Questões de EFAF Português
15.488 Questões
Questão 9 14994554
COLTEC 2024Releia um trecho do capítulo VIII, “É tempo”, retirado da obra Dom Casmurro, de Machado de Assis:
“[...] Agora é que eu ia começar a minha ópera. ‘A vida é uma ópera’, dizia-me um velho tenor italiano que aqui viveu e morreu... E explicou-me um dia a definição, em tal maneira que me fez crer nela. Talvez valha a pena dá-la; é só um capítulo.”
Em seguida a esse fragmento, inicia-se, na narrativa, o capítulo IX, nomeado “A ópera”, em que Marcolini explica ao narrador-personagem a teoria que formulou.
Acerca dessa teoria, é INCORRETO afirmar que ela
Questão 8 14994547
COLTEC 2024 Vento solar e estrelas do mar
A terra azul da cor de seu vestido
Vento solar e estrelas do mar
Você ainda quer morar comigo?
Se eu cantar, não chore não
É só poesia
Eu só preciso ter você
Por mais um dia
Ainda gosto de dançar
Bom dia
Como vai você?
Sol, girassol, verde, vento solar
Você ainda quer morar comigo?
Vento solar e estrelas do mar
Um girassol da cor de seu cabelo
Se eu morrer, não chore não
É só a Lua
É seu vestido cor de maravilha nua
Ainda moro nesta mesma rua
Como vai você?
Você vem?
Ou será que é tarde demais?
O meu pensamento tem a cor de seu vestido?
Ou um girassol que tem a cor de seu cabelo?
O meu pensamento tem a cor de seu vestido?
Ou um girassol que tem a cor de seu cabelo?
Música e poesia se entrelaçam de forma nítida na canção “Um girassol da cor do seu cabelo”, de Márcio e Lô Borges (1972).
Dentre as alternativas a seguir, referentes à composição, aquela que NÃO representa traço característico do gênero lírico é
Questão 6 14994524
COLTEC 2024Releia o Canto III do poema O Navio Negreiro, de Castro Alves:
“Desce do espaço imenso, ó águia do oceano!
Desce mais... inda mais... não pode olhar humano
Como o teu mergulhar no brigue voador!
Mas que vejo eu aí... Que quadro d’amarguras!
É canto funeral!... Que tétricas figuras!...
Que cena infame e vil... Meu Deus! Meu Deus! Que horror!
A respeito desse fragmento e de sua inserção no poema narrativo como um todo, assinale a alternativa INCORRETA.
Questão 5 14994522
COLTEC 2024Leia o texto abaixo antes de responder à questão.
A palavra surgiu em resposta ao substantivo utopia para significar o oposto deste: um pesadelo político-social em vez de um lugar que atingiu a perfeição nesse sentido, como o imaginado pelo inglês Thomas Morus (1478-1535) no livro para cujo título criou seu neologismo de imenso sucesso, com base nos elementos gregos ou + topos, “não lugar”.
O pesadelo do qual não se acorda
A distopia, nascida como nome de gênero literário, sintetiza nosso tempo
Parece quase distópico, fruto de alguma distorção no espaço-tempo da linguagem e do pensamento: a palavra distopia, séria candidata a termo-síntese da experiência humana neste início de século, não constava dos nossos dicionários poucos anos atrás.
Ou melhor, constava, mas com outro sentido. O Aurélio e o Houaiss registravam distopia apenas como um termo médico que quer dizer “localização anômala de um órgão no corpo”.
Essa, na verdade, é outra palavra. A distopia que virou figurinha fácil em nosso vocabulário – e hoje já é aceita pelo Houaiss, que bom – nada tem a ver com medicina, embora se refira a doenças metafóricas que atacam o organismo social.
Veio do inglês “dystopia” e a princípio se restringia ao vocabulário das artes, em especial da literatura, nomeando um gênero narrativo consolidado no século passado como cruzamento entre ficção científica e sátira política.
A palavra surgiu em resposta ao substantivo utopia para significar o oposto deste: um pesadelo político-social em vez de um lugar que atingiu a perfeição nesse sentido, como o imaginado pelo inglês Thomas Morus (1478-1535) no livro para cujo título criou seu neologismo de imenso sucesso, com base nos elementos gregos ou + topos, “não lugar”.
Perto de utopia, palavra consagrada e já com meio milênio no lombo, distopia ainda é uma criança. Como toda criança, não para de crescer. Segundo os etimologistas, seu ano de estreia na crítica literária de língua inglesa é 1952. Bem antes disso, em 1868, o filósofo John Stuart Mill – mais um inglês nessa história – tinha sacado a palavra da manga como novidade absoluta.
Num discurso crítico ao governo, disse: “Talvez seja elogioso demais rotulá-los de utópicos, melhor seria chamá-los distópicos, cacotópicos”. Registre-se o pioneirismo de Mill, mas seu neologismo de ocasião passou décadas sendo apenas isso mesmo. Não pegou – não logo.
Quando foram lançados por outros dois ingleses os livros que se tornariam as matrizes do gênero distópico –“Admirável Mundo Novo”, de Aldous Huxley, em 1932, e “1984”, de George Orwell, em 1949 –, a palavra ainda não circulava. Logo grudaria nesses romances para sempre, mas de modo retroativo.
Dos anos 60 aos 90 do século passado, enquanto eram ignorados pelos dicionaristas, o substantivo distopia e o adjetivo distópico faziam aparições esparsas na imprensa brasileira como anglicismos úteis, mas eruditos. A maioria das aparições se dava nas páginas de crítica literária.
Em janeiro de 1983, nesta Folha, o jornalista Sérgio Augusto se queixou do insucesso da palavra no Brasil: “Num país como o nosso, cuja economia parece administrada por Didi, Dedé, Mussum e Zacarias [do antigo programa humorístico “Os Trapalhões”], a palavra distopia deveria andar à solta na boca do povo.”
Bem, o xará pode ficar tranquilo: chegamos lá. Foi preciso que o mundo piorasse bem mais, mergulhando na distopia real do colapso climático, do populismo de extrema-direita, da revitalização retrógrada do nacionalismo, do racismo e do fundamentalismo religioso, da burrice epidêmica da Terra plana e das teorias conspiratórias mais descabeladas.
[...] Foi preciso que a economia, em vez da comédia leve dos Trapalhões, encontrasse seu símile num filme de terror como “O Massacre da Serra Elétrica”. A realidade ficou inimaginável sem a distopia.
Sérgio Rodrigues
Escritor e jornalista, autor de “O Drible” e “Viva a Língua Brasileira”.
RODRIGUES, Sérgio. Disponível em: https://www1.folha.uol.com.br/colunas/sergio-rodrigues/2022/06/o-pesadelo-do qual-nao-se-acorda.shtml. Acesso em: 17 jun. 22. (Adapt.)
Assinale a alternativa em que há vírgula justificada pelo deslocamento de algum termo da ordem sintática direta.
Questão 3 14994509
COLTEC 2024Leia o texto abaixo antes de responder à questão.
A palavra surgiu em resposta ao substantivo utopia para significar o oposto deste: um pesadelo político-social em vez de um lugar que atingiu a perfeição nesse sentido, como o imaginado pelo inglês Thomas Morus (1478-1535) no livro para cujo título criou seu neologismo de imenso sucesso, com base nos elementos gregos ou + topos, “não lugar”.
O pesadelo do qual não se acorda
A distopia, nascida como nome de gênero literário, sintetiza nosso tempo
Parece quase distópico, fruto de alguma distorção no espaço-tempo da linguagem e do pensamento: a palavra distopia, séria candidata a termo-síntese da experiência humana neste início de século, não constava dos nossos dicionários poucos anos atrás.
Ou melhor, constava, mas com outro sentido. O Aurélio e o Houaiss registravam distopia apenas como um termo médico que quer dizer “localização anômala de um órgão no corpo”.
Essa, na verdade, é outra palavra. A distopia que virou figurinha fácil em nosso vocabulário – e hoje já é aceita pelo Houaiss, que bom – nada tem a ver com medicina, embora se refira a doenças metafóricas que atacam o organismo social.
Veio do inglês “dystopia” e a princípio se restringia ao vocabulário das artes, em especial da literatura, nomeando um gênero narrativo consolidado no século passado como cruzamento entre ficção científica e sátira política.
A palavra surgiu em resposta ao substantivo utopia para significar o oposto deste: um pesadelo político-social em vez de um lugar que atingiu a perfeição nesse sentido, como o imaginado pelo inglês Thomas Morus (1478-1535) no livro para cujo título criou seu neologismo de imenso sucesso, com base nos elementos gregos ou + topos, “não lugar”.
Perto de utopia, palavra consagrada e já com meio milênio no lombo, distopia ainda é uma criança. Como toda criança, não para de crescer. Segundo os etimologistas, seu ano de estreia na crítica literária de língua inglesa é 1952. Bem antes disso, em 1868, o filósofo John Stuart Mill – mais um inglês nessa história – tinha sacado a palavra da manga como novidade absoluta.
Num discurso crítico ao governo, disse: “Talvez seja elogioso demais rotulá-los de utópicos, melhor seria chamá-los distópicos, cacotópicos”. Registre-se o pioneirismo de Mill, mas seu neologismo de ocasião passou décadas sendo apenas isso mesmo. Não pegou – não logo.
Quando foram lançados por outros dois ingleses os livros que se tornariam as matrizes do gênero distópico –“Admirável Mundo Novo”, de Aldous Huxley, em 1932, e “1984”, de George Orwell, em 1949 –, a palavra ainda não circulava. Logo grudaria nesses romances para sempre, mas de modo retroativo.
Dos anos 60 aos 90 do século passado, enquanto eram ignorados pelos dicionaristas, o substantivo distopia e o adjetivo distópico faziam aparições esparsas na imprensa brasileira como anglicismos úteis, mas eruditos. A maioria das aparições se dava nas páginas de crítica literária.
Em janeiro de 1983, nesta Folha, o jornalista Sérgio Augusto se queixou do insucesso da palavra no Brasil: “Num país como o nosso, cuja economia parece administrada por Didi, Dedé, Mussum e Zacarias [do antigo programa humorístico “Os Trapalhões”], a palavra distopia deveria andar à solta na boca do povo.”
Bem, o xará pode ficar tranquilo: chegamos lá. Foi preciso que o mundo piorasse bem mais, mergulhando na distopia real do colapso climático, do populismo de extrema-direita, da revitalização retrógrada do nacionalismo, do racismo e do fundamentalismo religioso, da burrice epidêmica da Terra plana e das teorias conspiratórias mais descabeladas.
[...] Foi preciso que a economia, em vez da comédia leve dos Trapalhões, encontrasse seu símile num filme de terror como “O Massacre da Serra Elétrica”. A realidade ficou inimaginável sem a distopia.
Sérgio Rodrigues
Escritor e jornalista, autor de “O Drible” e “Viva a Língua Brasileira”.
RODRIGUES, Sérgio. Disponível em: https://www1.folha.uol.com.br/colunas/sergio-rodrigues/2022/06/o-pesadelo-do qual-nao-se-acorda.shtml. Acesso em: 17 jun. 22. (Adapt.)
O trecho em que o(s) termo(s) sublinhado(s) NÃO pertence(m) à linguagem conotativa/figurada é:
Questão 1 14994473
COLTEC 2024Leia o texto abaixo antes de responder à questão.
A palavra surgiu em resposta ao substantivo utopia para significar o oposto deste: um pesadelo político-social em vez de um lugar que atingiu a perfeição nesse sentido, como o imaginado pelo inglês Thomas Morus (1478-1535) no livro para cujo título criou seu neologismo de imenso sucesso, com base nos elementos gregos ou + topos, “não lugar”.
O pesadelo do qual não se acorda
A distopia, nascida como nome de gênero literário, sintetiza nosso tempo
Parece quase distópico, fruto de alguma distorção no espaço-tempo da linguagem e do pensamento: a palavra distopia, séria candidata a termo-síntese da experiência humana neste início de século, não constava dos nossos dicionários poucos anos atrás.
Ou melhor, constava, mas com outro sentido. O Aurélio e o Houaiss registravam distopia apenas como um termo médico que quer dizer “localização anômala de um órgão no corpo”.
Essa, na verdade, é outra palavra. A distopia que virou figurinha fácil em nosso vocabulário – e hoje já é aceita pelo Houaiss, que bom – nada tem a ver com medicina, embora se refira a doenças metafóricas que atacam o organismo social.
Veio do inglês “dystopia” e a princípio se restringia ao vocabulário das artes, em especial da literatura, nomeando um gênero narrativo consolidado no século passado como cruzamento entre ficção científica e sátira política.
A palavra surgiu em resposta ao substantivo utopia para significar o oposto deste: um pesadelo político-social em vez de um lugar que atingiu a perfeição nesse sentido, como o imaginado pelo inglês Thomas Morus (1478-1535) no livro para cujo título criou seu neologismo de imenso sucesso, com base nos elementos gregos ou + topos, “não lugar”.
Perto de utopia, palavra consagrada e já com meio milênio no lombo, distopia ainda é uma criança. Como toda criança, não para de crescer. Segundo os etimologistas, seu ano de estreia na crítica literária de língua inglesa é 1952. Bem antes disso, em 1868, o filósofo John Stuart Mill – mais um inglês nessa história – tinha sacado a palavra da manga como novidade absoluta.
Num discurso crítico ao governo, disse: “Talvez seja elogioso demais rotulá-los de utópicos, melhor seria chamá-los distópicos, cacotópicos”. Registre-se o pioneirismo de Mill, mas seu neologismo de ocasião passou décadas sendo apenas isso mesmo. Não pegou – não logo.
Quando foram lançados por outros dois ingleses os livros que se tornariam as matrizes do gênero distópico –“Admirável Mundo Novo”, de Aldous Huxley, em 1932, e “1984”, de George Orwell, em 1949 –, a palavra ainda não circulava. Logo grudaria nesses romances para sempre, mas de modo retroativo.
Dos anos 60 aos 90 do século passado, enquanto eram ignorados pelos dicionaristas, o substantivo distopia e o adjetivo distópico faziam aparições esparsas na imprensa brasileira como anglicismos úteis, mas eruditos. A maioria das aparições se dava nas páginas de crítica literária.
Em janeiro de 1983, nesta Folha, o jornalista Sérgio Augusto se queixou do insucesso da palavra no Brasil: “Num país como o nosso, cuja economia parece administrada por Didi, Dedé, Mussum e Zacarias [do antigo programa humorístico “Os Trapalhões”], a palavra distopia deveria andar à solta na boca do povo.”
Bem, o xará pode ficar tranquilo: chegamos lá. Foi preciso que o mundo piorasse bem mais, mergulhando na distopia real do colapso climático, do populismo de extrema-direita, da revitalização retrógrada do nacionalismo, do racismo e do fundamentalismo religioso, da burrice epidêmica da Terra plana e das teorias conspiratórias mais descabeladas.
[...] Foi preciso que a economia, em vez da comédia leve dos Trapalhões, encontrasse seu símile num filme de terror como “O Massacre da Serra Elétrica”. A realidade ficou inimaginável sem a distopia.
Sérgio Rodrigues
Escritor e jornalista, autor de “O Drible” e “Viva a Língua Brasileira”.
RODRIGUES, Sérgio. Disponível em: https://www1.folha.uol.com.br/colunas/sergio-rodrigues/2022/06/o-pesadelo-do qual-nao-se-acorda.shtml. Acesso em: 17 jun. 22. (Adapt.)
A finalidade argumentativa do texto de Sérgio Rodrigues é
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