Questões de EFAF Português - Leitura e Interpretação de Texto
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Questão 2 15119853
IFES 2024Leia o texto a seguir para responder à questão.
Tistu era um garoto que vivia na cidade de Mirapólvora, filho de pais ricos e donos de uma fábrica de canhões. Ao chegar na idade escolar, Tistu não conseguia permanecer acordado nas aulas e os pais decidiram, então, que ele aprenderia as lições com a vida. Em uma delas, Bigode, um jardineiro muito dedicado, descobriu que Tistu tinha um poder especial: ele tinha o polegar verde, isso significava que, onde o seu polegar tocava, nasciam e cresciam flores. Vamos conhecer um trecho da obra “O menino do dedo verde”, de Maurice Druon, em que Tistu é acompanhado pelo Sr. Trovões, conhecido por manter a ordem na cidade de Mirapólvora, para entender um pouco o que é a miséria.
TEXTO 1
[...]
Foi assim que Tistu aprendeu no dia seguinte, conduzido pelo Sr. Trovões, que a miséria mora nas favelas.
Haviam aconselhado a Tistu que vestisse para essa visita uma roupa mais velha.
O Sr. Trovões lançou mão da mais forte voz de trombeta para explicar a Tistu que as favelas ficavam nas margens da cidade.
- As favelas são um flagelo – declarou ele.
- E o que é um flagelo? – perguntou Tistu.
- Um flagelo é uma desgraça grande que atinge muita gente ao mesmo tempo.
O Sr. Trovões já não precisava dizer coisa alguma, pois Tistu já sentia o polegar coçando.
[...] Caminhos estreitos, lamacentos, mal cheirosos insinuavam-se entre tábuas apodrecidas, juntadas de qualquer jeito. Essas tábuas pareciam formar casebres, mas tão esburacados e oscilantes ao vento que a gente custava a acreditar que conseguissem se manter em pé. As portas eram remendadas com papelão ou com velhos pedaços de lata.
Ao lado da cidade limpa, de cimento e tijolos, varrida cada manhã, a favela era como se fosse uma outra cidade, repelente, que envergonhava a primeira. Nada de postes, calçadas, vitrinas e caminhões de limpeza urbana.
“Um pouco de relva beberia essa água lamacenta e tornaria os caminhos mais agradáveis; em seguida, volúveis e clematites em quantidade reforçariam os pobres barracos, quase a desmoronar”, pensava Tistu, cujo polegar em riste ia deixando impressões digitais em todas as feiuras do trajeto.
Nos barracos vivia muito mais gente do que eles podiam conter; essa gente havia de ter, é claro, um mau aspecto. “Vivendo apertados assim uns contra os outros, sem um raio de sol, tornam-se pálidos como as chicórias que o Bigode conserva na adega. Eu não gostaria que me tratassem como um pé de chicória!”
Tistu resolveu fazer crescerem gerânios ao longo das janelas, para que as crianças vissem um pouco de cor.
- Mas por que toda essa gente mora em casinhas de coelho? – perguntou de repente.
- Porque não possuem outra casa, é claro. Isso é uma pergunta idiota – respondeu o Sr. Trovões.
- E por que é que eles não têm outra casa?
- Porque não têm trabalho.
- E por que eles não têm trabalho?
- Porque não têm sorte.
- Então, quer dizer que eles não têm coisa alguma?
- Sim, e a miséria é isso.
“Pois amanhã”, disse Tistu consigo, “eles terão ao menos algumas flores”.
Ele viu um homem batendo na mulher e uma criança fugir chorando.
- A miséria torna os homens ruins? – perguntou Tistu.
- Quase sempre – respondeu o Sr. Trovões, que começou a lançar uma fanfarra de terríveis palavras.
[...]
- Recomecemos nossa lição. Que é preciso para lutar contra a miséria e suas terríveis consequências? Pense um pouco... É preciso uma coisa que começa com a letra O.
- Ouro?
- Não. É preciso ordem!
Tistu permaneceu um instante calado. Não parecia muito convencido. E, quando acabou de refletir, ele disse:
- Essa sua ordem, Sr. Trovões, o senhor tem certeza de que ela existe? Eu não acredito.
As orelhas do Sr. Trovões ficaram tão vermelhas, tão vermelhas que já não pareciam orelhas, mas tomates.
- Porque se a ordem existisse – prosse guiu Tistu na maior calma – não haveria miséria.
A nota recebida aquele dia por Tistu não foi das melhores. O Sr. Trovões anotou no caderninho: “Menino distraído e raciocinador. Os sentimentos generosos privam-no do senso da realidade”.
Mas no dia seguinte... Vocês já adivinha ram. No dia seguinte, os jornais de Mirapólvora anunciavam uma verdadeira inundação de volúveis. Os conselhos de Bigode haviam sido tomados ao pé da letra.
Arcos cor do céu velavam a feiura dos barracos, fileiras de gerânios debruavam os caminhos de relva. Os quarteirões deserdados, cuja proximidade era evitada de tão horríveis de se ver, haviam se tornado os mais belos da cidade. As pessoas iam visitá-los como se visita um museu.
Seus habitantes resolveram, então, aproveitar as circunstâncias. Puseram uma borboleta bem à entrada e cobravam cinco cruzeiros. Apareceram assim vários empregos: de guia, de guarda, de fotó grafo e vendedor de cartão-postal.
Juntaram uma fortuna.
Para empregar esse dinheiro, resolveram construir entre as árvores um grande edifício com novecentos e noventa e nove apartamentos muito bonitos, dotados de fogão elétrico, onde os antigos moradores da favela pudessem viver confortavelmente. E, como era preciso muita gente para construí-lo, ninguém mais ficou sem trabalho.
Bigode não se esqueceu de dar os parabéns a Tistu logo que pôde.
- Ah, essa das favelas foi de tirar o chapéu! Mas está faltando ali um pouco de perfume. De outra vez, não esqueça do jasmim. Cresce depressa e é bastante cheiroso.
Tistu prometeu, na próxima vez, caprichar bastante.
DRUON, Maurice. O menino do dedo verde. 135 ed. Rio de Janeiro: José Olympio, 2024. Tradução de D. Marcos Barbosa. Texto adapatado.
Os sinais de pontuação são utilizados na escrita para delimitar estruturas sintáticas e/ou representar pausas e entonações. Dentre eles, há a vírgula, que possui várias funções, como separar elementos dentro das orações ou separar orações.
Leia as afirmações a seguir e assinale a alternativa CORRETA em relação à explicação do uso da vírgula.
Questão 1 15119734
IFES 2024Leia o texto a seguir para responder à questão.
Tistu era um garoto que vivia na cidade de Mirapólvora, filho de pais ricos e donos de uma fábrica de canhões. Ao chegar na idade escolar, Tistu não conseguia permanecer acordado nas aulas e os pais decidiram, então, que ele aprenderia as lições com a vida. Em uma delas, Bigode, um jardineiro muito dedicado, descobriu que Tistu tinha um poder especial: ele tinha o polegar verde, isso significava que, onde o seu polegar tocava, nasciam e cresciam flores. Vamos conhecer um trecho da obra “O menino do dedo verde”, de Maurice Druon, em que Tistu é acompanhado pelo Sr. Trovões, conhecido por manter a ordem na cidade de Mirapólvora, para entender um pouco o que é a miséria.
TEXTO 1
[...]
Foi assim que Tistu aprendeu no dia seguinte, conduzido pelo Sr. Trovões, que a miséria mora nas favelas.
Haviam aconselhado a Tistu que vestisse para essa visita uma roupa mais velha.
O Sr. Trovões lançou mão da mais forte voz de trombeta para explicar a Tistu que as favelas ficavam nas margens da cidade.
- As favelas são um flagelo – declarou ele.
- E o que é um flagelo? – perguntou Tistu.
- Um flagelo é uma desgraça grande que atinge muita gente ao mesmo tempo.
O Sr. Trovões já não precisava dizer coisa alguma, pois Tistu já sentia o polegar coçando.
[...] Caminhos estreitos, lamacentos, mal cheirosos insinuavam-se entre tábuas apodrecidas, juntadas de qualquer jeito. Essas tábuas pareciam formar casebres, mas tão esburacados e oscilantes ao vento que a gente custava a acreditar que conseguissem se manter em pé. As portas eram remendadas com papelão ou com velhos pedaços de lata.
Ao lado da cidade limpa, de cimento e tijolos, varrida cada manhã, a favela era como se fosse uma outra cidade, repelente, que envergonhava a primeira. Nada de postes, calçadas, vitrinas e caminhões de limpeza urbana.
“Um pouco de relva beberia essa água lamacenta e tornaria os caminhos mais agradáveis; em seguida, volúveis e clematites em quantidade reforçariam os pobres barracos, quase a desmoronar”, pensava Tistu, cujo polegar em riste ia deixando impressões digitais em todas as feiuras do trajeto.
Nos barracos vivia muito mais gente do que eles podiam conter; essa gente havia de ter, é claro, um mau aspecto. “Vivendo apertados assim uns contra os outros, sem um raio de sol, tornam-se pálidos como as chicórias que o Bigode conserva na adega. Eu não gostaria que me tratassem como um pé de chicória!”
Tistu resolveu fazer crescerem gerânios ao longo das janelas, para que as crianças vissem um pouco de cor.
- Mas por que toda essa gente mora em casinhas de coelho? – perguntou de repente.
- Porque não possuem outra casa, é claro. Isso é uma pergunta idiota – respondeu o Sr. Trovões.
- E por que é que eles não têm outra casa?
- Porque não têm trabalho.
- E por que eles não têm trabalho?
- Porque não têm sorte.
- Então, quer dizer que eles não têm coisa alguma?
- Sim, e a miséria é isso.
“Pois amanhã”, disse Tistu consigo, “eles terão ao menos algumas flores”.
Ele viu um homem batendo na mulher e uma criança fugir chorando.
- A miséria torna os homens ruins? – perguntou Tistu.
- Quase sempre – respondeu o Sr. Trovões, que começou a lançar uma fanfarra de terríveis palavras.
[...]
- Recomecemos nossa lição. Que é preciso para lutar contra a miséria e suas terríveis consequências? Pense um pouco... É preciso uma coisa que começa com a letra O.
- Ouro?
- Não. É preciso ordem!
Tistu permaneceu um instante calado. Não parecia muito convencido. E, quando acabou de refletir, ele disse:
- Essa sua ordem, Sr. Trovões, o senhor tem certeza de que ela existe? Eu não acredito.
As orelhas do Sr. Trovões ficaram tão vermelhas, tão vermelhas que já não pareciam orelhas, mas tomates.
- Porque se a ordem existisse – prosse guiu Tistu na maior calma – não haveria miséria.
A nota recebida aquele dia por Tistu não foi das melhores. O Sr. Trovões anotou no caderninho: “Menino distraído e raciocinador. Os sentimentos generosos privam-no do senso da realidade”.
Mas no dia seguinte... Vocês já adivinha ram. No dia seguinte, os jornais de Mirapólvora anunciavam uma verdadeira inundação de volúveis. Os conselhos de Bigode haviam sido tomados ao pé da letra.
Arcos cor do céu velavam a feiura dos barracos, fileiras de gerânios debruavam os caminhos de relva. Os quarteirões deserdados, cuja proximidade era evitada de tão horríveis de se ver, haviam se tornado os mais belos da cidade. As pessoas iam visitá-los como se visita um museu.
Seus habitantes resolveram, então, aproveitar as circunstâncias. Puseram uma borboleta bem à entrada e cobravam cinco cruzeiros. Apareceram assim vários empregos: de guia, de guarda, de fotó grafo e vendedor de cartão-postal.
Juntaram uma fortuna.
Para empregar esse dinheiro, resolveram construir entre as árvores um grande edifício com novecentos e noventa e nove apartamentos muito bonitos, dotados de fogão elétrico, onde os antigos moradores da favela pudessem viver confortavelmente. E, como era preciso muita gente para construí-lo, ninguém mais ficou sem trabalho.
Bigode não se esqueceu de dar os parabéns a Tistu logo que pôde.
- Ah, essa das favelas foi de tirar o chapéu! Mas está faltando ali um pouco de perfume. De outra vez, não esqueça do jasmim. Cresce depressa e é bastante cheiroso.
Tistu prometeu, na próxima vez, caprichar bastante.
DRUON, Maurice. O menino do dedo verde. 135 ed. Rio de Janeiro: José Olympio, 2024. Tradução de D. Marcos Barbosa. Texto adapatado.
No capítulo lido, compreendemos que Tistu foi levado à favela para ter lições sobre a miséria humana.
Analise as afirmações a seguir e assinale a alternativa INCORRETA segundo o texto.
Questão 15 14994575
COLTEC 2024A expressão “os sonhos não envelhecem”, presente na letra da canção “Clube da esquina 2” (de Márcio Borges/Lô Borges/Milton Nascimento), transmite esperança e
Questão 14 14994570
COLTEC 2024Nos versos abaixo, retirados de O Navio Negreiro, assinale a alternativa em que a expressão sublinhada NÃO pode ser explicada corretamente pelos termos que se apresentam entre os parênteses.
Questão 13 14994567
COLTEC 2024A alternativa em que os dois termos NÃO se relacionam apropriadamente de acordo com a canção “Paisagem da janela”, de Fernando Brant e Lô Borges, é:
Questão 12 14994563
COLTEC 2024Leia o trecho seguinte da obra Dom Casmurro, de Machado de Assis:
“Capitu era Capitu, isto é, uma criatura mui particular, mais mulher do que eu era homem”.
Assinale a alternativa que melhor explica as palavras do narrador Bentinho.
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