Questões de EFAF Português - Leitura e Interpretação de Texto
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Questão 5 15408781
CAp-UERJ 9 ano 2023AS PONTES DE LONDRES
Todas as vezes que penso em Londres revejo as suas pontes. Achei muito natural estar na Inglaterra,
mas agora quando penso que lá estive meu coração se enche de gratidão. Vi em Londres uma terra
estranha e viva, cinzenta - tudo o que é cinzento misteriosamente vibra para mim, como se fosse a
reunião de todas as cores amansadas.
[5] Estive em contato com a feiura dos ingleses, que é uma das coisas que mais me atraem na Inglaterra.
É uma feiura tão peculiar, tão bela - e isso não são meras palavras. Fazia muito frio, e o vento dava
ao rosto e às mãos aquela vermelhidão crua que torna cada pessoa extremamente real. As mulheres
fazem compras com as cestas, os homens da City usam chapéu-coco. E o Tâmisa é sujo, tem lama.
Já houve peste em Londres. Uma vez se incendiou a cidade inteira. A peste e o incêndio estavam
[10] presentes em minha estada em Londres.
As pessoas bebem café horrível, em xícara grande, mas o café fumega. Fumegante como toda a
ilha, cujas pontes enegrecidas surgem da quase constante névoa. O fog* se exala das pedras do chão
e envolve as pontes.
As pontes de Londres são muito emocionantes. Umas são sólidas e ameaçadoras. Outras são
[15] puro esqueleto. Quanto aos ingleses, não são tão inteligentes. Mas a Inglaterra é um dos países mais
inteligentes do mundo. Estávamos de carro. Entre uma cidade e outra, as cidadezinhas inglesas dão mil
voltas em torno de si, e a chuva fina cai nos vidros do carro. Nas ruas o povo usa roupas tão malfeitas
que terminaram se tornando em estilo belo. E agasalham mesmo. Vejo uma criança de capotão escuro
e meias grosseiras e capuz enterrado abaixo das orelhas, com o rosto vívido e magro, olhos espertos
[20] e cara vermelha - e aquela entonação pura das vozes inglesas, interrogativas e orgulhosas.
Só agora sei quanto amei o vento de Londres que me fazia os olhos lacrimejar de raiva e a pele
gritar de irritação.
E depois tem as estradas, o campo inglês que é diverso de qualquer outro campo. Lembro-me de
árvores tão altas.
[25] E depois há o desejo de viajar de todo inglês - e isso é um movimento inquieto e amplo.
No teatro em Londres uma coisa essencial se passa. É de tremer de frio e de emoção: o ator inglês
é o homem mais sério da Inglaterra. Em poucas horas ele dá a cada um aquilo importante que se perde
na vida diária. Quando se sai, é a chuva escura, a rua molhada, as velhas ruas inglesas onde de noite
há o desejo de perigo. Vai-se jantar. Uma comida péssima irrita, no restaurante de comida tipicamente
[30] inglesa. Mas pode-se ir para um restaurante de comida alegre, dos estrangeiros, em Londres mesmo.
Lembro-me que houve a Idade Média na Inglaterra, e isso está nas torres. A segurança de certos
ingleses chega às vezes a se tornar engraçada. Nas ruas andam depressa, é um povo lutador. E se o
mundo não fosse tão doloroso, seria bonito ver a luta pela sobrevivência.
E depois há a saudade de escritores mortos. Tenho muita saudade de Lawrence.
[35] A rainha é suave, os jornais têm um jeito provinciano, e quando os ingleses e inglesas são bonitos,
passam logo a ter uma extraordinária beleza. E a criança inglesa é sempre linda, e quando abre a boca
para falar, aí é que fica lindíssima.
Tudo isso se chama saudade: procuro recuperar Londres na memória, nessas notas. E assim fica
apenas anotado, com a maior rapidez, antes que o sentimento passe.
CLARICE LISPECTOR Todas as crônicas. Rio de Janeiro: Rocco, 2018.
* Palavra inglesa que se refere a névoa.
Só agora sei quanto amei o vento em Londres que me fazia os olhos lacrimejar de raiva e a pele gritar de irritação. (l. 21-22)
A palavra sublinhada pode ser substituída, sem alteração de sentido, por:
Questão 4 15408779
CAp-UERJ 9 ano 2023AS PONTES DE LONDRES
Todas as vezes que penso em Londres revejo as suas pontes. Achei muito natural estar na Inglaterra,
mas agora quando penso que lá estive meu coração se enche de gratidão. Vi em Londres uma terra
estranha e viva, cinzenta - tudo o que é cinzento misteriosamente vibra para mim, como se fosse a
reunião de todas as cores amansadas.
[5] Estive em contato com a feiura dos ingleses, que é uma das coisas que mais me atraem na Inglaterra.
É uma feiura tão peculiar, tão bela - e isso não são meras palavras. Fazia muito frio, e o vento dava
ao rosto e às mãos aquela vermelhidão crua que torna cada pessoa extremamente real. As mulheres
fazem compras com as cestas, os homens da City usam chapéu-coco. E o Tâmisa é sujo, tem lama.
Já houve peste em Londres. Uma vez se incendiou a cidade inteira. A peste e o incêndio estavam
[10] presentes em minha estada em Londres.
As pessoas bebem café horrível, em xícara grande, mas o café fumega. Fumegante como toda a
ilha, cujas pontes enegrecidas surgem da quase constante névoa. O fog* se exala das pedras do chão
e envolve as pontes.
As pontes de Londres são muito emocionantes. Umas são sólidas e ameaçadoras. Outras são
[15] puro esqueleto. Quanto aos ingleses, não são tão inteligentes. Mas a Inglaterra é um dos países mais
inteligentes do mundo. Estávamos de carro. Entre uma cidade e outra, as cidadezinhas inglesas dão mil
voltas em torno de si, e a chuva fina cai nos vidros do carro. Nas ruas o povo usa roupas tão malfeitas
que terminaram se tornando em estilo belo. E agasalham mesmo. Vejo uma criança de capotão escuro
e meias grosseiras e capuz enterrado abaixo das orelhas, com o rosto vívido e magro, olhos espertos
[20] e cara vermelha - e aquela entonação pura das vozes inglesas, interrogativas e orgulhosas.
Só agora sei quanto amei o vento de Londres que me fazia os olhos lacrimejar de raiva e a pele
gritar de irritação.
E depois tem as estradas, o campo inglês que é diverso de qualquer outro campo. Lembro-me de
árvores tão altas.
[25] E depois há o desejo de viajar de todo inglês - e isso é um movimento inquieto e amplo.
No teatro em Londres uma coisa essencial se passa. É de tremer de frio e de emoção: o ator inglês
é o homem mais sério da Inglaterra. Em poucas horas ele dá a cada um aquilo importante que se perde
na vida diária. Quando se sai, é a chuva escura, a rua molhada, as velhas ruas inglesas onde de noite
há o desejo de perigo. Vai-se jantar. Uma comida péssima irrita, no restaurante de comida tipicamente
[30] inglesa. Mas pode-se ir para um restaurante de comida alegre, dos estrangeiros, em Londres mesmo.
Lembro-me que houve a Idade Média na Inglaterra, e isso está nas torres. A segurança de certos
ingleses chega às vezes a se tornar engraçada. Nas ruas andam depressa, é um povo lutador. E se o
mundo não fosse tão doloroso, seria bonito ver a luta pela sobrevivência.
E depois há a saudade de escritores mortos. Tenho muita saudade de Lawrence.
[35] A rainha é suave, os jornais têm um jeito provinciano, e quando os ingleses e inglesas são bonitos,
passam logo a ter uma extraordinária beleza. E a criança inglesa é sempre linda, e quando abre a boca
para falar, aí é que fica lindíssima.
Tudo isso se chama saudade: procuro recuperar Londres na memória, nessas notas. E assim fica
apenas anotado, com a maior rapidez, antes que o sentimento passe.
CLARICE LISPECTOR Todas as crônicas. Rio de Janeiro: Rocco, 2018.
* Palavra inglesa que se refere a névoa.
Quanto aos ingleses, não são tão inteligentes. Mas a Inglaterra é um dos países mais inteligentes do mundo. (l. 15-16)
As frases acima mantêm entre si uma relação de:
Questão 3 15408776
CAp-UERJ 9 ano 2023AS PONTES DE LONDRES
Todas as vezes que penso em Londres revejo as suas pontes. Achei muito natural estar na Inglaterra,
mas agora quando penso que lá estive meu coração se enche de gratidão. Vi em Londres uma terra
estranha e viva, cinzenta - tudo o que é cinzento misteriosamente vibra para mim, como se fosse a
reunião de todas as cores amansadas.
[5] Estive em contato com a feiura dos ingleses, que é uma das coisas que mais me atraem na Inglaterra.
É uma feiura tão peculiar, tão bela - e isso não são meras palavras. Fazia muito frio, e o vento dava
ao rosto e às mãos aquela vermelhidão crua que torna cada pessoa extremamente real. As mulheres
fazem compras com as cestas, os homens da City usam chapéu-coco. E o Tâmisa é sujo, tem lama.
Já houve peste em Londres. Uma vez se incendiou a cidade inteira. A peste e o incêndio estavam
[10] presentes em minha estada em Londres.
As pessoas bebem café horrível, em xícara grande, mas o café fumega. Fumegante como toda a
ilha, cujas pontes enegrecidas surgem da quase constante névoa. O fog* se exala das pedras do chão
e envolve as pontes.
As pontes de Londres são muito emocionantes. Umas são sólidas e ameaçadoras. Outras são
[15] puro esqueleto. Quanto aos ingleses, não são tão inteligentes. Mas a Inglaterra é um dos países mais
inteligentes do mundo. Estávamos de carro. Entre uma cidade e outra, as cidadezinhas inglesas dão mil
voltas em torno de si, e a chuva fina cai nos vidros do carro. Nas ruas o povo usa roupas tão malfeitas
que terminaram se tornando em estilo belo. E agasalham mesmo. Vejo uma criança de capotão escuro
e meias grosseiras e capuz enterrado abaixo das orelhas, com o rosto vívido e magro, olhos espertos
[20] e cara vermelha - e aquela entonação pura das vozes inglesas, interrogativas e orgulhosas.
Só agora sei quanto amei o vento de Londres que me fazia os olhos lacrimejar de raiva e a pele
gritar de irritação.
E depois tem as estradas, o campo inglês que é diverso de qualquer outro campo. Lembro-me de
árvores tão altas.
[25] E depois há o desejo de viajar de todo inglês - e isso é um movimento inquieto e amplo.
No teatro em Londres uma coisa essencial se passa. É de tremer de frio e de emoção: o ator inglês
é o homem mais sério da Inglaterra. Em poucas horas ele dá a cada um aquilo importante que se perde
na vida diária. Quando se sai, é a chuva escura, a rua molhada, as velhas ruas inglesas onde de noite
há o desejo de perigo. Vai-se jantar. Uma comida péssima irrita, no restaurante de comida tipicamente
[30] inglesa. Mas pode-se ir para um restaurante de comida alegre, dos estrangeiros, em Londres mesmo.
Lembro-me que houve a Idade Média na Inglaterra, e isso está nas torres. A segurança de certos
ingleses chega às vezes a se tornar engraçada. Nas ruas andam depressa, é um povo lutador. E se o
mundo não fosse tão doloroso, seria bonito ver a luta pela sobrevivência.
E depois há a saudade de escritores mortos. Tenho muita saudade de Lawrence.
[35] A rainha é suave, os jornais têm um jeito provinciano, e quando os ingleses e inglesas são bonitos,
passam logo a ter uma extraordinária beleza. E a criança inglesa é sempre linda, e quando abre a boca
para falar, aí é que fica lindíssima.
Tudo isso se chama saudade: procuro recuperar Londres na memória, nessas notas. E assim fica
apenas anotado, com a maior rapidez, antes que o sentimento passe.
CLARICE LISPECTOR Todas as crônicas. Rio de Janeiro: Rocco, 2018.
* Palavra inglesa que se refere a névoa.
Fazia (1) muito frio, e o vento dava ao rosto e às mãos aquela vermelhidão crua que torna cada pessoa extremamente real. As mulheres fazem (2) compras com as cestas, (l. 6-8)
A duração da ação expressa pelas formas verbais sublinhadas pode ser caracterizada da seguinte forma:
Questão 2 15408774
CAp-UERJ 9 ano 2023AS PONTES DE LONDRES
Todas as vezes que penso em Londres revejo as suas pontes. Achei muito natural estar na Inglaterra,
mas agora quando penso que lá estive meu coração se enche de gratidão. Vi em Londres uma terra
estranha e viva, cinzenta - tudo o que é cinzento misteriosamente vibra para mim, como se fosse a
reunião de todas as cores amansadas.
[5] Estive em contato com a feiura dos ingleses, que é uma das coisas que mais me atraem na Inglaterra.
É uma feiura tão peculiar, tão bela - e isso não são meras palavras. Fazia muito frio, e o vento dava
ao rosto e às mãos aquela vermelhidão crua que torna cada pessoa extremamente real. As mulheres
fazem compras com as cestas, os homens da City usam chapéu-coco. E o Tâmisa é sujo, tem lama.
Já houve peste em Londres. Uma vez se incendiou a cidade inteira. A peste e o incêndio estavam
[10] presentes em minha estada em Londres.
As pessoas bebem café horrível, em xícara grande, mas o café fumega. Fumegante como toda a
ilha, cujas pontes enegrecidas surgem da quase constante névoa. O fog* se exala das pedras do chão
e envolve as pontes.
As pontes de Londres são muito emocionantes. Umas são sólidas e ameaçadoras. Outras são
[15] puro esqueleto. Quanto aos ingleses, não são tão inteligentes. Mas a Inglaterra é um dos países mais
inteligentes do mundo. Estávamos de carro. Entre uma cidade e outra, as cidadezinhas inglesas dão mil
voltas em torno de si, e a chuva fina cai nos vidros do carro. Nas ruas o povo usa roupas tão malfeitas
que terminaram se tornando em estilo belo. E agasalham mesmo. Vejo uma criança de capotão escuro
e meias grosseiras e capuz enterrado abaixo das orelhas, com o rosto vívido e magro, olhos espertos
[20] e cara vermelha - e aquela entonação pura das vozes inglesas, interrogativas e orgulhosas.
Só agora sei quanto amei o vento de Londres que me fazia os olhos lacrimejar de raiva e a pele
gritar de irritação.
E depois tem as estradas, o campo inglês que é diverso de qualquer outro campo. Lembro-me de
árvores tão altas.
[25] E depois há o desejo de viajar de todo inglês - e isso é um movimento inquieto e amplo.
No teatro em Londres uma coisa essencial se passa. É de tremer de frio e de emoção: o ator inglês
é o homem mais sério da Inglaterra. Em poucas horas ele dá a cada um aquilo importante que se perde
na vida diária. Quando se sai, é a chuva escura, a rua molhada, as velhas ruas inglesas onde de noite
há o desejo de perigo. Vai-se jantar. Uma comida péssima irrita, no restaurante de comida tipicamente
[30] inglesa. Mas pode-se ir para um restaurante de comida alegre, dos estrangeiros, em Londres mesmo.
Lembro-me que houve a Idade Média na Inglaterra, e isso está nas torres. A segurança de certos
ingleses chega às vezes a se tornar engraçada. Nas ruas andam depressa, é um povo lutador. E se o
mundo não fosse tão doloroso, seria bonito ver a luta pela sobrevivência.
E depois há a saudade de escritores mortos. Tenho muita saudade de Lawrence.
[35] A rainha é suave, os jornais têm um jeito provinciano, e quando os ingleses e inglesas são bonitos,
passam logo a ter uma extraordinária beleza. E a criança inglesa é sempre linda, e quando abre a boca
para falar, aí é que fica lindíssima.
Tudo isso se chama saudade: procuro recuperar Londres na memória, nessas notas. E assim fica
apenas anotado, com a maior rapidez, antes que o sentimento passe.
CLARICE LISPECTOR Todas as crônicas. Rio de Janeiro: Rocco, 2018.
* Palavra inglesa que se refere a névoa.
Achei muito natural estar na Inglaterra, mas agora quando penso que lá estive meu coração se enche de gratidão. Vi em Londres uma terra estranha e viva, cinzenta - tudo o que é cinzento misteriosamente vibra para mim, como se fosse a reunião de todas as cores amansadas. (l. 1-4)
Nesse trecho, um fragmento empregado com sentido conotativo é:
Questão 1 15408769
CAp-UERJ 9 ano 2023AS PONTES DE LONDRES
Todas as vezes que penso em Londres revejo as suas pontes. Achei muito natural estar na Inglaterra,
mas agora quando penso que lá estive meu coração se enche de gratidão. Vi em Londres uma terra
estranha e viva, cinzenta - tudo o que é cinzento misteriosamente vibra para mim, como se fosse a
reunião de todas as cores amansadas.
[5] Estive em contato com a feiura dos ingleses, que é uma das coisas que mais me atraem na Inglaterra.
É uma feiura tão peculiar, tão bela - e isso não são meras palavras. Fazia muito frio, e o vento dava
ao rosto e às mãos aquela vermelhidão crua que torna cada pessoa extremamente real. As mulheres
fazem compras com as cestas, os homens da City usam chapéu-coco. E o Tâmisa é sujo, tem lama.
Já houve peste em Londres. Uma vez se incendiou a cidade inteira. A peste e o incêndio estavam
[10] presentes em minha estada em Londres.
As pessoas bebem café horrível, em xícara grande, mas o café fumega. Fumegante como toda a
ilha, cujas pontes enegrecidas surgem da quase constante névoa. O fog* se exala das pedras do chão
e envolve as pontes.
As pontes de Londres são muito emocionantes. Umas são sólidas e ameaçadoras. Outras são
[15] puro esqueleto. Quanto aos ingleses, não são tão inteligentes. Mas a Inglaterra é um dos países mais
inteligentes do mundo. Estávamos de carro. Entre uma cidade e outra, as cidadezinhas inglesas dão mil
voltas em torno de si, e a chuva fina cai nos vidros do carro. Nas ruas o povo usa roupas tão malfeitas
que terminaram se tornando em estilo belo. E agasalham mesmo. Vejo uma criança de capotão escuro
e meias grosseiras e capuz enterrado abaixo das orelhas, com o rosto vívido e magro, olhos espertos
[20] e cara vermelha - e aquela entonação pura das vozes inglesas, interrogativas e orgulhosas.
Só agora sei quanto amei o vento de Londres que me fazia os olhos lacrimejar de raiva e a pele
gritar de irritação.
E depois tem as estradas, o campo inglês que é diverso de qualquer outro campo. Lembro-me de
árvores tão altas.
[25] E depois há o desejo de viajar de todo inglês - e isso é um movimento inquieto e amplo.
No teatro em Londres uma coisa essencial se passa. É de tremer de frio e de emoção: o ator inglês
é o homem mais sério da Inglaterra. Em poucas horas ele dá a cada um aquilo importante que se perde
na vida diária. Quando se sai, é a chuva escura, a rua molhada, as velhas ruas inglesas onde de noite
há o desejo de perigo. Vai-se jantar. Uma comida péssima irrita, no restaurante de comida tipicamente
[30] inglesa. Mas pode-se ir para um restaurante de comida alegre, dos estrangeiros, em Londres mesmo.
Lembro-me que houve a Idade Média na Inglaterra, e isso está nas torres. A segurança de certos
ingleses chega às vezes a se tornar engraçada. Nas ruas andam depressa, é um povo lutador. E se o
mundo não fosse tão doloroso, seria bonito ver a luta pela sobrevivência.
E depois há a saudade de escritores mortos. Tenho muita saudade de Lawrence.
[35] A rainha é suave, os jornais têm um jeito provinciano, e quando os ingleses e inglesas são bonitos,
passam logo a ter uma extraordinária beleza. E a criança inglesa é sempre linda, e quando abre a boca
para falar, aí é que fica lindíssima.
Tudo isso se chama saudade: procuro recuperar Londres na memória, nessas notas. E assim fica
apenas anotado, com a maior rapidez, antes que o sentimento passe.
CLARICE LISPECTOR Todas as crônicas. Rio de Janeiro: Rocco, 2018.
* Palavra inglesa que se refere a névoa.
Ao longo da crônica, Clarice Lispector apresenta suas memórias de Londres e o sentimento que a lembrança da cidade provoca nela.
Esse sentimento pode ser nomeado como:
Questão 10 15408604
CEFET-RJ Técnico 2023Texto

Disponível em: https://bichinhosdejardim.com/tecnologia-que-agiliza/. Acesso em 29/10/23.
Na expressão “atende essa joça”, característica de uma fala mais informal, o vocábulo destacado evidencia:
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