Questões de EFAF Português - Leitura e Interpretação de Texto
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Questão 2 15407212
Colégio Pedro II 2023Texto
QUEM COLA SAI DA ESCOLA?
[1] A “cola” na escola é a prática de furtar ideias e respostas alheias nas situações de
avaliação. Trata-se de um fenômeno tão recorrente que gera a palavra de ordem dos
corredores: “quem não cola não sai da escola”.
A recorrência do fenômeno sugere que a prática da cola seria ou um problema menor,
[5] ou um problema insolúvel. Aqueles que a veem como problema menor defendem que muitas
vezes a cola pode até estimular a [5] criatividade dos alunos, tantos são os meios inventados
para burlar a vigilância de professores e inspetores. Aqueles que a veem como problema
insolúvel defendem que a essência do ser humano é ruim, logo, se faz necessário aumentar
o controle para que os alunos, pelo menos, colem menos.
[10] De fato, trata-se de um problema. Defendo, no entanto, esse problema não é nem
menor, nem insolúvel.
Por que a cola não é um problema menor? Porque através da sua prática o futuro
cidadão “aprende” a desonestidade intelectual, exatamente a matriz de todo tipo de
corrupção que assola o país. Através da prática da cola o futuro cidadão aprende a subornar,
[15] a aceitar suborno e a avançar o sinal vermelho. Minimizar a importância da cola implica
minimizar suas graves consequências para toda a sociedade.
Por que a cola não é um problema insolúvel? Porque ela é fabricada pela própria
escola, que dela precisa para estruturar e justificar seu complexo sistema de controle e
poder. Na verdade, a cola é a sombra da própria escola. Se percebermos como isso
[20] acontece, podemos mudar as práticas escolares que instituem e promovem a cola.
Na escola são tantas as disciplinas que o conhecimento fica todo esfacelado. Nenhum
professor pode dar conta de toda a matéria que se ensina aos alunos em todas as disciplinas,
mas todos os professores exigem que seus alunos deem conta do que eles mesmos não
conseguem. […]
[25] O aluno, pressionado por tanto exame de tanta matéria, e ao mesmo tempo
percebendo que seus professores não sabem tudo o que eles teriam de saber, tenta escapar
pela cola. A escola então se vê obrigada a criar mecanismos de repressão à cola.
No entanto, como quem passou pela escola sabe bem, esses mecanismos são em
geral ineficientes. Um número muito pequeno de alunos é “pego” colando, o suficiente
[30] apenas para manter a impressão de repressão. Punem-se somente aqueles que colam muito
mal. Isso significa que professores e inspetores são bobos?
Não. Na verdade, o controle deficiente da cola revela-se um procedimento eficiente de
promovê-la. Promove-se assim a desonestidade e, ao mesmo tempo, a dependência
intelectual. Quando consegue colar, o aluno comemora sua vitória sobre o professor, sem
[35] perceber que introjeta tanto a desonestidade quanto a insegurança. Sua vitória é uma
derrota. Quem cola, na verdade, não sai da escola, porque fica preso dentro do seu sistema
viciado e viciante.
[…] Não acho que a cola torne ninguém mais esperto. A prática da cola fabrica antes
pessoas simultaneamente desonestas e inseguras. Logo, sou contra a cola. Mas também
[40] sou contra a repressão à cola, porque ela na verdade estimula essa prática. O que fazer?
Como sempre, a solução encontra na raiz do problema. Essa raiz deve ser arrancada.
Para fazê-lo, devemos modificar as condições escolares que criam e promovem a cola.
BERNARDO, G Disponível em: https://revista.vestibular.uerj.br. Acesso em: 6 out. 2022 (adaptado)
“Trata-se de um fenômeno tão recorrente que gera a palavra de ordem dos corredores: “quem não cola não sai da escola”.” (linhas 2-3)
O trecho destacado no excerto acima é um conhecido ditado popular, citado pelo autor com a finalidade de
Questão 1 15407211
Colégio Pedro II 2023Texto
QUEM COLA SAI DA ESCOLA?
[1] A “cola” na escola é a prática de furtar ideias e respostas alheias nas situações de
avaliação. Trata-se de um fenômeno tão recorrente que gera a palavra de ordem dos
corredores: “quem não cola não sai da escola”.
A recorrência do fenômeno sugere que a prática da cola seria ou um problema menor,
[5] ou um problema insolúvel. Aqueles que a veem como problema menor defendem que muitas
vezes a cola pode até estimular a [5] criatividade dos alunos, tantos são os meios inventados
para burlar a vigilância de professores e inspetores. Aqueles que a veem como problema
insolúvel defendem que a essência do ser humano é ruim, logo, se faz necessário aumentar
o controle para que os alunos, pelo menos, colem menos.
[10] De fato, trata-se de um problema. Defendo, no entanto, esse problema não é nem
menor, nem insolúvel.
Por que a cola não é um problema menor? Porque através da sua prática o futuro
cidadão “aprende” a desonestidade intelectual, exatamente a matriz de todo tipo de
corrupção que assola o país. Através da prática da cola o futuro cidadão aprende a subornar,
[15] a aceitar suborno e a avançar o sinal vermelho. Minimizar a importância da cola implica
minimizar suas graves consequências para toda a sociedade.
Por que a cola não é um problema insolúvel? Porque ela é fabricada pela própria
escola, que dela precisa para estruturar e justificar seu complexo sistema de controle e
poder. Na verdade, a cola é a sombra da própria escola. Se percebermos como isso
[20] acontece, podemos mudar as práticas escolares que instituem e promovem a cola.
Na escola são tantas as disciplinas que o conhecimento fica todo esfacelado. Nenhum
professor pode dar conta de toda a matéria que se ensina aos alunos em todas as disciplinas,
mas todos os professores exigem que seus alunos deem conta do que eles mesmos não
conseguem. […]
[25] O aluno, pressionado por tanto exame de tanta matéria, e ao mesmo tempo
percebendo que seus professores não sabem tudo o que eles teriam de saber, tenta escapar
pela cola. A escola então se vê obrigada a criar mecanismos de repressão à cola.
No entanto, como quem passou pela escola sabe bem, esses mecanismos são em
geral ineficientes. Um número muito pequeno de alunos é “pego” colando, o suficiente
[30] apenas para manter a impressão de repressão. Punem-se somente aqueles que colam muito
mal. Isso significa que professores e inspetores são bobos?
Não. Na verdade, o controle deficiente da cola revela-se um procedimento eficiente de
promovê-la. Promove-se assim a desonestidade e, ao mesmo tempo, a dependência
intelectual. Quando consegue colar, o aluno comemora sua vitória sobre o professor, sem
[35] perceber que introjeta tanto a desonestidade quanto a insegurança. Sua vitória é uma
derrota. Quem cola, na verdade, não sai da escola, porque fica preso dentro do seu sistema
viciado e viciante.
[…] Não acho que a cola torne ninguém mais esperto. A prática da cola fabrica antes
pessoas simultaneamente desonestas e inseguras. Logo, sou contra a cola. Mas também
[40] sou contra a repressão à cola, porque ela na verdade estimula essa prática. O que fazer?
Como sempre, a solução encontra na raiz do problema. Essa raiz deve ser arrancada.
Para fazê-lo, devemos modificar as condições escolares que criam e promovem a cola.
BERNARDO, G Disponível em: https://revista.vestibular.uerj.br. Acesso em: 6 out. 2022 (adaptado)
No Texto, a opinião do autor pode ser resumida corretamente pela seguinte frase:
Questão 15 15398460
IFRJ 2023
Morfologia é a parte da Gramática que se ocupa de estudar a constituição das palavras, os processos que as constroem a partir dos elementos que as compõem.]
No trecho “Um bom exemplo são as faculdades, antes frequentadas por uma maioria branca e rica”, os termos em destaque apresentam, em relação à estrutura e aos processos de formação de palavras, os mesmos componentes de:
Questão 14 15398459
IFRJ 2023
Sobre o conceito de cotas trazido pela personagem Rê Tinta, a tese que melhor dialoga com a tirinha é:
Questão 13 15398376
IFRJ 2023Texto I
Azul da pele preta
Marília Pereira de Jesus
A corrida para pegar os dois ônibus que me levariam até o campus da universidade não foi suficiente para que eu não chegasse atrasada. A brisa boa do outono rolava quando pisei no gramado da faculdade para participar do trote. Ter chegado atrasada foi motivo suficiente para os veteranos me pintarem de smurffet, uma personagem de uma história em quadrinhos que tem a pele azul. Aceitei a brincadeira e, depois de ser pintada, corri para encontrar o grupo que já estava esperando o ônibus para irmos recolher dinheiro
Alguns dias depois, assim que pisei novamente no gramado, mas dessa vez para a festa de recepção dos calouros, qual não foi o susto de uma menina que recolheu dinheiro comigo no Centro da Cidade durante todo o dia de trote, eu pintada de smurffet e ela de pirata, quando me viu na minha própria pele e exclamou: “Você não é branca!”
Muito se fala sobre apreciar o caminho, olhar a paisagem e não se concentrar apenas na chegada – nesse caso o diploma –, mas tantas coisas aconteceram desde o dia do trote até hoje. Apreciar o caminho quando ele é composto por solidão e dor não faz nossos olhos brilharem de alegria. Os meus, muitas vezes, brilharam por serem reservatórios de lágrimas de tristeza por não me reconhecer em nada que compunha o ambiente acadêmico. Os pontos de vista variavam, mas as imagens não.
Eu poderia estar sentada assistindo aula, de pé apresentando seminário para a turma e até mesmo de cabeça baixa lendo um texto: as imagens, de pessoas reais ou descritas, não se pareciam com a minha.
Os professores eram brancos, os alunos, em sua maioria, eram brancos, a bibliografia era branca e isso acabava me afastando cada dia mais do sentimento de pertencimento, o qual só experimentei muito tempo depois de me tornar aluna.
Foi num semestre, após uma greve, que me inscrevi em uma disciplina que tinha como foco as mulheres pretas. No primeiro dia de aula, diferente de tudo o que eu já tinha vivido, a professora começou a aula com todos de pé em roda, num primeiro momento, de mãos dadas e depois pediu para que a gente olhasse nos olhos da pessoa do lado, se apresentasse e desse um abraço, se tivesse vontade. Todos tiveram vontade. A emoção de conhecer e reconhecer nossos pares tomou conta do ambiente.
Era uma sala de aula cheia, cheia mesmo, de mulheres pretas! Eu me via em todas as direções que eu olhava e depois me encontrei em todas as narrativas que ouvi. Encontrar um lugar para compartilhar minhas vivências, falar das dores de “Nós” na primeira pessoa, foi um processo de cura. Na bibliografia desse curso, só tinha autoras negras e o aprofundamento nos estudos de e sobre mulheres negras me fez despertar para muitas questões que antes eu naturalizava.
Uma delas é sobre como o racismo destruiu minha autoestima e fez com que eu negasse minha própria imagem durante muito tempo. Passei quase toda a minha vida me desenhando com os cabelos esticados, olhos azuis ou verdes e não pintando o meu corpo, apenas o contornando com o lápis de cor marrom mais claro da caixa.
Mas, foi durante uma dinâmica de autorretrato proposta pela professora, que teve o cuidado de levar uma caixa de lápis de cor com vários tons de marrom, que eu me desenhei como uma mulher preta pela primeira vez. Em todos os encontros dessa disciplina, eu despertava para alguma questão, mas nesse dia eu tive um grande impacto.
Foi como se pesasse de uma vez tudo o que eu tinha vivido até aquele momento dentro do espaço acadêmico e, só nesse dia, eu consegui despertar para o motivo pelo qual na mente da menina pintada de pirata, ao me ver sem a tinta azul que cobria a minha pele, eu só poderia ser branca.
Mas eu era preta e estava lá.
(PASSOS, André (Org). Conversas pretas e outros papos. Rio de Janeiro, RJ: Editora Conexão 7, 2021)
Texto II

Dos fragmentos abaixo retirados do Texto l, aquele que dialoga com os conceitos abordados pela personagem Rê Tinta, no texto ll, está presente em:
Questão 12 15398375
IFRJ 2023Texto I
Azul da pele preta
Marília Pereira de Jesus
A corrida para pegar os dois ônibus que me levariam até o campus da universidade não foi suficiente para que eu não chegasse atrasada. A brisa boa do outono rolava quando pisei no gramado da faculdade para participar do trote. Ter chegado atrasada foi motivo suficiente para os veteranos me pintarem de smurffet, uma personagem de uma história em quadrinhos que tem a pele azul. Aceitei a brincadeira e, depois de ser pintada, corri para encontrar o grupo que já estava esperando o ônibus para irmos recolher dinheiro
Alguns dias depois, assim que pisei novamente no gramado, mas dessa vez para a festa de recepção dos calouros, qual não foi o susto de uma menina que recolheu dinheiro comigo no Centro da Cidade durante todo o dia de trote, eu pintada de smurffet e ela de pirata, quando me viu na minha própria pele e exclamou: “Você não é branca!”
Muito se fala sobre apreciar o caminho, olhar a paisagem e não se concentrar apenas na chegada – nesse caso o diploma –, mas tantas coisas aconteceram desde o dia do trote até hoje. Apreciar o caminho quando ele é composto por solidão e dor não faz nossos olhos brilharem de alegria. Os meus, muitas vezes, brilharam por serem reservatórios de lágrimas de tristeza por não me reconhecer em nada que compunha o ambiente acadêmico. Os pontos de vista variavam, mas as imagens não.
Eu poderia estar sentada assistindo aula, de pé apresentando seminário para a turma e até mesmo de cabeça baixa lendo um texto: as imagens, de pessoas reais ou descritas, não se pareciam com a minha.
Os professores eram brancos, os alunos, em sua maioria, eram brancos, a bibliografia era branca e isso acabava me afastando cada dia mais do sentimento de pertencimento, o qual só experimentei muito tempo depois de me tornar aluna.
Foi num semestre, após uma greve, que me inscrevi em uma disciplina que tinha como foco as mulheres pretas. No primeiro dia de aula, diferente de tudo o que eu já tinha vivido, a professora começou a aula com todos de pé em roda, num primeiro momento, de mãos dadas e depois pediu para que a gente olhasse nos olhos da pessoa do lado, se apresentasse e desse um abraço, se tivesse vontade. Todos tiveram vontade. A emoção de conhecer e reconhecer nossos pares tomou conta do ambiente.
Era uma sala de aula cheia, cheia mesmo, de mulheres pretas! Eu me via em todas as direções que eu olhava e depois me encontrei em todas as narrativas que ouvi. Encontrar um lugar para compartilhar minhas vivências, falar das dores de “Nós” na primeira pessoa, foi um processo de cura. Na bibliografia desse curso, só tinha autoras negras e o aprofundamento nos estudos de e sobre mulheres negras me fez despertar para muitas questões que antes eu naturalizava.
Uma delas é sobre como o racismo destruiu minha autoestima e fez com que eu negasse minha própria imagem durante muito tempo. Passei quase toda a minha vida me desenhando com os cabelos esticados, olhos azuis ou verdes e não pintando o meu corpo, apenas o contornando com o lápis de cor marrom mais claro da caixa.
Mas, foi durante uma dinâmica de autorretrato proposta pela professora, que teve o cuidado de levar uma caixa de lápis de cor com vários tons de marrom, que eu me desenhei como uma mulher preta pela primeira vez. Em todos os encontros dessa disciplina, eu despertava para alguma questão, mas nesse dia eu tive um grande impacto.
Foi como se pesasse de uma vez tudo o que eu tinha vivido até aquele momento dentro do espaço acadêmico e, só nesse dia, eu consegui despertar para o motivo pelo qual na mente da menina pintada de pirata, ao me ver sem a tinta azul que cobria a minha pele, eu só poderia ser branca.
Mas eu era preta e estava lá.
(PASSOS, André (Org). Conversas pretas e outros papos. Rio de Janeiro, RJ: Editora Conexão 7, 2021)
Releia o excerto abaixo:
“Uma delas é sobre como o racismo destruiu minha autoestima e fez com que eu negasse minha própria imagem durante muito tempo. Passei toda minha vida me desenhando com os cabelos esticados, olhos azuis ou verdes e não pintando o meu corpo, apenas o contornando com o lápis marrom mais claro da caixa.”
O s dois trechos acima ser unidos trocando-se o ponto entres as duas frases pelo seguinte conectivo:
06
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