Questões de EFAF Português - Leitura e Interpretação de Texto
7.497 Questões
Questão 13 10726917
IFAL 6° Ano - Língua Portuguesa e Matemática 2008Texto
A roupagem da língua
Noção de erro de português é afetada pela idéia de que, vista do passado, toda evolução é corrupção.
Aldo Bizzocchi
Somos um povo que adora discutir a própria língua. E quando o fazemos, um dos assuntos que invariavelmente vêm à baila é a famigerada questão do erro gramatical. Muito se tem debatido a respeito, e a suposta existência de erros em nossa fala (bem como na escrita) ensejou até o surgimento de uma nova profissão, por sinal lucrativa, a de consultor gramatical. Igualmente, peritos no assunto têm mantido com sucesso colunas em jornais, sites, programas de rádio ou televisão com o propósito de ensinar as pessoas a falar corretamente o seu próprio idioma. Isso porque, segundo o diagnóstico catastrofista desses entendidos, nunca se falou tão mal o português como agora, nossa língua caminha inelutavelmente para a ruína e a dissolução, já não se escreve mais como antigamente.
(...)
É preciso, então, definir claramente o que é o erro em matéria de língua. É evidente que, se um estrangeiro tentando falar português disser “O meu mulher ser muito bonita”, cometerá um erro, a ponto de se poder dizer que isso não é português. Da mesma forma, quando cometemos um lapsus linguae, isto é, um equívoco involuntário do qual temos consciência, estamos diante um erro lingüístico.
Mas o que se costuma chamar de “erro de português” é uma expressão lingüística que nada tem de acidental, já que é sistemática e, geralmente, proferida por pessoas de menor nível escolar e socioeconômico, embora possa ocorrer até nos mais altos escalões da sociedade. Para a lingüística, que é a ciência da linguagem humana, esse fenômeno não pode ser chamado de erro. Se a língua é um sistema de signos que se articulam segundo leis definidas para permitir a comunicação e o pensamento humanos, toda expressão lingüística, mesmo a das pessoas iletradas, cumpre esse papel com eficiência.
(...)
Usos inadequados
A maioria dos chamados erros constitui, na verdade, um uso lingüístico inadequado à situação de comunicação. Para entendermos melhor essa inadequação, vamos fazer uma analogia entre a língua que falamos e a roupa que usamos. Ninguém em sã consciência vai a uma cerimônia de formatura de camiseta e bermudas tampouco vai à praia de terno. Assim com há uma roupa adequada a cada ocasião, há uma forma de expressão lingüística, chamada registro ou nível de linguagem, adequada a cada situação de discurso.
(...)
Mas e aquelas pessoas que moram na periferia ou na zona rural e dizem “pobrema”, “cardeneta” ou “puliça”, elas não estão falando errado? Do ponto de vista normativo, sim. Mas, como disse, a gramática normativa só se aplica a situações e ambientes formais. O registro deve, antes de tudo, estar adequado ao contexto social da comunicação. Pessoas que vivem num meio de baixa escolaridade e pronunciam “pobrema” estão adaptadas ao seu habitat. Se você duvida, experimente entrar numa favela do Rio vestindo roupa social e vá conversar com os traficantes usando linguagem de magistrado para ver o que lhe acontece.
Não estou dizendo com isso que o linguajar das pessoas não-escolarizadas deva ser incentivado. É evidente que, como cidadãos, devemos lutar para acabar com a pobreza e a ignorância. Nesse sentido, não apenas pronunciar “pobrema” é errado; morar em favelas ou andar maltrapilho é muito mais. No entanto, muitos brasileiros moram em barracos ou na rua e só têm uma roupa – muitas vezes esfarrapada – para vestir e só um registro para falar. Sua fala é pobre como é pobre a sua existência, tanto física como mental. O imaginário da classe média idealiza essas pessoas indo a todos os lugares sempre com a mesma camisa surrada, os mesmos chinelos velhos, falando com todos sempre do mesmo modo.
(...)
Disponível em http://revistalingua.uol.com.br/textos. Acessado em 25/11/2007
Em “...nossa língua caminha inelutavelmente para a ruína e a dissolução...”, as palavras destacadas poderiam ser substituídas, sem alterar o sentido do contexto, por :
Questão 12 10726916
IFAL 6° Ano - Língua Portuguesa e Matemática 2008Texto
E Vamos Á Luta Gonzaguinha
Composição: Gonzaguinha
Eu acredito é na rapaziada
Que segue em frente e segura o rojão
Eu ponho fé é na fé da moçada
Que não foge da fera e enfrenta o leão
Eu vou à luta com essa juventude
Que não corre da raia a troco de nada
Eu vou no bloco dessa mocidade
Que não tá na saudade e constrói
A manhã desejada
Aquele que sabe que é negro
o coro da gente
E segura a batida da vida o ano inteiro
Aquele que sabe o sufoco de um jogo tão duro
E apesar dos pesares ainda se orgulha de ser brasileiro
Aquele que sai da batalha
Entra no botequim, pede uma cerva gelada
E agita na mesa logo uma batucada
Aquele que manda o pagode
E sacode a poeira suada da luta e faz a brincadeira
Pois o resto é besteira
E nós estamos pelaí...
Ed. Moleque (BMG Music) BR-EMI-80/00166.
Em relação ao texto, pode-se afirmar que:
I – predomina a função poética da linguagem, com base no emprego da conotação.
II – a ênfase dada a registros da oralidade caracteriza o nível coloquial/informal da linguagem.
III – expressões denotativas, como “entra no botequim, pede uma cerva gelada”, predominam no texto, para anular a subjetividade expressa pelo emprego da 1a pessoa.
É (são) verdadeira(s) a(s) afirmação (ões):
Questão 10 10726915
IFAL 6° Ano - Língua Portuguesa e Matemática 2008Texto
Sinais de preconceito lingüístico
Houve um lado bom na polêmica declaração do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso na convenção do PSDB, noticiada com destaque na imprensa no fim de semana.
O assunto forçou a mídia a discutir publicamente questões ligadas às diferentes variantes da língua, assunto ainda muito restrito à academia.
Foi "certo" o que o ex-presidente disse? Ou era aceitável", posto que muitos falam assim?
O debate é pertinente e jornalisticamente atual.
Faltou, talvez, incluir na discussão a questão do preconceito lingüístico, conceito ainda pouco conhecido no país.
Esse tipo de preconceito estava na base da declaração do ex-presidente (reproduzo trecho de matéria da Folha Online):
- "Queremos brasileiros melhor educados, e não liderados por gente que despreza a educação, a começar pela própria"
O ponto tão alardeado pela imprensa no sábado e no domingo foi quanto ao uso inadequado do trecho "melhor educados".
Do ponto da variante culta da língua (a chamada norma culta), deveria ser "mais bem educados".
Esse foi, inclusive, o tema desta coluna na quinta- feira da semana passada.
O que a fala de Fernando Henrique esconde é a percepção de que "quem fala errado ou não domina a língua culta é pouco inteligente ou desprovido de autoridade intelectual".
Essa forma de raciocínio é o tal preconceito lingüístico: pela intolerância em aceitar a diferença no uso da língua, opta-se pelo preconceito.
Há, evidentemente, situações que exigem uma adequação maior à norma culta.
A fala do ex-presidente era uma delas, posto que criticava abertamente quem não seguia a variante culta (socialmente, a mais prestigiada do país).
Mas, em outros contextos, é comum uma flexibilização maior da norma.
É só ver as sessões de bate-papo do UOL.
Há abreviações e adaptações que, muitas vezes, tentam simular a fala.
A própria fala pode servir de exemplo.
Quem segue todas as regras de colocação pronominal numa conversa informal?
Me contaram algo sobre você ou contaram-me algo sobre você? Qual soa mais coloquial?
Claro que é a forma em que ocorre a próclise.
A construção, então, está errada?
Do ponto de vista da norma culta, sim.
Mas isso não quer dizer que não possa ser usada. Vai depender muito da situação e do contexto em que o trecho é produzido.
Em termos argumentativos, a fala de Fernando Henrique contradizia a crítica que tentava trazer.
Mas trouxe, por outro lado, a rara oportunidade de discutir o preconceito lingüístico.
É um conceito ignorado por muitos, mas que, para alguns autores, é tão grave quanto outras formas de preconceito.
Um abraço,
Paulo Ramos
Paulo Ramos
Paulo Ramos é jornalista, professor e consultor de língua portuguesa do Grupo Folha-UOL.
Disponível em http://educacao.uol.com.br/dicas-portugues/ult2781u669.jhtm. Acessado em 27/11/2007.
O texto afirma que a declaração feita pelo ex- presidente Fernando Henrique Cardoso apre- senta um lado positivo porque:
Questão 11 10726913
IFAL 6° Ano - Língua Portuguesa e Matemática 2008Texto 1
A roupagem da língua
Noção de erro de português é afetada pela idéia de que, vista do passado, toda evolução é corrupção.
Aldo Bizzocchi
Somos um povo que adora discutir a própria língua. E quando o fazemos, um dos assuntos que invariavelmente vêm à baila é a famigerada questão do erro gramatical. Muito se tem debatido a respeito, e a suposta existência de erros em nossa fala (bem como na escrita) ensejou até o surgimento de uma nova profissão, por sinal lucrativa, a de consultor gramatical. Igualmente, peritos no assunto têm mantido com sucesso colunas em jornais, sites, programas de rádio ou televisão com o propósito de ensinar as pessoas a falar corretamente o seu próprio idioma. Isso porque, segundo o diagnóstico catastrofista desses entendidos, nunca se falou tão mal o português como agora, nossa língua caminha inelutavelmente para a ruína e a dissolução, já não se escreve mais como antigamente.
(...)
É preciso, então, definir claramente o que é o erro em matéria de língua. É evidente que, se um estrangeiro tentando falar português disser “O meu mulher ser muito bonita”, cometerá um erro, a ponto de se poder dizer que isso não é português. Da mesma forma, quando cometemos um lapsus linguae, isto é, um equívoco involuntário do qual temos consciência, estamos diante um erro lingüístico.
Mas o que se costuma chamar de “erro de português” é uma expressão lingüística que nada tem de acidental, já que é sistemática e, geralmente, proferida por pessoas de menor nível escolar e socioeconômico, embora possa ocorrer até nos mais altos escalões da sociedade. Para a lingüística, que é a ciência da linguagem humana, esse fenômeno não pode ser chamado de erro. Se a língua é um sistema de signos que se articulam segundo leis definidas para permitir a comunicação e o pensamento humanos, toda expressão lingüística, mesmo a das pessoas iletradas, cumpre esse papel com eficiência.
(...)
Usos inadequados
A maioria dos chamados erros constitui, na verdade, um uso lingüístico inadequado à situação de comunicação. Para entendermos melhor essa inadequação, vamos fazer uma analogia entre a língua que falamos e a roupa que usamos. Ninguém em sã consciência vai a uma cerimônia de formatura de camiseta e bermudas tampouco vai à praia de terno. Assim com há uma roupa adequada a cada ocasião, há uma forma de expressão lingüística, chamada registro ou nível de linguagem, adequada a cada situação de discurso.
(...)
Mas e aquelas pessoas que moram na periferia ou na zona rural e dizem “pobrema”, “cardeneta” ou “puliça”, elas não estão falando errado? Do ponto de vista normativo, sim. Mas, como disse, a gramática normativa só se aplica a situações e ambientes formais. O registro deve, antes de tudo, estar adequado ao contexto social da comunicação. Pessoas que vivem num meio de baixa escolaridade e pronunciam “pobrema” estão adaptadas ao seu habitat. Se você duvida, experimente entrar numa favela do Rio vestindo roupa social e vá conversar com os traficantes usando linguagem de magistrado para ver o que lhe acontece.
Não estou dizendo com isso que o linguajar das pessoas não-escolarizadas deva ser incentivado. É evidente que, como cidadãos, devemos lutar para acabar com a pobreza e a ignorância. Nesse sentido, não apenas pronunciar “pobrema” é errado; morar em favelas ou andar maltrapilho é muito mais. No entanto, muitos brasileiros moram em barracos ou na rua e só têm uma roupa – muitas vezes esfarrapada – para vestir e só um registro para falar. Sua fala é pobre como é pobre a sua existência, tanto física como mental. O imaginário da classe média idealiza essas pessoas indo a todos os lugares sempre com a mesma camisa surrada, os mesmos chinelos velhos, falando com todos sempre do mesmo modo.
(...)
Disponível em http://revistalingua.uol.com.br/textos. Acessado em 25/11/2007
Texto 2
Sinais de preconceito lingüístico
Houve um lado bom na polêmica declaração do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso na convenção do PSDB, noticiada com destaque na imprensa no fim de semana.
O assunto forçou a mídia a discutir publicamente questões ligadas às diferentes variantes da língua, assunto ainda muito restrito à academia.
Foi "certo" o que o ex-presidente disse? Ou era aceitável", posto que muitos falam assim?
O debate é pertinente e jornalisticamente atual.
Faltou, talvez, incluir na discussão a questão do preconceito lingüístico, conceito ainda pouco conhecido no país.
Esse tipo de preconceito estava na base da declaração do ex-presidente (reproduzo trecho de matéria da Folha Online):
- "Queremos brasileiros melhor educados, e não liderados por gente que despreza a educação, a começar pela própria"
O ponto tão alardeado pela imprensa no sábado e no domingo foi quanto ao uso inadequado do trecho "melhor educados".
Do ponto da variante culta da língua (a chamada norma culta), deveria ser "mais bem educados".
Esse foi, inclusive, o tema desta coluna na quinta- feira da semana passada.
O que a fala de Fernando Henrique esconde é a percepção de que "quem fala errado ou não domina a língua culta é pouco inteligente ou desprovido de autoridade intelectual".
Essa forma de raciocínio é o tal preconceito lingüístico: pela intolerância em aceitar a diferença no uso da língua, opta-se pelo preconceito.
Há, evidentemente, situações que exigem uma adequação maior à norma culta.
A fala do ex-presidente era uma delas, posto que criticava abertamente quem não seguia a variante culta (socialmente, a mais prestigiada do país).
Mas, em outros contextos, é comum uma flexibilização maior da norma.
É só ver as sessões de bate-papo do UOL.
Há abreviações e adaptações que, muitas vezes, tentam simular a fala.
A própria fala pode servir de exemplo.
Quem segue todas as regras de colocação pronominal numa conversa informal?
Me contaram algo sobre você ou contaram-me algo sobre você? Qual soa mais coloquial?
Claro que é a forma em que ocorre a próclise.
A construção, então, está errada?
Do ponto de vista da norma culta, sim.
Mas isso não quer dizer que não possa ser usada. Vai depender muito da situação e do contexto em que o trecho é produzido.
Em termos argumentativos, a fala de Fernando Henrique contradizia a crítica que tentava trazer.
Mas trouxe, por outro lado, a rara oportunidade de discutir o preconceito lingüístico.
É um conceito ignorado por muitos, mas que, para alguns autores, é tão grave quanto outras formas de preconceito.
Um abraço,
Paulo Ramos
Paulo Ramos
Paulo Ramos é jornalista, professor e consultor de língua portuguesa do Grupo Folha-UOL.
Disponível em http://educacao.uol.com.br/dicas-portugues/ult2781u669.jhtm. Acessado em 27/11/2007.
Texto 3
Vício na Fala
Para dizerem milho dizem mio
Para melhor dizem mió
Para pior pió
Para telha dizem teia
Para telhado dizem teiado
E vão fazendo telhados.
ANDRADE,Oswald de. Pau-Brasil. São Paulo:Globo,1990.
Texto 4
Evocação do Recife
(...)
A vida não me chegava pelos jornais nem pelos livros
Vinha da boca do povo na língua errada do povo
Língua certa do povo
Porque ele é que fala gostoso o português do Brasil (...)
BANDEIRA, Manuel. Estrela da vida inteira - poesias reunidas. 7ª ed. Rio de Janeiro. José Olympio editora, 1979.
Ao ler os textos 1, 2, 3, 4, é possível perceber que há em comum entre eles:
Questão 9 10726912
IFAL 6° Ano - Língua Portuguesa e Matemática 2008Texto
E Vamos Á Luta Gonzaguinha
Composição: Gonzaguinha
Eu acredito é na rapaziada
Que segue em frente e segura o rojão
Eu ponho fé é na fé da moçada
Que não foge da fera e enfrenta o leão
Eu vou à luta com essa juventude
Que não corre da raia a troco de nada
Eu vou no bloco dessa mocidade
Que não tá na saudade e constrói
A manhã desejada
Aquele que sabe que é negro
o coro da gente
E segura a batida da vida o ano inteiro
Aquele que sabe o sufoco de um jogo tão duro
E apesar dos pesares ainda se orgulha de ser brasileiro
Aquele que sai da batalha
Entra no botequim, pede uma cerva gelada
E agita na mesa logo uma batucada
Aquele que manda o pagode
E sacode a poeira suada da luta e faz a brincadeira
Pois o resto é besteira
E nós estamos pelaí...
Ed. Moleque (BMG Music) BR-EMI-80/00166.
Em relação ao texto, analisando-se o vocábulo do último verso pelaí, assinale as afirmações verdadeiras.
I – É um recurso da oralidade e combina com outras expressões também orais do texto.
II – É um recurso da oralidade, resultado da fusão da preposição por com o advérbio de lugar aí.
III – Por ser um recurso da oralidade, ao fugir do padrão formal da língua, impede a mobilização das classes proposta na música.
IV – Está acentuado por incluir-se na regra das oxítonas terminadas em (i) seguidas ou não de s.
Questão 7 10726905
IFAL 6° Ano - Língua Portuguesa e Matemática 2008Texto
Vício na Fala
Para dizerem milho dizem mio
Para melhor dizem mió
Para pior pió
Para telha dizem teia
Para telhado dizem teiado
E vão fazendo telhados.
ANDRADE,Oswald de. Pau-Brasil. São Paulo:Globo,1990.
Há, no texto, uma indeterminação quanto ao sujeito das orações.
Isso evidencia que:
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