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Questão 15 15463656
EPSJV Técnico em Saúde 2017TEXTO
O império do consumo
Por Eduardo Galeano
A produção em série, em escala gigantesca, impõe por todo lado as suas pautas obrigatórias de consumo. Esta ditadura da uniformização obrigatória é mais devastadora que qualquer ditadura do partido único: impõe, no mundo inteiro, um modo de vida que reproduz os seres humanos como fotocópias do consumidor exemplar.
O sistema fala em nome de todos, dirige a todos as suas ordens imperiosas de consumo, difunde entre todos a febre compradora; mas sem remédio: para quase todos esta aventura começa e termina no ecrã do televisor. A maioria, que se endivida para ter coisas, termina por ter nada mais que dívidas para pagar dívidas as quais geram novas dívidas, e acaba a consumir fantasias que por vezes materializa delinquindo.
(...)
O direito ao desperdício, privilégio de poucos, diz ser a liberdade de todos. Diga-me quanto consomes e te direi quanto vales. Esta civilização não deixa dormir as flores, nem as galinhas, nem as pessoas. Nas estufas, as flores são submetidas a luz contínua, para que cresçam mais depressa. Nas fábricas de ovos, as galinhas também estão proibidas de ter a noite. E as pessoas estão condenadas à insônia pela ansiedade de comprar e pela angústia de pagar. (...)
O consumidor exemplar é o homem quieto. Esta civilização, que confunde a quantidade com a qualidade, confunde a gordura com a boa alimentação. Segundo a revista científica The Lancet, na última década a “obesidade severa” aumentou quase 30% entre a população jovem dos países mais desenvolvidos. Entre as crianças norte-americanas, a obesidade aumentou uns 40% nos últimos 16 anos, segundo a investigação recente do Centro de Ciências da Saúde da Universidade do Colorado.
O país que inventou as comidas e bebidas light, os diet food e os alimentos fat free tem a maior quantidade de gordos do mundo. O consumidor exemplar só sai do automóvel para trabalhar e para ver televisão. Sentado perante o pequeno ecrã, passa quatro horas diárias a devorar comida de plástico.
(...)
As massas consumidoras recebem ordens num idioma universal: a publicidade conseguiu o que o esperanto quis e não pôde. Qualquer um entende, em qualquer lugar, as mensagens que o televisor transmite. No último quarto de século, os gastos em publicidade duplicaram no mundo. Graças a ela, as crianças pobres tomam cada vez mais Coca-Cola e cada vez menos leite, e o tempo de lazer vai se tornando tempo de consumo obrigatório.
Os peritos sabem converter as mercadorias em conjuntos mágicos contra a solidão. As coisas têm atributos humanos: acariciam, acompanham, compreendem, ajudam, o perfume te beija e o automóvel é o amigo que nunca falha. A cultura do consumo fez da solidão o mais lucrativo dos mercados.
(...)
A publicidade não informa acerca do produto que vende, ou raras vezes o faz. Isso é o que menos importa. A sua função primordial consiste em compensar frustrações e alimentar fantasias (...). Sempre ouvi dizer que o dinheiro não produz a felicidade, mas qualquer espectador pobre de TV tem motivos de sobra para acreditar que o dinheiro produz algo tão parecido que a diferença é assunto para especialistas.
(...)
O mundo inteiro tende a converter-se num grande ecrã de televisão, onde as coisas se olham, mas não se tocam. As mercadorias em oferta invadem e privatizam os espaços públicos. As estações de ônibus e de trens, que até há pouco eram espaços de encontro entre pessoas, estão agora a converter-se em espaços de exibição comercial.
O shopping center, ou shopping mall, vitrine de todas as vitrines, impõe a sua presença avassaladora. As multidões vêm, em peregrinação, a este templo maior das missas do consumo. A maioria dos devotos contempla, em êxtase, as coisas que os seus bolsos não podem pagar, enquanto a minoria compradora submete-se ao bombardeio da oferta incessante e extenuante.
(...) Tudo muda ao ritmo vertiginoso da moda, posta ao serviço da necessidade de vender. As coisas envelhecem num piscar de olhos para serem substituídas por outras coisas de vida fugaz. Hoje a única coisa que permanece é a insegurança, as mercadorias, fabricadas para não durar, resultam ser voláteis como o capital que as financia e o trabalho que as gera.
(...)
Não há natureza capaz de alimentar um shopping center do tamanho do planeta.
(Adaptado de http://www.cartacapital.com.br/economia/o-imperio-doconsumo, acesso em 29/09/2016)
VOCABULÁRIO
- ecrã: tela
- delinquindo: agir de forma criminosa
- esperanto: língua criada com a pretensão de ser falada
por toda população mundial
- extenuante: cansativo
- vertiginoso: acelerado
- fugaz: rápido, passageiro
- voláteis: variável, instável, inconstante
TRADUÇÃO
- fat free: sem gordura
Considerando as ideias movimentadas no texto, é correto afirmar que:
Questão 14 11835884
Pref. de São Paulo 9º Ano 2017/1
Disponível em: https://weather.com/weather/today/l/USDC0001:1:US. Acessado em: 25 abr. 2017.
O texto é
Questão 10 11835800
Pref. de São Paulo 9º Ano 2017/1Águas de Lindoia
Muito procurada por idosos, tem um dos mais visitados balneários do Circuito das Águas paulista – suas instalações foram modernizadas recentemente. A cidade é ótima para curtir aquela quietude do interior: experimente sem pressa, comer um pastel na Praça Adhemar de Barros. A área comercial do Centro tem boa variedade de lojas.
GUIA QUATRO RODAS. Fim de Semana. São Paulo, SP: Abril, 2012/2013.
A pontuação na frase “Experimente, sem pressa, comer um pastel na Praça Adhemar de Barros.” pode ser substituída para dar mais ênfase ao verbo no imperativo por:
Questão 9 11835773
Pref. de São Paulo 9º Ano 2017/1Sapucaia-Roca
Sapucaia-Roca é uma pequena povoação à margem do Rio Madeira.
Pouco abaixo do lugar em que se acha assentada, referem os índios que existiu outrora uma outra povoação, muito maior do que essa, e que um dia desapareceu da superfície da terra, sepultando-se nas profundidades do rio.
É que os muras, que então a habitavam, levavam a vida desordenada e má, e nas festas , que em honra a Tupana celebravam, entregavam-se a danças tão lascivas e cantavam cantigas tão impuras, que faziam chorar de dor aos angaturamas, que eram os espíritos protetores, que por eles velavam.
Por vezes os velhos e inspirados pajés, sabedores dos segredos de Tupana, haviam-nos advertido de que tremendo castigo os ameaça, se não rompessem com a prática de tão criminosas abominações.
CASCUDO, Luís da Câmara. Lendas Brasileiras para, jovens. São Paulo, SP: Global 2006 (adaptado).
No quarto parágrafo, o termo “haviam-nos” se refere
Questão 8 11835762
Pref. de São Paulo 9º Ano 2017/1Como os cientistas estão revolucionando a cozinha de casa
Criado pela empresa inglesa Moley Robotics, o MK1 é composto de dois braços articuláveis, tem mãos que imitam todos os movimentos humanos e o robô é capaz de reproduzir com precisão receitas gravadas em seu banco de dados. Quando chegar ao mercado, em 2017, ele poderá livrar as pessoas de uma tarefa que pode ser cansativa: preparar as próprias refeições todos os dias.
Depois de dois anos de pesquisa e desenvolvimento, o robô-chef, como ficou conhecido, foi posto à prova na Hanover Messe, a maior feira do mundo de tecnologia industrial e robótica, realizada em abril, na Alemanha.
Sua missão era preparar um bisque de caranguejo. Com os ingredientes organizados sobre uma bancada, o MK1 colocou tudo na panela, refogou, mexeu e finalizou a receita com sucesso, diante de uma plateia atônita. “É uma tecnologia que vai transformar e facilitar o modo como as pessoas cozinham em casa”, afirma Mark Oleynic, fundador da Moley Robotics. “Será possível preparar pratos que você nem teria ideia de como fazer enquanto fica na sala conversando com seus convidados.”
Uma tela sensível ao toque permite escolher as receitas e até programar o robô para deixar seu jantar pronto na hora em que você chegar do trabalho.
Disponível em: http://revistagalileu.globo.com/Revista/noticia/2016/09/como-os-cientistas-estao-revolucionando-cozinha-de-casa.html. Acesso em: 18 abr. 2017 (adaptado).
O trecho do texto em que se destaca a opinião de um especialista é:
Questão 7 11835724
Pref. de São Paulo 9º Ano 2017/1Leia o trecho da peça teatral:
3. Sala da casa de Otávio. Interior. Noite.
Fim do jantar. Dulce serve o café... Márcia pinta as unhas assistindo novela de televisão. Otavinho vem do interior com livros sob o braço...
Otavinho – Vou para a aula, tchau!
Dulce – Toma café, meu filho.
Otavinho – Dá não, já atrasei!...
Dulce – Vem direto para casa. Não vai ficar pelo bar!...
Otavinho (Saindo.) – Tá!...
Otávio – Deixa o rapaz fazer o quer, querida. Já não é nenhum bebezinho... (Pega um jornal e vai sentar-se numa poltrona.)
Dulce – Muito ruim o café?
Otávio – Pior impossível, meu bem.
Dulce – Vocês sabem só reclamar, isso sim. Quem é que tem que penar toda a manhã pra acordar o Otavinho, hein, quem é? Tem um sono de pedra! E café, não adianta... Não sei fazer... Me dá qualquer coisa na cozinha que eu faço do melhor. Mas café não adianta mesmo... Não sei fazer...
Otávio – Perguntou, falei!... (Olha o relógio.)
Dulce (Tirando a mesa.) – Não pode esquecer que amanhã é dia de feira, Otávio...
Otávio – Hum...hum...
Dulce – Esta semana você não me deixou quase nada, Otávio... O dinheiro acabou...
Otávio – Pode deixar...
Dulce – Pode deixar, pode deixar... O açougue está atrasado dez dias... Dez dias, já!... Não sei o que você faz com o dinheiro?!
Otávio – Não sou milionário, nem vivo de renda...
GUARNIERI, Gianfrancesco. Teatro de Gianfrancesco: textos para televisão, Edusp/Hucitec, 1988 (adaptado).
Na peça teatral, a ordem em que estão descritas as ações durante a atuação das personagens é
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