Questões de EFAF Português
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Questão 3 10737311
CMBH 6° Ano - Português 2014TEXTO
Glória
— Meu filho é artista de televisão, contando o senhor não acredita. Eu mesmo às vezes penso que é
ilusão. Com oito anos, imagine. Estava brincando na pracinha lá da vila quando passaram uns homens e
olharam muito pra ele. Meu filho, não é pra me gabar, mas é uma lindeza de Menino-Jesus, aí um dos
homens falou assim pra ele: Quer fazer um teste, ó garoto? O que é teste? ele respondeu. Aí o homem
[5] explicou, não sei bem qual é a explicação, levaram ele pra um edifício na cidade, tiraram um bocado de
retratos dele, depois falaram assim: Você foi aprovado. Aí ele se espantou: Mas eu não fiz exame, que
troço é esse? Não é nada de exame não, eles responderam, você foi aprovado pra fazer um comercial, tá
bem? Ele neca de saber o que é um comercial, nem eu, mas agora eu fiquei sabendo, é uma coisa à toa, a
pessoa nem precisa falar, fica só fazendo uma coisa, comendo doce de leite, devagarinho, com uma
[10] carinha alegre, quando acaba passa a língua nos beiços, assim, olha, e pisca o olho, ele é tão engraçado,
antes de acabar de comer ele já estava fazendo isso, um negócio. Aí mandaram ele de volta pra casa, não,
antes falaram assim pra ele: Manda seu pai aqui na agência receber o cachet. Ele ficou espantado, falou
assim: Que troço é esse? Eles responderam: É Tutu. Aí ele baixou a cabeça e respondeu baixinho: Eu não
tenho pai. E mãe você tem? Ele respondeu que mãe ele tinha, e levantou a cabeça. Então manda ela aqui,
[15] mas o garoto é esperto, deu uma de sabido: Eu mesmo não posso receber? Se fui eu que fiz tudo sozinho.
Não, você não pode, tem que ser sua mãe, diz a ela que venha das 2 às 4, trazendo carteira de identidade.
Bonito, e eu que nunca tive carteira, já pelejei pra tirar uma, dei duro, pedi pro compadre Julião me
quebrar esse galho, compadre explicou que carece antes tirar certidão de nascimento, essa é muito boa,
então a gente tem que provar que nasceu, eu não estou viva com a graça de Deus e forte e trabalhando? O
[20] pior é que nem sei se fui registrada lá em Pilão dos Palmares, chão do meu nascimento, não tenho parentes
neste mundo, só tenho no outro, e nem a poder de oração consegui até hoje tirar o papel da tal certidão,
afinal eu falei assim pro compadre: Deixa para lá, sem carteira vivi até hoje, sem ela vou viver até Nosso
Senhor me fechar os olhos. Vou lá na agência assim mesmo. Larguei meu serviço. Fui. Tinha um mundão
de gente, eu não sabia quem é que podia me atender, andei rodando de uma sala pra outra, até que afinal
[25] um cara de bigodão, atrás da parede de vidro com um óculo no meio, falou assim: É comigo, trouxe a
carteira? Eu expliquei que carteira eu não tinha, mas sou lavadeira muito acreditada na Zona Norte, muitas
madamas da Rua Conde de Bonfim podem atestar que eu sou eu mesma e mãe de meu filho, há 25 anos
que trabalho de lavar roupa. Ele abanou a cabeça, falou assim: Nada feito, não tenho ordem de pagar sem
identidade. Mas o meu filho trabalhou, moço, eles ficaram satisfeitos com o trabalho dele, tanto que
[30] prometeram pagar um tal de cachet, como é que pra pagar a ele é preciso a carteira de outra pessoa, o
senhor acha isso direito? Ele não respondeu nada, tornou a abanar a cabeça e eu fiquei matutando: O que
tu vai fazer pra sair dessa, Clementina da Anunciação? E comecei a chorar. Aí eles me viram chorando,
ficaram com pena de mim, um barbudo que passava disse pro bigodão: Paga ela, Reginaldo. O bigodão
resmungou: Tá legal, e me deu um papel passado em três folhas iguais, pra eu assinar nelas todas. Aí eu
[35] disse: O senhor me desculpe, mas eu não sei escrever, a cabeça não dá. Então nada feito outra vez, o
bigodão respondeu. Aí eu não tinha mais vontade de chorar e disse assim pra ele: Escuta aqui, moço,
quanto é que meu filho tem pra receber? Ele respondeu: 50 cruzeiros. Ah, é isso? respondi. Pode ficar pra
agência. Perdi meu dia de trabalho, gastei trem, gastei ônibus, andei a pé nesse solão, não vou me chatear
por causa dessa micharia. Um cara que estava escutando falou assim: A senhora vai jogar fora esses 50
[40] mangos? E daí? respondi pra ele. Meu filho vale muito mais, a gente não fica mais pobre por causa disso,
ele agora é artista, amanhã, se Deus e a Virgem Maria ajudar, vai ganhar milhões. Nem precisa ganhar, só
o orgulho que eu sinto por ele ter passado no teste! Saí de lá com esse orgulho bonito no coração, meu
filho é artista, meu filho é artista, ia repetindo sozinha, na rua me olhavam admirados, mas eu nem dei
bola, fui pra casa e ligo a televisão o dia inteiro, trabalho vendo ela, até chegar a hora de meu filho
[45] aparecer no comercial comendo doce de leite. Pobre tem televisão, na vila todos têm, vai ser um estouro
quando meu boneco aparecer e piscar o olho, então isso não vale mais que 50, que 500, ou cinco mil
cruzeiros, ou todos os cruzeiros do mundo?
E seu rosto enrugado cintilava de glória.
DRUMMOND, Carlos. In: De notícias & não-notícias faz-se a crônica. Rio de Janeiro: J. Olympio, 1975.
O texto lido é uma crônica, ou seja, uma narrativa:
Questão 2 10737310
CMBH 6° Ano - Português 2014TEXTO
Glória
— Meu filho é artista de televisão, contando o senhor não acredita. Eu mesmo às vezes penso que é
ilusão. Com oito anos, imagine. Estava brincando na pracinha lá da vila quando passaram uns homens e
olharam muito pra ele. Meu filho, não é pra me gabar, mas é uma lindeza de Menino-Jesus, aí um dos
homens falou assim pra ele: Quer fazer um teste, ó garoto? O que é teste? ele respondeu. Aí o homem
[5] explicou, não sei bem qual é a explicação, levaram ele pra um edifício na cidade, tiraram um bocado de
retratos dele, depois falaram assim: Você foi aprovado. Aí ele se espantou: Mas eu não fiz exame, que
troço é esse? Não é nada de exame não, eles responderam, você foi aprovado pra fazer um comercial, tá
bem? Ele neca de saber o que é um comercial, nem eu, mas agora eu fiquei sabendo, é uma coisa à toa, a
pessoa nem precisa falar, fica só fazendo uma coisa, comendo doce de leite, devagarinho, com uma
[10] carinha alegre, quando acaba passa a língua nos beiços, assim, olha, e pisca o olho, ele é tão engraçado,
antes de acabar de comer ele já estava fazendo isso, um negócio. Aí mandaram ele de volta pra casa, não,
antes falaram assim pra ele: Manda seu pai aqui na agência receber o cachet. Ele ficou espantado, falou
assim: Que troço é esse? Eles responderam: É Tutu. Aí ele baixou a cabeça e respondeu baixinho: Eu não
tenho pai. E mãe você tem? Ele respondeu que mãe ele tinha, e levantou a cabeça. Então manda ela aqui,
[15] mas o garoto é esperto, deu uma de sabido: Eu mesmo não posso receber? Se fui eu que fiz tudo sozinho.
Não, você não pode, tem que ser sua mãe, diz a ela que venha das 2 às 4, trazendo carteira de identidade.
Bonito, e eu que nunca tive carteira, já pelejei pra tirar uma, dei duro, pedi pro compadre Julião me
quebrar esse galho, compadre explicou que carece antes tirar certidão de nascimento, essa é muito boa,
então a gente tem que provar que nasceu, eu não estou viva com a graça de Deus e forte e trabalhando? O
[20] pior é que nem sei se fui registrada lá em Pilão dos Palmares, chão do meu nascimento, não tenho parentes
neste mundo, só tenho no outro, e nem a poder de oração consegui até hoje tirar o papel da tal certidão,
afinal eu falei assim pro compadre: Deixa para lá, sem carteira vivi até hoje, sem ela vou viver até Nosso
Senhor me fechar os olhos. Vou lá na agência assim mesmo. Larguei meu serviço. Fui. Tinha um mundão
de gente, eu não sabia quem é que podia me atender, andei rodando de uma sala pra outra, até que afinal
[25] um cara de bigodão, atrás da parede de vidro com um óculo no meio, falou assim: É comigo, trouxe a
carteira? Eu expliquei que carteira eu não tinha, mas sou lavadeira muito acreditada na Zona Norte, muitas
madamas da Rua Conde de Bonfim podem atestar que eu sou eu mesma e mãe de meu filho, há 25 anos
que trabalho de lavar roupa. Ele abanou a cabeça, falou assim: Nada feito, não tenho ordem de pagar sem
identidade. Mas o meu filho trabalhou, moço, eles ficaram satisfeitos com o trabalho dele, tanto que
[30] prometeram pagar um tal de cachet, como é que pra pagar a ele é preciso a carteira de outra pessoa, o
senhor acha isso direito? Ele não respondeu nada, tornou a abanar a cabeça e eu fiquei matutando: O que
tu vai fazer pra sair dessa, Clementina da Anunciação? E comecei a chorar. Aí eles me viram chorando,
ficaram com pena de mim, um barbudo que passava disse pro bigodão: Paga ela, Reginaldo. O bigodão
resmungou: Tá legal, e me deu um papel passado em três folhas iguais, pra eu assinar nelas todas. Aí eu
[35] disse: O senhor me desculpe, mas eu não sei escrever, a cabeça não dá. Então nada feito outra vez, o
bigodão respondeu. Aí eu não tinha mais vontade de chorar e disse assim pra ele: Escuta aqui, moço,
quanto é que meu filho tem pra receber? Ele respondeu: 50 cruzeiros. Ah, é isso? respondi. Pode ficar pra
agência. Perdi meu dia de trabalho, gastei trem, gastei ônibus, andei a pé nesse solão, não vou me chatear
por causa dessa micharia. Um cara que estava escutando falou assim: A senhora vai jogar fora esses 50
[40] mangos? E daí? respondi pra ele. Meu filho vale muito mais, a gente não fica mais pobre por causa disso,
ele agora é artista, amanhã, se Deus e a Virgem Maria ajudar, vai ganhar milhões. Nem precisa ganhar, só
o orgulho que eu sinto por ele ter passado no teste! Saí de lá com esse orgulho bonito no coração, meu
filho é artista, meu filho é artista, ia repetindo sozinha, na rua me olhavam admirados, mas eu nem dei
bola, fui pra casa e ligo a televisão o dia inteiro, trabalho vendo ela, até chegar a hora de meu filho
[45] aparecer no comercial comendo doce de leite. Pobre tem televisão, na vila todos têm, vai ser um estouro
quando meu boneco aparecer e piscar o olho, então isso não vale mais que 50, que 500, ou cinco mil
cruzeiros, ou todos os cruzeiros do mundo?
E seu rosto enrugado cintilava de glória.
DRUMMOND, Carlos. In: De notícias & não-notícias faz-se a crônica. Rio de Janeiro: J. Olympio, 1975.
O título do texto faz referência direta a:
Questão 1 10737307
CMBH 6° Ano - Português 2014TEXTO
Glória
— Meu filho é artista de televisão, contando o senhor não acredita. Eu mesmo às vezes penso que é
ilusão. Com oito anos, imagine. Estava brincando na pracinha lá da vila quando passaram uns homens e
olharam muito pra ele. Meu filho, não é pra me gabar, mas é uma lindeza de Menino-Jesus, aí um dos
homens falou assim pra ele: Quer fazer um teste, ó garoto? O que é teste? ele respondeu. Aí o homem
[5] explicou, não sei bem qual é a explicação, levaram ele pra um edifício na cidade, tiraram um bocado de
retratos dele, depois falaram assim: Você foi aprovado. Aí ele se espantou: Mas eu não fiz exame, que
troço é esse? Não é nada de exame não, eles responderam, você foi aprovado pra fazer um comercial, tá
bem? Ele neca de saber o que é um comercial, nem eu, mas agora eu fiquei sabendo, é uma coisa à toa, a
pessoa nem precisa falar, fica só fazendo uma coisa, comendo doce de leite, devagarinho, com uma
[10] carinha alegre, quando acaba passa a língua nos beiços, assim, olha, e pisca o olho, ele é tão engraçado,
antes de acabar de comer ele já estava fazendo isso, um negócio. Aí mandaram ele de volta pra casa, não,
antes falaram assim pra ele: Manda seu pai aqui na agência receber o cachet. Ele ficou espantado, falou
assim: Que troço é esse? Eles responderam: É Tutu. Aí ele baixou a cabeça e respondeu baixinho: Eu não
tenho pai. E mãe você tem? Ele respondeu que mãe ele tinha, e levantou a cabeça. Então manda ela aqui,
[15] mas o garoto é esperto, deu uma de sabido: Eu mesmo não posso receber? Se fui eu que fiz tudo sozinho.
Não, você não pode, tem que ser sua mãe, diz a ela que venha das 2 às 4, trazendo carteira de identidade.
Bonito, e eu que nunca tive carteira, já pelejei pra tirar uma, dei duro, pedi pro compadre Julião me
quebrar esse galho, compadre explicou que carece antes tirar certidão de nascimento, essa é muito boa,
então a gente tem que provar que nasceu, eu não estou viva com a graça de Deus e forte e trabalhando? O
[20] pior é que nem sei se fui registrada lá em Pilão dos Palmares, chão do meu nascimento, não tenho parentes
neste mundo, só tenho no outro, e nem a poder de oração consegui até hoje tirar o papel da tal certidão,
afinal eu falei assim pro compadre: Deixa para lá, sem carteira vivi até hoje, sem ela vou viver até Nosso
Senhor me fechar os olhos. Vou lá na agência assim mesmo. Larguei meu serviço. Fui. Tinha um mundão
de gente, eu não sabia quem é que podia me atender, andei rodando de uma sala pra outra, até que afinal
[25] um cara de bigodão, atrás da parede de vidro com um óculo no meio, falou assim: É comigo, trouxe a
carteira? Eu expliquei que carteira eu não tinha, mas sou lavadeira muito acreditada na Zona Norte, muitas
madamas da Rua Conde de Bonfim podem atestar que eu sou eu mesma e mãe de meu filho, há 25 anos
que trabalho de lavar roupa. Ele abanou a cabeça, falou assim: Nada feito, não tenho ordem de pagar sem
identidade. Mas o meu filho trabalhou, moço, eles ficaram satisfeitos com o trabalho dele, tanto que
[30] prometeram pagar um tal de cachet, como é que pra pagar a ele é preciso a carteira de outra pessoa, o
senhor acha isso direito? Ele não respondeu nada, tornou a abanar a cabeça e eu fiquei matutando: O que
tu vai fazer pra sair dessa, Clementina da Anunciação? E comecei a chorar. Aí eles me viram chorando,
ficaram com pena de mim, um barbudo que passava disse pro bigodão: Paga ela, Reginaldo. O bigodão
resmungou: Tá legal, e me deu um papel passado em três folhas iguais, pra eu assinar nelas todas. Aí eu
[35] disse: O senhor me desculpe, mas eu não sei escrever, a cabeça não dá. Então nada feito outra vez, o
bigodão respondeu. Aí eu não tinha mais vontade de chorar e disse assim pra ele: Escuta aqui, moço,
quanto é que meu filho tem pra receber? Ele respondeu: 50 cruzeiros. Ah, é isso? respondi. Pode ficar pra
agência. Perdi meu dia de trabalho, gastei trem, gastei ônibus, andei a pé nesse solão, não vou me chatear
por causa dessa micharia. Um cara que estava escutando falou assim: A senhora vai jogar fora esses 50
[40] mangos? E daí? respondi pra ele. Meu filho vale muito mais, a gente não fica mais pobre por causa disso,
ele agora é artista, amanhã, se Deus e a Virgem Maria ajudar, vai ganhar milhões. Nem precisa ganhar, só
o orgulho que eu sinto por ele ter passado no teste! Saí de lá com esse orgulho bonito no coração, meu
filho é artista, meu filho é artista, ia repetindo sozinha, na rua me olhavam admirados, mas eu nem dei
bola, fui pra casa e ligo a televisão o dia inteiro, trabalho vendo ela, até chegar a hora de meu filho
[45] aparecer no comercial comendo doce de leite. Pobre tem televisão, na vila todos têm, vai ser um estouro
quando meu boneco aparecer e piscar o olho, então isso não vale mais que 50, que 500, ou cinco mil
cruzeiros, ou todos os cruzeiros do mundo?
E seu rosto enrugado cintilava de glória.
DRUMMOND, Carlos. In: De notícias & não-notícias faz-se a crônica. Rio de Janeiro: J. Olympio, 1975.
Nesse texto, o autor apresenta:
Questão 19 10736013
CMRJ 6º Ano - Português 2014TEXTO
A bola
Toquinho
Pulo, pulo, pulo, vou de pé em pé.
Da chuteira do menino na vidraça da mulher.
Salto, salto, salto mais que perereca.
Pulo o muro e caio em cima da cabeça de um careca.
Corro, corro, corro na praia de manhã
E quando eu balanço a rede é festa no Maracanã.
Rolo, rolo, rolo rápido e rasteiro
E sou muito maltratada pelos pés de peladeiro.
Pulo, pulo, pulo, vou com quem vier.
Joguei com Nilton Santos, com Garrincha e com Pelé.
Salto, salto, salto com todo carinho.
Joguei com Rivelino, com Tostão e Jairzinho.
Rolo, rolo, rolo com satisfação.
Hoje jogo com Romário, Ronaldinho e Luizão.
Corro, corro, corro do começo ao fim.
Depois que acaba o jogo, ninguém mais lembra de mim.
É, a vida é assim, o tempo passa
E fica relembrando
Canções do amor demais.
Sim, será mais um, mais um qualquer
Que vem de vez em quando
E olha para trás.
É, existe sempre uma mulher
Pra se ficar pensando.
Nem sei, nem lembro mais.
Toquinho. A bola. Intérprete: Moraes Moreira. In: Casa de Brinquedos. São Paulo: Universal, C1995. 1CD. Faixa 11.
Nos versos “Rolo, rolo, rolo com satisfação. / Hoje jogo com Romário, Ronaldinho e Luizão. / Corro, corro, corro do começo ao fim. / Depois que acaba o jogo, ninguém mais lembra de mim.”, os verbos rolo e corro estão relacionados ao pronome EU (Eu rolo/ eu corro). Se trocássemos o pronome EU para ELE, esses verbos ficariam obrigatoriamente assim:
Questão 17 10736010
CMRJ 6º Ano - Português 2014TEXTO
Caçadas de Pedrinho
Monteiro Lobato
Dos moradores do sítio de Dona Benta o mais andante era o Marquês de Rabicó. Conhecia todas
as florestas, inclusive o capoeirão dos Taquaruçus, mato muito fechado onde Dona Benta não deixava que
os meninos fossem passear. Certo dia em que Rabicó se aventurou nesse mato em procura das orelhas-
de-pau que crescem nos troncos podres, parece que as coisas não lhe correram muito bem, pois voltou
[5] rapidamente.
— Que aconteceu? — perguntou Pedrinho, ao vê-lo chegar todo arrepiado e com os olhos cheios
de susto. — Está com cara de Marquês que viu onça...
— Não vi, mas quase vi! — respondeu Rabicó, tomando fôlego. — Ouvi um miado esquisito e dei
com umas pegadas mais esquisitas ainda. Não conheço onça, que dizem ser um gatão assim do tamanho
[10] dum bezerro. Ora, o miado que ouvi era de gato, mas muito mais forte, e as pegadas também eram de
gato, mas muito maiores. Logo, era onça.
Pedrinho refletiu sobre o caso e achou que bem podia ser verdade. Correu em procura de
Narizinho.
— Sabe? Rabicó descobriu que anda uma onça no capoeirão dos Taquaruçus!...
[15] — Uma onça? Não me diga! Vou já avisar vovó...
— Não caia nessa — advertiu o menino. — Medrosa como ela é, vovó ou morre de medo ou trata
de nos levar hoje mesmo para a cidade. Muito melhor ficarmos quietos e caçarmos a onça.
A menina arregalou os olhos.
— Está louco, Pedrinho? Não sabe que onça é um bicho feroz que come gente?
[20] — Sei, sim, como também sei que gente mata onça.
— Isso é gente grande, bobo!
— Gente grande!... — repetiu o menino, com ar de pouco-caso. — Vovó e Tia Nastácia são gente
grande e, no entanto, correm até de barata. O que vale não é ser gente grande, é ser gente de coragem,
e eu...
[25] — Bem sei que você é valente como um galo garnisé, mas olhe que onça é onça. Com um tapa
derruba qualquer caçador, diz Tia Nastácia.
O menino bateu no peito com arrogância.
— Pois quero ver isso! Vou organizar a caçada e juro que hei de trazer essa onça aqui para o
terreiro, arrastada pelas orelhas. Se você e os outros não tiverem coragem de me acompanhar, irei
[30] sozinho.
A menina arrepiou-se de entusiasmo diante de tamanha bravura e não quis ficar atrás.
— Pois vou também! — gritou. — Uma menina de nariz arrebitado não tem medo de coisa
nenhuma.
(LOBATO, Monteiro. Caçadas de Pedrinho Hans Staden . Vol. III. Edição integral e ilustrada digitalizada. Texto adaptado.)
No fragmento “Está com cara de Marquês que viu onça...” (linha 7), a expressão “cara que viu onça” significa que o Marquês parecia
Questão 16 10736009
CMRJ 6º Ano - Português 2014TEXTO
Caçadas de Pedrinho
Monteiro Lobato
Dos moradores do sítio de Dona Benta o mais andante era o Marquês de Rabicó. Conhecia todas
as florestas, inclusive o capoeirão dos Taquaruçus, mato muito fechado onde Dona Benta não deixava que
os meninos fossem passear. Certo dia em que Rabicó se aventurou nesse mato em procura das orelhas-
de-pau que crescem nos troncos podres, parece que as coisas não lhe correram muito bem, pois voltou
[5] rapidamente.
— Que aconteceu? — perguntou Pedrinho, ao vê-lo chegar todo arrepiado e com os olhos cheios
de susto. — Está com cara de Marquês que viu onça...
— Não vi, mas quase vi! — respondeu Rabicó, tomando fôlego. — Ouvi um miado esquisito e dei
com umas pegadas mais esquisitas ainda. Não conheço onça, que dizem ser um gatão assim do tamanho
[10] dum bezerro. Ora, o miado que ouvi era de gato, mas muito mais forte, e as pegadas também eram de
gato, mas muito maiores. Logo, era onça.
Pedrinho refletiu sobre o caso e achou que bem podia ser verdade. Correu em procura de
Narizinho.
— Sabe? Rabicó descobriu que anda uma onça no capoeirão dos Taquaruçus!...
[15] — Uma onça? Não me diga! Vou já avisar vovó...
— Não caia nessa — advertiu o menino. — Medrosa como ela é, vovó ou morre de medo ou trata
de nos levar hoje mesmo para a cidade. Muito melhor ficarmos quietos e caçarmos a onça.
A menina arregalou os olhos.
— Está louco, Pedrinho? Não sabe que onça é um bicho feroz que come gente?
[20] — Sei, sim, como também sei que gente mata onça.
— Isso é gente grande, bobo!
— Gente grande!... — repetiu o menino, com ar de pouco-caso. — Vovó e Tia Nastácia são gente
grande e, no entanto, correm até de barata. O que vale não é ser gente grande, é ser gente de coragem,
e eu...
[25] — Bem sei que você é valente como um galo garnisé, mas olhe que onça é onça. Com um tapa
derruba qualquer caçador, diz Tia Nastácia.
O menino bateu no peito com arrogância.
— Pois quero ver isso! Vou organizar a caçada e juro que hei de trazer essa onça aqui para o
terreiro, arrastada pelas orelhas. Se você e os outros não tiverem coragem de me acompanhar, irei
[30] sozinho.
A menina arrepiou-se de entusiasmo diante de tamanha bravura e não quis ficar atrás.
— Pois vou também! — gritou. — Uma menina de nariz arrebitado não tem medo de coisa
nenhuma.
(LOBATO, Monteiro. Caçadas de Pedrinho Hans Staden . Vol. III. Edição integral e ilustrada digitalizada. Texto adaptado.)
“Ora, o miado que ouvi era de gato, mas muito mais forte, e as pegadas também eram de gato, mas muito maiores. Logo, era onça.” (linhas 10 e 11) As palavras destacadas podem ser substituídas, sem alteração de sentido, respectivamente por
06
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