Questões de EFAF Português - Leitura e Interpretação de Texto
7.497 Questões
Questão 16 10596094
FAETEC 2019A infinita fiadeira
A aranha, aquela aranha, era tão única: não parava de fazer teias! Fazia-as de todos os tamanhos e formas. Havia, contudo, um senão: ela fazia-as, mas não lhes dava utilidade. O bicho repaginava o mundo. Contudo, sempre inacabava as suas obras. Ao fio e ao cabo, ela já amealhava uma porção de teias que só ganhavam senso no rebrilho das manhãs.
E dia e noite: dos seus palpos primavam obras, com belezas de cachimbo gotejando, rendas e rendilhados. Tudo sem fim nem finalidade. Todo o bom aracnídeo sabe que a teia cumpre as fatais funções: lençol de núpcias,
armadilha de caçador. Todos sabem, menos a nossa aranhinha, em suas distraiçoeiras funções.
Para a mãe aranha aquilo não passava de mau senso. Para quê tanto labor se depois não se dava a indevida aplicação? Mas a jovem aranhiça não fazia ouvidos. E alfaiatava, alfinetava, cegava os nós. Tecia e retecia o fio, entrelaçava e reentrelaçava mais e mais teia. Sem nunca fazer morada em nenhuma. Recusava a utilitária vocação da sua espécie.
— Não faço telas por instinto.
— Então, faz porquê”?
— Faço por arte.
A filha saiu pelo mundo em ofício de infinita teceloa. E em cantos e recantos deixava a sua marca, o engenho da sua seda. Os pais, após a concertação, a mandaram chamar. Em choro múltiplo, a mãe limpou as lágrimas dos muitos olhos enquanto disse:
— Estamos recebendo queixas do aranhal.
— O que é que dizem?
— Dizem que isso só pode ser doença apanhada de outras criaturas.
Até que decidiram: a jovem aranha tinha que ser reconduzida aos seus mandos genéticos. Aquele deva- neio seria causado por falta de namorado.
E aconteceu. Contudo, ao invés de devorar o singelo namorador, a aranha namorou e ficou enamorada. Os dois deram-se os apêndices e dançaram ao som de uma brisa que fazia vibrar a teia. Ou seria a teia que fabricava a brisa?
A aranhiça levou o namorado a visitar a sua colecção de teias, ele que escolhesse uma, ficaria como prova de seu amor.
A familia desiludida consultou o Deus dos bichos, para reclamar da fabricação daquele espécime. Uma aranha assim, com mania de gente” Na sua alta teia, o Deus dos bichos quis saber o que poderia fazer. Pediram que ela transitasse para humana. E assim sucedeu: num golpe divino, a aranha foi convertida em pessoa. Quando ela, já transfigurada, se apresentou no mundo dos humanos logo lhe exigiram a imediata identificação. Quem era, o que fazia?
— Faço arte.
— Arte?
E os humanos se entreolharam, intrigados. Desconheciam o que fosse arte. Em que consistia? Até que um, mais-velho, se lembrou. Que houvera tempos, em tempos de que já se perdeu memória, em que alguns se ocupavam de tais improdutivos afazeres. Felizmente, isso tinha acabado, e os poucos que teimavam em criar esses pou- co rentáveis produtos — chamados obras de arte — tinham sido geneticamente transmutados em bichos. Não se lembravam bem em que bichos. Aranhas, ao que parece. Mia Couto
(In: O fio das missangas, publicado pela Ed. Companhia das Letras)
Em “Para a mãe aranha aquilo não passava de mau senso” (3º parágrafo), a palavra “para” expressa o sentido de:
Questão 109 10541623
ENCCEJA* Ensino Fundamental - I, II, III e IV 2019A Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO) estuda a criação de uma rede em torno da cadeia produtiva de alimentos no Brasil para conter o desperdício. O país é considerado um dos dez que mais desperdiçam comida em todo o mundo, com cerca de 30% da produção praticamente jogados fora na fase pós-colheita.
Disponível em: http://www.jb.com.br/pais/noticias/ 2015/04/26/fao-quer-reduzir-o-desperdicio-dealimentos-no-brasil/ . Acesso em: 22 jul. 2015.
Uma ação capaz de solucionar o problema apresentado no texto é
Questão 88 10533560
ENCCEJA* Ensino Fundamental - I, II, III e IV 2019Espíritos da cidade
Não acredito nesses mitos da natureza, apesar de curtir a trilogia do Senhor dos Anéis. Mas acredito fortemente em certos seres místicos urbanos. Não estou falando, claro, da loira do banheiro. Estou falando de algumas presenças que surgem em meio ao caos urbano para tentar ajudar os mais desavisados.
Engana-se quem, ao ler isto, pensou no Batman. Vou contar um caso que ocorreu comigo. Cheguei numa avenida muito movimentada, bem no horário de pico e eu só pensando “vou atravessar essa bagaça numa corrida só”.
Quando tomei fôlego para fazer isso, senti alguém segurar meu braço. “Calma, meu filho”, disse uma senhorinha de um metro e nada de altura, com uma aparência de ter uns 214 anos. “Eu ajudo você a atravessar.” Começamos a cruzar as pistas e foi como se os carros estivessem parando para nós. Quando chegamos ao outro lado, ela me deu um beijo no rosto e sumiu numa esquina.
FREITAS, A. V. B. As histórias que escrevi. Lisboa: Chiado, 2017.
As palavras do texto que estão diretamente relacionadas ao tema desenvolvido são:
Questão 85 10533542
ENCCEJA* Ensino Fundamental - I, II, III e IV 2019TEXTO I
Nascida em Sacramento (MG) em 1914, Carolina Maria de Jesus foi uma importante escritora brasileira. Filha de analfabetos, começou a estudar aos 7 anos e precisou largar a escola no segundo ano, mas aprendeu a ler e escrever. Em 1937 sua mãe faleceu e, para sustentar a família, ela saía à noite para coletar papel. Carolina escrevia sobre sua vida na favela e seu dia a dia. Um desses cadernos deu origem ao seu livro mais famoso, Quarto de Despejo.
ARRAES, J. Heroínas Negras Brasileiras: em 15 cordéis. São Paulo: Pólen, 2017. p. 43 (adaptado).
TEXTO II
CAROLINA Mª DE JESUS
Sua história verdadeira
Começou em Sacramento
Na rural comunidade
Foi de Minas um rebento
Era o ano de quatorze
Inda mil e novecentos.
[...]
Como era catadora
Pelos lixos encontrava
O papel e o caderno
Que por fim utilizava
Como o Famoso Diário
Onde tudo registrava.
[...]
Foi o Quarto de Despejo
O primeiro publicado
Um sucesso monstruoso
Tão vendido e aclamado
Carolina fez dinheiro
Com o livro elogiado.
ARRAES, J. Heroínas Negras Brasileiras: em 15 cordéis. São Paulo: Pólen, 2017. p. 37-40 (fragmento).
Os textos I e II tratam do mesmo tema: a vida de uma escritora.
A diferença entre eles é que o texto 2 apresenta
Questão 74 10533493
ENCCEJA* Ensino Fundamental - I, II, III e IV 2019Anedota búlgara
Era uma vez um czar naturalista
que caçava homens.
Quando lhe contaram que também
se caçam borboletas e andorinhas
ficou muito espantado
e achou uma barbaridade.
ANDRADE, C. D. Alguma poesia. São Paulo: Cia. das Letras, 2013.
A ironia do fato narrado no poema manifestase na
Questão 69 10533473
ENCCEJA* Ensino Fundamental - I, II, III e IV 2019No Brasil, a presença de modalidades como o futebol tem se destacado historicamente, mostrando-se predominante em inúmeros contextos e circunstâncias: nas “peladas”, disputadas em praças, várzeas e em ruas pouco movimentadas; no vestuário, mediante o uso dos uniformes de grandes e pequenos clubes; na tela da televisão, distribuindo-se entre transmissões ao vivo de partidas e noticiários especializados que retratam a rotina dos atletas e as competições. Frente a essa realidade, é comum que o futebol seja encarado como um componente fundamental de nossa identidade nacional, atuando como símbolo de uma suposta “brasilidade”.
Disponível em: http://catalogo.educacaonaculturadigital. mec.gov.br. Acesso em: 18 mar. 2018 (adaptado).
O texto representa historicamente o futebol como uma modalidade
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