Questões de EFAF Português - Leitura e Interpretação de Texto
7.497 Questões
Questão 15 11996105
Prova Brasil Portugues 2011Magia das árvores
— Eu já lhe disse que as árvores fazem
frutos do nada e isso é a mais pura magia.
Pense agora como as árvores são grandes e
fortes, velhas e generosas e só pedem em
[5] troca um pouquinho de luz, água, ar e terra. É
tanto por tão pouco! Quase toda a magia da
árvore vem da raiz. Sob a terra, todas as
árvores se unem. É como se estivessem de
mãos dadas. Você pode aprender muito sobre
[10] paciência estudando as raízes. Elas vão
penetrando no solo devagarinho, vencendo a
resistência mesmo dos solos mais duros. Aos
poucos vão crescendo até acharem água.
Não erram nunca a direção. Pedi uma vez a
[15] um velho pinheiro que me explicasse por que
as raízes nunca se enganam quando
procuram água e ele me disse que as outras
árvores que já acharam água ajudam as que
ainda estão procurando.
[20] — E se a árvore estiver plantada sozinha
num prado?
— As árvores se comunicam entre si, não
importa a distância. Na verdade, nenhuma
árvore está sozinha. Ninguém está sozinho.
[25] Jamais. Lembre-se disso.
Máqui. Magia das árvores. São Paulo: FTD, 1992.
No trecho "Ninguém está sozinho. Jamais. Lembre-se disso."
(ℓ.24-25), as frases curtas produzem o efeito de
Questão 14 11996096
Prova Brasil Portugues 2011Texto I
Cinquenta camundongos, alguns dos quais clones de clones, derrubaram os obstáculos técnicos à clonagem. Eles foram produzidos por dois cientistas da Universidade do Havaí num estudo considerado revolucionário pela revista britânica "Nature", uma das mais importantes do mundo. [...]
A notícia de que cientistas da Universidade do Havaí desenvolveram uma técnica eficiente de clonagem fez muitos pesquisadores temerem o uso do método para clonar seres humanos.
O GLOBO. Caderno Ciências e Vida. 23 jul. 1998, p. 36.
Texto II
Cientistas dos EUA anunciaram a clonagem de 50 ratos a partir de células de animais adultos, inclusive de alguns já clonados. Seriam os primeiros clones de clones, segundo estudos publicados na edição de hoje da revista "Nature".
A técnica empregada na pesquisa teria um aproveitamento de embriões — da fertilização ao nascimento — três vezes maior que a técnica utilizada por pesquisadores britânicos para gerar a ovelha Dolly.
Folha De S. Paulo. 1º caderno – Mundo. 03 jul. 1998, p.16.
Os dois textos tratam de clonagem.
Qual aspecto dessa questão é tratado apenas no texto I ?
Questão 12 11996046
Prova Brasil Portugues 2011Duas Almas
Ó tu, que vens de longe, ó tu, que vens
cansada,
entra, e sob este teto encontrarás
carinho: eu nunca fui amado, e vivo tão sozinho,
[5] vives sozinha sempre, e nunca foste amada...
A neve anda a branquear, lividamente, a
estrada,
e a minha alcova tem a tepidez de um ninho.
Entra, ao menos até que as curvas do caminho
[10] se banhem no esplendor nascente da alvorada.
E amanhã, quando a luz do sol dourar, radiosa,
essa estrada sem fim, deserta, imensa e nua,
podes partir de novo, ó nômade formosa!
[15] Já não serei tão só, nem irás tão sozinha.
Há de ficar comigo uma saudade tua...
Hás de levar contigo uma saudade minha...
WAMOSY, Alceu. Livro dos sonetos. L&PM.
No verso "e a minha alcova tem a tepidez de um ninho" (v. 6), a expressão sublinhada dá sentido de um lugar
Questão 11 11996016
Prova Brasil Portugues 2011Seja criativo: fuja das desculpas manjadas
Entrevista com teens, pais e psicólogos
mostram que os adolescentes dizem sempre
a mesma coisa quando voltam tarde de uma
festa. Conheça seis desculpas entre as mais
[5] usadas. Uma sugestão: evite-as. Os pais
não acreditam.
-Nós tivemos que ajudar uma senhora
que estava passando muito mal. Até o
socorro chegar... A gente não podia deixar a
[10] pobre velhinha sozinha, não é?
-O pai do amigo que ia me trazer
bateu o carro. Mas não se preocupem,
ninguém se machucou!
-Cheguei um minuto depois do ônibus
[15] ter partido. Aí tive de ficar horas esperando
uma carona...
-Você acredita que o meu relógio
parou e eu nem percebi?
-Mas vocês disseram que hoje eu
[20] podia chegar tarde, não se lembram?
-Eu tentei avisar que ia me atrasar,
mas o telefone daqui só dava ocupado!
De acordo com o texto, os pais não acreditam em
Questão 10 11995950
Prova Brasil Portugues 2011O Encontro
(fragmento)
Em redor, o vasto campo. Mergulhado em
névoa branda, o verde era pálido e opaco.
Contra o céu, erguiam-se os negros
penhascos tão retos que pareciam recortados
[5] a faca. Espetado na ponta da pedra mais alta,
o sol espiava atrás de uma nuvem.
"Onde, meu Deus?! – perguntava a mim
mesma – Onde vi esta mesma paisagem,
numa tarde assim igual?"
[10] Era a primeira vez que eu pisava naquele
lugar. Nas minhas andanças pelas
redondezas, jamais fora além do vale. Mas
nesse dia, sem nenhum cansaço, transpus a
colina e cheguei ao campo. Que calma! E que
[15] desolação. Tudo aquilo – disso estava bem
certa – era completamente inédito pra mim.
Mas por que então o quadro se identificava,
em todas as minúcias, a uma imagem
semelhante lá nas profundezas da minha
[20] memória? Voltei-me para o bosque que se
estendia à minha direita. Esse bosque eu
também já conhecera com sua folhagem cor
de brasa dentro de uma névoa dourada. "Já vi
tudo isto, já vi...Mas onde? E quando?"
[25] Fui andando em direção aos penhascos.
Atravessei o campo. E cheguei à boca do
abismo cavado entre as pedras. Um vapor
denso subia como um hálito daquela garganta
de cujo fundo insondável vinha um
[30] remotíssimo som de água corrente. Aquele
som eu também conhecia. Fechei os olhos.
"Mas se nunca estive aqui! Sonhei, foi isso?
Percorri em sonho estes lugares e agora os
encontro palpáveis, reais? Por uma dessas
[35] extraordinárias coincidências teria eu
antecipado aquele passeio enquanto dormia?"
Sacudi a cabeça, não, a lembrança – tão
antiga quanto viva – escapava da
inconsciência de um simples sonho.[...]
TELLES, Lygia Fagundes. Oito contos de amor. São Paulo: Ática.
Na frase "Já vi tudo isso, já vi...Mas onde?" (ℓ. 23-24), o uso das reticências sugere
Questão 9 11965719
Prova Brasil Portugues 2011O boto e a Baía da Guanabara
Piraiaguara sentiu um grande orgulho de
ser carioca. Se o Atobá Maroto tinha dado
nome para as ilhas, ele e todos os outros
botos eram muito mais importantes. Eles
[5] eram o símbolo daquele lugar privilegiado: a
cidade do Rio de Janeiro.
- A "mui leal e heróica cidade de São
Sebastião do Rio de Janeiro".
Piraiaguara fazia questão de lembrar do
[10] título, e também de toda a história da cidade e
da Baía de Guanabara.
Os outros botos zombavam dele:
- Leal? Uma cidade que quase acabou
conosco, que poluiu a baía? Heroica? Uma
[15] cidade que expulsou as baleias, destruiu os
mangues e quase não nos deixou sardinhas
para comer? Olha aí para o fundo e vê quanto
cano e lixo essa cidade jogou aqui dentro!
- Acorda do encantamento, Piraia-
[20] guara! O Rio de Janeiro e a Baía de
Guanabara foram bonitos sim, mas isso foi há
muito tempo. Não adianta ficar suspirando
pela beleza do Morro do Castelo, ou pelas
praias e pela mata que desapareceram. Olha
[25] que, se continuar sonhando acordado, você
vai acabar sendo atropelado por um navio!
O medo e a tristeza passavam por ele
como um arrepio de dor. Talvez nenhum outro
boto sentisse tanto a violência da destruição
[30] da Guanabara. Mas, certamente, ninguém
conseguia enxergar tão bem as belezas
daquele lugar.
Num instante, o arrepio passava, e a
alegria brotava de novo em seu coração.
HETZEL, B. Piraiaguara. São Paulo: Ática, 2000. p. 16 – 20.
Em "se continuar sonhando acordado, você vai acabar sendo atropelado por um navio!" (ℓ.25-26), o termo sublinhado estabelece, nesse trecho, relação de
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