Questões de EFAF Português
15.488 Questões
Questão 11 10611504
CMJF 6° Ano - Português e Matemática 2018Texto —
Mercado pet cresce graças a mudanças no comportamento dos donos de animais de estimação
As oportunidades de trabalho aumentam no segmento de saúde pet, que deve fechar o ano com 13% de crescimento
Por Mariana Poli
18 abr 2017, 12h47 - Publicado em 20 jan 2017, 08h00
Mais de 50 milhões de cães e 22 milhões de gatos de estimação. Esses números
impressionantes, divulgados no ano passado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística
(IBGE), ajudam a entender o sucesso de um dos negócios que mais crescem no Brasil: o mercado
pet. Com faturamento previsto de 19,2 bilhões de reais e expansão de quase 7% em relação ao ano
[5] passado, o setor resiste à crise.
Embora sinta os reflexos da desaceleração da economia, ele surpreende pela resiliência diante
dos índices de desemprego e da corrosão da renda da população pela inflação. “Mesmo crescendo
mais devagar, o mercado de animais de estimação representa 0,38% do produto interno bruto (PIB)
e já é maior do que a linha branca de geladeira e fogão”, diz José Edson Galvão de França,
[10] presidente executivo da Associação Brasileira da Indústria de Produtos para Animais de Estimação
(Abinpet).
E a grande vedete dentro desse mercado é o segmento de saúde animal. Impulsionado pelo
avanço da tecnologia, esse nicho avança na casa dos dois dígitos - a projeção é que cresça 13%
em relação a 2015, quase o dobro do mercado pet como um todo.
[15] Mas o que faz essa área se destacar tanto num período em que as pessoas estão cortando
gastos? A resposta é simples: a mudança de comportamento dos donos dos bichos. Nos últimos
anos, os animais de estimação passaram para dentro das casas e ganharam o status de membros
da família.
“Como sobem no sofá, dormem no quarto e dividem o ambiente com as crianças, eles
[20] passaram a ser mais bem cuidados por seus donos. A atitude, que antes era curativa, se tornou
preventiva”, diz Gustavo Moraes, diretor de negócios da unidade pet da MSD Saúde Animal, que no
ano passado faturou 576 milhões de reais no Brasil.
(https://exame.abril.com.br/carreira/mercado-pet-cresce-gracas-a-mudancas-no-comportamento-dos-donos-de-animais-de-estimacao/ Acesso em 10 de outubro de 2018)
Marque a alternativa em que as vírgulas foram usadas para separar elementos de uma enumeração.
Questão 10 10611490
CMJF 6° Ano - Português e Matemática 2018Texto I - Os meninos morenos

O Jarinho falava com os animais. Ao lado das plantas de seu pai, no seu quintal, havia um
pequeno jardim zoológico que me matava de inveja. Jarinho tinha coelhos, porquinhos-da-índia, um
quati, cabritos e até um pequeno jacaré. (...)
A despeito de tudo isso, o Jarinho tinha tempo de brincar com a gente. E aparecia para as
[5] brincadeiras, trazendo sempre consigo seu melhor amigo: um melro que vivia pousado no seu
ombro.
Uma das recordações mais felizes da minha infância é da sinfonia dos melros nas palmeiras. A
gente chegava muito cedo para a primeira aula do Grupo Escolar que ficava na praça que era
cercada de altas palmeiras.
[10] Pois é: minha terra tinha palmeiras onde, em vez de sabiá, cantava o melro. E, como a gente
chegava muito cedo para a aula, os melros ainda estavam cantando a sua canção matinal. Era
como se estivessem saudando os meninos morenos, que também chegavam em bando para a
escola.
Jarinho chegava pra brincar com a gente e vinha com o melro no
[15] ombro. Se a brincadeira era contar história, brincar de gata-parida,
berlinda, mamãe-eu-posso-ir ou qualquer outra que não implicasse correr,
o melro ficava ali, no ombro do Jarinho. Se, porém, a gente tinha que
correr, se a brincadeira era de pique, de pular-carniça, soltar papagaio,
jogar precipício, cobra-caninana, esconde-esconde ou mãos-ao-ar — que,
[20] em outras cidades, se chamava bandido-e-mocinho -, o Jarinho botava o
melro no galho de uma árvore ou no umbral de uma janela e dizia: “Fica aí,
que eu já volto. E o melro ficava esperando seu dono voltar da
brincadeira. À professora pedia ao Jarinho pra não levar o melro para a escola. Era para não
tumultuar as aulas.
[25] O Jarinho ficava muito triste de deixar seu amigo em casa.
(...)
Foi num mês de agosto, no dia seguinte de uma grande ventania, que o Jarinho não apareceu
na escola.
Na semana seguinte aquele dia, não só o Jarinho, mas todos os meninos da rua não fizeram
[30] senão procurar o melro do Jarinho.
Ele o havia deixado num galho de árvore para fazer uma coisa qualquer (que era melhor fazer
sem seu amigo). Foi quando começou o furacão. Foi de repente, eu me lembro.
Nunca havia ventado tanto na minha cidade. As pessoas se agarravam aos postes para não
serem arrastadas, telhas voaram pelos ares, casebres ficaram sem teto, folhas das palmeiras
[35] imperiais da praça se desprenderam, voando a grandes alturas, ameaçadoras.
Todos os meninos da rua só faltaram morrer de tristeza, o Jarinho ficou de cama e não me
lembro mais de voltar a vê-lo imitar seus passarinhos. Minha mãe, que era uma sábia, tentou
explicar para os meninos da rua que era bom a gente prestar bastante atenção nas coisas boas,
enquanto elas duram.
[40] Muitos e muitos anos depois — agora, recentemente — reencontrei o Jarinho. Era um senhor
gordinho com os cabelos — muito poucos — completamente brancos e os olhos pequenos mais
sumidos do que nunca. E bem mais moreno do que Jarinho menino, quase marrom. O tempo lhe
deu um ar de santo, seu sorriso era doce como o sorriso simpático de seu velho pai. Perguntei-lhe
se ele se lembrava, com a mesma intensidade que eu, dos velhos tempos da rua de nossa infância.
[45] E falei do melro no seu ombro e ele me disse: “Não me esqueço nunca. Ainda hoje, tantos anos
depois, acordo no meio da noite e, dentro do meu quarto, escuto o meu melro cantando direitinho
como se estivesse ali”.
(Ziraldo. Os meninos morenos. 2. ed. São Paulo: Melhoramentos. pp. 44-8)
Texto II - Merlin e Shiva
Sempre amei os cães. Ultimamente, descobri também a paixão pelos gatos. Tudo começou por
impulso. Vi um gato cor de mel na vitrine de uma loja de shopping. Absolutamente imóvel. Fiquei
algum tempo observando, em dúvida se era brinquedo ou ser vivo. Ao seu lado, dois outros
passeavam. Finalmente, ele mexeu de leve a cabeça. “Que gato quieto!”, espantei-me.
[5] Tive pena. Acho cruel o que essas lojas de animais fazem, deixando os bichos presos o dia
inteiro em um espaço minúsculo. “E se eu comprar o gato?”, pensei. Achei loucura. Já tenho três
cães. Imaginei as confusões, os miados, os latidos, as perseguições. Fui comer um sanduíche. O
gato não me saía da cabeça. “Jamais farei isso!”, decidi. Terminei o sanduíche e resolvi olhar o
bichano mais uma vez. E então, diante da vitrine, tive uma daquelas intuições que só ocorrem de
[10] vez em quando. “Eu preciso levar esse gato para salvar a vida dele”, refleti. Foi um sentimento forte.
Entrei na loja. Perguntei o preço do gato, da casinha, da ração. Era caro. Abri a carteira e arranquei
o cartão de crédito.
— Por que não compra também a companheirinha dele? — insinuou o vendedor, indicando a
gatinha rajada de preto.
[15] Dali a pouco eu estava no carro com um pacote de ração, vasilha higiênica, almofadinhas, os
dois gatos numa caixa de papelão e o cartão de crédito estourado. Fui para casa. Os cães me
perseguiram excitados enquanto eu fugia com os gatos para o meu escritório. Tranquei-me com
eles. Um amigo apaixonado por felinos explicou:
— Eles precisam passar um tempo presos para se acostumar com a casa.
[20] Forrei a janela do escritório com telas. Servi a ração. Em seguida, tratei de mudar o nome
deles, dado pelo gatil. O dela não me lembro. Mas ele se chamava Cherry. Não achei adequado
para um representante do sexo masculino. Troquei por Merlin e Shiva. Aí descobri que ele tossia.
Sem parar. Pus a mão no focinho. Estava quente.
Voei para o veterinário. Minha intuição provou-se verdadeira. Merlin estava à beira da morte.
[25] Passou um mês internado. Eu ia visitá-lo, estava sempre preso numa galolinha. Não me reconhecia
como dono. Shiva acostumou-se com o escritório e dormia no meio dos livros. Adorava ouvi-la
ronronando ao meu lado no sofá, mordendo de leve a ponta dos meus dedos. Merlin voltou, mas
não estava curado.
— Talvez seja uma doença crônica — informou o veterinário.
[30] Um amigo indicou um especialista em gatos. Novo tratamento, com remédios em horários
certos. Aos poucos, Merlin parou de tossir. E começou a demonstrar sua verdadeira personalidade,
escalando mesa, estante, botando o focinho em tudo! Tão quietinho na vitrine, tão animado em
casa!
O passo seguinte foi promover a integração. Coloquei Merlin e Shiva na sala, separados dos
[35] cães por uma porta-janela de vidro. Latidos. Os felinos lançaram olhares de desprezo. Dias depois,
abri a porta, pronto para intervir. Os cães cheiraram. Os gatos ergueram o rabo, orgulhosos. Passei
dias atento. Até que, numa noite chuvosa, não achei Merlin de jeito nenhum. Esquadrinhei a casa
toda. Fiquei encharcado no jardim. “Ele fugiu!”, concluí com dor no coração.
De manhã, a surpresa! Merlin e os três cães dormiam juntos, aquecendo-se mutuamente,
[40] como velhos amigos!
Agora, onde estou eles vão. Shiva, mais arisca, fica sempre por perto. Merlin deita-se aos
meus pés. Sobe no meu colo enquanto escrevo. Definitivamente, estou perdidamente apaixonado. E
sei que esse amor é para toda a vida!
(https://vejasp.abril.com.br/cidades/merlin-shiva/ Acesso em 10 de outubro de 2018)
Texto III —
Mercado pet cresce graças a mudanças no comportamento dos donos de animais de estimação
As oportunidades de trabalho aumentam no segmento de saúde pet, que deve fechar o ano com 13% de crescimento
Por Mariana Poli
18 abr 2017, 12h47 - Publicado em 20 jan 2017, 08h00
Mais de 50 milhões de cães e 22 milhões de gatos de estimação. Esses números
impressionantes, divulgados no ano passado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística
(IBGE), ajudam a entender o sucesso de um dos negócios que mais crescem no Brasil: o mercado
pet. Com faturamento previsto de 19,2 bilhões de reais e expansão de quase 7% em relação ao ano
[5] passado, o setor resiste à crise.
Embora sinta os reflexos da desaceleração da economia, ele surpreende pela resiliência diante
dos índices de desemprego e da corrosão da renda da população pela inflação. “Mesmo crescendo
mais devagar, o mercado de animais de estimação representa 0,38% do produto interno bruto (PIB)
e já é maior do que a linha branca de geladeira e fogão”, diz José Edson Galvão de França,
[10] presidente executivo da Associação Brasileira da Indústria de Produtos para Animais de Estimação
(Abinpet).
E a grande vedete dentro desse mercado é o segmento de saúde animal. Impulsionado pelo
avanço da tecnologia, esse nicho avança na casa dos dois dígitos - a projeção é que cresça 13%
em relação a 2015, quase o dobro do mercado pet como um todo.
[15] Mas o que faz essa área se destacar tanto num período em que as pessoas estão cortando
gastos? A resposta é simples: a mudança de comportamento dos donos dos bichos. Nos últimos
anos, os animais de estimação passaram para dentro das casas e ganharam o status de membros
da família.
“Como sobem no sofá, dormem no quarto e dividem o ambiente com as crianças, eles
[20] passaram a ser mais bem cuidados por seus donos. A atitude, que antes era curativa, se tornou
preventiva”, diz Gustavo Moraes, diretor de negócios da unidade pet da MSD Saúde Animal, que no
ano passado faturou 576 milhões de reais no Brasil.
(https://exame.abril.com.br/carreira/mercado-pet-cresce-gracas-a-mudancas-no-comportamento-dos-donos-de-animais-de-estimacao/ Acesso em 10 de outubro de 2018)
Assinale a alternativa em que o termo entre parênteses é aquele a que o pronome destacado se refere.
Questão 9 10611428
CMJF 6° Ano - Português e Matemática 2018Texto I - Os meninos morenos

O Jarinho falava com os animais. Ao lado das plantas de seu pai, no seu quintal, havia um
pequeno jardim zoológico que me matava de inveja. Jarinho tinha coelhos, porquinhos-da-índia, um
quati, cabritos e até um pequeno jacaré. (...)
A despeito de tudo isso, o Jarinho tinha tempo de brincar com a gente. E aparecia para as
[5] brincadeiras, trazendo sempre consigo seu melhor amigo: um melro que vivia pousado no seu
ombro.
Uma das recordações mais felizes da minha infância é da sinfonia dos melros nas palmeiras. A
gente chegava muito cedo para a primeira aula do Grupo Escolar que ficava na praça que era
cercada de altas palmeiras.
[10] Pois é: minha terra tinha palmeiras onde, em vez de sabiá, cantava o melro. E, como a gente
chegava muito cedo para a aula, os melros ainda estavam cantando a sua canção matinal. Era
como se estivessem saudando os meninos morenos, que também chegavam em bando para a
escola.
Jarinho chegava pra brincar com a gente e vinha com o melro no
[15] ombro. Se a brincadeira era contar história, brincar de gata-parida,
berlinda, mamãe-eu-posso-ir ou qualquer outra que não implicasse correr,
o melro ficava ali, no ombro do Jarinho. Se, porém, a gente tinha que
correr, se a brincadeira era de pique, de pular-carniça, soltar papagaio,
jogar precipício, cobra-caninana, esconde-esconde ou mãos-ao-ar — que,
[20] em outras cidades, se chamava bandido-e-mocinho -, o Jarinho botava o
melro no galho de uma árvore ou no umbral de uma janela e dizia: “Fica aí,
que eu já volto. E o melro ficava esperando seu dono voltar da
brincadeira. À professora pedia ao Jarinho pra não levar o melro para a escola. Era para não
tumultuar as aulas.
[25] O Jarinho ficava muito triste de deixar seu amigo em casa.
(...)
Foi num mês de agosto, no dia seguinte de uma grande ventania, que o Jarinho não apareceu
na escola.
Na semana seguinte aquele dia, não só o Jarinho, mas todos os meninos da rua não fizeram
[30] senão procurar o melro do Jarinho.
Ele o havia deixado num galho de árvore para fazer uma coisa qualquer (que era melhor fazer
sem seu amigo). Foi quando começou o furacão. Foi de repente, eu me lembro.
Nunca havia ventado tanto na minha cidade. As pessoas se agarravam aos postes para não
serem arrastadas, telhas voaram pelos ares, casebres ficaram sem teto, folhas das palmeiras
[35] imperiais da praça se desprenderam, voando a grandes alturas, ameaçadoras.
Todos os meninos da rua só faltaram morrer de tristeza, o Jarinho ficou de cama e não me
lembro mais de voltar a vê-lo imitar seus passarinhos. Minha mãe, que era uma sábia, tentou
explicar para os meninos da rua que era bom a gente prestar bastante atenção nas coisas boas,
enquanto elas duram.
[40] Muitos e muitos anos depois — agora, recentemente — reencontrei o Jarinho. Era um senhor
gordinho com os cabelos — muito poucos — completamente brancos e os olhos pequenos mais
sumidos do que nunca. E bem mais moreno do que Jarinho menino, quase marrom. O tempo lhe
deu um ar de santo, seu sorriso era doce como o sorriso simpático de seu velho pai. Perguntei-lhe
se ele se lembrava, com a mesma intensidade que eu, dos velhos tempos da rua de nossa infância.
[45] E falei do melro no seu ombro e ele me disse: “Não me esqueço nunca. Ainda hoje, tantos anos
depois, acordo no meio da noite e, dentro do meu quarto, escuto o meu melro cantando direitinho
como se estivesse ali”.
(Ziraldo. Os meninos morenos. 2. ed. São Paulo: Melhoramentos. pp. 44-8)
Texto II - Merlin e Shiva
Sempre amei os cães. Ultimamente, descobri também a paixão pelos gatos. Tudo começou por
impulso. Vi um gato cor de mel na vitrine de uma loja de shopping. Absolutamente imóvel. Fiquei
algum tempo observando, em dúvida se era brinquedo ou ser vivo. Ao seu lado, dois outros
passeavam. Finalmente, ele mexeu de leve a cabeça. “Que gato quieto!”, espantei-me.
[5] Tive pena. Acho cruel o que essas lojas de animais fazem, deixando os bichos presos o dia
inteiro em um espaço minúsculo. “E se eu comprar o gato?”, pensei. Achei loucura. Já tenho três
cães. Imaginei as confusões, os miados, os latidos, as perseguições. Fui comer um sanduíche. O
gato não me saía da cabeça. “Jamais farei isso!”, decidi. Terminei o sanduíche e resolvi olhar o
bichano mais uma vez. E então, diante da vitrine, tive uma daquelas intuições que só ocorrem de
[10] vez em quando. “Eu preciso levar esse gato para salvar a vida dele”, refleti. Foi um sentimento forte.
Entrei na loja. Perguntei o preço do gato, da casinha, da ração. Era caro. Abri a carteira e arranquei
o cartão de crédito.
— Por que não compra também a companheirinha dele? — insinuou o vendedor, indicando a
gatinha rajada de preto.
[15] Dali a pouco eu estava no carro com um pacote de ração, vasilha higiênica, almofadinhas, os
dois gatos numa caixa de papelão e o cartão de crédito estourado. Fui para casa. Os cães me
perseguiram excitados enquanto eu fugia com os gatos para o meu escritório. Tranquei-me com
eles. Um amigo apaixonado por felinos explicou:
— Eles precisam passar um tempo presos para se acostumar com a casa.
[20] Forrei a janela do escritório com telas. Servi a ração. Em seguida, tratei de mudar o nome
deles, dado pelo gatil. O dela não me lembro. Mas ele se chamava Cherry. Não achei adequado
para um representante do sexo masculino. Troquei por Merlin e Shiva. Aí descobri que ele tossia.
Sem parar. Pus a mão no focinho. Estava quente.
Voei para o veterinário. Minha intuição provou-se verdadeira. Merlin estava à beira da morte.
[25] Passou um mês internado. Eu ia visitá-lo, estava sempre preso numa galolinha. Não me reconhecia
como dono. Shiva acostumou-se com o escritório e dormia no meio dos livros. Adorava ouvi-la
ronronando ao meu lado no sofá, mordendo de leve a ponta dos meus dedos. Merlin voltou, mas
não estava curado.
— Talvez seja uma doença crônica — informou o veterinário.
[30] Um amigo indicou um especialista em gatos. Novo tratamento, com remédios em horários
certos. Aos poucos, Merlin parou de tossir. E começou a demonstrar sua verdadeira personalidade,
escalando mesa, estante, botando o focinho em tudo! Tão quietinho na vitrine, tão animado em
casa!
O passo seguinte foi promover a integração. Coloquei Merlin e Shiva na sala, separados dos
[35] cães por uma porta-janela de vidro. Latidos. Os felinos lançaram olhares de desprezo. Dias depois,
abri a porta, pronto para intervir. Os cães cheiraram. Os gatos ergueram o rabo, orgulhosos. Passei
dias atento. Até que, numa noite chuvosa, não achei Merlin de jeito nenhum. Esquadrinhei a casa
toda. Fiquei encharcado no jardim. “Ele fugiu!”, concluí com dor no coração.
De manhã, a surpresa! Merlin e os três cães dormiam juntos, aquecendo-se mutuamente,
[40] como velhos amigos!
Agora, onde estou eles vão. Shiva, mais arisca, fica sempre por perto. Merlin deita-se aos
meus pés. Sobe no meu colo enquanto escrevo. Definitivamente, estou perdidamente apaixonado. E
sei que esse amor é para toda a vida!
(https://vejasp.abril.com.br/cidades/merlin-shiva/ Acesso em 10 de outubro de 2018)
Texto III —
Mercado pet cresce graças a mudanças no comportamento dos donos de animais de estimação
As oportunidades de trabalho aumentam no segmento de saúde pet, que deve fechar o ano com 13% de crescimento
Por Mariana Poli
18 abr 2017, 12h47 - Publicado em 20 jan 2017, 08h00
Mais de 50 milhões de cães e 22 milhões de gatos de estimação. Esses números
impressionantes, divulgados no ano passado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística
(IBGE), ajudam a entender o sucesso de um dos negócios que mais crescem no Brasil: o mercado
pet. Com faturamento previsto de 19,2 bilhões de reais e expansão de quase 7% em relação ao ano
[5] passado, o setor resiste à crise.
Embora sinta os reflexos da desaceleração da economia, ele surpreende pela resiliência diante
dos índices de desemprego e da corrosão da renda da população pela inflação. “Mesmo crescendo
mais devagar, o mercado de animais de estimação representa 0,38% do produto interno bruto (PIB)
e já é maior do que a linha branca de geladeira e fogão”, diz José Edson Galvão de França,
[10] presidente executivo da Associação Brasileira da Indústria de Produtos para Animais de Estimação
(Abinpet).
E a grande vedete dentro desse mercado é o segmento de saúde animal. Impulsionado pelo
avanço da tecnologia, esse nicho avança na casa dos dois dígitos - a projeção é que cresça 13%
em relação a 2015, quase o dobro do mercado pet como um todo.
[15] Mas o que faz essa área se destacar tanto num período em que as pessoas estão cortando
gastos? A resposta é simples: a mudança de comportamento dos donos dos bichos. Nos últimos
anos, os animais de estimação passaram para dentro das casas e ganharam o status de membros
da família.
“Como sobem no sofá, dormem no quarto e dividem o ambiente com as crianças, eles
[20] passaram a ser mais bem cuidados por seus donos. A atitude, que antes era curativa, se tornou
preventiva”, diz Gustavo Moraes, diretor de negócios da unidade pet da MSD Saúde Animal, que no
ano passado faturou 576 milhões de reais no Brasil.
(https://exame.abril.com.br/carreira/mercado-pet-cresce-gracas-a-mudancas-no-comportamento-dos-donos-de-animais-de-estimacao/ Acesso em 10 de outubro de 2018)
As alternativas abaixo analisam algumas características dos textos desta prova.
Assinale a que estiver correta.
Questão 7 10611399
CMJF 6° Ano - Português e Matemática 2018Texto I - Os meninos morenos

O Jarinho falava com os animais. Ao lado das plantas de seu pai, no seu quintal, havia um
pequeno jardim zoológico que me matava de inveja. Jarinho tinha coelhos, porquinhos-da-índia, um
quati, cabritos e até um pequeno jacaré. (...)
A despeito de tudo isso, o Jarinho tinha tempo de brincar com a gente. E aparecia para as
[5] brincadeiras, trazendo sempre consigo seu melhor amigo: um melro que vivia pousado no seu
ombro.
Uma das recordações mais felizes da minha infância é da sinfonia dos melros nas palmeiras. A
gente chegava muito cedo para a primeira aula do Grupo Escolar que ficava na praça que era
cercada de altas palmeiras.
[10] Pois é: minha terra tinha palmeiras onde, em vez de sabiá, cantava o melro. E, como a gente
chegava muito cedo para a aula, os melros ainda estavam cantando a sua canção matinal. Era
como se estivessem saudando os meninos morenos, que também chegavam em bando para a
escola.
Jarinho chegava pra brincar com a gente e vinha com o melro no
[15] ombro. Se a brincadeira era contar história, brincar de gata-parida,
berlinda, mamãe-eu-posso-ir ou qualquer outra que não implicasse correr,
o melro ficava ali, no ombro do Jarinho. Se, porém, a gente tinha que
correr, se a brincadeira era de pique, de pular-carniça, soltar papagaio,
jogar precipício, cobra-caninana, esconde-esconde ou mãos-ao-ar — que,
[20] em outras cidades, se chamava bandido-e-mocinho -, o Jarinho botava o
melro no galho de uma árvore ou no umbral de uma janela e dizia: “Fica aí,
que eu já volto. E o melro ficava esperando seu dono voltar da
brincadeira. À professora pedia ao Jarinho pra não levar o melro para a escola. Era para não
tumultuar as aulas.
[25] O Jarinho ficava muito triste de deixar seu amigo em casa.
(...)
Foi num mês de agosto, no dia seguinte de uma grande ventania, que o Jarinho não apareceu
na escola.
Na semana seguinte aquele dia, não só o Jarinho, mas todos os meninos da rua não fizeram
[30] senão procurar o melro do Jarinho.
Ele o havia deixado num galho de árvore para fazer uma coisa qualquer (que era melhor fazer
sem seu amigo). Foi quando começou o furacão. Foi de repente, eu me lembro.
Nunca havia ventado tanto na minha cidade. As pessoas se agarravam aos postes para não
serem arrastadas, telhas voaram pelos ares, casebres ficaram sem teto, folhas das palmeiras
[35] imperiais da praça se desprenderam, voando a grandes alturas, ameaçadoras.
Todos os meninos da rua só faltaram morrer de tristeza, o Jarinho ficou de cama e não me
lembro mais de voltar a vê-lo imitar seus passarinhos. Minha mãe, que era uma sábia, tentou
explicar para os meninos da rua que era bom a gente prestar bastante atenção nas coisas boas,
enquanto elas duram.
[40] Muitos e muitos anos depois — agora, recentemente — reencontrei o Jarinho. Era um senhor
gordinho com os cabelos — muito poucos — completamente brancos e os olhos pequenos mais
sumidos do que nunca. E bem mais moreno do que Jarinho menino, quase marrom. O tempo lhe
deu um ar de santo, seu sorriso era doce como o sorriso simpático de seu velho pai. Perguntei-lhe
se ele se lembrava, com a mesma intensidade que eu, dos velhos tempos da rua de nossa infância.
[45] E falei do melro no seu ombro e ele me disse: “Não me esqueço nunca. Ainda hoje, tantos anos
depois, acordo no meio da noite e, dentro do meu quarto, escuto o meu melro cantando direitinho
como se estivesse ali”.
(Ziraldo. Os meninos morenos. 2. ed. São Paulo: Melhoramentos. pp. 44-8)
Texto - Merlin e Shiva II
Sempre amei os cães. Ultimamente, descobri também a paixão pelos gatos. Tudo começou por
impulso. Vi um gato cor de mel na vitrine de uma loja de shopping. Absolutamente imóvel. Fiquei
algum tempo observando, em dúvida se era brinquedo ou ser vivo. Ao seu lado, dois outros
passeavam. Finalmente, ele mexeu de leve a cabeça. “Que gato quieto!”, espantei-me.
[5] Tive pena. Acho cruel o que essas lojas de animais fazem, deixando os bichos presos o dia
inteiro em um espaço minúsculo. “E se eu comprar o gato?”, pensei. Achei loucura. Já tenho três
cães. Imaginei as confusões, os miados, os latidos, as perseguições. Fui comer um sanduíche. O
gato não me saía da cabeça. “Jamais farei isso!”, decidi. Terminei o sanduíche e resolvi olhar o
bichano mais uma vez. E então, diante da vitrine, tive uma daquelas intuições que só ocorrem de
[10] vez em quando. “Eu preciso levar esse gato para salvar a vida dele”, refleti. Foi um sentimento forte.
Entrei na loja. Perguntei o preço do gato, da casinha, da ração. Era caro. Abri a carteira e arranquei
o cartão de crédito.
— Por que não compra também a companheirinha dele? — insinuou o vendedor, indicando a
gatinha rajada de preto.
[15] Dali a pouco eu estava no carro com um pacote de ração, vasilha higiênica, almofadinhas, os
dois gatos numa caixa de papelão e o cartão de crédito estourado. Fui para casa. Os cães me
perseguiram excitados enquanto eu fugia com os gatos para o meu escritório. Tranquei-me com
eles. Um amigo apaixonado por felinos explicou:
— Eles precisam passar um tempo presos para se acostumar com a casa.
[20] Forrei a janela do escritório com telas. Servi a ração. Em seguida, tratei de mudar o nome
deles, dado pelo gatil. O dela não me lembro. Mas ele se chamava Cherry. Não achei adequado
para um representante do sexo masculino. Troquei por Merlin e Shiva. Aí descobri que ele tossia.
Sem parar. Pus a mão no focinho. Estava quente.
Voei para o veterinário. Minha intuição provou-se verdadeira. Merlin estava à beira da morte.
[25] Passou um mês internado. Eu ia visitá-lo, estava sempre preso numa galolinha. Não me reconhecia
como dono. Shiva acostumou-se com o escritório e dormia no meio dos livros. Adorava ouvi-la
ronronando ao meu lado no sofá, mordendo de leve a ponta dos meus dedos. Merlin voltou, mas
não estava curado.
— Talvez seja uma doença crônica — informou o veterinário.
[30] Um amigo indicou um especialista em gatos. Novo tratamento, com remédios em horários
certos. Aos poucos, Merlin parou de tossir. E começou a demonstrar sua verdadeira personalidade,
escalando mesa, estante, botando o focinho em tudo! Tão quietinho na vitrine, tão animado em
casa!
O passo seguinte foi promover a integração. Coloquei Merlin e Shiva na sala, separados dos
[35] cães por uma porta-janela de vidro. Latidos. Os felinos lançaram olhares de desprezo. Dias depois,
abri a porta, pronto para intervir. Os cães cheiraram. Os gatos ergueram o rabo, orgulhosos. Passei
dias atento. Até que, numa noite chuvosa, não achei Merlin de jeito nenhum. Esquadrinhei a casa
toda. Fiquei encharcado no jardim. “Ele fugiu!”, concluí com dor no coração.
De manhã, a surpresa! Merlin e os três cães dormiam juntos, aquecendo-se mutuamente,
[40] como velhos amigos!
Agora, onde estou eles vão. Shiva, mais arisca, fica sempre por perto. Merlin deita-se aos
meus pés. Sobe no meu colo enquanto escrevo. Definitivamente, estou perdidamente apaixonado. E
sei que esse amor é para toda a vida!
(https://vejasp.abril.com.br/cidades/merlin-shiva/ Acesso em 10 de outubro de 2018)
Os desfechos dos textos se assemelham por transmitir a ideia de que
Questão 5 10611379
CMJF 6° Ano - Português e Matemática 2018Texto - Merlin e Shiva
Sempre amei os cães. Ultimamente, descobri também a paixão pelos gatos. Tudo começou por
impulso. Vi um gato cor de mel na vitrine de uma loja de shopping. Absolutamente imóvel. Fiquei
algum tempo observando, em dúvida se era brinquedo ou ser vivo. Ao seu lado, dois outros
passeavam. Finalmente, ele mexeu de leve a cabeça. “Que gato quieto!”, espantei-me.
[5] Tive pena. Acho cruel o que essas lojas de animais fazem, deixando os bichos presos o dia
inteiro em um espaço minúsculo. “E se eu comprar o gato?”, pensei. Achei loucura. Já tenho três
cães. Imaginei as confusões, os miados, os latidos, as perseguições. Fui comer um sanduíche. O
gato não me saía da cabeça. “Jamais farei isso!”, decidi. Terminei o sanduíche e resolvi olhar o
bichano mais uma vez. E então, diante da vitrine, tive uma daquelas intuições que só ocorrem de
[10] vez em quando. “Eu preciso levar esse gato para salvar a vida dele”, refleti. Foi um sentimento forte.
Entrei na loja. Perguntei o preço do gato, da casinha, da ração. Era caro. Abri a carteira e arranquei
o cartão de crédito.
— Por que não compra também a companheirinha dele? — insinuou o vendedor, indicando a
gatinha rajada de preto.
[15] Dali a pouco eu estava no carro com um pacote de ração, vasilha higiênica, almofadinhas, os
dois gatos numa caixa de papelão e o cartão de crédito estourado. Fui para casa. Os cães me
perseguiram excitados enquanto eu fugia com os gatos para o meu escritório. Tranquei-me com
eles. Um amigo apaixonado por felinos explicou:
— Eles precisam passar um tempo presos para se acostumar com a casa.
[20] Forrei a janela do escritório com telas. Servi a ração. Em seguida, tratei de mudar o nome
deles, dado pelo gatil. O dela não me lembro. Mas ele se chamava Cherry. Não achei adequado
para um representante do sexo masculino. Troquei por Merlin e Shiva. Aí descobri que ele tossia.
Sem parar. Pus a mão no focinho. Estava quente.
Voei para o veterinário. Minha intuição provou-se verdadeira. Merlin estava à beira da morte.
[25] Passou um mês internado. Eu ia visitá-lo, estava sempre preso numa galolinha. Não me reconhecia
como dono. Shiva acostumou-se com o escritório e dormia no meio dos livros. Adorava ouvi-la
ronronando ao meu lado no sofá, mordendo de leve a ponta dos meus dedos. Merlin voltou, mas
não estava curado.
— Talvez seja uma doença crônica — informou o veterinário.
[30] Um amigo indicou um especialista em gatos. Novo tratamento, com remédios em horários
certos. Aos poucos, Merlin parou de tossir. E começou a demonstrar sua verdadeira personalidade,
escalando mesa, estante, botando o focinho em tudo! Tão quietinho na vitrine, tão animado em
casa!
O passo seguinte foi promover a integração. Coloquei Merlin e Shiva na sala, separados dos
[35] cães por uma porta-janela de vidro. Latidos. Os felinos lançaram olhares de desprezo. Dias depois,
abri a porta, pronto para intervir. Os cães cheiraram. Os gatos ergueram o rabo, orgulhosos. Passei
dias atento. Até que, numa noite chuvosa, não achei Merlin de jeito nenhum. Esquadrinhei a casa
toda. Fiquei encharcado no jardim. “Ele fugiu!”, concluí com dor no coração.
De manhã, a surpresa! Merlin e os três cães dormiam juntos, aquecendo-se mutuamente,
[40] como velhos amigos!
Agora, onde estou eles vão. Shiva, mais arisca, fica sempre por perto. Merlin deita-se aos
meus pés. Sobe no meu colo enquanto escrevo. Definitivamente, estou perdidamente apaixonado. E
sei que esse amor é para toda a vida!
(https://vejasp.abril.com.br/cidades/merlin-shiva/ Acesso em 10 de outubro de 2018)
No texto, do tempo em que estava na loja de animais até o momento em que, já na casa do narrador, parou de tossir, o gato Merlin apresentou comportamentos diferentes.
Esses comportamentos são, respectivamente, de:
Questão 4 10611339
CMJF 6° Ano - Português e Matemática 2018Texto - Merlin e Shiva
Sempre amei os cães. Ultimamente, descobri também a paixão pelos gatos. Tudo começou por
impulso. Vi um gato cor de mel na vitrine de uma loja de shopping. Absolutamente imóvel. Fiquei
algum tempo observando, em dúvida se era brinquedo ou ser vivo. Ao seu lado, dois outros
passeavam. Finalmente, ele mexeu de leve a cabeça. “Que gato quieto!”, espantei-me.
[5] Tive pena. Acho cruel o que essas lojas de animais fazem, deixando os bichos presos o dia
inteiro em um espaço minúsculo. “E se eu comprar o gato?”, pensei. Achei loucura. Já tenho três
cães. Imaginei as confusões, os miados, os latidos, as perseguições. Fui comer um sanduíche. O
gato não me saía da cabeça. “Jamais farei isso!”, decidi. Terminei o sanduíche e resolvi olhar o
bichano mais uma vez. E então, diante da vitrine, tive uma daquelas intuições que só ocorrem de
[10] vez em quando. “Eu preciso levar esse gato para salvar a vida dele”, refleti. Foi um sentimento forte.
Entrei na loja. Perguntei o preço do gato, da casinha, da ração. Era caro. Abri a carteira e arranquei
o cartão de crédito.
— Por que não compra também a companheirinha dele? — insinuou o vendedor, indicando a
gatinha rajada de preto.
[15] Dali a pouco eu estava no carro com um pacote de ração, vasilha higiênica, almofadinhas, os
dois gatos numa caixa de papelão e o cartão de crédito estourado. Fui para casa. Os cães me
perseguiram excitados enquanto eu fugia com os gatos para o meu escritório. Tranquei-me com
eles. Um amigo apaixonado por felinos explicou:
— Eles precisam passar um tempo presos para se acostumar com a casa.
[20] Forrei a janela do escritório com telas. Servi a ração. Em seguida, tratei de mudar o nome
deles, dado pelo gatil. O dela não me lembro. Mas ele se chamava Cherry. Não achei adequado
para um representante do sexo masculino. Troquei por Merlin e Shiva. Aí descobri que ele tossia.
Sem parar. Pus a mão no focinho. Estava quente.
Voei para o veterinário. Minha intuição provou-se verdadeira. Merlin estava à beira da morte.
[25] Passou um mês internado. Eu ia visitá-lo, estava sempre preso numa galolinha. Não me reconhecia
como dono. Shiva acostumou-se com o escritório e dormia no meio dos livros. Adorava ouvi-la
ronronando ao meu lado no sofá, mordendo de leve a ponta dos meus dedos. Merlin voltou, mas
não estava curado.
— Talvez seja uma doença crônica — informou o veterinário.
[30] Um amigo indicou um especialista em gatos. Novo tratamento, com remédios em horários
certos. Aos poucos, Merlin parou de tossir. E começou a demonstrar sua verdadeira personalidade,
escalando mesa, estante, botando o focinho em tudo! Tão quietinho na vitrine, tão animado em
casa!
O passo seguinte foi promover a integração. Coloquei Merlin e Shiva na sala, separados dos
[35] cães por uma porta-janela de vidro. Latidos. Os felinos lançaram olhares de desprezo. Dias depois,
abri a porta, pronto para intervir. Os cães cheiraram. Os gatos ergueram o rabo, orgulhosos. Passei
dias atento. Até que, numa noite chuvosa, não achei Merlin de jeito nenhum. Esquadrinhei a casa
toda. Fiquei encharcado no jardim. “Ele fugiu!”, concluí com dor no coração.
De manhã, a surpresa! Merlin e os três cães dormiam juntos, aquecendo-se mutuamente,
[40] como velhos amigos!
Agora, onde estou eles vão. Shiva, mais arisca, fica sempre por perto. Merlin deita-se aos
meus pés. Sobe no meu colo enquanto escrevo. Definitivamente, estou perdidamente apaixonado. E
sei que esse amor é para toda a vida!
(https://vejasp.abril.com.br/cidades/merlin-shiva/ Acesso em 10 de outubro de 2018)
Assinale a alternativa que responde corretamente à seguinte pergunta sobre o texto:
O que foi decisivo para que a personagem resolvesse comprar o gatinho da vitrine?
06
![[Marketing] Questao Topo - deslogado](https://storage.estuda.com.br/banners/0_6b7ebee90b03af1c560c73bb8bcce34a_banner_deslogado_70_dias.png)