Questões de EFAF Português - Leitura e Interpretação de Texto
7.497 Questões
Questão 33 10784040
Liceu-SP 2013Leia o conto de Moacyr Scliar para responder à questão.
LACUNA
Aos dez anos, ele decide começar um diário — e daí em diante não se passará dia sem que anote alguma coisa, um acontecimento, um pensamento, um devaneio. Os anos passam, os cadernos se empilham. Aos cinquenta, o homem, movido por algum obscuro motivo, resolve revisar, não a vida, mas os diários. É a primeira vez que o faz. E vai lendo, ora com um sorriso, ora com lágrimas nos olhos; ora arrebatado; ora entediado. De repente, nota que faltam as anotações correspondentes a um dia; é o único dia em que não escreveu nada, conforme verifica compulsando o resto do caderno e os cadernos seguintes. Por quê? — pergunta-se. — Por que falta esse dia? Pensa a princípio no mais óbvio, folha arrancada. Mas não, na mesma página em que deveriam estar as anotações, estão as dos dias anterior e posterior. Anotações aliás curtas, como todas as outras. Está, portanto, diante de um fato inexplicável: um dia não registrado. Por quê? Viagem? Não. Mesmo quando viajava levava o diário consigo. Doença? Também não: mesmo doente (e nunca esteve gravemente enfermo) não deixava de fazer suas anotações. O que era intrigante, transforma-se num martírio: o homem agora não só quer saber, ele precisa saber. O mistério o tortura, ele perde o apetite, não trabalha direito. A mulher e os amigos querem saber o que se passa: nunca o viram assim. E a ninguém ele pode contar, porque sente que não o compreenderiam.
Está resolvido a esclarecer o mistério. Não será fácil. À época em que a anotação deveria ter sido feita, morava sozinho. Recém-saído da faculdade, estava sem emprego. Namorada, só encontraria uns meses depois. Nenhuma conexão, pois, ninguém a quem perguntar. A quem recorrer? Depois de pensar muito, procura um adivinho. Este, surpreso, diz que não pode ajudá-lo; sua especialidade é prever o futuro, não desvendar o passado. Sugere um hipnotizador. O homem tenta submeter-se à hipnose, mas sem resultado; no momento em que vai cair em transe, sobressalta-se, e volta à vigília. O hipnotizador, vendo-o tão angustiado, aconselha um psicólogo. O homem vai ao psicólogo, que o ouve com atenção durante quarenta minutos; ao final da sessão sacode a cabeça, com ar compungido: sim, diz, a lembrança deve estar no inconsciente, em algum lugar do inconsciente, mas não tenho como recuperá-la. Dá uma esperança, porém: é possível que a recordação venha de súbito à tona, como um cadáver de um afogado.
— Talvez durante um sonho. Preste atenção a seus sonhos.
O homem passa a dormir com lápis e caderno a seu lado. Se o sonho lhe trouxer a lembrança tão desejada, quer anotá-la logo, antes de esquecê-la de novo. E uma noite, de fato, recorda; recorda tudo; com a mão trêmula, anota no caderno o que lembrou e, exausto mas satisfeito, adormece. No dia seguinte, constata que a folha do caderno está em branco. O ato de anotar também foi sonho.
Agora ele está convencido de que algo grave ocorreu. Vai aos arquivos de um grande matutino, pede ao encarregado o exemplar correspondente ao dia fatídico. O arquivista traz o jornal, que ele folheia com impaciência. E, na seção policial, encontra o que procura. Sim, houve um crime nesse dia. Um solitário foi assassinado, a polícia não tinha pistas.
O homem sente-se mal. Vai até o banheiro, lava o rosto. Ergue então a cabeça e vê, no espelho, a face sorridente de sua vítima.
SCLIAR, Moacyr. Contos Reunidos. São Paulo: Companhia das Letras, 1995, p. 339-40
A história é sobre
Questão 32 10784038
Liceu-SP 2013Leia o conto de Moacyr Scliar para responder à questão.
LACUNA
Aos dez anos, ele decide começar um diário — e daí em diante não se passará dia sem que anote alguma coisa, um acontecimento, um pensamento, um devaneio. Os anos passam, os cadernos se empilham. Aos cinquenta, o homem, movido por algum obscuro motivo, resolve revisar, não a vida, mas os diários. É a primeira vez que o faz. E vai lendo, ora com um sorriso, ora com lágrimas nos olhos; ora arrebatado; ora entediado. De repente, nota que faltam as anotações correspondentes a um dia; é o único dia em que não escreveu nada, conforme verifica compulsando o resto do caderno e os cadernos seguintes. Por quê? — pergunta-se. — Por que falta esse dia? Pensa a princípio no mais óbvio, folha arrancada. Mas não, na mesma página em que deveriam estar as anotações, estão as dos dias anterior e posterior. Anotações aliás curtas, como todas as outras. Está, portanto, diante de um fato inexplicável: um dia não registrado. Por quê? Viagem? Não. Mesmo quando viajava levava o diário consigo. Doença? Também não: mesmo doente (e nunca esteve gravemente enfermo) não deixava de fazer suas anotações. O que era intrigante, transforma-se num martírio: o homem agora não só quer saber, ele precisa saber. O mistério o tortura, ele perde o apetite, não trabalha direito. A mulher e os amigos querem saber o que se passa: nunca o viram assim. E a ninguém ele pode contar, porque sente que não o compreenderiam.
Está resolvido a esclarecer o mistério. Não será fácil. À época em que a anotação deveria ter sido feita, morava sozinho. Recém-saído da faculdade, estava sem emprego. Namorada, só encontraria uns meses depois. Nenhuma conexão, pois, ninguém a quem perguntar. A quem recorrer? Depois de pensar muito, procura um adivinho. Este, surpreso, diz que não pode ajudá-lo; sua especialidade é prever o futuro, não desvendar o passado. Sugere um hipnotizador. O homem tenta submeter-se à hipnose, mas sem resultado; no momento em que vai cair em transe, sobressalta-se, e volta à vigília. O hipnotizador, vendo-o tão angustiado, aconselha um psicólogo. O homem vai ao psicólogo, que o ouve com atenção durante quarenta minutos; ao final da sessão sacode a cabeça, com ar compungido: sim, diz, a lembrança deve estar no inconsciente, em algum lugar do inconsciente, mas não tenho como recuperá-la. Dá uma esperança, porém: é possível que a recordação venha de súbito à tona, como um cadáver de um afogado.
— Talvez durante um sonho. Preste atenção a seus sonhos.
O homem passa a dormir com lápis e caderno a seu lado. Se o sonho lhe trouxer a lembrança tão desejada, quer anotá-la logo, antes de esquecê-la de novo. E uma noite, de fato, recorda; recorda tudo; com a mão trêmula, anota no caderno o que lembrou e, exausto mas satisfeito, adormece. No dia seguinte, constata que a folha do caderno está em branco. O ato de anotar também foi sonho.
Agora ele está convencido de que algo grave ocorreu. Vai aos arquivos de um grande matutino, pede ao encarregado o exemplar correspondente ao dia fatídico. O arquivista traz o jornal, que ele folheia com impaciência. E, na seção policial, encontra o que procura. Sim, houve um crime nesse dia. Um solitário foi assassinado, a polícia não tinha pistas.
O homem sente-se mal. Vai até o banheiro, lava o rosto. Ergue então a cabeça e vê, no espelho, a face sorridente de sua vítima.
SCLIAR, Moacyr. Contos Reunidos. São Paulo: Companhia das Letras, 1995, p. 339-40
Segundo o conto, na época em que a página em branco supostamente foi deixada no diário, o personagem principal era um jovem que
Questão 31 10784037
Liceu-SP 2013Leia o conto de Moacyr Scliar para responder à questão.
LACUNA
Aos dez anos, ele decide começar um diário — e daí em diante não se passará dia sem que anote alguma coisa, um acontecimento, um pensamento, um devaneio. Os anos passam, os cadernos se empilham. Aos cinquenta, o homem, movido por algum obscuro motivo, resolve revisar, não a vida, mas os diários. É a primeira vez que o faz. E vai lendo, ora com um sorriso, ora com lágrimas nos olhos; ora arrebatado; ora entediado. De repente, nota que faltam as anotações correspondentes a um dia; é o único dia em que não escreveu nada, conforme verifica compulsando o resto do caderno e os cadernos seguintes. Por quê? — pergunta-se. — Por que falta esse dia? Pensa a princípio no mais óbvio, folha arrancada. Mas não, na mesma página em que deveriam estar as anotações, estão as dos dias anterior e posterior. Anotações aliás curtas, como todas as outras. Está, portanto, diante de um fato inexplicável: um dia não registrado. Por quê? Viagem? Não. Mesmo quando viajava levava o diário consigo. Doença? Também não: mesmo doente (e nunca esteve gravemente enfermo) não deixava de fazer suas anotações. O que era intrigante, transforma-se num martírio: o homem agora não só quer saber, ele precisa saber. O mistério o tortura, ele perde o apetite, não trabalha direito. A mulher e os amigos querem saber o que se passa: nunca o viram assim. E a ninguém ele pode contar, porque sente que não o compreenderiam.
Está resolvido a esclarecer o mistério. Não será fácil. À época em que a anotação deveria ter sido feita, morava sozinho. Recém-saído da faculdade, estava sem emprego. Namorada, só encontraria uns meses depois. Nenhuma conexão, pois, ninguém a quem perguntar. A quem recorrer? Depois de pensar muito, procura um adivinho. Este, surpreso, diz que não pode ajudá-lo; sua especialidade é prever o futuro, não desvendar o passado. Sugere um hipnotizador. O homem tenta submeter-se à hipnose, mas sem resultado; no momento em que vai cair em transe, sobressalta-se, e volta à vigília. O hipnotizador, vendo-o tão angustiado, aconselha um psicólogo. O homem vai ao psicólogo, que o ouve com atenção durante quarenta minutos; ao final da sessão sacode a cabeça, com ar compungido: sim, diz, a lembrança deve estar no inconsciente, em algum lugar do inconsciente, mas não tenho como recuperá-la. Dá uma esperança, porém: é possível que a recordação venha de súbito à tona, como um cadáver de um afogado.
— Talvez durante um sonho. Preste atenção a seus sonhos.
O homem passa a dormir com lápis e caderno a seu lado. Se o sonho lhe trouxer a lembrança tão desejada, quer anotá-la logo, antes de esquecê-la de novo. E uma noite, de fato, recorda; recorda tudo; com a mão trêmula, anota no caderno o que lembrou e, exausto mas satisfeito, adormece. No dia seguinte, constata que a folha do caderno está em branco. O ato de anotar também foi sonho.
Agora ele está convencido de que algo grave ocorreu. Vai aos arquivos de um grande matutino, pede ao encarregado o exemplar correspondente ao dia fatídico. O arquivista traz o jornal, que ele folheia com impaciência. E, na seção policial, encontra o que procura. Sim, houve um crime nesse dia. Um solitário foi assassinado, a polícia não tinha pistas.
O homem sente-se mal. Vai até o banheiro, lava o rosto. Ergue então a cabeça e vê, no espelho, a face sorridente de sua vítima.
SCLIAR, Moacyr. Contos Reunidos. São Paulo: Companhia das Letras, 1995, p. 339-40
As características que encontram fundamentação no conto para definir, de modo amplo, o personagem principal são
Questão 30 10784035
Liceu-SP 2013Leia os poemas a seguir para responder à questão.
CANÇÃO DO EXÍLIO
Gonçalves Dias
Minha terra tem palmeiras,
Onde canta o Sabiá;
As aves, que aqui gorjeiam,
Não gorjeiam como lá.
Nosso céu tem mais estrelas,
Nossas várzeas têm mais flores,
Nossos bosques têm mais vida,
Nossa vida mais amores.
Em cismar, sozinho, à noite,
Mais prazer encontro eu lá;
Minha terra tem palmeiras,
Onde canta o Sabiá.
Minha terra tem primores,
Que tais não encontro eu cá;
Em cismar — sozinho, à noite —
Mais prazer encontro eu lá;
Minha terra tem palmeiras,
Onde canta o Sabiá.
Não permita Deus que eu morra,
Sem que eu volte para lá;
Sem que desfrute os primores
Que não encontro por cá;
Sem qu’inda aviste as palmeiras,
Onde canta o Sabiá.
DIAS, Gonçalves. Poemas. São Paulo: Ediouro.
JOGOS FLORAIS
Cacaso
I
Minha terra tem palmeiras
Onde canta o tico-tico.
Enquanto isso o sabiá
Vive comendo o meu fubá.
Ficou moderno o Brasil
Ficou moderno o milagre:
a água já não vira vinho
vira direto vinagre.
II
Minha terra tem Palmeiras
Memória cala-te já.
Peço licença poética
Belém capital do Pará.
Bem, meus prezados senhores
Dado o avançado da hora
Errata e efeitos do vinho
O poeta sai de fininho.
(será mesmo com 2 esses
Que se escreve paçarinho?)
BRITO, Antônio Carlos. Lero-lero [1967-1985]. Rio de Janeiro: 7 letras; São Paulo: Cosac & Naify, p. 157.
Observe os seguintes versos do poema Canção do Exílio:
Minha terra tem palmeiras,
Onde canta o Sabiá
O termo destacado acima tem o mesmo valor da expressão “em que” na seguinte oração:
Questão 29 10784033
Liceu-SP 2013Leia os poemas a seguir para responder à questão.
CANÇÃO DO EXÍLIO
Gonçalves Dias
Minha terra tem palmeiras,
Onde canta o Sabiá;
As aves, que aqui gorjeiam,
Não gorjeiam como lá.
Nosso céu tem mais estrelas,
Nossas várzeas têm mais flores,
Nossos bosques têm mais vida,
Nossa vida mais amores.
Em cismar, sozinho, à noite,
Mais prazer encontro eu lá;
Minha terra tem palmeiras,
Onde canta o Sabiá.
Minha terra tem primores,
Que tais não encontro eu cá;
Em cismar — sozinho, à noite —
Mais prazer encontro eu lá;
Minha terra tem palmeiras,
Onde canta o Sabiá.
Não permita Deus que eu morra,
Sem que eu volte para lá;
Sem que desfrute os primores
Que não encontro por cá;
Sem qu’inda aviste as palmeiras,
Onde canta o Sabiá.
DIAS, Gonçalves. Poemas. São Paulo: Ediouro.
JOGOS FLORAIS
Cacaso
I
Minha terra tem palmeiras
Onde canta o tico-tico.
Enquanto isso o sabiá
Vive comendo o meu fubá.
Ficou moderno o Brasil
Ficou moderno o milagre:
a água já não vira vinho
vira direto vinagre.
II
Minha terra tem Palmeiras
Memória cala-te já.
Peço licença poética
Belém capital do Pará.
Bem, meus prezados senhores
Dado o avançado da hora
Errata e efeitos do vinho
O poeta sai de fininho.
(será mesmo com 2 esses
Que se escreve paçarinho?)
BRITO, Antônio Carlos. Lero-lero [1967-1985]. Rio de Janeiro: 7 letras; São Paulo: Cosac & Naify, p. 157.
A partir da leitura comparativa dos dois poemas, pode-se afirmar que
Questão 28 10784030
Liceu-SP 2013Leia os poemas a seguir para responder à questão.
CANÇÃO DO EXÍLIO
Gonçalves Dias
Minha terra tem palmeiras,
Onde canta o Sabiá;
As aves, que aqui gorjeiam,
Não gorjeiam como lá.
Nosso céu tem mais estrelas,
Nossas várzeas têm mais flores,
Nossos bosques têm mais vida,
Nossa vida mais amores.
Em cismar, sozinho, à noite,
Mais prazer encontro eu lá;
Minha terra tem palmeiras,
Onde canta o Sabiá.
Minha terra tem primores,
Que tais não encontro eu cá;
Em cismar — sozinho, à noite —
Mais prazer encontro eu lá;
Minha terra tem palmeiras,
Onde canta o Sabiá.
Não permita Deus que eu morra,
Sem que eu volte para lá;
Sem que desfrute os primores
Que não encontro por cá;
Sem qu’inda aviste as palmeiras,
Onde canta o Sabiá.
DIAS, Gonçalves. Poemas. São Paulo: Ediouro.
JOGOS FLORAIS
Cacaso
I
Minha terra tem palmeiras
Onde canta o tico-tico.
Enquanto isso o sabiá
Vive comendo o meu fubá.
Ficou moderno o Brasil
Ficou moderno o milagre:
a água já não vira vinho
vira direto vinagre.
II
Minha terra tem Palmeiras
Memória cala-te já.
Peço licença poética
Belém capital do Pará.
Bem, meus prezados senhores
Dado o avançado da hora
Errata e efeitos do vinho
O poeta sai de fininho.
(será mesmo com 2 esses
Que se escreve paçarinho?)
BRITO, Antônio Carlos. Lero-lero [1967-1985]. Rio de Janeiro: 7 letras; São Paulo: Cosac & Naify, p. 157.
A partir da leitura do poema Canção do Exílio, é possível afirmar que a relação estabelecida pelo exilado com a terra estrangeira é de
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