Questões de EFAF Português
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Questão 3 10779857
IFMT 2018/1O texto abaixo serve de base para responder à questão.
Deixem a ortografia em paz
Do Senado, duas notícias, uma boa e outra má. A boa: parece que temos senadores preocupados com o ensino de português. A má: querem alterar outra vez nossa ortografia, agora radicalmente, com a esperança de que, com isso, alunos possam obter melhores resultados na aprendizagem da língua. Criaram até uma comissão, com o objetivo de aplicar o acordo ortográfico (o mesmo que, na prática, já está em vigor), e para fazer com que “se escreva como se fala”. Além de não ser boa, a ideia é impraticável. [...]
Mas isso não é tudo. Como costuma lembrar Carlos Alberto Faraco, a língua escrita não é mero reflexo da língua falada: ambas constituem meios autônomos de manifestação do saber linguístico. A ortografia é uma representação abstrata e convencional da língua. E é fundamental que o sistema ortográfico seja estável e que, independentemente da variação na fala, haja uma única representação gráfica por palavra. Do contrário, não teríamos como reconhecer palavras que fossem escritas em outro tempo (ou até em outro espaço). Seria o caos. [...]
Temos ainda o aspecto prático, talvez o mais relevante de todos. Quando foi imposto o último acordo ortográfico (que, absurdamente, teve sua implantação oficial postergada), toda a indústria editorial movimentou-se para preparar novas edições de todo o seu acervo. Dezenas de milhares de títulos sofreram as mudanças exigidas pelo MEC e outros órgãos governamentais e privados. Gramáticas e dicionários foram refeitos; tratados foram revisados; livros infantis, alterados; manuais, reeditados. Uma nova reforma seria desastrosa, não só para as editoras, mas também para os governos, que teriam que substituir todas as bibliotecas novamente. Trata-se de muito dinheiro jogado fora, possivelmente levando à falência muitas casas editoriais importantes, promovendo gasto desnecessário de verbas públicas, tornando obsoletos bilhões de livros escolares e universitários.
E há, ainda, o aspecto da exclusão social. Quando uma reforma ortográfica é implantada, grande parte dos adultos se torna analfabeta, já que eles nem sempre conseguem reter e utilizar as novas regras inventadas por capricho de meia dúzia de “sábios”, ou de desavisados. [...]
(Publicado originalmente no jornal Correio Braziliense em 09/05/2014, por Jaime Pinsky*) (*) Jaime Pinsky é historiador, professor titular da Unicamp, diretor da Editora Contexto, autor de “Por que gostamos de história”, entre outros livros.
Segundo o autor, uma nova reforma ortográfica seria desastrosa, pois:
Questão 2 10779855
IFMT 2018/1O texto abaixo serve de base para responder à questão.
Deixem a ortografia em paz
Do Senado, duas notícias, uma boa e outra má. A boa: parece que temos senadores preocupados com o ensino de português. A má: querem alterar outra vez nossa ortografia, agora radicalmente, com a esperança de que, com isso, alunos possam obter melhores resultados na aprendizagem da língua. Criaram até uma comissão, com o objetivo de aplicar o acordo ortográfico (o mesmo que, na prática, já está em vigor), e para fazer com que “se escreva como se fala”. Além de não ser boa, a ideia é impraticável. [...]
Mas isso não é tudo. Como costuma lembrar Carlos Alberto Faraco, a língua escrita não é mero reflexo da língua falada: ambas constituem meios autônomos de manifestação do saber linguístico. A ortografia é uma representação abstrata e convencional da língua. E é fundamental que o sistema ortográfico seja estável e que, independentemente da variação na fala, haja uma única representação gráfica por palavra. Do contrário, não teríamos como reconhecer palavras que fossem escritas em outro tempo (ou até em outro espaço). Seria o caos. [...]
Temos ainda o aspecto prático, talvez o mais relevante de todos. Quando foi imposto o último acordo ortográfico (que, absurdamente, teve sua implantação oficial postergada), toda a indústria editorial movimentou-se para preparar novas edições de todo o seu acervo. Dezenas de milhares de títulos sofreram as mudanças exigidas pelo MEC e outros órgãos governamentais e privados. Gramáticas e dicionários foram refeitos; tratados foram revisados; livros infantis, alterados; manuais, reeditados. Uma nova reforma seria desastrosa, não só para as editoras, mas também para os governos, que teriam que substituir todas as bibliotecas novamente. Trata-se de muito dinheiro jogado fora, possivelmente levando à falência muitas casas editoriais importantes, promovendo gasto desnecessário de verbas públicas, tornando obsoletos bilhões de livros escolares e universitários.
E há, ainda, o aspecto da exclusão social. Quando uma reforma ortográfica é implantada, grande parte dos adultos se torna analfabeta, já que eles nem sempre conseguem reter e utilizar as novas regras inventadas por capricho de meia dúzia de “sábios”, ou de desavisados. [...]
(Publicado originalmente no jornal Correio Braziliense em 09/05/2014, por Jaime Pinsky*) (*) Jaime Pinsky é historiador, professor titular da Unicamp, diretor da Editora Contexto, autor de “Por que gostamos de história”, entre outros livros.
Segundo Carlos Alberto Faraco, a língua não pode ser vista como mero reflexo da fala, pois:
Questão 1 10779851
IFMT 2018/1O texto abaixo serve de base para responder à questão.
Deixem a ortografia em paz
Do Senado, duas notícias, uma boa e outra má. A boa: parece que temos senadores preocupados com o ensino de português. A má: querem alterar outra vez nossa ortografia, agora radicalmente, com a esperança de que, com isso, alunos possam obter melhores resultados na aprendizagem da língua. Criaram até uma comissão, com o objetivo de aplicar o acordo ortográfico (o mesmo que, na prática, já está em vigor), e para fazer com que “se escreva como se fala”. Além de não ser boa, a ideia é impraticável. [...]
Mas isso não é tudo. Como costuma lembrar Carlos Alberto Faraco, a língua escrita não é mero reflexo da língua falada: ambas constituem meios autônomos de manifestação do saber linguístico. A ortografia é uma representação abstrata e convencional da língua. E é fundamental que o sistema ortográfico seja estável e que, independentemente da variação na fala, haja uma única representação gráfica por palavra. Do contrário, não teríamos como reconhecer palavras que fossem escritas em outro tempo (ou até em outro espaço). Seria o caos. [...]
Temos ainda o aspecto prático, talvez o mais relevante de todos. Quando foi imposto o último acordo ortográfico (que, absurdamente, teve sua implantação oficial postergada), toda a indústria editorial movimentou-se para preparar novas edições de todo o seu acervo. Dezenas de milhares de títulos sofreram as mudanças exigidas pelo MEC e outros órgãos governamentais e privados. Gramáticas e dicionários foram refeitos; tratados foram revisados; livros infantis, alterados; manuais, reeditados. Uma nova reforma seria desastrosa, não só para as editoras, mas também para os governos, que teriam que substituir todas as bibliotecas novamente. Trata-se de muito dinheiro jogado fora, possivelmente levando à falência muitas casas editoriais importantes, promovendo gasto desnecessário de verbas públicas, tornando obsoletos bilhões de livros escolares e universitários.
E há, ainda, o aspecto da exclusão social. Quando uma reforma ortográfica é implantada, grande parte dos adultos se torna analfabeta, já que eles nem sempre conseguem reter e utilizar as novas regras inventadas por capricho de meia dúzia de “sábios”, ou de desavisados. [...]
(Publicado originalmente no jornal Correio Braziliense em 09/05/2014, por Jaime Pinsky*) (*) Jaime Pinsky é historiador, professor titular da Unicamp, diretor da Editora Contexto, autor de “Por que gostamos de história”, entre outros livros.
Com base na leitura do texto, podemos afirmar que, segundo o autor:
Questão 14 10778346
IFMG 2018/1Leia os textos abaixo e responda à questão.
TEXTO XIII
Fita Amarela
Quando eu morrer, não quero choro nem vela
Quero uma fita amarela gravada com o nome dela
Se existe alma, se há outra encarnação
[5] Eu queria que a mulata sapateasse no meu caixão
Não quero flores nem coroa com espinho
Só quero choro de flauta, violão e cavaquinho
Estou contente, consolado por saber
[10] Que as morenas tão formosas a terra um dia há de co-
mer.
Não tenho herdeiros, não possuo um só vintém
Eu vivi devendo a todos, mas não paguei ninguém
[15] Meus inimigos que hoje falam mal de mim
Vão dizer que nunca viram uma pessoa tão boa assim.
Disponível em: https://www.letras.mus.br/noel-rosamusicas/78664/. Acesso em: 02. Set.2017.
TEXTO XIV
Se eu morresse amanhã, viria ao menos
Fechar meus olhos minha triste irmã;
Minha mãe de saudades morreria
Se eu morresse amanhã!
[5] Quanta glória pressinto em meu futuro!
Que aurora de porvir e que manhã!
Eu perdera chorando essas coroas
Se eu morresse amanhã!
Que sol! que céu azul! que doce n’alva
[10] Acorda a natureza mais louçã!
Não me batera tanto amor no peito
Se eu morresse amanhã!
Mas essa dor da vida que devora
A ânsia de glória, o dolorido afã…
[15] A dor no peito emudecera ao menos
Se eu morresse amanhã!
AZEVEDO, Álvares de. Lira dos Vinte Anos. São Paulo: Martins Fontes, 1996.
A partir da leitura dos textos XIII e XIV, conclui-se que, em ambos, o eu lírico
Questão 13 10778339
IFMG 2018/1TEXTO
Pneu furado
O carro estava encostado no meio-fio, com um pneu
furado. De pé, ao lado do carro, olhando desconsoladamente para o pneu, uma moça muito bonitinha. Tão
bonitinha que atrás parou outro carro e dele desceu um
homem dizendo “Pode deixar”. Ele trocaria o pneu.
– Você tem macaco? – perguntou o homem.
– Não – respondeu a moça.
– Tudo bem, eu tenho – disse o homem – Você tem
estepe?
– Não – disse a moça.
– Vamos usar o meu – disse o homem.
E pôs-se a trabalhar, trocando o pneu, sob o olhar
da moça.
Terminou no momento em que chegava o ônibus
que a moça estava esperando. Ele ficou ali, suando, de
boca aberta, vendo o ônibus se afastar.
Dali a pouco chegou o dono do carro.
– Puxa, você trocou o pneu pra mim. Muito obrigado.
– É. Eu... Eu não posso ver pneu furado. Tenho que
trocar.
– Coisa estranha.
– É uma compulsão. Sei lá.
VERÍSSIMO, Luís Fernando. Pai não entende nada. Porto Alegre: L&PM, 1991.
A palavra “compulsão”, na fala do personagem, serve como uma
Questão 12 10778337
IFMG 2018/1Leia o texto abaixo para responder à questão.
TEXTO
A Foto
Foi numa festa de família, dessas de fim de ano. Já
que o bisavô estava morre não morre, decidiram tirar
uma fotografia de toda a família reunida, talvez pela úl-
[5] tima vez. A bisa e o bisa sentados, filhos, filhas, noras,
genros e netos em volta, bisnetos na frente, esparrama-
dos pelo chão. Castelo, o dono da câmara, comandou a
pose, depois tirou o olho do visor e ofereceu a câmara a
quem ia tirar a fotografia. Mas quem ia tirar a fotografia?
[10] – Tira você mesmo, ué.
– Ah, é? E eu não saio na foto?
O Castelo era o genro mais velho. O primeiro genro.
O que sustentava os velhos. Tinha que estar na fotogra-
fia.
[15] – Tiro eu – disse o marido da Bitinha.
– Você fica aqui – comandou a Bitinha.
Havia uma certa resistência ao marido da Bitinha na
família. A Bitinha, orgulhosa, insistia para que o marido
reagisse. “Não deixa eles te humilharem, Mário Cesar”,
[20] dizia sempre. O Mário Cesar ficou firme onde estava, do
lado da mulher. A própria Bitinha fez a sugestão mal-
dosa:
– Acho que quem deve tirar é o Dudu...
O Dudu era o filho mais novo de Andradina, uma
[25] das noras, casada com o Luiz Olavo. Havia a suspeita,
nunca claramente anunciada, de que não fosse filho do
Luiz Olavo. O Dudu se prontificou a tirar a fotografia,
mas a Andradina segurou o filho.
– Só faltava essa, o Dudu não sair. E agora?
[30] – Pô, Castelo. Você disse que essa câmara só faltava
falar. E não tem nem timer!
O Castelo impávido. Tinham ciúmes dele. Porque
ele tinha um Santana do ano. Porque comprara a câmara
num duty free da Europa. Aliás, o apelido dele entre os
[35] outros era “Dutifri”, mas ele não sabia.
– Revezamento – sugeriu alguém. – Cada genro
bate uma foto em que ele não aparece, e...
A ideia foi sepultada em protestos. Tinha que ser
toda a família reunida em volta da bisa. Foi quando o
[40] próprio bisa se ergueu, caminhou decididamente até o
Castelo e arrancou a câmara da sua mão.
– Dá aqui.
– Mas seu Domício...
– Vai pra lá e fica quieto.
[45] – Papai, o senhor tem que sair na foto. Senão não
tem sentido!
– Eu fico implícito – disse o velho, já com o olho
no visor.
E antes que houvesse mais protestos, acionou a câ-
[50] mara, tirou a foto e foi dormir.
VERÍSSIMO, Luís Fernando. Comédias para se ler na escola. Rio de Janeiro: Objetiva, 2001.
No trecho “Foi quando o próprio bisa se ergueu, caminhou decididamente até o Castelo e arrancou a câmara da sua mão” (l.29), a palavra em destaque introduz uma ideia de
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