Questões de EFAF Português - Gramática
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Questão 4 10755757
COLUNI/UFV 1° Dia 2017As proezas de João Grilo
João Grilo foi um cristão
Que nasceu antes do dia,
Criou-se sem formosura,
Mas tinha sabedoria
E morreu depois da hora,
Pelas artes que fazia.
E nasceu de sete meses
Chorou no bucho da mãe,
Quando ela pegou um gato
Ele gritou: — Não me arranhe
Não jogue neste animal,
Que talvez você não ganhe!
Na noite que João nasceu,
Houve um eclipse na lua,
E detonou grande vulcão
Que ainda hoje continua;
Naquela noite correu
Um lobisomem na rua.
Porém João Grilo criou-se
Pequeno, magro e sambudo
As pernas tortas e finas,
Boca grande e beiçudo.
No sítio onde morava,
Dava notícia de tudo.
João perdeu o pai
Com sete anos de idade.
Morava perto dum rio,
Ia pescar toda tarde.
Um dia fez uma cena,
Que admirou a cidade.
O rio estava de nado.
Vinha um vaqueiro de fora.
Perguntou: — Dará passagem?
João Grilo disse: — Ainda agora,
O gadinho de meu pai
Passou com o lombo de fora.
Vaqueiro botou o cavalo,
Com uma braça deu nado;
Foi sair muito embaixo,
Quase que morre afogado.
Voltou e disse ao menino:
— Você é um desgraçado!
João Grilo foi ver o gado
Para provar aquele ato;
Vinha trazendo na frente
Um bom rebanho de pato —
Os patos passaram n'agua,
João provou que era exato.
[...]
A fama então de João Grilo
Foi de nação em nação,
Por sua sabedoria
E por seu bom coração.
Sem ser por ele esperado
Um dia foi convidado
Para visitar um sultão.
O rei daquele país
Quis o reino embandeirado
Pra receber a visita
Do ilustre convidado.
O castelo estava em flores,
Cheio de tantos fulgores,
Ricamente engalanado.
As damas da alta corte
Trajavam decentemente,
Toda corte imperial
Esperava impaciente,
Ou por isso ou por aquilo
para conhecer João Grilo,
figura tão eminente.
Afinal, chegou João Grilo
No reinado do Sultão.
Quando ele entrou na corte,
Que grande decepção!
De paletó remendado!
Sapato velho furado,
Nas costas um matulão!
O rei disse: — Não é ele,
Pois assim já é demais!
João Grilo pediu licença,
Mostrou-lhe as credenciais —
Embora o rei não gostasse,
Mandou que ele ocupasse
Os aposentos reais.
Só se ouvia cochichos,
Que vinham de todo lado.
As damas então diziam:
— É esse o homem falado?
Duma pobreza tamanha
E ele nem se acanha
De ser nosso convidado?
Até os membros da corte
Diziam num tom chocante:
— Pensava que o João Grilo
Fosse dum tipo elegante —
Mas nos manda um remendado,
Sem roupa, esfarrapado,
Um maltrapilho ambulante!
E João Grilo ouvia tudo,
Mas sem dar demonstração.
Em toda a corte real
Ninguém lhe dava atenção.
Por mostrar-se esmolambado,
Tinha sido desprezado
Naquela rica nação.
Afinal, veio um criado
E disse sem o fitar:
— Já preparei o banheiro
Para o senhor se banhar.
Vista uma roupa minha
E depois vá pra cozinha,
Na hora de almoçar.
João Grilo disse; — Está bem!
Mas disse com seu botão:
―Roupas finas trouxe eu,
Dentro de meu matulão!
Me apresentei rasgado,
Para ver, neste reinado,
Qual era a minha impressão!"
João Grilo tomou um banho,
Vestiu uma roupa de gala.
Então, muito bem vestido,
Apresentou-se na sala.
Ao ver seu traje tão belo,
Houve gente no castelo
Que quase perdia a fala.
E, então, toda repulsa
transformou-se de repente.
O rei chamou-o pra mesa.
Como homem competente.
Consigo, dizia João:
―Na hora da refeição
vou ensinar esta gente!"
O almoço foi servido,
Porém João não quis comer;
Despejou vinho na roupa,
Só para vê-lo escorrer,
Ante a corte estarrecida;
Encheu os bolsos de comida,
Para toda corte ver.
O rei, bastante zangado,
Perguntou pra João:
— Por que motivo o senhor
não come da refeição?
Respondeu João com
maldade:
— Tenha calma, majestade
Digo já toda a razão.
Esta mesa tão repleta
De tanta comida boa,
Não foi posta pra mim
Um ente vulgar, à toa —
Desde a sobremesa à sopa,
Foi posta pra minha roupa
E não pra minha pessoa!
Os comensais se olharam,
O rei pergunta espantado:
— Por que o senhor diz isto,
Estando tão bem tratado?
Disse João: — Isso se explica
Por estar de roupa rica —
Não sou mais esmolambado!
Eu estando esfarrapado,
Ia comer na cozinha,
Mas, como troquei de roupa,
Como junto da rainha.
Vejo nisto um grande ultraje —
Homenageiam meu traje,
E não a pessoa minha!
Toda corte imperial
Pediu desculpa a João
E muito tempo falou-se
Naquela dura lição.
E todo mundo dizia
Que sua sabedoria
Era igual a Salomão!
(LIMA, João Ferreira. As proezas de João Grilo. São Paulo: Editorial Cunha Ltda, 1948, p. 03-34. Disponível em: http://docvirt.com/docreader.net/DocReader.aspx?bib=cordelfcrb2&pagfis=21015&pesq=. Acesso em: 26 set. 2016. Adaptado.)
A partir da leitura do cordel As proezas de João Grilo e da peça Auto da compadecida, percebemos que Ariano Suassuna aproveitou elementos da tradição cultural brasileira na construção de sua peça, dentre eles o protagonista: o personagem João Grilo.
A partir das ações desse personagem nos dois textos, é CORRETO defini-lo como um anti-herói porque ele:
Questão 3 10752528
COLTEC 2017Para responder as questões, leia este poema-canção.
Panorama Ecológico
Erasmo Carlos
Lá vem a temporada de flores
Trazendo begônias aflitas
Petúnias cansadas
Rosas malditas
Prímulas despetaladas
Margaridas sem miolo
Sempre-vivas quase mortas
E cravinas tortas
Odoratas com defeitos
E homens perfeitos
Lá vem a temporada de pássaros
Trazendo águias rasteiras
Graúnas malvadas
Pombas guerreiras
Canários pelados
Andorinhas de rapina
Sanhaços morgados
E pardais viciados
Curiós desafinados
E homens imaculados
Lá vem a temporada de peixes
Trazendo garoupas suadas
Piranhas dormentes
Sardinhas inchadas
Trutas desiludidas
Tainhas abrutalhadas
Baleias entupidas
E lagostas afogadas
Barracudas deprimentes
E homens inteligentes.
Assinale a alternativa em que a expressão sublinhada NÃO pode ser substituída pelo termo que se apresenta entre os parênteses, porque causaria mudança no sentido original.
Questão 9 10739854
CEDAF 2017Marque a alternativa em que o conceito NÃO corresponde ao termo colocado entre parênteses:
Questão 4 10739849
CEDAF 2017O texto a seguir foi extraído do livro O cortiço, de Aluísio Azevedo. A história se passa no Rio de Janeiro da segunda metade do século XIX. O personagem principal é João Romão, um português que possuía uma venda, alugava uma vila de casinhas e explorava uma escrava, ele tinha como verdadeira obsessão enriquecer. Os outros personagens são seus vizinhos ricos, Miranda e família, também as lavadeiras e os trabalhadores braçais que possuem seus próprios problemas e vivem no cortiço tentando conseguir o seu sustento através do trabalho duro diário.
Texto
“E ninguém seria capaz de acreditar que a causa de tudo isso era o fato de ter sido o Miranda agraciado com o título de Barão
Sim, senhor! aquele taverneiro, na aparência tão humilde e tão miserável; aquele sovina que nunca saíra dos seus tamancos e da sua camisa de riscadinho de Angola; aquele animal que se alimentava pior que os cães, para pôr de parte tudo, tudo, que ganhava ou extorquia; aquele ente atrofiado pela cobiça e que parecia ter abdicado dos seus privilégios e sentimentos de homem; aquele desgraçado, que nunca jamais amara senão o dinheiro, invejava agora o Miranda, invejavao deveras, com dobrada amargura do que sofrera o marido de Dona Estela, quando, por sua vez, o invejara a ele. Acompanhara-o desde que o Miranda viera habitar o sobrado com a família; vira-o nas felizes ocasiões da vida, cheio de importância, cercado de amigos e rodeado de aduladores; vira-o dar festas e receber em sua casa as figuras mais salientes da praça e da política; vira-o luzir, com um grosso pião de ouro, girando por entre damas da melhor e mais fina sociedade fluminense; vira-o meter-se em altas especulações comerciais e sair-se bem; vira seu nome figurar em várias corporações de gente escolhida e em subscrições, assinando belas quantias; vira-o fazer parte de festas de caridade e festas de regozijo nacional; vira-o elogiado pela imprensa e aclamado como homem de vistas largas e grande talento financeiro; virao enfim em todas as suas prosperidades, e nunca lhe tivera inveja. Mas agora, estranho deslumbramento quando o vendeiro leu no “Jornal do Comércio” que o vizinho estava barão – Barão! – sentiu tamanho calafrio em todo o corpo, que a vista por um instante se lhe apagou dos olhos.”
O cortiço. Aluísio Azevedo. Série Bom Livro, 22 ed. São Paulo: Editora Ática, 1990, p.79-80.
Nos trechos “... aquele animal que se alimentava pior que os cães...” e “... vira-o nas felizes ocasiões da vida...” os itens marcados funcionam respectivamente como:
Questão 20 10738963
SENAI 1°Ano - CGE 2129 2017/1Leia as frases a seguir.
I Ela namora o patrão.
II. A doutora assistiu à conferência perplexa.
III. Fui ao escritório pela manhã.
IV. Respondi às inquisições com cautela.
V. Paguei o imposto ao governo.

Assinale a alternativa que relaciona corretamente as legendas às frases apresentadas.
Questão 16 10738957
SENAI 1°Ano - CGE 2129 2017/1O poema abaixo se refere à questão.
A Jesus Cristo Nosso Senhor
Pequei, Senhor; mas não porque hei pecado,
Da vossa alta clemência me despido:
Porque, quanto mais tenho delinquido,
Vos tenho a perdoar mais empenhado.
Se basta a vos irar tanto pecado,
A abrandar-vos sobeja um só gemido:
Que a mesma culpa que vos há ofendido,
Vos tem para o perdão lisonjeado.
Se uma ovelha perdida, e já cobrada,
Glória tal e prazer tão repentino
Vos deu, como afirmais na sacra história:
Eu sou, Senhor, ovelha desgarrada;
Cobrai-a; e não queirais, pastor divino,
Perder na vossa ovelha a vossa glória.
Fonte: MATOS, G. Poesias selecionadas. São Paulo: FTD, 1993.
A respeito do poema, é correto afirmar que
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