Questões de EFAF Português - Leitura e Interpretação de Texto
7.497 Questões
Questão 14 10422998
CMT 2020Leia o texto a seguir, que servirá para você responder à questão.
O SAPATEIRO POBRE
Havia um sapateiro que trabalhava à porta de casa, e todo o santíssimo dia cantava. Tinha muitos filhos, que andavam rotinhos* pela rua, pela muita pobreza, e à noite enquanto a mulher fazia a ceia, o homem puxava da viola e tocava os seus batuques muito contente.
Defronte dele, morava um ricaço, que reparou naquele viver e teve pelo sapateiro tal compaixão, que lhe mandou dar um saco de dinheiro, porque o queria fazer feliz.
O sapateiro lá ficou admirado. Pegou no dinheiro e à noite fechou-se com a mulher para o contarem. Naquela noite o sapateiro já não tocou viola. As crianças andavam a brincar pela casa e faziam barulho, fizeram-no errar a conta e ele teve de lhes bater. Ouviu-se uma choradeira, como nunca tinham feito quando estavam com mais fome.
Dizia a mulher:
– E agora, o que havemos nós de fazer com tanto dinheiro?
– Enterra-se.
– Perdemos-lhe o tino*. É melhor metê-lo na arca*.
– Mas podem roubá-lo, o melhor é pô-lo a render.
– Ora isso é ser onzeneiro*.
– Então levantam-se as casas e fazem-se de sobrado, e depois arranjo a oficina toda pintadinha.
– Isso não tem nada com a obra! O melhor era comprarmos uns campinhos; eu sou filha de lavrador e puxa-me o corpo para o campo.
– Nessa não caio eu.
– Pois o que me faz conta é ter terra; tudo o mais é vento.
As coisas foram-se azedando, palavra puxa palavra, o homem zanga-se, atiça duas solhas* na mulher, berreiro de uma banda, berreiro de outra, naquela noite não pregaram olho.
O vizinho ricaço reparava em tudo e não sabia explicar aquela mudança. Por fim, o sapateiro disse à mulher: – Sabes que mais, o dinheiro tirou-nos a nossa antiga alegria!
O melhor era ir levá-lo outra vez ao vizinho dali defronte, e que nos deixe cá com aquela pobreza que nos fazia amigos um do outro!
A mulher abraçou aquilo com ambas as mãos, e o sapateiro, com vontade de recobrar a sua alegria e a da mulher e dos filhos, foi entregar o dinheiro e voltou para a sua tripeça* a cantar e trabalhar como de costume.
FRAZÃO, Fernanda. Lendas Portuguesas, Ed. Amigos do Livro (com adaptação).
Vocabulário
rotinhos Mal vestidos, com roupas estragadas.
tino Juízo, sensatez.
arca Caixa grande.
onzeneiro Que empresta dinheiro a juros.
solhas Tapas, pancadas, bofetadas.
tripeça Trabalho, ofício de sapateiro.
Um texto pode ser entendido também como um conjunto de palavras organizadas que são capazes de transmitir ao leitor alguma informação. Assim, compreender a relação que existe entre as palavras e entre as ideias é fundamental para entendermos bem um texto.
Considerando isso, assinale a opção em que a informação apresentada sobre a narrativa “O sapateiro pobre” está correta.
Questão 11 10422870
CMT 2020Os dois textos a seguir servirão de suporte para a questão.
TEXTO I
Diante da crise promovida pela Covid-19, o Instituto Mano Down lançou uma nova campanha colaborativa para conseguir manter as atividades oferecidas aos mais de 200 educandos – bebês, crianças, jovens, adultos e idosos – com síndrome de Down e outras deficiências intelectuais.
Com o isolamento social, provocado pela Covid-19, as atividades presenciais do Instituto Mano Down foram suspensas. No entanto, a equipe do Instituto vem se dedicando para oferecer às famílias e educandos atendimentos e diversas atividades online.

Ainda em março o Instituto começou a perceber os reflexos da crise mundial, com o cancelamento de todos os eventos e palestras, além de outras contribuições, o que representa uma queda significativa para receita, somando uma perda de aproximadamente R$ 30 mil.
Para reverter esse quadro e dar continuidade ao trabalho de desenvolvimento, autonomia e inclusão das pessoas com deficiência, o Instituto Mano Down lança a CAMPANHA NÓS PRECISAMOS DE VOCÊ.
Trata-se de uma campanha de doações que conta com o apoio da equipe, das famílias, educandos, doadores, apoiadores, embaixadores, seguidores e todas as pessoas que acreditam na causa, para conseguir manter o Mano Down.
Internet: http://www.manodown.com.br/noticias/nesse-momento-o-mano-down-precisa-de-voce/. Acesso em 12 de set. de 2020. (com adaptação).
TEXTO II
POR QUE DOAR
Doar sangue não é apenas um ato de solidariedade, é um ato de vida, um ato de cidadania. A doação é 100% voluntária e pode beneficiar qualquer pessoa, independente de parentesco. Pode ser pai, mãe, irmão, amigo ou até mesmo uma pessoa que você nunca viu na vida. O que temos de pensar é que não importa quem será beneficiado, o importante é que com a sua doação pessoas terão novas oportunidades, novos sonhos, novas chances de recomeçar. Os estoques dos bancos de sangue não podem ficar vazios. Doe sangue regularmente e ajude a quem precisa. Uma só doação que você faz pode beneficiar até quatro vidas. Pensando nisso, todos têm um papel importante quando o assunto é doação regular de sangue.
Internet: https://portalarquivos.saude.gov.br/campanhas/doesangue/por-que-doar.html. Acesso em 12 de set. de 2020.
Um dos principais valores em uma sociedade é a solidariedade, que consiste na ação de ajudar o outro. Ela é muito relevante na construção de uma sociedade em que as diferenças sejam respeitadas e o sentimento de acolher os necessitados exista.
Acerca das ideias dos dois textos anteriores, que tratam do comportamento solidário, assinale a opção correta.
Questão 6 10422749
CMT 2020Leia as tirinhas com atenção. Elas serão o suporte para a questão.

www.abcdoabc.com.br. Acesso em 16 de set. de 2020.
A preservação ambiental é um valor para a humanidade. Isso significa que todos devemos agir para preservar o meio ambiente, pois dependemos dele para sobreviver.
As duas tirinhas, que tratam do mesmo assunto, apresentam, respectivamente, as seguintes ideias:
Questão 3 10413056
CPM 2020Leia o texto Da inutilidade da infância, de Rubem Alves, para responder à questão.
“O pai orgulhoso e sólido olha para o filho saudável e imagina o futuro.
‘Que é que você vai ser quando crescer?’ Pergunta inevitável, necessária, previdente, que ninguém questiona.
‘Ah! Quando eu crescer, acho que vou ser médico!’
A profissão não importa muito, desde que ela pertença ao rol dos rótulos respeitáveis que um pai gostaria de ver colados ao nome do seu filho (e ao seu, obviamente)... Engenheiro, diplomata, advogado, cientista...
Imagino um outro pai, diferente, que não pode fazer perguntas sobre o futuro. Pai para quem o filho não é uma entidade que ‘vai ser quando crescer’, mas que simplesmente é, por enquanto... É que ele sofre de leucemia e, por isto mesmo, não vai ser nem médico, nem mecânico e
nem ascensorista. Que é que seu pai lhe diz? Penso que o pai, esquecido de todos ‘os futuros possíveis e gloriosos’ e dolorosamente consciente da presença física, corporal da criança, se aproxima dela com toda a ternura e lhe diz: ‘Se tudo correr bem, iremos ao jardim zoológico no próximo domingo...’
É, são duas maneiras de se pensar a vida de uma criança.
São duas maneiras de se pensar aquilo que fazemos com uma criança.’’
Disponível em: https://institutorubemalves.org.br/wp- content/uploads/2018/08/1982.12.05.pdf. Acesso em: 25 ago. 2019.
Rubem Alves é um autor brasileiro de grande importância e muito sensível.
A interpretação correta que se pode atribuir ao seu texto Da inutilidade da infância é que, segundo o autor,
Questão 9 10173820
CMC 1° Ano Prova de Portugues 2020TEXTO

Disponível em: htips://www.goosle.com/armandinho+tirinha/ Acesso em 23 set.2020.
O efeito de humor foi um recurso utilizado pelo autor da tirinha no texto, para mostrar que o Armandinho:
Questão 6 10173546
CMC 1° Ano Prova de Portugues 2020TEXTO 1
Perfis de redes sociais são retratos ideais de nós mesmos
Desde as priscas eras do Orkut, em minhas perambulações pelas redes sociais, noto o fenômeno. Entro no
perfil de uma moça e começo a olhar suas fotos: encontro-a ali ainda criança, vestida de odalisca, num Camaval
do século 20; a vejo com seu cachorro, numa praia, recentemente; com uma turma na piscina de um sítio, no
final da adolescência; numa 3x4 com o namorado, espremida na mesma cabine, talvez numa viagem à Europa.
Então, sem que eu me dê conta, um retrato puxa o meu olhar. Minha reação imediata, naquele interregno
mental em que as pupilas já captaram a imagem, mas o cérebro ainda não teve tempo de processá-la, é de
surpresa: como ela saiu bem nessa foto! Só um segundo depois percebo o engano: quem saiu bem não foi a
garota do perfil, mas a Penélope Cruz, Marilyn Monroe, Sarah Jessica Parker ou outra atriz famosa, cuja
imagem foi contrabandeada para aquele álbum por conta de alguma semelhança com sua dona. Olho as outras
fotos. Comparo. E da distância — às vezes menor, às vezes maior — entre a estrela de cinema e a mulher do
Facebook, surgem sentimentos contraditórios.
De início, topar com a destoante atriz me dava certa pena: afinal, por mais bonita que fosse a moça, nunca
alcançava a musa. “Será que ela acredita mesmo ser parecida com a Sharon Stone?”, eu pensava com uma
pitada de vergonha alheia, como se estivesse diante de uma pessoa incapaz de lidar com a realidade, uma
pessoa com delírios de grandeza, com delírios de beleza.
Aos poucos, contudo, fui chegando à constatação óbvia de que todo perfil de rede social é um retrato
ideal de nós mesmos. Se ponho um link para um filme de Woody Allen, se cito uma frase de Nietzsche; mesmo
quando posto uma foto de um churrasco, não estou eu, também, editando-me? Tentando pegar esse aglomerado
de defeitos, qualidades, ansiedades, desejos e frustrações e emoldurá-lo de modo a valorizar o quadro —
engraçado, profundo, hedonista?
Pensando bem, nem precisamos ir até o exagero das redes sociais — essa versão caricaturada de nós
mesmos. Toda vez que nos vestimos, que abrimos a boca para emitir uma opinião, toda vez que empurramos o
mundo pra baixo e o corpo pra frente, dando um passo, de peito aberto, ombros curvados, de nariz empinado ou
de olhos pro chão, estamos travando esta negociação entre o real e o ideal. Estamos enviando aos outros e a nós
mesmos a soma de nossos fardos e de nossas aspirações.
Há pobres que se vestem de ricos e ricos que se vestem de pobres, magrelos que andam de braços
arqueados, como se fossem musculosos, feiosos que entram em um restaurante crentes que são o George
Clooney e possíveis galãs e divas que, ignorantes ou culpados por suas belezas, caminham por aí mais
parecidos com Tims Burtons e Zezé de Macedos. No fim, acabamos sendo um meio-termo entre o ator e o
roteiro que tentamos escrever.
Hoje, portanto, admiro as moças que colocam fotos de belas atrizes entre as suas. Vejo ali um pouco de
ousadia, um pouco de esperança, e, acima de tudo, algo oposto ao que eu via antes: não um delírio, a tentativa
de fugir de si próprias, mas a capacidade de aceitarem-se na harmoniosa mistura entre o que são e o que
gostariam de ser.
Antônio Prata
Disponível em: littp:/wwwl folha .vol.com.br/ Acesso em 23 set.2020.
TEXTO 2
Selfies
Muita gente se irrita, e tem razão, com o uso indiscriminado dos celulares. Fossem só para falar, já seria
Tuim. Mas servem também para tirar fotografias, e com isso somos invadidos no Facebook com imagens de
gatos subindo na cortina, focinhos de cachorro farejando a câmera, pratos de torresmo, brownie e feijoada.
Se depender do que vejo com meus filhos — dez e 12 anos -, o tempo dos “selfies” está de todo modo
chegando ao fim. Eles já começam a achar ridícula a mania de tirar retratos de si mesmo em qualquer ocasião.
Torna-se até um motivo de preconceito para com os colegas.
“Fulaninha? Tira fotos na frente do espelho.” Hábito que pode ser compreensível, contudo. Imagino
alguém dedicado a melhorar sua forma física, registrando seus progressos semanais. Ou apenas entregue, no
início da adolescência, à descoberta de si mesmo.
A bobeira se revela em outras situações: é o caso de quem tira um “selfie” tendo ao fundo a torre Eiffel,
ou (pior) ao lado de, sei lá, Tony Ramos ou Cauã Reymond.
Seria apenas o registro de algo importante que nos acontece — e tudo bem. O problema fica mais
complicado se pensarmos no caso das fotos de comida. Em primeiro lugar, vejo em tudo isso uma espécie de
degradação da experiência. Ou seja, é como se aquilo que vivemos de fato — uma estadia em Paris, o jantar num
restaurante — não pudesse ser vivido e sentido como aquilo que é.
Se me entrego a tirar fotos de mim mesmo na viagem, em vez de simplesmente viajar, posso — estar
fugindo das minhas próprias sensações. Desdobro o meu “self” (cabe bem a palavra) em duas entidades
distintas: aquela pessoa que está em Paris, e aquela que tira a foto de quem está em Paris.
Pode ser narcisismo, é claro. Mas o narcisismo não precisa viajar para lugar nenhum. À complicação não
surge do sujeito, surge do objeto. O que me incomoda é a torre Eiffel; o que fazer com ela? O que fazer de
minha relação com a torre Eiffel?
Poderia unir-me à paisagem, sentir como respiro diante daquela triunfal elevação de ferro e nuvem, deixar
que meu olhar atravesse o seu duro rendilhado que fosforesce ao sol, fazer-me diminuir entre as quatro vigas
curvas daquela catedral sem clero e sem paredes.
Perco tempo no centro imóvel desse mecanismo, que é como o ponteiro único de um relógio que tem seu
mostrador na circunferência do horizonte. Grupos de turistas se fazem e desfazem, há ruídos e crianças.
Pego, entretanto, o meu celular: tiro uma foto de mim mesmo na torre Eiffel. O mundo se fechou no visor
do aparelho. Não por acaso eu brinco, fazendo uma careta idiota; dou de costas para o monumento, mas estou
na verdade dando as costas para a vida.[...]
Talvez as coisas não sejam tão desesperadoras. Imagine-se que daqui a cem anos, depois de uma guerra
atômica e de uma catástrofe climática que destruam o mundo civilizado, um pesquisador recupere os “selfies” e
as fotos de batata frita.
“Como as pessoas eram felizes naquela época!” A alternativa seria dizer: “Como eram tontas!”.
Dependerá, por certo, dos humores do pesquisador.
Marcelo Coelho
Disponível em: http://marcelocoelho. blogfolha.uol.com br/2014/04/23/selfies.shtml Acesso em 23 set.2020.
O acento indicador de crase, o acento grave, refere-se à contração de duas vogais iguais.
De acordo com os elementos próprios para que a crase ocorra e considerando a leitura dos textos 1 e 2, identifique qual alternativa corresponde ao uso da crase por ser uma locução:
06
![[Marketing] Questao Topo - deslogado](https://storage.estuda.com.br/banners/0_6b7ebee90b03af1c560c73bb8bcce34a_banner_deslogado_70_dias.png)