Questões de EFAF Português - Leitura e Interpretação de Texto
7.497 Questões
Questão 40 15299106
CMPA 1 Ano 2023Texto 5
CARTA
[1] Há muito tempo, sim, que não te escrevo,
Ficaram velhas todas as notícias.
Eu mesmo envelheci. Olha, em relevo,
estes sinais em mim, não das notícias
[5] (tão leves) que fazias no meu rosto:
são golpes, são espinhos, são lembranças
da vida a teu menino, que ao sol-posto
perde a sabedoria das crianças.
A falta que me fazes não é tanto
[10] à hora de dormir, quando dizias
"Deus te abençoe", e a noite abria um sonho.
É quando, ao despertar, revejo a um canto
a noite acumulada de meus dias,
e sinto que estou vivo, e que não sonho.
Nesse poema, emula-se um diálogo com a mãe do eu lírico. Sobre isso, julgue as afirmativas abaixo.
I. Ao longo desse diálogo, o eu lírico se refere à mãe empregando a segunda pessoa do singular. São exemplos disso o pronome “te”(v.01; v.11) e a conjugação do verbo “fazias”(v.05)
II. No terceiro verso, o verbo “olha” é conjugado de modo a indicar um pedido à mãe.
III. Nos versos mono e décimo, respectivamente, os verbos “fazes” e “dizias” se referem a ações habituais no passado do eu lírico.
É correto o que se afirma em:
Questão 39 15299096
CMPA 1 Ano 2023Texto 5
CARTA
[1] Há muito tempo, sim, que não te escrevo,
Ficaram velhas todas as notícias.
Eu mesmo envelheci. Olha, em relevo,
estes sinais em mim, não das notícias
[5] (tão leves) que fazias no meu rosto:
são golpes, são espinhos, são lembranças
da vida a teu menino, que ao sol-posto
perde a sabedoria das crianças.
A falta que me fazes não é tanto
[10] à hora de dormir, quando dizias
"Deus te abençoe", e a noite abria um sonho.
É quando, ao despertar, revejo a um canto
a noite acumulada de meus dias,
e sinto que estou vivo, e que não sonho.
Marque a alternativa em que se indica corretamente as relações semânticas entre as partes do poema.
Questão 38 15299094
CMPA 1 Ano 2023Texto 5
CARTA
[1] Há muito tempo, sim, que não te escrevo,
Ficaram velhas todas as notícias.
Eu mesmo envelheci. Olha, em relevo,
estes sinais em mim, não das notícias
[5] (tão leves) que fazias no meu rosto:
são golpes, são espinhos, são lembranças
da vida a teu menino, que ao sol-posto
perde a sabedoria das crianças.
A falta que me fazes não é tanto
[10] à hora de dormir, quando dizias
"Deus te abençoe", e a noite abria um sonho.
É quando, ao despertar, revejo a um canto
a noite acumulada de meus dias,
e sinto que estou vivo, e que não sonho.
No sexto verso, há o emprego de uma sequência de expressões com valor adjetivo.
Tal sequência refere-se ao substantivo:
Questão 37 15299077
CMPA 1 Ano 2023Texto 5
CARTA
[1] Há muito tempo, sim, que não te escrevo,
Ficaram velhas todas as notícias.
Eu mesmo envelheci. Olha, em relevo,
estes sinais em mim, não das notícias
[5] (tão leves) que fazias no meu rosto:
são golpes, são espinhos, são lembranças
da vida a teu menino, que ao sol-posto
perde a sabedoria das crianças.
A falta que me fazes não é tanto
[10] à hora de dormir, quando dizias
"Deus te abençoe", e a noite abria um sonho.
É quando, ao despertar, revejo a um canto
a noite acumulada de meus dias,
e sinto que estou vivo, e que não sonho.
Carlos Drummond de Andrade foi um dos maiores poetas da literatura brasileira. A sua poesia versou sobre a memória familiar, o sentimento de inadequação no mundo, a saudade da infância, entre outros temas. Em todos eles, Drummond escreveu de modo profundo e original.
Sabendo disso, marque a alternativa correta.
Questão 36 15299068
CMPA 1 Ano 2023Texto 4
[1] Foi uma tarde inteira de promessas e confidências entremeadas de chamegos e risos.
Mas, quando ríamos, era a vida mesma que parecia interromper seu curso, porque era um
riso convulsivo, engrolado, quase nefasto. Os pedidos que lhe fiz foram cumpridos à risca. Ela
convenceu meu pai de que eu devia continuar meus estudos no outro lado do país, e que
[5] para isso era necessário enviar-me uma mesada cuja quantia ela mesma estipulou. Nunca me
escreveu uma linha, mas trocávamos fotos por correspondência, sabendo ser essa a única
maneira de preservar uma idolatria à distância. A última frase que me disse no finzinho
daquela tarde (antes que a casa mergulhasse na azáfama do crepúsculo com a chegada de
parentes e amigos que participavam do jantar e da jogatina ao redor do narguilé) foi: "Guardo
[10] dentro de mim teus olhos". Enviou-me fotografias durante quase vinte e cinco anos, e através
das fotos eu tentava decifrar os enigmas e as apreensões de sua vida, e a metamorfose do
seu corpo. Soube da morte do meu pai ao receber uma fotografia em que ela estava sentada
na cadeira de balanço ao lado da poltrona coberta por um lençol branco, onde meu pai
costumava sentar-se ao lado dela nas manhãs dos domingos e feriados. No dedo da mão
[15] esquerda vi dois anéis de ouro, e os olhos negros brilhavam por trás do véu de tule que
escondia a metade do rosto. Foi a penúltima fotografia enviada por ela, há uns oito anos.
Pouco tempo depois da morte do meu pai, recebi as duas últimas, no mesmo envelope; numa
delas, via-se no primeiro plano o seu rosto ainda sem rugas, com a cabeça envolta por uma
mantilha de fios prateados; talvez por causa da intensidade do flash ou da profusão de
[20] chamas de velas e círios que ondulavam em volta de seu corpo, a mantilha e as mechas de
cabelos se espalhavam sobre a testa e escorriam nos ombros como folhas de cardo
fosforescentes. Era um rosto suavemente maquilado, e na sua expressão conviviam a
serenidade implacável e a postura soberana dos rostos esculturais das santas embutidas em
nichos com tampa de cristal, perfilados nas laterais da nave da igreja cujas portas se abrem
[25] para o porto e são iluminadas pelo sol da manhã. O rosto de minha mãe e os das santas, os
círios, as chamas e os nichos, tudo aparecia com um esmero assombroso de detalhes. Datada
de 5 de junho, a única foto colorida que me foi enviada veio emoldurada num retângulo de
papel Schoeller de textura marmórea, e levava no ângulo inferior direito a marca d'água do
laboratório fotográfico dos irmãos Kahn.
Releia:
“Ela convenceu meu pai de que eu devia continuar meus estudos no outro lado do país, e que para isso era necessário enviar-me uma mesada cuja quantia ela mesma estipulou. Nunca me escreveu uma linha, mas trocávamos fotos por correspondência, sabendo ser essa a única maneira de preservar uma idolatria à distância.”(ls. 03-07)
Qual das reformulações abaixo preserva o sentido original do trecho?
Questão 35 15299058
CMPA 1 Ano 2023Texto 4
[1] Foi uma tarde inteira de promessas e confidências entremeadas de chamegos e risos.
Mas, quando ríamos, era a vida mesma que parecia interromper seu curso, porque era um
riso convulsivo, engrolado, quase nefasto. Os pedidos que lhe fiz foram cumpridos à risca. Ela
convenceu meu pai de que eu devia continuar meus estudos no outro lado do país, e que
[5] para isso era necessário enviar-me uma mesada cuja quantia ela mesma estipulou. Nunca me
escreveu uma linha, mas trocávamos fotos por correspondência, sabendo ser essa a única
maneira de preservar uma idolatria à distância. A última frase que me disse no finzinho
daquela tarde (antes que a casa mergulhasse na azáfama do crepúsculo com a chegada de
parentes e amigos que participavam do jantar e da jogatina ao redor do narguilé) foi: "Guardo
[10] dentro de mim teus olhos". Enviou-me fotografias durante quase vinte e cinco anos, e através
das fotos eu tentava decifrar os enigmas e as apreensões de sua vida, e a metamorfose do
seu corpo. Soube da morte do meu pai ao receber uma fotografia em que ela estava sentada
na cadeira de balanço ao lado da poltrona coberta por um lençol branco, onde meu pai
costumava sentar-se ao lado dela nas manhãs dos domingos e feriados. No dedo da mão
[15] esquerda vi dois anéis de ouro, e os olhos negros brilhavam por trás do véu de tule que
escondia a metade do rosto. Foi a penúltima fotografia enviada por ela, há uns oito anos.
Pouco tempo depois da morte do meu pai, recebi as duas últimas, no mesmo envelope; numa
delas, via-se no primeiro plano o seu rosto ainda sem rugas, com a cabeça envolta por uma
mantilha de fios prateados; talvez por causa da intensidade do flash ou da profusão de
[20] chamas de velas e círios que ondulavam em volta de seu corpo, a mantilha e as mechas de
cabelos se espalhavam sobre a testa e escorriam nos ombros como folhas de cardo
fosforescentes. Era um rosto suavemente maquilado, e na sua expressão conviviam a
serenidade implacável e a postura soberana dos rostos esculturais das santas embutidas em
nichos com tampa de cristal, perfilados nas laterais da nave da igreja cujas portas se abrem
[25] para o porto e são iluminadas pelo sol da manhã. O rosto de minha mãe e os das santas, os
círios, as chamas e os nichos, tudo aparecia com um esmero assombroso de detalhes. Datada
de 5 de junho, a única foto colorida que me foi enviada veio emoldurada num retângulo de
papel Schoeller de textura marmórea, e levava no ângulo inferior direito a marca d'água do
laboratório fotográfico dos irmãos Kahn.
Observe as palavras em negrito:
“Foi uma tarde inteira de promessas e confidências entremeadas de chamegos e risos. Mas, quando ríamos, era a vida mesma que parecia interromper seu curso, porque era um risco convulsivo, engrolado, quase nefasto”(ls. 01-03)
06
![[Marketing] Questao Topo - deslogado](https://storage.estuda.com.br/banners/0_6b7ebee90b03af1c560c73bb8bcce34a_banner_deslogado_70_dias.png)