Questões de EFAF Português - Leitura e Interpretação de Texto
7.497 Questões
Questão 3 10740841
COLTEC 2013INSTRUÇÃO: Para responder as questões, leia o TEXTO.
TEXTO

[1] Cerca de 2 mil brasileiros se casam todo dia. A partir do momento em que ingressa
na vida a dois, cada uma dessas pessoas começa a fazer uma ousada experiência, e não
só emocional. Um casamento pode facilitar ou dificultar a realização de qualquer desejo
ou projeto pessoal. Alguns casais deslancham: atuam em dupla, somam as inteligências
[5]e tomam decisões melhores à base de muita conversa e respeito intelectual mútuo.
Outros casais se tornam menos que a soma das duas partes: afundam em impasses,
sabotagem mútua e, eventualmente, separações destrutivas.
O poder do casamento, tanto para multiplicar quanto para destruir riqueza, foi
medido em 2005 por um estudo da Universidade Ohio, nos Estados Unidos, que
[10]acompanhou 9 mil pessoas durante 15 anos. Tratando-se de prosperidade média, a
análise mostrou três grupos bem definidos: no meio, os que permaneceram solteiros,
que enriqueceram de forma lenta e regular. Num extremo ruim, os que casaram, tiveram
uma má experiência e se separaram. Eles perderam, em média, 77% do patrimônio,
ao longo de um período de anos antes e depois da separação. No outro extremo — os
[15]que casaram e permaneceram casados — eles acumularam, na média, 93% mais riqueza
que os solteiros. O estudo não explicou se os casamentos bons e duradouros tornam as
pessoas mais prósperas. Ou vice-versa: se a prosperidade faz o amor durar.
SILVEIRA, M.; CORNACHIONE, D. O seu, o meu e o nosso. Disponível em: . Acesso em 27 maio 2012. (Adaptado).
Releia este trecho:
“Tratando-se de prosperidade média, a análise mostrou três grupos bem definidos: no meio, os que permaneceram solteiros, que enriqueceram de forma lenta e regular.” (Linhas 10-12).
Assinale a alternativa em que o trecho em destaque foi reescrito SEM alterar-lhe o sentido original.
Questão 20 10737271
CMBH 6° Ano - Português 2013TEXTO 1:
Metamorfose
– Anjo! – sussurrou a Ângela.
– Fantasma! – cochichou o Fábio.
– Pó – soprou o Paulo.
– Não tem jeito de saber – garantiu o Celso.
[5] A professora de matemática ouvia curiosa aquela discussão. Os quatro alunos, num canto da sala,
faziam de tudo para ela não escutar, mas era impossível.
O recreio já tinha acabado, a aula estava quase começando e nenhum dos quatro conseguia
convencer os outros.
Anjo! Fantasma! Pó! Nada disso! Você tá louco? Que bobagem! Pó! Fantasma! Anjo!
[10] A professora de matemática ficou se lembrando de quando tinha dez anos, como aqueles alunos.
Será que ela discutia assuntos tão profundos com os colegas? Como as crianças de hoje estavam
mudadas... que metamorfose!
– Não adianta – continuou o Celso. – Nós vamos discutir o resto da aula... O resto da vida...
– Fantasma, gente! – repetiu o Fábio.
[15] – Deus me livre, nem fala isso que eu arrepio. Fantasma é alma penada, só serve pra assustar a
gente. Atravessa as paredes, sussurra nos cantos...
– Pois então!
– Pra mim é anjo mesmo – insistiu a Ângela.
– E pra mim é pó. Tenho certeza.
[20] – Certeza? – reclamou o Celso. – Como é que vocês podem ter certeza de uma coisa assim?
A professora se fez a mesma pergunta. Afinal, o que acontece com a gente, depois da vida? Até
hoje, com quase 30, ela ainda não sabia a resposta, e os meninos, ali, debatendo com empolgação...
– Existe muita casa assombrada por aí – era de novo o Fábio. – Lá na minha terra, vira e mexe
aparecem uns fantasmas. Eu sei porque o vizinho da prima do meu avô já viu...
[25] – Aí não vale! – o Paulo zoou. – O vizinho do cachorro do tintureiro?
– Tá chamando meu vô de cachorro? – o Fábio não gostou.
– Não, ele tá chamando seu vô de tintureiro.
– Tintureiro? Isso é bom ou é ruim?
– Ih, Fábio, não foge do assunto!
[30] – Você é que fugiu do assunto, Ângela. Fica reclamando aí, mas diga então: você já viu algum anjo
antes?
– Isso mesmo – o Paulo concordou. – Você já viu anjo, você mesma, com os seus olhos, que a terra
há de comer?
– A terra não há de comer, como diz você, nem meus olhos, nem nada meu. Ela que coma adubo.
[35] – Um dia você chega lá – o Paulo provocou.
– Ah, vocês são muito sabichões. Vou perguntar pra professora.
– Não, menina! Ela é de matemática, você acha que ela vai saber?
– Se pelo menos fosse de ciências...
Se pelo menos fosse de ciências, a professora repetiu calada, sem olhar pros alunos, fingindo que
[40] nem tinha ouvido.
– Aposto que ela ia dizer fantasma.
– Anjo!
– Pó!
– Vou perguntar... Professora, eu sei que a senhora é de matemática, mas é que a gente está com
[45] uma dúvida...
– Pois não, Ângela.
– É que... é que eu li num livro da minha mãe que os anjos estão por toda parte e só não vê quem
não quer.
– Não, menina, isso são os gnomos! – o Fábio provocou. – Eu sei porque tem uma pessoa da minha
[50] família que acredita em gnomo.
– Uma pessoa? Deixa eu adivinhar: é o vizinho do cachorro do tintureiro do primo do seu avô?
– Engraçadinha, espirituosa... Não, Ângela, é a minha tia Consuelo. Ela é histérica e acredita em
gnomo.
– Sua tia é esotérica! – a professora emendou, quase sem querer.
[55] – Você conhece a tia Consuelo, fessora?
– Não, Fábio. Eu quis dizer que sua tia é esotérica, não é histérica. Histérica quer dizer outra coisa.
– Virou aula de português, agora? – reclamou um caxião da primeira fila.
– Sssshhh! – chiaram ao mesmo tempo a Ângela, o Paulo, o Celso e a professora.
– Ai, desculpa – murchou o caxião. – Eu só tô querendo ter aula de matemática. Olha aqui o
[60] horário que eu colei no caderno: terça-feira, depois do recreio, matemática. Ma-te-má-ti-ca. Não é
português não!
A professora sorriu quase impaciente e pediu pra ele esperar só um pouquinho, daqui a pouco ele ia
entender o que aquela conversa tinha a ver com matemática. Daqui a pouquinhozinho só, viu? Virou-se
pro Fábio e explicou:
[65] – Histérica é uma pessoa muito nervosa, agitada, impaciente, que grita e reclama de tudo.
– Igual alguém nessa sala – emendou a Ângela, encarando o caxião, que botou a língua pra ela.
– Olha, turma, tem gente achando que é Ásten...
– Quem é Ásten?
– Aquele cientista que punha a língua pra fora.
[70] – Einsten – explicou a professora.
– Pronto, agora é aula de física... – resmungou o caxião.
A professora sorriu quase impaciente e pediu pra ele esperar só mais um pouquinho.
– Vamos com calma, turma. Nós fugimos completamente do assunto. Como é que a conversa saiu
dos anjos e foi parar no Einsten?
[75] – É por causa da minha tia histérica... quer dizer esotérica. Ela tem um adesivo no carro escrito
assim: “Duendes: eu acredito”.
– E meu pai tem um adesivo escrito assim: “Duendes: eu atropelo”.
– Ah, não, Paulo, que maldade! Coitados dos bichinhos!
– Eu só tô falando a verdade.
[80] – Você tem mania de ser dono da verdade – acusou o Fábio. – Aposto que a professora vai me dar
razão. É fantasma!
– É anjo!
– Já falei que é pó!
– Não tem jeito de saber!
[85] – E então, fessora?
A professora engoliu em seco, não tinha ideia do que iria dizer. Achou melhor escapar da pergunta.
– Anjo, pó, fantasma... Estou achando meio cedo pra vocês terem essa conversa.
– Cedo por quê, fessora? – o Fábio não entendeu. – Foi antes do recreio que aconteceu.
– Aconteceu? Aconteceu o quê? – Agora é que ela estava perdida mesmo.
[90] Os quatro dispararam a falar, cada um atropelando o outro:
– É que hoje na aula...
– Antes do recreio...
– Nós vimos alguma coisa estranha atrás da cortina...
– Era um fantasma. Ele estava atrás da cortina só pra confundir a gente. Cortina e lençol parecem
[95] muito, fessora.
– Não, não, era um anjo. Ele tava espiando por trás da cortina, mas de vez em quando se mexia e a
gente via a sombra das asinhas.
– Nada disso. Era só poeira da obra lá fora. Na luz do sol, a gente vê o pó se movendo.
– Por mim, não tem jeito de saber com certeza...
[100] A professora simplesmente sorriu. Tinha entendido tudo errado.
Neste exato momento, todos ouviram um barulhinho diferente. Por trás da cortina, surgiu uma
borboleta azul, esvoaçou pela sala e sumiu janela afora.
O caxião olhou pro relógio de pulso e calculou:
– Vocês enrolaram tanto que, dos 50 minutos da aula, já passaram 28, só faltam 22.
[105] – Parabéns, Cassiano. – A professora se levantou, pegando giz e apagador. – Você fez a conta
direitinho. Eu não falei que a conversa tinha tudo a ver com matemática?
CUNHA, Leo. Metamorfose. In: TELLES, et al. Contos da Escola. Objetiva: Rio de Janeiro, 2003.
TEXTO 3:

Empregou-se a vírgula pelo mesmo motivo em todas as alternativas, exceto em:
Questão 19 10737270
CMBH 6° Ano - Português 2013TEXTO:

O adjetivo que descreve Calvin no último quadrinho é:
Questão 18 10737268
CMBH 6° Ano - Português 2013TEXTO:

É correto afirmar sobre essa tirinha que:
Questão 17 10737267
CMBH 6° Ano - Português 2013TEXTO I
Metamorfose
– Anjo! – sussurrou a Ângela.
– Fantasma! – cochichou o Fábio.
– Pó – soprou o Paulo.
– Não tem jeito de saber – garantiu o Celso.
[5] A professora de matemática ouvia curiosa aquela discussão. Os quatro alunos, num canto da sala,
faziam de tudo para ela não escutar, mas era impossível.
O recreio já tinha acabado, a aula estava quase começando e nenhum dos quatro conseguia
convencer os outros.
Anjo! Fantasma! Pó! Nada disso! Você tá louco? Que bobagem! Pó! Fantasma! Anjo!
[10] A professora de matemática ficou se lembrando de quando tinha dez anos, como aqueles alunos.
Será que ela discutia assuntos tão profundos com os colegas? Como as crianças de hoje estavam
mudadas... que metamorfose!
– Não adianta – continuou o Celso. – Nós vamos discutir o resto da aula... O resto da vida...
– Fantasma, gente! – repetiu o Fábio.
[15] – Deus me livre, nem fala isso que eu arrepio. Fantasma é alma penada, só serve pra assustar a
gente. Atravessa as paredes, sussurra nos cantos...
– Pois então!
– Pra mim é anjo mesmo – insistiu a Ângela.
– E pra mim é pó. Tenho certeza.
[20] – Certeza? – reclamou o Celso. – Como é que vocês podem ter certeza de uma coisa assim?
A professora se fez a mesma pergunta. Afinal, o que acontece com a gente, depois da vida? Até
hoje, com quase 30, ela ainda não sabia a resposta, e os meninos, ali, debatendo com empolgação...
– Existe muita casa assombrada por aí – era de novo o Fábio. – Lá na minha terra, vira e mexe
aparecem uns fantasmas. Eu sei porque o vizinho da prima do meu avô já viu...
[25] – Aí não vale! – o Paulo zoou. – O vizinho do cachorro do tintureiro?
– Tá chamando meu vô de cachorro? – o Fábio não gostou.
– Não, ele tá chamando seu vô de tintureiro.
– Tintureiro? Isso é bom ou é ruim?
– Ih, Fábio, não foge do assunto!
[30] – Você é que fugiu do assunto, Ângela. Fica reclamando aí, mas diga então: você já viu algum anjo
antes?
– Isso mesmo – o Paulo concordou. – Você já viu anjo, você mesma, com os seus olhos, que a terra
há de comer?
– A terra não há de comer, como diz você, nem meus olhos, nem nada meu. Ela que coma adubo.
[35] – Um dia você chega lá – o Paulo provocou.
– Ah, vocês são muito sabichões. Vou perguntar pra professora.
– Não, menina! Ela é de matemática, você acha que ela vai saber?
– Se pelo menos fosse de ciências...
Se pelo menos fosse de ciências, a professora repetiu calada, sem olhar pros alunos, fingindo que
[40] nem tinha ouvido.
– Aposto que ela ia dizer fantasma.
– Anjo!
– Pó!
– Vou perguntar... Professora, eu sei que a senhora é de matemática, mas é que a gente está com
[45] uma dúvida...
– Pois não, Ângela.
– É que... é que eu li num livro da minha mãe que os anjos estão por toda parte e só não vê quem
não quer.
– Não, menina, isso são os gnomos! – o Fábio provocou. – Eu sei porque tem uma pessoa da minha
[50] família que acredita em gnomo.
– Uma pessoa? Deixa eu adivinhar: é o vizinho do cachorro do tintureiro do primo do seu avô?
– Engraçadinha, espirituosa... Não, Ângela, é a minha tia Consuelo. Ela é histérica e acredita em
gnomo.
– Sua tia é esotérica! – a professora emendou, quase sem querer.
[55] – Você conhece a tia Consuelo, fessora?
– Não, Fábio. Eu quis dizer que sua tia é esotérica, não é histérica. Histérica quer dizer outra coisa.
– Virou aula de português, agora? – reclamou um caxião da primeira fila.
– Sssshhh! – chiaram ao mesmo tempo a Ângela, o Paulo, o Celso e a professora.
– Ai, desculpa – murchou o caxião. – Eu só tô querendo ter aula de matemática. Olha aqui o
[60] horário que eu colei no caderno: terça-feira, depois do recreio, matemática. Ma-te-má-ti-ca. Não é
português não!
A professora sorriu quase impaciente e pediu pra ele esperar só um pouquinho, daqui a pouco ele ia
entender o que aquela conversa tinha a ver com matemática. Daqui a pouquinhozinho só, viu? Virou-se
pro Fábio e explicou:
[65] – Histérica é uma pessoa muito nervosa, agitada, impaciente, que grita e reclama de tudo.
– Igual alguém nessa sala – emendou a Ângela, encarando o caxião, que botou a língua pra ela.
– Olha, turma, tem gente achando que é Ásten...
– Quem é Ásten?
– Aquele cientista que punha a língua pra fora.
[70] – Einsten – explicou a professora.
– Pronto, agora é aula de física... – resmungou o caxião.
A professora sorriu quase impaciente e pediu pra ele esperar só mais um pouquinho.
– Vamos com calma, turma. Nós fugimos completamente do assunto. Como é que a conversa saiu
dos anjos e foi parar no Einsten?
[75] – É por causa da minha tia histérica... quer dizer esotérica. Ela tem um adesivo no carro escrito
assim: “Duendes: eu acredito”.
– E meu pai tem um adesivo escrito assim: “Duendes: eu atropelo”.
– Ah, não, Paulo, que maldade! Coitados dos bichinhos!
– Eu só tô falando a verdade.
[80] – Você tem mania de ser dono da verdade – acusou o Fábio. – Aposto que a professora vai me dar
razão. É fantasma!
– É anjo!
– Já falei que é pó!
– Não tem jeito de saber!
[85] – E então, fessora?
A professora engoliu em seco, não tinha ideia do que iria dizer. Achou melhor escapar da pergunta.
– Anjo, pó, fantasma... Estou achando meio cedo pra vocês terem essa conversa.
– Cedo por quê, fessora? – o Fábio não entendeu. – Foi antes do recreio que aconteceu.
– Aconteceu? Aconteceu o quê? – Agora é que ela estava perdida mesmo.
[90] Os quatro dispararam a falar, cada um atropelando o outro:
– É que hoje na aula...
– Antes do recreio...
– Nós vimos alguma coisa estranha atrás da cortina...
– Era um fantasma. Ele estava atrás da cortina só pra confundir a gente. Cortina e lençol parecem
[95] muito, fessora.
– Não, não, era um anjo. Ele tava espiando por trás da cortina, mas de vez em quando se mexia e a
gente via a sombra das asinhas.
– Nada disso. Era só poeira da obra lá fora. Na luz do sol, a gente vê o pó se movendo.
– Por mim, não tem jeito de saber com certeza...
[100] A professora simplesmente sorriu. Tinha entendido tudo errado.
Neste exato momento, todos ouviram um barulhinho diferente. Por trás da cortina, surgiu uma
borboleta azul, esvoaçou pela sala e sumiu janela afora.
O caxião olhou pro relógio de pulso e calculou:
– Vocês enrolaram tanto que, dos 50 minutos da aula, já passaram 28, só faltam 22.
[105] – Parabéns, Cassiano. – A professora se levantou, pegando giz e apagador. – Você fez a conta
direitinho. Eu não falei que a conversa tinha tudo a ver com matemática?
CUNHA, Leo. Metamorfose. In: TELLES, et al. Contos da Escola. Objetiva: Rio de Janeiro, 2003.
TEXTO II:

Na relação entre os textos, pode-se afirmar que:
Questão 16 10737266
CMBH 6° Ano - Português 2013TEXTO
Metamorfose
– Anjo! – sussurrou a Ângela.
– Fantasma! – cochichou o Fábio.
– Pó – soprou o Paulo.
– Não tem jeito de saber – garantiu o Celso.
[5] A professora de matemática ouvia curiosa aquela discussão. Os quatro alunos, num canto da sala,
faziam de tudo para ela não escutar, mas era impossível.
O recreio já tinha acabado, a aula estava quase começando e nenhum dos quatro conseguia
convencer os outros.
Anjo! Fantasma! Pó! Nada disso! Você tá louco? Que bobagem! Pó! Fantasma! Anjo!
[10] A professora de matemática ficou se lembrando de quando tinha dez anos, como aqueles alunos.
Será que ela discutia assuntos tão profundos com os colegas? Como as crianças de hoje estavam
mudadas... que metamorfose!
– Não adianta – continuou o Celso. – Nós vamos discutir o resto da aula... O resto da vida...
– Fantasma, gente! – repetiu o Fábio.
[15] – Deus me livre, nem fala isso que eu arrepio. Fantasma é alma penada, só serve pra assustar a
gente. Atravessa as paredes, sussurra nos cantos...
– Pois então!
– Pra mim é anjo mesmo – insistiu a Ângela.
– E pra mim é pó. Tenho certeza.
[20] – Certeza? – reclamou o Celso. – Como é que vocês podem ter certeza de uma coisa assim?
A professora se fez a mesma pergunta. Afinal, o que acontece com a gente, depois da vida? Até
hoje, com quase 30, ela ainda não sabia a resposta, e os meninos, ali, debatendo com empolgação...
– Existe muita casa assombrada por aí – era de novo o Fábio. – Lá na minha terra, vira e mexe
aparecem uns fantasmas. Eu sei porque o vizinho da prima do meu avô já viu...
[25] – Aí não vale! – o Paulo zoou. – O vizinho do cachorro do tintureiro?
– Tá chamando meu vô de cachorro? – o Fábio não gostou.
– Não, ele tá chamando seu vô de tintureiro.
– Tintureiro? Isso é bom ou é ruim?
– Ih, Fábio, não foge do assunto!
[30] – Você é que fugiu do assunto, Ângela. Fica reclamando aí, mas diga então: você já viu algum anjo
antes?
– Isso mesmo – o Paulo concordou. – Você já viu anjo, você mesma, com os seus olhos, que a terra
há de comer?
– A terra não há de comer, como diz você, nem meus olhos, nem nada meu. Ela que coma adubo.
[35] – Um dia você chega lá – o Paulo provocou.
– Ah, vocês são muito sabichões. Vou perguntar pra professora.
– Não, menina! Ela é de matemática, você acha que ela vai saber?
– Se pelo menos fosse de ciências...
Se pelo menos fosse de ciências, a professora repetiu calada, sem olhar pros alunos, fingindo que
[40] nem tinha ouvido.
– Aposto que ela ia dizer fantasma.
– Anjo!
– Pó!
– Vou perguntar... Professora, eu sei que a senhora é de matemática, mas é que a gente está com
[45] uma dúvida...
– Pois não, Ângela.
– É que... é que eu li num livro da minha mãe que os anjos estão por toda parte e só não vê quem
não quer.
– Não, menina, isso são os gnomos! – o Fábio provocou. – Eu sei porque tem uma pessoa da minha
[50] família que acredita em gnomo.
– Uma pessoa? Deixa eu adivinhar: é o vizinho do cachorro do tintureiro do primo do seu avô?
– Engraçadinha, espirituosa... Não, Ângela, é a minha tia Consuelo. Ela é histérica e acredita em
gnomo.
– Sua tia é esotérica! – a professora emendou, quase sem querer.
[55] – Você conhece a tia Consuelo, fessora?
– Não, Fábio. Eu quis dizer que sua tia é esotérica, não é histérica. Histérica quer dizer outra coisa.
– Virou aula de português, agora? – reclamou um caxião da primeira fila.
– Sssshhh! – chiaram ao mesmo tempo a Ângela, o Paulo, o Celso e a professora.
– Ai, desculpa – murchou o caxião. – Eu só tô querendo ter aula de matemática. Olha aqui o
[60] horário que eu colei no caderno: terça-feira, depois do recreio, matemática. Ma-te-má-ti-ca. Não é
português não!
A professora sorriu quase impaciente e pediu pra ele esperar só um pouquinho, daqui a pouco ele ia
entender o que aquela conversa tinha a ver com matemática. Daqui a pouquinhozinho só, viu? Virou-se
pro Fábio e explicou:
[65] – Histérica é uma pessoa muito nervosa, agitada, impaciente, que grita e reclama de tudo.
– Igual alguém nessa sala – emendou a Ângela, encarando o caxião, que botou a língua pra ela.
– Olha, turma, tem gente achando que é Ásten...
– Quem é Ásten?
– Aquele cientista que punha a língua pra fora.
[70] – Einsten – explicou a professora.
– Pronto, agora é aula de física... – resmungou o caxião.
A professora sorriu quase impaciente e pediu pra ele esperar só mais um pouquinho.
– Vamos com calma, turma. Nós fugimos completamente do assunto. Como é que a conversa saiu
dos anjos e foi parar no Einsten?
[75] – É por causa da minha tia histérica... quer dizer esotérica. Ela tem um adesivo no carro escrito
assim: “Duendes: eu acredito”.
– E meu pai tem um adesivo escrito assim: “Duendes: eu atropelo”.
– Ah, não, Paulo, que maldade! Coitados dos bichinhos!
– Eu só tô falando a verdade.
[80] – Você tem mania de ser dono da verdade – acusou o Fábio. – Aposto que a professora vai me dar
razão. É fantasma!
– É anjo!
– Já falei que é pó!
– Não tem jeito de saber!
[85] – E então, fessora?
A professora engoliu em seco, não tinha ideia do que iria dizer. Achou melhor escapar da pergunta.
– Anjo, pó, fantasma... Estou achando meio cedo pra vocês terem essa conversa.
– Cedo por quê, fessora? – o Fábio não entendeu. – Foi antes do recreio que aconteceu.
– Aconteceu? Aconteceu o quê? – Agora é que ela estava perdida mesmo.
[90] Os quatro dispararam a falar, cada um atropelando o outro:
– É que hoje na aula...
– Antes do recreio...
– Nós vimos alguma coisa estranha atrás da cortina...
– Era um fantasma. Ele estava atrás da cortina só pra confundir a gente. Cortina e lençol parecem
[95] muito, fessora.
– Não, não, era um anjo. Ele tava espiando por trás da cortina, mas de vez em quando se mexia e a
gente via a sombra das asinhas.
– Nada disso. Era só poeira da obra lá fora. Na luz do sol, a gente vê o pó se movendo.
– Por mim, não tem jeito de saber com certeza...
[100] A professora simplesmente sorriu. Tinha entendido tudo errado.
Neste exato momento, todos ouviram um barulhinho diferente. Por trás da cortina, surgiu uma
borboleta azul, esvoaçou pela sala e sumiu janela afora.
O caxião olhou pro relógio de pulso e calculou:
– Vocês enrolaram tanto que, dos 50 minutos da aula, já passaram 28, só faltam 22.
[105] – Parabéns, Cassiano. – A professora se levantou, pegando giz e apagador. – Você fez a conta
direitinho. Eu não falei que a conversa tinha tudo a ver com matemática?
CUNHA, Leo. Metamorfose. In: TELLES, et al. Contos da Escola. Objetiva: Rio de Janeiro, 2003.
Assinale a alternativa que apresenta palavras acentuadas pela mesma razão.
06
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