Questões de EFAF Português
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Questão 8 10223054
CMB 1º Ano - Língua Portuguesa 2015TEXTO
Medo da Eternidade
Clarice Lispector
Jamais esquecerei o meu aflitivo e dramático contato com a eternidade.
Quando eu era muito pequena ainda não tinha provado chicles e,
mesmo em Recife, falava-se pouco deles. Eu nem sabia bem de que espécie de
bala ou bombom se tratava. Mesmo o dinheiro que eu tinha não dava para
[5] comprar: com o mesmo dinheiro eu lucraria não sei quantas balas.
Afinal minha irmã juntou dinheiro, comprou e, ao sairmos de casa para a
escola, me explicou.
─ Como não acaba? - Parei um instante na rua, perplexa.
─ Não acaba nunca, e pronto.
[10] Eu estava boba: parecia-me ter sido transportada para o reino de
histórias de príncipes e fadas. Peguei a pequena pastilha cor-de-rosa que
representava o elixir do longo prazer. Examinei-a, quase não podia acreditar no
milagre. Eu que, como outras crianças, às vezes, tirava da boca uma bala ainda
inteira, para chupar depois, só para fazê-la durar mais. E eis-me com aquela
[15] coisa cor-de-rosa, de aparência tão inocente, tornando possível o mundo
impossível do qual já começara a me dar conta.
Com delicadeza, terminei afinal pondo o chicle na boca.
─ E agora que é que eu faço? - Perguntei para não errar no ritual que
certamente deveria haver.
[20] ─ Agora chupe o chicle para ir gostando do docinho dele, e só depois
que passar o gosto você começa a mastigar. E aí mastiga a vida inteira. A
menos que você perca, eu já perdi vários.
Perder a eternidade? Nunca.
O adocicado do chicle era bonzinho, não podia dizer que era ótimo. E,
[25] ainda perplexa, encaminhávamo-nos para a escola.
─ Acabou-se o docinho. E agora?
─ Agora mastigue para sempre.
Assustei-me, não saberia dizer por quê. Comecei a mastigar e em breve
tinha na boca aquele puxa-puxa cinzento de borracha que não tinha gosto de
[30] nada. Mastigava, mastigava. Mas me sentia contrafeita. Na verdade eu não
estava gostando do gosto. E a vantagem de ser bala eterna me enchia de uma
espécie de medo, como se tem diante da ideia de eternidade ou de infinito.
Eu não quis confessar que não estava à altura da eternidade. Que só
me dava aflição. Enquanto isso, eu mastigava obedientemente, sem parar.
[35] Até que não suportei mais, e, atravessando o portão da escola, dei um
jeito de o chicle mastigado cair no chão de areia.
─ Olha só o que me aconteceu! - Disse eu em fingido espanto e tristeza.
- Agora não posso mastigar mais! A bala acabou!
─ Já lhe disse - repetiu minha irmã - que ela não acaba nunca. Mas a
[40] gente às vezes perde. Até de noite a gente pode ir mastigando, mas para não
engolir no sono a gente prega o chicle na cama. Não fique triste, um dia lhe dou
outro e esse você não perderá.
Eu estava envergonhada diante da bondade de minha irmã,
envergonhada da mentira que pregara dizendo que o chicle caíra da boca por
[45] acaso. Mas aliviada. Sem o peso da eternidade sobre mim.
http://claricelispectorclarice.blogspot.com.br/2008/02/html. Acesso: 17/08/2015(Com adaptações)
Levando em consideração as relações de concordância nominal estabelecidas pelas palavras destacadas do texto, assinale a afirmação correta.
Questão 7 10223040
CMB 1º Ano - Língua Portuguesa 2015TEXTO
Medo da Eternidade
Clarice Lispector
Jamais esquecerei o meu aflitivo e dramático contato com a eternidade.
Quando eu era muito pequena ainda não tinha provado chicles e,
mesmo em Recife, falava-se pouco deles. Eu nem sabia bem de que espécie de
bala ou bombom se tratava. Mesmo o dinheiro que eu tinha não dava para
[5] comprar: com o mesmo dinheiro eu lucraria não sei quantas balas.
Afinal minha irmã juntou dinheiro, comprou e, ao sairmos de casa para a
escola, me explicou.
─ Como não acaba? - Parei um instante na rua, perplexa.
─ Não acaba nunca, e pronto.
[10] Eu estava boba: parecia-me ter sido transportada para o reino de
histórias de príncipes e fadas. Peguei a pequena pastilha cor-de-rosa que
representava o elixir do longo prazer. Examinei-a, quase não podia acreditar no
milagre. Eu que, como outras crianças, às vezes, tirava da boca uma bala ainda
inteira, para chupar depois, só para fazê-la durar mais. E eis-me com aquela
[15] coisa cor-de-rosa, de aparência tão inocente, tornando possível o mundo
impossível do qual já começara a me dar conta.
Com delicadeza, terminei afinal pondo o chicle na boca.
─ E agora que é que eu faço? - Perguntei para não errar no ritual que
certamente deveria haver.
[20] ─ Agora chupe o chicle para ir gostando do docinho dele, e só depois
que passar o gosto você começa a mastigar. E aí mastiga a vida inteira. A
menos que você perca, eu já perdi vários.
Perder a eternidade? Nunca.
O adocicado do chicle era bonzinho, não podia dizer que era ótimo. E,
[25] ainda perplexa, encaminhávamo-nos para a escola.
─ Acabou-se o docinho. E agora?
─ Agora mastigue para sempre.
Assustei-me, não saberia dizer por quê. Comecei a mastigar e em breve
tinha na boca aquele puxa-puxa cinzento de borracha que não tinha gosto de
[30] nada. Mastigava, mastigava. Mas me sentia contrafeita. Na verdade eu não
estava gostando do gosto. E a vantagem de ser bala eterna me enchia de uma
espécie de medo, como se tem diante da ideia de eternidade ou de infinito.
Eu não quis confessar que não estava à altura da eternidade. Que só
me dava aflição. Enquanto isso, eu mastigava obedientemente, sem parar.
[35] Até que não suportei mais, e, atravessando o portão da escola, dei um
jeito de o chicle mastigado cair no chão de areia.
─ Olha só o que me aconteceu! - Disse eu em fingido espanto e tristeza.
- Agora não posso mastigar mais! A bala acabou!
─ Já lhe disse - repetiu minha irmã - que ela não acaba nunca. Mas a
[40] gente às vezes perde. Até de noite a gente pode ir mastigando, mas para não
engolir no sono a gente prega o chicle na cama. Não fique triste, um dia lhe dou
outro e esse você não perderá.
Eu estava envergonhada diante da bondade de minha irmã,
envergonhada da mentira que pregara dizendo que o chicle caíra da boca por
[45] acaso. Mas aliviada. Sem o peso da eternidade sobre mim.
http://claricelispectorclarice.blogspot.com.br/2008/02/html. Acesso: 17/08/2015(Com adaptações)
Considerando os elementos estruturais da narrativa, presentes no texto, assinale o item verdadeiro.
Questão 6 10222870
CMB 1º Ano - Língua Portuguesa 2015TEXTO
Medo da Eternidade
Clarice Lispector
Jamais esquecerei o meu aflitivo e dramático contato com a eternidade.
Quando eu era muito pequena ainda não tinha provado chicles e,
mesmo em Recife, falava-se pouco deles. Eu nem sabia bem de que espécie de
bala ou bombom se tratava. Mesmo o dinheiro que eu tinha não dava para
[5] comprar: com o mesmo dinheiro eu lucraria não sei quantas balas.
Afinal minha irmã juntou dinheiro, comprou e, ao sairmos de casa para a
escola, me explicou.
─ Como não acaba? - Parei um instante na rua, perplexa.
─ Não acaba nunca, e pronto.
[10] Eu estava boba: parecia-me ter sido transportada para o reino de
histórias de príncipes e fadas. Peguei a pequena pastilha cor-de-rosa que
representava o elixir do longo prazer. Examinei-a, quase não podia acreditar no
milagre. Eu que, como outras crianças, às vezes, tirava da boca uma bala ainda
inteira, para chupar depois, só para fazê-la durar mais. E eis-me com aquela
[15] coisa cor-de-rosa, de aparência tão inocente, tornando possível o mundo
impossível do qual já começara a me dar conta.
Com delicadeza, terminei afinal pondo o chicle na boca.
─ E agora que é que eu faço? - Perguntei para não errar no ritual que
certamente deveria haver.
[20] ─ Agora chupe o chicle para ir gostando do docinho dele, e só depois
que passar o gosto você começa a mastigar. E aí mastiga a vida inteira. A
menos que você perca, eu já perdi vários.
Perder a eternidade? Nunca.
O adocicado do chicle era bonzinho, não podia dizer que era ótimo. E,
[25] ainda perplexa, encaminhávamo-nos para a escola.
─ Acabou-se o docinho. E agora?
─ Agora mastigue para sempre.
Assustei-me, não saberia dizer por quê. Comecei a mastigar e em breve
tinha na boca aquele puxa-puxa cinzento de borracha que não tinha gosto de
[30] nada. Mastigava, mastigava. Mas me sentia contrafeita. Na verdade eu não
estava gostando do gosto. E a vantagem de ser bala eterna me enchia de uma
espécie de medo, como se tem diante da ideia de eternidade ou de infinito.
Eu não quis confessar que não estava à altura da eternidade. Que só
me dava aflição. Enquanto isso, eu mastigava obedientemente, sem parar.
[35] Até que não suportei mais, e, atravessando o portão da escola, dei um
jeito de o chicle mastigado cair no chão de areia.
─ Olha só o que me aconteceu! - Disse eu em fingido espanto e tristeza.
- Agora não posso mastigar mais! A bala acabou!
─ Já lhe disse - repetiu minha irmã - que ela não acaba nunca. Mas a
[40] gente às vezes perde. Até de noite a gente pode ir mastigando, mas para não
engolir no sono a gente prega o chicle na cama. Não fique triste, um dia lhe dou
outro e esse você não perderá.
Eu estava envergonhada diante da bondade de minha irmã,
envergonhada da mentira que pregara dizendo que o chicle caíra da boca por
[45] acaso. Mas aliviada. Sem o peso da eternidade sobre mim.
http://claricelispectorclarice.blogspot.com.br/2008/02/html. Acesso: 17/08/2015(Com adaptações)
Com base na leitura analítica do texto, é possível afirmar que a perplexidade diante da infinitude do chicle dá lugar ao sentimento de medo porque a personagem
Questão 3 10222736
CMB 1º Ano - Língua Portuguesa 2015TEXTO 1
me.do 1(é) adj (lat. medu) Que pertence ou se refere à Média. Adj.+ S.m. Habitante ou natural da Média.
me.do 2(é) s.m.(cast.médano) Monte de areias acumuladas pelo vento à beira-mar.
me.do 3 (ê) s.m.(lat. metu) 1. Perturbação resultante da ideia de um perigo real ou aparente ou da presença de alguma coisa estranha ou perigosa; pavor, susto, terror. 2. Apreensão. 3. Receio de ofender, de causar algum mal, de ser desagradável. S.m. pl. Gestos ou visagens que causam susto.
http://michaelis.uol.com.br/moderno/portugues/index.php?lingua=portugues-portugues HYPERLINK. Acesso: 17/08/2015.
TEXTO 2
O medo de errar
Martha Medeiros
“A gente é a soma das nossas decisões.”É uma frase da qual sempre
gostei, mas lembrei-me dela outro dia num local inusitado: dentro do super.
Comprar maionese, band-aid e iogurte, por exemplo, hoje requer expertise. Tem
maionese tradicional, light, premium, com leite, com ômega 3, com limão, com
[5] ovos “free range”. Band-aid, há de todos os formatos e tamanhos, nas versões:
transparente, extratransparente, colorido, temático, flexível.
É o melhor dos mundos: aumentou a diversificação. E com ela, o medo de
errar.
Assim como antes era mais fácil fazer compras, também era mais fácil
[10] viver. Para ser feliz, bastava estudar (magistério para as moças), fazer uma
faculdade (Medicina, Engenharia ou Direito para os rapazes), casar (com o sexo
oposto), ter filhos (no mínimo dois) e manter a família estruturada até o fim dos
dias. Era a maionese tradicional.
Hoje, existem várias “marcas” de felicidade. (...) Fazer intercâmbio, abrir o
[15] próprio negócio, tentar um concurso público, entrar para a faculdade. Mas estudar
o quê? Só de cursos técnicos, profissionalizantes e universitários, há centenas.
Computação Gráfica ou Informática Biomédica? Editoração ou Ciências
Moleculares? Moda, Geofísica ou Engenharia de Petróleo?
A vida padronizada podia ser menos estimulante, mas oferecia mais
[20] segurança, era fácil “acertar” e se sentir um adulto. Já a expansão de ofertas
tornou tudo mais empolgante, só que incentivou a infantilização: sem saber ao
certo o que é melhor para si, surgiu o medo de crescer.
Todos parecem ter 10 anos menos. Quem tem 17, age como se tivesse 7.
Quem tem 28, parece ter 18. Quem tem 39, vive como se fosse 29. Quem tem
[25] 40, 50, 60, mesma coisa. Por um lado, é ótimo ter um espírito jovial e a aparência
idem, mas até quando se pode adiar a maturidade?
Só nos tornamos verdadeiramente adultos quando perdemos o medo de
errar. Não somos apenas a soma das nossas escolhas, mas também das nossas
renúncias. Crescer é tomar decisões e, depois, conviver pacificamente com a
[30] dúvida. Como querem ter certeza absoluta, adolescentes prorrogam suas
escolhas – errar lhes parece a morte.
Adultos sabem que nunca terão certeza absoluta de nada, e sabem também
que só a morte física é definitiva. Já “morreram” diante de fracassos e
frustrações, e voltaram pra vida. Ao entender que é normal morrer várias vezes
[35] numa única existência, perdemos o medo – e finalmente crescemos.
Zero Hora – 25/09/2011. http:www.avarandablogspot.com . Acesso: 17/08/2015(com adaptações)
No trecho “Hoje, existem várias ‘marcas’ de felicidade.” (linha 14), o vocábulo em destaque remete ao sentido de
Questão 1 10222616
CMB 1º Ano - Língua Portuguesa 2015TEXTO 1
me.do 1(é) adj (lat. medu) Que pertence ou se refere à Média. Adj.+ S.m. Habitante ou natural da Média.
me.do 2(é) s.m.(cast.médano) Monte de areias acumuladas pelo vento à beira-mar.
me.do 3 (ê) s.m.(lat. metu) 1. Perturbação resultante da ideia de um perigo real ou aparente ou da presença de alguma coisa estranha ou perigosa; pavor, susto, terror. 2. Apreensão. 3. Receio de ofender, de causar algum mal, de ser desagradável. S.m. pl. Gestos ou visagens que causam susto.
http://michaelis.uol.com.br/moderno/portugues/index.php?lingua=portugues-portugues HYPERLINK. Acesso: 17/08/2015.
TEXTO 2
O medo de errar
Martha Medeiros
“A gente é a soma das nossas decisões.”É uma frase da qual sempre
gostei, mas lembrei-me dela outro dia num local inusitado: dentro do super.
Comprar maionese, band-aid e iogurte, por exemplo, hoje requer expertise. Tem
maionese tradicional, light, premium, com leite, com ômega 3, com limão, com
[5] ovos “free range”. Band-aid, há de todos os formatos e tamanhos, nas versões:
transparente, extratransparente, colorido, temático, flexível.
É o melhor dos mundos: aumentou a diversificação. E com ela, o medo de
errar.
Assim como antes era mais fácil fazer compras, também era mais fácil
[10] viver. Para ser feliz, bastava estudar (magistério para as moças), fazer uma
faculdade (Medicina, Engenharia ou Direito para os rapazes), casar (com o sexo
oposto), ter filhos (no mínimo dois) e manter a família estruturada até o fim dos
dias. Era a maionese tradicional.
Hoje, existem várias “marcas” de felicidade. (...) Fazer intercâmbio, abrir o
[15] próprio negócio, tentar um concurso público, entrar para a faculdade. Mas estudar
o quê? Só de cursos técnicos, profissionalizantes e universitários, há centenas.
Computação Gráfica ou Informática Biomédica? Editoração ou Ciências
Moleculares? Moda, Geofísica ou Engenharia de Petróleo?
A vida padronizada podia ser menos estimulante, mas oferecia mais
[20] segurança, era fácil “acertar” e se sentir um adulto. Já a expansão de ofertas
tornou tudo mais empolgante, só que incentivou a infantilização: sem saber ao
certo o que é melhor para si, surgiu o medo de crescer.
Todos parecem ter 10 anos menos. Quem tem 17, age como se tivesse 7.
Quem tem 28, parece ter 18. Quem tem 39, vive como se fosse 29. Quem tem
[25] 40, 50, 60, mesma coisa. Por um lado, é ótimo ter um espírito jovial e a aparência
idem, mas até quando se pode adiar a maturidade?
Só nos tornamos verdadeiramente adultos quando perdemos o medo de
errar. Não somos apenas a soma das nossas escolhas, mas também das nossas
renúncias. Crescer é tomar decisões e, depois, conviver pacificamente com a
[30] dúvida. Como querem ter certeza absoluta, adolescentes prorrogam suas
escolhas – errar lhes parece a morte.
Adultos sabem que nunca terão certeza absoluta de nada, e sabem também
que só a morte física é definitiva. Já “morreram” diante de fracassos e
frustrações, e voltaram pra vida. Ao entender que é normal morrer várias vezes
[35] numa única existência, perdemos o medo – e finalmente crescemos.
Zero Hora – 25/09/2011. http:www.avarandablogspot.com . Acesso: 17/08/2015(com adaptações)
Assinale a alternativa que apresenta, respectivamente, a finalidade dos textos 1 e 2.
Questão 8 10196833
IFFar* 1° Ano - Processo Seletivo Integrado 2015Leia o texto para responder à questão.
24 horas conectados
[01] Para os adolescentes, ficar sem celular
ou computador é o maior castigo. Muitos
já preferem a internet aos automóveis.
Os jovens que participam do curso de
[05] verão da Putney Summer School, nos
Estados Unidos, têm de deixar celular,
laptop, tablet e qualquer outro aparelho
de comunicação na entrada. Durante os
30 dias de estadia, o acesso à internet é
[10] limitado - dez horas semanais - e os fones
de ouvido são banidos. Se quiserem ouvir
música, devem conectar o MP3 a uma cai-
xa de som, para que todos compartilhem.
O intuito da política é induzir os alunos a
[15] interagir uns com os outros em vez de
ficar isolados e imersos em uma tela
eletrônica brilhante. Afinal, trata-se de um
curso de verão. Os jovens vão lá para se
divertir, conhecer culturas, gente diferente
[20] e fazer amigos.
Nos Estados Unidos é cada vez maior a
preocupação com a intensidade da relação
dos adolescentes com a internet e o celu-
lar, principalmente quanto aos limites de
[25] utilização desses meios de comunicação.
Poder conversar com outras pessoas sem
que a fronteira física atrapalhe é ótimo -
uma conquista da modernidade. Mas para
manter relações saudáveis, é preciso fazer
[30] um uso inteligente dos recursos tecnológi-
cos e evitar os excessos da "dependência
da conectividade". Nesse ponto, a escola
e, principalmente, os pais são responsá-
veis pela educação dos jovens.
[35] O celular se tornou um item de
consumo favorito da população. O Brasil é
o campeão em vendas da América Latina.
Desde 2005, o número de telefones mó-
veis ultrapassou o de fixos nas residências
[40] brasileiras. Além do mais, o aparelho é o
principal representante da convergência
tecnológica, permitindo ligações, envio de
mensagens SMS e acesso à internet.
Pais e filhos
[45] Quem convive com adolescentes sabe
que um dos piores castigos para eles é
ficar sem celular e sem computador. Os
jovens permanecem conectados aos ami-
gos e à família 24 horas por dia, ligando,
[50] trocando torpedos e atualizando status
nas redes sociais. De acordo com o so-
ciólogo polonês Zygmunt Bauman, na era
da informação, a invisibilidade equivale à
morte. Nessa fase marcada pela busca da
[55] identidade e da autonomia, é muito comum
ver adolescentes imersos nesses meios de
comunicação.
Mas para o que os jovens usam tanto
o celular? A pesquisa "Uso de Celular na
[60] Adolescência e sua Relação com a Famí-
lia", envolvendo 534 jovens entre 12 e 17
anos de escolas públicas e particulares de
Porto Alegre (RS), revelou que o uso mais
frequente do aparelho é para se comuni-
[65] car com os pais (90%) e com os amigos
(79%). "É possível perceber que as re-
lações virtuais estabelecidas pelo telefone
celular acompanham as relações reais
estabelecidas com família e grupo de
[70] amigos", diz a psicóloga Fabiana Verza,
especialista em terapia familiar e autora
do estudo. As outras utilizações mais
populares são vinculadas à coordenação
do dia a dia, com funções de despertador
[75] e de agenda.
Em muitas famílias, o celular pode sig-
nificar mais que um simples aparato tec-
nológico. Segundo o livro Adolescência &
Comunicação Virtual, de Adriana Wagner,
[80] Fabiana Verza, Rosane Spizzirri e Caroline
Eifler Saraiva, dar um celular de presente
ao filho é um rito de passagem para uma
fase do ciclo familiar. Se antes se dava a
chave da entrada da casa como símbolo
[85] de confiança, liberdade e autonomia, hoje
se presenteia o adolescente com um celular.
O aparelho também proporciona mais
tranquilidade aos pais e aos jovens sempre
que saem de casa. "Existe uma necessida-
[90] de de monitoramento dos filhos pelos pais,
principalmente em função da violência e da
insegurança associada a 'sair de casa' na
atualidade, e, nesse ponto, o celular pode
ser um grande elo", escrevem as autoras.
[95] Mas, cuidado! O aparelho não deve ser uma
extensão do cordão umbilical. Ligações re-
correntes entre pais e filhos podem indicar a
existência de uma relação simbiótica pouco
saudável e trazer à tona problemas na es-
[100] trutura familiar.
Segundo Fabiana, o fácil acesso a ou-
tros recursos midiáticos via celular, como
internet e messenger, também exerce um
papel relevante na socialização do jovem.
[105] Para os mais tímidos, o celular é um facili-
tador social. Eles se sentem mais à vonta-
de em ligar diretamente para os amigos,
sem ter de falar com os pais deles e de
trocar mensagens de texto, recurso que
[110] não exige olhar nos olhos. Desse modo, os
mais tímidos conseguem se socializar
melhor. Em outros tempos, isso não seria
possível. Vale lembrar, obviamente, que
esse meio de comunicação não deve subs-
[115] tituir uma conversa presencial.
É importante ter em mente que a ju-
ventude de hoje, assim como a das Ge-
rações passadas, tem essencialmente as
mesmas necessidades: vincular-se a um
[120] grupo, ter mais autonomia e consolidar
uma identidade. O que muda é atender a
essas necessidades na era da informação.
Fonte: Disponível em: http://revistaplaneta.terra.com.br/secao/reportagens/24-horas-conectados. Acesso em: 5 out. 2014. (adaptado)
A letra "x" pode ter vários sons e ser pronunciada de diferentes maneiras. Observe as palavras sublinhadas a seguir.
( ) É necessário uma reflexão sobre o uso do celular.
( ) O aparelho não deve ser uma extensão do cordão umbilical.
( ) Existe uma necessidade de monitoramento dos filhos pelos pais.
Numere esses fragmentos associando-os às informações apresentadas.
(1) A letra "x" tem som de /z/.
(2) A letra "x" tem som de /s/.
(3) A letra "x" tem som de /ks/.
A numeração correta, de cima para baixo, é
06
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