Deus!
[...]
Se Ramalho olhasse para baixo veria a cadela segurando a peça entre os dentes, certamente à espera de
[20]autorização para iniciar a ceia. Ergui-me, forçando o visitante a olhar para o alto. Conversaria de pé.
Sentindo a presença da dálmata na vizinhança, ele estendeu o braço e começou a acariciar-lhe a cabeça. A
centímetros da coxa esquerda do bípede assado... Pensei nas consequências. Se ele descobrisse onde
estava o seu jantar, eu teria de me vestir, descer à garagem, toda lotada naquele horário, tirar o carro da
vaga e sair pela madrugada à procura talvez dramática de outro frango.
[25] [...]
Puxei um pufe para bem perto do Ramalho. Diminuindo seu ângulo de visão, ele teria menos
probabilidade de focar Virgínia. Já trabalhei na TV e entendo desses lances.
[...]
Ramalho recuou na poltrona, ficando na mesma linha que o cão. A cara consorte empalideceu.
[30] Olhei para o teto.
— Aquilo não é um inseto? — apontei.
Ramalho e ela olharam para cima. E a dálmata também, com aquele bruta frango na boca.
— É apenas uma mancha — ele observou.
— Detesto insetos andando pela casa.
[35] O expediente deu resultado. Minha mulher aproveitou o momento e atraiu Virgínia para o corredor.
Ouvi o cão rosnar. Não querendo entregar a presa, fugiu com ela para o terraço iluminado, em frente ao
living. Vi Virgínia, perseguida, passar com o frango.
— Gosto desse terraço — disse Ramalho levantando-se e encaminhando-se para as portas de vidro.
Num salto, apaguei a luz.
[40] — Ele fica mais bonito no escuro, observe.
Apesar da escuridão, vi a cachorra escondendo-se entre as floreiras.
— Vamos ao frango — ele decidiu. — O cheirinho tomou conta do apartamento.
— Primeiro sirvo um uísque.
Ouvimos ganidos que assustaram o Ramalho. Ele seguiu pelo corredor.
[45] — A cachorra deve ter se machucado.
Agarrei-lhe o braço.
— Tome o uísque. [...]
Minha mulher apareceu afinal com um sorriso. Para a cozinha!
Ramalho sentou-se diante do frango desossado. Só para ele!
[50] — O Rei do Frango Assado está com tudo — disse Ramalho no final. — Este estava demais! — E
generoso: — Deixei um pedaço de peito pra cadela. Será que ela gosta?
— Sei lá!
REY, Marcos. O coração roubado e outras crônicas. São Paulo. Ática, 1996. p. 25-8.
No trecho "Como chegava habitualmente tarde e faminto, comprava no caminho qualquer coisa para comer: pizza, quibe, bauru." (linhas 5 e 6), o emprego dos dois pontos indica que o:
Questão 3 10727235
CMC 6º Ano - Português 2014O texto a seguir serve de base para o item
UMA NOITE DE CÃO
[1] — Ramalho! Vá entrando. Eh? Que pacote é esse?
— Não sente o cheiro? Passei n’O Rei do Frango Assado. É o melhor que se faz em São Paulo. Eu não
ia chegar de mãos abanando.
Ramalho, um amigo do Rio, ao passar por São Paulo sempre aparecia em meu apartamento com
[5]grandes notícias e pequenos pacotes. Como chegava habitualmente tarde e faminto, comprava no caminho
qualquer coisa para comer: pizza, quibe, bauru. No entanto, jamais era bem-vindo por mim e minha
mulher devido à hora imprópria das visitas, quando já íamos dormir.
Virgínia Woolf não parava de balançar o rabo e de saltar sobre o Ramalho. Embora já quase o mordera
certa vez, aquela noite nossa encantadora dálmata deu de lhe fazer festa. Minha mulher levou o frango
[10]para a cozinha. Desembrulhado sobre a mesa, era uma tentação.
Sentamo-nos no living. Ramalho acomodou-se numa poltrona, de costas para a cozinha, a contar
novidades sombrias do Rio.
[...]
Levei um choque. E não era para menos. Virgínia entrava no living e postava-se elegantemente sobre
[15]as patas dianteiras ao lado do Ramalho. Com o frango na boca. Isso mesmo: com o frango na boca. Olhei
para minha mulher, que deixou escapar um:
— Meu Deus!
[...]
Se Ramalho olhasse para baixo veria a cadela segurando a peça entre os dentes, certamente à espera de
[20]autorização para iniciar a ceia. Ergui-me, forçando o visitante a olhar para o alto. Conversaria de pé.
Sentindo a presença da dálmata na vizinhança, ele estendeu o braço e começou a acariciar-lhe a cabeça. A
centímetros da coxa esquerda do bípede assado... Pensei nas consequências. Se ele descobrisse onde
estava o seu jantar, eu teria de me vestir, descer à garagem, toda lotada naquele horário, tirar o carro da
vaga e sair pela madrugada à procura talvez dramática de outro frango.
[25] [...]
Puxei um pufe para bem perto do Ramalho. Diminuindo seu ângulo de visão, ele teria menos
probabilidade de focar Virgínia. Já trabalhei na TV e entendo desses lances.
[...]
Ramalho recuou na poltrona, ficando na mesma linha que o cão. A cara consorte empalideceu.
[30] Olhei para o teto.
— Aquilo não é um inseto? — apontei.
Ramalho e ela olharam para cima. E a dálmata também, com aquele bruta frango na boca.
— É apenas uma mancha — ele observou.
— Detesto insetos andando pela casa.
[35] O expediente deu resultado. Minha mulher aproveitou o momento e atraiu Virgínia para o corredor.
Ouvi o cão rosnar. Não querendo entregar a presa, fugiu com ela para o terraço iluminado, em frente ao
living. Vi Virgínia, perseguida, passar com o frango.
— Gosto desse terraço — disse Ramalho levantando-se e encaminhando-se para as portas de vidro.
Num salto, apaguei a luz.
[40] — Ele fica mais bonito no escuro, observe.
Apesar da escuridão, vi a cachorra escondendo-se entre as floreiras.
— Vamos ao frango — ele decidiu. — O cheirinho tomou conta do apartamento.
— Primeiro sirvo um uísque.
Ouvimos ganidos que assustaram o Ramalho. Ele seguiu pelo corredor.
[45] — A cachorra deve ter se machucado.
Agarrei-lhe o braço.
— Tome o uísque. [...]
Minha mulher apareceu afinal com um sorriso. Para a cozinha!
Ramalho sentou-se diante do frango desossado. Só para ele!
[50] — O Rei do Frango Assado está com tudo — disse Ramalho no final. — Este estava demais! — E
generoso: — Deixei um pedaço de peito pra cadela. Será que ela gosta?
— Sei lá!
REY, Marcos. O coração roubado e outras crônicas. São Paulo. Ática, 1996. p. 25-8.
No segundo parágrafo (linha 3), a expressão figurativa "de mãos abanando" significa:
Questão 2 10727234
CMC 6º Ano - Português 2014O texto a seguir serve de base para o item
UMA NOITE DE CÃO
[1] — Ramalho! Vá entrando. Eh? Que pacote é esse?
— Não sente o cheiro? Passei n’O Rei do Frango Assado. É o melhor que se faz em São Paulo. Eu não
ia chegar de mãos abanando.
Ramalho, um amigo do Rio, ao passar por São Paulo sempre aparecia em meu apartamento com
[5]grandes notícias e pequenos pacotes. Como chegava habitualmente tarde e faminto, comprava no caminho
qualquer coisa para comer: pizza, quibe, bauru. No entanto, jamais era bem-vindo por mim e minha
mulher devido à hora imprópria das visitas, quando já íamos dormir.
Virgínia Woolf não parava de balançar o rabo e de saltar sobre o Ramalho. Embora já quase o mordera
certa vez, aquela noite nossa encantadora dálmata deu de lhe fazer festa. Minha mulher levou o frango
[10]para a cozinha. Desembrulhado sobre a mesa, era uma tentação.
Sentamo-nos no living. Ramalho acomodou-se numa poltrona, de costas para a cozinha, a contar
novidades sombrias do Rio.
[...]
Levei um choque. E não era para menos. Virgínia entrava no living e postava-se elegantemente sobre
[15]as patas dianteiras ao lado do Ramalho. Com o frango na boca. Isso mesmo: com o frango na boca. Olhei
para minha mulher, que deixou escapar um:
— Meu Deus!
[...]
Se Ramalho olhasse para baixo veria a cadela segurando a peça entre os dentes, certamente à espera de
[20]autorização para iniciar a ceia. Ergui-me, forçando o visitante a olhar para o alto. Conversaria de pé.
Sentindo a presença da dálmata na vizinhança, ele estendeu o braço e começou a acariciar-lhe a cabeça. A
centímetros da coxa esquerda do bípede assado... Pensei nas consequências. Se ele descobrisse onde
estava o seu jantar, eu teria de me vestir, descer à garagem, toda lotada naquele horário, tirar o carro da
vaga e sair pela madrugada à procura talvez dramática de outro frango.
[25] [...]
Puxei um pufe para bem perto do Ramalho. Diminuindo seu ângulo de visão, ele teria menos
probabilidade de focar Virgínia. Já trabalhei na TV e entendo desses lances.
[...]
Ramalho recuou na poltrona, ficando na mesma linha que o cão. A cara consorte empalideceu.
[30] Olhei para o teto.
— Aquilo não é um inseto? — apontei.
Ramalho e ela olharam para cima. E a dálmata também, com aquele bruta frango na boca.
— É apenas uma mancha — ele observou.
— Detesto insetos andando pela casa.
[35] O expediente deu resultado. Minha mulher aproveitou o momento e atraiu Virgínia para o corredor.
Ouvi o cão rosnar. Não querendo entregar a presa, fugiu com ela para o terraço iluminado, em frente ao
living. Vi Virgínia, perseguida, passar com o frango.
— Gosto desse terraço — disse Ramalho levantando-se e encaminhando-se para as portas de vidro.
Num salto, apaguei a luz.
[40] — Ele fica mais bonito no escuro, observe.
Apesar da escuridão, vi a cachorra escondendo-se entre as floreiras.
— Vamos ao frango — ele decidiu. — O cheirinho tomou conta do apartamento.
— Primeiro sirvo um uísque.
Ouvimos ganidos que assustaram o Ramalho. Ele seguiu pelo corredor.
[45] — A cachorra deve ter se machucado.
Agarrei-lhe o braço.
— Tome o uísque. [...]
Minha mulher apareceu afinal com um sorriso. Para a cozinha!
Ramalho sentou-se diante do frango desossado. Só para ele!
[50] — O Rei do Frango Assado está com tudo — disse Ramalho no final. — Este estava demais! — E
generoso: — Deixei um pedaço de peito pra cadela. Será que ela gosta?
— Sei lá!
REY, Marcos. O coração roubado e outras crônicas. São Paulo. Ática, 1996. p. 25-8.
Na primeira linha do texto, o dono da casa usou o pronome esse para se referir ao pacote com o frango, porque o embrulho estava:
Questão 1 10727233
CMC 6º Ano - Português 2014O texto a seguir serve de base para o item
UMA NOITE DE CÃO
[1] — Ramalho! Vá entrando. Eh? Que pacote é esse?
— Não sente o cheiro? Passei n’O Rei do Frango Assado. É o melhor que se faz em São Paulo. Eu não
ia chegar de mãos abanando.
Ramalho, um amigo do Rio, ao passar por São Paulo sempre aparecia em meu apartamento com
[5]grandes notícias e pequenos pacotes. Como chegava habitualmente tarde e faminto, comprava no caminho
qualquer coisa para comer: pizza, quibe, bauru. No entanto, jamais era bem-vindo por mim e minha
mulher devido à hora imprópria das visitas, quando já íamos dormir.
Virgínia Woolf não parava de balançar o rabo e de saltar sobre o Ramalho. Embora já quase o mordera
certa vez, aquela noite nossa encantadora dálmata deu de lhe fazer festa. Minha mulher levou o frango
[10]para a cozinha. Desembrulhado sobre a mesa, era uma tentação.
Sentamo-nos no living. Ramalho acomodou-se numa poltrona, de costas para a cozinha, a contar
novidades sombrias do Rio.
[...]
Levei um choque. E não era para menos. Virgínia entrava no living e postava-se elegantemente sobre
[15]as patas dianteiras ao lado do Ramalho. Com o frango na boca. Isso mesmo: com o frango na boca. Olhei
para minha mulher, que deixou escapar um:
— Meu Deus!
[...]
Se Ramalho olhasse para baixo veria a cadela segurando a peça entre os dentes, certamente à espera de
[20]autorização para iniciar a ceia. Ergui-me, forçando o visitante a olhar para o alto. Conversaria de pé.
Sentindo a presença da dálmata na vizinhança, ele estendeu o braço e começou a acariciar-lhe a cabeça. A
centímetros da coxa esquerda do bípede assado... Pensei nas consequências. Se ele descobrisse onde
estava o seu jantar, eu teria de me vestir, descer à garagem, toda lotada naquele horário, tirar o carro da
vaga e sair pela madrugada à procura talvez dramática de outro frango.
[25] [...]
Puxei um pufe para bem perto do Ramalho. Diminuindo seu ângulo de visão, ele teria menos
probabilidade de focar Virgínia. Já trabalhei na TV e entendo desses lances.
[...]
Ramalho recuou na poltrona, ficando na mesma linha que o cão. A cara consorte empalideceu.
[30] Olhei para o teto.
— Aquilo não é um inseto? — apontei.
Ramalho e ela olharam para cima. E a dálmata também, com aquele bruta frango na boca.
— É apenas uma mancha — ele observou.
— Detesto insetos andando pela casa.
[35] O expediente deu resultado. Minha mulher aproveitou o momento e atraiu Virgínia para o corredor.
Ouvi o cão rosnar. Não querendo entregar a presa, fugiu com ela para o terraço iluminado, em frente ao
living. Vi Virgínia, perseguida, passar com o frango.
— Gosto desse terraço — disse Ramalho levantando-se e encaminhando-se para as portas de vidro.
Num salto, apaguei a luz.
[40] — Ele fica mais bonito no escuro, observe.
Apesar da escuridão, vi a cachorra escondendo-se entre as floreiras.
— Vamos ao frango — ele decidiu. — O cheirinho tomou conta do apartamento.
— Primeiro sirvo um uísque.
Ouvimos ganidos que assustaram o Ramalho. Ele seguiu pelo corredor.
[45] — A cachorra deve ter se machucado.
Agarrei-lhe o braço.
— Tome o uísque. [...]
Minha mulher apareceu afinal com um sorriso. Para a cozinha!
Ramalho sentou-se diante do frango desossado. Só para ele!
[50] — O Rei do Frango Assado está com tudo — disse Ramalho no final. — Este estava demais! — E
generoso: — Deixei um pedaço de peito pra cadela. Será que ela gosta?
— Sei lá!
REY, Marcos. O coração roubado e outras crônicas. São Paulo. Ática, 1996. p. 25-8.
A palavra consorte, na frase "A cara consorte empalideceu." (linha 29), indica:
Questão 14 10726511
CMJF 6° Ano - Prova de Língua Portuguesa (Prova 1) 2014TEXTO
O coelhinho de orelhas azuis
Era uma vez um coelhinho que tinha as orelhas azuis da cor do céu. Quando reparou que os outros coelhos não tinham as orelhas da mesma cor, ficou muito envergonhado. Deixou de brincar com eles e preferiu estar sozinho,
O único amigo que tinha era a lua que aparecia no céu à noite. O coelhinho contou-lhe toda a
[5] sua tristeza, mas a lua nunca tlhe respondia.
O coelhinho decidiu sair dali e procurar um sitio onde ninguém o conhecesse.
Contudo, para onde quer que fosse, todos ficavam admirados com as suas orelhas azuis e riam-se dele.
"O meu lugar não é aqui, e a culpa é das minhas orelhas azuis."
[10] Um dia, ao passar em frente a uma casa, encontrou no chão o chapéu de um limpa-chaminés.
"É exatamente disso que estou precisando!", pensou o coelhinho. E escondeu as orelhas por baixo do chapéu.
Aprendeu a subir às chaminés, a trabalhar com a vassoura e a limpar os fogões.
- Agora pertenço à corporação dos limpa-chaminés disse o coelhinho.
[15] Mas, certo dia, o chapéu ficou-lhe preso na chaminé e os outros limpa-chaminés viram as suas orelhas azuis. Começaram imediatamente a rir e a gritar
- Você não é um limpa-chaminés de verdade!
O coelhinho, cheio de vergonha, fugiu dali correndo e só a lua o acompanhou.
Depois, encontrou um chapéu de cozinheiro em frente a um restaurante.
[20] "É exatamente disso que estou precisando!, pensou o coelhinho. E escondeu as orelhas por baixo do chapéu de cozinheiro.
Aprendeu a manusear uma frigideira, a cozinhar legumes e a assar carne.
- Agora faço parte da corporação dos cozinheiros-disse o coelhinho. Mas, certo dia, o chapéu voou-lhe para a sopa e os outros cozinheiros viram as suas orelhas
[25] azuis. Começaram então a rir e a gritar
- Você não é um cozinheiro de verdade!
O coelhinho, cheio de vergonha, fugiu dali correndo e só a lua o acompanhou.
Em frente a uma casa, encontrou um chapéu de jardineiro.
"É exatamente disso que estou precisando, pensou o coelhinho. E escondeu as orelhas por
[30] baixo do chapéu de jardineiro.
Aprendeu a cavar, a plantar árvores e a cuidar de flores. -Agora pertenço à corporação dos jardineiros disse a coelhinho.
Mas, num certo dia, uma forte rajada de vento arrancou-lhe o chapéu da cabeça e os outros jardineiros viram as suas orelhas azuis. Começaram imediatamente a rir e a gritar
[35] - Você não é um jardineira de verdade!
O coelhinho, cheio de vergonha, fugiu dali correndo e só a lua o acompanhou.
Ao passar diante de um circo, encontrou o chapéu de um palhaço.
"É exatamente disso que estou precisando!", pensou o coelhinho. E escondeu as suas orelhas por baixo do chapéu de palhaço.
[40] No circo, aprendeu a tropeçar nos próprios pés e a fazer caretas. Agora pertenço à corporação dos palhaços disse o coelhinho.
Até que um dia, um macaco lhe roubou o chapéu da cabeça e os outros palhaços viram as suas orelhas azuis. Começaram a rir e a gritar
- Você não é um palhaço de verdade!
[45] O coelhinho, cheio de vergonha, fugiu dali correndo e só a lua o acompanhou Certa vez, encontrou, debaixo de uma ponte, o chapéu de um andarilho.
"É exatamente disso que estou precisando!", pensou o coelhinho. E escondeu as orelhas por baixo do chapéu de andarilho.
Aprendeu a ser preguiçoso, a deitar-se à sombra, e a sonhar durante o dia.
[50] - Agora faço parte da corporação dos andarilhos.
Mas, certo dia, o rio levou-lhe o chapéu e os outros andarilhos viram as suas orelhas azuis
- Você não é um andarilho de verdade!
Então o coelhinho não quis fugir nem usar mais nenhum chapéu. Sentou-se à beira de um regato no meio de um bosque.
[55] - Não sou um limpa-chaminés a sério, nem um cozinheiro, nem um jardineiro, nem um palhaço, e também não sou um andarilho. Afinal, o que sou eu?
Nesse momento, a lua apareceu no céu e transformou o regato num espelho, Al, o coelhinho descobriu outro coelhinho, ele mesmo. E o coelho tinha orelhas azuis. Quanto mais olhava para si à luz da lua, mais gostava daquelas orelhas, das suas orelhas.
[60] Até que, de repente, descobriu: a culpa da sua infelicidade não eram as orelhas, mas sim o fato de ter sentido vergonha delas.
O coelhinho desatou a correr, e só a lua o acompanhava. Pelo caminho, encontrou os andarilhos, os palhaços, os jardineiros, os cozinheiros e os limpa-chaminés. A todos mostrou, com orgulho, as suas orelhas azuis e ninguém pensou em rir-se delas.
[65] O coelhinho ficou contente com tudo o que tinha aprendido: a subir à chaminé, a trabalhar com a vassoura, a limpar fogões, a segurar uma frigideira, a cozinhar legumes, a assar carne, a cavar a terra, a plantar árvores, a cuidar de flores, a tocar trompete, a tropeçar nos próprios pés, a fazer caretas, a preguiçar, a deitar-se à sombra e a sonhar.
Max Bolligers S Risesfasch, AT Vardag, 1990 Disponivel em: http://contadoresdestorias.wordpress.com/historias-2/
Acesso em 26 ago. 2014. Texto readaptado.
Vocabulário do texto
manusear: pegar ou mexer com as mãos.
corporação: grupo de pessoas que exercem uma mesma profissão.
andarilho: individuo que anda muito, que gosta de andar.
regato: curso de água de pouca profundidade, riacho, córrego,
desatar, começar a fazer algo, iniciar uma ação.
trompete: instrumento musical.
Leia os trechos abaixo:
I - O único amigo que tinha era a lua que aparecia no céu à noite. O coelhinho contou-lhe toda a sua tristeza, mas a lua nunca lhe respondia." (linha 4 e 5)
II - "Ao passar diante de um circo, encontrou o chapéu de um palhaço.
'É exatamente disso que estou precisando!', pensou o coelhinho. E escondeu as suas orelhas por baixo do chapéu de palhaço." (linhas 37 a 39) I
III - "Até que, de repente, descobriu: a culpa da sua infelicidade não eram as orelhas, mas sim o fato de ter sentido vergonha delas." (linhas 60 e 61)
Os termos destacados retomam, na ordem em que aparecem, as seguintes palavras e/ou expressões:
06
![[Marketing] Questao Topo - deslogado](https://storage.estuda.com.br/banners/0_6b7ebee90b03af1c560c73bb8bcce34a_banner_deslogado_70_dias.png)