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Questão 8554520
AUTORAIS Autorais 8EF Parceiros2019LP 2019As aventuras de Malazarte
Como o pai tinha morrido, a mãe dividira em pedaços a casa toda, dando-os a cada filho. A Pedro Malazarte coube uma porta. Ele pensou: com esta porta conquistarei o mundo. Realmente, em breve viu um urubu pousado num burro morto. Mais que depressa jogou a porta em cima deles – e como o urubu ficou manco, foi fácil pegá-lo. Para que queria ele um urubu? Lá disso sabia ele. E quando sentiu no ar o cheiro de um jantar magnífico, bateu à porta da casa de uma senhora, gulosa e sabida, que estava preparando para si mesma um banquete, escondido do marido que fora viajar. Malazarte foi irritadamente expulso pela sabidona e sua criada. Então, com o auxílio da porta encostada na parede, subiu ao teto e de lá viu embaixo comida boa para valer. Tinha leitão assado, peru, e tudo o mais que delicia um homem. Foi quando o marido chegou, inesperadamente. A mulher matreira lamentou-se: se eu soubesse que você vinha eu preparava coisa boa de se comer, mas como não te esperava só tenho carne-seca, feijão ralo e farinha morrinhenta...
Aí Malazarte apresentou-se de novo com o seu urubu, sabendo que o marido não lhe recusaria um pouco do minguado jantar. Mal começara a comer quando Malazarte deu, bem disfarçado, uma cutucada no urubu, que gemeu.
— Por que é que ele está se lamentando?, perguntou o dono da casa.
— Está me dizendo umas novidades, respondeu Malazarte. O meu urubu, ao contrário dos outros, fala e está me contando que sua mulher lhe guardou um leitãozinho assado de surpresa...
A mulher teve medo de Malazarte e disse:
— Oh, urubu danado, estragou a surpresa! Tenho mesmo esse leitãozinho para você...
Daqui a pouco o urubu gemeu de novo, o que fez Malazarte dizer:
— Ô urubu intrometido, para de me contar?
— O que é que ele está contando?
— Que tem peru recheado.
— Meu maridinho, essa era outra surpresa que o urubu desaforado estragou. Mas coma um pouco deste peru. E tenho doces, frutas, bebidas...
Como era de abril, dia de se enganar os outros, Malazarte vendeu falsamente o precioso urubu ao dono da casa para lhe servir de espião.
Bem alimentado, Malazarte prosseguiu caminho com a porta debaixo do braço.
Moral: mais vale uma porta desvalida e esperteza de Malazarte, que uma casa inteira para quem não tem arte.
Com base nos acontecimentos, conclui-se que o personagem do dono da casa representaFonte: LISPECTOR, Clarice. Como nasceram as estrelas. Rio de Janeiro: Rocco, 1999.
Questão 8554519
AUTORAIS Autorais 8EF Parceiros2019LP 2019As aventuras de Malazarte
Como o pai tinha morrido, a mãe dividira em pedaços a casa toda, dando-os a cada filho. A Pedro Malazarte coube uma porta. Ele pensou: com esta porta conquistarei o mundo. Realmente, em breve viu um urubu pousado num burro morto. Mais que depressa jogou a porta em cima deles – e como o urubu ficou manco, foi fácil pegá-lo. Para que queria ele um urubu? Lá disso sabia ele. E quando sentiu no ar o cheiro de um jantar magnífico, bateu à porta da casa de uma senhora, gulosa e sabida, que estava preparando para si mesma um banquete, escondido do marido que fora viajar. Malazarte foi irritadamente expulso pela sabidona e sua criada. Então, com o auxílio da porta encostada na parede, subiu ao teto e de lá viu embaixo comida boa para valer. Tinha leitão assado, peru, e tudo o mais que delicia um homem. Foi quando o marido chegou, inesperadamente. A mulher matreira lamentou-se: se eu soubesse que você vinha eu preparava coisa boa de se comer, mas como não te esperava só tenho carne-seca, feijão ralo e farinha morrinhenta...
Aí Malazarte apresentou-se de novo com o seu urubu, sabendo que o marido não lhe recusaria um pouco do minguado jantar. Mal começara a comer quando Malazarte deu, bem disfarçado, uma cutucada no urubu, que gemeu.
— Por que é que ele está se lamentando?, perguntou o dono da casa.
— Está me dizendo umas novidades, respondeu Malazarte. O meu urubu, ao contrário dos outros, fala e está me contando que sua mulher lhe guardou um leitãozinho assado de surpresa...
A mulher teve medo de Malazarte e disse:
— Oh, urubu danado, estragou a surpresa! Tenho mesmo esse leitãozinho para você...
Daqui a pouco o urubu gemeu de novo, o que fez Malazarte dizer:
— Ô urubu intrometido, para de me contar?
— O que é que ele está contando?
— Que tem peru recheado.
— Meu maridinho, essa era outra surpresa que o urubu desaforado estragou. Mas coma um pouco deste peru. E tenho doces, frutas, bebidas...
Como era de abril, dia de se enganar os outros, Malazarte vendeu falsamente o precioso urubu ao dono da casa para lhe servir de espião.
Bem alimentado, Malazarte prosseguiu caminho com a porta debaixo do braço.
Moral: mais vale uma porta desvalida e esperteza de Malazarte, que uma casa inteira para quem não tem arte.
Logo após ser expulso pela mulher e por sua criada, MalazarteFonte: LISPECTOR, Clarice. Como nasceram as estrelas. Rio de Janeiro: Rocco, 1999.
Questão 8554518
AUTORAIS Autorais 8EF Parceiros2019LP 2019As aventuras de Malazarte
Como o pai tinha morrido, a mãe dividira em pedaços a casa toda, dando-os a cada filho. A Pedro Malazarte coube uma porta. Ele pensou: com esta porta conquistarei o mundo. Realmente, em breve viu um urubu pousado num burro morto. Mais que depressa jogou a porta em cima deles – e como o urubu ficou manco, foi fácil pegá-lo. Para que queria ele um urubu? Lá disso sabia ele. E quando sentiu no ar o cheiro de um jantar magnífico, bateu à porta da casa de uma senhora, gulosa e sabida, que estava preparando para si mesma um banquete, escondido do marido que fora viajar. Malazarte foi irritadamente expulso pela sabidona e sua criada. Então, com o auxílio da porta encostada na parede, subiu ao teto e de lá viu embaixo comida boa para valer. Tinha leitão assado, peru, e tudo o mais que delicia um homem. Foi quando o marido chegou, inesperadamente. A mulher matreira lamentou-se: se eu soubesse que você vinha eu preparava coisa boa de se comer, mas como não te esperava só tenho carne-seca, feijão ralo e farinha morrinhenta...
Aí Malazarte apresentou-se de novo com o seu urubu, sabendo que o marido não lhe recusaria um pouco do minguado jantar. Mal começara a comer quando Malazarte deu, bem disfarçado, uma cutucada no urubu, que gemeu.
— Por que é que ele está se lamentando?, perguntou o dono da casa.
— Está me dizendo umas novidades, respondeu Malazarte. O meu urubu, ao contrário dos outros, fala e está me contando que sua mulher lhe guardou um leitãozinho assado de surpresa...
A mulher teve medo de Malazarte e disse:
— Oh, urubu danado, estragou a surpresa! Tenho mesmo esse leitãozinho para você...
Daqui a pouco o urubu gemeu de novo, o que fez Malazarte dizer:
— Ô urubu intrometido, para de me contar?
— O que é que ele está contando?
— Que tem peru recheado.
— Meu maridinho, essa era outra surpresa que o urubu desaforado estragou. Mas coma um pouco deste peru. E tenho doces, frutas, bebidas...
Como era de abril, dia de se enganar os outros, Malazarte vendeu falsamente o precioso urubu ao dono da casa para lhe servir de espião.
Bem alimentado, Malazarte prosseguiu caminho com a porta debaixo do braço.
Moral: mais vale uma porta desvalida e esperteza de Malazarte, que uma casa inteira para quem não tem arte.
O acontecimento que dá origem à aventura de Malazarte éFonte: LISPECTOR, Clarice. Como nasceram as estrelas. Rio de Janeiro: Rocco, 1999.
Questão 8554517
AUTORAIS Autorais 8EF Parceiros2019LP 2019
A leitura do cartaz permite concluir que a
Questão 8554516
AUTORAIS Autorais 8EF Parceiros2019LP 2019Academia das crianças
Alunos da rede pública sentam na cadeira de escritores como Machado de Assis e Monteiro Lobato.
A simples cadeira da sala de aula ganhou uma importância ainda maior em oito escolas municipais de São Paulo. É que ali sentam Monteiro Lobato, Machado de Assis e Raquel de Queiroz, entre outros importantes escritores brasileiros.
Você deve estar se perguntando: “Como assim?” Bem, esses escritores não estão mais vivos, mas mais de 400 alunos que participam da AEL (Academia Estudantil de Letras) de sua escola sentam-se na cadeira de um escritor famoso. Uma academia de letras reúne escritores de uma cidade ou de um país, por exemplo.
Na Escola Municipal de Ensino Fundamental Prefeito José Carlos de Figueiredo Ferraz, a AEL Monteiro Lobato tem até cerimônia de posse, hino e farda.
E, assim como na ABL (Academia Brasileira de Letras), as cadeiras são numeradas e cada uma tem um autor como patrono. A cada mês, um dos escritores é o tema de estudo e seminário. Há ainda teatro e sarau.
“Depois que entrei na academia, eu me interessei mais pela leitura”, diz Ingrid Varella, , que ocupa a cadeira de Casimiro de Abreu ( - ), ao lado de alunos-escritores.
“O legal da AEL é que você aprende não só sobre o seu autor, mas sobre os outros também”, diz Higor Mantovani, , titular da cadeira de Ziraldo – nem só os escritores da Academia Brasileira de Letras são representados na AEL.
A criação da Academia Estudantil de Letras em oito escolas municipais de São Paulo teve como consequênciaFonte: Folha de S. Paulo, Folhinha, 7 março 2009, p. 3.
Questão 8554515
AUTORAIS Autorais 8EF Parceiros2019LP 2019Academia das crianças
Alunos da rede pública sentam na cadeira de escritores como Machado de Assis e Monteiro Lobato.
A simples cadeira da sala de aula ganhou uma importância ainda maior em oito escolas municipais de São Paulo. É que ali sentam Monteiro Lobato, Machado de Assis e Raquel de Queiroz, entre outros importantes escritores brasileiros.
Você deve estar se perguntando: “Como assim?” Bem, esses escritores não estão mais vivos, mas mais de 400 alunos que participam da AEL (Academia Estudantil de Letras) de sua escola sentam-se na cadeira de um escritor famoso. Uma academia de letras reúne escritores de uma cidade ou de um país, por exemplo.
Na Escola Municipal de Ensino Fundamental Prefeito José Carlos de Figueiredo Ferraz, a AEL Monteiro Lobato tem até cerimônia de posse, hino e farda.
E, assim como na ABL (Academia Brasileira de Letras), as cadeiras são numeradas e cada uma tem um autor como patrono. A cada mês, um dos escritores é o tema de estudo e seminário. Há ainda teatro e sarau.
“Depois que entrei na academia, eu me interessei mais pela leitura”, diz Ingrid Varella, , que ocupa a cadeira de Casimiro de Abreu ( - ), ao lado de alunos-escritores.
“O legal da AEL é que você aprende não só sobre o seu autor, mas sobre os outros também”, diz Higor Mantovani, , titular da cadeira de Ziraldo – nem só os escritores da Academia Brasileira de Letras são representados na AEL.
Sabe-se que o texto se dirige ao leitor porque nele encontra-se a palavraFonte: Folha de S. Paulo, Folhinha, 7 março 2009, p. 3.
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