Questões de EFAF Português - Gramática
1.745 Questões
Questão 9 10542639
Colégio Embraer 2015Leia o texto para responder à questão.
Era a primeira vez que o Getúlio vinha ao Rio de Janeiro. Conquanto filho do barão de Batatais, lavrador abastado, jamais se divertira. Depois de formado em Direito, sabe Deus como, na capital de São Paulo, voltara para a fazenda do pai, onde nasceu, e onde esperava morrer.
Aos vinte e oito anos chegaram-lhe desejos de ver mundo. Falou ao barão de uma viagem à Europa. – Para que Europa? – disse o velho. – Vai ao Rio de Janeiro, que ainda não conheces, e é uma capital digna de ser vista. À Europa irás depois comigo, tua mãe e tua irmã, se Deus nos der vida e saúde. – O bacharel contentou-se, pois, com o Rio de Janeiro.
Quando se despediu do filho, na plataforma da estação, o barão recomendou-lhe, pela centésima vez, que tivesse muito cuidado com as más companhias, o que não impedia que o rapaz, aqui chegado, se entregasse confiadamente ao Alípio.
É verdade que o Alípio tinha exterioridades que enganavam, e não vivia senão à custa delas. Delas e do próximo. Era um rapaz da moda, mas passou pelo serviço antropométrico* e ainda hoje tem o retrato na polícia.
(Arthur Azevedo, História vulgar. Seleção de contos, 2014)
* antropométrico: relativo à antropometria, ou seja, técnica de identificação de indivíduos, especialmente
criminosos, com base na descrição do corpo humano (fotografias, medidas, impressões digitais etc.)
A oração – se Deus nos der vida e saúde. (2º parágrafo) – expressa um fato
Questão 20 10446800
COLÉGIO SÓLIDO* 8° ANO 2015Texto
A FOTO

Foi numa festa de família, dessas de fim de ano. Já que bisavô estava morre não morre decidiram tirar uma fotografia de toda a família reunida, talvez pela última vez. A bisa e o bisa sentados, filhos, filhas, noras, genros e netos em volta, bisnetos na frente, esparramados pelo chão. Castelo, o dono da câmara, comandou a pose, depois tirou o olho do visor e ofereceu a câmara a quem ia tirar a fotografia. Mas quem ia tirar a fotografia?
- Tira você mesmo, ué.
- Ah, é? E eu não saio na foto?
O Castelo era o genro mais velho. O primeiro genro. O que sustentava os velhos. Tinha que estar na fotografia.
- Tiro eu – disse o marido da Bitinha.
- Você fica aqui – comandou a Bitinha.
Havia uma certa resistência ao marido da Bitinha na família. A Bitinha, orgulhosa, insistia para que o marido reagisse. “Não deixa eles te humilharem, Mário César”, dizia sempre. O Mário César ficou firme onde estava, ao lado da mulher.
- Acho que quem deve tirar é o Dudu.
O Dudu era o filho mais novo de Andradina, uma das noras, casada com o Luiz Olavo. Havia a suspeita, nunca claramente anunciada, de que não fosse filho do Luiz Olavo. O Dudu se prontificou a tirar a fotografia, mas a Andradina segurou o filho.
- Só faltava essa, o Dudu não sair.
Tinha que ser toda a família reunida em volta do bisa. Foi quando o próprio bisa se ergueu, caminhou decididamente até o Castelo e arrancou a câmara da sua mão.
- Dá aqui.
- Mas seu Domício...
- Vai pra lá e fica quieto.
- Papai, o senhor tem que sair na foto. Senão não tem sentido!
- Eu fico implícito – disse o velho, já com o olho no visor.
E antes que houvesse mais protestos, acionou a câmara, tirou a foto e foi dormir.
VERÍSSIMO, Luis Fernando Comédias para se ler na escola. Rio de Janeiro: Objetiva, 2001, p. 37-38
As reticências usadas na frase de Castelo – Mas seu Domício ... sugerem que o bisavô
Questão 14 10446586
COLÉGIO SÓLIDO* 8° ANO 2015Texto
ANTÔNIO

A coqueluche passou. Antônio já não tossia nem passeava pelas manhãs, no curral. Continuava, sim, protegido por camisas e flanelas estampadas de azul, com ingênuos raminhos de flores e caras de palhaços.
Mas de repente, ele apareceu com febre muito alta, sempre medida pelas costas das mãos colocadas sobre sua testa. Ajudada pelas vizinhas, a mãe mergulhava o menino, seguidamente, em bacia com água bem esperta, embrulhando-o em grossos cobertores, para baixar a febre. Ninguém sabia a causa, então suspeitava de tudo. A tristeza passou a rondar a casa e se mostrava até no olhar dos irmãos. O pai ficava por ali, no quintal, para alguma emergência, sem trabalhar no campo.
Depois de uns três dias, o menino já muito prostrado, tudo clareou. Antônio magro, pernas e braços finos, como por encanto virou um galho de jabuticabeira, só que coberto de catapora das pequenas, por todo o corpo. Os outros, sem poder chegar perto, espiavam de longe o irmão impaciente com tanta coceira.
Foi nessa ocasião que a madrinha falou pela primeira vez: “Se tivessem dado um chá de sabugueiro, essa doença teria rompido mais depressa”. Mas Antônio venceu. Dias depois, já estava outra vez manso como árvore depois dos frutos: clara e pronta para nova floração.
QUEIRÓS, Bartolomeu Campos de. Indez. Belo Horizonte: Miguilim, 1998. p.17-18.
Na frase “Se tivessem dado um chá de sabugueiro, essa doença teria rompido mais depressa”, o verbo destacado apresenta
Questão 15 10430685
COLÉGIO SÓLIDO* 6° ANO 2015Texto
FAMÍLIA

Três meninos e duas meninas,
sendo uma ainda de colo.
A cozinheira preta, a copeira mulata,
o papagaio, o gato, o cachorro,
as galinhas gordas no palmo de horta
e a mulher que trata de tudo.
A espreguiçadeira, a cama, a gangorra,
o cigarro, o trabalho, a reza,
e a goiabeira na sobremesa de Domingo,
o palito nos dentes contentes,
o gramofone rouco toda noite
e a mulher que trata de tudo.
O agiota, o leiteiro, o turco,
o médico uma vez por mês,
o bilhete todas as semanas
branco! Mas a esperança sempre verde.
A mulher que trata de tudo
e a felicidade.
ANDRADE, Carlos Drummond de. Poesia e prosa. Rio de Janeiro: Aguilar, 1978
Em qual verso a palavra destacada dá nome a um ser?
Questão 13 10414607
COLÉGIO SÓLIDO* 6° ANO 2015Texto

Que sinal de pontuação é empregado para enfatizar o estado emotivo das personagens?
Questão 10 10414466
COLÉGIO SÓLIDO* 6° ANO 2015Texto
Mamãe tinha dois filhos lindos. Acabaram se casando com duas moças que... bem, a mamãe nunca acha que elas são boas o bastante para seus filhos lindos. Pois eles se casaram, e cada casal foi morar numa cidade, um em São Paulo e o outro em Belo Horizonte. Aí mamãe ficou viúva e tinha de escolher com quem ela iria viver.
- Na casa de que filho a senhora vai viver, dona Santinha?
- Ah, minha filha, o meu problema é que uma nora quer que eu vá para São Paulo e a outra quer que eu vá para Belo Horizonte...
- Ah, que simpáticas e carinhosas as suas noras, dona Santinha!
- Nem tanto, minha querida. A de São Paulo quer que eu vá para Belo Horizonte, e a de Belo Horizonte quer que eu vá para São Paulo.
(Ziraldo, Rolando de rir. São Paulo: Melhoramentos, 2001. p. 75.)

Na frase “- Ah, que simpáticas e carinhosas as suas noras, dona Santinha!”, o travessão foi usado
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