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Questões de EFAF Português - Leitura e Interpretação de Texto

Filtro rápido

7.497 Questões

Marca Texto
Modo Escuro
Fonte

Questão 2 11965167
Fácil 00:00

Prova Brasil Portugues 2011
  • EFAF Português
  • Sugira
  • Leitura e Interpretação de Texto
  • Argumentativo Coesão (elem. coesivos) e Coerência
  • Exibir tags
Resolução comentada

Vínculos, as equações da matemática da vida

 

    Quando você forma um vínculo com

alguém, forma uma aliança. Não é à toa que o

uso de alianças é um dos símbolos mais

antigos e universais do casamento. O círculo

[5] dá a noção de ligação, de fluxo, de

continuidade. Quando se forma um vínculo, a

energia flui. E o vínculo só se mantém vivo se

essa energia continuar fluindo. Essa é a ideia

de mutualidade, de troca.

[10]    Nessa caminhada da vida, ora andamos

de mãos dadas, em sintonia, deixando a

energia fluir, ora nos distanciamos. Desvios

sempre existem. Podemos nos perder em um

deles e nos reencontrar logo adiante. A busca

[15] é permanente. O que não se pode é ficar

constantemente fora de sintonia.

    Antigamente, dizia-se que as pessoas

procuravam se completar através do outro,

buscando sua metade no mundo. A equação

[20] era: 1/2 + 1/2 = 1.

    "Para eu ser feliz para sempre na vida,

tenho que ser a metade do outro." Naquela

loteria do casamento, tirar a sorte grande era

achar a sua cara-metade.

[25]    Com o passar do tempo, as pessoas foram

desenvolvendo um sentido de individualização

maior e a equação mudou. Ficou: 1 + 1= 1.

    "Eu tenho que ser eu, uma pessoa inteira,

com todas as minhas qualidades, meus

[30] defeitos, minhas limitações. Vou formar uma

unidade com meu companheiro, que também

é um ser inteiro." Mas depois que esses dois

seres inteiros se encontravam, era comum

fundirem-se, ficarem grudados num

[35] casamento fechado, tradicional. Anulavam-se

mutuamente.

    Com a revolução sexual e os movimentos

de libertação feminina, o processo de

individuação que vinha acontecendo se

[40] radicalizou. E a equação mudou de novo:

1 + 1= 1 + 1.

    Era o "cada um na sua". "Eu tenho que

resolver os meus problemas, cuidar da minha

própria vida. Você deve fazer o mesmo. Na

[45] minha independência total e autossuficiência

absoluta, caso com você, que também é

assim." Em nome dessa independência, no

entanto, faltou sintonia, cumplicidade e

compromisso afetivo. É a segunda crise do

[50] casamento que acompanhamos nas décadas

de 70 e 80.

    Atualmente, após todas essas

experiências, eu sinto as pessoas procurando

outro tipo de equação: 1 + 1 = 3.

[55]    Para a aritmética ela pode não ter lógica,

mas faz sentido do ponto de vista emocional e

existencial. Existem você, eu e a nossa

relação. O vínculo entre nós é algo diferente

de uma simples somatória de nós dois. Nessa

[60] proposta de casamento, o que é meu é meu,

o que é seu é seu e o que é nosso é nosso.

    Talvez aí esteja a grande mágica que hoje

buscamos, a de preservar a individualidade

sem destruir o vínculo afetivo. Tenho que

[65] preservar o meu eu, meu processo de

descoberta, realização e crescimento, sem

destruir a relação. Por outro lado, tenho que

preservar o vínculo sem destruir a

individualidade, sem me anular.

[70]    Acho que assim talvez possamos chegar

ao ano 2000 um pouco menos divididos entre

a sede de expressão individual e a fome de

amor e de partilhar a vida. Um pouco mais

inteiros e felizes.

[75]    Para isso, temos que compartilhar com

nossos companheiros de uma verdadeira

intimidade. Ser íntimo é ser próximo, é estar

estreitamente ligado por laços de afeição e

confiança.

(MATARAZZO, Maria Helena. Amar é preciso. 22. ed. São Paulo: Editora Gente, 1992. p. 19-21)

O texto trata PRINCIPALMENTE

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Questão 1 11965147
Fácil 00:00

Prova Brasil Portugues 2011
  • EFAF Português
  • Sugira
  • Leitura e Interpretação de Texto
  • Gêneros textuais - Verbais/Narrativos
  • Conto
  • Exibir tags
Resolução comentada

O SAPO

 

    Era uma vez um lindo príncipe por quem todas as moças se apaixonavam. Por ele também se apaixonou a bruxa horrenda que o pediu em casamento. O príncipe nem ligou e a bruxa ficou muito brava. "Se não vai casar comigo não vai se casar com ninguém mais!" Olhou fundo nos olhos dele e disse: "Você vai virar um sapo!" Ao ouvir esta palavra o príncipe sentiu estremeção. Teve medo. Acreditou. E ele virou aquilo que a palavra feitiço tinha dito. Sapo. Virou um sapo.

(ALVES, Rubem. A alegria de ensinar. Ars Poética, 1994.)

 

No trecho "O príncipe NEM LIGOU e a bruxa ficou muito brava.", a expressão destacada significa que

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Questão 39 10868745
Fácil 00:00

Liceu-SP 2011
  • EFAF Português
  • Sugira
  • Leitura e Interpretação de Texto Morfologia
  • Gêneros textuais - Verbais/Narrativos Pronome
  • Conto
  • Exibir tags
Resolução comentada

Leia o texto a seguir para responder à questão.

Uma Galinha

Clarice Lispector

 

    Era uma galinha de domingo. Ainda viva porque não passava de nove horas da manhã.

    Parecia calma. Desde sábado encolhera-se num canto da cozinha. Não olhava para ninguém, ninguém olhava para ela. Mesmo quando a escolheram, apalpando sua intimidade com indiferença, não souberam dizer se era gorda ou magra. Nunca se adivinharia nela um anseio.
    Foi pois uma surpresa quando a viram abrir as asas de curto vôo, inchar o peito e, em dois ou três lances, alcançar a murada do terraço. Um instante ainda vacilou o tempo da cozinheira dar um grito e em breve estava no terraço do vizinho, de onde, em outro vôo desajeitado, alcançou um telhado. Lá ficou em adorno deslocado, hesitando ora num, ora noutro pé. A família foi chamada com urgência e consternada viu o almoço junto de uma chaminé. O dono da casa lembrando-se da dupla necessidade de fazer esporadicamente algum esporte e de almoçar vestiu radiante um calção de banho e resolveu seguir o itinerário da galinha: em pulos cautelosos alcançou o telhado onde esta hesitante e trêmula escolhia com urgência outro rumo. A perseguição tornou-se mais intensa. De telhado a telhado foi percorrido mais de um quarteirão da rua. Pouco afeita a uma luta mais selvagem pela vida a galinha tinha que decidir por si mesma os caminhos a tomar sem nenhum auxílio de sua raça. O rapaz, porém, era um caçador adormecido. E por mais ínfima que fosse a presa o grito de conquista havia soado. [...]
    Estúpida, tímida e livre. Não vitoriosa como seria um galo em fuga. Que é que havia nas suas vísceras que fazia dela um ser? A galinha é um ser. É verdade que não se poderia contar com ela para nada. Nem ela própria contava consigo, como o galo crê na sua crista. Sua única vantagem é que havia tantas galinhas que morrendo uma surgiria no mesmo instante outra tão igual como se fora a mesma.
    Afinal, numa das vezes em que parou para gozar sua fuga, o rapaz alcançou-a. Entre gritos e penas, ela foi presa. Em seguida carregada em triunfo por uma asa através das telhas e pousada no chão da cozinha com certa violência. Ainda tonta, sacudiu-se um pouco, em cacarejos roucos e indecisos.
    Foi então que aconteceu. De pura afobação a galinha pôs um ovo. Surpreendida, exausta. Talvez fosse prematuro. Mas logo depois, nascida que fora para a maternidade, parecia uma velha mãe habituada. Sentou-se sobre o ovo e assim ficou respirando, abotoando e desabotoando os olhos. Seu coração tão pequeno num prato solevava e abaixava as penas enchendo de tepidez aquilo que nunca passaria de um ovo. Só a menina estava perto e assistiu a tudo estarrecida. Mal porém conseguiu desvencilhar-se do acontecimento despregou-se do chão e saiu aos gritos:
    - Mamãe, mamãe, não mate mais a galinha, ela pôs um ovo! Ela quer o nosso bem!
    Todos correram de novo à cozinha e rodearam mudos a jovem parturiente. Esquentando seu filho, esta não era nem suave nem arisca, nem alegre nem triste, não era nada, era uma galinha. O que não sugeria nenhum sentimento especial. O pai, a mãe e a filha olhavam já há algum tempo, sem propriamente um pensamento qualquer. Nunca ninguém acariciou uma cabeça de galinha. O pai afinal decidiu-se com certa brusquidão:
    - Se você mandar matar esta galinha nunca mais comerei galinha na minha vida!
    - Eu também! Jurou a menina com ardor.
    A mãe, cansada, deu de ombros.

    Inconsciente da vida que lhe fora entregue, a galinha passou a morar com a família. [...]

    A galinha tornara-se a rainha da casa. [...].
    Até que um dia mataram-na, comeram-na e passaram-se anos.

(Laços de família: contos. 24 ed. Rio de Janeiro: Francisco Alves, 1991, p.43-6. Adaptado.)

No trecho "Inconsciente da vida que lhe fora entregue, a galinha passou a morar com a família", o pronome oblíquo "lhe" foi empregado na forma

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Questão 38 10868744
Fácil 00:00

Liceu-SP 2011
  • EFAF Português
  • Sugira
  • Leitura e Interpretação de Texto
  • Coesão (elem. coesivos) e Coerência Estratégias de leitura Gêneros textuais - Verbais/Narrativos
  • Conto
  • Exibir tags
Resolução comentada

Leia o texto a seguir para responder à questão.

Uma Galinha

Clarice Lispector

 

    Era uma galinha de domingo. Ainda viva porque não passava de nove horas da manhã.

    Parecia calma. Desde sábado encolhera-se num canto da cozinha. Não olhava para ninguém, ninguém olhava para ela. Mesmo quando a escolheram, apalpando sua intimidade com indiferença, não souberam dizer se era gorda ou magra. Nunca se adivinharia nela um anseio.
    Foi pois uma surpresa quando a viram abrir as asas de curto vôo, inchar o peito e, em dois ou três lances, alcançar a murada do terraço. Um instante ainda vacilou o tempo da cozinheira dar um grito e em breve estava no terraço do vizinho, de onde, em outro vôo desajeitado, alcançou um telhado. Lá ficou em adorno deslocado, hesitando ora num, ora noutro pé. A família foi chamada com urgência e consternada viu o almoço junto de uma chaminé. O dono da casa lembrando-se da dupla necessidade de fazer esporadicamente algum esporte e de almoçar vestiu radiante um calção de banho e resolveu seguir o itinerário da galinha: em pulos cautelosos alcançou o telhado onde esta hesitante e trêmula escolhia com urgência outro rumo. A perseguição tornou-se mais intensa. De telhado a telhado foi percorrido mais de um quarteirão da rua. Pouco afeita a uma luta mais selvagem pela vida a galinha tinha que decidir por si mesma os caminhos a tomar sem nenhum auxílio de sua raça. O rapaz, porém, era um caçador adormecido. E por mais ínfima que fosse a presa o grito de conquista havia soado. [...]
    Estúpida, tímida e livre. Não vitoriosa como seria um galo em fuga. Que é que havia nas suas vísceras que fazia dela um ser? A galinha é um ser. É verdade que não se poderia contar com ela para nada. Nem ela própria contava consigo, como o galo crê na sua crista. Sua única vantagem é que havia tantas galinhas que morrendo uma surgiria no mesmo instante outra tão igual como se fora a mesma.
    Afinal, numa das vezes em que parou para gozar sua fuga, o rapaz alcançou-a. Entre gritos e penas, ela foi presa. Em seguida carregada em triunfo por uma asa através das telhas e pousada no chão da cozinha com certa violência. Ainda tonta, sacudiu-se um pouco, em cacarejos roucos e indecisos.
    Foi então que aconteceu. De pura afobação a galinha pôs um ovo. Surpreendida, exausta. Talvez fosse prematuro. Mas logo depois, nascida que fora para a maternidade, parecia uma velha mãe habituada. Sentou-se sobre o ovo e assim ficou respirando, abotoando e desabotoando os olhos. Seu coração tão pequeno num prato solevava e abaixava as penas enchendo de tepidez aquilo que nunca passaria de um ovo. Só a menina estava perto e assistiu a tudo estarrecida. Mal porém conseguiu desvencilhar-se do acontecimento despregou-se do chão e saiu aos gritos:
    - Mamãe, mamãe, não mate mais a galinha, ela pôs um ovo! Ela quer o nosso bem!
    Todos correram de novo à cozinha e rodearam mudos a jovem parturiente. Esquentando seu filho, esta não era nem suave nem arisca, nem alegre nem triste, não era nada, era uma galinha. O que não sugeria nenhum sentimento especial. O pai, a mãe e a filha olhavam já há algum tempo, sem propriamente um pensamento qualquer. Nunca ninguém acariciou uma cabeça de galinha. O pai afinal decidiu-se com certa brusquidão:
    - Se você mandar matar esta galinha nunca mais comerei galinha na minha vida!
    - Eu também! Jurou a menina com ardor.
    A mãe, cansada, deu de ombros.

    Inconsciente da vida que lhe fora entregue, a galinha passou a morar com a família. [...]

    A galinha tornara-se a rainha da casa. [...].
    Até que um dia mataram-na, comeram-na e passaram-se anos.

(Laços de família: contos. 24 ed. Rio de Janeiro: Francisco Alves, 1991, p.43-6. Adaptado.)

O final do conto expressa a ideia de

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Questão 37 10868739
Fácil 00:00

Liceu-SP 2011
  • EFAF Português
  • Sugira
  • Leitura e Interpretação de Texto
  • Figuras de Linguagem Gêneros textuais - Verbais/Narrativos
  • Conto
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Resolução comentada

Leia o texto a seguir para responder à questão.

Uma Galinha

Clarice Lispector

 

    Era uma galinha de domingo. Ainda viva porque não passava de nove horas da manhã.

    Parecia calma. Desde sábado encolhera-se num canto da cozinha. Não olhava para ninguém, ninguém olhava para ela. Mesmo quando a escolheram, apalpando sua intimidade com indiferença, não souberam dizer se era gorda ou magra. Nunca se adivinharia nela um anseio.
    Foi pois uma surpresa quando a viram abrir as asas de curto vôo, inchar o peito e, em dois ou três lances, alcançar a murada do terraço. Um instante ainda vacilou o tempo da cozinheira dar um grito e em breve estava no terraço do vizinho, de onde, em outro vôo desajeitado, alcançou um telhado. Lá ficou em adorno deslocado, hesitando ora num, ora noutro pé. A família foi chamada com urgência e consternada viu o almoço junto de uma chaminé. O dono da casa lembrando-se da dupla necessidade de fazer esporadicamente algum esporte e de almoçar vestiu radiante um calção de banho e resolveu seguir o itinerário da galinha: em pulos cautelosos alcançou o telhado onde esta hesitante e trêmula escolhia com urgência outro rumo. A perseguição tornou-se mais intensa. De telhado a telhado foi percorrido mais de um quarteirão da rua. Pouco afeita a uma luta mais selvagem pela vida a galinha tinha que decidir por si mesma os caminhos a tomar sem nenhum auxílio de sua raça. O rapaz, porém, era um caçador adormecido. E por mais ínfima que fosse a presa o grito de conquista havia soado. [...]
    Estúpida, tímida e livre. Não vitoriosa como seria um galo em fuga. Que é que havia nas suas vísceras que fazia dela um ser? A galinha é um ser. É verdade que não se poderia contar com ela para nada. Nem ela própria contava consigo, como o galo crê na sua crista. Sua única vantagem é que havia tantas galinhas que morrendo uma surgiria no mesmo instante outra tão igual como se fora a mesma.
    Afinal, numa das vezes em que parou para gozar sua fuga, o rapaz alcançou-a. Entre gritos e penas, ela foi presa. Em seguida carregada em triunfo por uma asa através das telhas e pousada no chão da cozinha com certa violência. Ainda tonta, sacudiu-se um pouco, em cacarejos roucos e indecisos.
    Foi então que aconteceu. De pura afobação a galinha pôs um ovo. Surpreendida, exausta. Talvez fosse prematuro. Mas logo depois, nascida que fora para a maternidade, parecia uma velha mãe habituada. Sentou-se sobre o ovo e assim ficou respirando, abotoando e desabotoando os olhos. Seu coração tão pequeno num prato solevava e abaixava as penas enchendo de tepidez aquilo que nunca passaria de um ovo. Só a menina estava perto e assistiu a tudo estarrecida. Mal porém conseguiu desvencilhar-se do acontecimento despregou-se do chão e saiu aos gritos:
    - Mamãe, mamãe, não mate mais a galinha, ela pôs um ovo! Ela quer o nosso bem!
    Todos correram de novo à cozinha e rodearam mudos a jovem parturiente. Esquentando seu filho, esta não era nem suave nem arisca, nem alegre nem triste, não era nada, era uma galinha. O que não sugeria nenhum sentimento especial. O pai, a mãe e a filha olhavam já há algum tempo, sem propriamente um pensamento qualquer. Nunca ninguém acariciou uma cabeça de galinha. O pai afinal decidiu-se com certa brusquidão:
    - Se você mandar matar esta galinha nunca mais comerei galinha na minha vida!
    - Eu também! Jurou a menina com ardor.
    A mãe, cansada, deu de ombros.

    Inconsciente da vida que lhe fora entregue, a galinha passou a morar com a família. [...]

    A galinha tornara-se a rainha da casa. [...].
    Até que um dia mataram-na, comeram-na e passaram-se anos.

(Laços de família: contos. 24 ed. Rio de Janeiro: Francisco Alves, 1991, p.43-6. Adaptado.)

O clímax do conto é o

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Questão 36 10868738
Fácil 00:00

Liceu-SP 2011
  • EFAF Português
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  • Conto
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Resolução comentada

Leia o texto a seguir para responder à questão.

Uma Galinha

Clarice Lispector

 

    Era uma galinha de domingo. Ainda viva porque não passava de nove horas da manhã.

    Parecia calma. Desde sábado encolhera-se num canto da cozinha. Não olhava para ninguém, ninguém olhava para ela. Mesmo quando a escolheram, apalpando sua intimidade com indiferença, não souberam dizer se era gorda ou magra. Nunca se adivinharia nela um anseio.
    Foi pois uma surpresa quando a viram abrir as asas de curto vôo, inchar o peito e, em dois ou três lances, alcançar a murada do terraço. Um instante ainda vacilou o tempo da cozinheira dar um grito e em breve estava no terraço do vizinho, de onde, em outro vôo desajeitado, alcançou um telhado. Lá ficou em adorno deslocado, hesitando ora num, ora noutro pé. A família foi chamada com urgência e consternada viu o almoço junto de uma chaminé. O dono da casa lembrando-se da dupla necessidade de fazer esporadicamente algum esporte e de almoçar vestiu radiante um calção de banho e resolveu seguir o itinerário da galinha: em pulos cautelosos alcançou o telhado onde esta hesitante e trêmula escolhia com urgência outro rumo. A perseguição tornou-se mais intensa. De telhado a telhado foi percorrido mais de um quarteirão da rua. Pouco afeita a uma luta mais selvagem pela vida a galinha tinha que decidir por si mesma os caminhos a tomar sem nenhum auxílio de sua raça. O rapaz, porém, era um caçador adormecido. E por mais ínfima que fosse a presa o grito de conquista havia soado. [...]
    Estúpida, tímida e livre. Não vitoriosa como seria um galo em fuga. Que é que havia nas suas vísceras que fazia dela um ser? A galinha é um ser. É verdade que não se poderia contar com ela para nada. Nem ela própria contava consigo, como o galo crê na sua crista. Sua única vantagem é que havia tantas galinhas que morrendo uma surgiria no mesmo instante outra tão igual como se fora a mesma.
    Afinal, numa das vezes em que parou para gozar sua fuga, o rapaz alcançou-a. Entre gritos e penas, ela foi presa. Em seguida carregada em triunfo por uma asa através das telhas e pousada no chão da cozinha com certa violência. Ainda tonta, sacudiu-se um pouco, em cacarejos roucos e indecisos.
    Foi então que aconteceu. De pura afobação a galinha pôs um ovo. Surpreendida, exausta. Talvez fosse prematuro. Mas logo depois, nascida que fora para a maternidade, parecia uma velha mãe habituada. Sentou-se sobre o ovo e assim ficou respirando, abotoando e desabotoando os olhos. Seu coração tão pequeno num prato solevava e abaixava as penas enchendo de tepidez aquilo que nunca passaria de um ovo. Só a menina estava perto e assistiu a tudo estarrecida. Mal porém conseguiu desvencilhar-se do acontecimento despregou-se do chão e saiu aos gritos:
    - Mamãe, mamãe, não mate mais a galinha, ela pôs um ovo! Ela quer o nosso bem!
    Todos correram de novo à cozinha e rodearam mudos a jovem parturiente. Esquentando seu filho, esta não era nem suave nem arisca, nem alegre nem triste, não era nada, era uma galinha. O que não sugeria nenhum sentimento especial. O pai, a mãe e a filha olhavam já há algum tempo, sem propriamente um pensamento qualquer. Nunca ninguém acariciou uma cabeça de galinha. O pai afinal decidiu-se com certa brusquidão:
    - Se você mandar matar esta galinha nunca mais comerei galinha na minha vida!
    - Eu também! Jurou a menina com ardor.
    A mãe, cansada, deu de ombros.

    Inconsciente da vida que lhe fora entregue, a galinha passou a morar com a família. [...]

    A galinha tornara-se a rainha da casa. [...].
    Até que um dia mataram-na, comeram-na e passaram-se anos.

(Laços de família: contos. 24 ed. Rio de Janeiro: Francisco Alves, 1991, p.43-6. Adaptado.)

A personagem principal é uma galinha

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