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Questões de EFAF Português - Leitura e Interpretação de Texto

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7.497 Questões

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Questão 5 15408596
Fácil 00:00

CEFET-RJ Técnico 2023
  • EFAF Português
  • Sugira
  • Leitura e Interpretação de Texto
  • Coesão (elem. coesivos) e Coerência Estratégias de leitura
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Resolução comentada

Texto

Nomofobia: você se sente ansioso quando está longe do seu celular?

 

    Você sente ansiedade ou aflição quando está sem seu celular? Pois saiba que isso se chama nomofobia. A condição já foi alvo de diversos estudos na última década, embora não seja considerada um transtorno na última edição do Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais (DSM-5), que é referência internacional.

    Em seu livro "Nomofobia e a dependência tecnológica do estudante" (2020), o mestre em Educação e Novas Tecnologias Cleber Bianchessi conta que a nomofobia surge da junção de no–mobile ("sem celular”, em inglês), com a palavra fobos (do grego, "fobia" ou "medo").

    "Os indivíduos com a nomofobia, ao se sentirem impossibilitados da conexão tecnológica, podem manifestar sintomas físicos, como: ansiedade, tremores, falta de ar, sudorese, tontura e até mesmo ataque de pânico", afirma Bianchessi no livro.

    De acordo com um estudo publicado em 2019 no Journal of Family Medicine and Primary Care, a origem [do] termo nomofobia remonta a 2008, quando pesquisas no Reino Unido descobriram que cerca da metade dos usuários de celulares sentiam algum grau de ansiedade quando perdiam o aparelho, ficavam sem cobertura de rede ou sem crédito.

    Os resultados foram reforçados por estudos nos anos seguintes. Em 2017, por exemplo, uma pesquisa feita na cidade de Pune, na Índia, com 145 estudantes de medicina do primeiro ano, estimou que cerca de 60% deles tinham "nomofobia moderada", e mais 22,1% foram descritos como tendo "nomofobia grave."

Disponível em: https://revistagalileu.globo.com/saude/noticia/2023/10/nomofobiavoce-se-sente-ansioso-quando-esta-longe-do-seu-celular.ghtml. Acesso em: 29/10/23

Considere o seguinte fragmento: “A condição já foi alvo de diversos estudos na última década, embora não seja considerada um transtorno na última edição do Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais (DSM-5A)”.

 

A reescrita cujo sentido se mantém é:

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Questão 10 15408340
Fácil 00:00

CAp-UERJ 8 ano 2023
  • EFAF Português
  • Sugira
  • Leitura e Interpretação de Texto
  • Coesão (elem. coesivos) e Coerência Gêneros textuais - Verbais/Narrativos
  • Crônica
  • Exibir tags
Resolução comentada

CONTO DE VERÃO: BANDEIRA BRANCA*

 

    Ele: tirolês. Ela: odalisca. Eram de culturas muito diferentes, não podia dar certo. Mas tinham só
quatro anos e se entenderam. No mundo dos quatro anos todos se entendem, de um jeito ou de outro.
Em vez de dançarem, pularem e entrarem no cordão, resistiram a todos os apelos desesperados das
mães e ficaram sentados no chão, fazendo um montinho de confete, serpentina e poeira, até serem
[5] arrastados para casa, sob ameaças de jamais serem levados a outro baile de Carnaval.

    Encontram-se de novo no baile infantil do clube, no ano seguinte. Ele com o mesmo tirolês, agora
apertado nos fundilhos, ela de egípcia. Tentaram recomeçar o montinho, mas dessa vez as mães
reagiram e os dois foram obrigados a dançar, pular e entrar no cordão, sob ameaça de levarem uns
tapas. Passaram o tempo todo de mãos dadas.

[10]    Só no terceiro Carnaval se falaram.

    - Como é teu nome?
    - Janice. E o teu?
    - Píndaro.
    - O quê?!
[15]    - Píndaro.
    - Que nome!

    Ele de legionário romano, ela de índia americana.

***

    Só no sétimo baile (pirata, chinesa) desvendaram o mistério de só se encontrarem no Carnaval
e nunca se encontrarem no clube, no resto do ano. Ela morava no interior, vinha visitar uma tia no
[20] Carnaval, a tia é que era sócia.

Foi o ano em que ele preferiu ficar com a sua turma tentando encher a boca das meninas de confete,
e ela ficou na mesa, brigando com a mãe, se recusando a brincar, o queixo enterrado na gola alta do
vestido de imperadora. Mas quase no fim do baile, na hora do Bandeira Branca, ele veio e a puxou
pelo braço, e os dois foram para o meio do salão, abraçados. E, quando se despediram, ela o beijou
[25] na face, disse "Até o Carnaval que vem" e saiu correndo.

    No baile do ano em que fizeram 13 anos, pela primeira vez as fantasias dos dois combinaram.
Toureiro e bailarina espanhola. Formavam um casal! Beijaram-se muito, quando as mães não estavam
olhando. Até na boca. Na hora da despedida, ele pediu:

    - Me dá alguma coisa.
[30]    - O quê?
    - Qualquer coisa.
    - O leque.

    O leque da bailarina. Ela diria para a mãe que o tinha perdido no salão.

***

    No ano seguinte, ela não apareceu no baile. Ele ficou o tempo todo à procura, um havaiano
[35] desconsolado. Não sabia nem como perguntar por ela. Não conhecia a tal tia. Passara um ano inteiro
pensando nela, às vezes tirando o leque do seu esconderijo para cheirá-lo. E ela não apareceu.

Mas, no ano seguinte, ele foi ao baile dos adultos no clube - e lá estava ela! Quinze anos. Uma
moça. Peitos, tudo. Uma fantasia indefinida.

* "Bandeira branca" é uma música tradicional dos bailes de carnaval. A canção fala sobre saudade e reencontro.

    - Sei lá. Bávara tropical - disse ela, rindo.
[40]    Estava diferente. Não era só o corpo. Menos tímida, o riso mais alto. Contou que faltara no ano
anterior porque a avó morrera, logo no Carnaval.

    - E aquela bailarina espanhola?

    - Nem me fala. E o toureiro?

    - Aposentado.

[45]    A fantasia dele era de nada. Camisa florida, bermuda, finalmente um brasileiro. Ela estava com
um grupo. Primos, amigos dos primos. Todos vagamente bávaros. Quando ela o apresentou ao
grupo, alguém disse "Píndaro?!" e todos caíram na risada. Ele viu que ela estava rindo também. Deu
uma desculpa e afastou-se. Quinze anos, pensou ele, e já estou perdendo todas as ilusões da vida,
começando pelo Carnaval. Não devo chegar aos 30, pelo menos não inteiro. Mas, quando a banda
[50] começou a tocar Bandeira Branca e ele se dirigiu para a saída, tonto e amargurado, sentiu que alguém
o pegava pela mão, virou-se e era ela. Era ela, meu Deus, puxando-o para o salão. Ela enlaçando-o
com os dois braços para dançarem assim, ela dizendo "não vale, você cresceu mais do que eu" e
encostando a cabeça no seu ombro. Ela encostando a cabeça no seu ombro.

***

    Encontraram-se de novo 15 anos depois. Aliás, neste Carnaval. Por acaso, num aeroporto. Ela
[55] desembarcando, a caminho do interior, para visitar a mãe. Ele embarcando para encontrar os filhos
no Rio. Ela disse "quase não reconheci você sem fantasias". Ele custou a reconhecê-la. A última coisa
que ele lhe dissera fora "preciso te dizer uma coisa", e ela dissera "no Carnaval que vem, no Carnaval
que vem" e no Carnaval seguinte ela não aparecera, ela nunca mais aparecera. Explicou que o pai
tinha sido transferido para outro estado, e como ela não tinha o endereço dele e, mesmo, não teria
[60] onde tomar nota na fantasia de falsa bávara...

    - O que você ia me dizer, no outro Carnaval? - perguntou ela.

    - Esqueci - mentiu ele.

    Trocaram informações. Os dois casaram, mas ele já se separou. Ele pensando: digo ou não digo
que aquele foi o momento mais feliz da minha vida, Bandeira Branca, a cabeça dela no meu ombro, e
[65] que todo o resto da minha vida será apenas o resto da minha vida? E ela pensando: como é mesmo
o nome dele? Péricles. Será Péricles? Ele: digo ou não digo que não cheguei mesmo inteiro aos 30, e
que ainda tenho o leque? Ela: Petrarco. Pôncio. Ptolomeu...

LUIS FERNANDO VERÍSSIMO Adaptado de MORICONI, Ítalo (org.). Os cem melhores contos brasileiros do século. Rio de Janeiro: Objetiva, 2001.

O esquema a seguir representa um salão de festas de formato hexagonal, com cinco ângulos retos e um ângulo igual a três retos.

0_c106b91a1b440e6641865ff544e59238_15408340.jpg.png

 

Considerando que as medidas de todos os lados estão em metros, a área total desse salão, em metros quadrados, é igual a:

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Questão 9 15408339
Fácil 00:00

CAp-UERJ 8 ano 2023
  • EFAF Português
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CONTO DE VERÃO: BANDEIRA BRANCA*

 

    Ele: tirolês. Ela: odalisca. Eram de culturas muito diferentes, não podia dar certo. Mas tinham só
quatro anos e se entenderam. No mundo dos quatro anos todos se entendem, de um jeito ou de outro.
Em vez de dançarem, pularem e entrarem no cordão, resistiram a todos os apelos desesperados das
mães e ficaram sentados no chão, fazendo um montinho de confete, serpentina e poeira, até serem
[5] arrastados para casa, sob ameaças de jamais serem levados a outro baile de Carnaval.

    Encontram-se de novo no baile infantil do clube, no ano seguinte. Ele com o mesmo tirolês, agora
apertado nos fundilhos, ela de egípcia. Tentaram recomeçar o montinho, mas dessa vez as mães
reagiram e os dois foram obrigados a dançar, pular e entrar no cordão, sob ameaça de levarem uns
tapas. Passaram o tempo todo de mãos dadas.

[10]    Só no terceiro Carnaval se falaram.

    - Como é teu nome?
    - Janice. E o teu?
    - Píndaro.
    - O quê?!
[15]    - Píndaro.
    - Que nome!

    Ele de legionário romano, ela de índia americana.

***

    Só no sétimo baile (pirata, chinesa) desvendaram o mistério de só se encontrarem no Carnaval
e nunca se encontrarem no clube, no resto do ano. Ela morava no interior, vinha visitar uma tia no
[20] Carnaval, a tia é que era sócia.

Foi o ano em que ele preferiu ficar com a sua turma tentando encher a boca das meninas de confete,
e ela ficou na mesa, brigando com a mãe, se recusando a brincar, o queixo enterrado na gola alta do
vestido de imperadora. Mas quase no fim do baile, na hora do Bandeira Branca, ele veio e a puxou
pelo braço, e os dois foram para o meio do salão, abraçados. E, quando se despediram, ela o beijou
[25] na face, disse "Até o Carnaval que vem" e saiu correndo.

    No baile do ano em que fizeram 13 anos, pela primeira vez as fantasias dos dois combinaram.
Toureiro e bailarina espanhola. Formavam um casal! Beijaram-se muito, quando as mães não estavam
olhando. Até na boca. Na hora da despedida, ele pediu:

    - Me dá alguma coisa.
[30]    - O quê?
    - Qualquer coisa.
    - O leque.

    O leque da bailarina. Ela diria para a mãe que o tinha perdido no salão.

***

    No ano seguinte, ela não apareceu no baile. Ele ficou o tempo todo à procura, um havaiano
[35] desconsolado. Não sabia nem como perguntar por ela. Não conhecia a tal tia. Passara um ano inteiro
pensando nela, às vezes tirando o leque do seu esconderijo para cheirá-lo. E ela não apareceu.

Mas, no ano seguinte, ele foi ao baile dos adultos no clube - e lá estava ela! Quinze anos. Uma
moça. Peitos, tudo. Uma fantasia indefinida.

* "Bandeira branca" é uma música tradicional dos bailes de carnaval. A canção fala sobre saudade e reencontro.

    - Sei lá. Bávara tropical - disse ela, rindo.
[40]    Estava diferente. Não era só o corpo. Menos tímida, o riso mais alto. Contou que faltara no ano
anterior porque a avó morrera, logo no Carnaval.

    - E aquela bailarina espanhola?

    - Nem me fala. E o toureiro?

    - Aposentado.

[45]    A fantasia dele era de nada. Camisa florida, bermuda, finalmente um brasileiro. Ela estava com
um grupo. Primos, amigos dos primos. Todos vagamente bávaros. Quando ela o apresentou ao
grupo, alguém disse "Píndaro?!" e todos caíram na risada. Ele viu que ela estava rindo também. Deu
uma desculpa e afastou-se. Quinze anos, pensou ele, e já estou perdendo todas as ilusões da vida,
começando pelo Carnaval. Não devo chegar aos 30, pelo menos não inteiro. Mas, quando a banda
[50] começou a tocar Bandeira Branca e ele se dirigiu para a saída, tonto e amargurado, sentiu que alguém
o pegava pela mão, virou-se e era ela. Era ela, meu Deus, puxando-o para o salão. Ela enlaçando-o
com os dois braços para dançarem assim, ela dizendo "não vale, você cresceu mais do que eu" e
encostando a cabeça no seu ombro. Ela encostando a cabeça no seu ombro.

***

    Encontraram-se de novo 15 anos depois. Aliás, neste Carnaval. Por acaso, num aeroporto. Ela
[55] desembarcando, a caminho do interior, para visitar a mãe. Ele embarcando para encontrar os filhos
no Rio. Ela disse "quase não reconheci você sem fantasias". Ele custou a reconhecê-la. A última coisa
que ele lhe dissera fora "preciso te dizer uma coisa", e ela dissera "no Carnaval que vem, no Carnaval
que vem" e no Carnaval seguinte ela não aparecera, ela nunca mais aparecera. Explicou que o pai
tinha sido transferido para outro estado, e como ela não tinha o endereço dele e, mesmo, não teria
[60] onde tomar nota na fantasia de falsa bávara...

    - O que você ia me dizer, no outro Carnaval? - perguntou ela.

    - Esqueci - mentiu ele.

    Trocaram informações. Os dois casaram, mas ele já se separou. Ele pensando: digo ou não digo
que aquele foi o momento mais feliz da minha vida, Bandeira Branca, a cabeça dela no meu ombro, e
[65] que todo o resto da minha vida será apenas o resto da minha vida? E ela pensando: como é mesmo
o nome dele? Péricles. Será Péricles? Ele: digo ou não digo que não cheguei mesmo inteiro aos 30, e
que ainda tenho o leque? Ela: Petrarco. Pôncio. Ptolomeu...

LUIS FERNANDO VERÍSSIMO Adaptado de MORICONI, Ítalo (org.). Os cem melhores contos brasileiros do século. Rio de Janeiro: Objetiva, 2001.

Considere que, em um baile infantil, havia 5 crianças para cada 2 adultos.

 

Utilizando essa razão e, sabendo que compareceram nesse baile exatamente 54 adultos, o número total de crianças era de:

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Questão 7 15408332
Fácil 00:00

CAp-UERJ 8 ano 2023
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CONTO DE VERÃO: BANDEIRA BRANCA*

 

    Ele: tirolês. Ela: odalisca. Eram de culturas muito diferentes, não podia dar certo. Mas tinham só
quatro anos e se entenderam. No mundo dos quatro anos todos se entendem, de um jeito ou de outro.
Em vez de dançarem, pularem e entrarem no cordão, resistiram a todos os apelos desesperados das
mães e ficaram sentados no chão, fazendo um montinho de confete, serpentina e poeira, até serem
[5] arrastados para casa, sob ameaças de jamais serem levados a outro baile de Carnaval.

    Encontram-se de novo no baile infantil do clube, no ano seguinte. Ele com o mesmo tirolês, agora
apertado nos fundilhos, ela de egípcia. Tentaram recomeçar o montinho, mas dessa vez as mães
reagiram e os dois foram obrigados a dançar, pular e entrar no cordão, sob ameaça de levarem uns
tapas. Passaram o tempo todo de mãos dadas.

[10]    Só no terceiro Carnaval se falaram.

    - Como é teu nome?
    - Janice. E o teu?
    - Píndaro.
    - O quê?!
[15]    - Píndaro.
    - Que nome!

    Ele de legionário romano, ela de índia americana.

***

    Só no sétimo baile (pirata, chinesa) desvendaram o mistério de só se encontrarem no Carnaval
e nunca se encontrarem no clube, no resto do ano. Ela morava no interior, vinha visitar uma tia no
[20] Carnaval, a tia é que era sócia.

Foi o ano em que ele preferiu ficar com a sua turma tentando encher a boca das meninas de confete,
e ela ficou na mesa, brigando com a mãe, se recusando a brincar, o queixo enterrado na gola alta do
vestido de imperadora. Mas quase no fim do baile, na hora do Bandeira Branca, ele veio e a puxou
pelo braço, e os dois foram para o meio do salão, abraçados. E, quando se despediram, ela o beijou
[25] na face, disse "Até o Carnaval que vem" e saiu correndo.

    No baile do ano em que fizeram 13 anos, pela primeira vez as fantasias dos dois combinaram.
Toureiro e bailarina espanhola. Formavam um casal! Beijaram-se muito, quando as mães não estavam
olhando. Até na boca. Na hora da despedida, ele pediu:

    - Me dá alguma coisa.
[30]    - O quê?
    - Qualquer coisa.
    - O leque.

    O leque da bailarina. Ela diria para a mãe que o tinha perdido no salão.

***

    No ano seguinte, ela não apareceu no baile. Ele ficou o tempo todo à procura, um havaiano
[35] desconsolado. Não sabia nem como perguntar por ela. Não conhecia a tal tia. Passara um ano inteiro
pensando nela, às vezes tirando o leque do seu esconderijo para cheirá-lo. E ela não apareceu.

Mas, no ano seguinte, ele foi ao baile dos adultos no clube - e lá estava ela! Quinze anos. Uma
moça. Peitos, tudo. Uma fantasia indefinida.

* "Bandeira branca" é uma música tradicional dos bailes de carnaval. A canção fala sobre saudade e reencontro.

    - Sei lá. Bávara tropical - disse ela, rindo.
[40]    Estava diferente. Não era só o corpo. Menos tímida, o riso mais alto. Contou que faltara no ano
anterior porque a avó morrera, logo no Carnaval.

    - E aquela bailarina espanhola?

    - Nem me fala. E o toureiro?

    - Aposentado.

[45]    A fantasia dele era de nada. Camisa florida, bermuda, finalmente um brasileiro. Ela estava com
um grupo. Primos, amigos dos primos. Todos vagamente bávaros. Quando ela o apresentou ao
grupo, alguém disse "Píndaro?!" e todos caíram na risada. Ele viu que ela estava rindo também. Deu
uma desculpa e afastou-se. Quinze anos, pensou ele, e já estou perdendo todas as ilusões da vida,
começando pelo Carnaval. Não devo chegar aos 30, pelo menos não inteiro. Mas, quando a banda
[50] começou a tocar Bandeira Branca e ele se dirigiu para a saída, tonto e amargurado, sentiu que alguém
o pegava pela mão, virou-se e era ela. Era ela, meu Deus, puxando-o para o salão. Ela enlaçando-o
com os dois braços para dançarem assim, ela dizendo "não vale, você cresceu mais do que eu" e
encostando a cabeça no seu ombro. Ela encostando a cabeça no seu ombro.

***

    Encontraram-se de novo 15 anos depois. Aliás, neste Carnaval. Por acaso, num aeroporto. Ela
[55] desembarcando, a caminho do interior, para visitar a mãe. Ele embarcando para encontrar os filhos
no Rio. Ela disse "quase não reconheci você sem fantasias". Ele custou a reconhecê-la. A última coisa
que ele lhe dissera fora "preciso te dizer uma coisa", e ela dissera "no Carnaval que vem, no Carnaval
que vem" e no Carnaval seguinte ela não aparecera, ela nunca mais aparecera. Explicou que o pai
tinha sido transferido para outro estado, e como ela não tinha o endereço dele e, mesmo, não teria
[60] onde tomar nota na fantasia de falsa bávara...

    - O que você ia me dizer, no outro Carnaval? - perguntou ela.

    - Esqueci - mentiu ele.

    Trocaram informações. Os dois casaram, mas ele já se separou. Ele pensando: digo ou não digo
que aquele foi o momento mais feliz da minha vida, Bandeira Branca, a cabeça dela no meu ombro, e
[65] que todo o resto da minha vida será apenas o resto da minha vida? E ela pensando: como é mesmo
o nome dele? Péricles. Será Péricles? Ele: digo ou não digo que não cheguei mesmo inteiro aos 30, e
que ainda tenho o leque? Ela: Petrarco. Pôncio. Ptolomeu...

LUIS FERNANDO VERÍSSIMO Adaptado de MORICONI, Ítalo (org.). Os cem melhores contos brasileiros do século. Rio de Janeiro: Objetiva, 2001.

De acordo com o conto, Janice e Píndaro se conheceram aos 4 anos, no primeiro baile de Carnaval. A reta abaixo representa os bailes frequentados pelos personagens anualmente.

0_27175b61abe7399b1108be689659a5d2_15408332.jpg.png

 

Admitindo que ambos fazem aniversário em 1° de janeiro, a idade deles, no sétimo baile, em anos, era igual a:

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Questão 6 15408330
Fácil 00:00

CAp-UERJ 8 ano 2023
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Resolução comentada

CONTO DE VERÃO: BANDEIRA BRANCA*

 

    Ele: tirolês. Ela: odalisca. Eram de culturas muito diferentes, não podia dar certo. Mas tinham só
quatro anos e se entenderam. No mundo dos quatro anos todos se entendem, de um jeito ou de outro.
Em vez de dançarem, pularem e entrarem no cordão, resistiram a todos os apelos desesperados das
mães e ficaram sentados no chão, fazendo um montinho de confete, serpentina e poeira, até serem
[5] arrastados para casa, sob ameaças de jamais serem levados a outro baile de Carnaval.

    Encontram-se de novo no baile infantil do clube, no ano seguinte. Ele com o mesmo tirolês, agora
apertado nos fundilhos, ela de egípcia. Tentaram recomeçar o montinho, mas dessa vez as mães
reagiram e os dois foram obrigados a dançar, pular e entrar no cordão, sob ameaça de levarem uns
tapas. Passaram o tempo todo de mãos dadas.

[10]    Só no terceiro Carnaval se falaram.

    - Como é teu nome?
    - Janice. E o teu?
    - Píndaro.
    - O quê?!
[15]    - Píndaro.
    - Que nome!

    Ele de legionário romano, ela de índia americana.

***

    Só no sétimo baile (pirata, chinesa) desvendaram o mistério de só se encontrarem no Carnaval
e nunca se encontrarem no clube, no resto do ano. Ela morava no interior, vinha visitar uma tia no
[20] Carnaval, a tia é que era sócia.

Foi o ano em que ele preferiu ficar com a sua turma tentando encher a boca das meninas de confete,
e ela ficou na mesa, brigando com a mãe, se recusando a brincar, o queixo enterrado na gola alta do
vestido de imperadora. Mas quase no fim do baile, na hora do Bandeira Branca, ele veio e a puxou
pelo braço, e os dois foram para o meio do salão, abraçados. E, quando se despediram, ela o beijou
[25] na face, disse "Até o Carnaval que vem" e saiu correndo.

    No baile do ano em que fizeram 13 anos, pela primeira vez as fantasias dos dois combinaram.
Toureiro e bailarina espanhola. Formavam um casal! Beijaram-se muito, quando as mães não estavam
olhando. Até na boca. Na hora da despedida, ele pediu:

    - Me dá alguma coisa.
[30]    - O quê?
    - Qualquer coisa.
    - O leque.

    O leque da bailarina. Ela diria para a mãe que o tinha perdido no salão.

***

    No ano seguinte, ela não apareceu no baile. Ele ficou o tempo todo à procura, um havaiano
[35] desconsolado. Não sabia nem como perguntar por ela. Não conhecia a tal tia. Passara um ano inteiro
pensando nela, às vezes tirando o leque do seu esconderijo para cheirá-lo. E ela não apareceu.

Mas, no ano seguinte, ele foi ao baile dos adultos no clube - e lá estava ela! Quinze anos. Uma
moça. Peitos, tudo. Uma fantasia indefinida.

* "Bandeira branca" é uma música tradicional dos bailes de carnaval. A canção fala sobre saudade e reencontro.

    - Sei lá. Bávara tropical - disse ela, rindo.
[40]    Estava diferente. Não era só o corpo. Menos tímida, o riso mais alto. Contou que faltara no ano
anterior porque a avó morrera, logo no Carnaval.

    - E aquela bailarina espanhola?

    - Nem me fala. E o toureiro?

    - Aposentado.

[45]    A fantasia dele era de nada. Camisa florida, bermuda, finalmente um brasileiro. Ela estava com
um grupo. Primos, amigos dos primos. Todos vagamente bávaros. Quando ela o apresentou ao
grupo, alguém disse "Píndaro?!" e todos caíram na risada. Ele viu que ela estava rindo também. Deu
uma desculpa e afastou-se. Quinze anos, pensou ele, e já estou perdendo todas as ilusões da vida,
começando pelo Carnaval. Não devo chegar aos 30, pelo menos não inteiro. Mas, quando a banda
[50] começou a tocar Bandeira Branca e ele se dirigiu para a saída, tonto e amargurado, sentiu que alguém
o pegava pela mão, virou-se e era ela. Era ela, meu Deus, puxando-o para o salão. Ela enlaçando-o
com os dois braços para dançarem assim, ela dizendo "não vale, você cresceu mais do que eu" e
encostando a cabeça no seu ombro. Ela encostando a cabeça no seu ombro.

***

    Encontraram-se de novo 15 anos depois. Aliás, neste Carnaval. Por acaso, num aeroporto. Ela
[55] desembarcando, a caminho do interior, para visitar a mãe. Ele embarcando para encontrar os filhos
no Rio. Ela disse "quase não reconheci você sem fantasias". Ele custou a reconhecê-la. A última coisa
que ele lhe dissera fora "preciso te dizer uma coisa", e ela dissera "no Carnaval que vem, no Carnaval
que vem" e no Carnaval seguinte ela não aparecera, ela nunca mais aparecera. Explicou que o pai
tinha sido transferido para outro estado, e como ela não tinha o endereço dele e, mesmo, não teria
[60] onde tomar nota na fantasia de falsa bávara...

    - O que você ia me dizer, no outro Carnaval? - perguntou ela.

    - Esqueci - mentiu ele.

    Trocaram informações. Os dois casaram, mas ele já se separou. Ele pensando: digo ou não digo
que aquele foi o momento mais feliz da minha vida, Bandeira Branca, a cabeça dela no meu ombro, e
[65] que todo o resto da minha vida será apenas o resto da minha vida? E ela pensando: como é mesmo
o nome dele? Péricles. Será Péricles? Ele: digo ou não digo que não cheguei mesmo inteiro aos 30, e
que ainda tenho o leque? Ela: Petrarco. Pôncio. Ptolomeu...

LUIS FERNANDO VERÍSSIMO Adaptado de MORICONI, Ítalo (org.). Os cem melhores contos brasileiros do século. Rio de Janeiro: Objetiva, 2001.

A última coisa que ele lhe dissera fora "preciso te dizer uma coisa", e ela dissera "no Carnaval que vem, no Carnaval que vem" e no Carnaval seguinte ela não aparecera, ela nunca mais aparecera. (l. 56-58)

 

A palavra sublinhada pode ser substituída, sem alteração de sentido, por:

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Questão 5 15408329
Fácil 00:00

CAp-UERJ 8 ano 2023
  • EFAF Português
  • Sugira
  • Leitura e Interpretação de Texto
  • Coesão (elem. coesivos) e Coerência Gêneros textuais - Verbais/Narrativos
  • Crônica
  • Exibir tags
Resolução comentada

CONTO DE VERÃO: BANDEIRA BRANCA*

 

    Ele: tirolês. Ela: odalisca. Eram de culturas muito diferentes, não podia dar certo. Mas tinham só
quatro anos e se entenderam. No mundo dos quatro anos todos se entendem, de um jeito ou de outro.
Em vez de dançarem, pularem e entrarem no cordão, resistiram a todos os apelos desesperados das
mães e ficaram sentados no chão, fazendo um montinho de confete, serpentina e poeira, até serem
[5] arrastados para casa, sob ameaças de jamais serem levados a outro baile de Carnaval.

    Encontram-se de novo no baile infantil do clube, no ano seguinte. Ele com o mesmo tirolês, agora
apertado nos fundilhos, ela de egípcia. Tentaram recomeçar o montinho, mas dessa vez as mães
reagiram e os dois foram obrigados a dançar, pular e entrar no cordão, sob ameaça de levarem uns
tapas. Passaram o tempo todo de mãos dadas.

[10]    Só no terceiro Carnaval se falaram.

    - Como é teu nome?
    - Janice. E o teu?
    - Píndaro.
    - O quê?!
[15]    - Píndaro.
    - Que nome!

    Ele de legionário romano, ela de índia americana.

***

    Só no sétimo baile (pirata, chinesa) desvendaram o mistério de só se encontrarem no Carnaval
e nunca se encontrarem no clube, no resto do ano. Ela morava no interior, vinha visitar uma tia no
[20] Carnaval, a tia é que era sócia.

Foi o ano em que ele preferiu ficar com a sua turma tentando encher a boca das meninas de confete,
e ela ficou na mesa, brigando com a mãe, se recusando a brincar, o queixo enterrado na gola alta do
vestido de imperadora. Mas quase no fim do baile, na hora do Bandeira Branca, ele veio e a puxou
pelo braço, e os dois foram para o meio do salão, abraçados. E, quando se despediram, ela o beijou
[25] na face, disse "Até o Carnaval que vem" e saiu correndo.

    No baile do ano em que fizeram 13 anos, pela primeira vez as fantasias dos dois combinaram.
Toureiro e bailarina espanhola. Formavam um casal! Beijaram-se muito, quando as mães não estavam
olhando. Até na boca. Na hora da despedida, ele pediu:

    - Me dá alguma coisa.
[30]    - O quê?
    - Qualquer coisa.
    - O leque.

    O leque da bailarina. Ela diria para a mãe que o tinha perdido no salão.

***

    No ano seguinte, ela não apareceu no baile. Ele ficou o tempo todo à procura, um havaiano
[35] desconsolado. Não sabia nem como perguntar por ela. Não conhecia a tal tia. Passara um ano inteiro
pensando nela, às vezes tirando o leque do seu esconderijo para cheirá-lo. E ela não apareceu.

Mas, no ano seguinte, ele foi ao baile dos adultos no clube - e lá estava ela! Quinze anos. Uma
moça. Peitos, tudo. Uma fantasia indefinida.

* "Bandeira branca" é uma música tradicional dos bailes de carnaval. A canção fala sobre saudade e reencontro.

    - Sei lá. Bávara tropical - disse ela, rindo.
[40]    Estava diferente. Não era só o corpo. Menos tímida, o riso mais alto. Contou que faltara no ano
anterior porque a avó morrera, logo no Carnaval.

    - E aquela bailarina espanhola?

    - Nem me fala. E o toureiro?

    - Aposentado.

[45]    A fantasia dele era de nada. Camisa florida, bermuda, finalmente um brasileiro. Ela estava com
um grupo. Primos, amigos dos primos. Todos vagamente bávaros. Quando ela o apresentou ao
grupo, alguém disse "Píndaro?!" e todos caíram na risada. Ele viu que ela estava rindo também. Deu
uma desculpa e afastou-se. Quinze anos, pensou ele, e já estou perdendo todas as ilusões da vida,
começando pelo Carnaval. Não devo chegar aos 30, pelo menos não inteiro. Mas, quando a banda
[50] começou a tocar Bandeira Branca e ele se dirigiu para a saída, tonto e amargurado, sentiu que alguém
o pegava pela mão, virou-se e era ela. Era ela, meu Deus, puxando-o para o salão. Ela enlaçando-o
com os dois braços para dançarem assim, ela dizendo "não vale, você cresceu mais do que eu" e
encostando a cabeça no seu ombro. Ela encostando a cabeça no seu ombro.

***

    Encontraram-se de novo 15 anos depois. Aliás, neste Carnaval. Por acaso, num aeroporto. Ela
[55] desembarcando, a caminho do interior, para visitar a mãe. Ele embarcando para encontrar os filhos
no Rio. Ela disse "quase não reconheci você sem fantasias". Ele custou a reconhecê-la. A última coisa
que ele lhe dissera fora "preciso te dizer uma coisa", e ela dissera "no Carnaval que vem, no Carnaval
que vem" e no Carnaval seguinte ela não aparecera, ela nunca mais aparecera. Explicou que o pai
tinha sido transferido para outro estado, e como ela não tinha o endereço dele e, mesmo, não teria
[60] onde tomar nota na fantasia de falsa bávara...

    - O que você ia me dizer, no outro Carnaval? - perguntou ela.

    - Esqueci - mentiu ele.

    Trocaram informações. Os dois casaram, mas ele já se separou. Ele pensando: digo ou não digo
que aquele foi o momento mais feliz da minha vida, Bandeira Branca, a cabeça dela no meu ombro, e
[65] que todo o resto da minha vida será apenas o resto da minha vida? E ela pensando: como é mesmo
o nome dele? Péricles. Será Péricles? Ele: digo ou não digo que não cheguei mesmo inteiro aos 30, e
que ainda tenho o leque? Ela: Petrarco. Pôncio. Ptolomeu...

LUIS FERNANDO VERÍSSIMO Adaptado de MORICONI, Ítalo (org.). Os cem melhores contos brasileiros do século. Rio de Janeiro: Objetiva, 2001.

sentiu que alguém o pegava pela mão, virou-se e era ela. Era ela, meu Deus, puxando-o para o salão. (l. 50-51)

 

Na frase sublinhada, o discurso do narrador observador está misturado ao pensamento de Píndaro.

 

Isso pode ser observado pela presença, nessa frase, do seguinte elemento:

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