Questões de EFAF Português - Ortografia
329 Questões
Questão 7 611668
IF Sertão 2018TEXTO
SOBRE POLÍTICA E JARDINAGEM
De todas as vocações, a política é a mais nobre. Vocação, do latim vocare, quer dizer ‘chamado’. Vocação é um chamado interior de amor: chamado de amor por um ‘fazer’, o vocacionado quer ‘fazer amor’ com o mundo. Psicologia de amante: faria, mesmo que não ganhasse nada.
‘Política’ vem de ‘polis’, cidade. A cidade era, para os gregos, um espaço seguro, ordenado e manso, onde os homens podiam se dedicar à busca da felicidade. O político seria aquele que cuidaria desse espaço. A vocação política, assim, estaria a serviço da felicidade dos moradores da cidade. Talvez por terem sido nômades no deserto, os hebreus não sonhavam com cidades; sonhavam com jardins. Quem mora no deserto sonha com o oásis. Deus não criou uma cidade. Ele criou um jardim. Se perguntássemos a um profeta hebreu ‘o que é política?’ ele nos responderia: ‘A arte de jardinagem aplicada às coisas públicas’.
O político por vocação é um apaixonado pelo grande jardim para todos. Seu amor é tão grande que ele abre mão do pequeno jardim que ele poderia plantar para si mesmo. De que vale um pequeno jardim se a sua volta está deserto? É preciso que o deserto inteiro se transforme em jardim.
Amo a minha vocação, que é escrever. Literatura é uma vocação bela e fraca. O escritor tem amor, mas não tem poder. Mas o político tem. Um político por vocação é um poeta forte: ele tem o poder de transformar poemas sobre jardins em jardins de verdade.
A vocação política é transformar sonhos em realidade. É uma vocação tão feliz que Platão sugeriu que os políticos não precisam possuir nada: bastar-lhes-ia o grande jardim para todos. Seria indigno que o jardineiro tivesse um espaço privilegiado, melhor e diferente do espaço ocupado por todos. Conheci e conheço muitos políticos por vocação. Sua vida foi e continua a ser um motivo de esperança.
Vocação é diferente de profissão. Na vocação a pessoa encontra a felicidade na própria ação. Na profissão o prazer se encontra não na ação. O prazer está no ganho que dela se deriva. O homem movido pela vocação é um amante. Faz amor com a amada pela alegria de fazer amor. O profissional não ama a mulher. Ele ama o dinheiro que recebe dela. É um gigolô.
Todas as vocações podem ser transformadas em profissões. O jardineiro por vocação ama o jardim de todos. O jardineiro por profissão usa o jardim de todos para construir seu jardim privado, ainda que, para que isso aconteça, ao seu redor aumentem o deserto e o sofrimento.
Assim é a política. São muitos os políticos profissionais. Posso, então, enunciar minha segunda tese: de todas as profissões, a política é a mais vil. O que explica o desencanto total do povo, em relação à política. Guimarães Rosa, questionado por Gunter Lorenz se ele se considerava político, respondeu: “Eu jamais poderia ser político com toda essa charlatanice da realidade. Ao contrário dos ‘legítimos’ políticos, acredito no homem e lhe desejo um futuro. O político pensa apenas em minutos. Sou escritor e penso em eternidades. Eu penso na ressurreição do homem”.
Quem pensa em minutos não tem paciência para plantar árvores. Uma árvore leva muitos anos para crescer. É mais lucrativo cortá-las.
Nosso futuro depende dessa luta entre políticos por vocação e políticos por profissão. (...)
(ALVES, Rubem. In: Folha de S. Paulo, fragmento, 19 maio 2000.)
“A cidade era, para os gregos, um espaço seguro, ordenado e manso, onde os homens podiam se dedicar à busca da felicidade”.
Nesse período, o acento indicativo da crase só não seria mantido se substituíssemos o verbo “dedicar” por
Questão 8 398612
IFPE 2018/1TEXTO
O FIM DO LIVRO DE PAPEL
(1) Só 122 livros. Era o que a Universidade de Cambridge tinha em 1427. Eram manuscritos lindos, que valiam cada um o preço de uma casa. Isso foi 3 décadas antes de a Bíblia de Gutenberg chegar às ruas. Depois dela, os livros deixaram de ser obras artesanais exclusivas de milionários e viraram o que viraram. Graças a uma novidade: a prensa de tipos móveis, que era capaz de fazer milhares de cópias no tempo que um monge levava para terminar um manuscrito.
(2) Foi uma revolução sem igual na história e blá, blá, blá. Só que uma revolução que já acabou. Há 10 anos, pelo menos. Quando a internet começou a crescer para valer, ficou claro que ela passaria uma borracha na história do papel impresso e começaria outra.
(3) Mas aconteceu justamente o que ninguém esperava: nada. A internet nunca arranhou o prestígio nem as vendas dos livros. Muito pelo contrário. O 2o negócio online que mais deu certo (depois do Google) é uma livraria, a Amazon. Se um extraterrestre pousasse na Terra hoje, acharia que nada disso faz sentido. Por que o livro não morreu? Como uma plataforma que, se comparada à internet, é tão arcaica quanto folhas de pergaminho ou tábuas de argila continua firme?
(4) Você sabe por quê. Ler um livro inteiro no computador é insuportável. A melhor tecnologia para uma leitura profunda e demorada continua sendo tinta preta em papel branco. Tudo embalado num pacote portátil e fácil de manusear. Igual à Bíblia de Gutenberg. Isso sem falar em outro ingrediente: quem gosta de ler sente um afeto físico pelos livros. Curte tocar neles, sentir o fluxo das páginas, exibir a estante cheia. Uma relação de fetiche. Amor até.
(5) Mas esse amor só dura porque ainda não apareceu nada melhor que um livro para a atividade de ler um livro. Se aparecer… Se aparecer, não: quando aparecer. Depois do cd, que já morreu, e do dvd, que está respirando com a ajuda de aparelhos, o livro impresso é o próximo da lista.
VERSIGNASSI, Alexandre. O fim do livro de papel. Disponível em: . Acesso em: 06 out. 2017. Adaptado.
A pontuação não interfere apenas nos aspectos sintáticos do texto, mas também nos semânticos. Sobre os efeitos de sentido decorrentes do uso da pontuação no TEXTO, marque a única afirmação CORRETA.
Questão 14 10752539
COLTEC 2017Assinale a alternativa em que o conectivo “porque” está INCORRETAMENTE grafado tendo em vista o registro padrão da língua portuguesa.
Questão 15 10738200
SENAI 1°Ano - CGE 2132 2017/1A figura abaixo se refere à questão.

Fonte: Disponível em: http://4.bp.blogspot.com/-mVT8O3mJto0/T5BnJQfKmMI/AAAAAAAABWU/5KmA8ji6E1c/s1600/chargeortografia.jpg. Acesso em: 25 jan. 2015.
De acordo com o novo Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa, a palavra em destaque na charge perdeu o acento.
A mesma regra aplica-se à palavra
Questão 17 10560584
SENAI 1° Ano - CGE 2136 2017/2O texto abaixo se refere à questão.
Alguns exemplos de atitudes em prol do consumo consciente:
– Ao usar o chuveiro elétrico: se cada brasileiro reduzisse o banho diário de 12 minutos para 6 minutos, a energia economizada seria suficiente para manter uma lâmpada acesa por sete horas. Outra opção para economizar é fechar a torneira ao se ensaboar.
– Ao instalar ar condicionado, evite posicioná-lo em um local com incidência direta do sol. Dessa forma, a economia de energia pode chegar a 5%. Desligue o aparelho quando não houver ninguém no local.
– Evite as lâmpadas ____; embora mais baratas, elas têm vida útil curta. As lâmpadas fluorescentes duram até 10 vezes mais, e as LED são até 25 vezes mais duráveis e consomem pouca eletricidade.
(...)
Fonte: Disponível em: http://www.eupensomeioambiente.com.br/consumo-consciente/. Acesso em: 19 abr. 2015.
Em relação à pontuação e à ortografia, considere as seguintes afirmações.
I. O uso dos dois pontos após “Ao usar o chuveiro elétrico:” tem a função de explicar ou completar uma ideia anterior.
II. A palavra “incandecentes” preenche corretamente a lacuna no texto.
III. O sinal dois-pontos, após “Ao usar o chuveiro elétrico:”, é utilizado para se iniciar uma enumeração.
IV. O termo “incandescentes”, grafado com “sc”, completa corretamente a lacuna no texto.
Está correto apenas o que se afirma em
Questão 2 10254097
IFSertãoPE 2017TEXTO
Os poemas
Os poemas são pássaros que chegam
Não se sabe de onde e pousam
No livro que lês.
Quando fechas o livro, Eles alcançam voo como de um alçapão.
Eles não têm pouso nem porto
Alimentam-se um instante em cada par de mãos e
partem.
E, olhas, então, essas tuas mãos vazias,
no maravilhoso espanto de saberes
que o alimento deles já estava em ti...
(Maria Quintana)
Em “Os poemas são pássaros” , a palavra em destaque deve ser sintaticamente classificada como:
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