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Questão 9 10785566
Fácil 00:00

COLÉGIO SÓLIDO* 6º Ano 2017
  • EFAF Português
  • Sugira
  • Leitura e Interpretação de Texto
  • Figuras de Linguagem Gêneros textuais - Verbais/Narrativos
  • Conto
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Resolução comentada

TEXTO


UM FOGUETE EXTRAORDINÁRIO

    Ia casar-se o filho do rei. O país estava em festa. [...] Depois de três dias, celebrou-se o casamento. [...]
    À meia-noite devia começar uma grande exibição de fogos de artifício. [...] Depois que o pirotécnico do rei dispôs tudo, os fogos começaram a conversar:
    - O mundo é mesmo muito bonito – disse um busca-pé. – Olhem aquelas tulipas amarelas. Mesmo que fossem bombas, não seriam tão bonitas. Tive a sorte de ter viajado: as viagens nos ensinam a julgar as coisas com sabedoria.
    - O jardim do rei não é o mundo, seu busca-pé pateta! – replicou um grande fósforo de cor. – Você precisa de três dias para percorrer o mundo.
    - O mundo é o lugar de onde a gente gosta – retrucou uma roda de fogo.
    Discutiram sobre isso algum tempo, até que ouviram uma tosse forte e seca; todos olharam.
    A tosse provinha de um foguete gordo e arrogante, amarrado à ponta de uma vara. Antes de falar, tossia sempre, para chamar a atenção. O foguete tossiu mais uma vez, e começou a falar em tom importante, como se estivesse a ditar suas memórias:
    - Que sorte para o filho do rei! Casou-se no mesmo dia em que vou subir. Os príncipes têm muita sorte.
    - Onde já se viu! – interrompeu o busca-pé.
    - Pensei que fosse justamente o contrário: nós é que vamos ser queimados em homenagem ao príncipe.
    - Este pode ser o teu caso, mas não o meu – replicou o foguete. – Comigo, o caso é diferente: sou um foguete importante, de uma família importante. [...] Imaginem só se alguma coisa me acontece esta noite: que desgraça para todos! O príncipe e a princesa nunca mais seriam felizes! O rei, coitado, morreria de dor. Francamente, quando penso na importância da minha posição, chego a derramar lágrimas.
    - Cuidado para não ficar molhado – comentou o fósforo de cor.
    [...]
    A Lua nasceu, e do palácio chegaram sons de música.
    O príncipe e a princesa abriram o baile. Dançavam tão bem que até as açucenas se ergueram mais para espiá-los. As outras flores marcaram o compasso. Na última pancada da meia-noite, vieram todos para o terraço, e o rei ordenou ao régio pirotécnico:
    - Pode começar.
    O pirotécnico fez uma reverência e encaminhou-se para o fundo do parque, acompanhado de seis ajudantes, levando cada um deles um archote.
    Foi um espetáculo de fato magnífico.
    - Ziz! Ziz! – fazia a roda de fogo girando, girando.
    - Bum! Bum! – diziam as bombas.
    Todos fizeram grande sucesso, menos o foguete-de-lágrimas. Estava tão úmido por ter chorado que não conseguia pegar fogo. Seus parentes pobres, aos quais sempre falava com ar desdenhoso, subiram ao céu como belas e imensas flores de ouro, despetaladas em luz. A corte aplaudia e a princesa ria, felicíssima.
    “Acho que estão me reservando para outra grande solenidade”, pensou o foguete. “Só pode ser isso.”
    E sentiu-se ainda mais orgulhoso do que antes.

    No dia seguinte, os empregados foram desmanchar a plataforma.
    “É uma comitiva que vem falar comigo”, pensou o foguete. “Vou recebê-la com a minha conhecida dignidade.”
    Ergueu o nariz, franziu as sobrancelhas, como se estivesse pensando alguma coisa da maior importância. Mas eles não lhe prestaram qualquer atenção. Só quando já se retiravam, um deles gritou:
    - Foguete ordinário! Foguete ordinário! – disse ele, enquanto girava. - impossível! Foguete extraordinário, foi isto o que o homem disse. Extraordinário e ordinário soam muito parecidos. [...]
    E caiu dentro da lama.
    - Não é confortável aqui - observou- mas acho que me enviaram para uma estação de águas a fim de recuperar minha saúde. Meus nervos estão mesmo meio abalados, e preciso de repouso.
    [...]
    De repente, dois meninos de blusas brancas chegaram trazendo gravetos de lenha e uma chaleira.
    “Devem ter sido enviados pelo rei”, pensou o foguete.
    - Olha este troço aí!- exclamou um dos meninos, retirando o foguete da lama.
    - Este troço! – replicou o foguete. – Devo estar ouvindo muito mal
    - Coloca isso também na fogueira – disse o outro menino.
    Empilharam os gravetos, puseram o foguete em cima e chegaram-lhe fogo.
    - Ótimo! – bradou o foguete. – Vão lançar-me ao espaço em plena luz do dia, para que todos possam ficar encantados comigo.
    Enquanto se esquentava a água da chaleira, os meninos cochilaram na relva. O foguete, muito úmido, levou tempo para pegar fogo.
    - Afinal, agora parto para o espaço – gritou ele, todo estivadinho. – Irei até a Lua, além de Marte, além do Sol! Irei tão alto que...
    Chii!Chii!Chii! E o foguete por fim subiu, a bradar:
    - Que delícia! Estou indo para o Cosmo! Que espetáculo!
    Mas ninguém reparou nele.
    Começou então a sentir por dentro um formigamento esquisito.
    “Vou explodir”, pensou. “Vou incendiar o mundo inteiro! Vou dar um estrondo tão fabuloso que ninguém falará de outra coisa durante um ano.”
    E, na verdade, explodiu, pois a pólvora cumpriu o seu dever. Mas, ninguém, ninguém, ouviu o estouro do foguete, nem mesmo os meninos deitados sobre a relva.
    Do foguete só restou a vareta, que caiu na cabeça de um ganso.
    - Deus do céu! – exclamou o ganso. – Começou a chover pedaço de pau.
    - Eu sabia que causava furor – murmurou, ofegante, o foguete-de-lágrimas. E morreu.

WILDE, Oscar. In: O príncipe feliz. Tradução e adaptação de Paulo Mendes Campos. Rio de Janeiro: Ediouro, 2005. p. 34-35. ( fragmento)

 

Glossário
• Pirotécnico: Especialista em fogos de artifício.
• Dispôs: Arrumou
• Régio: Relativo ao ou próprio rei.
• Archote: Facho que se acende com breu para iluminar ao ar livre.
• Desdenhoso: Que demonstra desprezo ou orgulho.
• Estivadinho: Orgulhoso, cheio de si.
• Furor: entusiasmo.
• Foguete: engenho pirotécnico que consiste em um tubo de papelão carregado com pólvora, e que, ao se atear fogo ao pavio, ocorre a expulsão de gases por combustão, que o leva para o alto, onde estoura com ruído; fogo do ar, foguete do ar, fogos, rojão.

No trecho “- Deus do céu! – exclamou o ganso. – Começou a chover pedaço de pau”, o sinal de exclamação foi utilizado para exprimir

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Questão 8 10785563
Fácil 00:00

COLÉGIO SÓLIDO* 6º Ano 2017
  • EFAF Português
  • Sugira
  • Leitura e Interpretação de Texto
  • Figuras de Linguagem Gêneros textuais - Verbais/Narrativos
  • Conto
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Resolução comentada

TEXTO


UM FOGUETE EXTRAORDINÁRIO

    Ia casar-se o filho do rei. O país estava em festa. [...] Depois de três dias, celebrou-se o casamento. [...]
    À meia-noite devia começar uma grande exibição de fogos de artifício. [...] Depois que o pirotécnico do rei dispôs tudo, os fogos começaram a conversar:
    - O mundo é mesmo muito bonito – disse um busca-pé. – Olhem aquelas tulipas amarelas. Mesmo que fossem bombas, não seriam tão bonitas. Tive a sorte de ter viajado: as viagens nos ensinam a julgar as coisas com sabedoria.
    - O jardim do rei não é o mundo, seu busca-pé pateta! – replicou um grande fósforo de cor. – Você precisa de três dias para percorrer o mundo.
    - O mundo é o lugar de onde a gente gosta – retrucou uma roda de fogo.
    Discutiram sobre isso algum tempo, até que ouviram uma tosse forte e seca; todos olharam.
    A tosse provinha de um foguete gordo e arrogante, amarrado à ponta de uma vara. Antes de falar, tossia sempre, para chamar a atenção. O foguete tossiu mais uma vez, e começou a falar em tom importante, como se estivesse a ditar suas memórias:
    - Que sorte para o filho do rei! Casou-se no mesmo dia em que vou subir. Os príncipes têm muita sorte.
    - Onde já se viu! – interrompeu o busca-pé.
    - Pensei que fosse justamente o contrário: nós é que vamos ser queimados em homenagem ao príncipe.
    - Este pode ser o teu caso, mas não o meu – replicou o foguete. – Comigo, o caso é diferente: sou um foguete importante, de uma família importante. [...] Imaginem só se alguma coisa me acontece esta noite: que desgraça para todos! O príncipe e a princesa nunca mais seriam felizes! O rei, coitado, morreria de dor. Francamente, quando penso na importância da minha posição, chego a derramar lágrimas.
    - Cuidado para não ficar molhado – comentou o fósforo de cor.
    [...]
    A Lua nasceu, e do palácio chegaram sons de música.
    O príncipe e a princesa abriram o baile. Dançavam tão bem que até as açucenas se ergueram mais para espiá-los. As outras flores marcaram o compasso. Na última pancada da meia-noite, vieram todos para o terraço, e o rei ordenou ao régio pirotécnico:
    - Pode começar.
    O pirotécnico fez uma reverência e encaminhou-se para o fundo do parque, acompanhado de seis ajudantes, levando cada um deles um archote.
    Foi um espetáculo de fato magnífico.
    - Ziz! Ziz! – fazia a roda de fogo girando, girando.
    - Bum! Bum! – diziam as bombas.
    Todos fizeram grande sucesso, menos o foguete-de-lágrimas. Estava tão úmido por ter chorado que não conseguia pegar fogo. Seus parentes pobres, aos quais sempre falava com ar desdenhoso, subiram ao céu como belas e imensas flores de ouro, despetaladas em luz. A corte aplaudia e a princesa ria, felicíssima.
    “Acho que estão me reservando para outra grande solenidade”, pensou o foguete. “Só pode ser isso.”
    E sentiu-se ainda mais orgulhoso do que antes.

    No dia seguinte, os empregados foram desmanchar a plataforma.
    “É uma comitiva que vem falar comigo”, pensou o foguete. “Vou recebê-la com a minha conhecida dignidade.”
    Ergueu o nariz, franziu as sobrancelhas, como se estivesse pensando alguma coisa da maior importância. Mas eles não lhe prestaram qualquer atenção. Só quando já se retiravam, um deles gritou:
    - Foguete ordinário! Foguete ordinário! – disse ele, enquanto girava. - impossível! Foguete extraordinário, foi isto o que o homem disse. Extraordinário e ordinário soam muito parecidos. [...]
    E caiu dentro da lama.
    - Não é confortável aqui - observou- mas acho que me enviaram para uma estação de águas a fim de recuperar minha saúde. Meus nervos estão mesmo meio abalados, e preciso de repouso.
    [...]
    De repente, dois meninos de blusas brancas chegaram trazendo gravetos de lenha e uma chaleira.
    “Devem ter sido enviados pelo rei”, pensou o foguete.
    - Olha este troço aí!- exclamou um dos meninos, retirando o foguete da lama.
    - Este troço! – replicou o foguete. – Devo estar ouvindo muito mal
    - Coloca isso também na fogueira – disse o outro menino.
    Empilharam os gravetos, puseram o foguete em cima e chegaram-lhe fogo.
    - Ótimo! – bradou o foguete. – Vão lançar-me ao espaço em plena luz do dia, para que todos possam ficar encantados comigo.
    Enquanto se esquentava a água da chaleira, os meninos cochilaram na relva. O foguete, muito úmido, levou tempo para pegar fogo.
    - Afinal, agora parto para o espaço – gritou ele, todo estivadinho. – Irei até a Lua, além de Marte, além do Sol! Irei tão alto que...
    Chii!Chii!Chii! E o foguete por fim subiu, a bradar:
    - Que delícia! Estou indo para o Cosmo! Que espetáculo!
    Mas ninguém reparou nele.
    Começou então a sentir por dentro um formigamento esquisito.
    “Vou explodir”, pensou. “Vou incendiar o mundo inteiro! Vou dar um estrondo tão fabuloso que ninguém falará de outra coisa durante um ano.”
    E, na verdade, explodiu, pois a pólvora cumpriu o seu dever. Mas, ninguém, ninguém, ouviu o estouro do foguete, nem mesmo os meninos deitados sobre a relva.
    Do foguete só restou a vareta, que caiu na cabeça de um ganso.
    - Deus do céu! – exclamou o ganso. – Começou a chover pedaço de pau.
    - Eu sabia que causava furor – murmurou, ofegante, o foguete-de-lágrimas. E morreu.

WILDE, Oscar. In: O príncipe feliz. Tradução e adaptação de Paulo Mendes Campos. Rio de Janeiro: Ediouro, 2005. p. 34-35. ( fragmento)

 

Glossário
• Pirotécnico: Especialista em fogos de artifício.
• Dispôs: Arrumou
• Régio: Relativo ao ou próprio rei.
• Archote: Facho que se acende com breu para iluminar ao ar livre.
• Desdenhoso: Que demonstra desprezo ou orgulho.
• Estivadinho: Orgulhoso, cheio de si.
• Furor: entusiasmo.
• Foguete: engenho pirotécnico que consiste em um tubo de papelão carregado com pólvora, e que, ao se atear fogo ao pavio, ocorre a expulsão de gases por combustão, que o leva para o alto, onde estoura com ruído; fogo do ar, foguete do ar, fogos, rojão.

Releia:


“Chii!Chii!Chii! E o foguete por fim subiu (...)”.


No texto, foi empregada a expressão sublinhada para

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Questão 7 10785561
Fácil 00:00

COLÉGIO SÓLIDO* 6º Ano 2017
  • EFAF Português
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  • Gêneros textuais - Verbais/Narrativos Verbo Verbos
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TEXTO


UM FOGUETE EXTRAORDINÁRIO

    Ia casar-se o filho do rei. O país estava em festa. [...] Depois de três dias, celebrou-se o casamento. [...]
    À meia-noite devia começar uma grande exibição de fogos de artifício. [...] Depois que o pirotécnico do rei dispôs tudo, os fogos começaram a conversar:
    - O mundo é mesmo muito bonito – disse um busca-pé. – Olhem aquelas tulipas amarelas. Mesmo que fossem bombas, não seriam tão bonitas. Tive a sorte de ter viajado: as viagens nos ensinam a julgar as coisas com sabedoria.
    - O jardim do rei não é o mundo, seu busca-pé pateta! – replicou um grande fósforo de cor. – Você precisa de três dias para percorrer o mundo.
    - O mundo é o lugar de onde a gente gosta – retrucou uma roda de fogo.
    Discutiram sobre isso algum tempo, até que ouviram uma tosse forte e seca; todos olharam.
    A tosse provinha de um foguete gordo e arrogante, amarrado à ponta de uma vara. Antes de falar, tossia sempre, para chamar a atenção. O foguete tossiu mais uma vez, e começou a falar em tom importante, como se estivesse a ditar suas memórias:
    - Que sorte para o filho do rei! Casou-se no mesmo dia em que vou subir. Os príncipes têm muita sorte.
    - Onde já se viu! – interrompeu o busca-pé.
    - Pensei que fosse justamente o contrário: nós é que vamos ser queimados em homenagem ao príncipe.
    - Este pode ser o teu caso, mas não o meu – replicou o foguete. – Comigo, o caso é diferente: sou um foguete importante, de uma família importante. [...] Imaginem só se alguma coisa me acontece esta noite: que desgraça para todos! O príncipe e a princesa nunca mais seriam felizes! O rei, coitado, morreria de dor. Francamente, quando penso na importância da minha posição, chego a derramar lágrimas.
    - Cuidado para não ficar molhado – comentou o fósforo de cor.
    [...]
    A Lua nasceu, e do palácio chegaram sons de música.
    O príncipe e a princesa abriram o baile. Dançavam tão bem que até as açucenas se ergueram mais para espiá-los. As outras flores marcaram o compasso. Na última pancada da meia-noite, vieram todos para o terraço, e o rei ordenou ao régio pirotécnico:
    - Pode começar.
    O pirotécnico fez uma reverência e encaminhou-se para o fundo do parque, acompanhado de seis ajudantes, levando cada um deles um archote.
    Foi um espetáculo de fato magnífico.
    - Ziz! Ziz! – fazia a roda de fogo girando, girando.
    - Bum! Bum! – diziam as bombas.
    Todos fizeram grande sucesso, menos o foguete-de-lágrimas. Estava tão úmido por ter chorado que não conseguia pegar fogo. Seus parentes pobres, aos quais sempre falava com ar desdenhoso, subiram ao céu como belas e imensas flores de ouro, despetaladas em luz. A corte aplaudia e a princesa ria, felicíssima.
    “Acho que estão me reservando para outra grande solenidade”, pensou o foguete. “Só pode ser isso.”
    E sentiu-se ainda mais orgulhoso do que antes.

    No dia seguinte, os empregados foram desmanchar a plataforma.
    “É uma comitiva que vem falar comigo”, pensou o foguete. “Vou recebê-la com a minha conhecida dignidade.”
    Ergueu o nariz, franziu as sobrancelhas, como se estivesse pensando alguma coisa da maior importância. Mas eles não lhe prestaram qualquer atenção. Só quando já se retiravam, um deles gritou:
    - Foguete ordinário! Foguete ordinário! – disse ele, enquanto girava. - impossível! Foguete extraordinário, foi isto o que o homem disse. Extraordinário e ordinário soam muito parecidos. [...]
    E caiu dentro da lama.
    - Não é confortável aqui - observou- mas acho que me enviaram para uma estação de águas a fim de recuperar minha saúde. Meus nervos estão mesmo meio abalados, e preciso de repouso.
    [...]
    De repente, dois meninos de blusas brancas chegaram trazendo gravetos de lenha e uma chaleira.
    “Devem ter sido enviados pelo rei”, pensou o foguete.
    - Olha este troço aí!- exclamou um dos meninos, retirando o foguete da lama.
    - Este troço! – replicou o foguete. – Devo estar ouvindo muito mal
    - Coloca isso também na fogueira – disse o outro menino.
    Empilharam os gravetos, puseram o foguete em cima e chegaram-lhe fogo.
    - Ótimo! – bradou o foguete. – Vão lançar-me ao espaço em plena luz do dia, para que todos possam ficar encantados comigo.
    Enquanto se esquentava a água da chaleira, os meninos cochilaram na relva. O foguete, muito úmido, levou tempo para pegar fogo.
    - Afinal, agora parto para o espaço – gritou ele, todo estivadinho. – Irei até a Lua, além de Marte, além do Sol! Irei tão alto que...
    Chii!Chii!Chii! E o foguete por fim subiu, a bradar:
    - Que delícia! Estou indo para o Cosmo! Que espetáculo!
    Mas ninguém reparou nele.
    Começou então a sentir por dentro um formigamento esquisito.
    “Vou explodir”, pensou. “Vou incendiar o mundo inteiro! Vou dar um estrondo tão fabuloso que ninguém falará de outra coisa durante um ano.”
    E, na verdade, explodiu, pois a pólvora cumpriu o seu dever. Mas, ninguém, ninguém, ouviu o estouro do foguete, nem mesmo os meninos deitados sobre a relva.
    Do foguete só restou a vareta, que caiu na cabeça de um ganso.
    - Deus do céu! – exclamou o ganso. – Começou a chover pedaço de pau.
    - Eu sabia que causava furor – murmurou, ofegante, o foguete-de-lágrimas. E morreu.

WILDE, Oscar. In: O príncipe feliz. Tradução e adaptação de Paulo Mendes Campos. Rio de Janeiro: Ediouro, 2005. p. 34-35. ( fragmento)

 

Glossário
• Pirotécnico: Especialista em fogos de artifício.
• Dispôs: Arrumou
• Régio: Relativo ao ou próprio rei.
• Archote: Facho que se acende com breu para iluminar ao ar livre.
• Desdenhoso: Que demonstra desprezo ou orgulho.
• Estivadinho: Orgulhoso, cheio de si.
• Furor: entusiasmo.
• Foguete: engenho pirotécnico que consiste em um tubo de papelão carregado com pólvora, e que, ao se atear fogo ao pavio, ocorre a expulsão de gases por combustão, que o leva para o alto, onde estoura com ruído; fogo do ar, foguete do ar, fogos, rojão.

Na frase “A Lua nasceu, e do palácio chegaram sons de música”, os verbos destacado são empregados no pretérito, porque os fatos aconteceram

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Questão 5 10785559
Fácil 00:00

COLÉGIO SÓLIDO* 6º Ano 2017
  • EFAF Português
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  • Coesão (elem. coesivos) e Coerência Estratégias de leitura Gêneros textuais - Verbais/Narrativos
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TEXTO


UM FOGUETE EXTRAORDINÁRIO

    Ia casar-se o filho do rei. O país estava em festa. [...] Depois de três dias, celebrou-se o casamento. [...]
    À meia-noite devia começar uma grande exibição de fogos de artifício. [...] Depois que o pirotécnico do rei dispôs tudo, os fogos começaram a conversar:
    - O mundo é mesmo muito bonito – disse um busca-pé. – Olhem aquelas tulipas amarelas. Mesmo que fossem bombas, não seriam tão bonitas. Tive a sorte de ter viajado: as viagens nos ensinam a julgar as coisas com sabedoria.
    - O jardim do rei não é o mundo, seu busca-pé pateta! – replicou um grande fósforo de cor. – Você precisa de três dias para percorrer o mundo.
    - O mundo é o lugar de onde a gente gosta – retrucou uma roda de fogo.
    Discutiram sobre isso algum tempo, até que ouviram uma tosse forte e seca; todos olharam.
    A tosse provinha de um foguete gordo e arrogante, amarrado à ponta de uma vara. Antes de falar, tossia sempre, para chamar a atenção. O foguete tossiu mais uma vez, e começou a falar em tom importante, como se estivesse a ditar suas memórias:
    - Que sorte para o filho do rei! Casou-se no mesmo dia em que vou subir. Os príncipes têm muita sorte.
    - Onde já se viu! – interrompeu o busca-pé.
    - Pensei que fosse justamente o contrário: nós é que vamos ser queimados em homenagem ao príncipe.
    - Este pode ser o teu caso, mas não o meu – replicou o foguete. – Comigo, o caso é diferente: sou um foguete importante, de uma família importante. [...] Imaginem só se alguma coisa me acontece esta noite: que desgraça para todos! O príncipe e a princesa nunca mais seriam felizes! O rei, coitado, morreria de dor. Francamente, quando penso na importância da minha posição, chego a derramar lágrimas.
    - Cuidado para não ficar molhado – comentou o fósforo de cor.
    [...]
    A Lua nasceu, e do palácio chegaram sons de música.
    O príncipe e a princesa abriram o baile. Dançavam tão bem que até as açucenas se ergueram mais para espiá-los. As outras flores marcaram o compasso. Na última pancada da meia-noite, vieram todos para o terraço, e o rei ordenou ao régio pirotécnico:
    - Pode começar.
    O pirotécnico fez uma reverência e encaminhou-se para o fundo do parque, acompanhado de seis ajudantes, levando cada um deles um archote.
    Foi um espetáculo de fato magnífico.
    - Ziz! Ziz! – fazia a roda de fogo girando, girando.
    - Bum! Bum! – diziam as bombas.
    Todos fizeram grande sucesso, menos o foguete-de-lágrimas. Estava tão úmido por ter chorado que não conseguia pegar fogo. Seus parentes pobres, aos quais sempre falava com ar desdenhoso, subiram ao céu como belas e imensas flores de ouro, despetaladas em luz. A corte aplaudia e a princesa ria, felicíssima.
    “Acho que estão me reservando para outra grande solenidade”, pensou o foguete. “Só pode ser isso.”
    E sentiu-se ainda mais orgulhoso do que antes.

    No dia seguinte, os empregados foram desmanchar a plataforma.
    “É uma comitiva que vem falar comigo”, pensou o foguete. “Vou recebê-la com a minha conhecida dignidade.”
    Ergueu o nariz, franziu as sobrancelhas, como se estivesse pensando alguma coisa da maior importância. Mas eles não lhe prestaram qualquer atenção. Só quando já se retiravam, um deles gritou:
    - Foguete ordinário! Foguete ordinário! – disse ele, enquanto girava. - impossível! Foguete extraordinário, foi isto o que o homem disse. Extraordinário e ordinário soam muito parecidos. [...]
    E caiu dentro da lama.
    - Não é confortável aqui - observou- mas acho que me enviaram para uma estação de águas a fim de recuperar minha saúde. Meus nervos estão mesmo meio abalados, e preciso de repouso.
    [...]
    De repente, dois meninos de blusas brancas chegaram trazendo gravetos de lenha e uma chaleira.
    “Devem ter sido enviados pelo rei”, pensou o foguete.
    - Olha este troço aí!- exclamou um dos meninos, retirando o foguete da lama.
    - Este troço! – replicou o foguete. – Devo estar ouvindo muito mal
    - Coloca isso também na fogueira – disse o outro menino.
    Empilharam os gravetos, puseram o foguete em cima e chegaram-lhe fogo.
    - Ótimo! – bradou o foguete. – Vão lançar-me ao espaço em plena luz do dia, para que todos possam ficar encantados comigo.
    Enquanto se esquentava a água da chaleira, os meninos cochilaram na relva. O foguete, muito úmido, levou tempo para pegar fogo.
    - Afinal, agora parto para o espaço – gritou ele, todo estivadinho. – Irei até a Lua, além de Marte, além do Sol! Irei tão alto que...
    Chii!Chii!Chii! E o foguete por fim subiu, a bradar:
    - Que delícia! Estou indo para o Cosmo! Que espetáculo!
    Mas ninguém reparou nele.
    Começou então a sentir por dentro um formigamento esquisito.
    “Vou explodir”, pensou. “Vou incendiar o mundo inteiro! Vou dar um estrondo tão fabuloso que ninguém falará de outra coisa durante um ano.”
    E, na verdade, explodiu, pois a pólvora cumpriu o seu dever. Mas, ninguém, ninguém, ouviu o estouro do foguete, nem mesmo os meninos deitados sobre a relva.
    Do foguete só restou a vareta, que caiu na cabeça de um ganso.
    - Deus do céu! – exclamou o ganso. – Começou a chover pedaço de pau.
    - Eu sabia que causava furor – murmurou, ofegante, o foguete-de-lágrimas. E morreu.

WILDE, Oscar. In: O príncipe feliz. Tradução e adaptação de Paulo Mendes Campos. Rio de Janeiro: Ediouro, 2005. p. 34-35. ( fragmento)

 

Glossário
• Pirotécnico: Especialista em fogos de artifício.
• Dispôs: Arrumou
• Régio: Relativo ao ou próprio rei.
• Archote: Facho que se acende com breu para iluminar ao ar livre.
• Desdenhoso: Que demonstra desprezo ou orgulho.
• Estivadinho: Orgulhoso, cheio de si.
• Furor: entusiasmo.
• Foguete: engenho pirotécnico que consiste em um tubo de papelão carregado com pólvora, e que, ao se atear fogo ao pavio, ocorre a expulsão de gases por combustão, que o leva para o alto, onde estoura com ruído; fogo do ar, foguete do ar, fogos, rojão.

Em uma narrativa, a oposição, a luta, o desequilíbrio entre duas forças ou personagens chama-se conflito.

 

O principal conflito da história, na qual está envolvido o foguete

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Questão 3 10785556
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COLÉGIO SÓLIDO* 6º Ano 2017
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TEXTO


UM FOGUETE EXTRAORDINÁRIO

    Ia casar-se o filho do rei. O país estava em festa. [...] Depois de três dias, celebrou-se o casamento. [...]
    À meia-noite devia começar uma grande exibição de fogos de artifício. [...] Depois que o pirotécnico do rei dispôs tudo, os fogos começaram a conversar:
    - O mundo é mesmo muito bonito – disse um busca-pé. – Olhem aquelas tulipas amarelas. Mesmo que fossem bombas, não seriam tão bonitas. Tive a sorte de ter viajado: as viagens nos ensinam a julgar as coisas com sabedoria.
    - O jardim do rei não é o mundo, seu busca-pé pateta! – replicou um grande fósforo de cor. – Você precisa de três dias para percorrer o mundo.
    - O mundo é o lugar de onde a gente gosta – retrucou uma roda de fogo.
    Discutiram sobre isso algum tempo, até que ouviram uma tosse forte e seca; todos olharam.
    A tosse provinha de um foguete gordo e arrogante, amarrado à ponta de uma vara. Antes de falar, tossia sempre, para chamar a atenção. O foguete tossiu mais uma vez, e começou a falar em tom importante, como se estivesse a ditar suas memórias:
    - Que sorte para o filho do rei! Casou-se no mesmo dia em que vou subir. Os príncipes têm muita sorte.
    - Onde já se viu! – interrompeu o busca-pé.
    - Pensei que fosse justamente o contrário: nós é que vamos ser queimados em homenagem ao príncipe.
    - Este pode ser o teu caso, mas não o meu – replicou o foguete. – Comigo, o caso é diferente: sou um foguete importante, de uma família importante. [...] Imaginem só se alguma coisa me acontece esta noite: que desgraça para todos! O príncipe e a princesa nunca mais seriam felizes! O rei, coitado, morreria de dor. Francamente, quando penso na importância da minha posição, chego a derramar lágrimas.
    - Cuidado para não ficar molhado – comentou o fósforo de cor.
    [...]
    A Lua nasceu, e do palácio chegaram sons de música.
    O príncipe e a princesa abriram o baile. Dançavam tão bem que até as açucenas se ergueram mais para espiá-los. As outras flores marcaram o compasso. Na última pancada da meia-noite, vieram todos para o terraço, e o rei ordenou ao régio pirotécnico:
    - Pode começar.
    O pirotécnico fez uma reverência e encaminhou-se para o fundo do parque, acompanhado de seis ajudantes, levando cada um deles um archote.
    Foi um espetáculo de fato magnífico.
    - Ziz! Ziz! – fazia a roda de fogo girando, girando.
    - Bum! Bum! – diziam as bombas.
    Todos fizeram grande sucesso, menos o foguete-de-lágrimas. Estava tão úmido por ter chorado que não conseguia pegar fogo. Seus parentes pobres, aos quais sempre falava com ar desdenhoso, subiram ao céu como belas e imensas flores de ouro, despetaladas em luz. A corte aplaudia e a princesa ria, felicíssima.
    “Acho que estão me reservando para outra grande solenidade”, pensou o foguete. “Só pode ser isso.”
    E sentiu-se ainda mais orgulhoso do que antes.

    No dia seguinte, os empregados foram desmanchar a plataforma.
    “É uma comitiva que vem falar comigo”, pensou o foguete. “Vou recebê-la com a minha conhecida dignidade.”
    Ergueu o nariz, franziu as sobrancelhas, como se estivesse pensando alguma coisa da maior importância. Mas eles não lhe prestaram qualquer atenção. Só quando já se retiravam, um deles gritou:
    - Foguete ordinário! Foguete ordinário! – disse ele, enquanto girava. - impossível! Foguete extraordinário, foi isto o que o homem disse. Extraordinário e ordinário soam muito parecidos. [...]
    E caiu dentro da lama.
    - Não é confortável aqui - observou- mas acho que me enviaram para uma estação de águas a fim de recuperar minha saúde. Meus nervos estão mesmo meio abalados, e preciso de repouso.
    [...]
    De repente, dois meninos de blusas brancas chegaram trazendo gravetos de lenha e uma chaleira.
    “Devem ter sido enviados pelo rei”, pensou o foguete.
    - Olha este troço aí!- exclamou um dos meninos, retirando o foguete da lama.
    - Este troço! – replicou o foguete. – Devo estar ouvindo muito mal
    - Coloca isso também na fogueira – disse o outro menino.
    Empilharam os gravetos, puseram o foguete em cima e chegaram-lhe fogo.
    - Ótimo! – bradou o foguete. – Vão lançar-me ao espaço em plena luz do dia, para que todos possam ficar encantados comigo.
    Enquanto se esquentava a água da chaleira, os meninos cochilaram na relva. O foguete, muito úmido, levou tempo para pegar fogo.
    - Afinal, agora parto para o espaço – gritou ele, todo estivadinho. – Irei até a Lua, além de Marte, além do Sol! Irei tão alto que...
    Chii!Chii!Chii! E o foguete por fim subiu, a bradar:
    - Que delícia! Estou indo para o Cosmo! Que espetáculo!
    Mas ninguém reparou nele.
    Começou então a sentir por dentro um formigamento esquisito.
    “Vou explodir”, pensou. “Vou incendiar o mundo inteiro! Vou dar um estrondo tão fabuloso que ninguém falará de outra coisa durante um ano.”
    E, na verdade, explodiu, pois a pólvora cumpriu o seu dever. Mas, ninguém, ninguém, ouviu o estouro do foguete, nem mesmo os meninos deitados sobre a relva.
    Do foguete só restou a vareta, que caiu na cabeça de um ganso.
    - Deus do céu! – exclamou o ganso. – Começou a chover pedaço de pau.
    - Eu sabia que causava furor – murmurou, ofegante, o foguete-de-lágrimas. E morreu.

WILDE, Oscar. In: O príncipe feliz. Tradução e adaptação de Paulo Mendes Campos. Rio de Janeiro: Ediouro, 2005. p. 34-35. ( fragmento)

 

Glossário
• Pirotécnico: Especialista em fogos de artifício.
• Dispôs: Arrumou
• Régio: Relativo ao ou próprio rei.
• Archote: Facho que se acende com breu para iluminar ao ar livre.
• Desdenhoso: Que demonstra desprezo ou orgulho.
• Estivadinho: Orgulhoso, cheio de si.
• Furor: entusiasmo.
• Foguete: engenho pirotécnico que consiste em um tubo de papelão carregado com pólvora, e que, ao se atear fogo ao pavio, ocorre a expulsão de gases por combustão, que o leva para o alto, onde estoura com ruído; fogo do ar, foguete do ar, fogos, rojão.

De acordo com o texto I, NÃO se pode afirmar que

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TEXTO


UM FOGUETE EXTRAORDINÁRIO

    Ia casar-se o filho do rei. O país estava em festa. [...] Depois de três dias, celebrou-se o casamento. [...]
    À meia-noite devia começar uma grande exibição de fogos de artifício. [...] Depois que o pirotécnico do rei dispôs tudo, os fogos começaram a conversar:
    - O mundo é mesmo muito bonito – disse um busca-pé. – Olhem aquelas tulipas amarelas. Mesmo que fossem bombas, não seriam tão bonitas. Tive a sorte de ter viajado: as viagens nos ensinam a julgar as coisas com sabedoria.
    - O jardim do rei não é o mundo, seu busca-pé pateta! – replicou um grande fósforo de cor. – Você precisa de três dias para percorrer o mundo.
    - O mundo é o lugar de onde a gente gosta – retrucou uma roda de fogo.
    Discutiram sobre isso algum tempo, até que ouviram uma tosse forte e seca; todos olharam.
    A tosse provinha de um foguete gordo e arrogante, amarrado à ponta de uma vara. Antes de falar, tossia sempre, para chamar a atenção. O foguete tossiu mais uma vez, e começou a falar em tom importante, como se estivesse a ditar suas memórias:
    - Que sorte para o filho do rei! Casou-se no mesmo dia em que vou subir. Os príncipes têm muita sorte.
    - Onde já se viu! – interrompeu o busca-pé.
    - Pensei que fosse justamente o contrário: nós é que vamos ser queimados em homenagem ao príncipe.
    - Este pode ser o teu caso, mas não o meu – replicou o foguete. – Comigo, o caso é diferente: sou um foguete importante, de uma família importante. [...] Imaginem só se alguma coisa me acontece esta noite: que desgraça para todos! O príncipe e a princesa nunca mais seriam felizes! O rei, coitado, morreria de dor. Francamente, quando penso na importância da minha posição, chego a derramar lágrimas.
    - Cuidado para não ficar molhado – comentou o fósforo de cor.
    [...]
    A Lua nasceu, e do palácio chegaram sons de música.
    O príncipe e a princesa abriram o baile. Dançavam tão bem que até as açucenas se ergueram mais para espiá-los. As outras flores marcaram o compasso. Na última pancada da meia-noite, vieram todos para o terraço, e o rei ordenou ao régio pirotécnico:
    - Pode começar.
    O pirotécnico fez uma reverência e encaminhou-se para o fundo do parque, acompanhado de seis ajudantes, levando cada um deles um archote.
    Foi um espetáculo de fato magnífico.
    - Ziz! Ziz! – fazia a roda de fogo girando, girando.
    - Bum! Bum! – diziam as bombas.
    Todos fizeram grande sucesso, menos o foguete-de-lágrimas. Estava tão úmido por ter chorado que não conseguia pegar fogo. Seus parentes pobres, aos quais sempre falava com ar desdenhoso, subiram ao céu como belas e imensas flores de ouro, despetaladas em luz. A corte aplaudia e a princesa ria, felicíssima.
    “Acho que estão me reservando para outra grande solenidade”, pensou o foguete. “Só pode ser isso.”
    E sentiu-se ainda mais orgulhoso do que antes.

    No dia seguinte, os empregados foram desmanchar a plataforma.
    “É uma comitiva que vem falar comigo”, pensou o foguete. “Vou recebê-la com a minha conhecida dignidade.”
    Ergueu o nariz, franziu as sobrancelhas, como se estivesse pensando alguma coisa da maior importância. Mas eles não lhe prestaram qualquer atenção. Só quando já se retiravam, um deles gritou:
    - Foguete ordinário! Foguete ordinário! – disse ele, enquanto girava. - impossível! Foguete extraordinário, foi isto o que o homem disse. Extraordinário e ordinário soam muito parecidos. [...]
    E caiu dentro da lama.
    - Não é confortável aqui - observou- mas acho que me enviaram para uma estação de águas a fim de recuperar minha saúde. Meus nervos estão mesmo meio abalados, e preciso de repouso.
    [...]
    De repente, dois meninos de blusas brancas chegaram trazendo gravetos de lenha e uma chaleira.
    “Devem ter sido enviados pelo rei”, pensou o foguete.
    - Olha este troço aí!- exclamou um dos meninos, retirando o foguete da lama.
    - Este troço! – replicou o foguete. – Devo estar ouvindo muito mal
    - Coloca isso também na fogueira – disse o outro menino.
    Empilharam os gravetos, puseram o foguete em cima e chegaram-lhe fogo.
    - Ótimo! – bradou o foguete. – Vão lançar-me ao espaço em plena luz do dia, para que todos possam ficar encantados comigo.
    Enquanto se esquentava a água da chaleira, os meninos cochilaram na relva. O foguete, muito úmido, levou tempo para pegar fogo.
    - Afinal, agora parto para o espaço – gritou ele, todo estivadinho. – Irei até a Lua, além de Marte, além do Sol! Irei tão alto que...
    Chii!Chii!Chii! E o foguete por fim subiu, a bradar:
    - Que delícia! Estou indo para o Cosmo! Que espetáculo!
    Mas ninguém reparou nele.
    Começou então a sentir por dentro um formigamento esquisito.
    “Vou explodir”, pensou. “Vou incendiar o mundo inteiro! Vou dar um estrondo tão fabuloso que ninguém falará de outra coisa durante um ano.”
    E, na verdade, explodiu, pois a pólvora cumpriu o seu dever. Mas, ninguém, ninguém, ouviu o estouro do foguete, nem mesmo os meninos deitados sobre a relva.
    Do foguete só restou a vareta, que caiu na cabeça de um ganso.
    - Deus do céu! – exclamou o ganso. – Começou a chover pedaço de pau.
    - Eu sabia que causava furor – murmurou, ofegante, o foguete-de-lágrimas. E morreu.

WILDE, Oscar. In: O príncipe feliz. Tradução e adaptação de Paulo Mendes Campos. Rio de Janeiro: Ediouro, 2005. p. 34-35. ( fragmento)

 

Glossário
• Pirotécnico: Especialista em fogos de artifício.
• Dispôs: Arrumou
• Régio: Relativo ao ou próprio rei.
• Archote: Facho que se acende com breu para iluminar ao ar livre.
• Desdenhoso: Que demonstra desprezo ou orgulho.
• Estivadinho: Orgulhoso, cheio de si.
• Furor: entusiasmo.
• Foguete: engenho pirotécnico que consiste em um tubo de papelão carregado com pólvora, e que, ao se atear fogo ao pavio, ocorre a expulsão de gases por combustão, que o leva para o alto, onde estoura com ruído; fogo do ar, foguete do ar, fogos, rojão.

O foguete interrompe a discussão dos fogos sobre o mundo para

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