Questões de EFAF Português - Leitura e Interpretação de Texto
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Questão 5 10176917
IFCE* 1° Ano 2010/1O BEATO ROMANO
Saí dali zonzo. Tinha sido fácil demais. Meu Deus, eu que pensava ir encontrar uma fera – encontrei o
quê? Um chefe de bando, um comandante, uma sinhá governando a sua senzala?
Ela mandou que o João Rufo me arranjasse uma rede. Jogaram no chão a trouxa que eu trazia e o
João Rufo disse:
[5] – Tome os seus molambos!
Mas falou quase como se fosse uma prosa, uma brincadeira. Via-se que não estava seguro a meu
respeito; no começo me tratou com pouco caso, arrogante, mas agora parecia desconfiado. Não sei se engoliu
a história do Beato Romano; eu não tinha chegado ali com roupa de beato, mas de calça e blusa, como um
homem qualquer. E a espingardinha velha não era de cabra de respeito, a faca só servia pra picar fumo. Que é
[10] que eu vinha fazer para a Dona Moura, se não era um guerreiro?
E João Rufo chegou a me fazer essas perguntas, enquanto eu atava as cordas da minha rede.
Pequena e ruim, por sinal. Me deram também um prato com pirão de peixe cozido, e um taco de rapadura.
Eu ainda pedi ao homem notícias do meu cavalo.
– Se não morrer de tão estropiado que está, vai engordar solto. Ainda tem por aí muita capoeira com
[15] pasto.
Na rede, onde eu caí, não devia parecer um adormecido, mas um defunto em caminho da cova. Só de
ceroulas, sem camisa, o calor tão forte... Queria pensar, mas morria de cansado. Deus do céu, o que iria pela
cabeça da Dona? Lembrar, ela lembrou, disso eu tenho certeza... Mas a minha dúvida é outra: que é que ela
vai fazer de mim? Não sei se acreditou na minha história e se a aceita. Quem sabe me mata?
[20] Ora, se quisesse me matar já tinha feito... Mas, por outro lado, para que ela vai me querer vivo? Que
serventia eu posso ter, nesta praça de guerra? Talvez ela ainda mande os cabras me darem um aperto. E pode
ser que eu aguente. Afinal, mesmo debaixo de confissão, não posso dizer nada que interesse à Dona. Nada.
Toda a minha tragédia se passou depois que ela foi embora. Na gente com quem eu andei e ando, ela nunca
ouviu nem falar. Gente sem poder... Sem dinheiro... Sem força... Deus do céu, creio que, pelo menos por agora,
[25] eu já posso dormir.
QUEIROZ, Rachel de. Memorial de Maria Moura. 7 ed. São Paulo; Siciliano, 1992. P. 15-16.
Em uma das opções, os substantivos “prato” e “pirão” (linha 12) integram uma construção linguística que se constitui um exemplo de metonímia.
Questão 4 10176914
IFCE* 1° Ano 2010/1O BEATO ROMANO
Saí dali zonzo. Tinha sido fácil demais. Meu Deus, eu que pensava ir encontrar uma fera – encontrei o
quê? Um chefe de bando, um comandante, uma sinhá governando a sua senzala?
Ela mandou que o João Rufo me arranjasse uma rede. Jogaram no chão a trouxa que eu trazia e o
João Rufo disse:
[5] – Tome os seus molambos!
Mas falou quase como se fosse uma prosa, uma brincadeira. Via-se que não estava seguro a meu
respeito; no começo me tratou com pouco caso, arrogante, mas agora parecia desconfiado. Não sei se engoliu
a história do Beato Romano; eu não tinha chegado ali com roupa de beato, mas de calça e blusa, como um
homem qualquer. E a espingardinha velha não era de cabra de respeito, a faca só servia pra picar fumo. Que é
[10] que eu vinha fazer para a Dona Moura, se não era um guerreiro?
E João Rufo chegou a me fazer essas perguntas, enquanto eu atava as cordas da minha rede.
Pequena e ruim, por sinal. Me deram também um prato com pirão de peixe cozido, e um taco de rapadura.
Eu ainda pedi ao homem notícias do meu cavalo.
– Se não morrer de tão estropiado que está, vai engordar solto. Ainda tem por aí muita capoeira com
[15] pasto.
Na rede, onde eu caí, não devia parecer um adormecido, mas um defunto em caminho da cova. Só de
ceroulas, sem camisa, o calor tão forte... Queria pensar, mas morria de cansado. Deus do céu, o que iria pela
cabeça da Dona? Lembrar, ela lembrou, disso eu tenho certeza... Mas a minha dúvida é outra: que é que ela
vai fazer de mim? Não sei se acreditou na minha história e se a aceita. Quem sabe me mata?
[20] Ora, se quisesse me matar já tinha feito... Mas, por outro lado, para que ela vai me querer vivo? Que
serventia eu posso ter, nesta praça de guerra? Talvez ela ainda mande os cabras me darem um aperto. E pode
ser que eu aguente. Afinal, mesmo debaixo de confissão, não posso dizer nada que interesse à Dona. Nada.
Toda a minha tragédia se passou depois que ela foi embora. Na gente com quem eu andei e ando, ela nunca
ouviu nem falar. Gente sem poder... Sem dinheiro... Sem força... Deus do céu, creio que, pelo menos por agora,
[25] eu já posso dormir.
QUEIROZ, Rachel de. Memorial de Maria Moura. 7 ed. São Paulo; Siciliano, 1992. P. 15-16.
O último período do texto permite inferir que a convicção final do narrador é a de que
Questão 3 10176908
IFCE* 1° Ano 2010/1O BEATO ROMANO
Saí dali zonzo. Tinha sido fácil demais. Meu Deus, eu que pensava ir encontrar uma fera – encontrei o
quê? Um chefe de bando, um comandante, uma sinhá governando a sua senzala?
Ela mandou que o João Rufo me arranjasse uma rede. Jogaram no chão a trouxa que eu trazia e o
João Rufo disse:
[5] – Tome os seus molambos!
Mas falou quase como se fosse uma prosa, uma brincadeira. Via-se que não estava seguro a meu
respeito; no começo me tratou com pouco caso, arrogante, mas agora parecia desconfiado. Não sei se engoliu
a história do Beato Romano; eu não tinha chegado ali com roupa de beato, mas de calça e blusa, como um
homem qualquer. E a espingardinha velha não era de cabra de respeito, a faca só servia pra picar fumo. Que é
[10] que eu vinha fazer para a Dona Moura, se não era um guerreiro?
E João Rufo chegou a me fazer essas perguntas, enquanto eu atava as cordas da minha rede.
Pequena e ruim, por sinal. Me deram também um prato com pirão de peixe cozido, e um taco de rapadura.
Eu ainda pedi ao homem notícias do meu cavalo.
– Se não morrer de tão estropiado que está, vai engordar solto. Ainda tem por aí muita capoeira com
[15] pasto.
Na rede, onde eu caí, não devia parecer um adormecido, mas um defunto em caminho da cova. Só de
ceroulas, sem camisa, o calor tão forte... Queria pensar, mas morria de cansado. Deus do céu, o que iria pela
cabeça da Dona? Lembrar, ela lembrou, disso eu tenho certeza... Mas a minha dúvida é outra: que é que ela
vai fazer de mim? Não sei se acreditou na minha história e se a aceita. Quem sabe me mata?
[20] Ora, se quisesse me matar já tinha feito... Mas, por outro lado, para que ela vai me querer vivo? Que
serventia eu posso ter, nesta praça de guerra? Talvez ela ainda mande os cabras me darem um aperto. E pode
ser que eu aguente. Afinal, mesmo debaixo de confissão, não posso dizer nada que interesse à Dona. Nada.
Toda a minha tragédia se passou depois que ela foi embora. Na gente com quem eu andei e ando, ela nunca
ouviu nem falar. Gente sem poder... Sem dinheiro... Sem força... Deus do céu, creio que, pelo menos por agora,
[25] eu já posso dormir.
QUEIROZ, Rachel de. Memorial de Maria Moura. 7 ed. São Paulo; Siciliano, 1992. P. 15-16.
Trocando-se a expressão “... era um guerreiro?” (linha 10) por guerrear, a expressão se não deve transformar-se em senão e corresponde a
Questão 2 10176897
IFCE* 1° Ano 2010/1O BEATO ROMANO
Saí dali zonzo. Tinha sido fácil demais. Meu Deus, eu que pensava ir encontrar uma fera – encontrei o
quê? Um chefe de bando, um comandante, uma sinhá governando a sua senzala?
Ela mandou que o João Rufo me arranjasse uma rede. Jogaram no chão a trouxa que eu trazia e o
João Rufo disse:
[5] – Tome os seus molambos!
Mas falou quase como se fosse uma prosa, uma brincadeira. Via-se que não estava seguro a meu
respeito; no começo me tratou com pouco caso, arrogante, mas agora parecia desconfiado. Não sei se engoliu
a história do Beato Romano; eu não tinha chegado ali com roupa de beato, mas de calça e blusa, como um
homem qualquer. E a espingardinha velha não era de cabra de respeito, a faca só servia pra picar fumo. Que é
[10] que eu vinha fazer para a Dona Moura, se não era um guerreiro?
E João Rufo chegou a me fazer essas perguntas, enquanto eu atava as cordas da minha rede.
Pequena e ruim, por sinal. Me deram também um prato com pirão de peixe cozido, e um taco de rapadura.
Eu ainda pedi ao homem notícias do meu cavalo.
– Se não morrer de tão estropiado que está, vai engordar solto. Ainda tem por aí muita capoeira com
[15] pasto.
Na rede, onde eu caí, não devia parecer um adormecido, mas um defunto em caminho da cova. Só de
ceroulas, sem camisa, o calor tão forte... Queria pensar, mas morria de cansado. Deus do céu, o que iria pela
cabeça da Dona? Lembrar, ela lembrou, disso eu tenho certeza... Mas a minha dúvida é outra: que é que ela
vai fazer de mim? Não sei se acreditou na minha história e se a aceita. Quem sabe me mata?
[20] Ora, se quisesse me matar já tinha feito... Mas, por outro lado, para que ela vai me querer vivo? Que
serventia eu posso ter, nesta praça de guerra? Talvez ela ainda mande os cabras me darem um aperto. E pode
ser que eu aguente. Afinal, mesmo debaixo de confissão, não posso dizer nada que interesse à Dona. Nada.
Toda a minha tragédia se passou depois que ela foi embora. Na gente com quem eu andei e ando, ela nunca
ouviu nem falar. Gente sem poder... Sem dinheiro... Sem força... Deus do céu, creio que, pelo menos por agora,
[25] eu já posso dormir.
QUEIROZ, Rachel de. Memorial de Maria Moura. 7 ed. São Paulo; Siciliano, 1992. P. 15-16.
O fragmento textual “Tinha sido fácil demais” (linha 1) refere-se
Questão 1 10176817
IFCE* 1° Ano 2010/1O BEATO ROMANO
Saí dali zonzo. Tinha sido fácil demais. Meu Deus, eu que pensava ir encontrar uma fera – encontrei o
quê? Um chefe de bando, um comandante, uma sinhá governando a sua senzala?
Ela mandou que o João Rufo me arranjasse uma rede. Jogaram no chão a trouxa que eu trazia e o
João Rufo disse:
[5] – Tome os seus molambos!
Mas falou quase como se fosse uma prosa, uma brincadeira. Via-se que não estava seguro a meu
respeito; no começo me tratou com pouco caso, arrogante, mas agora parecia desconfiado. Não sei se engoliu
a história do Beato Romano; eu não tinha chegado ali com roupa de beato, mas de calça e blusa, como um
homem qualquer. E a espingardinha velha não era de cabra de respeito, a faca só servia pra picar fumo. Que é
[10] que eu vinha fazer para a Dona Moura, se não era um guerreiro?
E João Rufo chegou a me fazer essas perguntas, enquanto eu atava as cordas da minha rede.
Pequena e ruim, por sinal. Me deram também um prato com pirão de peixe cozido, e um taco de rapadura.
Eu ainda pedi ao homem notícias do meu cavalo.
– Se não morrer de tão estropiado que está, vai engordar solto. Ainda tem por aí muita capoeira com
[15] pasto.
Na rede, onde eu caí, não devia parecer um adormecido, mas um defunto em caminho da cova. Só de
ceroulas, sem camisa, o calor tão forte... Queria pensar, mas morria de cansado. Deus do céu, o que iria pela
cabeça da Dona? Lembrar, ela lembrou, disso eu tenho certeza... Mas a minha dúvida é outra: que é que ela
vai fazer de mim? Não sei se acreditou na minha história e se a aceita. Quem sabe me mata?
[20] Ora, se quisesse me matar já tinha feito... Mas, por outro lado, para que ela vai me querer vivo? Que
serventia eu posso ter, nesta praça de guerra? Talvez ela ainda mande os cabras me darem um aperto. E pode
ser que eu aguente. Afinal, mesmo debaixo de confissão, não posso dizer nada que interesse à Dona. Nada.
Toda a minha tragédia se passou depois que ela foi embora. Na gente com quem eu andei e ando, ela nunca
ouviu nem falar. Gente sem poder... Sem dinheiro... Sem força... Deus do céu, creio que, pelo menos por agora,
[25] eu já posso dormir.
QUEIROZ, Rachel de. Memorial de Maria Moura. 7 ed. São Paulo; Siciliano, 1992. P. 15-16.
Considerando-se o texto, é incorreta a assertiva
Questão 64 10174993
IFSertãoPE 2010O Brasil é um incinerador de cérebros
Cristóvam Buarque *
1 É comum o horror diante da brutalidade de dirigentes que queimam livros e prendem ou matam intelectuais como o imperador chinês Shih Huang Ti, que, 210 anos antes de Cristo, decidiu queimar todos os livros e matar todos os estudiosos do seu império.
2 Até hoje, a Inquisição horroriza o imaginário da humanidade pelo crime de destruir livros e matar intelectuais durante a Idade Média. Em Berlim, no campus da universidade Humboldt, há um local de reverência indignada no lugar onde Hitler queimou milhares de livros.
3 Mas não nos horrorizamos quando os livros são impedidos de ser escritos e os jovens de se transformarem em escritores. Indignamo-nos com a queima de livros e a prisão de escritores, mas não com a incineração de cérebros como se faz no Brasil, ao negarmos educação ao povo.
4 Pior do que queimadores de livros, somos incineradores de cérebros que escreveriam livros, se tivessem a chance de estudar. A história do Brasil é a história do impedimento de que livros sejam escritos ede que cientistas e intelectuais floresçam.
5 Quando os livros são queimados, alguns se salvam. Mas se eles não são escritos, não há o que salvar. Quando os escritores se salvam, eles escrevem outros livros, mas quando não aprendem a ler, queimam- se todos os livros que poderia escrever.
6 O Brasil é um crematório de cérebros. Ao
nascer, cada ser humano traz o imenso potencial de um cérebro vivo e virgem. Como um poço de energia a ser ainda construído pela educação. No Brasil, treze por cento dos adultos são analfabetos; apenas trinta e cinco por cento concluem o ensino médio; destes, só a metade tem uma educação básica com qualidade acima da média. Portanto, oitenta e dois por cento ficam impedidos de escrever e todos os livros que escreveriam são queimados antes de escritos. Como se o Brasil fosse um imenso crematório de inteligências.
7 As consequências são perfeitamente perceptíveis: basta olhar a cara da escola pública no presente para ver a cara do País no futuro. Apesar de nossos quase 200 milhões de cérebros, o quinto maior potencial intelectual do mundo, o Brasil continuará a ser um país periférico na produção de conhecimento.
8 O resultado já é visível: ineficiência, atraso, violência, desemprego, desigualdade, tolerância com a corrupção e a contravenção. Um país dividido por um muro da desigualdade que separa pobres e ricos e separado das nações desenvolvidas.
9 Durante anos, falou-se no decolar da economia.
11 Ensino Técnico Concomitante ou Subsequente e Técnico Integrado ao Ensino Médio Achava-se que para um país ter futuro bastava educar uma elite, um pequeno conjunto de profissionais superiores a serviço da economia. Formamos uma minoria no ensino superior, escolhida depois de rejeitar a imensa maioria na educação de base, e perdermos o potencial das dezenas de milhões deixados para trás.
10 Ou o Brasil se educa ou fracassa: ou educamos todos ou não teremos futuro e a desigualdade continuará. Se a universidade é a fábrica do futuro, o ensino fundamental é a fábrica da universidade.
11 Sem uma professora primária que lhe tivesse ensinado as primeiras letras e as quatro operações, Albert Einstein não teria se tornado cientista. Nossos prêmios Nobel morreram antes de aprender as quatro operações.
12 Não podemos formar inteligências enquanto formos queimadores de cérebros. Não podemos melhorar a educação superior sem uma educação realmente universal e de qualidade para todos.
*Adaptado de um texto de sua autoria.
No parágrafo 02 , no trecho “Em Berlim, no campus da universidade Humboldt, há um local de reverência indignada no lugar onde Hitler queimou milhares de livros.”
A expressão destacada pode ser substituída, sem prejuízo do sentido, por
06
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