Questões de EFAF Português - Leitura e Interpretação de Texto
7.497 Questões
Questão 9 10192620
IFPE Subsequente 2015TEXTO
Sou Negro
Sou negro
meus avós foram queimados
pelo sol da África
minh`alma recebeu o batismo dos tambores
atabaques, gongôs e agogôs
Contaram-me que meus avós
vieram de Loanda
como mercadoria de baixo preço
plantaram cana pro senhor de engenho novo
e fundaram o primeiro Maracatu
Depois meu avô brigou como um danado
nas terras de Zumbi
Era valente como quê
Na capoeira ou na faca
escreveu não leu
o pau comeu
Não foi um pai João
humilde e manso
Mesmo vovó
não foi de brincadeira
Na guerra dos Malês
ela se destacou
Na minh`alma ficou
o samba
o batuque
o bamboleio
e o desejo de libertação
Solano Trindade.
Disponível em: http://www.antoniomiranda.com.br/poesia_brasis/pernambuco/solano_trindade.html.
Acesso em: 01 out. 2014.
Solano Trindade morreu há quarenta anos, foi poeta pernambucano, nascido em 1909 e produziu suas obras no período modernista. Solano era negro e a temática étnico-racial esteve muito presente em sua obra.
No poema “Sou Negro”, encontramos a seguinte característica:
Questão 5 10192572
IFPE Subsequente 2015TEXTO
Aranha é chamado de “macaco” por torcida do Grêmio
Publicado em 28/08/2014, 22:09 /Atualizado em 29/08/2014, 02:38
O jogo entre Santos e Grêmio terminou 2 a 0 para o time alvinegro, mas a cena mais lamentável veio das arquibancadas. O goleiro Aranha, do time paulista, foi alvo de críticas racistas por parte da torcida atrás do gol onde estava no segundo tempo.
Em uma imagem flagrada pela câmera da ESPN Brasil, é possível ver uma torcedora da equipe tricolor chamando Aranha de "macaco". Além disso, outros torcedores - inclusive, um negro - imitaram sons de macaco em direção ao atleta.
O gesto revoltou o goleiro do Santos, que, visivelmente chateado, falou sobre o caso após o apito final.
"O fato de ter uma campanha contra o racismo no telão da outra vez não é à toa. A torcida xingar e pegar no pé é normal. Mas daí começaram a falar ‘preto fedido', ‘cambada de preto', fiquei nervoso, mas fiquei me segurando. Fizeram rápido e pouco um coro de macaco, para não dar tempo de pegar. Pedi para o câmera virar e mostrar, mas ele não fez isso. Fico p.. com essas coisas acontecerem aqui. Mas isso dói, dói. Não é
possível. Vem falar que eu estava insultando a torcida, virei e falei que eu era preto sim, negão", afirmou o goleiro.
"Como tomar providência? No meio de tanta gente, fica difícil assim. Graças a muito esforço, tem leis, mas no futebol a gente sabe que o torcedor usa de várias maneiras para desestabilizar o jogador. Sou mais experiente agora", falou Aranha. A assessoria de imprensa do Santos informou que divulgará uma nota no nome de Aranha sobre o caso.
ESPN. Aranha é chamado de “macaco” por torcida do Grêmio.
Disponível em: http://espn.uol.com.br/noticia/436034_aranha-e-chamado-de-macaco-por-torcida-do-gremio.
Acesso em: 01 out. 2014 (adaptado).
Com relação ao uso dos sinais de pontuação, analise as proposições abaixo.
I. No período “Em uma imagem flagrada pela câmera da ESPN Brasil, é possível ver uma torcedora da equipe tricolor chamando Aranha de ‘macaco’ ”, o uso da vírgula é obrigatório, pois isola o adjunto adverbial antecipado.
II. Em “Além disso, outros torcedores – inclusive, um negro – imitaram sons de macaco em direção ao atleta”, o uso do travessão se justifica pelo destaque que o autor quis dar ao fato de que havia um negro entre os torcedores que praticaram racismo contra o goleiro Aranha.
III. Na conclusão do texto “A assessoria de imprensa do Santos informou que divulgará uma nota no nome de Aranha sobre o caso”, poderia ser usada uma vírgula antes do verbo “informar” – “A assessoria de imprensa do Santos, informou” – pois, nesse caso, o uso da vírgula é facultativo.
Está(ão) correta(s) apenas a(s) proposição(ões):
Questão 2 10192515
IFPE Subsequente 2015TEXTO
Aranha é chamado de “macaco” por torcida do Grêmio
Publicado em 28/08/2014, 22:09 /Atualizado em 29/08/2014, 02:38
O jogo entre Santos e Grêmio terminou 2 a 0 para o time alvinegro, mas a cena mais lamentável veio das arquibancadas. O goleiro Aranha, do time paulista, foi alvo de críticas racistas por parte da torcida atrás do gol onde estava no segundo tempo.
Em uma imagem flagrada pela câmera da ESPN Brasil, é possível ver uma torcedora da equipe tricolor chamando Aranha de "macaco". Além disso, outros torcedores - inclusive, um negro - imitaram sons de macaco em direção ao atleta.
O gesto revoltou o goleiro do Santos, que, visivelmente chateado, falou sobre o caso após o apito final.
"O fato de ter uma campanha contra o racismo no telão da outra vez não é à toa. A torcida xingar e pegar no pé é normal. Mas daí começaram a falar ‘preto fedido', ‘cambada de preto', fiquei nervoso, mas fiquei me segurando. Fizeram rápido e pouco um coro de macaco, para não dar tempo de pegar. Pedi para o câmera virar e mostrar, mas ele não fez isso. Fico p.. com essas coisas acontecerem aqui. Mas isso dói, dói. Não é
possível. Vem falar que eu estava insultando a torcida, virei e falei que eu era preto sim, negão", afirmou o goleiro.
"Como tomar providência? No meio de tanta gente, fica difícil assim. Graças a muito esforço, tem leis, mas no futebol a gente sabe que o torcedor usa de várias maneiras para desestabilizar o jogador. Sou mais experiente agora", falou Aranha. A assessoria de imprensa do Santos informou que divulgará uma nota no nome de Aranha sobre o caso.
ESPN. Aranha é chamado de “macaco” por torcida do Grêmio.
Disponível em: http://espn.uol.com.br/noticia/436034_aranha-e-chamado-de-macaco-por-torcida-do-gremio.
Acesso em: 01 out. 2014 (adaptado).
Para se entender o trecho como uma unidade de sentido, é preciso que o leitor reconheça a ligação entre seus elementos. O autor do texto utiliza-se de várias estratégias coesivas, dentre elas, a retomada por pronome relativo.
O fragmento do texto em que há coesão estabelecida por um pronome é:
Questão 15 10170259
IFPR Médio Integrado 2015MÚSICA NO TÁXI
Carlos Drummond de Andrade
Quando menos se espera... Você pega o táxi, manda tocar ________ seu destino (manda, não,
pede por favor) e ................ a escutar durante 20 minutos, no volume mais possante, o rádio
despejando assaltos e homicídios do dia. Os tiros, os gemidos, os desabamentos o acompanharão
______ todo o percurso. É a fatalidade da vida, quando .............. pressa.
Mas eis que o motorista pega de um imprevisto cassete, coloca-o no lugar devido, liga, e os
acordes dos Contos dos Bosques de Viena irrompem do fusca amarrotado, mas digno.
Bem, não é a Nona Sinfonia nem um título menor da grande música, mas não estamos na Sala
Cecília Meireles, e isso vale como homenagem especial a um passageiro distinto, que pede por favor.
Cumpre agradecer a fineza:
– Obrigado. O senhor mostra que tem satisfação em agradar aos passageiros, oferecendo-lhes
música e não barulho e crimes.
[5] – Não tem de quê. O senhor também aprecia?
– O quê?
– Strauss. É um dos meus prediletos.
– Sim, ele é agradável. O senhor está sendo gentil comigo.
– Ora, não é tanto assim. Pus o cassete porque gosto de música. Não sabia se o senhor
também gostava ou não. Se não gostasse, eu desligava. Portanto, não tem que agradecer.
[10] – E já lhe aconteceu desligar?
Ih, tantas vezes. Fico observando a fisionomia do passageiro. Uns, mais acanhados,
disfarçam, não dizem nada, mas tem outros que reclamam, não querem ouvir esse troço. O senhor já
pensou: chamar Tchaikovski de “esse troço”? Pois ouvi isso de um cidadão de gravata e pasta de
executivo. Ele disse que precisava se concentrar por causa de um negócio importante e Tchaicovski
perturbava a concentração.
– Ele talvez quisesse dizer que ficava tão empolgado pela música que esquecia o negócio.
– Pois sim! Nesse caso, não falaria “esse troço”, que é o cúmulo da falta de respeito.
– Estou adivinhando que o senhor toca um instrumento.
[15] – Como é que o senhor viu?
– Porque uma pessoa que gosta tanto de música, em geral toca. Seu instrumento qual é?
Virou-se com tristeza na voz:
– Atualmente nenhum. O senhor sabe, essa crise geral, a gasolina pela hora da morte, e não é
só a gasolina: a comida, o sapato, o resto. Tive de vender pra tapar uns buracos. Mas se as coisas
melhorarem este ano...
– Melhoram. As coisas têm de melhorar – achei _____ meu dever confortá-lo.
– Porque clarinetista sem clarinete, o senhor sabe, é um negócio sem sentido. Clarinete tem esta
vantagem: dá o recado sem precisar de orquestra. Um solo bem executado, não precisa mais pra
encantar a alma. Mas clarinetista, sozinho, fica até ridículo.
[20] – Não diga isso. E não desanime. O dia em que arranjar outro clarinete – quem sabe?, talvez até
seja o mesmo que .................. – será uma festa.
– Mas se demorar muito eu já estarei tão desacostumado que nem sei se volto a tocar
razoavelmente. Porque, o senhor compreende, eu não sou um artista, minha vida não dá folga pra
estudar nem meia hora por dia.
– O importante é gostar de música, ter amor e devoção por música, e está se vendo que o
senhor tem de sobra.
– Lá isso tá certo.
– Não importa que o senhor não seja solista de uma grande orquestra, e mesmo de uma
orquestra comum. Ninguém precisa ser grande em nada, uma vez que cultive alguma coisa bonita na
vida.
[25] Seu rosto iluminou-se.
Que bom ouvir uma coisa dessas. Agora vou lhe confessar que isso de não ser músico dos
tais que arrebatam o auditório sempre me doeu um pouco. Não era por vaidade não, quem sou pra ter
vaidade? Mas um sonho esquisito, sei lá. Ficava me imaginando num palco iluminado, tocando...
Bobagem, o senhor desculpe. Agora a sua palavra deixou tudo claro. Basta eu gostar de música. Não é
preciso que gostem de mim, nem que ela goste de mim. Obrigado ao senhor.
Olhei o taxímetro, tirei a carteira.
–Eu nem devia cobrar do senhor. Fico até encabulado!
(Boca de Luar, 6 ed. pág. 69-71, Editora Record, Rio, 1987)
Analise as afirmativas referentes ao texto:
I - A resposta do cronista “Sim, ele é agradável”. Dá a entender que ele gostava da música de Strauss, mas não muito.
II - O cronista usa os pronomes você e seu no primeiro parágrafo com a intenção de interagir com o leitor.
III - As palavras belas e justas do cronista deixaram o motorista agradecido, animado e feliz. Por reconhecimento às palavras ditas ficou encabulado ao cobrar-lhe a passagem.
Quais afirmativas estão corretas?
Questão 14 10170247
IFPR Médio Integrado 2015MÚSICA NO TÁXI
Carlos Drummond de Andrade
Quando menos se espera... Você pega o táxi, manda tocar ________ seu destino (manda, não,
pede por favor) e ................ a escutar durante 20 minutos, no volume mais possante, o rádio
despejando assaltos e homicídios do dia. Os tiros, os gemidos, os desabamentos o acompanharão
______ todo o percurso. É a fatalidade da vida, quando .............. pressa.
Mas eis que o motorista pega de um imprevisto cassete, coloca-o no lugar devido, liga, e os
acordes dos Contos dos Bosques de Viena irrompem do fusca amarrotado, mas digno.
Bem, não é a Nona Sinfonia nem um título menor da grande música, mas não estamos na Sala
Cecília Meireles, e isso vale como homenagem especial a um passageiro distinto, que pede por favor.
Cumpre agradecer a fineza:
– Obrigado. O senhor mostra que tem satisfação em agradar aos passageiros, oferecendo-lhes
música e não barulho e crimes.
[5] – Não tem de quê. O senhor também aprecia?
– O quê?
– Strauss. É um dos meus prediletos.
– Sim, ele é agradável. O senhor está sendo gentil comigo.
– Ora, não é tanto assim. Pus o cassete porque gosto de música. Não sabia se o senhor
também gostava ou não. Se não gostasse, eu desligava. Portanto, não tem que agradecer.
[10] – E já lhe aconteceu desligar?
Ih, tantas vezes. Fico observando a fisionomia do passageiro. Uns, mais acanhados,
disfarçam, não dizem nada, mas tem outros que reclamam, não querem ouvir esse troço. O senhor já
pensou: chamar Tchaikovski de “esse troço”? Pois ouvi isso de um cidadão de gravata e pasta de
executivo. Ele disse que precisava se concentrar por causa de um negócio importante e Tchaicovski
perturbava a concentração.
– Ele talvez quisesse dizer que ficava tão empolgado pela música que esquecia o negócio.
– Pois sim! Nesse caso, não falaria “esse troço”, que é o cúmulo da falta de respeito.
– Estou adivinhando que o senhor toca um instrumento.
[15] – Como é que o senhor viu?
– Porque uma pessoa que gosta tanto de música, em geral toca. Seu instrumento qual é?
Virou-se com tristeza na voz:
– Atualmente nenhum. O senhor sabe, essa crise geral, a gasolina pela hora da morte, e não é
só a gasolina: a comida, o sapato, o resto. Tive de vender pra tapar uns buracos. Mas se as coisas
melhorarem este ano...
– Melhoram. As coisas têm de melhorar – achei _____ meu dever confortá-lo.
– Porque clarinetista sem clarinete, o senhor sabe, é um negócio sem sentido. Clarinete tem esta
vantagem: dá o recado sem precisar de orquestra. Um solo bem executado, não precisa mais pra
encantar a alma. Mas clarinetista, sozinho, fica até ridículo.
[20] – Não diga isso. E não desanime. O dia em que arranjar outro clarinete – quem sabe?, talvez até
seja o mesmo que .................. – será uma festa.
– Mas se demorar muito eu já estarei tão desacostumado que nem sei se volto a tocar
razoavelmente. Porque, o senhor compreende, eu não sou um artista, minha vida não dá folga pra
estudar nem meia hora por dia.
– O importante é gostar de música, ter amor e devoção por música, e está se vendo que o
senhor tem de sobra.
– Lá isso tá certo.
– Não importa que o senhor não seja solista de uma grande orquestra, e mesmo de uma
orquestra comum. Ninguém precisa ser grande em nada, uma vez que cultive alguma coisa bonita na
vida.
[25] Seu rosto iluminou-se.
Que bom ouvir uma coisa dessas. Agora vou lhe confessar que isso de não ser músico dos
tais que arrebatam o auditório sempre me doeu um pouco. Não era por vaidade não, quem sou pra ter
vaidade? Mas um sonho esquisito, sei lá. Ficava me imaginando num palco iluminado, tocando...
Bobagem, o senhor desculpe. Agora a sua palavra deixou tudo claro. Basta eu gostar de música. Não é
preciso que gostem de mim, nem que ela goste de mim. Obrigado ao senhor.
Olhei o taxímetro, tirei a carteira.
–Eu nem devia cobrar do senhor. Fico até encabulado!
(Boca de Luar, 6 ed. pág. 69-71, Editora Record, Rio, 1987)
Assinale a alternativa em que está expressa a frase que mais tocou o motorista e que põe fim à mensagem do texto:
Questão 13 10170191
IFPR Médio Integrado 2015MÚSICA NO TÁXI
Carlos Drummond de Andrade
Quando menos se espera... Você pega o táxi, manda tocar ________ seu destino (manda, não,
pede por favor) e ................ a escutar durante 20 minutos, no volume mais possante, o rádio
despejando assaltos e homicídios do dia. Os tiros, os gemidos, os desabamentos o acompanharão
______ todo o percurso. É a fatalidade da vida, quando .............. pressa.
Mas eis que o motorista pega de um imprevisto cassete, coloca-o no lugar devido, liga, e os
acordes dos Contos dos Bosques de Viena irrompem do fusca amarrotado, mas digno.
Bem, não é a Nona Sinfonia nem um título menor da grande música, mas não estamos na Sala
Cecília Meireles, e isso vale como homenagem especial a um passageiro distinto, que pede por favor.
Cumpre agradecer a fineza:
– Obrigado. O senhor mostra que tem satisfação em agradar aos passageiros, oferecendo-lhes
música e não barulho e crimes.
[5] – Não tem de quê. O senhor também aprecia?
– O quê?
– Strauss. É um dos meus prediletos.
– Sim, ele é agradável. O senhor está sendo gentil comigo.
– Ora, não é tanto assim. Pus o cassete porque gosto de música. Não sabia se o senhor
também gostava ou não. Se não gostasse, eu desligava. Portanto, não tem que agradecer.
[10] – E já lhe aconteceu desligar?
Ih, tantas vezes. Fico observando a fisionomia do passageiro. Uns, mais acanhados,
disfarçam, não dizem nada, mas tem outros que reclamam, não querem ouvir esse troço. O senhor já
pensou: chamar Tchaikovski de “esse troço”? Pois ouvi isso de um cidadão de gravata e pasta de
executivo. Ele disse que precisava se concentrar por causa de um negócio importante e Tchaicovski
perturbava a concentração.
– Ele talvez quisesse dizer que ficava tão empolgado pela música que esquecia o negócio.
– Pois sim! Nesse caso, não falaria “esse troço”, que é o cúmulo da falta de respeito.
– Estou adivinhando que o senhor toca um instrumento.
[15] – Como é que o senhor viu?
– Porque uma pessoa que gosta tanto de música, em geral toca. Seu instrumento qual é?
Virou-se com tristeza na voz:
– Atualmente nenhum. O senhor sabe, essa crise geral, a gasolina pela hora da morte, e não é
só a gasolina: a comida, o sapato, o resto. Tive de vender pra tapar uns buracos. Mas se as coisas
melhorarem este ano...
– Melhoram. As coisas têm de melhorar – achei _____ meu dever confortá-lo.
– Porque clarinetista sem clarinete, o senhor sabe, é um negócio sem sentido. Clarinete tem esta
vantagem: dá o recado sem precisar de orquestra. Um solo bem executado, não precisa mais pra
encantar a alma. Mas clarinetista, sozinho, fica até ridículo.
[20] – Não diga isso. E não desanime. O dia em que arranjar outro clarinete – quem sabe?, talvez até
seja o mesmo que .................. – será uma festa.
– Mas se demorar muito eu já estarei tão desacostumado que nem sei se volto a tocar
razoavelmente. Porque, o senhor compreende, eu não sou um artista, minha vida não dá folga pra
estudar nem meia hora por dia.
– O importante é gostar de música, ter amor e devoção por música, e está se vendo que o
senhor tem de sobra.
– Lá isso tá certo.
– Não importa que o senhor não seja solista de uma grande orquestra, e mesmo de uma
orquestra comum. Ninguém precisa ser grande em nada, uma vez que cultive alguma coisa bonita na
vida.
[25] Seu rosto iluminou-se.
Que bom ouvir uma coisa dessas. Agora vou lhe confessar que isso de não ser músico dos
tais que arrebatam o auditório sempre me doeu um pouco. Não era por vaidade não, quem sou pra ter
vaidade? Mas um sonho esquisito, sei lá. Ficava me imaginando num palco iluminado, tocando...
Bobagem, o senhor desculpe. Agora a sua palavra deixou tudo claro. Basta eu gostar de música. Não é
preciso que gostem de mim, nem que ela goste de mim. Obrigado ao senhor.
Olhei o taxímetro, tirei a carteira.
–Eu nem devia cobrar do senhor. Fico até encabulado!
(Boca de Luar, 6 ed. pág. 69-71, Editora Record, Rio, 1987)
A pontuação no 11º parágrafo foi omitida Em “Ele disse que precisava se concentrar por causa de um negócio importante e Tchaicovski perturbava a concentração”:
06
![[Marketing] Questao Topo - deslogado](https://storage.estuda.com.br/banners/0_6b7ebee90b03af1c560c73bb8bcce34a_banner_deslogado_70_dias.png)