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Questão 5 423129
IFSul - Rio-Grandense 2017/1Leia o texto, do qual foram retiradas três palavras, e responda à questão.
ACHADO NÃO É ROUBADO
Fabrício Carpinejar
Não ganhava mesada, nem ajuda de custo na infância. Eu me virava como dava. Recebia casa, comida e roupa lavada e não havia como miar, latir e __________________ mais nada aos pais, só agradecer.
As minhas fontes de renda eram praticamente duas: procurar dinheiro nas bolsas vazias da mãe, torcendo para que deixasse alguma nota na pressa da troca dos acessórios, ou catar moedas nas ruas e nos bueiros.
A modalidade de caça a dinheiro perdido exigia disciplina e profissionalismo. Saía de casa pelas 13h e caminhava por duas horas, com a cabeça apontada ao meio-fio como pedra em estilingue. Varria a poeira com os pés e cortava o mato com canivete. Fui voluntário remoto do Departamento Municipal de Limpeza Urbana.
Gastava o meu Kichute em vinte quadras, do bairro Petrópolis ao centro. Voltava quando atingia a entrada do viaduto da Conceição e reiniciava a minha arqueologia monetária no outro lado da rua.
Levava um saquinho para colher as moedas. Cada tarde rendia o equivalente a três reais. Encontrar correntinhas, colares e __________________ salvava o dia. Poderia revender no mercado paralelo da escola. As meninas pagavam em jujubas, bolo inglês e guaraná.
Já o bueiro me socializava. Convidava com frequência o Liquinho, vulgo Ricardo. Mais forte do que eu, ajudava a levantar a pesada e lacrada tampa de metal. Eu ficava com a responsabilidade de descer_________ profundezas do lodo. Tirava toda a roupa – a mãe não perdoaria o petróleo do esgoto – e pulava de cueca, apalpando às cegas o fundo com as mãos. Esquecia a nojeira imaginando as recompensas. Repartia os lucros com os colegas que me acompanhavam nas expedições ao submundo de Porto Alegre. Lembro que compramos uma bola de futebol com a arrecadação de duas semanas.
Espantoso o número de itens perdidos. Assim como os professores paravam no meu colégio, acreditava na greve dos objetos: moedas e anéis rolavam e cédulas voavam dos bolsos para protestar por melhores condições.
Sofria para me manter estável, pois nunca pedia dinheiro a ninguém. Desde cedo, descobri que vadiar é também trabalhar duro.
Disponível em: http://carpinejar.blogspot.com.br/2016/06/achado-nao-e-roubado.html Acesso em: 22 jun. 2016.
Que par exemplifica um caso de palavras homógrafas?
Questão 9 422985
IFSul - Rio-Grandense 2017/2Texto
Leia o texto, para responder à questão.
Onde mora sua muiteza?
A infância é um lugar complexo. Para quem já cresceu, foi aquele espaço em que
moramos quando ainda não tínhamos muita memória. Aqueles dias e noites que se sucediam sem
grandes planos em um corpo que mudava diariamente. Muito grande. Muito pequeno. Muito alto.
Muito baixo.
[5] Quando criança, entediada, Alice seguiu um coelho até sua toca e lá se viu em um espaço
totalmente novo. Um espaço onírico que reproduzia suas ansiedades e ensinava-lhe a buscar
dentro de si mesma recursos que lhe permitissem seguir em frente. Tentando fazer sentido do
espaço onde se encontrava, Alice foi protagonista de uma experiência fantástica de descoberta.
Ela descobriu que viver não é fácil, às vezes a vida é um jogo, mas mesmo assim vale a pena.
[10] Anos mais tarde, já adulta, prestes a embarcar em um casamento arranjado, com um
noivo patético, Alice se deixa conduzir novamente a esse espaço que lhe é familiar, mas do qual
não lembra quase nada. É um lugar que fica no jardim, no buraco de uma árvore e, pasmem,
onde mora um coelho de cartola e relógio!
É lá que ela, lembrando aos poucos de que já os conhecia, encontra velhos amigos que
[15] são rápidos em tecer críticas a seu respeito, dizendo, inclusive, que ela é a Alice “errada”. Mas é
a crítica do Chapeleiro Maluco que a atinge em cheio: você não é a mesma de antes, você era
muito mais “muita”, você perdeu sua muiteza. Lá dentro. Falta alguma coisa. De todas as coisas
que Alice esqueceu de compreender desse lugar, talvez essa seja a que faça mais sentido. Talvez
isso explique tudo. Talvez tenha sido isso que ela fora até lá buscar.
[20] A criança que fomos ocupa um espaço dentro de nós, nesse acúmulo de experiências que
é a vida. É nesse espaço que guardamos os joelhos ralados, as descobertas, os medos, a alegria
e a força que nos impulsiona para a frente. Há espaços mais sombrios, outros mais claros. Muitos
de nós já esqueceram o caminho para esse lugar. Estamos ocupados demais com as coisas
grandes para tentar encontrar uma toca de coelho que nos leve para dentro da terra. Então
[25] vivemos assim, sempre muito ocupados, sempre muito atrasados, com coisas sérias e
importantes a fazer. E vagamos. Vagamos pelo mundo com alguma coisa faltando. Lá dentro.
É na infância que mora a nossa muiteza. E é para lá que devemos voltar para encontrá-la,
sempre que essa pantomima a qual chamamos de vida adulta nos puxa e empurra forte demais.
LHULLIER, Luciana. Onde mora sua muiteza? In: No coração da floresta (blog). 08 out. 2013 (adaptado). Original disponível em: . Acesso: 05 ago. 2016.
Vocabulário:
Onírico: de sonho e/ou relativo a sonho.
Pantomima: representação teatral baseada na mímica (ou seja, em gestos corporais); por extensão, situação falsa, representação, ilusão, fraude.Patético: que provoca sentimento de piedade ou tristeza; indivíduo digno da piedade alheia.
Observe esta frase retirada do texto.
“É nesse espaço que guardamos os joelhos ralados, as descobertas, os medos, a alegria e a força que nos impulsiona para a frente.” (linhas 21 e 22)
Se a frase for reescrita, substituindo-se o trecho destacado por “É esse o espaço reservado...”, fazendo as devidas adaptações, em qual das alternativas NÃO há nenhuma incorreção quanto ao emprego da crase?
Questão 11 419494
IFSudesteMinas 2017Leia o texto “Trabalho infantil no Brasil” para responder à questão.
Trabalho infantil no Brasil
As crianças devem se dedicar a estudar e a brincar, e não a trabalhar.
O trabalho infantil, no Brasil, ainda é um grande problema social. Milhares de crianças ainda
deixam de ir à escola e ter seus direitos preservados, e trabalham desde a mais tenra idade na
lavoura, campo, fábrica ou casas de família, em regime de exploração, quase de escravidão, já que
muitas delas não chegam a receber remuneração alguma. Hoje em dia, em torno de 4,8 milhões de
[5] crianças e de adolescentes entre 5 e 17 anos estão trabalhando no Brasil, segundo PNAD 2007.
Desse total, 1,2 milhão estão na faixa entre 5 e 13 anos.
Apesar de, no Brasil, o trabalho infantil ser considerado ilegal para crianças e adolescentes entre 5
e 13 anos, a realidade continua sendo outra. Para adolescentes entre 14 e 15 anos, o trabalho é
legal, desde que na condição de aprendiz.
[10] Crianças que trabalham
O Peti (Programa de Erradicação ao Trabalho Infantil) vem trabalhando, arduamente, para
erradicar o trabalho infantil. Infelizmente, mesmo com todo o seu empenho, a previsão é de poder
atender com seus projetos, cerca de 1,1 milhão de crianças e adolescentes trabalhadores, segundo
acompanhamento do Inesc (Instituto de Estudos Socioeconômicos). Do total de crianças e
[15] adolescentes atendidos, 3,7 milhões estarão de fora.
Ao abandonarem a escola, ou terem que dividir o tempo entre a escola e o trabalho, o rendimento
escolar dessas crianças é muito ruim, e serão sérias candidatas ao abandono escolar e,
consequentemente, ao despreparo para o mercado de trabalho, tendo que aceitar subempregos e,
assim, continuarem alimentando o ciclo de pobreza no Brasil. (...)
[20] O que é o trabalho infantil
Trabalho infantil é toda forma de trabalho exercido por crianças e adolescentes, abaixo da idade
mínima legal permitida para o trabalho, conforme a legislação de cada país. O trabalho infantil,
em geral, é proibido por lei. Especificamente, as formas mais nocivas ou cruéis de trabalho infantil
não apenas são proibidas, mas também constituem crime.
[25] A exploração do trabalho infantil é comum em países subdesenvolvidos, e países emergentes
como no Brasil, onde nas regiões mais pobres este trabalho é bastante comum. Na maioria das
vezes, isto ocorre devido à necessidade de ajudar, financeiramente, a família. Muitas destas
famílias são geralmente de pessoas pobres que possuem muitos filhos. Apesar de existirem
legislações que proíbam, oficialmente, esse tipo de trabalho, é comum, nas grandes cidades
[30] brasileiras, a presença de menores em cruzamentos de vias de grande tráfego, vendendo bens de
pequeno valor monetário.
Apesar de os pais serem oficialmente responsáveis pelos filhos, não é hábito dos juízes puni-los. A
ação da justiça aplica-se mais a quem contrata menores, mas, mesmo assim, as penas não chegam
a ser aplicadas.
Disponível em: . Acesso em: 24 ago. 2016. Adaptado.
Conforme as informações divulgadas no texto “Trabalho infantil no Brasil”, marque a afirmação CORRETA.
Questão 9 419489
IFSudesteMinas 2017Leia a charge para responder à questão.

Analisando a charge em debate, é CORRETO afirmar que ela tem o intuito de:
Questão 4 419474
IFSudesteMinas 2017A seguir, leia o poema “Meninos carvoeiros”, de Manuel Bandeira, para responder à questão.
Meninos carvoeiros
Os meninos carvoeiros
Passam a caminho da cidade.
– Eh, carvoero!
E vão tocando os animais com um relho enorme.
Os burros são magrinhos e velhos.
Cada um leva seis sacos de carvão de lenha.
A aniagem é toda remendada.
Os carvões caem.
(Pela boca da noite vem uma velhinha que os recolhe, dobrando-se com um gemido.)
– Eh, carvoero! Só mesmo estas crianças raquíticas
Vão bem com estes burrinhos descadeirados.
A madrugada ingênua parece feita para eles...
[15] Pequenina, ingênua miséria!
Adoráveis carvoeirinhos que trabalhais como se brincásseis!
– Eh, carvoero!
Quando voltam, vêm mordendo num pão encarvoado,
Encarapitados nas alimárias,
[20] Apostando corrida,
Dançando, bamboleando nas cangalhas como espantalhos desamparados.
BANDEIRA, Manuel. Antologia poética: Manuel Bandeira. 3. ed. Rio de Janeiro: Editora do Autor, 1961. p. 56-57. Adaptado.
É de conhecimento que o poeta Manuel Bandeira traz para o cerne de sua proposta poética muitos problemas sociais enfrentados pela sociedade brasileira. Diante dessa constatação, marque a alternativa CORRETA.
Questão 8 416014
IFAL 2017TEXTO

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