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Questões de EFAF Português - Leitura e Interpretação de Texto

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7.497 Questões

Marca Texto
Modo Escuro
Fonte

Questão 11 10726913
Fácil 00:00

IFAL 6° Ano - Língua Portuguesa e Matemática 2008
  • EFAF Português
  • Sugira
  • Leitura e Interpretação de Texto
  • Argumentativo Coesão (elem. coesivos) e Coerência Estratégias de leitura Gêneros textuais - Verbais/Narrativos Variantes Linguísticas
  • Poema
  • Exibir tags
Resolução comentada

Texto 1


A roupagem da língua

Noção de erro de português é afetada pela idéia de que, vista do passado, toda evolução é corrupção.

Aldo Bizzocchi


    Somos um povo que adora discutir a própria língua. E quando o fazemos, um dos assuntos que invariavelmente vêm à baila é a famigerada questão do erro gramatical. Muito se tem debatido a respeito, e a suposta existência de erros em nossa fala (bem como na escrita) ensejou até o surgimento de uma nova profissão, por sinal lucrativa, a de consultor gramatical. Igualmente, peritos no assunto têm mantido com sucesso colunas em jornais, sites, programas de rádio ou televisão com o propósito de ensinar as pessoas a falar corretamente o seu próprio idioma. Isso porque, segundo o diagnóstico catastrofista desses entendidos, nunca se falou tão mal o português como agora, nossa língua caminha inelutavelmente para a ruína e a dissolução, já não se escreve mais como antigamente.

(...)
    É preciso, então, definir claramente o que é o erro em matéria de língua. É evidente que, se um estrangeiro tentando falar português disser “O meu mulher ser muito bonita”, cometerá um erro, a ponto de se poder dizer que isso não é português. Da mesma forma, quando cometemos um lapsus linguae, isto é, um equívoco involuntário do qual temos consciência, estamos diante um erro lingüístico.

    Mas o que se costuma chamar de “erro de português” é uma expressão lingüística que nada tem de acidental, já que é sistemática e, geralmente, proferida por pessoas de menor nível escolar e socioeconômico, embora possa ocorrer até nos mais altos escalões da sociedade. Para a lingüística, que é a ciência da linguagem humana, esse fenômeno não pode ser chamado de erro. Se a língua é um sistema de signos que se articulam segundo leis definidas para permitir a comunicação e o pensamento humanos, toda expressão lingüística, mesmo a das pessoas iletradas, cumpre esse papel com eficiência.
(...)
Usos inadequados
    A maioria dos chamados erros constitui, na verdade, um uso lingüístico inadequado à situação de comunicação. Para entendermos melhor essa inadequação, vamos fazer uma analogia entre a língua que falamos e a roupa que usamos. Ninguém em sã consciência vai a uma cerimônia de formatura de camiseta e bermudas tampouco vai à praia de terno. Assim com há uma roupa adequada a cada ocasião, há uma forma de expressão lingüística, chamada registro ou nível de linguagem, adequada a cada situação de discurso.
(...)
    Mas e aquelas pessoas que moram na periferia ou na zona rural e dizem “pobrema”, “cardeneta” ou “puliça”, elas não estão falando errado? Do ponto de vista normativo, sim. Mas, como disse, a gramática normativa só se aplica a situações e ambientes formais. O registro deve, antes de tudo, estar adequado ao contexto social da comunicação. Pessoas que vivem num meio de baixa escolaridade e pronunciam “pobrema” estão adaptadas ao seu habitat. Se você duvida, experimente entrar numa favela do Rio vestindo roupa social e vá conversar com os traficantes usando linguagem de magistrado para ver o que lhe acontece.

    Não estou dizendo com isso que o linguajar das pessoas não-escolarizadas deva ser incentivado. É evidente que, como cidadãos, devemos lutar para acabar com a pobreza e a ignorância. Nesse sentido, não apenas pronunciar “pobrema” é errado; morar em favelas ou andar maltrapilho é muito mais. No entanto, muitos brasileiros moram em barracos ou na rua e só têm uma roupa – muitas vezes esfarrapada – para vestir e só um registro para falar. Sua fala é pobre como é pobre a sua existência, tanto física como mental. O imaginário da classe média idealiza essas pessoas indo a todos os lugares sempre com a mesma camisa surrada, os mesmos chinelos velhos, falando com todos sempre do mesmo modo.

(...)

Disponível em http://revistalingua.uol.com.br/textos. Acessado em 25/11/2007

 

Texto 2

 

Sinais de preconceito lingüístico

 

    Houve um lado bom na polêmica declaração do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso na convenção do PSDB, noticiada com destaque na imprensa no fim de semana.
    O assunto forçou a mídia a discutir publicamente questões ligadas às diferentes variantes da língua, assunto ainda muito restrito à academia.

    Foi "certo" o que o ex-presidente disse? Ou era aceitável", posto que muitos falam assim?

    O debate é pertinente e jornalisticamente atual.

    Faltou, talvez, incluir na discussão a questão do preconceito lingüístico, conceito ainda pouco conhecido no país.

    Esse tipo de preconceito estava na base da declaração do ex-presidente (reproduzo trecho de matéria da Folha Online):

    - "Queremos brasileiros melhor educados, e não liderados por gente que despreza a educação, a começar pela própria"
    O ponto tão alardeado pela imprensa no sábado e no domingo foi quanto ao uso inadequado do trecho "melhor educados".
    Do ponto da variante culta da língua (a chamada norma culta), deveria ser "mais bem educados".

    Esse foi, inclusive, o tema desta coluna na quinta- feira da semana passada.

    O que a fala de Fernando Henrique esconde é a percepção de que "quem fala errado ou não domina a língua culta é pouco inteligente ou desprovido de autoridade intelectual".

    Essa forma de raciocínio é o tal preconceito lingüístico: pela intolerância em aceitar a diferença no uso da língua, opta-se pelo preconceito.

     Há, evidentemente, situações que exigem uma adequação maior à norma culta.

    A fala do ex-presidente era uma delas, posto que criticava abertamente quem não seguia a variante culta (socialmente, a mais prestigiada do país).

    Mas, em outros contextos, é comum uma flexibilização maior da norma.

    É só ver as sessões de bate-papo do UOL.

    Há abreviações e adaptações que, muitas vezes, tentam simular a fala.
    A própria fala pode servir de exemplo.

    Quem segue todas as regras de colocação pronominal numa conversa informal?

    Me contaram algo sobre você ou contaram-me algo sobre você? Qual soa mais coloquial?
    Claro que é a forma em que ocorre a próclise.
    A construção, então, está errada?
     Do ponto de vista da norma culta, sim.
   Mas isso não quer dizer que não possa ser usada. Vai depender muito da situação e do contexto em que o trecho é produzido.

    Em termos argumentativos, a fala de Fernando Henrique contradizia a crítica que tentava trazer.

    Mas trouxe, por outro lado, a rara oportunidade de discutir o preconceito lingüístico.
    É um conceito ignorado por muitos, mas que, para alguns autores, é tão grave quanto outras formas de preconceito.

    Um abraço,
    Paulo Ramos


Paulo Ramos

    Paulo Ramos é jornalista, professor e consultor de língua portuguesa do Grupo Folha-UOL.

Disponível em http://educacao.uol.com.br/dicas-portugues/ult2781u669.jhtm. Acessado em 27/11/2007.

 

Texto 3


Vício na Fala


Para dizerem milho dizem mio
Para melhor dizem mió
Para pior pió
Para telha dizem teia
Para telhado dizem teiado
E vão fazendo telhados.

ANDRADE,Oswald de. Pau-Brasil. São Paulo:Globo,1990.

 

 

Texto 4


Evocação do Recife

 

(...)
A vida não me chegava pelos jornais nem pelos livros
Vinha da boca do povo na língua errada do povo
Língua certa do povo
Porque ele é que fala gostoso o português do Brasil (...)

BANDEIRA, Manuel. Estrela da vida inteira - poesias reunidas. 7ª ed. Rio de Janeiro. José Olympio editora, 1979.

 

Ao ler os textos 1, 2, 3, 4, é possível perceber que há em comum entre eles:

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Questão 9 10726912
Fácil 00:00

IFAL 6° Ano - Língua Portuguesa e Matemática 2008
  • EFAF Português
  • Sugira
  • Gramática Leitura e Interpretação de Texto Morfologia
  • Acentuação gráfica Advérbio Gêneros textuais - Verbais/Narrativos Linguagem Oxítonas
  • Canção Linguagem oral
  • Exibir tags

Texto


E Vamos Á Luta Gonzaguinha

 

Composição: Gonzaguinha

 

Eu acredito é na rapaziada
Que segue em frente e segura o rojão
Eu ponho fé é na fé da moçada
Que não foge da fera e enfrenta o leão

 

Eu vou à luta com essa juventude
Que não corre da raia a troco de nada
Eu vou no bloco dessa mocidade
Que não tá na saudade e constrói
A manhã desejada

 

Aquele que sabe que é negro
o coro da gente
E segura a batida da vida o ano inteiro
Aquele que sabe o sufoco de um jogo tão duro
E apesar dos pesares ainda se orgulha de ser brasileiro

 

Aquele que sai da batalha
Entra no botequim, pede uma cerva gelada
E agita na mesa logo uma batucada

 

Aquele que manda o pagode
E sacode a poeira suada da luta e faz a brincadeira
Pois o resto é besteira

 

E nós estamos pelaí...

Ed. Moleque (BMG Music) BR-EMI-80/00166.

Em relação ao texto, analisando-se o vocábulo do último verso pelaí, assinale as afirmações verdadeiras.


I – É um recurso da oralidade e combina com outras expressões também orais do texto.

II – É um recurso da oralidade, resultado da fusão da preposição por com o advérbio de lugar aí.
III – Por ser um recurso da oralidade, ao fugir do padrão formal da língua, impede a mobilização das classes proposta na música.

IV – Está acentuado por incluir-se na regra das oxítonas terminadas em (i) seguidas ou não de s.

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Questão 7 10726905
Fácil 00:00

IFAL 6° Ano - Língua Portuguesa e Matemática 2008
  • EFAF Português
  • Sugira
  • Gramática Leitura e Interpretação de Texto
  • Linguagem Variantes Linguísticas
  • Variações linguísticas
  • Variação linguística
  • Exibir tags
Resolução comentada

Texto


Vício na Fala


Para dizerem milho dizem mio
Para melhor dizem mió
Para pior pió
Para telha dizem teia
Para telhado dizem teiado
E vão fazendo telhados.

ANDRADE,Oswald de. Pau-Brasil. São Paulo:Globo,1990.

Há, no texto, uma indeterminação quanto ao sujeito das orações.

 

Isso evidencia que:

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Questão 4 10726902
Fácil 00:00

IFAL 6° Ano - Língua Portuguesa e Matemática 2008
  • EFAF Português
  • Sugira
  • Gramática Leitura e Interpretação de Texto
  • Acentuação gráfica Argumentativo Paroxítonas Variantes Linguísticas
  • Ditongos abertos "éi", "ói", "éu" Monossílabas tônicas
  • Exibir tags

Texto 1


A roupagem da língua

Noção de erro de português é afetada pela idéia de que, vista do passado, toda evolução é corrupção.

Aldo Bizzocchi

 

    Somos um povo que adora discutir a própria língua. E quando o fazemos, um dos assuntos que invariavelmente vêm à baila é a famigerada questão do erro gramatical. Muito se tem debatido a respeito, e a suposta existência de erros em nossa fala (bem como na escrita) ensejou até o surgimento de uma nova profissão, por sinal lucrativa, a de consultor gramatical. Igualmente, peritos no assunto têm mantido com sucesso colunas em jornais, sites, programas de rádio ou televisão com o propósito de ensinar as pessoas a falar corretamente o seu próprio idioma. Isso porque, segundo o diagnóstico catastrofista desses entendidos, nunca se falou tão mal o português como agora, nossa língua caminha inelutavelmente para a ruína e a dissolução, já não se escreve mais como antigamente.

(...)
    É preciso, então, definir claramente o que é o erro em matéria de língua. É evidente que, se um estrangeiro tentando falar português disser “O meu mulher ser muito bonita”, cometerá um erro, a ponto de se poder dizer que isso não é português. Da mesma forma, quando cometemos um lapsus linguae, isto é, um equívoco involuntário do qual temos consciência, estamos diante um erro lingüístico.

    Mas o que se costuma chamar de “erro de português” é uma expressão lingüística que nada tem de acidental, já que é sistemática e, geralmente, proferida por pessoas de menor nível escolar e socioeconômico, embora possa ocorrer até nos mais altos escalões da sociedade. Para a lingüística, que é a ciência da linguagem humana, esse fenômeno não pode ser chamado de erro. Se a língua é um sistema de signos que se articulam segundo leis definidas para permitir a comunicação e o pensamento humanos, toda expressão lingüística, mesmo a das pessoas iletradas, cumpre esse papel com eficiência.
(...)
Usos inadequados
    A maioria dos chamados erros constitui, na verdade, um uso lingüístico inadequado à situação de comunicação. Para entendermos melhor essa inadequação, vamos fazer uma analogia entre a língua que falamos e a roupa que usamos. Ninguém em sã consciência vai a uma cerimônia de formatura de camiseta e bermudas tampouco vai à praia de terno. Assim com há uma roupa adequada a cada ocasião, há uma forma de expressão lingüística, chamada registro ou nível de linguagem, adequada a cada situação de discurso.
(...)
    Mas e aquelas pessoas que moram na periferia ou na zona rural e dizem “pobrema”, “cardeneta” ou “puliça”, elas não estão falando errado? Do ponto de vista normativo, sim. Mas, como disse, a gramática normativa só se aplica a situações e ambientes formais. O registro deve, antes de tudo, estar adequado ao contexto social da comunicação. Pessoas que vivem num meio de baixa escolaridade e pronunciam “pobrema” estão adaptadas ao seu habitat. Se você duvida, experimente entrar numa favela do Rio vestindo roupa social e vá conversar com os traficantes usando linguagem de magistrado para ver o que lhe acontece.

    Não estou dizendo com isso que o linguajar das pessoas não-escolarizadas deva ser incentivado. É evidente que, como cidadãos, devemos lutar para acabar com a pobreza e a ignorância. Nesse sentido, não apenas pronunciar “pobrema” é errado; morar em favelas ou andar maltrapilho é muito mais. No entanto, muitos brasileiros moram em barracos ou na rua e só têm uma roupa – muitas vezes esfarrapada – para vestir e só um registro para falar. Sua fala é pobre como é pobre a sua existência, tanto física como mental. O imaginário da classe média idealiza essas pessoas indo a todos os lugares sempre com a mesma camisa surrada, os mesmos chinelos velhos, falando com todos sempre do mesmo modo.

(...)

Disponível em http://revistalingua.uol.com.br/textos. Acessado em 25/11/2007

 

 

Texto 2

 

Sinais de preconceito lingüístico

 

    Houve um lado bom na polêmica declaração do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso na convenção do PSDB, noticiada com destaque na imprensa no fim de semana.
    O assunto forçou a mídia a discutir publicamente questões ligadas às diferentes variantes da língua, assunto ainda muito restrito à academia.

    Foi "certo" o que o ex-presidente disse? Ou era aceitável", posto que muitos falam assim?

    O debate é pertinente e jornalisticamente atual.

    Faltou, talvez, incluir na discussão a questão do preconceito lingüístico, conceito ainda pouco conhecido no país.

    Esse tipo de preconceito estava na base da declaração do ex-presidente (reproduzo trecho de matéria da Folha Online):

    - "Queremos brasileiros melhor educados, e não liderados por gente que despreza a educação, a começar pela própria"
    O ponto tão alardeado pela imprensa no sábado e no domingo foi quanto ao uso inadequado do trecho "melhor educados".
    Do ponto da variante culta da língua (a chamada norma culta), deveria ser "mais bem educados".

    Esse foi, inclusive, o tema desta coluna na quinta- feira da semana passada.

    O que a fala de Fernando Henrique esconde é a percepção de que "quem fala errado ou não domina a língua culta é pouco inteligente ou desprovido de autoridade intelectual".

    Essa forma de raciocínio é o tal preconceito lingüístico: pela intolerância em aceitar a diferença no uso da língua, opta-se pelo preconceito.

     Há, evidentemente, situações que exigem uma adequação maior à norma culta.

    A fala do ex-presidente era uma delas, posto que criticava abertamente quem não seguia a variante culta (socialmente, a mais prestigiada do país).

    Mas, em outros contextos, é comum uma flexibilização maior da norma.

    É só ver as sessões de bate-papo do UOL.

    Há abreviações e adaptações que, muitas vezes, tentam simular a fala.
    A própria fala pode servir de exemplo.

    Quem segue todas as regras de colocação pronominal numa conversa informal?

    Me contaram algo sobre você ou contaram-me algo sobre você? Qual soa mais coloquial?
    Claro que é a forma em que ocorre a próclise.
    A construção, então, está errada?
     Do ponto de vista da norma culta, sim.
   Mas isso não quer dizer que não possa ser usada. Vai depender muito da situação e do contexto em que o trecho é produzido.

    Em termos argumentativos, a fala de Fernando Henrique contradizia a crítica que tentava trazer.

    Mas trouxe, por outro lado, a rara oportunidade de discutir o preconceito lingüístico.
    É um conceito ignorado por muitos, mas que, para alguns autores, é tão grave quanto outras formas de preconceito.

    Um abraço,
    Paulo Ramos


Paulo Ramos

    Paulo Ramos é jornalista, professor e consultor de língua portuguesa do Grupo Folha-UOL.

Disponível em http://educacao.uol.com.br/dicas-portugues/ult2781u669.jhtm. Acessado em 27/11/2007.

 

 

Texto 6


E Vamos Á Luta Gonzaguinha

 

Composição: Gonzaguinha

 

Eu acredito é na rapaziada
Que segue em frente e segura o rojão
Eu ponho fé é na fé da moçada
Que não foge da fera e enfrenta o leão

 

Eu vou à luta com essa juventude
Que não corre da raia a troco de nada
Eu vou no bloco dessa mocidade
Que não tá na saudade e constrói
A manhã desejada

 

Aquele que sabe que é negro
o coro da gente
E segura a batida da vida o ano inteiro
Aquele que sabe o sufoco de um jogo tão duro
E apesar dos pesares ainda se orgulha de ser brasileiro

 

Aquele que sai da batalha
Entra no botequim, pede uma cerva gelada
E agita na mesa logo uma batucada

 

Aquele que manda o pagode
E sacode a poeira suada da luta e faz a brincadeira
Pois o resto é besteira

 

E nós estamos pelaí...

Ed. Moleque (BMG Music) BR-EMI-80/00166.

 

Analise as palavras:

 

I – intolerância – (texto 2) – é polissílaba, acentuada por ser paroxítona terminada em ditongo.

II – constrói – (texto 6) – é trissílaba e acentuada por ser ditongo oral aberto (oi).

III – vêm – (texto1) é monossílabo tônico – acentuado por terminar em em.

IV – têm – (texto1) – monossílabo tônico – acentuado por terminar em em.

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Questão 3 10726901
Fácil 00:00

IFAL 6° Ano - Língua Portuguesa e Matemática 2008
  • EFAF Português
  • Sugira
  • Leitura e Interpretação de Texto Morfologia Sintaxe
  • Coesão (elem. coesivos) e Coerência Conjunções Conjunções Estratégias de leitura
  • Exibir tags

Texto


Doloso

 

Era preciso cometer aquele erro
de concordância, de regência,
de colocação pronominal
(a música das palavras exigia),
embora soubesse da Gramática
e de sua intransigência de burocrata

 

E era imprescindível saber.
O crime culposo seria inadmissível.

MACEDO, Maurício de. Fragmento. Maceió: Cata-vento, 2007.

Ao analisar-se, no texto, o vocábulo embora, pode-se concluir que:

 

I - a palavra é uma conjunção que estabelece uma relação de ruptura, necessária ao entendimento do poema.

II – embora é uma preposição e estabelece uma relação de continuidade com a idéia estabelecida anteriormente.
III – embora é uma conjunção e estabelece uma relação temporal com a idéia estabelecida anteriormente.
IV – a palavra embora poderia ser trocada por ainda que, sem prejuízo de sentido ao texto.

 

Assinale o verdadeiro:

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Questão 1 10726770
Fácil 00:00

IFAL 6° Ano - Língua Portuguesa e Matemática 2008
  • EFAF Português
  • Sugira
  • Gramática Leitura e Interpretação de Texto
  • Argumentativo Coesão (elem. coesivos) e Coerência Estratégias de leitura Funções da Linguagem Linguagem Variantes Linguísticas
  • Funções da linguagem
  • Exibir tags

Texto 1


A roupagem da língua

Noção de erro de português é afetada pela idéia de que, vista do passado, toda evolução é corrupção.

Aldo Bizzocchi

 

    Somos um povo que adora discutir a própria língua. E quando o fazemos, um dos assuntos que invariavelmente vêm à baila é a famigerada questão do erro gramatical. Muito se tem debatido a respeito, e a suposta existência de erros em nossa fala (bem como na escrita) ensejou até o surgimento de uma nova profissão, por sinal lucrativa, a de consultor gramatical. Igualmente, peritos no assunto têm mantido com sucesso colunas em jornais, sites, programas de rádio ou televisão com o propósito de ensinar as pessoas a falar corretamente o seu próprio idioma. Isso porque, segundo o diagnóstico catastrofista desses entendidos, nunca se falou tão mal o português como agora, nossa língua caminha inelutavelmente para a ruína e a dissolução, já não se escreve mais como antigamente.

(...)
    É preciso, então, definir claramente o que é o erro em matéria de língua. É evidente que, se um estrangeiro tentando falar português disser “O meu mulher ser muito bonita”, cometerá um erro, a ponto de se poder dizer que isso não é português. Da mesma forma, quando cometemos um lapsus linguae, isto é, um equívoco involuntário do qual temos consciência, estamos diante um erro lingüístico.

    Mas o que se costuma chamar de “erro de português” é uma expressão lingüística que nada tem de acidental, já que é sistemática e, geralmente, proferida por pessoas de menor nível escolar e socioeconômico, embora possa ocorrer até nos mais altos escalões da sociedade. Para a lingüística, que é a ciência da linguagem humana, esse fenômeno não pode ser chamado de erro. Se a língua é um sistema de signos que se articulam segundo leis definidas para permitir a comunicação e o pensamento humanos, toda expressão lingüística, mesmo a das pessoas iletradas, cumpre esse papel com eficiência.
(...)
Usos inadequados
    A maioria dos chamados erros constitui, na verdade, um uso lingüístico inadequado à situação de comunicação. Para entendermos melhor essa inadequação, vamos fazer uma analogia entre a língua que falamos e a roupa que usamos. Ninguém em sã consciência vai a uma cerimônia de formatura de camiseta e bermudas tampouco vai à praia de terno. Assim com há uma roupa adequada a cada ocasião, há uma forma de expressão lingüística, chamada registro ou nível de linguagem, adequada a cada situação de discurso.
(...)
    Mas e aquelas pessoas que moram na periferia ou na zona rural e dizem “pobrema”, “cardeneta” ou “puliça”, elas não estão falando errado? Do ponto de vista normativo, sim. Mas, como disse, a gramática normativa só se aplica a situações e ambientes formais. O registro deve, antes de tudo, estar adequado ao contexto social da comunicação. Pessoas que vivem num meio de baixa escolaridade e pronunciam “pobrema” estão adaptadas ao seu habitat. Se você duvida, experimente entrar numa favela do Rio vestindo roupa social e vá conversar com os traficantes usando linguagem de magistrado para ver o que lhe acontece.

    Não estou dizendo com isso que o linguajar das pessoas não-escolarizadas deva ser incentivado. É evidente que, como cidadãos, devemos lutar para acabar com a pobreza e a ignorância. Nesse sentido, não apenas pronunciar “pobrema” é errado; morar em favelas ou andar maltrapilho é muito mais. No entanto, muitos brasileiros moram em barracos ou na rua e só têm uma roupa – muitas vezes esfarrapada – para vestir e só um registro para falar. Sua fala é pobre como é pobre a sua existência, tanto física como mental. O imaginário da classe média idealiza essas pessoas indo a todos os lugares sempre com a mesma camisa surrada, os mesmos chinelos velhos, falando com todos sempre do mesmo modo.

(...)

Disponível em http://revistalingua.uol.com.br/textos.
Acessado em 25/11/2007

 

 

Texto 2

 

Sinais de preconceito lingüístico

 

    Houve um lado bom na polêmica declaração do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso na convenção do PSDB, noticiada com destaque na imprensa no fim de semana.
    O assunto forçou a mídia a discutir publicamente questões ligadas às diferentes variantes da língua, assunto ainda muito restrito à academia.

    Foi "certo" o que o ex-presidente disse? Ou era aceitável", posto que muitos falam assim?

    O debate é pertinente e jornalisticamente atual.

    Faltou, talvez, incluir na discussão a questão do preconceito lingüístico, conceito ainda pouco conhecido no país.

    Esse tipo de preconceito estava na base da declaração do ex-presidente (reproduzo trecho de matéria da Folha Online):

    - "Queremos brasileiros melhor educados, e não liderados por gente que despreza a educação, a começar pela própria"
    O ponto tão alardeado pela imprensa no sábado e no domingo foi quanto ao uso inadequado do trecho "melhor educados".
    Do ponto da variante culta da língua (a chamada norma culta), deveria ser "mais bem educados".

    Esse foi, inclusive, o tema desta coluna na quinta- feira da semana passada.

    O que a fala de Fernando Henrique esconde é a percepção de que "quem fala errado ou não domina a língua culta é pouco inteligente ou desprovido de autoridade intelectual".

    Essa forma de raciocínio é o tal preconceito lingüístico: pela intolerância em aceitar a diferença no uso da língua, opta-se pelo preconceito.

     Há, evidentemente, situações que exigem uma adequação maior à norma culta.

    A fala do ex-presidente era uma delas, posto que criticava abertamente quem não seguia a variante culta (socialmente, a mais prestigiada do país).

    Mas, em outros contextos, é comum uma flexibilização maior da norma.

    É só ver as sessões de bate-papo do UOL.

    Há abreviações e adaptações que, muitas vezes, tentam simular a fala.
    A própria fala pode servir de exemplo.

    Quem segue todas as regras de colocação pronominal numa conversa informal?

    Me contaram algo sobre você ou contaram-me algo sobre você? Qual soa mais coloquial?
    Claro que é a forma em que ocorre a próclise.
    A construção, então, está errada?
     Do ponto de vista da norma culta, sim.
   Mas isso não quer dizer que não possa ser usada. Vai depender muito da situação e do contexto em que o trecho é produzido.

    Em termos argumentativos, a fala de Fernando Henrique contradizia a crítica que tentava trazer.

    Mas trouxe, por outro lado, a rara oportunidade de discutir o preconceito lingüístico.
    É um conceito ignorado por muitos, mas que, para alguns autores, é tão grave quanto outras formas de preconceito.

    Um abraço,
    Paulo Ramos


Paulo Ramos

    Paulo Ramos é jornalista, professor e consultor de língua portuguesa do Grupo Folha-UOL.

Disponível em http://educacao.uol.com.br/dicas-portugues/ult2781u669.jhtm. Acessado em 27/11/2007.

 

Texto 3


Vício na Fala


Para dizerem milho dizem mio
Para melhor dizem mió
Para pior pió
Para telha dizem teia
Para telhado dizem teiado
E vão fazendo telhados.

ANDRADE,Oswald de. Pau-Brasil. São Paulo:Globo,1990.

 

Texto 4


Evocação do Recife

 

(...)
A vida não me chegava pelos jornais nem pelos livros
Vinha da boca do povo na língua errada do povo
Língua certa do povo
Porque ele é que fala gostoso o português do Brasil (...)

BANDEIRA, Manuel. Estrela da vida inteira - poesias reunidas. 7ª ed. Rio de Janeiro. José Olympio editora, 1979.

 

Texto 5


Doloso

 

Era preciso cometer aquele erro
de concordância, de regência,
de colocação pronominal
(a música das palavras exigia),
embora soubesse da Gramática
e de sua intransigência de burocrata

 

E era imprescindível saber.
O crime culposo seria inadmissível.

MACEDO, Maurício de. Fragmento. Maceió: Cata-vento, 2007.

 

Texto 6


E Vamos Á Luta Gonzaguinha

 

Composição: Gonzaguinha

 

Eu acredito é na rapaziada
Que segue em frente e segura o rojão
Eu ponho fé é na fé da moçada
Que não foge da fera e enfrenta o leão

 

Eu vou à luta com essa juventude
Que não corre da raia a troco de nada
Eu vou no bloco dessa mocidade
Que não tá na saudade e constrói
A manhã desejada

 

Aquele que sabe que é negro
o coro da gente
E segura a batida da vida o ano inteiro
Aquele que sabe o sufoco de um jogo tão duro
E apesar dos pesares ainda se orgulha de ser brasileiro

 

Aquele que sai da batalha
Entra no botequim, pede uma cerva gelada
E agita na mesa logo uma batucada

 

Aquele que manda o pagode
E sacode a poeira suada da luta e faz a brincadeira
Pois o resto é besteira

 

E nós estamos pelaí...

Ed. Moleque (BMG Music) BR-EMI-80/00166.

 

Texto 7

Disponível em http://www.nanquimaquarela.com/.
Acessado em 27/11/2007

Em relação aos textos, analise as sentenças:

 

I – Os textos de 1 a 5 são marcados pela função metalingüística.

II – Os textos 3, 4 e 5, além da função metalingüística, são, por essência, exemplos da função poética.

III – Além das duas funções mencionadas acima, os textos 1, 2 e 3 evidenciam a presença da função referencial.

IV – A utilização de frases interrogativas, no texto 2, denota a presença da função fática.

 

Agora assinale.

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