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Questão 1 10785549
COLÉGIO SÓLIDO* 6º Ano 2017TEXTO
UM FOGUETE EXTRAORDINÁRIO

Ia casar-se o filho do rei. O país estava em festa. [...] Depois de três dias, celebrou-se o casamento. [...]
À meia-noite devia começar uma grande exibição de fogos de artifício. [...] Depois que o pirotécnico do rei dispôs tudo, os fogos começaram a conversar:
- O mundo é mesmo muito bonito – disse um busca-pé. – Olhem aquelas tulipas amarelas. Mesmo que fossem bombas, não seriam tão bonitas. Tive a sorte de ter viajado: as viagens nos ensinam a julgar as coisas com sabedoria.
- O jardim do rei não é o mundo, seu busca-pé pateta! – replicou um grande fósforo de cor. – Você precisa de três dias para percorrer o mundo.
- O mundo é o lugar de onde a gente gosta – retrucou uma roda de fogo.
Discutiram sobre isso algum tempo, até que ouviram uma tosse forte e seca; todos olharam.
A tosse provinha de um foguete gordo e arrogante, amarrado à ponta de uma vara. Antes de falar, tossia sempre, para chamar a atenção. O foguete tossiu mais uma vez, e começou a falar em tom importante, como se estivesse a ditar suas memórias:
- Que sorte para o filho do rei! Casou-se no mesmo dia em que vou subir. Os príncipes têm muita sorte.
- Onde já se viu! – interrompeu o busca-pé.
- Pensei que fosse justamente o contrário: nós é que vamos ser queimados em homenagem ao príncipe.
- Este pode ser o teu caso, mas não o meu – replicou o foguete. – Comigo, o caso é diferente: sou um foguete importante, de uma família importante. [...] Imaginem só se alguma coisa me acontece esta noite: que desgraça para todos! O príncipe e a princesa nunca mais seriam felizes! O rei, coitado, morreria de dor. Francamente, quando penso na importância da minha posição, chego a derramar lágrimas.
- Cuidado para não ficar molhado – comentou o fósforo de cor.
[...]
A Lua nasceu, e do palácio chegaram sons de música.
O príncipe e a princesa abriram o baile. Dançavam tão bem que até as açucenas se ergueram mais para espiá-los. As outras flores marcaram o compasso. Na última pancada da meia-noite, vieram todos para o terraço, e o rei ordenou ao régio pirotécnico:
- Pode começar.
O pirotécnico fez uma reverência e encaminhou-se para o fundo do parque, acompanhado de seis ajudantes, levando cada um deles um archote.
Foi um espetáculo de fato magnífico.
- Ziz! Ziz! – fazia a roda de fogo girando, girando.
- Bum! Bum! – diziam as bombas.
Todos fizeram grande sucesso, menos o foguete-de-lágrimas. Estava tão úmido por ter chorado que não conseguia pegar fogo. Seus parentes pobres, aos quais sempre falava com ar desdenhoso, subiram ao céu como belas e imensas flores de ouro, despetaladas em luz. A corte aplaudia e a princesa ria, felicíssima.
“Acho que estão me reservando para outra grande solenidade”, pensou o foguete. “Só pode ser isso.”
E sentiu-se ainda mais orgulhoso do que antes.
No dia seguinte, os empregados foram desmanchar a plataforma.
“É uma comitiva que vem falar comigo”, pensou o foguete. “Vou recebê-la com a minha conhecida dignidade.”
Ergueu o nariz, franziu as sobrancelhas, como se estivesse pensando alguma coisa da maior importância. Mas eles não lhe prestaram qualquer atenção. Só quando já se retiravam, um deles gritou:
- Foguete ordinário! Foguete ordinário! – disse ele, enquanto girava. - impossível! Foguete extraordinário, foi isto o que o homem disse. Extraordinário e ordinário soam muito parecidos. [...]
E caiu dentro da lama.
- Não é confortável aqui - observou- mas acho que me enviaram para uma estação de águas a fim de recuperar minha saúde. Meus nervos estão mesmo meio abalados, e preciso de repouso.
[...]
De repente, dois meninos de blusas brancas chegaram trazendo gravetos de lenha e uma chaleira.
“Devem ter sido enviados pelo rei”, pensou o foguete.
- Olha este troço aí!- exclamou um dos meninos, retirando o foguete da lama.
- Este troço! – replicou o foguete. – Devo estar ouvindo muito mal
- Coloca isso também na fogueira – disse o outro menino.
Empilharam os gravetos, puseram o foguete em cima e chegaram-lhe fogo.
- Ótimo! – bradou o foguete. – Vão lançar-me ao espaço em plena luz do dia, para que todos possam ficar encantados comigo.
Enquanto se esquentava a água da chaleira, os meninos cochilaram na relva. O foguete, muito úmido, levou tempo para pegar fogo.
- Afinal, agora parto para o espaço – gritou ele, todo estivadinho. – Irei até a Lua, além de Marte, além do Sol! Irei tão alto que...
Chii!Chii!Chii! E o foguete por fim subiu, a bradar:
- Que delícia! Estou indo para o Cosmo! Que espetáculo!
Mas ninguém reparou nele.
Começou então a sentir por dentro um formigamento esquisito.
“Vou explodir”, pensou. “Vou incendiar o mundo inteiro! Vou dar um estrondo tão fabuloso que ninguém falará de outra coisa durante um ano.”
E, na verdade, explodiu, pois a pólvora cumpriu o seu dever. Mas, ninguém, ninguém, ouviu o estouro do foguete, nem mesmo os meninos deitados sobre a relva.
Do foguete só restou a vareta, que caiu na cabeça de um ganso.
- Deus do céu! – exclamou o ganso. – Começou a chover pedaço de pau.
- Eu sabia que causava furor – murmurou, ofegante, o foguete-de-lágrimas. E morreu.
WILDE, Oscar. In: O príncipe feliz. Tradução e adaptação de Paulo Mendes Campos. Rio de Janeiro: Ediouro, 2005. p. 34-35. ( fragmento)
Glossário
• Pirotécnico: Especialista em fogos de artifício.
• Dispôs: Arrumou
• Régio: Relativo ao ou próprio rei.
• Archote: Facho que se acende com breu para iluminar ao ar livre.
• Desdenhoso: Que demonstra desprezo ou orgulho.
• Estivadinho: Orgulhoso, cheio de si.
• Furor: entusiasmo.
• Foguete: engenho pirotécnico que consiste em um tubo de papelão carregado com pólvora, e que, ao se atear fogo ao pavio, ocorre a expulsão de gases por combustão, que o leva para o alto, onde estoura com ruído; fogo do ar, foguete do ar, fogos, rojão.
O texto é de Oscar Wilde, um irlandês que, com muito humor, escrevia histórias em que criticava a sociedade de seu tempo. Esse texto faz parte do livro O príncipe feliz, que reúne histórias curtas que o autor escreveu para seus filhos.
Nesse texto, o escritor só NÃO faz referência
Questão 20 10783130
Liceu-SP C. Gerais 2017Leia a charge.

(Gazeta do Povo, 12.09.2016. Adaptado)
Na placa, a conjunção “que” expressa sentido de
Questão 18 10783127
Liceu-SP C. Gerais 2017Leia o texto para responder à questão.
Enfim, ali estavam.
E a criança que outro tempo trazia Cordulina tão gorda,
era decerto aquela que lhe pendia do colo, e que agora a tra-
zia tão magra, tão magra que nem uma visagem, que nem a
morte, que só talvez um esqueleto fosse tão magro…
– Por aqui, compadre? Quando chegou?
Chico Bento ouviu a fala e ergueu os olhos, numa surpresa:
– Ah! comadre Conceição! A senhora por aqui? Cheguei
ontem.
A moça dirigiu-se a Cordulina:
– E você, comadre, como vai? Tão fraquinha, hein?
A mulher respondeu tristemente:
– Ai, minha comadre, eu lá sei como vou!… Parece que
ainda estou viva…
– É este o meu afilhado?
Mas Conceição, que tivera a intenção de o tomar ao colo,
recuou ante a asquerosa imundície da criança, contentando-
-se em lhe pegar a mão – uma pequenina garra seca, encascada, encolhida…
– Cadê a bênção da madrinha, Manuel? Não é Manuel o
nome dele?
– É, inhora sim; mas os meninos chamam ele de Duca…
– Vocês vieram de trem, compadre?
– Só do Acarape pra cá. Das Aroeiras até lá tinha-se vindo por terra…
Conceição, que olhava um dos meninos, nu, tão magro
que era um espanto ver aquele ventre tão grande se suster
numas pernas tão finas, horrorizou-se:
– Virgem Maria! Como foi que um bichinho destes aguentou! Só milagre!
Cordulina fez um gesto cansado de mãos. O vaqueiro
murmurou:
– Só Deus Nosso Senhor sabe…
(Raquel de Queirós. O Quinze, 1995)
O emprego das vírgulas em – Ai, minha comadre, eu lá sei como vou!… Parece que ainda estou viva… – (8º parágrafo) se dá pelo mesmo motivo no período:
Questão 17 10783126
Liceu-SP C. Gerais 2017Leia o texto para responder à questão.
Enfim, ali estavam.
E a criança que outro tempo trazia Cordulina tão gorda,
era decerto aquela que lhe pendia do colo, e que agora a tra-
zia tão magra, tão magra que nem uma visagem, que nem a
morte, que só talvez um esqueleto fosse tão magro…
– Por aqui, compadre? Quando chegou?
Chico Bento ouviu a fala e ergueu os olhos, numa surpresa:
– Ah! comadre Conceição! A senhora por aqui? Cheguei
ontem.
A moça dirigiu-se a Cordulina:
– E você, comadre, como vai? Tão fraquinha, hein?
A mulher respondeu tristemente:
– Ai, minha comadre, eu lá sei como vou!… Parece que
ainda estou viva…
– É este o meu afilhado?
Mas Conceição, que tivera a intenção de o tomar ao colo,
recuou ante a asquerosa imundície da criança, contentando-
-se em lhe pegar a mão – uma pequenina garra seca, encascada, encolhida…
– Cadê a bênção da madrinha, Manuel? Não é Manuel o
nome dele?
– É, inhora sim; mas os meninos chamam ele de Duca…
– Vocês vieram de trem, compadre?
– Só do Acarape pra cá. Das Aroeiras até lá tinha-se vindo por terra…
Conceição, que olhava um dos meninos, nu, tão magro
que era um espanto ver aquele ventre tão grande se suster
numas pernas tão finas, horrorizou-se:
– Virgem Maria! Como foi que um bichinho destes aguentou! Só milagre!
Cordulina fez um gesto cansado de mãos. O vaqueiro
murmurou:
– Só Deus Nosso Senhor sabe…
(Raquel de Queirós. O Quinze, 1995)
No período – Chico Bento ouviu a fala e ergueu os olhos, numa surpresa… – (3º parágrafo), as orações organizam-se por meio da
Questão 16 10783125
Liceu-SP C. Gerais 2017Leia o texto para responder à questão.
Enfim, ali estavam.
E a criança que outro tempo trazia Cordulina tão gorda,
era decerto aquela que lhe pendia do colo, e que agora a tra-
zia tão magra, tão magra que nem uma visagem, que nem a
morte, que só talvez um esqueleto fosse tão magro…
– Por aqui, compadre? Quando chegou?
Chico Bento ouviu a fala e ergueu os olhos, numa surpresa:
– Ah! comadre Conceição! A senhora por aqui? Cheguei
ontem.
A moça dirigiu-se a Cordulina:
– E você, comadre, como vai? Tão fraquinha, hein?
A mulher respondeu tristemente:
– Ai, minha comadre, eu lá sei como vou!… Parece que
ainda estou viva…
– É este o meu afilhado?
Mas Conceição, que tivera a intenção de o tomar ao colo,
recuou ante a asquerosa imundície da criança, contentando-
-se em lhe pegar a mão – uma pequenina garra seca, encascada, encolhida…
– Cadê a bênção da madrinha, Manuel? Não é Manuel o
nome dele?
– É, inhora sim; mas os meninos chamam ele de Duca…
– Vocês vieram de trem, compadre?
– Só do Acarape pra cá. Das Aroeiras até lá tinha-se vindo por terra…
Conceição, que olhava um dos meninos, nu, tão magro
que era um espanto ver aquele ventre tão grande se suster
numas pernas tão finas, horrorizou-se:
– Virgem Maria! Como foi que um bichinho destes aguentou! Só milagre!
Cordulina fez um gesto cansado de mãos. O vaqueiro
murmurou:
– Só Deus Nosso Senhor sabe…
(Raquel de Queirós. O Quinze, 1995)
Com o enunciado – Tão fraquinha, hein? – (6º parágrafo) a comadre Conceição enfatiza
Questão 15 10783123
Liceu-SP C. Gerais 2017Leia o texto para responder à questão.
Enfim, ali estavam.
E a criança que outro tempo trazia Cordulina tão gorda,
era decerto aquela que lhe pendia do colo, e que agora a tra-
zia tão magra, tão magra que nem uma visagem, que nem a
morte, que só talvez um esqueleto fosse tão magro…
– Por aqui, compadre? Quando chegou?
Chico Bento ouviu a fala e ergueu os olhos, numa surpresa:
– Ah! comadre Conceição! A senhora por aqui? Cheguei
ontem.
A moça dirigiu-se a Cordulina:
– E você, comadre, como vai? Tão fraquinha, hein?
A mulher respondeu tristemente:
– Ai, minha comadre, eu lá sei como vou!… Parece que
ainda estou viva…
– É este o meu afilhado?
Mas Conceição, que tivera a intenção de o tomar ao colo,
recuou ante a asquerosa imundície da criança, contentando-
-se em lhe pegar a mão – uma pequenina garra seca, encascada, encolhida…
– Cadê a bênção da madrinha, Manuel? Não é Manuel o
nome dele?
– É, inhora sim; mas os meninos chamam ele de Duca…
– Vocês vieram de trem, compadre?
– Só do Acarape pra cá. Das Aroeiras até lá tinha-se vindo por terra…
Conceição, que olhava um dos meninos, nu, tão magro
que era um espanto ver aquele ventre tão grande se suster
numas pernas tão finas, horrorizou-se:
– Virgem Maria! Como foi que um bichinho destes aguentou! Só milagre!
Cordulina fez um gesto cansado de mãos. O vaqueiro
murmurou:
– Só Deus Nosso Senhor sabe…
(Raquel de Queirós. O Quinze, 1995)
O texto traz usos de linguagem coloquial, conforme exemplifica a passagem:
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