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Questões de EFAF Português

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15.488 Questões

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Modo Escuro
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Questão 6 10170123
Fácil 00:00

IFPR Médio Integrado 2015
  • EFAF Português
  • Sugira
  • Leitura e Interpretação de Texto Sintaxe
  • Coesão (elem. coesivos) e Coerência Gêneros textuais - Verbais/Narrativos Objeto direto
  • Conto
  • Exibir tags
Resolução comentada

MÚSICA NO TÁXI

Carlos Drummond de Andrade

 

Quando menos se espera... Você pega o táxi, manda tocar ________ seu destino (manda, não,
pede por favor) e ................ a escutar durante 20 minutos, no volume mais possante, o rádio
despejando assaltos e homicídios do dia. Os tiros, os gemidos, os desabamentos o acompanharão
______ todo o percurso. É a fatalidade da vida, quando .............. pressa.
Mas eis que o motorista pega de um imprevisto cassete, coloca-o no lugar devido, liga, e os
acordes dos Contos dos Bosques de Viena irrompem do fusca amarrotado, mas digno.
Bem, não é a Nona Sinfonia nem um título menor da grande música, mas não estamos na Sala
Cecília Meireles, e isso vale como homenagem especial a um passageiro distinto, que pede por favor.
Cumpre agradecer a fineza:
– Obrigado. O senhor mostra que tem satisfação em agradar aos passageiros, oferecendo-lhes
música e não barulho e crimes.
[5] – Não tem de quê. O senhor também aprecia?
– O quê?
– Strauss. É um dos meus prediletos.
– Sim, ele é agradável. O senhor está sendo gentil comigo.
– Ora, não é tanto assim. Pus o cassete porque gosto de música. Não sabia se o senhor
também gostava ou não. Se não gostasse, eu desligava. Portanto, não tem que agradecer.
[10] – E já lhe aconteceu desligar?
Ih, tantas vezes. Fico observando a fisionomia do passageiro. Uns, mais acanhados,
disfarçam, não dizem nada, mas tem outros que reclamam, não querem ouvir esse troço. O senhor já
pensou: chamar Tchaikovski de “esse troço”? Pois ouvi isso de um cidadão de gravata e pasta de
executivo. Ele disse que precisava se concentrar por causa de um negócio importante e Tchaicovski
perturbava a concentração.
– Ele talvez quisesse dizer que ficava tão empolgado pela música que esquecia o negócio.
– Pois sim! Nesse caso, não falaria “esse troço”, que é o cúmulo da falta de respeito.
– Estou adivinhando que o senhor toca um instrumento.
[15] – Como é que o senhor viu?
– Porque uma pessoa que gosta tanto de música, em geral toca. Seu instrumento qual é?
Virou-se com tristeza na voz:
– Atualmente nenhum. O senhor sabe, essa crise geral, a gasolina pela hora da morte, e não é
só a gasolina: a comida, o sapato, o resto. Tive de vender pra tapar uns buracos. Mas se as coisas
melhorarem este ano...
– Melhoram. As coisas têm de melhorar – achei _____ meu dever confortá-lo.
– Porque clarinetista sem clarinete, o senhor sabe, é um negócio sem sentido. Clarinete tem esta
vantagem: dá o recado sem precisar de orquestra. Um solo bem executado, não precisa mais pra
encantar a alma. Mas clarinetista, sozinho, fica até ridículo.
[20] – Não diga isso. E não desanime. O dia em que arranjar outro clarinete – quem sabe?, talvez até
seja o mesmo que .................. – será uma festa.
– Mas se demorar muito eu já estarei tão desacostumado que nem sei se volto a tocar
razoavelmente. Porque, o senhor compreende, eu não sou um artista, minha vida não dá folga pra
estudar nem meia hora por dia.
– O importante é gostar de música, ter amor e devoção por música, e está se vendo que o
senhor tem de sobra.
– Lá isso tá certo.
– Não importa que o senhor não seja solista de uma grande orquestra, e mesmo de uma
orquestra comum. Ninguém precisa ser grande em nada, uma vez que cultive alguma coisa bonita na
vida.
[25] Seu rosto iluminou-se.
 Que bom ouvir uma coisa dessas. Agora vou lhe confessar que isso de não ser músico dos
tais que arrebatam o auditório sempre me doeu um pouco. Não era por vaidade não, quem sou pra ter
vaidade? Mas um sonho esquisito, sei lá. Ficava me imaginando num palco iluminado, tocando...
Bobagem, o senhor desculpe. Agora a sua palavra deixou tudo claro. Basta eu gostar de música. Não é
preciso que gostem de mim, nem que ela goste de mim. Obrigado ao senhor.
Olhei o taxímetro, tirei a carteira.
–Eu nem devia cobrar do senhor. Fico até encabulado!

(Boca de Luar, 6 ed. pág. 69-71, Editora Record, Rio, 1987)

Assinale a alternativa em que a função sintática das palavras em destaque está incorreta:

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Questão 5 10170060
Fácil 00:00

IFPR Médio Integrado 2015
  • EFAF Português
  • Sugira
  • Leitura e Interpretação de Texto Morfologia Sintaxe
  • Conjunções Conjunções Gêneros textuais - Verbais/Narrativos
  • Crônica
  • Exibir tags
Resolução comentada

MÚSICA NO TÁXI

Carlos Drummond de Andrade

 

Quando menos se espera... Você pega o táxi, manda tocar ________ seu destino (manda, não,
pede por favor) e ................ a escutar durante 20 minutos, no volume mais possante, o rádio
despejando assaltos e homicídios do dia. Os tiros, os gemidos, os desabamentos o acompanharão
______ todo o percurso. É a fatalidade da vida, quando .............. pressa.
Mas eis que o motorista pega de um imprevisto cassete, coloca-o no lugar devido, liga, e os
acordes dos Contos dos Bosques de Viena irrompem do fusca amarrotado, mas digno.
Bem, não é a Nona Sinfonia nem um título menor da grande música, mas não estamos na Sala
Cecília Meireles, e isso vale como homenagem especial a um passageiro distinto, que pede por favor.
Cumpre agradecer a fineza:
– Obrigado. O senhor mostra que tem satisfação em agradar aos passageiros, oferecendo-lhes
música e não barulho e crimes.
[5] – Não tem de quê. O senhor também aprecia?
– O quê?
– Strauss. É um dos meus prediletos.
– Sim, ele é agradável. O senhor está sendo gentil comigo.
– Ora, não é tanto assim. Pus o cassete porque gosto de música. Não sabia se o senhor
também gostava ou não. Se não gostasse, eu desligava. Portanto, não tem que agradecer.
[10] – E já lhe aconteceu desligar?
Ih, tantas vezes. Fico observando a fisionomia do passageiro. Uns, mais acanhados,
disfarçam, não dizem nada, mas tem outros que reclamam, não querem ouvir esse troço. O senhor já
pensou: chamar Tchaikovski de “esse troço”? Pois ouvi isso de um cidadão de gravata e pasta de
executivo. Ele disse que precisava se concentrar por causa de um negócio importante e Tchaicovski
perturbava a concentração.
– Ele talvez quisesse dizer que ficava tão empolgado pela música que esquecia o negócio.
– Pois sim! Nesse caso, não falaria “esse troço”, que é o cúmulo da falta de respeito.
– Estou adivinhando que o senhor toca um instrumento.
[15] – Como é que o senhor viu?
– Porque uma pessoa que gosta tanto de música, em geral toca. Seu instrumento qual é?
Virou-se com tristeza na voz:
– Atualmente nenhum. O senhor sabe, essa crise geral, a gasolina pela hora da morte, e não é
só a gasolina: a comida, o sapato, o resto. Tive de vender pra tapar uns buracos. Mas se as coisas
melhorarem este ano...
– Melhoram. As coisas têm de melhorar – achei _____ meu dever confortá-lo.
– Porque clarinetista sem clarinete, o senhor sabe, é um negócio sem sentido. Clarinete tem esta
vantagem: dá o recado sem precisar de orquestra. Um solo bem executado, não precisa mais pra
encantar a alma. Mas clarinetista, sozinho, fica até ridículo.
[20] – Não diga isso. E não desanime. O dia em que arranjar outro clarinete – quem sabe?, talvez até
seja o mesmo que .................. – será uma festa.
– Mas se demorar muito eu já estarei tão desacostumado que nem sei se volto a tocar
razoavelmente. Porque, o senhor compreende, eu não sou um artista, minha vida não dá folga pra
estudar nem meia hora por dia.
– O importante é gostar de música, ter amor e devoção por música, e está se vendo que o
senhor tem de sobra.
– Lá isso tá certo.
– Não importa que o senhor não seja solista de uma grande orquestra, e mesmo de uma
orquestra comum. Ninguém precisa ser grande em nada, uma vez que cultive alguma coisa bonita na
vida.
[25] Seu rosto iluminou-se.
 Que bom ouvir uma coisa dessas. Agora vou lhe confessar que isso de não ser músico dos
tais que arrebatam o auditório sempre me doeu um pouco. Não era por vaidade não, quem sou pra ter
vaidade? Mas um sonho esquisito, sei lá. Ficava me imaginando num palco iluminado, tocando...
Bobagem, o senhor desculpe. Agora a sua palavra deixou tudo claro. Basta eu gostar de música. Não é
preciso que gostem de mim, nem que ela goste de mim. Obrigado ao senhor.
Olhei o taxímetro, tirei a carteira.
–Eu nem devia cobrar do senhor. Fico até encabulado!

(Boca de Luar, 6 ed. pág. 69-71, Editora Record, Rio, 1987)

Assinale a alternativa que classifica corretamente os “que” destacados no parágrafo 26:

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Questão 4 10170040
Fácil 00:00

IFPR Médio Integrado 2015
  • EFAF Português
  • Sugira
  • Morfologia
  • Adjetivo Conjunções Preposição Pronome Substantivo Verbo Verbos
  • Exibir tags
Resolução comentada

MÚSICA NO TÁXI

Carlos Drummond de Andrade

 

Quando menos se espera... Você pega o táxi, manda tocar ________ seu destino (manda, não,
pede por favor) e ................ a escutar durante 20 minutos, no volume mais possante, o rádio
despejando assaltos e homicídios do dia. Os tiros, os gemidos, os desabamentos o acompanharão
______ todo o percurso. É a fatalidade da vida, quando .............. pressa.
Mas eis que o motorista pega de um imprevisto cassete, coloca-o no lugar devido, liga, e os
acordes dos Contos dos Bosques de Viena irrompem do fusca amarrotado, mas digno.
Bem, não é a Nona Sinfonia nem um título menor da grande música, mas não estamos na Sala
Cecília Meireles, e isso vale como homenagem especial a um passageiro distinto, que pede por favor.
Cumpre agradecer a fineza:
– Obrigado. O senhor mostra que tem satisfação em agradar aos passageiros, oferecendo-lhes
música e não barulho e crimes.
[5] – Não tem de quê. O senhor também aprecia?
– O quê?
– Strauss. É um dos meus prediletos.
– Sim, ele é agradável. O senhor está sendo gentil comigo.
– Ora, não é tanto assim. Pus o cassete porque gosto de música. Não sabia se o senhor
também gostava ou não. Se não gostasse, eu desligava. Portanto, não tem que agradecer.
[10] – E já lhe aconteceu desligar?
Ih, tantas vezes. Fico observando a fisionomia do passageiro. Uns, mais acanhados,
disfarçam, não dizem nada, mas tem outros que reclamam, não querem ouvir esse troço. O senhor já
pensou: chamar Tchaikovski de “esse troço”? Pois ouvi isso de um cidadão de gravata e pasta de
executivo. Ele disse que precisava se concentrar por causa de um negócio importante e Tchaicovski
perturbava a concentração.
– Ele talvez quisesse dizer que ficava tão empolgado pela música que esquecia o negócio.
– Pois sim! Nesse caso, não falaria “esse troço”, que é o cúmulo da falta de respeito.
– Estou adivinhando que o senhor toca um instrumento.
[15] – Como é que o senhor viu?
– Porque uma pessoa que gosta tanto de música, em geral toca. Seu instrumento qual é?
Virou-se com tristeza na voz:
– Atualmente nenhum. O senhor sabe, essa crise geral, a gasolina pela hora da morte, e não é
só a gasolina: a comida, o sapato, o resto. Tive de vender pra tapar uns buracos. Mas se as coisas
melhorarem este ano...
– Melhoram. As coisas têm de melhorar – achei _____ meu dever confortá-lo.
– Porque clarinetista sem clarinete, o senhor sabe, é um negócio sem sentido. Clarinete tem esta
vantagem: dá o recado sem precisar de orquestra. Um solo bem executado, não precisa mais pra
encantar a alma. Mas clarinetista, sozinho, fica até ridículo.
[20] – Não diga isso. E não desanime. O dia em que arranjar outro clarinete – quem sabe?, talvez até
seja o mesmo que .................. – será uma festa.
– Mas se demorar muito eu já estarei tão desacostumado que nem sei se volto a tocar
razoavelmente. Porque, o senhor compreende, eu não sou um artista, minha vida não dá folga pra
estudar nem meia hora por dia.
– O importante é gostar de música, ter amor e devoção por música, e está se vendo que o
senhor tem de sobra.
– Lá isso tá certo.
– Não importa que o senhor não seja solista de uma grande orquestra, e mesmo de uma
orquestra comum. Ninguém precisa ser grande em nada, uma vez que cultive alguma coisa bonita na
vida.
[25] Seu rosto iluminou-se.
 Que bom ouvir uma coisa dessas. Agora vou lhe confessar que isso de não ser músico dos
tais que arrebatam o auditório sempre me doeu um pouco. Não era por vaidade não, quem sou pra ter
vaidade? Mas um sonho esquisito, sei lá. Ficava me imaginando num palco iluminado, tocando...
Bobagem, o senhor desculpe. Agora a sua palavra deixou tudo claro. Basta eu gostar de música. Não é
preciso que gostem de mim, nem que ela goste de mim. Obrigado ao senhor.
Olhei o taxímetro, tirei a carteira.
–Eu nem devia cobrar do senhor. Fico até encabulado!

(Boca de Luar, 6 ed. pág. 69-71, Editora Record, Rio, 1987)

Preencha os parênteses com o número correspondente à classe gramatical das palavras grifadas. Depois assinale a alternativa que contém a sequência correta:

 

(1) substantivo.

(2) adjetivo.

(3) verbo.

(4) conjunção.

(5) preposição.

(6) pronomes.

 

“ – Ih, tantas vezes. Fico observando ( ) a fisionomia do ( ) passageiro.

 

Uns, mais acanhados, ( ) disfarçam, não dizem nada, mas ( ) tem outros ( ) que reclamam não querem ouvir esse troço ( ).

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Questão 3 10170034
Fácil 00:00

IFPR Médio Integrado 2015
  • EFAF Português
  • Sugira
  • Gramática Leitura e Interpretação de Texto Ortografia
  • Acentuação Acentuação gráfica Coesão (elem. coesivos) e Coerência Gêneros textuais - Verbais/Narrativos
  • Crônica
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MÚSICA NO TÁXI

Carlos Drummond de Andrade

 

Quando menos se espera... Você pega o táxi, manda tocar ________ seu destino (manda, não,
pede por favor) e ................ a escutar durante 20 minutos, no volume mais possante, o rádio
despejando assaltos e homicídios do dia. Os tiros, os gemidos, os desabamentos o acompanharão
______ todo o percurso. É a fatalidade da vida, quando .............. pressa.
Mas eis que o motorista pega de um imprevisto cassete, coloca-o no lugar devido, liga, e os
acordes dos Contos dos Bosques de Viena irrompem do fusca amarrotado, mas digno.
Bem, não é a Nona Sinfonia nem um título menor da grande música, mas não estamos na Sala
Cecília Meireles, e isso vale como homenagem especial a um passageiro distinto, que pede por favor.
Cumpre agradecer a fineza:
– Obrigado. O senhor mostra que tem satisfação em agradar aos passageiros, oferecendo-lhes
música e não barulho e crimes.
[5] – Não tem de quê. O senhor também aprecia?
– O quê?
– Strauss. É um dos meus prediletos.
– Sim, ele é agradável. O senhor está sendo gentil comigo.
– Ora, não é tanto assim. Pus o cassete porque gosto de música. Não sabia se o senhor
também gostava ou não. Se não gostasse, eu desligava. Portanto, não tem que agradecer.
[10] – E já lhe aconteceu desligar?
Ih, tantas vezes. Fico observando a fisionomia do passageiro. Uns, mais acanhados,
disfarçam, não dizem nada, mas tem outros que reclamam, não querem ouvir esse troço. O senhor já
pensou: chamar Tchaikovski de “esse troço”? Pois ouvi isso de um cidadão de gravata e pasta de
executivo. Ele disse que precisava se concentrar por causa de um negócio importante e Tchaicovski
perturbava a concentração.
– Ele talvez quisesse dizer que ficava tão empolgado pela música que esquecia o negócio.
– Pois sim! Nesse caso, não falaria “esse troço”, que é o cúmulo da falta de respeito.
– Estou adivinhando que o senhor toca um instrumento.
[15] – Como é que o senhor viu?
– Porque uma pessoa que gosta tanto de música, em geral toca. Seu instrumento qual é?
Virou-se com tristeza na voz:
– Atualmente nenhum. O senhor sabe, essa crise geral, a gasolina pela hora da morte, e não é
só a gasolina: a comida, o sapato, o resto. Tive de vender pra tapar uns buracos. Mas se as coisas
melhorarem este ano...
– Melhoram. As coisas têm de melhorar – achei _____ meu dever confortá-lo.
– Porque clarinetista sem clarinete, o senhor sabe, é um negócio sem sentido. Clarinete tem esta
vantagem: dá o recado sem precisar de orquestra. Um solo bem executado, não precisa mais pra
encantar a alma. Mas clarinetista, sozinho, fica até ridículo.
[20] – Não diga isso. E não desanime. O dia em que arranjar outro clarinete – quem sabe?, talvez até
seja o mesmo que .................. – será uma festa.
– Mas se demorar muito eu já estarei tão desacostumado que nem sei se volto a tocar
razoavelmente. Porque, o senhor compreende, eu não sou um artista, minha vida não dá folga pra
estudar nem meia hora por dia.
– O importante é gostar de música, ter amor e devoção por música, e está se vendo que o
senhor tem de sobra.
– Lá isso tá certo.
– Não importa que o senhor não seja solista de uma grande orquestra, e mesmo de uma
orquestra comum. Ninguém precisa ser grande em nada, uma vez que cultive alguma coisa bonita na
vida.
[25] Seu rosto iluminou-se.
 Que bom ouvir uma coisa dessas. Agora vou lhe confessar que isso de não ser músico dos
tais que arrebatam o auditório sempre me doeu um pouco. Não era por vaidade não, quem sou pra ter
vaidade? Mas um sonho esquisito, sei lá. Ficava me imaginando num palco iluminado, tocando...
Bobagem, o senhor desculpe. Agora a sua palavra deixou tudo claro. Basta eu gostar de música. Não é
preciso que gostem de mim, nem que ela goste de mim. Obrigado ao senhor.
Olhei o taxímetro, tirei a carteira.
–Eu nem devia cobrar do senhor. Fico até encabulado!

(Boca de Luar, 6 ed. pág. 69-71, Editora Record, Rio, 1987)

Analise as afirmativas quanto a acentuação gráfica e marque (V) para as verdadeiras e (F) para as falsas e assinale a alternativa que apresenta a sequência correta de cima para baixo:

 

( ) A mesma regra de acentuação que vale para “dá” vale também para “será”.
( ) “Ninguém” e “Também” são acentuadas por serem oxítonas terminadas em “em”.
( ) A palavra “agradável” é acentuada por ser uma paroxítona terminada em “l”.
( ) As palavras “homicídios”, “ridículo” e “título” obedecem à mesma regra de acentuação.
( ) As paroxítonas “Cecília” e “negócio” são acentuadas por terminarem em ditongo.

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Questão 2 10170030
Fácil 00:00

IFPR Médio Integrado 2015
  • EFAF Português
  • Sugira
  • Leitura e Interpretação de Texto Ortografia
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MÚSICA NO TÁXI

Carlos Drummond de Andrade

 

Quando menos se espera... Você pega o táxi, manda tocar ________ seu destino (manda, não,
pede por favor) e ................ a escutar durante 20 minutos, no volume mais possante, o rádio
despejando assaltos e homicídios do dia. Os tiros, os gemidos, os desabamentos o acompanharão
______ todo o percurso. É a fatalidade da vida, quando .............. pressa.
Mas eis que o motorista pega de um imprevisto cassete, coloca-o no lugar devido, liga, e os
acordes dos Contos dos Bosques de Viena irrompem do fusca amarrotado, mas digno.
Bem, não é a Nona Sinfonia nem um título menor da grande música, mas não estamos na Sala
Cecília Meireles, e isso vale como homenagem especial a um passageiro distinto, que pede por favor.
Cumpre agradecer a fineza:
– Obrigado. O senhor mostra que tem satisfação em agradar aos passageiros, oferecendo-lhes
música e não barulho e crimes.
[5] – Não tem de quê. O senhor também aprecia?
– O quê?
– Strauss. É um dos meus prediletos.
– Sim, ele é agradável. O senhor está sendo gentil comigo.
– Ora, não é tanto assim. Pus o cassete porque gosto de música. Não sabia se o senhor
também gostava ou não. Se não gostasse, eu desligava. Portanto, não tem que agradecer.
[10] – E já lhe aconteceu desligar?
Ih, tantas vezes. Fico observando a fisionomia do passageiro. Uns, mais acanhados,
disfarçam, não dizem nada, mas tem outros que reclamam, não querem ouvir esse troço. O senhor já
pensou: chamar Tchaikovski de “esse troço”? Pois ouvi isso de um cidadão de gravata e pasta de
executivo. Ele disse que precisava se concentrar por causa de um negócio importante e Tchaicovski
perturbava a concentração.
– Ele talvez quisesse dizer que ficava tão empolgado pela música que esquecia o negócio.
– Pois sim! Nesse caso, não falaria “esse troço”, que é o cúmulo da falta de respeito.
– Estou adivinhando que o senhor toca um instrumento.
[15] – Como é que o senhor viu?
– Porque uma pessoa que gosta tanto de música, em geral toca. Seu instrumento qual é?
Virou-se com tristeza na voz:
– Atualmente nenhum. O senhor sabe, essa crise geral, a gasolina pela hora da morte, e não é
só a gasolina: a comida, o sapato, o resto. Tive de vender pra tapar uns buracos. Mas se as coisas
melhorarem este ano...
– Melhoram. As coisas têm de melhorar – achei _____ meu dever confortá-lo.
– Porque clarinetista sem clarinete, o senhor sabe, é um negócio sem sentido. Clarinete tem esta
vantagem: dá o recado sem precisar de orquestra. Um solo bem executado, não precisa mais pra
encantar a alma. Mas clarinetista, sozinho, fica até ridículo.
[20] – Não diga isso. E não desanime. O dia em que arranjar outro clarinete – quem sabe?, talvez até
seja o mesmo que .................. – será uma festa.
– Mas se demorar muito eu já estarei tão desacostumado que nem sei se volto a tocar
razoavelmente. Porque, o senhor compreende, eu não sou um artista, minha vida não dá folga pra
estudar nem meia hora por dia.
– O importante é gostar de música, ter amor e devoção por música, e está se vendo que o
senhor tem de sobra.
– Lá isso tá certo.
– Não importa que o senhor não seja solista de uma grande orquestra, e mesmo de uma
orquestra comum. Ninguém precisa ser grande em nada, uma vez que cultive alguma coisa bonita na
vida.
[25] Seu rosto iluminou-se.
 Que bom ouvir uma coisa dessas. Agora vou lhe confessar que isso de não ser músico dos
tais que arrebatam o auditório sempre me doeu um pouco. Não era por vaidade não, quem sou pra ter
vaidade? Mas um sonho esquisito, sei lá. Ficava me imaginando num palco iluminado, tocando...
Bobagem, o senhor desculpe. Agora a sua palavra deixou tudo claro. Basta eu gostar de música. Não é
preciso que gostem de mim, nem que ela goste de mim. Obrigado ao senhor.
Olhei o taxímetro, tirei a carteira.
–Eu nem devia cobrar do senhor. Fico até encabulado!

(Boca de Luar, 6 ed. pág. 69-71, Editora Record, Rio, 1987)

Assinale a alternativa que preenche corretamente as lacunas de linha pontilhada do texto:

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Questão 7 10151336
Fácil 00:00

CMJF 1° Ano - Prova de Português 2015
  • EFAF Português
  • Sugira
  • Leitura e Interpretação de Texto
  • Coesão (elem. coesivos) e Coerência Estratégias de leitura Gêneros textuais - Verbais/Narrativos Gêneros textuais não verbais e mistos
  • Fotolegenda Notícia
  • Exibir tags

TEXTO I

 

O direito de ser diferente

Por Cidinei Bogo Chat

Quando perdemos o direito de ser diferentes, perdemos o privilégio de ser livres.

Charles Evans Hughes

 

    Nenhum ser humano é igual ao seu semelhante. Cada pessoa tem sua própria
singularidade que a distingue como ser humano individual, em face de gosto, antipatia, talento,
sexo, cultura, língua, religião e nacionalidade. Entretanto, as diferenças sempre alimentaram
discórdias entre as pessoas e grupos sociais.

[5]    Aliás, sob tal perspectiva, urge ressaltar que a humanidade tem presenciado ao longo de sua
história uma sequência de intolerância à diferença. Ser rotulado de diferente sempre foi visto como
sinônimo de inferioridade, de indesejável, de separado do grupo. Basta à pessoa ser considerada
diferente para os tidos padrões “normais” para que todos passem a desprezá-la, considerando-a
como um ser de outro mundo.

[10]    Nesse sentido, um dos problemas que deve ser enfrentado por toda a humanidade é a
tendência existente de definir as pessoas diferentes em termos negativos, de ver essas pessoas e o
grupo ao qual pertencem como inferiores e não merecedores de respeito.

    Isso se deve à prática de classificar as pessoas em grupos distintos e homogêneos, com
base em critérios de cor, língua, cultura, nacionalidade, preferência sexual e religião. Sob esse

[I5] “aspecto, os grupos são classificados em desejáveis ou indesejáveis, advindo daí o desrespeito ao
direito de ser diferente.

    Historicamente, os diferentes sempre foram vítimas de perseguições injustificadas. Cite-se
como exemplo a perseguição aos judeus durante toda a história da humanidade e, mais
recentemente, durante a Segunda Guerra Mundial, quando o ódio ao semelhante levou a

[20] atrocidades sem precedentes, fato que ficou mundialmente conhecido como Holocausto.

    Se não bastasse, as mulheres têm menos direitos que os homens; as pessoas portadoras de
deficiência ainda enfrentam dificuldades em ver seus direitos efetivamente implantados e os
homossexuais ainda sofrem discriminação em face de suas preferências sexuais.

    Atrocidades cometidas no Sudão e Ruanda demonstram até onde os seres humanos estão

[25] prontos a ir para negar aos outros seus direitos; tornamo-nos uma sociedade que não respeita o
direito de o ser humano ser diferente.

    Diante desse quadro, a empreitada aqui proposta consiste em expor e defender a ideia de

que, na sociedade moderna e nos estados democráticos de direito, não existe mais espaço para a
discriminação, para a intolerância e o desrespeito ao próximo.

[30]    Com efeito, não é permitido adotar qualquer tipo de distinção em razão de sexo, origem,
idade, cor, raça, estado civil, crença religiosa, convicção filosófica ou política, situação familiar,
condição e saúde física sensorial e mental ou orientação sexual.

    A pretensão de eliminar por completo qualquer forma de discriminação certamente não é
uma tarefa fácil. Contudo, urge ressaltar que são atitudes positivas que levarão toda sociedade a

[35] respeitar o direito à diferença.

    Em suma, impor atitudes de reconhecimento dos direitos das pessoas diferentes é promover
justiça e equidade. Numa sociedade dita “democrática”, há que prevalecer a diversidade natural e
cultural entre as pessoas.

Disponível em: http://deficienteciente.com.br/2011/12/0-direito-de-ser-diferente-parte-1.html Acesso em 22/09/2015.

Texto adaptado.

 

Vocabulário:

Advir: ocorrer, acontecer.

Empreitada: tarefa.

Equidade: disposição de reconhecer igualmente o direito de cada um.

Singularidade: particularidade, o que torna o ser único.

Urgir: ser urgente.

 

TEXTO II

 

De Damasco a Bodrum: a viagem fatal do menino sírio que chocou o mundo

Por Joel Gunther

 

    Dias após a foto do corpo do menino Alan Kurdi, que tinha 3 anos, ter provocado reações
emocionadas em diversos países, a família revelou a cadeia de eventos que levou ao afogamento
na travessia da Turquia para a Grécia.

    Alan deixou a cidade de Bodrum, na Turquia, rumo à ilha grega de Kos, na quarta-feira de .

[5] madrugada, ao lado do pai, Abdullah, da mãe, Rehanna, e do irmão Ghalib, dois anos mais velho.

    O objetivo final da família Kurdi era Vancouver, no Canadá, onde a irmã de Abdullah, Tima,
trabalha como cabeleireira.

    Com um pequeno grupo de refugiados, eles embarcaram em dois botes para cruzar os 20
quilômetros que separam Bodrum de Kos.

[10]    Da praia, Abdullah enviou um SMS para Tima.

    "Passei o recado para o nosso pai, na Síria, e para todos: 'Abdullah está partindo agora,
rezem por sua segurança”, disse Tima.

    Mas as preces não foram ouvidas. As embarcações foram atingidas por ondas altas pouco
depois da partida. O capitão abandonou o navio.

[15]    Em questão de minutos, Abdullah Kurdi se encontrou na água, tentando salvar a vida de
seus dois filhos. Dos 23 integrantes do grupo de refugiados, acredita-se que 14 tenham morrido,
incluindo a mulher de Abdullah e seus meninos.

 

Versão turca

    O número não impressiona diante das mortes em massa registradas no Mediterrâneo nos

[20] últimos meses, mas as fotos do pequeno Alan de bruços na beira da praia transformaram o
episódio em um divisor de águas.

    O nome dele chegou a ser grafado como "Aylan" por alguns meios de comunicação, entre
eles, a BBC. Mas a tia que vive no Canadá, Tima, esclareceu que aquela era a versão turca do
nome, dada às autoridades da Turquia. O nome original, curdo, era Alan.

[25]    Como sírios de origem curda, as chances de conseguir asilo no Canadá diminuíram no
momento em que os Kurdi deixaram a Síria rumo à Turquia.

    Durante anos, a Síria negou cidadania à sua população de origem curda. Os curdos eram
considerados apátridas pelas autoridades.

    Em 2011, um decreto autorizou que alguns deles entrassem com pedidos de cidadania,

[30] mas outros permaneceram sem o direito. Muitos foram forçados a fugir do país antes mesmo que
pudessem dar entrada no processo.

    Os Kurdi moravam em Damasco no início do conflito na Síria, no fim de 2011. Quando a
violência na cidade se agravou, a família se mudou para o seu vilarejo-natal, Makhari, a 25
quilômetros da cidade portuária de Kobane.

[35]    No entanto, quando Kobane se tornou um foco de luta entre combatentes curdos e
militantes do chamado Estady Islâmico, no fim de 2014, a família voltou a fugir, desta vez para a
Turquia, ao lado de milhares de outros refugiados.

    A Turquia lhes ofereceu abrigo, mas não lhes ofereceu cidadania.

 

'lrregulares'

[40]    Entre os vizinhos da Síria, a Turquia foi o primeiro a reagir formalmente à crise dos
refugiados, declarando proteção temporária em outubro de 2011, garantindo que não iria repatriar
qualquer refugiado sírio.

    A medida garante a portadores de passaportes sírios um visto de residência de um ano e
liberdade de movimentos no país. Mas aqueles que não apresentarem documentos são obrigados

[45] a se registrarem um campo de refugiados e lá permanecer. Caso contrário, são considerados
“irregulares”.

    Essa era a situação dos Kurdi, que se encontravam em Istambul, mas estavam
desesperados para deixar a Turquia. No entanto, não podiam obter vistos de saída da Turquia,
porque não tinham passaportes, e não podiam pedir asilo em outros países, porque não tinham

[50] vistos de saída da Síria.

    Tima Kurdi já estava "patrocinando" o processo de asilo da família de outro irmão dela,
Mohammad, mas dificuldades financeiras e a complexidade do processo a obrigaram a dar entrada
em um processo de cada vez. Mohammad foi escolhido primeiro, porque os filhos dele já estão em
idade escolar.

[55]    No entanto, o pedido de asilo foi rejeitado pelo Canadá. O departamento de Imigração e
Cidadania disse à BBC que o processo estava “incompleto porque não reunia os requisitos
necessários para comprovar o reconhecimento da situação de refugiado”.

    A razão para a rejeição foi simples, segundo Tima: os Kurdi não têm passaporte e nem
vistos de trabalho turcos, documentos que não podiam obter.

 

[60] Papelada

    Quando o primeiro pedido de asilo foi rejeitado, em junho, “não havia esperanças de que
Abdullah e sua família obtivessem a papelada correta para um processo bem-sucedido”, afirmou
Tima. Por isso, eles embarcaram ilegalmente rumo à Grécia.

    Os Kurdi já tinham tentado deixar a Turquia três vezes anteriormente. Todas sem sucesso.

[65] Na última e fatal, parentes contaram que eles conheceram pessoas em Izmir que prometeram levá-
los até a costa e de lá para Kos, de barco.

    Acredita-se que eles tenham pagado o equivalente a R$ 16,5 mil pela travessia. Muito mais
do que custariam as passagens aéreas para toda a família chegar ao Canadá.

    Ainda no escuro, o bote com a família foi empurrado mar adentro. Abdullah descreveu o

[70] momento em que a sua família se afogou em detalhes.

    "Tentei segurar as crianças e a minha mulher, mas não adiantou. Um por um, eles
morreram. Tentei timonear o barco, mas veio outra onda grande e o virou”, afirmou. “Foi aí que o
pior aconteceu."

    "As minhas crianças eram as mais bonitas do mundo. Será que existe alguém no mundo,

[75] — para quem os próprios filhos não sejam a coisa mais preciosa?”

    "Eles eram incríveis. Me acordavam todos os dias para brincar.”

    "Adoraria me sentar ao lado do túmulo da minha família agora e aliviar a minha dor.”

    Ele afirmou que pretende levar os corpos de volta a Istambul e de lá para Kobane, onde
quer enterrá-los.

[80]    "É tarde demais para salvar a família de Abdullah", disse Tima. "Por favor, vamos usar a
nossa voz coletiva para mudar e exigir que os líderes do mundo tomem decisões agora para
aprovar medidas de emergência para refugiados. Vamos pôr fim a esse sofrimento. Os nossos
corações estão partidos.”

Disponível em http://www.bbc.com/portuguese/noticias/2015/09/150904 siria familia ebc

Acesso em 22/09/2015

 

Texto adaptado
Vocabulário:
Apátrida: indivíduo sem nacionalidade.
Timonear: dirigir embarcação.

 

Texto III

 

Banquet

Por Pawla Kuczynskiego

Disponível em https://www facebook. com/158506094232917/photos/pb.158506094232917.- 2207520000. 1445370898./481489045267952/?type=3&theater Acesso em: 22/09/2015

 

A imagem (Texto III – Banquet), comparada aos dois primeiros textos, dialoga mais especificamente com:

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