Questões de EFAF Português - Ortografia
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Questão 6 10532343
OBJETIVO 9º Ano - Português 2019Texto para a questão.
Texto - MÚSICA NO TÁXI
Prazeres do cotidiano. Quando menos se espera... Você pega o táxi, manda tocar para o seu destino (manda, não, pede por favor) e resigna-se a escutar durante 20 minutos, no volume mais possante, o rádio despejando assaltos e homicídios do dia. Os tiros, os gemidos, os desabamentos o acompanharão por todo o percurso. É a fatalidade da vida, quando se tem pressa.
Mas eis que o motorista pega de um imprevisto cassete, coloca-o no lugar devido, liga, e os acordes melódicos dos Contos dos Bosques de Viena irrompem do fusca amarrotado, mas digno.
Bem, não é a Nona Sinfonia nem um título menor da grande música, mas não estamos na Sala Cecília Meireles, e isso vale como homenagem especial a um passageiro distinto, que pede por favor. Cumpre agradecer a fineza:
– Obrigado. O senhor mostra que tem satisfação em agradar aos passageiros, oferecendo-lhes música e não barulho e crimes.
– Não tem de quê. O senhor também aprecia?
– O quê?
– Strauss. É um dos meus prediletos.
– Sim, ele é agradável. O senhor está sendo gentil comigo.
– Ora, não é tanto assim. Pus o cassete porque gosto de música. Não sabia se o senhor também gostava ou não. Se não gostasse, eu desligava. Portanto, não tem que agradecer.
– E já lhe aconteceu desligar?
– Ih, tantas vezes. Fico observando a fisionomia do passageiro. Uns, mais acanhados, disfarçam, não dizem nada, mas tem outros que reclamam, não querem ouvir esse troço.
O senhor já pensou: chamar Tchaikovsky de “esse troço”? Pois ouvi isso de um cidadão de gravata e pasta de executivo. Disse que precisava se concentrar, por causa de um negócio importante, e Tchaikovsky perturbava a concentração.
– Ele talvez quisesse dizer que ficava tão empolgado pela música que esquecia o negócio.
– Pois sim! Nesse caso, não falaria “esse troço”, que é o cúmulo da falta de respeito.
– Estou adivinhando que o senhor toca um instrumento.
Olhou-me admirado:
– Como é que o senhor viu?
– Porque uma pessoa que gosta tanto de música, em geral toca. Seu instrumento qual é?
Virou-se com tristeza na voz:
– Atualmente nenhum. O senhor sabe, essa crise geral, a gasolina pela hora da morte, e não é só a gasolina: a comida, o sapato, o resto. Tive de vender pra tapar uns buracos. Mas se as coisas melhorarem este ano...
– Melhoram. As coisas têm de melhorar – achei do meu dever confortá-lo.
– Porque clarinetista sem clarinete, o senhor sabe, é um negócio sem sentido. Clarinete tem esta vantagem: dá o recado sem precisar de orquestra. Um solo bem executado, não precisa mais pra encantar a alma. Mas clarinetista, sozinho, fica até ridículo.
– Não diga isso. E não desanime. O dia em que arranjar outro clarinete – quem sabe?, talvez até seja o mesmo que lhe pertenceu – será uma festa.
– Mas se demorar muito eu já estarei tão desacostumado que nem sei se volto a tocar razoavelmente. Porque, o senhor compreende, eu não sou um artista, minha vida não dá folga pra estudar nem meia hora por dia.
– O importante é gostar de música, tem amor e devoção por música, e está-se vendo que o senhor tem de sobra.
– Lá isso tá certo.
– Não importa que o senhor não seja solista de uma grande orquestra, e mesmo de uma orquestra comum. Ninguém precisa ser grande em nada, desde que cultive alguma coisa bonita na vida.
Seu rosto iluminou-se.
– Que bom ouvir uma coisa dessas. Agora vou lhe confessar que isso de não ser músico dos tais que arrebatam o auditório sempre me doeu um pouco. Não era por vaidade não, quem sou pra ter vaidade? Mas um sonho esquisito, sei lá. Ficava me imaginando num palco iluminado, tocando... Bobagem, o senhor desculpe. Agora a sua palavra deixou tudo claro. Basta eu gostar de música. Não é preciso que gostem de mim, nem que ela goste de mim. Obrigado ao senhor.
Olhei o taxímetro, tirei a carteira.
– Eu nem devia cobrar do senhor. Fico até encabulado!
(Carlos Drummond de Andrade. Boca de luar. 6. ed. Rio de Janeiro: Record, 1987, p. 69-71.)
Em relação à acentuação gráfica, analise as proposições a seguir:
I. As palavras rádio, negócio e auditório são acentuadas por serem proparoxítonas.
II. Ninguém e também são acentuadas por serem oxítonas terminadas em “em”.
III. A palavra agradável é acentuada por ser uma paroxítona terminada em “l”.
IV. As palavras táxi, será e está obedecem à mesma regra de acentuação.
É correto o que se afirma em
Questão 2 10415390
CMT 2019TEXTO
Blusão da moda

Há cores por todos os lados e um clima de muita
generosidade na vitrine, os preços das ofertas fazem graciosos
malabarismos.
Vejo um blusão de lã e me agrado dele. Sim, a cor me cai
[5] no gosto, o talhe não é dos piores, o preço está convidativo. Para
quem precisa de um blusão de lã e sabe que ainda tem um pouco
de inverno pela frente, é de aproveitar.
Entro. Quem me atende é o próprio dono da loja, um cidadão que já vi, creio eu, em
mais de uma história d’As mil e uma noites. Um cidadão cortês, prestativo,
[10] interessadíssimo na minha humilde pessoa. Digo-lhe que gostei do blusão assim e assim
que está na vitrine e ele vai, olha qual é, vem, procura na prateleira um semelhante, não
encontra. O que justamente está de amostra é o último.
Fico torcendo para que o número seja o meu, 46. Faz tempo que ando procurando
um blusão daquele tipo, daquela cor, daquele preço. Decepção: é 50. Quando vou dizer
[15] “que pena, é muito grande”, o homem já está me tirando o casaco e me vestindo o blusão.
Digo que não adianta, é enorme, mas ele não me dá ouvidos.
- Viu? Olha aí!
Estou olhando, é monstruoso. Sobra pano nos ombros, nas mangas, nas costas,
por todo lado. Mas o persistente comerciante tem a coragem síria de dizer que aquilo está
[20] bom.
- Está bom demais: é blusão para mim e meus quatro filhos... – digo, com um risinho.
Ele não quer saber de piadas. Manda que eu aproveite a oportunidade, pois um
blusão daqueles, na verdade, anda custando o dobro. Replico que o blusão não está
custando, o blusão é o dobro. Não me escuta, prefere me ensinar que hoje um blusão
[25] decente se usa assim mais folgado, é da moda. Com todo respeito, só um palhacinho de
circo usaria um mais justo. Depois a tendência da lã é sempre encolher um pouco.
Resisto, digo que vou pensar. Consigo, a duras penas, sair.
Entro noutra loja, olho, olho, não tenho sorte. Entro em mais outra, olho, olho, nada
parecido com o blusão do meu gosto. Tento uma terceira, a mesma coisa. Desisto.
[30] Volto ao blusão que já seria meu se fosse 46. Vou pensando: não ficou tão grande,
ficou? Não entendo nada de moda, mas parece que já ouvi mesmo minha mulher dizer que
roupa agora se usa um pouco mais solta. Será que não ando um pouco antiquado?
Chego e verifico que o blusão está sendo visto por outro freguês e sinto-me como
que passado para trás. É um blusão bonito mesmo, o danado. O novo pretendente é um
[35] animal de grande, deve vestir 54, e ouço-o dizer “que pena, é muito pequeno”, mas o turco
não lhe dá ouvidos, diz que hoje um blusão decente se usa assim mais justo, senão o cara,
com todo respeito, fica parecendo um palhacinho de circo. Depois, a tendência da lã é
sempre a de esticar, claro.
Saio resignadamente sem blusão, vou embora ler um pouco das minh’As mil e uma
[40] noites.
Cardozo. Flávio José. Uns papéis que voam.São Paulo, FTD, 2003.
Julgue os itens em V, caso considere os verdadeiros, e em F, caso considere-os falsos e, em seguida, marque a opção com a sequência correta.
I. Em “Volto ao blusão que já seria meu se fosse 46” (l.30) e “(...) dizer que roupa agora se usa um pouco mais solta” (l.31 e 32), as palavras destacadas exercem a mesma função.
II. Ao dizer que o blusão “Está bom demais (...)” (l.21), o freguês foi irônico, sarcástico.
III. No momento em que estava sendo atendido, o freguês achou que o dono da loja estava sendo sincero.
IV. O vendedor não insiste com o freguês, porque sabe que não demorará para que outro cliente logo se interesse pelo blusão e o compre.
Questão 5 483379
IFS 2019/1TEXTO
Não adianta tentar transmitir como foi duro para os sentimentos de Violet, Klaus e Sunny o período que se seguiu em sua vida. Se alguma vez vocês perderam uma pessoa que tinha grande IMPORTÂNCIA para vocês, então sabem como é que nos sentimos nessas horas, e, se nunca perderam, não dá nem para imaginar. Para os jovens Baudelaire, é claro, foi uma experiência especialmente terrível, porque perderam pai e mãe de uma só vez, e durante muitos e muitos dias se sentiram tão arrasados que mal tinham ânimo para sair da cama. Klaus não conseguia achar interesse nos livros. Os mecanismos que punham em ação o cérebro inventivo de Violet pareciam estar travados. E até mesmo Sunny, que evidentemente era jovem demais para entender de fato o que estava acontecendo, dava suas mordidas com menos entusiasmo.
Naturalmente, não melhorou nada a situação o fato de eles terem ficado também sem a casa e sem tudo o que possuíam. Vocês devem saber muito bem que basta estarmos em nosso próprio quarto, em nossa própria cama, para os momentos mais horríveis perderem um pouquinho do seu peso esmagador. Mas as camas dos Baudelaire órfãos haviam sido reduzidas a escombros carbonizados. O sr. Poe os levara para dar uma olhada no que restava da mansão, para ver se sobrara algo que se pudesse aproveitar, e a impressão foi terrível: o microscópio de Violet se fundira por completo no calor do fogo. A caneta preferida de Klaus estava transformada em cinzas, e todas as argolas de Sunny pôr na boca para morder tinham se derretido. Num e noutro canto, as crianças podiam notar os vestígios do que outrora fora o casarão tão amado por elas: pedaços do seu piano de cauda, uma elegante garrafa em que o sr. Baudelaire guardava o conhaque, o estofamento esturricado da poltrona que ficava junto à janela e em que a mãe deles gostava de sentar e ler.
SNICKET, Lemony. Mau começo. São Paulo: Seguinte, 2001.
O uso indicativo da crase presente em: “ficava junto à janela”, justifica-se porque:
Questão 16 11300014
IFMS 2018Os acentos gráficos e sinais de nasalização foram suprimidos do texto a seguir. Assinale a alternativa que apresenta o texto com a acentuação correta.
SUÍÇA
Travessia a meio, com paragem em Zurique. Lembrei-me logo dos suiços que conhecera em Portugal e que se diziam aliviados por poderem praticar ca “pequenos delitos” la proibidos, como deitar papeis para o chao num cafe, tantas restriçoes havia... Pais tao organizado, tao alinhado que ate as ervas dos montes parecem aparadas. Foi a ideia com que fiquei.
(Disponível em http://viagempartilhada.blogspot.com.br/2009/07/. Acesso em: 10 nov. 2017).
Questão 13 10781303
IFMT 2018/2As frases abaixo apresentam problemas de emprego da norma culta, EXCETO:
Questão 20 10535365
SENAI 1° Ano - CGE 2143 2018/1A canção abaixo se refere à questão.
A volta da Asa Branca
Já faz três noites
Que pro norte relampeia
A asa branca
Ouvindo o ronco do trovão
Já bateu asas
E voltou pro meu sertão
Ai, ai eu vou me embora
Vou cuidar da plantação
A seca fez eu desertar da minha terra
Mas felizmente Deus agora se alembrou
(...)
Fonte: GONZAGA, L. Disponível em: https://www.vagalume.com.br/luiz-gonzaga/a-volta-da-asa-branca.html. Acesso em: 19 maio 2016.
Considere estas afirmativas a respeito do trecho da canção.
I. Ocorre desvio da regra de ortografia com o uso do verbo “relampeia”.
II. “Pro” é a contração da expressão “para o”, portanto, “pro” está de acordo com a norma padrão da Língua Portuguesa.
III. Não deveria haver vírgula separando as interjeições “Ai, ai”.
IV. A grafia do verbo “alembrou” não está de acordo com a norma padrão da Língua Portuguesa, pertence à linguagem coloquial.
Estão corretas apenas as afirmativas
06
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