Questões de EFAF Português
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Questão 7 10684294
CMJF 6° Ano - Língua Portuguesa (Prova 1) 2018Texto 1 - Os meninos morenos

O Jarinho falava com os animais. Ao lado das plantas de seu pai, no seu quintal, havia um pequeno jardim zoológico que me matava de inveja. Jarinho tinha coelhos, porquinhos-da-Índia, um quati, cabritos e até um pequeno jacaré. (...)
A despeito de tudo isso, o Jarinho tinha tempo de brincar com a gente. E aparecia para as
[05] brincadeiras, trazendo sempre consigo seu melhor amigo: um melro que vivia pousado no seu ombro.
Uma das recordações mais felizes da minha infância é da sinfonia dos meiros nas palmeiras. A gente chegava muito cedo para a primeira aula do Grupo Escolar que ficava na praça que era cercada de altas palmeiras.
[10] Pois é: minha terra tinha palmeiras onde, em vez de sabiá, cantava o meiro. E, como a gente chegava muito cedo para a aula, os melros ainda estavam cantando a sua canção matinal. Era como se estivessem saudando os meninos morenos, que também chegavam em bando para a escola.
Jarinho chegava pra brincar com a gente e vinha com o melro no
[15] ombro. Se a brincadeira era contar história, brincar de gata-parida, berlinda, mamãe-eu-posso-ir ou qualquer outra que não implicasse correr, o melro ficava ali, no ombro do Jarinho. Se, porém, a gente tinha que correr, se a brincadeira era de pique, de pular-carniça, soltar papagaio jogar precípicio, cobra-caninana, esconde-esconde ou mãos-ao-ar que,
[20] em outras cidades, se chamava bandido-e-mocinho, o Jarinho botava o meiro no galho de uma árvore ou no umbral de uma janela e dizia: "Fica aí, que eu já volto. E o meiro ficava esperando seu dono voltar da brincadeira. A professora pedia ao Jarinho pra não levar o melro para a escola. Era para não
tumultuar as aulas.
[25] O Jarinho ficava muito triste de deixar seu amigo em casa.
(...)
Foi num mês de agosto, no dia seguinte de uma grande ventania, que o Jarinho não apareceu na escola.
Na semana seguinte àquele dia, não só o Jarinho, mas todos os meninos da rua não fizeram
[30] senão procurar o meiro do Jarinho.
Ele o havia deixado num galho de árvore para fazer uma coisa qualquer (que era melhor fazer sem seu amigo). Foi quando começou o furacão. Foi de repente, eu me lembro.
Nunca havia ventado tanto na minha cidade. As pessoas se agarravam aos postes para não
serem arrastadas, telhas voaram pelos ares, casebres ficaram sem teto, folhas das palmeiras
[35] imperiais da praça se desprenderam, voando a grandes alturas, ameaçadoras
Todos os meninos da rua só faltaram morrer de tristeza, o Jarinho ficou de cama e não me lembro mais de voltar a vê-lo imitar seus passarinhos. Minha mãe, que era uma sabia, tentou
explicar para os meninos da rua que era bom a gente prestar bastante atenção nas coisas boas,
enquanto elas duram
[40] Muitos e muitos anos depois agora, recentemente reencontrei o Jarinho. Era um senhor
gordinho com os cabelos muito poucos completamente brancos e os olhos pequenos mais sumidos do que nunca. E bem mais moreno do que Jarinho menino, quase marrom. O tempo lhe deu um ar de santo, seu sorriso era doce como o sorriso simpático de seu velho pal. Perguntei-lhe se ele se lembrava, com a mesma intensidade que eu, dos velhos tempos da rua de nossa infância.
[45] E falei do meiro no seu ombro e ele me disse: "Não me esqueço nunca. Ainda hoje, tantos anos depois, acordo no meio da noite e, dentro do meu quarto, escuto o meu meiro cantando direitinho como se estivesse ali".
(Ziraldo. Os meninos morenos. 2ed. São Paulo: Melhoramentos, pp. 44-8)
Texto 2 - Marlin e Shiva
Sempre amei os cães. Ultimamente, descobri também a paixão pelos gatos. Tudo começou por impulso. Vi um gato cor de mel na vitrine de uma loja de shopping. Absolutamente imóvel. Fiquei algum tempo observando, em dúvida se era brinquedo ou ser vivo. Ao seu lado, dois outros passeavam. Finalmente, ele mexeu de leve a cabeça. "Que gato quieto!", espantei-me.
[05] Tive pena. Acho cruel o que essas lojas de animais fazem, deixando os bichos presos o dia inteiro em um espaço minúsculo. "E se eu comprar o gato?", pensei. Achei loucura. Já tenho três cães. Imaginei as confusões, os miados, os latidos, as perseguições. Fui comer um sanduíche. O gato não me saía da cabeça. "Jamais farei isso!", decidi. Terminei o sanduíche e resolvi olhar o bichano mais uma vez. E então, diante da vitrine, tive uma daquelas intuições que só ocorrem de
[10] vez em quando. "Eu preciso levar esse gato para salvar a vida dele", refleti. Foi um sentimento forte.
Entrei na loja. Perguntei o preço do gato, da casinha, da ração. Era caro. Abri a carteira e arranquei o cartão de crédito.
- Por que não compra também a companheirinha dele? - insinuou o vendedor, indicando a gatinha rajada de preto.
[15] Dali a pouco eu estava no carro com um pacote de ração, vasilha higiênica, almofadinhas, os dois gatos numa caixa de papelão e o cartão de crédito estourado. Fui para casa. Os cães me perseguiram excitados enquanto eu fugia com os gatos para o meu escritório. Tranquei-me com eles. Um amigo apaixonado por felinos explicou:
- Eles precisam passar um tempo presos para se acostumar com a casa.
[20] Forrei a janela do escritório com telas. Servi a ração. Em seguida, tratei de mudar o nome deles, dado pelo gatil. O dela não me lembro. Mas ele se chamava Cherry. Não achei adequado para um representante do sexo masculino. Troquei por Merlin e Shiva. Aí descobri que ele tossia.
Sem parar. Pus a mão no focinho. Estava quente.
Voei para o veterinário. Minha intuição provou-se verdadeira. Merlin estava à beira da morte.
[25] Passou um mês internado. Eu ia visitá-lo, estava sempre preso numa gaiolinha. Não me reconhecia como dono. Shiva acostumou-se com o escritório e dormia no meio dos livros. Adorava ouvi-la
ronronando ao meu lado no sofá, mordendo de leve a ponta dos meus dedos. Merlin voltou, mas não estava curado.
- Talvez seja uma doença crônica - informou o veterinário.
[30] Um amigo indicou um especialista em gatos. Novo tratamento, com remédios em horários certos. Aos poucos, Merlin parou de tossir. E começou a demonstrar sua verdadeira personalidade, escalando mesa, estante, botando o focinho em tudo! Tão quietinho na vitrine, tão animado em casa!
O passo seguinte foi promover a integração. Coloquei Merlin e Shiva na sala, separados dos
[35] cães por uma porta-janela de vidro. Latidos. Os felinos lançaram olhares de desprezo. Dias depois, abri a porta, pronto para intervir. Os cães cheiraram. Os gatos ergueram o rabo, orgulhosos. Passei dias atento. Até que, numa noite chuvosa, não achei Merlin de jeito nenhum. Esquadrinhei a casa toda. Fiquei encharcado no jardim. "Ele fugiul", conclui com dor no coração.
De manhã, a surpresa! Merlin e os três cães dormiam juntos, aquecendo-se mutuamente,
[40] como velhos amigos!
Agora, onde estou eles vão. Shiva, mais arisca, fica sempre por perto. Merlin deita-se aos meus pés. Sobe no meu colo enquanto escrevo. Definitivamente, estou perdidamente apaixonado. E sei que esse amor é para toda a vida!
(https://vejasp.abril.com.br/cidades/merlin-shiva/ Acesso em 10 de outubro de 2018)
Os desfechos dos textos I e Il se assemelham por transmitir a ideia de que
Questão 6 10684284
CMJF 6° Ano - Língua Portuguesa (Prova 1) 2018Texto - Marlin e Shiva
Sempre amei os cães. Ultimamente, descobri também a paixão pelos gatos. Tudo começou por impulso. Vi um gato cor de mel na vitrine de uma loja de shopping. Absolutamente imóvel. Fiquei algum tempo observando, em dúvida se era brinquedo ou ser vivo. Ao seu lado, dois outros passeavam. Finalmente, ele mexeu de leve a cabeça. "Que gato quieto!", espantei-me.
[05] Tive pena. Acho cruel o que essas lojas de animais fazem, deixando os bichos presos o dia inteiro em um espaço minúsculo. "E se eu comprar o gato?", pensei. Achei loucura. Já tenho três cães. Imaginei as confusões, os miados, os latidos, as perseguições. Fui comer um sanduíche. O gato não me saía da cabeça. "Jamais farei isso!", decidi. Terminei o sanduíche e resolvi olhar o bichano mais uma vez. E então, diante da vitrine, tive uma daquelas intuições que só ocorrem de
[10] vez em quando. "Eu preciso levar esse gato para salvar a vida dele", refleti. Foi um sentimento forte.
Entrei na loja. Perguntei o preço do gato, da casinha, da ração. Era caro. Abri a carteira e arranquei o cartão de crédito.
- Por que não compra também a companheirinha dele? - insinuou o vendedor, indicando a gatinha rajada de preto.
[15] Dali a pouco eu estava no carro com um pacote de ração, vasilha higiênica, almofadinhas, os dois gatos numa caixa de papelão e o cartão de crédito estourado. Fui para casa. Os cães me perseguiram excitados enquanto eu fugia com os gatos para o meu escritório. Tranquei-me com eles. Um amigo apaixonado por felinos explicou:
- Eles precisam passar um tempo presos para se acostumar com a casa.
[20] Forrei a janela do escritório com telas. Servi a ração. Em seguida, tratei de mudar o nome deles, dado pelo gatil. O dela não me lembro. Mas ele se chamava Cherry. Não achei adequado para um representante do sexo masculino. Troquei por Merlin e Shiva. Aí descobri que ele tossia.
Sem parar. Pus a mão no focinho. Estava quente.
Voei para o veterinário. Minha intuição provou-se verdadeira. Merlin estava à beira da morte.
[25] Passou um mês internado. Eu ia visitá-lo, estava sempre preso numa gaiolinha. Não me reconhecia como dono. Shiva acostumou-se com o escritório e dormia no meio dos livros. Adorava ouvi-la
ronronando ao meu lado no sofá, mordendo de leve a ponta dos meus dedos. Merlin voltou, mas não estava curado.
- Talvez seja uma doença crônica - informou o veterinário.
[30] Um amigo indicou um especialista em gatos. Novo tratamento, com remédios em horários certos. Aos poucos, Merlin parou de tossir. E começou a demonstrar sua verdadeira personalidade, escalando mesa, estante, botando o focinho em tudo! Tão quietinho na vitrine, tão animado em casa!
O passo seguinte foi promover a integração. Coloquei Merlin e Shiva na sala, separados dos
[35] cães por uma porta-janela de vidro. Latidos. Os felinos lançaram olhares de desprezo. Dias depois, abri a porta, pronto para intervir. Os cães cheiraram. Os gatos ergueram o rabo, orgulhosos. Passei dias atento. Até que, numa noite chuvosa, não achei Merlin de jeito nenhum. Esquadrinhei a casa toda. Fiquei encharcado no jardim. "Ele fugiul", conclui com dor no coração.
De manhã, a surpresa! Merlin e os três cães dormiam juntos, aquecendo-se mutuamente,
[40] como velhos amigos!
Agora, onde estou eles vão. Shiva, mais arisca, fica sempre por perto. Merlin deita-se aos meus pés. Sobe no meu colo enquanto escrevo. Definitivamente, estou perdidamente apaixonado. E sei que esse amor é para toda a vida!
(https://vejasp.abril.com.br/cidades/merlin-shiva/ Acesso em 10 de outubro de 2018)
Identifique a alternativa em que a forma verbal sublinhada indica a mesma ideia de tempo do verbo destacado em "Os felinos lançaram olhares de desprezo"
Questão 5 10684277
CMJF 6° Ano - Língua Portuguesa (Prova 1) 2018Texto - Marlin e Shiva
Sempre amei os cães. Ultimamente, descobri também a paixão pelos gatos. Tudo começou por impulso. Vi um gato cor de mel na vitrine de uma loja de shopping. Absolutamente imóvel. Fiquei algum tempo observando, em dúvida se era brinquedo ou ser vivo. Ao seu lado, dois outros passeavam. Finalmente, ele mexeu de leve a cabeça. "Que gato quieto!", espantei-me.
[05] Tive pena. Acho cruel o que essas lojas de animais fazem, deixando os bichos presos o dia inteiro em um espaço minúsculo. "E se eu comprar o gato?", pensei. Achei loucura. Já tenho três cães. Imaginei as confusões, os miados, os latidos, as perseguições. Fui comer um sanduíche. O gato não me saía da cabeça. "Jamais farei isso!", decidi. Terminei o sanduíche e resolvi olhar o bichano mais uma vez. E então, diante da vitrine, tive uma daquelas intuições que só ocorrem de
[10] vez em quando. "Eu preciso levar esse gato para salvar a vida dele", refleti. Foi um sentimento forte.
Entrei na loja. Perguntei o preço do gato, da casinha, da ração. Era caro. Abri a carteira e arranquei o cartão de crédito.
- Por que não compra também a companheirinha dele? - insinuou o vendedor, indicando a gatinha rajada de preto.
[15] Dali a pouco eu estava no carro com um pacote de ração, vasilha higiênica, almofadinhas, os dois gatos numa caixa de papelão e o cartão de crédito estourado. Fui para casa. Os cães me perseguiram excitados enquanto eu fugia com os gatos para o meu escritório. Tranquei-me com eles. Um amigo apaixonado por felinos explicou:
- Eles precisam passar um tempo presos para se acostumar com a casa.
[20] Forrei a janela do escritório com telas. Servi a ração. Em seguida, tratei de mudar o nome deles, dado pelo gatil. O dela não me lembro. Mas ele se chamava Cherry. Não achei adequado para um representante do sexo masculino. Troquei por Merlin e Shiva. Aí descobri que ele tossia.
Sem parar. Pus a mão no focinho. Estava quente.
Voei para o veterinário. Minha intuição provou-se verdadeira. Merlin estava à beira da morte.
[25] Passou um mês internado. Eu ia visitá-lo, estava sempre preso numa gaiolinha. Não me reconhecia como dono. Shiva acostumou-se com o escritório e dormia no meio dos livros. Adorava ouvi-la
ronronando ao meu lado no sofá, mordendo de leve a ponta dos meus dedos. Merlin voltou, mas não estava curado.
- Talvez seja uma doença crônica - informou o veterinário.
[30] Um amigo indicou um especialista em gatos. Novo tratamento, com remédios em horários certos. Aos poucos, Merlin parou de tossir. E começou a demonstrar sua verdadeira personalidade, escalando mesa, estante, botando o focinho em tudo! Tão quietinho na vitrine, tão animado em casa!
O passo seguinte foi promover a integração. Coloquei Merlin e Shiva na sala, separados dos
[35] cães por uma porta-janela de vidro. Latidos. Os felinos lançaram olhares de desprezo. Dias depois, abri a porta, pronto para intervir. Os cães cheiraram. Os gatos ergueram o rabo, orgulhosos. Passei dias atento. Até que, numa noite chuvosa, não achei Merlin de jeito nenhum. Esquadrinhei a casa toda. Fiquei encharcado no jardim. "Ele fugiul", conclui com dor no coração.
De manhã, a surpresa! Merlin e os três cães dormiam juntos, aquecendo-se mutuamente,
[40] como velhos amigos!
Agora, onde estou eles vão. Shiva, mais arisca, fica sempre por perto. Merlin deita-se aos meus pés. Sobe no meu colo enquanto escrevo. Definitivamente, estou perdidamente apaixonado. E sei que esse amor é para toda a vida!
(https://vejasp.abril.com.br/cidades/merlin-shiva/ Acesso em 10 de outubro de 2018)
No texto, do tempo em que estava na loja de animais até o momento em que, já na casa do narrador, parou de tossir, o gato Merlin apresentou comportamentos diferentes.
Esses comportamentos são, respectivamente, de:
Questão 4 10684273
CMJF 6° Ano - Língua Portuguesa (Prova 1) 2018Texto - Marlin e Shiva
Sempre amei os cães. Ultimamente, descobri também a paixão pelos gatos. Tudo começou por impulso. Vi um gato cor de mel na vitrine de uma loja de shopping. Absolutamente imóvel. Fiquei algum tempo observando, em dúvida se era brinquedo ou ser vivo. Ao seu lado, dois outros passeavam. Finalmente, ele mexeu de leve a cabeça. "Que gato quieto!", espantei-me.
[05] Tive pena. Acho cruel o que essas lojas de animais fazem, deixando os bichos presos o dia inteiro em um espaço minúsculo. "E se eu comprar o gato?", pensei. Achei loucura. Já tenho três cães. Imaginei as confusões, os miados, os latidos, as perseguições. Fui comer um sanduíche. O gato não me saía da cabeça. "Jamais farei isso!", decidi. Terminei o sanduíche e resolvi olhar o bichano mais uma vez. E então, diante da vitrine, tive uma daquelas intuições que só ocorrem de
[10] vez em quando. "Eu preciso levar esse gato para salvar a vida dele", refleti. Foi um sentimento forte.
Entrei na loja. Perguntei o preço do gato, da casinha, da ração. Era caro. Abri a carteira e arranquei o cartão de crédito.
- Por que não compra também a companheirinha dele? - insinuou o vendedor, indicando a gatinha rajada de preto.
[15] Dali a pouco eu estava no carro com um pacote de ração, vasilha higiênica, almofadinhas, os dois gatos numa caixa de papelão e o cartão de crédito estourado. Fui para casa. Os cães me perseguiram excitados enquanto eu fugia com os gatos para o meu escritório. Tranquei-me com eles. Um amigo apaixonado por felinos explicou:
- Eles precisam passar um tempo presos para se acostumar com a casa.
[20] Forrei a janela do escritório com telas. Servi a ração. Em seguida, tratei de mudar o nome deles, dado pelo gatil. O dela não me lembro. Mas ele se chamava Cherry. Não achei adequado para um representante do sexo masculino. Troquei por Merlin e Shiva. Aí descobri que ele tossia.
Sem parar. Pus a mão no focinho. Estava quente.
Voei para o veterinário. Minha intuição provou-se verdadeira. Merlin estava à beira da morte.
[25] Passou um mês internado. Eu ia visitá-lo, estava sempre preso numa gaiolinha. Não me reconhecia como dono. Shiva acostumou-se com o escritório e dormia no meio dos livros. Adorava ouvi-la
ronronando ao meu lado no sofá, mordendo de leve a ponta dos meus dedos. Merlin voltou, mas não estava curado.
- Talvez seja uma doença crônica - informou o veterinário.
[30] Um amigo indicou um especialista em gatos. Novo tratamento, com remédios em horários certos. Aos poucos, Merlin parou de tossir. E começou a demonstrar sua verdadeira personalidade, escalando mesa, estante, botando o focinho em tudo! Tão quietinho na vitrine, tão animado em casa!
O passo seguinte foi promover a integração. Coloquei Merlin e Shiva na sala, separados dos
[35] cães por uma porta-janela de vidro. Latidos. Os felinos lançaram olhares de desprezo. Dias depois, abri a porta, pronto para intervir. Os cães cheiraram. Os gatos ergueram o rabo, orgulhosos. Passei dias atento. Até que, numa noite chuvosa, não achei Merlin de jeito nenhum. Esquadrinhei a casa toda. Fiquei encharcado no jardim. "Ele fugiul", conclui com dor no coração.
De manhã, a surpresa! Merlin e os três cães dormiam juntos, aquecendo-se mutuamente,
[40] como velhos amigos!
Agora, onde estou eles vão. Shiva, mais arisca, fica sempre por perto. Merlin deita-se aos meus pés. Sobe no meu colo enquanto escrevo. Definitivamente, estou perdidamente apaixonado. E sei que esse amor é para toda a vida!
(https://vejasp.abril.com.br/cidades/merlin-shiva/ Acesso em 10 de outubro de 2018)
Assinale a alternativa que responde corretamente à seguinte pergunta sobre o texto :
O que foi decisivo para que a personagem resolvesse comprar o gatinho da vitrine?
Questão 3 10684260
CMJF 6° Ano - Língua Portuguesa (Prova 1) 2018Texto - Os meninos morenos

O Jarinho falava com os animais. Ao lado das plantas de seu pai, no seu quintal, havia um pequeno jardim zoológico que me matava de inveja. Jarinho tinha coelhos, porquinhos-da-Índia, um quati, cabritos e até um pequeno jacaré. (...)
A despeito de tudo isso, o Jarinho tinha tempo de brincar com a gente. E aparecia para as
[05] brincadeiras, trazendo sempre consigo seu melhor amigo: um melro que vivia pousado no seu ombro.
Uma das recordações mais felizes da minha infância é da sinfonia dos meiros nas palmeiras. A gente chegava muito cedo para a primeira aula do Grupo Escolar que ficava na praça que era cercada de altas palmeiras.
[10] Pois é: minha terra tinha palmeiras onde, em vez de sabiá, cantava o meiro. E, como a gente chegava muito cedo para a aula, os melros ainda estavam cantando a sua canção matinal. Era como se estivessem saudando os meninos morenos, que também chegavam em bando para a escola.
Jarinho chegava pra brincar com a gente e vinha com o melro no
[15] ombro. Se a brincadeira era contar história, brincar de gata-parida, berlinda, mamãe-eu-posso-ir ou qualquer outra que não implicasse correr, o melro ficava ali, no ombro do Jarinho. Se, porém, a gente tinha que correr, se a brincadeira era de pique, de pular-carniça, soltar papagaio jogar precípicio, cobra-caninana, esconde-esconde ou mãos-ao-ar que,
[20] em outras cidades, se chamava bandido-e-mocinho, o Jarinho botava o meiro no galho de uma árvore ou no umbral de uma janela e dizia: "Fica aí, que eu já volto. E o meiro ficava esperando seu dono voltar da brincadeira. A professora pedia ao Jarinho pra não levar o melro para a escola. Era para não
tumultuar as aulas.
[25] O Jarinho ficava muito triste de deixar seu amigo em casa.
(...)
Foi num mês de agosto, no dia seguinte de uma grande ventania, que o Jarinho não apareceu na escola.
Na semana seguinte àquele dia, não só o Jarinho, mas todos os meninos da rua não fizeram
[30] senão procurar o meiro do Jarinho.
Ele o havia deixado num galho de árvore para fazer uma coisa qualquer (que era melhor fazer sem seu amigo). Foi quando começou o furacão. Foi de repente, eu me lembro.
Nunca havia ventado tanto na minha cidade. As pessoas se agarravam aos postes para não
serem arrastadas, telhas voaram pelos ares, casebres ficaram sem teto, folhas das palmeiras
[35] imperiais da praça se desprenderam, voando a grandes alturas, ameaçadoras
Todos os meninos da rua só faltaram morrer de tristeza, o Jarinho ficou de cama e não me lembro mais de voltar a vê-lo imitar seus passarinhos. Minha mãe, que era uma sabia, tentou
explicar para os meninos da rua que era bom a gente prestar bastante atenção nas coisas boas,
enquanto elas duram
[40] Muitos e muitos anos depois agora, recentemente reencontrei o Jarinho. Era um senhor
gordinho com os cabelos muito poucos completamente brancos e os olhos pequenos mais sumidos do que nunca. E bem mais moreno do que Jarinho menino, quase marrom. O tempo lhe deu um ar de santo, seu sorriso era doce como o sorriso simpático de seu velho pal. Perguntei-lhe se ele se lembrava, com a mesma intensidade que eu, dos velhos tempos da rua de nossa infância.
[45] E falei do meiro no seu ombro e ele me disse: "Não me esqueço nunca. Ainda hoje, tantos anos depois, acordo no meio da noite e, dentro do meu quarto, escuto o meu meiro cantando direitinho como se estivesse ali".
(Ziraldo. Os meninos morenos. 2ed. São Paulo: Melhoramentos, pp. 44-8)
A fala de Jarinho no último parágrafo pode ser entendida da seguinte forma:
Questão 2 10684246
CMJF 6° Ano - Língua Portuguesa (Prova 1) 2018Texto - Os meninos morenos

O Jarinho falava com os animais. Ao lado das plantas de seu pai, no seu quintal, havia um pequeno jardim zoológico que me matava de inveja. Jarinho tinha coelhos, porquinhos-da-Índia, um quati, cabritos e até um pequeno jacaré. (...)
A despeito de tudo isso, o Jarinho tinha tempo de brincar com a gente. E aparecia para as
[05] brincadeiras, trazendo sempre consigo seu melhor amigo: um melro que vivia pousado no seu ombro.
Uma das recordações mais felizes da minha infância é da sinfonia dos meiros nas palmeiras. A gente chegava muito cedo para a primeira aula do Grupo Escolar que ficava na praça que era cercada de altas palmeiras.
[10] Pois é: minha terra tinha palmeiras onde, em vez de sabiá, cantava o meiro. E, como a gente chegava muito cedo para a aula, os melros ainda estavam cantando a sua canção matinal. Era como se estivessem saudando os meninos morenos, que também chegavam em bando para a escola.
Jarinho chegava pra brincar com a gente e vinha com o melro no
[15] ombro. Se a brincadeira era contar história, brincar de gata-parida, berlinda, mamãe-eu-posso-ir ou qualquer outra que não implicasse correr, o melro ficava ali, no ombro do Jarinho. Se, porém, a gente tinha que correr, se a brincadeira era de pique, de pular-carniça, soltar papagaio jogar precípicio, cobra-caninana, esconde-esconde ou mãos-ao-ar que,
[20] em outras cidades, se chamava bandido-e-mocinho, o Jarinho botava o meiro no galho de uma árvore ou no umbral de uma janela e dizia: "Fica aí, que eu já volto. E o meiro ficava esperando seu dono voltar da brincadeira. A professora pedia ao Jarinho pra não levar o melro para a escola. Era para não
tumultuar as aulas.
[25] O Jarinho ficava muito triste de deixar seu amigo em casa.
(...)
Foi num mês de agosto, no dia seguinte de uma grande ventania, que o Jarinho não apareceu na escola.
Na semana seguinte àquele dia, não só o Jarinho, mas todos os meninos da rua não fizeram
[30] senão procurar o meiro do Jarinho.
Ele o havia deixado num galho de árvore para fazer uma coisa qualquer (que era melhor fazer sem seu amigo). Foi quando começou o furacão. Foi de repente, eu me lembro.
Nunca havia ventado tanto na minha cidade. As pessoas se agarravam aos postes para não
serem arrastadas, telhas voaram pelos ares, casebres ficaram sem teto, folhas das palmeiras
[35] imperiais da praça se desprenderam, voando a grandes alturas, ameaçadoras
Todos os meninos da rua só faltaram morrer de tristeza, o Jarinho ficou de cama e não me lembro mais de voltar a vê-lo imitar seus passarinhos. Minha mãe, que era uma sabia, tentou
explicar para os meninos da rua que era bom a gente prestar bastante atenção nas coisas boas,
enquanto elas duram
[40] Muitos e muitos anos depois agora, recentemente reencontrei o Jarinho. Era um senhor
gordinho com os cabelos muito poucos completamente brancos e os olhos pequenos mais sumidos do que nunca. E bem mais moreno do que Jarinho menino, quase marrom. O tempo lhe deu um ar de santo, seu sorriso era doce como o sorriso simpático de seu velho pal. Perguntei-lhe se ele se lembrava, com a mesma intensidade que eu, dos velhos tempos da rua de nossa infância.
[45] E falei do meiro no seu ombro e ele me disse: "Não me esqueço nunca. Ainda hoje, tantos anos depois, acordo no meio da noite e, dentro do meu quarto, escuto o meu meiro cantando direitinho como se estivesse ali".
(Ziraldo. Os meninos morenos. 2ed. São Paulo: Melhoramentos, pp. 44-8)
Sobre os acontecimentos narrados no texto, assinale a alternativa correta.
06
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