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Questão 7 10739852
CEDAF 2017Texto - A REVOLUÇÃO DO PRECARIADO
Vilma Gryzinski
Entre tantas outras, duas categorias podem ser usadas para dividir a humanidade: a dos que fazem qualquer esforço para ter uma casa própria e a dos que gastam tudo em cerveja no bar. “Cerveja”, evidentemente, é sinônimo de férias deliciosas, a última palavra em eletrônicos, bolsas grifadas ou passeios de barco. “Casa” abrange, entre outras necessidades básicas, viagens com orçamento planejado, pilates, laptop, zapzap e outros dissílabos – além da casa em si. Ambas as categorias fazem isso para tentar abrandar uma das mais básicas e insuportáveis condições da vida, a precariedade. Se eu gastar como marinheiro bêbado em dia de pagamento, o amanhã não vai me surpreender com perdas do que não tenho. Se eu construir uma base sólida, o amanhã não vai me pegar desprevenido sem as coisas que devia ter. Em momentos de crise política, de convulsões econômicas ou de mudanças históricas, formigas e cigarras humanas tremem igualmente com a sensação de extrema instabilidade em sua vida e não adianta truque mental algum para evitar o buraco na barriga que provoca.
O economista inglês Guy Standing começou a usar o termo “precariado” para definir uma nova classe social (...) uma mistura de precário com proletariado, é um fenômeno evidente na Europa. Trata-se de pessoas que têm trabalhos temporários, de baixa remuneração, sem a segurança dos empregos estáveis. Para quem vê a situação com os nossos olhos, os europeus, acolchoados por mecanismos de compensação, reclamam de ventre estufado por décadas de boa vida. A precariedade é praticamente uma condição inerente ao ser brasileiro. Mesmo o que chamamos de estabilidade econômica, tão brutalmente desperdiçada, pareceria uma atividade quase suicida do ponto de vista da Europa. Sair de casa, para muitos de nós, na realidade ou na percepção dela, o que dá no mesmo resultado, equivale a correr um risco de levar um tiro por causa de um celular. Ficar em casa aumenta a probabilidade de que vejamos mais notícias sobre o comportamento dos nobres representantes do povo.
O precariado no senso estrito aumenta a insegurança mesmo daqueles que não estão economicamente incluídos nessa categoria. Disso emana uma sensação de mal-estar que produz resultados instantâneos. Um desses resultados é a queixa de vários países em relação ao fluxo de cidadãos não europeus esgotando os sistemas como as escolas e hospitais. Assim, crescem os partidos de direita que são contrários ao recebimento de imigrantes e refugiados.
É a revolução do precariado, uma espécie de revolta contra as elites globalizadas e desconectadas da vida fora de suas esferas de privilégio, que empurra partidos próximos dos extremos à direita e à esquerda, em geral com o mesmo tom de populismo. No Brasil, essa sensação de falência pode levar o país a se afundar levando consigo cigarras, formigas e todas as outras metáforas com invertebrados que inventamos para evitar o frio na espinha da existência.
Revista Veja, 22 de junho, 2016, p. 30. Texto adaptado.
No período “Se eu gastar como marinheiro bêbado em dia de pagamento, o amanhã não vai me surpreender com perdas do que não tenho.” tem-se, respectivamente:
Questão 5 10739850
CEDAF 2017Texto - A REVOLUÇÃO DO PRECARIADO
Vilma Gryzinski
Entre tantas outras, duas categorias podem ser usadas para dividir a humanidade: a dos que fazem qualquer esforço para ter uma casa própria e a dos que gastam tudo em cerveja no bar. “Cerveja”, evidentemente, é sinônimo de férias deliciosas, a última palavra em eletrônicos, bolsas grifadas ou passeios de barco. “Casa” abrange, entre outras necessidades básicas, viagens com orçamento planejado, pilates, laptop, zapzap e outros dissílabos – além da casa em si. Ambas as categorias fazem isso para tentar abrandar uma das mais básicas e insuportáveis condições da vida, a precariedade. Se eu gastar como marinheiro bêbado em dia de pagamento, o amanhã não vai me surpreender com perdas do que não tenho. Se eu construir uma base sólida, o amanhã não vai me pegar desprevenido sem as coisas que devia ter. Em momentos de crise política, de convulsões econômicas ou de mudanças históricas, formigas e cigarras humanas tremem igualmente com a sensação de extrema instabilidade em sua vida e não adianta truque mental algum para evitar o buraco na barriga que provoca.
O economista inglês Guy Standing começou a usar o termo “precariado” para definir uma nova classe social (...) uma mistura de precário com proletariado, é um fenômeno evidente na Europa. Trata-se de pessoas que têm trabalhos temporários, de baixa remuneração, sem a segurança dos empregos estáveis. Para quem vê a situação com os nossos olhos, os europeus, acolchoados por mecanismos de compensação, reclamam de ventre estufado por décadas de boa vida. A precariedade é praticamente uma condição inerente ao ser brasileiro. Mesmo o que chamamos de estabilidade econômica, tão brutalmente desperdiçada, pareceria uma atividade quase suicida do ponto de vista da Europa. Sair de casa, para muitos de nós, na realidade ou na percepção dela, o que dá no mesmo resultado, equivale a correr um risco de levar um tiro por causa de um celular. Ficar em casa aumenta a probabilidade de que vejamos mais notícias sobre o comportamento dos nobres representantes do povo.
O precariado no senso estrito aumenta a insegurança mesmo daqueles que não estão economicamente incluídos nessa categoria. Disso emana uma sensação de mal-estar que produz resultados instantâneos. Um desses resultados é a queixa de vários países em relação ao fluxo de cidadãos não europeus esgotando os sistemas como as escolas e hospitais. Assim, crescem os partidos de direita que são contrários ao recebimento de imigrantes e refugiados.
É a revolução do precariado, uma espécie de revolta contra as elites globalizadas e desconectadas da vida fora de suas esferas de privilégio, que empurra partidos próximos dos extremos à direita e à esquerda, em geral com o mesmo tom de populismo. No Brasil, essa sensação de falência pode levar o país a se afundar levando consigo cigarras, formigas e todas as outras metáforas com invertebrados que inventamos para evitar o frio na espinha da existência.
Revista Veja, 22 de junho, 2016, p. 30. Texto adaptado.
No segmento, “ ‘Cerveja’, evidentemente, é sinônimo de férias deliciosas, a última palavra em eletrônicos, bolsas grifadas ou passeios de barco.” sugere-se a presença de uma figura de linguagem que pode ser denominada:
Questão 4 10739849
CEDAF 2017O texto a seguir foi extraído do livro O cortiço, de Aluísio Azevedo. A história se passa no Rio de Janeiro da segunda metade do século XIX. O personagem principal é João Romão, um português que possuía uma venda, alugava uma vila de casinhas e explorava uma escrava, ele tinha como verdadeira obsessão enriquecer. Os outros personagens são seus vizinhos ricos, Miranda e família, também as lavadeiras e os trabalhadores braçais que possuem seus próprios problemas e vivem no cortiço tentando conseguir o seu sustento através do trabalho duro diário.
Texto
“E ninguém seria capaz de acreditar que a causa de tudo isso era o fato de ter sido o Miranda agraciado com o título de Barão
Sim, senhor! aquele taverneiro, na aparência tão humilde e tão miserável; aquele sovina que nunca saíra dos seus tamancos e da sua camisa de riscadinho de Angola; aquele animal que se alimentava pior que os cães, para pôr de parte tudo, tudo, que ganhava ou extorquia; aquele ente atrofiado pela cobiça e que parecia ter abdicado dos seus privilégios e sentimentos de homem; aquele desgraçado, que nunca jamais amara senão o dinheiro, invejava agora o Miranda, invejavao deveras, com dobrada amargura do que sofrera o marido de Dona Estela, quando, por sua vez, o invejara a ele. Acompanhara-o desde que o Miranda viera habitar o sobrado com a família; vira-o nas felizes ocasiões da vida, cheio de importância, cercado de amigos e rodeado de aduladores; vira-o dar festas e receber em sua casa as figuras mais salientes da praça e da política; vira-o luzir, com um grosso pião de ouro, girando por entre damas da melhor e mais fina sociedade fluminense; vira-o meter-se em altas especulações comerciais e sair-se bem; vira seu nome figurar em várias corporações de gente escolhida e em subscrições, assinando belas quantias; vira-o fazer parte de festas de caridade e festas de regozijo nacional; vira-o elogiado pela imprensa e aclamado como homem de vistas largas e grande talento financeiro; virao enfim em todas as suas prosperidades, e nunca lhe tivera inveja. Mas agora, estranho deslumbramento quando o vendeiro leu no “Jornal do Comércio” que o vizinho estava barão – Barão! – sentiu tamanho calafrio em todo o corpo, que a vista por um instante se lhe apagou dos olhos.”
O cortiço. Aluísio Azevedo. Série Bom Livro, 22 ed. São Paulo: Editora Ática, 1990, p.79-80.
Nos trechos “... aquele animal que se alimentava pior que os cães...” e “... vira-o nas felizes ocasiões da vida...” os itens marcados funcionam respectivamente como:
Questão 3 10739848
CEDAF 2017O texto a seguir foi extraído do livro O cortiço, de Aluísio Azevedo. A história se passa no Rio de Janeiro da segunda metade do século XIX. O personagem principal é João Romão, um português que possuía uma venda, alugava uma vila de casinhas e explorava uma escrava, ele tinha como verdadeira obsessão enriquecer. Os outros personagens são seus vizinhos ricos, Miranda e família, também as lavadeiras e os trabalhadores braçais que possuem seus próprios problemas e vivem no cortiço tentando conseguir o seu sustento através do trabalho duro diário.
Texto
“E ninguém seria capaz de acreditar que a causa de tudo isso era o fato de ter sido o Miranda agraciado com o título de Barão
Sim, senhor! aquele taverneiro, na aparência tão humilde e tão miserável; aquele sovina que nunca saíra dos seus tamancos e da sua camisa de riscadinho de Angola; aquele animal que se alimentava pior que os cães, para pôr de parte tudo, tudo, que ganhava ou extorquia; aquele ente atrofiado pela cobiça e que parecia ter abdicado dos seus privilégios e sentimentos de homem; aquele desgraçado, que nunca jamais amara senão o dinheiro, invejava agora o Miranda, invejavao deveras, com dobrada amargura do que sofrera o marido de Dona Estela, quando, por sua vez, o invejara a ele. Acompanhara-o desde que o Miranda viera habitar o sobrado com a família; vira-o nas felizes ocasiões da vida, cheio de importância, cercado de amigos e rodeado de aduladores; vira-o dar festas e receber em sua casa as figuras mais salientes da praça e da política; vira-o luzir, com um grosso pião de ouro, girando por entre damas da melhor e mais fina sociedade fluminense; vira-o meter-se em altas especulações comerciais e sair-se bem; vira seu nome figurar em várias corporações de gente escolhida e em subscrições, assinando belas quantias; vira-o fazer parte de festas de caridade e festas de regozijo nacional; vira-o elogiado pela imprensa e aclamado como homem de vistas largas e grande talento financeiro; virao enfim em todas as suas prosperidades, e nunca lhe tivera inveja. Mas agora, estranho deslumbramento quando o vendeiro leu no “Jornal do Comércio” que o vizinho estava barão – Barão! – sentiu tamanho calafrio em todo o corpo, que a vista por um instante se lhe apagou dos olhos.”
O cortiço. Aluísio Azevedo. Série Bom Livro, 22 ed. São Paulo: Editora Ática, 1990, p.79-80.
O texto relata um episódio em que João Romão, cujo nome não aparece citado no trecho, português rude, nos anos de 1850 no Rio de Janeiro, vivia de explorar sua escrava, seus inquilinos e fregueses.
Pela leitura do texto percebe-se que o sentimento de inveja foi despertado quando, certo dia, ele:
Questão 2 10739847
CEDAF 2017O texto a seguir foi extraído do livro O cortiço, de Aluísio Azevedo. A história se passa no Rio de Janeiro da segunda metade do século XIX. O personagem principal é João Romão, um português que possuía uma venda, alugava uma vila de casinhas e explorava uma escrava, ele tinha como verdadeira obsessão enriquecer. Os outros personagens são seus vizinhos ricos, Miranda e família, também as lavadeiras e os trabalhadores braçais que possuem seus próprios problemas e vivem no cortiço tentando conseguir o seu sustento através do trabalho duro diário.
Texto
“E ninguém seria capaz de acreditar que a causa de tudo isso era o fato de ter sido o Miranda agraciado com o título de Barão
Sim, senhor! aquele taverneiro, na aparência tão humilde e tão miserável; aquele sovina que nunca saíra dos seus tamancos e da sua camisa de riscadinho de Angola; aquele animal que se alimentava pior que os cães, para pôr de parte tudo, tudo, que ganhava ou extorquia; aquele ente atrofiado pela cobiça e que parecia ter abdicado dos seus privilégios e sentimentos de homem; aquele desgraçado, que nunca jamais amara senão o dinheiro, invejava agora o Miranda, invejavao deveras, com dobrada amargura do que sofrera o marido de Dona Estela, quando, por sua vez, o invejara a ele. Acompanhara-o desde que o Miranda viera habitar o sobrado com a família; vira-o nas felizes ocasiões da vida, cheio de importância, cercado de amigos e rodeado de aduladores; vira-o dar festas e receber em sua casa as figuras mais salientes da praça e da política; vira-o luzir, com um grosso pião de ouro, girando por entre damas da melhor e mais fina sociedade fluminense; vira-o meter-se em altas especulações comerciais e sair-se bem; vira seu nome figurar em várias corporações de gente escolhida e em subscrições, assinando belas quantias; vira-o fazer parte de festas de caridade e festas de regozijo nacional; vira-o elogiado pela imprensa e aclamado como homem de vistas largas e grande talento financeiro; virao enfim em todas as suas prosperidades, e nunca lhe tivera inveja. Mas agora, estranho deslumbramento quando o vendeiro leu no “Jornal do Comércio” que o vizinho estava barão – Barão! – sentiu tamanho calafrio em todo o corpo, que a vista por um instante se lhe apagou dos olhos.”
O cortiço. Aluísio Azevedo. Série Bom Livro, 22 ed. São Paulo: Editora Ática, 1990, p.79-80.
“Acompanhara-o desde que o Miranda viera ...”, “Vira-o nas felizes ocasiões...”, “vira-o dar festas...” Observe o tempo verbal dos termos destacados.
O uso do tempo mais que perfeito no contexto do episódio indica:
Questão 1 10739846
CEDAF 2017O texto a seguir foi extraído do livro O cortiço, de Aluísio Azevedo. A história se passa no Rio de Janeiro da segunda metade do século XIX. O personagem principal é João Romão, um português que possuía uma venda, alugava uma vila de casinhas e explorava uma escrava, ele tinha como verdadeira obsessão enriquecer. Os outros personagens são seus vizinhos ricos, Miranda e família, também as lavadeiras e os trabalhadores braçais que possuem seus próprios problemas e vivem no cortiço tentando conseguir o seu sustento através do trabalho duro diário.
Texto
“E ninguém seria capaz de acreditar que a causa de tudo isso era o fato de ter sido o Miranda agraciado com o título de Barão
Sim, senhor! aquele taverneiro, na aparência tão humilde e tão miserável; aquele sovina que nunca saíra dos seus tamancos e da sua camisa de riscadinho de Angola; aquele animal que se alimentava pior que os cães, para pôr de parte tudo, tudo, que ganhava ou extorquia; aquele ente atrofiado pela cobiça e que parecia ter abdicado dos seus privilégios e sentimentos de homem; aquele desgraçado, que nunca jamais amara senão o dinheiro, invejava agora o Miranda, invejavao deveras, com dobrada amargura do que sofrera o marido de Dona Estela, quando, por sua vez, o invejara a ele. Acompanhara-o desde que o Miranda viera habitar o sobrado com a família; vira-o nas felizes ocasiões da vida, cheio de importância, cercado de amigos e rodeado de aduladores; vira-o dar festas e receber em sua casa as figuras mais salientes da praça e da política; vira-o luzir, com um grosso pião de ouro, girando por entre damas da melhor e mais fina sociedade fluminense; vira-o meter-se em altas especulações comerciais e sair-se bem; vira seu nome figurar em várias corporações de gente escolhida e em subscrições, assinando belas quantias; vira-o fazer parte de festas de caridade e festas de regozijo nacional; vira-o elogiado pela imprensa e aclamado como homem de vistas largas e grande talento financeiro; virao enfim em todas as suas prosperidades, e nunca lhe tivera inveja. Mas agora, estranho deslumbramento quando o vendeiro leu no “Jornal do Comércio” que o vizinho estava barão – Barão! – sentiu tamanho calafrio em todo o corpo, que a vista por um instante se lhe apagou dos olhos.”
O cortiço. Aluísio Azevedo. Série Bom Livro, 22 ed. São Paulo: Editora Ática, 1990, p.79-80.
O texto pode ser considerado uma narrativa literária porque:
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