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Questão 2 10732805
IFSP 2017/2TEXTO
TECNOLOGIA
Para começar, ele nos olha na cara. Não é como a máquina de escrever, que a gente olha de cima, com su-
perioridade. Com ele é olho no olho ou tela no olho. Ele nos desafia. Parece estar dizendo: vamos lá, seu
desprezível pré-eletrônico, mostre o que você sabe fazer. A máquina de escrever faz tudo que você manda,
mesmo que seja a tapa. Com o computador é diferente. Você faz tudo que ele manda. Ou precisa fazer tu-
[5] do ao modo dele, senão ele não aceita. Simplesmente ignora você. Mas se apenas ignorasse ainda seria
suportável. Ele responde. Repreende. Corrige. Uma tela vazia, muda, nenhuma reação aos nossos coman-
dos digitais, tudo bem. Quer dizer, você se sente como aquele cara que cantou a secretária eletrônica. É
um vexame privado. Mas quando você o manda fazer alguma coisa, mas manda errado, ele diz “Errado”.
Não diz “Burro”, mas está implícito. É pior, muito pior. Às vezes, quando a gente erra, ele faz “bip”. Assim,
[10] para todo mundo ouvir. Comecei a usar o computador na redação do jornal e volta e meia errava. E lá vi-
nha ele: “Bip!” “Olha aqui, pessoal: ele errou.” “O burro errou!”
Outra coisa: ele é mais inteligente que você. Sabe muito mais coisa e não tem nenhum pudor em dizer que
sabe. Esse negócio de que qualquer máquina só é tão inteligente quanto quem a usa não vale com ele. Es-
tá subentendido, nas suas relações com o computador, que você jamais aproveitará metade das coisas
[15] que ele tem para oferecer. Que ele só desenvolverá todo o seu potencial quando outro igual a ele o estiver
programando. A máquina de escrever podia ter recursos que você nunca usaria, mas não tinha a mesma
empáfia, o mesmo ar de quem só aguentava os humanos por falta de coisa melhor, no momento. E a má-
quina, mesmo nos seus instantes de maior impaciência conosco, jamais faria “bip” em público.
Dito isto, é preciso dizer também que quem provou pela primeira vez suas letrinhas dificilmente voltará à
[20] máquina de escrever sem a sensação de que está desembarcando de uma Mercedes e voltando à carroça.
Está certo, jamais teremos com ele a mesma confortável cumplicidade que tínhamos com a velha máquina.
É outro tipo de relacionamento, mais formal e exigente. Mas é fascinante. Agora compreendo o entusias-
mo de gente como Millôr Fernandes e Fernando Sabino, que dividem a sua vida profissional em antes dele
e depois dele. Sinto falta do papel e da fiel Bic, sempre pronta a inserir entre uma linha e outra a palavra
[25] que faltou na hora, e que nele foi substituída por um botão, que, além de mais rápido, jamais nos sujará os
dedos, mas acho que estou sucumbindo. Sei que nunca seremos íntimos, mesmo porque ele não ia querer
se rebaixar a ser meu amigo, mas retiro tudo o que pensei sobre ele. Claro que você pode concluir que eu
só estou querendo agradá-lo, precavidamente, mas juro que é sincero.
Quando saí da redação do jornal depois de usar o computador pela primeira vez, cheguei em casa e bati
[30] na minha máquina. Sabendo que ela aguentaria sem reclamar, como sempre, a pobrezinha.
(VERÍSSIMO, Luís Fernando. Pai não entende nada. Porto Alegre: L&PM, 1990, p. 58-60.)
Analise as afirmações abaixo e assinale a alternativa correta.
I. Em “Olha aqui, pessoal: ele errou.” “O burro errou!” as aspas marcam o uso do discurso direto.
II. No enunciado, “Parece estar dizendo: vamos lá, seu desprezível, pré-eletrônico, mostre o que você sabe fazer” os dois-pontos introduzem uma explicação.
III. Em “Comecei a usar o computador na redação do jornal e volta e meia errava” e “Sinto falta do papel e da fiel Bic...” o autor faz uso da primeira pessoa do singular para reforçar a sua opinião a respeito do assunto tratado.
IV. No trecho “Claro que você pode concluir que eu só estou querendo agradá-lo, precavidamente, mas juro que é sincero”, o autor dialoga com o leitor.
Estão corretas as afirmativas
Questão 1 10732798
IFSP 2017/2TEXTO
TECNOLOGIA
Para começar, ele nos olha na cara. Não é como a máquina de escrever, que a gente olha de cima, com su-
perioridade. Com ele é olho no olho ou tela no olho. Ele nos desafia. Parece estar dizendo: vamos lá, seu
desprezível pré-eletrônico, mostre o que você sabe fazer. A máquina de escrever faz tudo que você manda,
mesmo que seja a tapa. Com o computador é diferente. Você faz tudo que ele manda. Ou precisa fazer tu-
[5] do ao modo dele, senão ele não aceita. Simplesmente ignora você. Mas se apenas ignorasse ainda seria
suportável. Ele responde. Repreende. Corrige. Uma tela vazia, muda, nenhuma reação aos nossos coman-
dos digitais, tudo bem. Quer dizer, você se sente como aquele cara que cantou a secretária eletrônica. É
um vexame privado. Mas quando você o manda fazer alguma coisa, mas manda errado, ele diz “Errado”.
Não diz “Burro”, mas está implícito. É pior, muito pior. Às vezes, quando a gente erra, ele faz “bip”. Assim,
[10] para todo mundo ouvir. Comecei a usar o computador na redação do jornal e volta e meia errava. E lá vi-
nha ele: “Bip!” “Olha aqui, pessoal: ele errou.” “O burro errou!”
Outra coisa: ele é mais inteligente que você. Sabe muito mais coisa e não tem nenhum pudor em dizer que
sabe. Esse negócio de que qualquer máquina só é tão inteligente quanto quem a usa não vale com ele. Es-
tá subentendido, nas suas relações com o computador, que você jamais aproveitará metade das coisas
[15] que ele tem para oferecer. Que ele só desenvolverá todo o seu potencial quando outro igual a ele o estiver
programando. A máquina de escrever podia ter recursos que você nunca usaria, mas não tinha a mesma
empáfia, o mesmo ar de quem só aguentava os humanos por falta de coisa melhor, no momento. E a má-
quina, mesmo nos seus instantes de maior impaciência conosco, jamais faria “bip” em público.
Dito isto, é preciso dizer também que quem provou pela primeira vez suas letrinhas dificilmente voltará à
[20] máquina de escrever sem a sensação de que está desembarcando de uma Mercedes e voltando à carroça.
Está certo, jamais teremos com ele a mesma confortável cumplicidade que tínhamos com a velha máquina.
É outro tipo de relacionamento, mais formal e exigente. Mas é fascinante. Agora compreendo o entusias-
mo de gente como Millôr Fernandes e Fernando Sabino, que dividem a sua vida profissional em antes dele
e depois dele. Sinto falta do papel e da fiel Bic, sempre pronta a inserir entre uma linha e outra a palavra
[25] que faltou na hora, e que nele foi substituída por um botão, que, além de mais rápido, jamais nos sujará os
dedos, mas acho que estou sucumbindo. Sei que nunca seremos íntimos, mesmo porque ele não ia querer
se rebaixar a ser meu amigo, mas retiro tudo o que pensei sobre ele. Claro que você pode concluir que eu
só estou querendo agradá-lo, precavidamente, mas juro que é sincero.
Quando saí da redação do jornal depois de usar o computador pela primeira vez, cheguei em casa e bati
[30] na minha máquina. Sabendo que ela aguentaria sem reclamar, como sempre, a pobrezinha.
(VERÍSSIMO, Luís Fernando. Pai não entende nada. Porto Alegre: L&PM, 1990, p. 58-60.)
A crônica é um texto narrativo, em geral curto, que trata de problemas do cotidiano com assuntos e personagens comuns.
Em relação à crônica acima, assinale a alternativa que melhor explica o seu objetivo.
Questão 25 10732754
IFSP 2017/1TEXTO

(Disponível em: http://www.portugues.seed.pr.gov.br/modules/galeria/uploads/1/celular.jpg. Acessado em ago. 2016).
Marque a oração em que ocorre predicado nominal.
Questão 24 10732750
IFSP 2017/1TEXTO

(Disponível em: http://www.portugues.seed.pr.gov.br/modules/galeria/uploads/1/celular.jpg. Acessado em ago. 2016).
Sobre os elementos da língua, usados para estabelecer a conexão entre as partes do texto, assinale a afirmativa INCORRETA.
Questão 23 10732746
IFSP 2017/1TEXTO

(Disponível em: http://www.portugues.seed.pr.gov.br/modules/galeria/uploads/1/celular.jpg. Acessado em ago. 2016).
Analise as afirmativas a seguir referentes aos recursos usados nessa peça publicitária.
I. O texto aborda uma situação que ocorre no contexto de uma interação afetiva.
II. De acordo com o contexto em que é empregada, a expressão vai que acaba expressa advertência frente a uma possibilidade.
III. Apesar das diferenças enquanto produtos, o celular e o guardanapo apresentam, no contexto da propaganda, a mesma função social.
IV. Nessa peça publicitária, o guardanapo, por ser descartável, desvaloriza a mensagem.
Está correto o que se afirma em:
Questão 20 10732735
IFSP 2017/1EM QUALQUER CIRCUNSTÂNCIA
Em qualquer circunstância, como não se trata absolutamente de tirar retrato, natural ou não, posado ou instantâneo, seria o caso de dizer-se, sem trocadilho: - Não olhe para a objetiva e sim para o objetivo.
(QUINTANA, Mário. Porta Giratória. In: Mário Quintana: poesia completa. E um único volume/ organização Tânia Franco Carvalhal. Rio de Janeiro: Nova Aguilar, 2005).
Os advérbios ou locuções adverbiais são empregados para expressar determinadas circunstâncias.
No texto acima, a locução adverbial sem trocadilho expressa circunstância de
06
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