Questões de EFAF Português
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Questão 12 10223287
CMB 1º Ano - Língua Portuguesa 2015TEXTO
Medo
Lenine
[1] Têm medo do amor e medo de não saber amar
Têm medo da sombra e medo da luz
Têm medo de pedir e medo de calar
Medo que dá medo do medo que dá.
[...]
[5] O medo é uma sombra que o temor não esquiva
O medo é uma armadilha que prendeu o amor
O medo é uma alavanca que apagou a vida
O medo é uma fenda que aumentou a dor.
Tenho medo de gente e de solidão
[10] Tenho medo da vida e medo de morrer
Tenho medo de ficar e medo de escapulir
Medo que dá medo do medo que dá.
[...]
O medo é uma linha que separa o mundo
O medo é uma casa aonde ninguém vai
[15] O medo é como um laço que se aperta em nós
O medo é uma força que não me deixa andar.
[...]
O medo é como um laço que aperta o nó
O medo é uma força que me impede de andar
Medo de olhar no fundo
[20] Medo de dobrar a esquina
Medo de ficar no escuro
De passar em branco, de cruzar a linha
Medo de se achar sozinho
De perder a rédea, a pose e o prumo
[25] Medo de pedir arrego, medo de vagar sem rumo.
[...]
Medo de se arrepender
Medo de deixar por fazer
Medo de se amargurar pelo que não se fez
Medo de perder a vez
[30] Medo de fugir da raia na hora H
Medo de morrer na praia depois de beber o mar
Medo que dá medo do medo que dá
Medo que dá medo do medo que dá.
Link: http://www.vagalume.com.br/lenine/miedo-traducao.html#ixzz3iexWXASF. Acesso 20/08/2015.
Na construção sintático-semântica do texto, analise o emprego do sujeito sintático e o efeito de sentido produzido.
Questão 11 10223251
CMB 1º Ano - Língua Portuguesa 2015TEXTO
O grito, segundo Munch
O próprio Edvard Munch deixou um pequeno texto em que fala sobre a experiência que resultou em "O Grito": "Passeava pela estrada com dois amigos, olhando o pôr-do-sol, quando o céu de repente se tornou vermelho como sangue. Parei, recostei-me na cerca, extremamente cansado - sobre o fiorde preto azulado e a cidade estendiam-se sangue e línguas de fogo. Meus amigos foram andando e eu fiquei, tremendo de medo - podia sentir um grito infinito atravessando a paisagem".
http://mestres.folha.com.br/pintores/15/curiosidades.html. Acesso: 17/08/2015
A respeito do emprego sintático dos verbos no texto, assinale o item que apresenta a afirmação correta.
Questão 9 10223168
CMB 1º Ano - Língua Portuguesa 2015TEXTO
Medo da Eternidade
Clarice Lispector
Jamais esquecerei o meu aflitivo e dramático contato com a eternidade.
Quando eu era muito pequena ainda não tinha provado chicles e,
mesmo em Recife, falava-se pouco deles. Eu nem sabia bem de que espécie de
bala ou bombom se tratava. Mesmo o dinheiro que eu tinha não dava para
[5] comprar: com o mesmo dinheiro eu lucraria não sei quantas balas.
Afinal minha irmã juntou dinheiro, comprou e, ao sairmos de casa para a
escola, me explicou.
─ Como não acaba? - Parei um instante na rua, perplexa.
─ Não acaba nunca, e pronto.
[10] Eu estava boba: parecia-me ter sido transportada para o reino de
histórias de príncipes e fadas. Peguei a pequena pastilha cor-de-rosa que
representava o elixir do longo prazer. Examinei-a, quase não podia acreditar no
milagre. Eu que, como outras crianças, às vezes, tirava da boca uma bala ainda
inteira, para chupar depois, só para fazê-la durar mais. E eis-me com aquela
[15] coisa cor-de-rosa, de aparência tão inocente, tornando possível o mundo
impossível do qual já começara a me dar conta.
Com delicadeza, terminei afinal pondo o chicle na boca.
─ E agora que é que eu faço? - Perguntei para não errar no ritual que
certamente deveria haver.
[20] ─ Agora chupe o chicle para ir gostando do docinho dele, e só depois
que passar o gosto você começa a mastigar. E aí mastiga a vida inteira. A
menos que você perca, eu já perdi vários.
Perder a eternidade? Nunca.
O adocicado do chicle era bonzinho, não podia dizer que era ótimo. E,
[25] ainda perplexa, encaminhávamo-nos para a escola.
─ Acabou-se o docinho. E agora?
─ Agora mastigue para sempre.
Assustei-me, não saberia dizer por quê. Comecei a mastigar e em breve
tinha na boca aquele puxa-puxa cinzento de borracha que não tinha gosto de
[30] nada. Mastigava, mastigava. Mas me sentia contrafeita. Na verdade eu não
estava gostando do gosto. E a vantagem de ser bala eterna me enchia de uma
espécie de medo, como se tem diante da ideia de eternidade ou de infinito.
Eu não quis confessar que não estava à altura da eternidade. Que só
me dava aflição. Enquanto isso, eu mastigava obedientemente, sem parar.
[35] Até que não suportei mais, e, atravessando o portão da escola, dei um
jeito de o chicle mastigado cair no chão de areia.
─ Olha só o que me aconteceu! - Disse eu em fingido espanto e tristeza.
- Agora não posso mastigar mais! A bala acabou!
─ Já lhe disse - repetiu minha irmã - que ela não acaba nunca. Mas a
[40] gente às vezes perde. Até de noite a gente pode ir mastigando, mas para não
engolir no sono a gente prega o chicle na cama. Não fique triste, um dia lhe dou
outro e esse você não perderá.
Eu estava envergonhada diante da bondade de minha irmã,
envergonhada da mentira que pregara dizendo que o chicle caíra da boca por
[45] acaso. Mas aliviada. Sem o peso da eternidade sobre mim.
http://claricelispectorclarice.blogspot.com.br/2008/02/html. Acesso: 17/08/2015(Com adaptações)
No que se refere às relações estabelecidas pelos elementos coesivos do texto, assinale a afirmação correta.
Questão 8 10223054
CMB 1º Ano - Língua Portuguesa 2015TEXTO
Medo da Eternidade
Clarice Lispector
Jamais esquecerei o meu aflitivo e dramático contato com a eternidade.
Quando eu era muito pequena ainda não tinha provado chicles e,
mesmo em Recife, falava-se pouco deles. Eu nem sabia bem de que espécie de
bala ou bombom se tratava. Mesmo o dinheiro que eu tinha não dava para
[5] comprar: com o mesmo dinheiro eu lucraria não sei quantas balas.
Afinal minha irmã juntou dinheiro, comprou e, ao sairmos de casa para a
escola, me explicou.
─ Como não acaba? - Parei um instante na rua, perplexa.
─ Não acaba nunca, e pronto.
[10] Eu estava boba: parecia-me ter sido transportada para o reino de
histórias de príncipes e fadas. Peguei a pequena pastilha cor-de-rosa que
representava o elixir do longo prazer. Examinei-a, quase não podia acreditar no
milagre. Eu que, como outras crianças, às vezes, tirava da boca uma bala ainda
inteira, para chupar depois, só para fazê-la durar mais. E eis-me com aquela
[15] coisa cor-de-rosa, de aparência tão inocente, tornando possível o mundo
impossível do qual já começara a me dar conta.
Com delicadeza, terminei afinal pondo o chicle na boca.
─ E agora que é que eu faço? - Perguntei para não errar no ritual que
certamente deveria haver.
[20] ─ Agora chupe o chicle para ir gostando do docinho dele, e só depois
que passar o gosto você começa a mastigar. E aí mastiga a vida inteira. A
menos que você perca, eu já perdi vários.
Perder a eternidade? Nunca.
O adocicado do chicle era bonzinho, não podia dizer que era ótimo. E,
[25] ainda perplexa, encaminhávamo-nos para a escola.
─ Acabou-se o docinho. E agora?
─ Agora mastigue para sempre.
Assustei-me, não saberia dizer por quê. Comecei a mastigar e em breve
tinha na boca aquele puxa-puxa cinzento de borracha que não tinha gosto de
[30] nada. Mastigava, mastigava. Mas me sentia contrafeita. Na verdade eu não
estava gostando do gosto. E a vantagem de ser bala eterna me enchia de uma
espécie de medo, como se tem diante da ideia de eternidade ou de infinito.
Eu não quis confessar que não estava à altura da eternidade. Que só
me dava aflição. Enquanto isso, eu mastigava obedientemente, sem parar.
[35] Até que não suportei mais, e, atravessando o portão da escola, dei um
jeito de o chicle mastigado cair no chão de areia.
─ Olha só o que me aconteceu! - Disse eu em fingido espanto e tristeza.
- Agora não posso mastigar mais! A bala acabou!
─ Já lhe disse - repetiu minha irmã - que ela não acaba nunca. Mas a
[40] gente às vezes perde. Até de noite a gente pode ir mastigando, mas para não
engolir no sono a gente prega o chicle na cama. Não fique triste, um dia lhe dou
outro e esse você não perderá.
Eu estava envergonhada diante da bondade de minha irmã,
envergonhada da mentira que pregara dizendo que o chicle caíra da boca por
[45] acaso. Mas aliviada. Sem o peso da eternidade sobre mim.
http://claricelispectorclarice.blogspot.com.br/2008/02/html. Acesso: 17/08/2015(Com adaptações)
Levando em consideração as relações de concordância nominal estabelecidas pelas palavras destacadas do texto, assinale a afirmação correta.
Questão 7 10223040
CMB 1º Ano - Língua Portuguesa 2015TEXTO
Medo da Eternidade
Clarice Lispector
Jamais esquecerei o meu aflitivo e dramático contato com a eternidade.
Quando eu era muito pequena ainda não tinha provado chicles e,
mesmo em Recife, falava-se pouco deles. Eu nem sabia bem de que espécie de
bala ou bombom se tratava. Mesmo o dinheiro que eu tinha não dava para
[5] comprar: com o mesmo dinheiro eu lucraria não sei quantas balas.
Afinal minha irmã juntou dinheiro, comprou e, ao sairmos de casa para a
escola, me explicou.
─ Como não acaba? - Parei um instante na rua, perplexa.
─ Não acaba nunca, e pronto.
[10] Eu estava boba: parecia-me ter sido transportada para o reino de
histórias de príncipes e fadas. Peguei a pequena pastilha cor-de-rosa que
representava o elixir do longo prazer. Examinei-a, quase não podia acreditar no
milagre. Eu que, como outras crianças, às vezes, tirava da boca uma bala ainda
inteira, para chupar depois, só para fazê-la durar mais. E eis-me com aquela
[15] coisa cor-de-rosa, de aparência tão inocente, tornando possível o mundo
impossível do qual já começara a me dar conta.
Com delicadeza, terminei afinal pondo o chicle na boca.
─ E agora que é que eu faço? - Perguntei para não errar no ritual que
certamente deveria haver.
[20] ─ Agora chupe o chicle para ir gostando do docinho dele, e só depois
que passar o gosto você começa a mastigar. E aí mastiga a vida inteira. A
menos que você perca, eu já perdi vários.
Perder a eternidade? Nunca.
O adocicado do chicle era bonzinho, não podia dizer que era ótimo. E,
[25] ainda perplexa, encaminhávamo-nos para a escola.
─ Acabou-se o docinho. E agora?
─ Agora mastigue para sempre.
Assustei-me, não saberia dizer por quê. Comecei a mastigar e em breve
tinha na boca aquele puxa-puxa cinzento de borracha que não tinha gosto de
[30] nada. Mastigava, mastigava. Mas me sentia contrafeita. Na verdade eu não
estava gostando do gosto. E a vantagem de ser bala eterna me enchia de uma
espécie de medo, como se tem diante da ideia de eternidade ou de infinito.
Eu não quis confessar que não estava à altura da eternidade. Que só
me dava aflição. Enquanto isso, eu mastigava obedientemente, sem parar.
[35] Até que não suportei mais, e, atravessando o portão da escola, dei um
jeito de o chicle mastigado cair no chão de areia.
─ Olha só o que me aconteceu! - Disse eu em fingido espanto e tristeza.
- Agora não posso mastigar mais! A bala acabou!
─ Já lhe disse - repetiu minha irmã - que ela não acaba nunca. Mas a
[40] gente às vezes perde. Até de noite a gente pode ir mastigando, mas para não
engolir no sono a gente prega o chicle na cama. Não fique triste, um dia lhe dou
outro e esse você não perderá.
Eu estava envergonhada diante da bondade de minha irmã,
envergonhada da mentira que pregara dizendo que o chicle caíra da boca por
[45] acaso. Mas aliviada. Sem o peso da eternidade sobre mim.
http://claricelispectorclarice.blogspot.com.br/2008/02/html. Acesso: 17/08/2015(Com adaptações)
Considerando os elementos estruturais da narrativa, presentes no texto, assinale o item verdadeiro.
Questão 6 10222870
CMB 1º Ano - Língua Portuguesa 2015TEXTO
Medo da Eternidade
Clarice Lispector
Jamais esquecerei o meu aflitivo e dramático contato com a eternidade.
Quando eu era muito pequena ainda não tinha provado chicles e,
mesmo em Recife, falava-se pouco deles. Eu nem sabia bem de que espécie de
bala ou bombom se tratava. Mesmo o dinheiro que eu tinha não dava para
[5] comprar: com o mesmo dinheiro eu lucraria não sei quantas balas.
Afinal minha irmã juntou dinheiro, comprou e, ao sairmos de casa para a
escola, me explicou.
─ Como não acaba? - Parei um instante na rua, perplexa.
─ Não acaba nunca, e pronto.
[10] Eu estava boba: parecia-me ter sido transportada para o reino de
histórias de príncipes e fadas. Peguei a pequena pastilha cor-de-rosa que
representava o elixir do longo prazer. Examinei-a, quase não podia acreditar no
milagre. Eu que, como outras crianças, às vezes, tirava da boca uma bala ainda
inteira, para chupar depois, só para fazê-la durar mais. E eis-me com aquela
[15] coisa cor-de-rosa, de aparência tão inocente, tornando possível o mundo
impossível do qual já começara a me dar conta.
Com delicadeza, terminei afinal pondo o chicle na boca.
─ E agora que é que eu faço? - Perguntei para não errar no ritual que
certamente deveria haver.
[20] ─ Agora chupe o chicle para ir gostando do docinho dele, e só depois
que passar o gosto você começa a mastigar. E aí mastiga a vida inteira. A
menos que você perca, eu já perdi vários.
Perder a eternidade? Nunca.
O adocicado do chicle era bonzinho, não podia dizer que era ótimo. E,
[25] ainda perplexa, encaminhávamo-nos para a escola.
─ Acabou-se o docinho. E agora?
─ Agora mastigue para sempre.
Assustei-me, não saberia dizer por quê. Comecei a mastigar e em breve
tinha na boca aquele puxa-puxa cinzento de borracha que não tinha gosto de
[30] nada. Mastigava, mastigava. Mas me sentia contrafeita. Na verdade eu não
estava gostando do gosto. E a vantagem de ser bala eterna me enchia de uma
espécie de medo, como se tem diante da ideia de eternidade ou de infinito.
Eu não quis confessar que não estava à altura da eternidade. Que só
me dava aflição. Enquanto isso, eu mastigava obedientemente, sem parar.
[35] Até que não suportei mais, e, atravessando o portão da escola, dei um
jeito de o chicle mastigado cair no chão de areia.
─ Olha só o que me aconteceu! - Disse eu em fingido espanto e tristeza.
- Agora não posso mastigar mais! A bala acabou!
─ Já lhe disse - repetiu minha irmã - que ela não acaba nunca. Mas a
[40] gente às vezes perde. Até de noite a gente pode ir mastigando, mas para não
engolir no sono a gente prega o chicle na cama. Não fique triste, um dia lhe dou
outro e esse você não perderá.
Eu estava envergonhada diante da bondade de minha irmã,
envergonhada da mentira que pregara dizendo que o chicle caíra da boca por
[45] acaso. Mas aliviada. Sem o peso da eternidade sobre mim.
http://claricelispectorclarice.blogspot.com.br/2008/02/html. Acesso: 17/08/2015(Com adaptações)
Com base na leitura analítica do texto, é possível afirmar que a perplexidade diante da infinitude do chicle dá lugar ao sentimento de medo porque a personagem
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