Questões de EFAF Português
15.488 Questões
Questão 18 10401505
CMT 2017Considere o texto, composto pelas páginas 1 a 8 de uma história em quadrinhos, para responder à questão:
Texto








(SOUZA, M. Você sabia? Turma da Mônica. Festas Juninas. In http://alfabetizacaocefaproponteselacerda.blogspot.com.br Acesso em 12 jun 2017)
Uma discussão importante, que envolve sobretudo a questão de segurança de quem participa das festas juninas, mas que não é a ideia principal a ser discutida na parte II da história em quadrinhos, é a questão:
Questão 17 10401493
CMT 2017Considere o texto, composto pelas páginas 1 a 8 de uma história em quadrinhos, para responder à questão:
Texto








(SOUZA, M. Você sabia? Turma da Mônica. Festas Juninas. In http://alfabetizacaocefaproponteselacerda.blogspot.com.br Acesso em 12 jun 2017)
A história em quadrinhos se organiza em duas partes, conforme se lê em suas páginas 1 e 3.
A ideia principal da parte I é apresentar:
Questão 75 10365195
EFOMM 2017A PIPOCA
Rubem Alves
A culinária me fascina. De vez em quando eu
até me até atrevo a cozinhar. Mas o fato é que sou
mais competente com as palavras que com as panelas.
Por isso tenho mais escrito sobre comidas que
[5] cozinhado. Dedico-me a algo que poderia ter o nome
de "culinária literária". Já escrevi sobre as mais
variadas entidades do mundo da cozinha: cebolas,
ora-pro-nóbis, picadinho de carne com tomate feijão e
arroz, bacalhoada, suflês, sopas, churrascos. Cheguei
[10] mesmo a dedicar metade de um livro poético-
filosófico a uma meditação sobre o filme A festa de
Babette, que é uma celebração da comida como ritual
de feitiçaria. Sabedor das minhas limitações e
competências, nunca escrevi como chef. Escrevi
[15] como filósofo, poeta, psicanalista e teólogo − porque
a culinária estimula todas essas funções do
pensamento.
As comidas, para mim, são entidades oníricas.
Provocam a minha capacidade de sonhar. Nunca
[20] imaginei, entretanto, que chegaria um dia em que a
pipoca iria me fazer sonhar. Pois foi precisamente
isso que aconteceu. A pipoca, milho mirrado, grãos
redondos e duros, me pareceu uma simples
molecagem, brincadeira deliciosa, sem dimensões
[25] metafísicas ou psicanalíticas. Entretanto, dias atrás,
conversando com uma paciente, ela mencionou a
pipoca. E algo inesperado na minha mente aconteceu.
Minhas ideias começaram a estourar como pipoca.
Percebi, então, a relação metafórica entre a pipoca e o
[30] ato de pensar. Um bom pensamento nasce como uma
pipoca que estoura, de forma inesperada e
imprevisível. A pipoca se revelou a mim, então, como
um extraordinário objeto poético. Poético porque, ao
pensar nelas, as pipocas, meu pensamento se pôs a dar
[35] estouros e pulos como aqueles das pipocas dentro de
uma panela.
Lembrei-me do sentido religioso da pipoca. A
pipoca tem sentido religioso? Pois tem. Para os
cristãos, religiosos são o pão e o vinho, que
[40] simbolizam o corpo e o sangue de Cristo, a mistura de
vida e alegria (porque vida, só vida, sem alegria, não
é vida...). Pão e vinho devem ser bebidos juntos. Vida
e alegria devem existir juntas. Lembrei-me, então, de
lição que aprendi com a Mãe Stella, sábia poderosa
[45] do candomblé baiano: que a pipoca é a comida
sagrada do candomblé...
A pipoca é um milho mirrado,
subdesenvolvido. Fosse eu agricultor ignorante, e se
no meio dos meus milhos graúdos aparecessem
[50] aquelas espigas nanicas, eu ficaria bravo e trataria de
me livrar delas. Pois o fato é que, sob o ponto de vista
do tamanho, os milhos da pipoca não podem competir
com os milhos normais. Não sei como isso aconteceu,
mas o fato é que houve alguém que teve a ideia de
[55] debulhar as espigas e colocá-las numa panela sobre o
fogo, esperando que assim os grãos amolecessem e
pudessem ser comidos. Havendo fracassado a
experiência com água, tentou a gordura. O que
aconteceu, ninguém jamais poderia ter imaginado.
[60] Repentinamente os grãos começaram a estourar,
saltavam da panela com uma enorme barulheira. Mas
o extraordinário era o que acontecia com eles: os
grãos duros quebra-dentes se transformavam em
flores brancas e macias que até as crianças podiam
[65] comer. O estouro das pipocas se transformou, então,
de uma simples operação culinária, em uma festa,
brincadeira, molecagem, para os risos de todos,
especialmente as crianças. É muito divertido ver o
estouro das pipocas!
[70] E o que é que isso tem a ver com o
candomblé? É que a transformação do milho duro em
pipoca macia é símbolo da grande transformação
porque devem passar os homens para que eles
venham a ser o que devem ser. O milho da pipoca não
[75] é o que deve ser. Ele deve ser aquilo que acontece
depois do estouro. O milho da pipoca somos nós:
duros, quebra-dentes, impróprios para comer, pelo
poder do fogo podemos, repentinamente, nos
transformar em outra coisa − voltar a ser crianças!
[80] Mas a transformação só acontece pelo poder
do fogo. Milho de pipoca que não passa pelo fogo
continua a ser milho de pipoca, para sempre. Assim
acontece com a gente. As grandes transformações
acontecem quando passamos pelo fogo. Quem não
[85] passa pelo fogo fica do mesmo jeito, a vida inteira.
São pessoas de uma mesmice e dureza assombrosas.
Só que elas não percebem. Acham que o seu jeito de
ser é o melhor jeito de ser. Mas, de repente, vem o
fogo. O fogo é quando a vida nos lança numa situação
[90] que nunca imaginamos. Dor. Pode ser fogo de fora:
perder um amor, perder um filho, ficar doente, perder
um emprego, ficar pobre. Pode ser fogo de dentro.
Pânico, medo, ansiedade, depressão − sofrimentos
cujas causas ignoramos. Há sempre o recurso aos
[95] remédios. Apagar o fogo. Sem fogo o sofrimento
diminui. E com isso a possibilidade da grande
transformação.
Imagino que a pobre pipoca, fechada dentro
da panela, lá dentro ficando cada vez mais quente,
[100] pense que sua hora chegou: vai morrer. De dentro de
sua casca dura, fechada em si mesma, ela não pode
imaginar destino diferente. Não pode imaginar a
transformação que está sendo preparada. A pipoca
não imagina aquilo de que ela é capaz. Aí, sem aviso
[105] prévio, pelo poder do fogo, a grande transformação
acontece: pum! − e ela aparece como uma outra coisa,
completamente diferente, que ela mesma nunca havia
sonhado. É a lagarta rastejante e feia que surge do
casulo como borboleta voante.
[110] Na simbologia cristã o milagre do milho de
pipoca está representado pela morte e ressurreição de
Cristo: a ressurreição é o estouro do milho de pipoca.
É preciso deixar de ser de um jeito para ser de outro.
"Morre e transforma-te!" − dizia Goethe.
[115] Em Minas, todo mundo sabe o que é piruá.
Falando sobre os piruás com os paulistas descobri que
eles ignoram o que seja. Alguns, inclusive, acharam
que era gozação minha, que piruá é palavra
inexistente. Cheguei a ser forçado a me valer do
[120] Aurélio para confirmar o meu conhecimento da
língua. Piruá é o milho de pipoca que se recusa a
estourar. Meu amigo William, extraordinário
professor-pesquisador da Unicamp, especializou-se
em milhos, e desvendou cientificamente o assombro
[125] do estouro da pipoca. Com certeza ele tem uma
explicação científica para os piruás. Mas, no mundo
da poesia as explicações científicas não valem. Por
exemplo: em Minas "piruá" é o nome que se dá às
mulheres que não conseguiram casar. Minha prima,
[130] passada dos quarenta, lamentava: "Fiquei piruá!" Mas
acho que o poder metafórico dos piruás é muito
maior. Piruás são aquelas pessoas que, por mais que o
fogo esquente, se recusam a mudar. Elas acham que
não pode existir coisa mais maravilhosa do que o jeito
[135] delas serem. Ignoram o dito de Jesus: "Quem
preservar a sua vida perde-la-á." A sua presunção e o
seu medo são a dura casca do milho que não estoura.
O destino delas é triste. Vão ficar duras a vida inteira.
Não vão se transformar na flor branca macia. Não vão
[140] dar alegria para ninguém. Terminado o estouro alegre
da pipoca, no fundo da panela ficam os piruás que não
servem para nada. Seu destino é o lixo. Quanto às
pipocas que estouraram, são adultos que voltaram a
ser crianças e que sabem que a vida é uma grande
[145] brincadeira...
Disponível em http://www.releituras.com/rubemalves_pipoca.asp. Acessado em 31 de mai. 2016.
OBS.: O texto foi adaptado às regras do Novo Acordo Ortográfico.
Com base no texto, responda à questão.
Assinale a opção em que a expressão sublinhada NÃO cumpre a função de sujeito.
Questão 67 10364990
EFOMM 2017Analisando os mecanismos de coesão, assinale a opção em que o termo sublinhado NÃO retoma o termo antecedente, mas funciona como elemento sequencial ou de conexão
Questão 66 10364980
EFOMM 2017A PIPOCA
Rubem Alves
A culinária me fascina. De vez em quando eu
até me até atrevo a cozinhar. Mas o fato é que sou
mais competente com as palavras que com as panelas.
Por isso tenho mais escrito sobre comidas que
[5] cozinhado. Dedico-me a algo que poderia ter o nome
de "culinária literária". Já escrevi sobre as mais
variadas entidades do mundo da cozinha: cebolas,
ora-pro-nóbis, picadinho de carne com tomate feijão e
arroz, bacalhoada, suflês, sopas, churrascos. Cheguei
[10] mesmo a dedicar metade de um livro poético-
filosófico a uma meditação sobre o filme A festa de
Babette, que é uma celebração da comida como ritual
de feitiçaria. Sabedor das minhas limitações e
competências, nunca escrevi como chef. Escrevi
[15] como filósofo, poeta, psicanalista e teólogo − porque
a culinária estimula todas essas funções do
pensamento.
As comidas, para mim, são entidades oníricas.
Provocam a minha capacidade de sonhar. Nunca
[20] imaginei, entretanto, que chegaria um dia em que a
pipoca iria me fazer sonhar. Pois foi precisamente
isso que aconteceu. A pipoca, milho mirrado, grãos
redondos e duros, me pareceu uma simples
molecagem, brincadeira deliciosa, sem dimensões
[25] metafísicas ou psicanalíticas. Entretanto, dias atrás,
conversando com uma paciente, ela mencionou a
pipoca. E algo inesperado na minha mente aconteceu.
Minhas ideias começaram a estourar como pipoca.
Percebi, então, a relação metafórica entre a pipoca e o
[30] ato de pensar. Um bom pensamento nasce como uma
pipoca que estoura, de forma inesperada e
imprevisível. A pipoca se revelou a mim, então, como
um extraordinário objeto poético. Poético porque, ao
pensar nelas, as pipocas, meu pensamento se pôs a dar
[35] estouros e pulos como aqueles das pipocas dentro de
uma panela.
Lembrei-me do sentido religioso da pipoca. A
pipoca tem sentido religioso? Pois tem. Para os
cristãos, religiosos são o pão e o vinho, que
[40] simbolizam o corpo e o sangue de Cristo, a mistura de
vida e alegria (porque vida, só vida, sem alegria, não
é vida...). Pão e vinho devem ser bebidos juntos. Vida
e alegria devem existir juntas. Lembrei-me, então, de
lição que aprendi com a Mãe Stella, sábia poderosa
[45] do candomblé baiano: que a pipoca é a comida
sagrada do candomblé...
A pipoca é um milho mirrado,
subdesenvolvido. Fosse eu agricultor ignorante, e se
no meio dos meus milhos graúdos aparecessem
[50] aquelas espigas nanicas, eu ficaria bravo e trataria de
me livrar delas. Pois o fato é que, sob o ponto de vista
do tamanho, os milhos da pipoca não podem competir
com os milhos normais. Não sei como isso aconteceu,
mas o fato é que houve alguém que teve a ideia de
[55] debulhar as espigas e colocá-las numa panela sobre o
fogo, esperando que assim os grãos amolecessem e
pudessem ser comidos. Havendo fracassado a
experiência com água, tentou a gordura. O que
aconteceu, ninguém jamais poderia ter imaginado.
[60] Repentinamente os grãos começaram a estourar,
saltavam da panela com uma enorme barulheira. Mas
o extraordinário era o que acontecia com eles: os
grãos duros quebra-dentes se transformavam em
flores brancas e macias que até as crianças podiam
[65] comer. O estouro das pipocas se transformou, então,
de uma simples operação culinária, em uma festa,
brincadeira, molecagem, para os risos de todos,
especialmente as crianças. É muito divertido ver o
estouro das pipocas!
[70] E o que é que isso tem a ver com o
candomblé? É que a transformação do milho duro em
pipoca macia é símbolo da grande transformação
porque devem passar os homens para que eles
venham a ser o que devem ser. O milho da pipoca não
[75] é o que deve ser. Ele deve ser aquilo que acontece
depois do estouro. O milho da pipoca somos nós:
duros, quebra-dentes, impróprios para comer, pelo
poder do fogo podemos, repentinamente, nos
transformar em outra coisa − voltar a ser crianças!
[80] Mas a transformação só acontece pelo poder
do fogo. Milho de pipoca que não passa pelo fogo
continua a ser milho de pipoca, para sempre. Assim
acontece com a gente. As grandes transformações
acontecem quando passamos pelo fogo. Quem não
[85] passa pelo fogo fica do mesmo jeito, a vida inteira.
São pessoas de uma mesmice e dureza assombrosas.
Só que elas não percebem. Acham que o seu jeito de
ser é o melhor jeito de ser. Mas, de repente, vem o
fogo. O fogo é quando a vida nos lança numa situação
[90] que nunca imaginamos. Dor. Pode ser fogo de fora:
perder um amor, perder um filho, ficar doente, perder
um emprego, ficar pobre. Pode ser fogo de dentro.
Pânico, medo, ansiedade, depressão − sofrimentos
cujas causas ignoramos. Há sempre o recurso aos
[95] remédios. Apagar o fogo. Sem fogo o sofrimento
diminui. E com isso a possibilidade da grande
transformação.
Imagino que a pobre pipoca, fechada dentro
da panela, lá dentro ficando cada vez mais quente,
[100] pense que sua hora chegou: vai morrer. De dentro de
sua casca dura, fechada em si mesma, ela não pode
imaginar destino diferente. Não pode imaginar a
transformação que está sendo preparada. A pipoca
não imagina aquilo de que ela é capaz. Aí, sem aviso
[105] prévio, pelo poder do fogo, a grande transformação
acontece: pum! − e ela aparece como uma outra coisa,
completamente diferente, que ela mesma nunca havia
sonhado. É a lagarta rastejante e feia que surge do
casulo como borboleta voante.
[110] Na simbologia cristã o milagre do milho de
pipoca está representado pela morte e ressurreição de
Cristo: a ressurreição é o estouro do milho de pipoca.
É preciso deixar de ser de um jeito para ser de outro.
"Morre e transforma-te!" − dizia Goethe.
[115] Em Minas, todo mundo sabe o que é piruá.
Falando sobre os piruás com os paulistas descobri que
eles ignoram o que seja. Alguns, inclusive, acharam
que era gozação minha, que piruá é palavra
inexistente. Cheguei a ser forçado a me valer do
[120] Aurélio para confirmar o meu conhecimento da
língua. Piruá é o milho de pipoca que se recusa a
estourar. Meu amigo William, extraordinário
professor-pesquisador da Unicamp, especializou-se
em milhos, e desvendou cientificamente o assombro
[125] do estouro da pipoca. Com certeza ele tem uma
explicação científica para os piruás. Mas, no mundo
da poesia as explicações científicas não valem. Por
exemplo: em Minas "piruá" é o nome que se dá às
mulheres que não conseguiram casar. Minha prima,
[130] passada dos quarenta, lamentava: "Fiquei piruá!" Mas
acho que o poder metafórico dos piruás é muito
maior. Piruás são aquelas pessoas que, por mais que o
fogo esquente, se recusam a mudar. Elas acham que
não pode existir coisa mais maravilhosa do que o jeito
[135] delas serem. Ignoram o dito de Jesus: "Quem
preservar a sua vida perde-la-á." A sua presunção e o
seu medo são a dura casca do milho que não estoura.
O destino delas é triste. Vão ficar duras a vida inteira.
Não vão se transformar na flor branca macia. Não vão
[140] dar alegria para ninguém. Terminado o estouro alegre
da pipoca, no fundo da panela ficam os piruás que não
servem para nada. Seu destino é o lixo. Quanto às
pipocas que estouraram, são adultos que voltaram a
ser crianças e que sabem que a vida é uma grande
[145] brincadeira...
Disponível em http://www.releituras.com/rubemalves_pipoca.asp. Acessado em 31 de mai. 2016.
OBS.: O texto foi adaptado às regras do Novo Acordo Ortográfico.
Com base no texto, responda à questão.
O autor faz uso, de uma figura de linguagem, a metonímia, na passagem:
Questão 18 10309498
CMBH 1° ano prova de Língua portuguesa 2017TEXTO:
GERAÇÃO CELULAR
Nos dias de hoje, encontrar um adolescente que não tenha
um celular é tão improvável quanto achar um menino de 13 anos
que seja fã de ópera ou uma menina de 15 que não se preocupe
com a aparência. Nenhum grupo incorporou tão rápida e
[5] amplamente a tecnologia à sua rotina quanto os jovens de 12 a
19 anos. No Brasil, em janeiro de 2009, a Agência Nacional de
Telecomunicações (Anatel) contabilizou 154,6 milhões de
assinantes de telefonia móvel e, embora a agência e o Instituto
Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) não tenham
[10] informações sobre a faixa etária dos proprietários dos aparelhos,
é possível perceber o interesse dos adolescentes por celulares.
Mas qual o efeito causado pelo uso constante desses aparelhos nos relacionamentos e no comportamento?
Nos últimos anos, cientistas alemães estudaram essa questão minuciosamente e, por meio de entrevistas com
adolescentes e seus pais – observando atitudes dos estudantes na escola, linguagem e conteúdo de mensagens
[15] enviadas e recebidas – foi possível mapear o “comportamento telefônico” dos grupos. Os pesquisadores
constataram que os celulares mudaram a vida dos adolescentes sob vários aspectos – muitos deles para melhor.
Um exemplo disso foi na organização do dia. Assim, como para os adultos, o celular ajuda os adolescentes a
manterem o controle da sua vida: é possível informar os pais de que estão saindo da aula, avisar sobre seus
planos para a tarde, marcar atividades escolares e lúdicas – tudo simultaneamente. Hoje, em vez de agendar
[20] encontros com os amigos, com antecedência, como se fazia há alguns anos, os jovens planejam suas atividades
quando já estão a caminho delas e, em um curto período de tempo, são capazes de preparar uma festa.
Símbolo de status, a escolha do aparelho é vista por esses rapazes e garotas como expressão da própria
personalidade. Modelos, cores e recursos são temas de conversa e, em alguns meios, podem indicar o grau
de popularidade de seus proprietários. Alguns jovens usam o celular como uma espécie de “gerenciador de
[25] relacionamentos”: ele serve como centro de controle de uma rede social, principalmente quando se trata de
pessoas da mesma idade. E possuir um aparelho próprio pode ser um pressuposto básico para fazer parte de
um grupo: quem não é “encontrável” acaba excluído da comunicação de algumas turmas.
A maioria dos jovens que usam celulares concorda que é importante seguir algumas regras, que
entre pessoas de outras faixas etárias poderiam ser facilmente contestadas. Por exemplo, julgam
[30] grosseiro não enviar uma resposta rápida para um recado deixado na caixa postal ou um SMS
(short message service, em inglês): um “atraso” de 20 a 40 minutos ainda é aceitável – mais do que isso,
costuma ser tomado como falta de educação. Mais: o celular pode (e deve) ser utilizado a toda hora e em
qualquer lugar. Muitas vezes, no caminho da escola para casa, eles ligam para os amigos com quem
acabaram de passar a manhã. Para muitos adultos, é difícil entender esse desejo excessivo de
[35] comunicação. O que pode haver de tão importante para ser dito com tanta urgência?
Pesquisadores consideram, porém, a possibilidade de que adolescentes que, de antemão, já estejam
em um bom estado de ânimo usem mais o celular. Porém, a argumentação inversa parece, no mínimo,
igualmente plausível: a perspectiva de encontrar os amigos a qualquer momento, em qualquer lugar,
ajuda a controlar a insegurança e a solidão.
[40] Por mais importante que o celular se tenha tornado na vida da nova geração, não existe nenhum
indício de que a comunicação por telefone substitua os encontros pessoais. Os programas com amigos
são tão importantes hoje quanto antigamente, porém, além de se encontrar, eles permanecem em intenso
contato eletrônico – e isso vale tanto para os amigos quanto para os casais.
O advento do celular também mudou relacionamentos familiares e despertou controvérsias. Por um
[45] lado, existem questões bem práticas a serem relevadas, como o valor da conta no final do mês e a
sensação de que os adultos têm de não entender muito bem a necessidade dos filhos de usar tanto esses
aparelhos. Por outro, o celular interfere na estrutura de poder entre pais e filhos. Na puberdade, o desejo
parental de controle e a necessidade de liberdade dos adolescentes entram, inevitavelmente, em conflito.
Isso acontece em todas as gerações – o celular, porém, modificou a forma como esses impasses são
[50] resolvidos. Assim, o limite entre estar em casa e estar fora torna-se confuso. Um jovem com celular
próprio pode entrar em contato com seus amigos a qualquer momento e em qualquer lugar, sem a
interferência dos pais. E estes, por sua vez, podem participar mais intensamente da vida de seus filhos.
O telefone móvel ainda pode ter outras graves consequências para os jovens. Como ocorre com toda
nova tecnologia, existe o risco de abuso. Alguns estudos isolados indicam que jovens podem desenvolver
[55] dependência do celular. Em uma pesquisa americana, feita em 2005, foi pedido a 102 universitários que
passassem dois dias inteiros sem usar o aparelho. Apenas 82 concordaram e somente 12 conseguiram chegar
ao fim da experiência. Já um estudo da Coreia do Sul, coordenado por Jee Hyun Ha, em 2006, mostrou que
principalmente alunos que passam por momentos difíceis e sentem-se emocionalmente abalados tendem a
usar demais o celular. Em um grupo de 575 voluntários – a maioria meninos – um terço cometia excessos:
[60] esses adolescentes usavam o telefone mais de 90 vezes por dia, em média, uma vez a cada dez minutos,
enquanto estavam acordados. Eles checavam constantemente se tinham recebido novas mensagens e reagiam
com irritação quando não obtinham respostas imediatas. Ao mesmo tempo, os usuários assíduos tinham
resultados piores do que os moderados em testes que avaliavam depressão, ansiedade e baixa autoestima.
(Fonte: www2.uol.com.br>geraçao_celular – adaptado)
Vocabulário
Parental: relativo/relacionado a parentes: pai e mãe

O trecho destacado é agente oracional de processo verbal em:
06
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