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Questões de EFAF Português

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15.488 Questões

Marca Texto
Modo Escuro
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Questão 11 10154240
Fácil 00:00

CMM 1º Ano - Língua Portuguesa 2016
  • EFAF Português
  • Sugira
  • Leitura e Interpretação de Texto
  • Estratégias de leitura Gêneros textuais - Verbais/Narrativos Gêneros textuais não verbais e mistos
  • Crônica História em quadrinhos História em Quadrinhos Tirinha
  • Exibir tags
Resolução comentada

TEXTO

(https://updatesaude.files.wordpress.com/2014)

Na tirinha acima, observa-se a preocupação do pai de Armandinho em criar uma conscientização sobre o tema “doação de medula óssea”, assim tentando sensibilizar o filho a imaginar-se no lugar do outro com o mais profundo sentimento.

 

Comparando a ideia de “mais profundo sentimento” com o TEXTO, de Rubem Alves, assinale a alternativa que NÃO expressa o mais profundo sentimento:

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Questão 9 10153865
Fácil 00:00

CMM 1º Ano - Língua Portuguesa 2016
  • EFAF Português
  • Sugira
  • Morfologia
  • Conjunções
  • Exibir tags
Resolução comentada

Leia o TEXTO para responder o item.

 

TEXTO 

 

É ASSIM QUE ACONTECE A SOLIDARIEDADE

    “Se te perguntarem quem era essa que às areias e aos gelos quis ensinar a primavera...”: é assim que Cecília Meireles inicia um de seus poemas. Ensinar primavera às areias e aos gelos é coisa difícil. Gelos e areias nada sabem sobre primaveras... Pois eu desejaria saber ensinar a solidariedade a quem nada sabe sobre ela. O mundo seria melhor. Mas como ensiná-la?

    Será possível ensinar a beleza de uma sonata de Mozart a um surdo? Como, se ele não ouve? E poderei ensinar a beleza das telas de Monet a um cego? De que pedagogia irei me valer para comunicar cores e formas a quem não vê? Há coisas que não podem ser ensinadas. Há coisas que estão além das palavras. Os cientistas, os filósofos e os professores são aqueles que se dedicam a ensinar as coisas que podem ser ensinadas. Coisas que são ensinadas são aquelas que podem ser ditas. Sobre a solidariedade muitas coisas podem ser ditas. Por exemplo: eu acho possível desenvolver uma psicologia da solidariedade. Acho também possível desenvolver uma sociologia da solidariedade. E, filosoficamente, uma ética da solidariedade... Mas os saberes científicos e filosóficos da solidariedade não ensinam a solidariedade, da mesma forma como a crítica da música e da pintura não ensina às pessoas a beleza da música e da pintura. A solidariedade, como a beleza, é inefável – está além das palavras.

    Palavras que ensinam são gaiolas para pássaros engaioláveis. Os saberes, todos eles, são pássaros engaiolados. Mas a solidariedade é um pássaro que não pode ser engaiolado. Ela não pode ser dita. A solidariedade pertence a uma classe de pássaros que só existem em voo. Engaiolados, esses pássaros morrem.

    A beleza é um desses pássaros. A beleza está além das palavras. Walt Whitman tinha a consciência disso quando disse: “Sermões e lógicas jamais convencem. O peso da noite cala bem mais fundo a alma...”. Ele conhecia os limites das suas próprias palavras. E Fernando Pessoa sabia que aquilo que o poeta quer comunicar não se encontra nas palavras que ele diz; antes, aparece nos espaços vazios que se abrem entre elas, as palavras. Nesse espaço vazio se ouve uma música. Mas essa música – de onde vem ela se não foi o poeta que a tocou?

    [...].

    O que pode ser ensinado são as coisas que moram no mundo de fora: astronomia, física, química, gramática, anatomia, números, letras, palavras.

   Mas há coisas que não estão do lado de fora. Coisas que moram dentro do corpo. Estão enterradas na carne, como se fossem sementes à espera...

    Sim, sim! Imagine isso: o corpo como um grande canteiro! Nele se encontram, adormecidas, em estado de latência, as mais variadas sementes – lembre-se da história da Bela Adormecida! Elas poderão acordar, brotar. Mas poderão também não brotar. Tudo depende... As sementes não brotarão se sobre elas houver uma pedra. E também pode acontecer que, depois de brotar, elas sejam arrancadas... De fato, muitas plantas precisam ser arrancadas, antes que cresçam. Nos jardins há pragas: tiriricas, picões...

    Uma dessas sementes é a “solidariedade”. A solidariedade não é uma entidade do mundo de fora, ao lado de estrelas, pedras, mercadorias, dinheiro, contratos. Se ela fosse uma entidade do mundo de fora, poderia ser ensinada e produzida. A solidariedade é uma entidade do mundo interior. Solidariedade nem se ensina, nem se ordena, nem se produz. A solidariedade tem de brotar e crescer como uma semente...
    Veja o ipê florido! Nasceu de uma semente. Depois de crescer não será necessária nenhuma técnica, nenhum estímulo, nenhum truque para que ele floresça. Angelus Silesius, místico antigo, tem um verso que diz: “A rosa não tem porquês. Ela floresce porque floresce”. O ipê floresce porque floresce. Seu florescer é um simples transbordar natural da sua verdade.

    A solidariedade é como um ipê: nasce e floresce. Mas não em decorrência de mandamentos éticos ou religiosos. Não se pode ordenar: “Seja solidário!”. A solidariedade acontece como um simples transbordamento: as fontes transbordam... Da mesma forma como o poema é um transbordamento da alma do poeta e a canção, um transbordamento da alma do compositor...

    Já disse que solidariedade é um sentimento. É esse o sentimento que nos torna mais humanos. É um sentimento estranho, que perturba nossos próprios sentimentos. A solidariedade me faz sentir sentimentos que não são meus, que são de um outro. Acontece assim: eu vejo uma criança vendendo balas num semáforo. Ela me pede que eu compre um pacotinho de suas balas. Eu e a criança – dois corpos separados e distintos. Mas, ao olhar para ela, estremeço: algo em mim me faz imaginar aquilo que ela está sentindo. E então, por uma magia inexplicável esse sentimento imaginado se aloja junto aos meus próprios sentimentos. Na verdade, desaloja meus sentimentos, pois eu vinha, no meu carro, com sentimentos leves e alegres, e agora esse novo sentimento se coloca no lugar deles. O que sinto não são meus sentimentos. Foram-se a leveza e a alegria que me faziam cantar. Agora, são os sentimentos daquele menino que estão dentro de mim. Meu corpo sofre uma transformação: ele não é mais limitado pela pele que o cobre. Expande-se. Ele está agora ligado a um outro corpo que passa a ser parte dele mesmo. Isso não acontece nem por decisão racional, nem por convicção religiosa, nem por mandamento ético. É o jeito natural de ser do meu próprio corpo, movido pela solidariedade.

    Acho que esse é o sentido do dito de Jesus de que temos de amar o próximo como amamos a nós mesmos. A solidariedade é uma forma visível do amor. Pela magia do sentimento de solidariedade, meu corpo passa a ser morada de outro. É assim que acontece a bondade.

    Mas fica pendente a pergunta inicial: como ensinar primavera a gelos e areias? Para isso as palavras do conhecimento são inúteis. Seria necessário fazer nascer ipês no meio dos gelos e das areias! E eu só conheço uma palavra que tem esse poder: a palavra dos poetas. Ensinar solidariedade? Que se façam ouvir as palavras dos poetas nas igrejas, nas escolas, nas empresas, nas casas, na televisão, nos bares, nas reuniões políticas, e, principalmente, na solidão...

    “O menino me olhou com olhos suplicantes.

    E, de repente, eu era um menino que olhava com olhos suplicantes...”.

(ALVES, Rubem. "As melhores crônicas de Rubem Alves”. Adaptado)

Glossário:
Cecília Meireles: foi jornalista, pintora e escritora brasileira.
Mozart: foi um prolífico e influente compositor austríaco do período clássico.
Monet: foi um pintor francês e o mais célebre entre os pintores impressionistas.
Walt Whitman: foi um poeta, ensaísta e jornalista norte-americano.
Fernando Pessoa: foi um poeta e crítico literário português.

Marque a alternativa INCORRETA quanto à classificação da conjunção em destaque:

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Questão 7 10153833
Fácil 00:00

CMM 1º Ano - Língua Portuguesa 2016
  • EFAF Português
  • Sugira
  • Morfologia
  • Verbo Verbos
  • Exibir tags
Resolução comentada

Leia o TEXTO para responder o item.

 

TEXTO 

 

É ASSIM QUE ACONTECE A SOLIDARIEDADE

    “Se te perguntarem quem era essa que às areias e aos gelos quis ensinar a primavera...”: é assim que Cecília Meireles inicia um de seus poemas. Ensinar primavera às areias e aos gelos é coisa difícil. Gelos e areias nada sabem sobre primaveras... Pois eu desejaria saber ensinar a solidariedade a quem nada sabe sobre ela. O mundo seria melhor. Mas como ensiná-la?

    Será possível ensinar a beleza de uma sonata de Mozart a um surdo? Como, se ele não ouve? E poderei ensinar a beleza das telas de Monet a um cego? De que pedagogia irei me valer para comunicar cores e formas a quem não vê? Há coisas que não podem ser ensinadas. Há coisas que estão além das palavras. Os cientistas, os filósofos e os professores são aqueles que se dedicam a ensinar as coisas que podem ser ensinadas. Coisas que são ensinadas são aquelas que podem ser ditas. Sobre a solidariedade muitas coisas podem ser ditas. Por exemplo: eu acho possível desenvolver uma psicologia da solidariedade. Acho também possível desenvolver uma sociologia da solidariedade. E, filosoficamente, uma ética da solidariedade... Mas os saberes científicos e filosóficos da solidariedade não ensinam a solidariedade, da mesma forma como a crítica da música e da pintura não ensina às pessoas a beleza da música e da pintura. A solidariedade, como a beleza, é inefável – está além das palavras.

    Palavras que ensinam são gaiolas para pássaros engaioláveis. Os saberes, todos eles, são pássaros engaiolados. Mas a solidariedade é um pássaro que não pode ser engaiolado. Ela não pode ser dita. A solidariedade pertence a uma classe de pássaros que só existem em voo. Engaiolados, esses pássaros morrem.

    A beleza é um desses pássaros. A beleza está além das palavras. Walt Whitman tinha a consciência disso quando disse: “Sermões e lógicas jamais convencem. O peso da noite cala bem mais fundo a alma...”. Ele conhecia os limites das suas próprias palavras. E Fernando Pessoa sabia que aquilo que o poeta quer comunicar não se encontra nas palavras que ele diz; antes, aparece nos espaços vazios que se abrem entre elas, as palavras. Nesse espaço vazio se ouve uma música. Mas essa música – de onde vem ela se não foi o poeta que a tocou?

    [...].

    O que pode ser ensinado são as coisas que moram no mundo de fora: astronomia, física, química, gramática, anatomia, números, letras, palavras.

   Mas há coisas que não estão do lado de fora. Coisas que moram dentro do corpo. Estão enterradas na carne, como se fossem sementes à espera...

    Sim, sim! Imagine isso: o corpo como um grande canteiro! Nele se encontram, adormecidas, em estado de latência, as mais variadas sementes – lembre-se da história da Bela Adormecida! Elas poderão acordar, brotar. Mas poderão também não brotar. Tudo depende... As sementes não brotarão se sobre elas houver uma pedra. E também pode acontecer que, depois de brotar, elas sejam arrancadas... De fato, muitas plantas precisam ser arrancadas, antes que cresçam. Nos jardins há pragas: tiriricas, picões...

    Uma dessas sementes é a “solidariedade”. A solidariedade não é uma entidade do mundo de fora, ao lado de estrelas, pedras, mercadorias, dinheiro, contratos. Se ela fosse uma entidade do mundo de fora, poderia ser ensinada e produzida. A solidariedade é uma entidade do mundo interior. Solidariedade nem se ensina, nem se ordena, nem se produz. A solidariedade tem de brotar e crescer como uma semente...
    Veja o ipê florido! Nasceu de uma semente. Depois de crescer não será necessária nenhuma técnica, nenhum estímulo, nenhum truque para que ele floresça. Angelus Silesius, místico antigo, tem um verso que diz: “A rosa não tem porquês. Ela floresce porque floresce”. O ipê floresce porque floresce. Seu florescer é um simples transbordar natural da sua verdade.

    A solidariedade é como um ipê: nasce e floresce. Mas não em decorrência de mandamentos éticos ou religiosos. Não se pode ordenar: “Seja solidário!”. A solidariedade acontece como um simples transbordamento: as fontes transbordam... Da mesma forma como o poema é um transbordamento da alma do poeta e a canção, um transbordamento da alma do compositor...

    Já disse que solidariedade é um sentimento. É esse o sentimento que nos torna mais humanos. É um sentimento estranho, que perturba nossos próprios sentimentos. A solidariedade me faz sentir sentimentos que não são meus, que são de um outro. Acontece assim: eu vejo uma criança vendendo balas num semáforo. Ela me pede que eu compre um pacotinho de suas balas. Eu e a criança – dois corpos separados e distintos. Mas, ao olhar para ela, estremeço: algo em mim me faz imaginar aquilo que ela está sentindo. E então, por uma magia inexplicável esse sentimento imaginado se aloja junto aos meus próprios sentimentos. Na verdade, desaloja meus sentimentos, pois eu vinha, no meu carro, com sentimentos leves e alegres, e agora esse novo sentimento se coloca no lugar deles. O que sinto não são meus sentimentos. Foram-se a leveza e a alegria que me faziam cantar. Agora, são os sentimentos daquele menino que estão dentro de mim. Meu corpo sofre uma transformação: ele não é mais limitado pela pele que o cobre. Expande-se. Ele está agora ligado a um outro corpo que passa a ser parte dele mesmo. Isso não acontece nem por decisão racional, nem por convicção religiosa, nem por mandamento ético. É o jeito natural de ser do meu próprio corpo, movido pela solidariedade.

    Acho que esse é o sentido do dito de Jesus de que temos de amar o próximo como amamos a nós mesmos. A solidariedade é uma forma visível do amor. Pela magia do sentimento de solidariedade, meu corpo passa a ser morada de outro. É assim que acontece a bondade.

    Mas fica pendente a pergunta inicial: como ensinar primavera a gelos e areias? Para isso as palavras do conhecimento são inúteis. Seria necessário fazer nascer ipês no meio dos gelos e das areias! E eu só conheço uma palavra que tem esse poder: a palavra dos poetas. Ensinar solidariedade? Que se façam ouvir as palavras dos poetas nas igrejas, nas escolas, nas empresas, nas casas, na televisão, nos bares, nas reuniões políticas, e, principalmente, na solidão...

    “O menino me olhou com olhos suplicantes.

    E, de repente, eu era um menino que olhava com olhos suplicantes...”.

(ALVES, Rubem. "As melhores crônicas de Rubem Alves”. Adaptado)

Glossário:
Cecília Meireles: foi jornalista, pintora e escritora brasileira.
Mozart: foi um prolífico e influente compositor austríaco do período clássico.
Monet: foi um pintor francês e o mais célebre entre os pintores impressionistas.
Walt Whitman: foi um poeta, ensaísta e jornalista norte-americano.
Fernando Pessoa: foi um poeta e crítico literário português.

Considerando os aspectos sintático-semânticos dos trechos, retirados do TEXTO, assinale a única opção CORRETA.

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Questão 6 10153826
Fácil 00:00

CMM 1º Ano - Língua Portuguesa 2016
  • EFAF Português
  • Sugira
  • Morfologia Sintaxe
  • Conjunções Conjunções
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Resolução comentada

Leia o TEXTO para responder o item.

 

TEXTO 

 

É ASSIM QUE ACONTECE A SOLIDARIEDADE

    “Se te perguntarem quem era essa que às areias e aos gelos quis ensinar a primavera...”: é assim que Cecília Meireles inicia um de seus poemas. Ensinar primavera às areias e aos gelos é coisa difícil. Gelos e areias nada sabem sobre primaveras... Pois eu desejaria saber ensinar a solidariedade a quem nada sabe sobre ela. O mundo seria melhor. Mas como ensiná-la?

    Será possível ensinar a beleza de uma sonata de Mozart a um surdo? Como, se ele não ouve? E poderei ensinar a beleza das telas de Monet a um cego? De que pedagogia irei me valer para comunicar cores e formas a quem não vê? Há coisas que não podem ser ensinadas. Há coisas que estão além das palavras. Os cientistas, os filósofos e os professores são aqueles que se dedicam a ensinar as coisas que podem ser ensinadas. Coisas que são ensinadas são aquelas que podem ser ditas. Sobre a solidariedade muitas coisas podem ser ditas. Por exemplo: eu acho possível desenvolver uma psicologia da solidariedade. Acho também possível desenvolver uma sociologia da solidariedade. E, filosoficamente, uma ética da solidariedade... Mas os saberes científicos e filosóficos da solidariedade não ensinam a solidariedade, da mesma forma como a crítica da música e da pintura não ensina às pessoas a beleza da música e da pintura. A solidariedade, como a beleza, é inefável – está além das palavras.

    Palavras que ensinam são gaiolas para pássaros engaioláveis. Os saberes, todos eles, são pássaros engaiolados. Mas a solidariedade é um pássaro que não pode ser engaiolado. Ela não pode ser dita. A solidariedade pertence a uma classe de pássaros que só existem em voo. Engaiolados, esses pássaros morrem.

    A beleza é um desses pássaros. A beleza está além das palavras. Walt Whitman tinha a consciência disso quando disse: “Sermões e lógicas jamais convencem. O peso da noite cala bem mais fundo a alma...”. Ele conhecia os limites das suas próprias palavras. E Fernando Pessoa sabia que aquilo que o poeta quer comunicar não se encontra nas palavras que ele diz; antes, aparece nos espaços vazios que se abrem entre elas, as palavras. Nesse espaço vazio se ouve uma música. Mas essa música – de onde vem ela se não foi o poeta que a tocou?

    [...].

    O que pode ser ensinado são as coisas que moram no mundo de fora: astronomia, física, química, gramática, anatomia, números, letras, palavras.

   Mas há coisas que não estão do lado de fora. Coisas que moram dentro do corpo. Estão enterradas na carne, como se fossem sementes à espera...

    Sim, sim! Imagine isso: o corpo como um grande canteiro! Nele se encontram, adormecidas, em estado de latência, as mais variadas sementes – lembre-se da história da Bela Adormecida! Elas poderão acordar, brotar. Mas poderão também não brotar. Tudo depende... As sementes não brotarão se sobre elas houver uma pedra. E também pode acontecer que, depois de brotar, elas sejam arrancadas... De fato, muitas plantas precisam ser arrancadas, antes que cresçam. Nos jardins há pragas: tiriricas, picões...

    Uma dessas sementes é a “solidariedade”. A solidariedade não é uma entidade do mundo de fora, ao lado de estrelas, pedras, mercadorias, dinheiro, contratos. Se ela fosse uma entidade do mundo de fora, poderia ser ensinada e produzida. A solidariedade é uma entidade do mundo interior. Solidariedade nem se ensina, nem se ordena, nem se produz. A solidariedade tem de brotar e crescer como uma semente...
    Veja o ipê florido! Nasceu de uma semente. Depois de crescer não será necessária nenhuma técnica, nenhum estímulo, nenhum truque para que ele floresça. Angelus Silesius, místico antigo, tem um verso que diz: “A rosa não tem porquês. Ela floresce porque floresce”. O ipê floresce porque floresce. Seu florescer é um simples transbordar natural da sua verdade.

    A solidariedade é como um ipê: nasce e floresce. Mas não em decorrência de mandamentos éticos ou religiosos. Não se pode ordenar: “Seja solidário!”. A solidariedade acontece como um simples transbordamento: as fontes transbordam... Da mesma forma como o poema é um transbordamento da alma do poeta e a canção, um transbordamento da alma do compositor...

    Já disse que solidariedade é um sentimento. É esse o sentimento que nos torna mais humanos. É um sentimento estranho, que perturba nossos próprios sentimentos. A solidariedade me faz sentir sentimentos que não são meus, que são de um outro. Acontece assim: eu vejo uma criança vendendo balas num semáforo. Ela me pede que eu compre um pacotinho de suas balas. Eu e a criança – dois corpos separados e distintos. Mas, ao olhar para ela, estremeço: algo em mim me faz imaginar aquilo que ela está sentindo. E então, por uma magia inexplicável esse sentimento imaginado se aloja junto aos meus próprios sentimentos. Na verdade, desaloja meus sentimentos, pois eu vinha, no meu carro, com sentimentos leves e alegres, e agora esse novo sentimento se coloca no lugar deles. O que sinto não são meus sentimentos. Foram-se a leveza e a alegria que me faziam cantar. Agora, são os sentimentos daquele menino que estão dentro de mim. Meu corpo sofre uma transformação: ele não é mais limitado pela pele que o cobre. Expande-se. Ele está agora ligado a um outro corpo que passa a ser parte dele mesmo. Isso não acontece nem por decisão racional, nem por convicção religiosa, nem por mandamento ético. É o jeito natural de ser do meu próprio corpo, movido pela solidariedade.

    Acho que esse é o sentido do dito de Jesus de que temos de amar o próximo como amamos a nós mesmos. A solidariedade é uma forma visível do amor. Pela magia do sentimento de solidariedade, meu corpo passa a ser morada de outro. É assim que acontece a bondade.

    Mas fica pendente a pergunta inicial: como ensinar primavera a gelos e areias? Para isso as palavras do conhecimento são inúteis. Seria necessário fazer nascer ipês no meio dos gelos e das areias! E eu só conheço uma palavra que tem esse poder: a palavra dos poetas. Ensinar solidariedade? Que se façam ouvir as palavras dos poetas nas igrejas, nas escolas, nas empresas, nas casas, na televisão, nos bares, nas reuniões políticas, e, principalmente, na solidão...

    “O menino me olhou com olhos suplicantes.

    E, de repente, eu era um menino que olhava com olhos suplicantes...”.

(ALVES, Rubem. "As melhores crônicas de Rubem Alves”. Adaptado)

Glossário:
Cecília Meireles: foi jornalista, pintora e escritora brasileira.
Mozart: foi um prolífico e influente compositor austríaco do período clássico.
Monet: foi um pintor francês e o mais célebre entre os pintores impressionistas.
Walt Whitman: foi um poeta, ensaísta e jornalista norte-americano.
Fernando Pessoa: foi um poeta e crítico literário português.

No trecho do TEXTO, “Mas há coisas que não estão do lado de fora”, a conjunção “mas” tem o valor semântico de

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Questão 9 10150490
Fácil 00:00

CMJF 1° Ano - Prova de Português 2016
  • EFAF Português
  • Sugira
  • Leitura e Interpretação de Texto
  • Coesão (elem. coesivos) e Coerência Estratégias de leitura
  • Exibir tags

TEXTO I

 

Jogos Paralímpicos no Brasil é chance de reencontro com esperanças perdidas

Por Jairo Marques

 

Jairo Marques, que é cadeirante, aborda aspectos da vida de deficientes e de cidadania

    Em geral, os atletas que vão disputar medalhas nas Paralímpiadas do Rio, que será aberta na
noite desta quarta-feira (7), sentem arrepios quando neles se procura algo mais do que um resultado
esportivo, um grito de garra, uma marca histórica. Eles querem, com justeza. serem vistos por seus
resultados e pelo empenho que colocaram em suas trajetórias em busca de serem campeões

[5] Ninguém quer o peso de servir de exemplo ou ser visto apenas por seu esforço pessoal diante de
uma adversidade física, sensorial ou intelectual.

    Mas não tem jeito. Para quem assiste a qualquer uma das 23 modalidades dos jogos. a
experiência é sempre maior do que uma emoção vinda de competições acirradas ou da explosão
gloriosa da conquista de um ouro, de uma prata ou de um bronze. Há algo de valor humano perdido.

[10] escondido ou escanteado no mundo que se vê cravado na aura desses competidores.

    Como não analisar a própria preguiça de mudar uma postura autodestrutiva quando um chinês
sem braços e sem pernas se lança em uma piscina e vai contorcendo seu valoroso “resto de corpo”
em busca de percorrer 100 ou 200 metros na água? Como não procurar na alma coragem para
enfrentar um desgosto no amor, no trabalho, quando se vê um canadense do tiro com arco usando os

[15] dedos dos pés para puxar a corda que levará a flecha rumo ao alvo e ao pódio?

    Um gol da seleção brasileira de futebol de 5, jogado por cegos, é comemorado com tanto grito
e euforia como se a intenção dos torcedores fosse iluminar com holofotes as escuridões que os
impedem de enxergar possibilidades de viver melhor, de abraçar mais a diversidade, de ser mais
atento ao julgar as diferenças alheias.

[20]    Em cada rodopiar de um cadeirante na quadra de basquete ou em cada choque assustador
entre os jogadores de rúgbi em cadeira de rodas, um tilintar de novas ideias para os velhos e
angustiantes problemas parece brotar na cabeça. É como se aquelas vidas que parecem tão
impossíveis de serem vividas, protagonizando tantos movimentos, despertassem um sentimento de
renovação nas já amplas possibilidades de seguir adiante em quem é contemplado com a “perfeição”

[25]    E o que dizer da hora em que corredores sem as pernas. equilibrando-se em próteses de
carbono “xyz”, tomam posição em suas raias no estádio? E momento de buscar esperança para
reacomodar perdas intimas, hora de consertar defeitos bobos de relacionamentos, hora de dar uma
mãozinha para queridos que caíram em esquecimento.

    As Paralímpiadas serão no Brasil, pais que chora tantas desonras, que clama por mais

[30] modelos de boa representação e que necessita de uma guinada de motivação urgente rumo a dias
melhores. As Paralímpiadas serão no Rio. cidade que adora se dizer “maraviwondertul" mas que.
tanto pena por ser bonita de corpo e desajeitada de espirito.

    Os Jogos Paralímpicos serão aqui no quintal e as sementes para fazê-los inesquecíveis,
frondosos e históricos estão nos bolsos dos brasileiros que, de quebra, poderão levar para casa é

[35] para o coração uma mensagem, uma imagem e uma história de motivação. de inspiração e de
inclusão. A esperança de dias melhores nunca esteve tão perto.

Fonte http://'tassimcomovoce blogfolha uol.com.br/2018/09/07hogos-paraolimpicos -no- brasil-e-chance de-reencontro-com-esperancas perdidas/:

Texto adaptado

Acesso em: 24/09/2016

 

TEXTO II

 

Esporte paralímpico não é inclusão social, diz ex-BBB tetracampeão mundial

Fernando Fernandes, paratleta e ex-BBB, fala sobre Jogos Olimpicos e Paratimpicos 2016

Imagem. Marlon Falcão/

Divulgação Alexander Vestri

Do UOL. no Rio de Janero

    Após perder a vaga na disputa da paracanoagem, Fernando Fernandes não deixou passar a
oportunidade de participar dos Jogos Olímpicos e Paralímpicos Rio-2016. Em vez do corpo, o
paratleta vai usar a voz: será comentarista da canoagem olímpica e apresentador das Paralímpiadas
na TV.
[5]    "Quero transmitir o que significa o esporte, como ele pode transformar a sociedade. Estou aqui
pelo esporte”, afirma o ex-BBB durante festa na Parada Coca-Cola, no Porto Maravilha.

    Em 2009, Fernando sofreu um acidente de carro e passou a se dedicar à paracanoagem
depois de ficar paraplégico. Agora o atleta busca defender a imagem do esporte paralímpico e,
principalmente, tirar a imagem de “coitadismo”. “As pessoas precisam entender que não é inclusão, e

[10] sim, exclusão social, porque estamos tirando os melhores atletas para representar o país Trata-se de
esporte de alto rendimento”, explica.

    A critica também é direcionada aos próprios atletas. "E preciso que a gente se dê o respeito e
entenda que essa é nossa profissão, é como ganhamos dinheiro. Se os atletas entenderem o esporte
como inclusão social, uma forma de se beneficiar da sua condição, vamos perder credibilidade. E

[15] preciso respeitar a condição, mas sem enxergar isso como uma forma de conseguir obter vantagem”,
insiste Fernando, que diz conversar com os colegas nos bastidores para transmitir um pouco de seu
modo de pensar.

    Apesar de o Brasil ser uma das potências mundiais em esportes paralímpicos, no pais ainda
prevalece a obscuridade sobre o tema. Para o tetracampeão mundial da paracanoagem, o que falta

[20] não é reconhecimento, mas conhecimento. "E preciso um trabalho de apresentação, mostrar como
funciona o esporte, como funciona a classificação funcional, para que as pessoas se aproximem
mais”, acredita.

http.//olimpiadas.uol.com br'noticias/redacao/2016/08/19/esporte-paralimpico-nao-e-inclusao-social-diz-ex-bbb= tetracampeao-mundial htm
Texto adaptado

Acesso em 24/09/2016

Leia os excertos abaixo:

 

I. “Um gol da seleção brasileira de futebol de 5, jogado por cegos, é comemorado com tanto grito e euforia como se a intenção dos torcedores fosse iluminar com holofotes as escuridões que os impedem de enxergar possibilidades de viver melhor, de abraçar mais a diversidade, de ser mais atento ao julgar as diferenças alheias.” (texto I; linhas 16 a 19)

II. "Em cada rodopiar de um cadeirante na quadra de basquete ou em cada choque assustador entre os jogadores de rúgbi em cadeira de rodas, um tilintar de novas ideias para os velhos e angustiantes problemas parece brotar na cabeça.” (texto I) (linhas 20 a 22)

III. “Apesar de o Brasil ser uma das potências mundiais em esportes paralimpicos, no pais ainda prevalece a obscuridade sobre o tema.” (texto II) (linhas 18 a 19)

IV. “E preciso um trabalho de apresentação, mostrar como funciona o esporte, como funciona a classificação funcional, para que as pessoas se aproximem mais.” (texto II, linhas 20 a 22)

 

Assinale a alternativa que apresenta o sentido expresso pelas palavras e/ou expressões destacadas na ordem em que aparecem:

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Questão 8 10150455
Fácil 00:00

CMJF 1° Ano - Prova de Português 2016
  • EFAF Português
  • Sugira
  • Leitura e Interpretação de Texto
  • Coesão (elem. coesivos) e Coerência Estratégias de leitura Gêneros textuais - Verbais/Narrativos
  • Notícia
  • Exibir tags
Resolução comentada

TEXTO

 

Esporte paralímpico não é inclusão social, diz ex-BBB tetracampeão mundial

Fernando Fernandes, paratleta e ex-BBB, fala sobre Jogos Olimpicos e Paratimpicos 2016

Imagem. Marlon Falcão/

Divulgação Alexander Vestri

Do UOL. no Rio de Janero

    Após perder a vaga na disputa da paracanoagem, Fernando Fernandes não deixou passar a
oportunidade de participar dos Jogos Olímpicos e Paralímpicos Rio-2016. Em vez do corpo, o
paratleta vai usar a voz: será comentarista da canoagem olímpica e apresentador das Paralímpiadas
na TV.
[5]    "Quero transmitir o que significa o esporte, como ele pode transformar a sociedade. Estou aqui
pelo esporte”, afirma o ex-BBB durante festa na Parada Coca-Cola, no Porto Maravilha.

    Em 2009, Fernando sofreu um acidente de carro e passou a se dedicar à paracanoagem
depois de ficar paraplégico. Agora o atleta busca defender a imagem do esporte paralímpico e,
principalmente, tirar a imagem de “coitadismo”. “As pessoas precisam entender que não é inclusão, e

[10] sim, exclusão social, porque estamos tirando os melhores atletas para representar o país Trata-se de
esporte de alto rendimento”, explica.

    A critica também é direcionada aos próprios atletas. "E preciso que a gente se dê o respeito e
entenda que essa é nossa profissão, é como ganhamos dinheiro. Se os atletas entenderem o esporte
como inclusão social, uma forma de se beneficiar da sua condição, vamos perder credibilidade. E

[15] preciso respeitar a condição, mas sem enxergar isso como uma forma de conseguir obter vantagem”,
insiste Fernando, que diz conversar com os colegas nos bastidores para transmitir um pouco de seu
modo de pensar.

    Apesar de o Brasil ser uma das potências mundiais em esportes paralímpicos, no pais ainda
prevalece a obscuridade sobre o tema. Para o tetracampeão mundial da paracanoagem, o que falta

[20] não é reconhecimento, mas conhecimento. "E preciso um trabalho de apresentação, mostrar como
funciona o esporte, como funciona a classificação funcional, para que as pessoas se aproximem
mais”, acredita.

http.//olimpiadas.uol.com br'noticias/redacao/2016/08/19/esporte-paralimpico-nao-e-inclusao-social-diz-ex-bbb= tetracampeao-mundial htm
Texto adaptado

Acesso em 24/09/2016

Para o entrevistado no texto, Fernando Fernandes, o esporte paralimpico:

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