Questões de EFAF Português
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Questão 4 10132505
CMF 1° Ano - Prova de Português 2019TEXTO
Estranhas afinidades
Casal se divorcia após descobrir que flertava pela internet. Um casal residente na cidade de
Zenica, na Bósnia-Herzegovina, estava com problemas no casamento. Por causa disso os dois
iniciaram contatos pela internet, e, sem saber de suas identidades, trocaram mensagens e acabaram
se apaixonando. Quando a relação se tornou séria, decidiram se encontrar, e então descobriram
[5] quem eram. O casal decidiu se separar. (29/10/2007)
Quando descobriram que, sem saber, estavam se correspondendo pela internet, ficaram, marido
e mulher, surpresos e chocados. Aquilo era algo mais que uma simples coincidência. Era um sinal de
que alguma coisa, em ambos, estava profundamente errada. E esta coisa os levara, durante um tempo
que não havia sido pequeno, a viver uma dupla existência. Daí as interrogações.
[10] Quem sou eu, perguntava-se ele. Com razão. No dia a dia ele era uma pessoa nervosa, irascível,
de gestos bruscos. Relacionava-se mal com os amigos e conhecidos e costumava descarregar suas
frustrações na esposa.
Quem sou eu, perguntava-se ela. Com razão. No dia a dia ela era uma pessoa nervosa, irascível,
de gestos bruscos. Relacionava-se mal com os amigos e conhecidos e costumava descarregar suas
[15] frustrações no marido.
Quem sou eu, perguntava-se ele. Com razão. Nas mensagens que enviava pela internet
revelava-se, para sua própria surpresa, uma pessoa afetiva, dotada de rica imaginação e capaz de
construir uma relação amorosa mesmo à distância, mesmo sem ver aquela a quem se dirigia. Um
milagre da internet? Talvez, mas ele suspeitava que a internet nada mais fizera do que liberar o seu
[20] lado bom, o seu lado positivo, o lado que amava a vida e que buscava compartilhar tais sentimentos
com alguém.
Quem sou eu, perguntava-se ela. Com razão. Nas mensagens que enviava pela internet
revelava-se, para sua própria surpresa, uma pessoa afetiva, dotada de rica imaginação e capaz de
construir uma relação amorosa mesmo à distância, mesmo sem ver aquele a quem se dirigia. Um
[25] milagre da internet? Talvez, mas ela suspeitava que a internet nada mais fizera do que liberar o seu
lado bom, o seu lado positivo, o lado que amava a vida e que buscava compartilhar tais sentimentos
com alguém.
Como é possível, indagava-se ele, inquieto, que eu tenha, por assim dizer, duas vidas? Como
é possível que estas duas partes de mim sejam tão diferentes, tão incompatíveis? O que eu poderia
[30] fazer para me tornar uma pessoa só? À quem deveria recorrer para isso?
Como é possível, indagava-se ela, inquieta, que eu tenha, por assim dizer, duas vidas? Como é
possível que estas duas partes de mim sejam tão diferentes, tão incompatíveis? O que eu poderia fazer
para me tornar uma pessoa só? A quem deveria recorrer para isso?
Estas eram as perguntas que se faziam. Claro, poderiam fazer as mesmas perguntas um para 0
[35] outro. Poderiam descobrir-se mutuamente, poderiam, quem sabe, constatar que, ao fim e ao cabo,
haviam sido feitos um para o outro. Mas o diálogo destes não é fácil. Preferem continuar na intemet
para ver se encontram o Príncipe Encantado, a Princesa Encantada.
(SCLIAR, Moacyr. Histórias que os jornais não contam: 54 crônicas inspiradas em notícias de jornal. Porto Alegre, RS: L&PM, 2018)
“Quando a relação se tornou séria, decidiram se encontrar, e então descobriram quem eram.” (linhas 4 e 5) O conector em negrito e sublinhado no fragmento retirado do texto permite-nos extrair, além do significado de adição, característico deste tipo de conector, um significado suplementar de
Questão 3 10132496
CMF 1° Ano - Prova de Português 2019TEXTO
Estranhas afinidades
Casal se divorcia após descobrir que flertava pela internet. Um casal residente na cidade de
Zenica, na Bósnia-Herzegovina, estava com problemas no casamento. Por causa disso os dois
iniciaram contatos pela internet, e, sem saber de suas identidades, trocaram mensagens e acabaram
se apaixonando. Quando a relação se tornou séria, decidiram se encontrar, e então descobriram
[5] quem eram. O casal decidiu se separar. (29/10/2007)
Quando descobriram que, sem saber, estavam se correspondendo pela internet, ficaram, marido
e mulher, surpresos e chocados. Aquilo era algo mais que uma simples coincidência. Era um sinal de
que alguma coisa, em ambos, estava profundamente errada. E esta coisa os levara, durante um tempo
que não havia sido pequeno, a viver uma dupla existência. Daí as interrogações.
[10] Quem sou eu, perguntava-se ele. Com razão. No dia a dia ele era uma pessoa nervosa, irascível,
de gestos bruscos. Relacionava-se mal com os amigos e conhecidos e costumava descarregar suas
frustrações na esposa.
Quem sou eu, perguntava-se ela. Com razão. No dia a dia ela era uma pessoa nervosa, irascível,
de gestos bruscos. Relacionava-se mal com os amigos e conhecidos e costumava descarregar suas
[15] frustrações no marido.
Quem sou eu, perguntava-se ele. Com razão. Nas mensagens que enviava pela internet
revelava-se, para sua própria surpresa, uma pessoa afetiva, dotada de rica imaginação e capaz de
construir uma relação amorosa mesmo à distância, mesmo sem ver aquela a quem se dirigia. Um
milagre da internet? Talvez, mas ele suspeitava que a internet nada mais fizera do que liberar o seu
[20] lado bom, o seu lado positivo, o lado que amava a vida e que buscava compartilhar tais sentimentos
com alguém.
Quem sou eu, perguntava-se ela. Com razão. Nas mensagens que enviava pela internet
revelava-se, para sua própria surpresa, uma pessoa afetiva, dotada de rica imaginação e capaz de
construir uma relação amorosa mesmo à distância, mesmo sem ver aquele a quem se dirigia. Um
[25] milagre da internet? Talvez, mas ela suspeitava que a internet nada mais fizera do que liberar o seu
lado bom, o seu lado positivo, o lado que amava a vida e que buscava compartilhar tais sentimentos
com alguém.
Como é possível, indagava-se ele, inquieto, que eu tenha, por assim dizer, duas vidas? Como
é possível que estas duas partes de mim sejam tão diferentes, tão incompatíveis? O que eu poderia
[30] fazer para me tornar uma pessoa só? À quem deveria recorrer para isso?
Como é possível, indagava-se ela, inquieta, que eu tenha, por assim dizer, duas vidas? Como é
possível que estas duas partes de mim sejam tão diferentes, tão incompatíveis? O que eu poderia fazer
para me tornar uma pessoa só? A quem deveria recorrer para isso?
Estas eram as perguntas que se faziam. Claro, poderiam fazer as mesmas perguntas um para 0
[35] outro. Poderiam descobrir-se mutuamente, poderiam, quem sabe, constatar que, ao fim e ao cabo,
haviam sido feitos um para o outro. Mas o diálogo destes não é fácil. Preferem continuar na intemet
para ver se encontram o Príncipe Encantado, a Princesa Encantada.
(SCLIAR, Moacyr. Histórias que os jornais não contam: 54 crônicas inspiradas em notícias de jornal. Porto Alegre, RS: L&PM, 2018)
No texto, a palavra QUE é classificada como conjunção integrante em
Questão 17 10113832
CMRJ 1° Ano - Prova de Português 2019COM BASE NO TEXTO VI, RESPONDA A QUESTÃO.
TEXTO
Quantas vezes a memória
Para fingir que inda é gente,
Nos conta uma grande história
Em que ninguém está presente.
(PESSOA, Fernando. Quadras ao Gosto Popular. Lisboa: Ática. 1973. p. 57.)
No terceiro verso do texto, o eu lírico emprega o termo nos, que gera, no poema, o sentido de
Questão 13 10113812
CMRJ 1° Ano - Prova de Português 2019COM BASE NO TEXTO, RESPONDA A QUESTÃO.
TEXTO
Ainda hoje, permanece em mim um desejo obsessivo de salvar o que acontece — ou deixa de
acontecer — na inscrição ininterrupta, sob a forma de memória. Aquele sonho adolescente de
conservar o rastro de todas as vozes que me atravessavam — ou quase atravessavam —, o que devia
ser tão precioso e único, a um só tempo especular e especulativo. Acabei de dizer “deixa de
[5] acontecer” e “quase atravessaram” para marcar o fato de que o que acontece — em outras palavras,
o acontecimento único cujo rastro gostaríamos de conservar — é também o próprio desejo de que o
que não acontece deva acontecer.
(DERRIDA, Jacques. Essa estranha instituição chamada literatura. Belo Horizonte: Ed. UFMG, 2014. p. 46-47. Texto adaptado.)
Vocabulário
Especular: 1 estudar com atenção, pesquisar, investigar; 2 referente a espelho, que reflete, que tem as propriedades de um espelho.
Especulativo: 1 relativo à especulação, que se caracteriza por investigar teoricamente, que busca o conhecimento, curioso; 2 contemplativo.
Em dois momentos, o autor utiliza travessões para introduzir “ou deixa de acontecer” (l. 1-2) e “ou quase atravessaram” (l. 3).
Essas expressões separadas pelos travessões assumem, no texto, o papel de
Questão 11 10113797
CMRJ 1° Ano - Prova de Português 2019COM BASE NO TEXTO III, RESPONDA A QUESTÃO.
TEXTO
Naquela época, os colégios eram menores, havia menos gente no mundo. Por um lado era bom,
porque tudo era mais íntimo. Por outro, ficávamos expostos, não tínhamos como escapar, em termos
de anonimato.
Andávamos de bonde, e eu lia os “reclames”, depois chamados de publicidades ou outdoors.
[5] No bonde, era “in-bondes”:
Veja, ilustre passageiro,
O belo tipo faceiro
Que o senhor tem ao seu lado.
E no entretanto, acredite,
[10] Quase morreu de bronquite,
Salvou-o o Rhum Creosothado!
Naquele tempo, as minhas colegas de turma, eu as vejo ainda como eram: todas nós com
[15] aquelas saias de uniforme pregueadíssimas, sentadas naquelas carteiras de madeira escura...
Denise tocava piano. Quando garotinha, usava tranças grossas e escuras. Morava num casarão,
na rua Marquês de Olinda, junto com um primo, também colega nosso: Guerrino. Denise perdera a
mãe e era criada pela tia, mãe de Guerrino. Acho que era assim, talvez esteja confundindo. Lembro
da casa, com a escada lateral, era uma casa vetusta. Ai, “vetusta”... há quanto tempo eu não ouço esta
[20] palavra! Palavra linda, cheia de sombras e cortinados, portas que gemem, sons misteriosos. Lembro
de um salão, com o piano, e Denise tocando Chopin...
Tem gente que acha a vida curta. Pensei que a velhice só acontecesse num futuro eterno, que
nunca chegasse. Ela chegou e não me pegou. Quer dizer: na alma, a gente não envelhece. Tem até
gente que finge que envelhece, só de vergonha de mostrar a alma.
[25] (...)
(ORTHOF, Sylvia. Se a memória não me falha. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 2012. p. 17-18.)
Vocabulário
Rhum Creosothado: remédio da época para tosse, gripe, bronquite e resfriado.
Vetusto: antigo.
As expressões “Naquela época” (l. 1) e “Naquele tempo” (l. 14) introduzem relatos sobre o passado.
Nesses relatos, percebe-se que
Questão 10 10113733
CMRJ 1° Ano - Prova de Português 2019COM BASE NO TEXTO III, RESPONDA A QUESTÃO.
TEXTO
Naquela época, os colégios eram menores, havia menos gente no mundo. Por um lado era bom,
porque tudo era mais íntimo. Por outro, ficávamos expostos, não tínhamos como escapar, em termos
de anonimato.
Andávamos de bonde, e eu lia os “reclames”, depois chamados de publicidades ou outdoors.
[5] No bonde, era “in-bondes”:
Veja, ilustre passageiro,
O belo tipo faceiro
Que o senhor tem ao seu lado.
E no entretanto, acredite,
[10] Quase morreu de bronquite,
Salvou-o o Rhum Creosothado!
Naquele tempo, as minhas colegas de turma, eu as vejo ainda como eram: todas nós com
[15] aquelas saias de uniforme pregueadíssimas, sentadas naquelas carteiras de madeira escura...
Denise tocava piano. Quando garotinha, usava tranças grossas e escuras. Morava num casarão,
na rua Marquês de Olinda, junto com um primo, também colega nosso: Guerrino. Denise perdera a
mãe e era criada pela tia, mãe de Guerrino. Acho que era assim, talvez esteja confundindo. Lembro
da casa, com a escada lateral, era uma casa vetusta. Ai, “vetusta”... há quanto tempo eu não ouço esta
[20] palavra! Palavra linda, cheia de sombras e cortinados, portas que gemem, sons misteriosos. Lembro
de um salão, com o piano, e Denise tocando Chopin...
Tem gente que acha a vida curta. Pensei que a velhice só acontecesse num futuro eterno, que
nunca chegasse. Ela chegou e não me pegou. Quer dizer: na alma, a gente não envelhece. Tem até
gente que finge que envelhece, só de vergonha de mostrar a alma.
[25] (...)
(ORTHOF, Sylvia. Se a memória não me falha. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 2012. p. 17-18.)
Vocabulário
Rhum Creosothado: remédio da época para tosse, gripe, bronquite e resfriado.
Vetusto: antigo.
“Lembro da casa, com a escada lateral, era uma casa vetusta. Ai, ‘vetusta’... há quanto tempo eu não ouço esta palavra! Palavra linda, cheia de sombras e cortinados, portas que gemem, sons misteriosos”. (l. 18-20)
Nesse fragmento, “vetusta” é uma palavra que inspira emoções à narradora, pois
06
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