Questões de EFAF Português - Leitura e Interpretação de Texto
Questão 18 10772225
EPCAR 1º Ano - Português e Matemática 2008Leia atentamente o Texto e, a seguir, responda à questão.
Texto
Foi no pátio da escola, à hora do recreio. Eugênio
abaixou-se para apanhar a bola de pano, e de repente
atrás dele alguém gritou:
− O Genoca tá com as carça furada no fiofó!
[5] Os outros rapazes cercaram Eugênio numa algazarra.
Houve pulos, atropelos, pontapés, cotoveladas, gritos e
risadas: eram como galinhas correndo cegas a um tempo
para bicar o mesmo punhado de milho. No meio da roda,
atarantado e vermelho, Eugênio tapava com ambas as
[10] mãos o rasgão da calça, sentindo um calorão no rosto,
que lhe ardia num formigamento. Os colegas romperam
em vaia frenética:
− Calça furada!
− Calça furada!
[15] − Calça furada-dá!
Gritavam em cadência uniforme, batendo palmas.
Eugênio sentiu os olhos se encherem de lágrimas.
Balbuciava palavras de fraco protesto, que se sumiam
devoradas pelo grande alarido.
[20] − Calça furada-dá!
− No fio-fó-fó-fó!
− Óia as calça dele, vovó!
− Calça furada-dá!
Do outro lado do pátio, as meninas olhavam curiosas,
[25] com ar divertido, pulando e rindo.
Em breve começaram a gritar também, integrando-se no
coro, num alvoroço de gralhas.
O vento da manhã, que agitava os ciprestes do pátio,
levava no seu sopro frio aquelas vozes agudas,
[30] espalhava-as pela cidade inteira, anunciando a toda
gente que o menino Eugênio estava com as calças
rasgadas, bem naquele lugar... As lágrimas deslizavam
pelo rosto do rapaz e ele deixava que elas corressem
livres, lhe riscassem as faces, lhe entrassem pela boca,
[35] lhe pingassem do queixo, porque tinha ambas as mãos
postas como um escudo sobre as nádegas. Agora, de
braços dados, os rapazes formavam um grande círculo e
giravam dum lado para o outro, berrando sempre: Calça
furada! Calça furada! Eugênio cerrou os olhos como para
[40] não ver por mais tempo a sua vergonha.
Soou a sineta. Terminara o recreio.
Na aula, Eugênio sentiu-se humilhado como um réu.
Na hora da tabuada, a professora apontava os números
no quadro-negro com o ponteiro e os alunos gritavam em
[45] coro.
Dois e dois são quatro!
Três e três são seis!
E o ritmo desse coro lembrava a Eugênio a vaia do
recreio. Calça furada-dá!
[50] (...) À hora da saída, Eugênio atrasou-se de propósito, foi
o último a sair. Nem assim conseguiu fugir a nova vaia.
Um grupo de seis meninos o esperava de emboscada
numa esquina. Quando Eugênio passou, romperam de
novo:
[55] Calça furada! Quió, galinha carijó!
Calça furada! Calça furada!
Eugênio caminhava acossado pela gritaria. Voltaram-lhe
as lágrimas, Ernesto cochichou:
− Não seja besta, não chora que é pior. Finge que não dá
[60] confiança.
Quando o bando o deixou em paz, seguindo outro rumo,
Eugênio continuou a andar, de cabeça baixa.
O vento varria a rua, sacudia as árvores sem folhas, fazia
voar pedaços de palha, fragmentos de papel, grãos de
[65] poeira.
(Veríssimo, Érico. Olhai os lírios do campo. 81ed.-São Paulo:Globo, 1999)
É correto inferir do texto que em
I - “Eugênio abaixou-se para apanhar a bola de pano ...”, as orações apresentam relação de dependência.
II - “Em breve começaram a gritar também, enquanto se integravam no coro, num alvoroço de gralhas”, a segunda oração foi corretamente desdobrada.
III - “O vento da manhã, que agitava os ciprestes do pátio, levava no seu sopro frio aquelas vozes agudas ...”, a vírgula após a palavra manhã pode ser suprimida sem qualquer prejuízo para o trecho. IV - “As lágrimas deslizaram pelo rosto do rapaz e ele deixava que elas corressem livres ...”, a conjunção e pode ser substituída por mas sem que o sentido do trecho sofra alteração.
Estão corretas apenas
Questão 17 10772224
EPCAR 1º Ano - Português e Matemática 2008Leia atentamente o Texto e, a seguir, responda à questão.
Texto
Foi no pátio da escola, à hora do recreio. Eugênio
abaixou-se para apanhar a bola de pano, e de repente
atrás dele alguém gritou:
− O Genoca tá com as carça furada no fiofó!
[5] Os outros rapazes cercaram Eugênio numa algazarra.
Houve pulos, atropelos, pontapés, cotoveladas, gritos e
risadas: eram como galinhas correndo cegas a um tempo
para bicar o mesmo punhado de milho. No meio da roda,
atarantado e vermelho, Eugênio tapava com ambas as
[10] mãos o rasgão da calça, sentindo um calorão no rosto,
que lhe ardia num formigamento. Os colegas romperam
em vaia frenética:
− Calça furada!
− Calça furada!
[15] − Calça furada-dá!
Gritavam em cadência uniforme, batendo palmas.
Eugênio sentiu os olhos se encherem de lágrimas.
Balbuciava palavras de fraco protesto, que se sumiam
devoradas pelo grande alarido.
[20] − Calça furada-dá!
− No fio-fó-fó-fó!
− Óia as calça dele, vovó!
− Calça furada-dá!
Do outro lado do pátio, as meninas olhavam curiosas,
[25] com ar divertido, pulando e rindo.
Em breve começaram a gritar também, integrando-se no
coro, num alvoroço de gralhas.
O vento da manhã, que agitava os ciprestes do pátio,
levava no seu sopro frio aquelas vozes agudas,
[30] espalhava-as pela cidade inteira, anunciando a toda
gente que o menino Eugênio estava com as calças
rasgadas, bem naquele lugar... As lágrimas deslizavam
pelo rosto do rapaz e ele deixava que elas corressem
livres, lhe riscassem as faces, lhe entrassem pela boca,
[35] lhe pingassem do queixo, porque tinha ambas as mãos
postas como um escudo sobre as nádegas. Agora, de
braços dados, os rapazes formavam um grande círculo e
giravam dum lado para o outro, berrando sempre: Calça
furada! Calça furada! Eugênio cerrou os olhos como para
[40] não ver por mais tempo a sua vergonha.
Soou a sineta. Terminara o recreio.
Na aula, Eugênio sentiu-se humilhado como um réu.
Na hora da tabuada, a professora apontava os números
no quadro-negro com o ponteiro e os alunos gritavam em
[45] coro.
Dois e dois são quatro!
Três e três são seis!
E o ritmo desse coro lembrava a Eugênio a vaia do
recreio. Calça furada-dá!
[50] (...) À hora da saída, Eugênio atrasou-se de propósito, foi
o último a sair. Nem assim conseguiu fugir a nova vaia.
Um grupo de seis meninos o esperava de emboscada
numa esquina. Quando Eugênio passou, romperam de
novo:
[55] Calça furada! Quió, galinha carijó!
Calça furada! Calça furada!
Eugênio caminhava acossado pela gritaria. Voltaram-lhe
as lágrimas, Ernesto cochichou:
− Não seja besta, não chora que é pior. Finge que não dá
[60] confiança.
Quando o bando o deixou em paz, seguindo outro rumo,
Eugênio continuou a andar, de cabeça baixa.
O vento varria a rua, sacudia as árvores sem folhas, fazia
voar pedaços de palha, fragmentos de papel, grãos de
[65] poeira.
(Veríssimo, Érico. Olhai os lírios do campo. 81ed.-São Paulo:Globo, 1999)
Assinale a alternativa em que a reescritura do texto está de acordo com a norma culta da língua.
Questão 16 10772223
EPCAR 1º Ano - Português e Matemática 2008Leia atentamente o Texto e, a seguir, responda à questão.
Texto
Foi no pátio da escola, à hora do recreio. Eugênio
abaixou-se para apanhar a bola de pano, e de repente
atrás dele alguém gritou:
− O Genoca tá com as carça furada no fiofó!
[5] Os outros rapazes cercaram Eugênio numa algazarra.
Houve pulos, atropelos, pontapés, cotoveladas, gritos e
risadas: eram como galinhas correndo cegas a um tempo
para bicar o mesmo punhado de milho. No meio da roda,
atarantado e vermelho, Eugênio tapava com ambas as
[10] mãos o rasgão da calça, sentindo um calorão no rosto,
que lhe ardia num formigamento. Os colegas romperam
em vaia frenética:
− Calça furada!
− Calça furada!
[15] − Calça furada-dá!
Gritavam em cadência uniforme, batendo palmas.
Eugênio sentiu os olhos se encherem de lágrimas.
Balbuciava palavras de fraco protesto, que se sumiam
devoradas pelo grande alarido.
[20] − Calça furada-dá!
− No fio-fó-fó-fó!
− Óia as calça dele, vovó!
− Calça furada-dá!
Do outro lado do pátio, as meninas olhavam curiosas,
[25] com ar divertido, pulando e rindo.
Em breve começaram a gritar também, integrando-se no
coro, num alvoroço de gralhas.
O vento da manhã, que agitava os ciprestes do pátio,
levava no seu sopro frio aquelas vozes agudas,
[30] espalhava-as pela cidade inteira, anunciando a toda
gente que o menino Eugênio estava com as calças
rasgadas, bem naquele lugar... As lágrimas deslizavam
pelo rosto do rapaz e ele deixava que elas corressem
livres, lhe riscassem as faces, lhe entrassem pela boca,
[35] lhe pingassem do queixo, porque tinha ambas as mãos
postas como um escudo sobre as nádegas. Agora, de
braços dados, os rapazes formavam um grande círculo e
giravam dum lado para o outro, berrando sempre: Calça
furada! Calça furada! Eugênio cerrou os olhos como para
[40] não ver por mais tempo a sua vergonha.
Soou a sineta. Terminara o recreio.
Na aula, Eugênio sentiu-se humilhado como um réu.
Na hora da tabuada, a professora apontava os números
no quadro-negro com o ponteiro e os alunos gritavam em
[45] coro.
Dois e dois são quatro!
Três e três são seis!
E o ritmo desse coro lembrava a Eugênio a vaia do
recreio. Calça furada-dá!
[50] (...) À hora da saída, Eugênio atrasou-se de propósito, foi
o último a sair. Nem assim conseguiu fugir a nova vaia.
Um grupo de seis meninos o esperava de emboscada
numa esquina. Quando Eugênio passou, romperam de
novo:
[55] Calça furada! Quió, galinha carijó!
Calça furada! Calça furada!
Eugênio caminhava acossado pela gritaria. Voltaram-lhe
as lágrimas, Ernesto cochichou:
− Não seja besta, não chora que é pior. Finge que não dá
[60] confiança.
Quando o bando o deixou em paz, seguindo outro rumo,
Eugênio continuou a andar, de cabeça baixa.
O vento varria a rua, sacudia as árvores sem folhas, fazia
voar pedaços de palha, fragmentos de papel, grãos de
[65] poeira.
(Veríssimo, Érico. Olhai os lírios do campo. 81ed.-São Paulo:Globo, 1999)
Assinale a alternativa em que a palavra destacada pode ser substituída pela palavra entre colchetes, mantendo-se o sentido original do texto.
Questão 15 10772222
EPCAR 1º Ano - Português e Matemática 2008Leia atentamente o Texto e, a seguir, responda à questão.
Texto
Foi no pátio da escola, à hora do recreio. Eugênio
abaixou-se para apanhar a bola de pano, e de repente
atrás dele alguém gritou:
− O Genoca tá com as carça furada no fiofó!
[5] Os outros rapazes cercaram Eugênio numa algazarra.
Houve pulos, atropelos, pontapés, cotoveladas, gritos e
risadas: eram como galinhas correndo cegas a um tempo
para bicar o mesmo punhado de milho. No meio da roda,
atarantado e vermelho, Eugênio tapava com ambas as
[10] mãos o rasgão da calça, sentindo um calorão no rosto,
que lhe ardia num formigamento. Os colegas romperam
em vaia frenética:
− Calça furada!
− Calça furada!
[15] − Calça furada-dá!
Gritavam em cadência uniforme, batendo palmas.
Eugênio sentiu os olhos se encherem de lágrimas.
Balbuciava palavras de fraco protesto, que se sumiam
devoradas pelo grande alarido.
[20] − Calça furada-dá!
− No fio-fó-fó-fó!
− Óia as calça dele, vovó!
− Calça furada-dá!
Do outro lado do pátio, as meninas olhavam curiosas,
[25] com ar divertido, pulando e rindo.
Em breve começaram a gritar também, integrando-se no
coro, num alvoroço de gralhas.
O vento da manhã, que agitava os ciprestes do pátio,
levava no seu sopro frio aquelas vozes agudas,
[30] espalhava-as pela cidade inteira, anunciando a toda
gente que o menino Eugênio estava com as calças
rasgadas, bem naquele lugar... As lágrimas deslizavam
pelo rosto do rapaz e ele deixava que elas corressem
livres, lhe riscassem as faces, lhe entrassem pela boca,
[35] lhe pingassem do queixo, porque tinha ambas as mãos
postas como um escudo sobre as nádegas. Agora, de
braços dados, os rapazes formavam um grande círculo e
giravam dum lado para o outro, berrando sempre: Calça
furada! Calça furada! Eugênio cerrou os olhos como para
[40] não ver por mais tempo a sua vergonha.
Soou a sineta. Terminara o recreio.
Na aula, Eugênio sentiu-se humilhado como um réu.
Na hora da tabuada, a professora apontava os números
no quadro-negro com o ponteiro e os alunos gritavam em
[45] coro.
Dois e dois são quatro!
Três e três são seis!
E o ritmo desse coro lembrava a Eugênio a vaia do
recreio. Calça furada-dá!
[50] (...) À hora da saída, Eugênio atrasou-se de propósito, foi
o último a sair. Nem assim conseguiu fugir a nova vaia.
Um grupo de seis meninos o esperava de emboscada
numa esquina. Quando Eugênio passou, romperam de
novo:
[55] Calça furada! Quió, galinha carijó!
Calça furada! Calça furada!
Eugênio caminhava acossado pela gritaria. Voltaram-lhe
as lágrimas, Ernesto cochichou:
− Não seja besta, não chora que é pior. Finge que não dá
[60] confiança.
Quando o bando o deixou em paz, seguindo outro rumo,
Eugênio continuou a andar, de cabeça baixa.
O vento varria a rua, sacudia as árvores sem folhas, fazia
voar pedaços de palha, fragmentos de papel, grãos de
[65] poeira.
(Veríssimo, Érico. Olhai os lírios do campo. 81ed.-São Paulo:Globo, 1999)
Marque a opção em que a substituição proposta pelas palavras em destaque altera o sentido ou a correção gramatical do texto.
Questão 14 10772217
EPCAR 1º Ano - Português e Matemática 2008Leia atentamente o Texto e, a seguir, responda à questão.
Texto
Foi no pátio da escola, à hora do recreio. Eugênio
abaixou-se para apanhar a bola de pano, e de repente
atrás dele alguém gritou:
− O Genoca tá com as carça furada no fiofó!
[5] Os outros rapazes cercaram Eugênio numa algazarra.
Houve pulos, atropelos, pontapés, cotoveladas, gritos e
risadas: eram como galinhas correndo cegas a um tempo
para bicar o mesmo punhado de milho. No meio da roda,
atarantado e vermelho, Eugênio tapava com ambas as
[10] mãos o rasgão da calça, sentindo um calorão no rosto,
que lhe ardia num formigamento. Os colegas romperam
em vaia frenética:
− Calça furada!
− Calça furada!
[15] − Calça furada-dá!
Gritavam em cadência uniforme, batendo palmas.
Eugênio sentiu os olhos se encherem de lágrimas.
Balbuciava palavras de fraco protesto, que se sumiam
devoradas pelo grande alarido.
[20] − Calça furada-dá!
− No fio-fó-fó-fó!
− Óia as calça dele, vovó!
− Calça furada-dá!
Do outro lado do pátio, as meninas olhavam curiosas,
[25] com ar divertido, pulando e rindo.
Em breve começaram a gritar também, integrando-se no
coro, num alvoroço de gralhas.
O vento da manhã, que agitava os ciprestes do pátio,
levava no seu sopro frio aquelas vozes agudas,
[30] espalhava-as pela cidade inteira, anunciando a toda
gente que o menino Eugênio estava com as calças
rasgadas, bem naquele lugar... As lágrimas deslizavam
pelo rosto do rapaz e ele deixava que elas corressem
livres, lhe riscassem as faces, lhe entrassem pela boca,
[35] lhe pingassem do queixo, porque tinha ambas as mãos
postas como um escudo sobre as nádegas. Agora, de
braços dados, os rapazes formavam um grande círculo e
giravam dum lado para o outro, berrando sempre: Calça
furada! Calça furada! Eugênio cerrou os olhos como para
[40] não ver por mais tempo a sua vergonha.
Soou a sineta. Terminara o recreio.
Na aula, Eugênio sentiu-se humilhado como um réu.
Na hora da tabuada, a professora apontava os números
no quadro-negro com o ponteiro e os alunos gritavam em
[45] coro.
Dois e dois são quatro!
Três e três são seis!
E o ritmo desse coro lembrava a Eugênio a vaia do
recreio. Calça furada-dá!
[50] (...) À hora da saída, Eugênio atrasou-se de propósito, foi
o último a sair. Nem assim conseguiu fugir a nova vaia.
Um grupo de seis meninos o esperava de emboscada
numa esquina. Quando Eugênio passou, romperam de
novo:
[55] Calça furada! Quió, galinha carijó!
Calça furada! Calça furada!
Eugênio caminhava acossado pela gritaria. Voltaram-lhe
as lágrimas, Ernesto cochichou:
− Não seja besta, não chora que é pior. Finge que não dá
[60] confiança.
Quando o bando o deixou em paz, seguindo outro rumo,
Eugênio continuou a andar, de cabeça baixa.
O vento varria a rua, sacudia as árvores sem folhas, fazia
voar pedaços de palha, fragmentos de papel, grãos de
[65] poeira.
(Veríssimo, Érico. Olhai os lírios do campo. 81ed.-São Paulo:Globo, 1999)
Em relação ao texto, só é possível inferir que
Questão 13 10772212
EPCAR 1º Ano - Português e Matemática 2008Leia atentamente o Texto e, a seguir, responda à questão.
Texto
Foi no pátio da escola, à hora do recreio. Eugênio
abaixou-se para apanhar a bola de pano, e de repente
atrás dele alguém gritou:
− O Genoca tá com as carça furada no fiofó!
[5] Os outros rapazes cercaram Eugênio numa algazarra.
Houve pulos, atropelos, pontapés, cotoveladas, gritos e
risadas: eram como galinhas correndo cegas a um tempo
para bicar o mesmo punhado de milho. No meio da roda,
atarantado e vermelho, Eugênio tapava com ambas as
[10] mãos o rasgão da calça, sentindo um calorão no rosto,
que lhe ardia num formigamento. Os colegas romperam
em vaia frenética:
− Calça furada!
− Calça furada!
[15] − Calça furada-dá!
Gritavam em cadência uniforme, batendo palmas.
Eugênio sentiu os olhos se encherem de lágrimas.
Balbuciava palavras de fraco protesto, que se sumiam
devoradas pelo grande alarido.
[20] − Calça furada-dá!
− No fio-fó-fó-fó!
− Óia as calça dele, vovó!
− Calça furada-dá!
Do outro lado do pátio, as meninas olhavam curiosas,
[25] com ar divertido, pulando e rindo.
Em breve começaram a gritar também, integrando-se no
coro, num alvoroço de gralhas.
O vento da manhã, que agitava os ciprestes do pátio,
levava no seu sopro frio aquelas vozes agudas,
[30] espalhava-as pela cidade inteira, anunciando a toda
gente que o menino Eugênio estava com as calças
rasgadas, bem naquele lugar... As lágrimas deslizavam
pelo rosto do rapaz e ele deixava que elas corressem
livres, lhe riscassem as faces, lhe entrassem pela boca,
[35] lhe pingassem do queixo, porque tinha ambas as mãos
postas como um escudo sobre as nádegas. Agora, de
braços dados, os rapazes formavam um grande círculo e
giravam dum lado para o outro, berrando sempre: Calça
furada! Calça furada! Eugênio cerrou os olhos como para
[40] não ver por mais tempo a sua vergonha.
Soou a sineta. Terminara o recreio.
Na aula, Eugênio sentiu-se humilhado como um réu.
Na hora da tabuada, a professora apontava os números
no quadro-negro com o ponteiro e os alunos gritavam em
[45] coro.
Dois e dois são quatro!
Três e três são seis!
E o ritmo desse coro lembrava a Eugênio a vaia do
recreio. Calça furada-dá!
[50] (...) À hora da saída, Eugênio atrasou-se de propósito, foi
o último a sair. Nem assim conseguiu fugir a nova vaia.
Um grupo de seis meninos o esperava de emboscada
numa esquina. Quando Eugênio passou, romperam de
novo:
[55] Calça furada! Quió, galinha carijó!
Calça furada! Calça furada!
Eugênio caminhava acossado pela gritaria. Voltaram-lhe
as lágrimas, Ernesto cochichou:
− Não seja besta, não chora que é pior. Finge que não dá
[60] confiança.
Quando o bando o deixou em paz, seguindo outro rumo,
Eugênio continuou a andar, de cabeça baixa.
O vento varria a rua, sacudia as árvores sem folhas, fazia
voar pedaços de palha, fragmentos de papel, grãos de
[65] poeira.
(Veríssimo, Érico. Olhai os lírios do campo. 81ed.-São Paulo:Globo, 1999)
Assinale o item cuja afirmativa está de acordo com o texto.
06
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