Questões de EFAF Português
15.488 Questões
Questão 17 10172253
CMC 1° Ano Prova de Portugues 2019TEXTO 1
A menina e a tempestade
[01] A garota costumava caminhar todos os dias até a escola. Uma tarde de tempestade, ela
começou a demorar muito; os ventos sopravam cada vez com mais força, os trovões e raios
sacudiam a vizinhança.
A mãe, preocupada, telefonou para a escola, e informaram que a menina já havia saído.
[05] Ao ver que ela não chegava, colocou uma capa de chuva, e saiu – imaginando que a filha
devia estar paralisada de medo, escondida talvez na casa de um vizinho, chorando, e esperando
a tempestade passar.
Para sua tranquilidade, assim que dobrou a esquina, viu a menina andando lentamente
em direção a casa; mas parava cada vez que caía um raio, olhava para o céu, e sorria.
[10] A mãe chegou correndo, colocou a menina debaixo de sua capa, e perguntou por que ela
tinha demorado tanto.
“Você não está vendo os flashes?”, disse a criança. “Deus está tirando fotos de mim”.
Paulo Coelho
Disponível em: http://g1.globo.com/platb/paulocoelho/2010/07/08/a-menina-e-a-tempestade/ Acesso em 10 Outubro 2019.
TEXTO 2
"Que tempo lazarento: como o clima explica o curitibano"
[1] Choveu tanto aqui
Que até caiu
Outro pingo no ï
(Álvaro Posselt, poeta curitibano, em um inspirado haikai sobre o clima da cidade)
[5] Falar do tempo em Curitiba não é só uma forma de puxar papo. De dizer algo quando não se
tem nada a dizer. É item de primeira necessidade. Tomando emprestado o bordão de uma rádio, aqui,
“em 20 minutos, tudo pode mudar”. Levo ou não o guarda-chuva? Tenho de seguir o conselho de
mamãe: pegar o casaquinho para sair no sereno? Em se tratando de Curitiba, sempre é útil perguntar:
vai fazer sol? Ou será que vai chover?
[10] Se bem que essa pergunta é retórica. Vai chover. Sempre chove. Pelo menos nesses tempos. E
que tempo la-za-ren-to! O tempo úmido e instável talvez explique Curitiba e sua gente. Afinal, ele é
tão ou mais curitibano que o lazarento. O termo, a expressão idiomática, que fique claro. Tanto
quanto a vina, o penal, o loki, o piá, a japona e os daís que usamos para encadear as boas histórias.
Tá bom, as ruins também.
[15] Mas voltemos ao tempo. Nosso clima é mesmo lazarento. Um punhadinho de dias de sol num
mês inteiro?! Em pleno verão?! Tá de brincadeira?! A verdade é que a gente nem devia reclamar. Já
tínhamos de estar acostumados. Sempre foi assim.
Duvida? Em 2014, para promover as delícias do país tropical abençoado por Deus (e atrair
estrangeiros para a Copa do Mundo), a Embratur lançou uma ferramenta on-line para mostrar
[20] quantos dias de sol por ano fazia em cada cidade do planeta. A ideia era mostrar como o Brasil era
ensolarado. Mas deu ruim. Pelo menos por aqui. Curitiba ficou atrás até de Londres. Veja bem: da
Londres mundialmente famosa pelo seu clima... sem querer ofender... lazarento! Pior para nós: de
cada três dias, apenas um tem céu completamente aberto na capital das araucárias.
Tenho para mim que o cacique Tindiquera era um gozador. Pudera: o índio entregaria assim
de mão beijada as suas melhores terras para o homem branco? Reza a lenda que foi ele que guiou os
portugueses desbravadores do Primeiro Planalto, escolheu um local, fincou uma estaca no chão, e
disse: “É aqui! Construam sua cidade aqui”. E deve ter pensado, rindo: “Perdeu, cara-pálida”.
Agora já era. Aqui está Curitiba, erguida ao redor daquela estaca. Em meio àquele brejo.
Bafejada pela umidade do mar que sobe a serra e vira nuvem. Na esquina onde o vento faz a curva e
[30] se dão os encontros furtivos das frentes frias com o ar amazônico. Resumo da ópera-bufa: chuva e
umidade sobre nossas cabeças.
E por falar em bufa, lembrei-me dos bufos. Traduzindo da terminologia zoológica: sapos.
Curitiba foi conhecida por muito tempo como Sapolândia, a terra dos sapos. Darwin explica:
adaptação evolutiva ao ambiente. Um ambiente, no nosso caso, „pra‟ lá de úmido. Paraíso dos
[35] batráquios. E até há não muito tempo, eles pulavam aos montes nos quintais das casas. Cada família
tinha o seu bufo de estimação.
Porém, a cidade foi crescendo e ficando metida demais para se orgulhar da velha alcunha. E os
sapos sumiram. Mas não é que dia desses, em meio a um dos dilúvios que nos acometeram neste
verão molhado, um senhor bufo pensou que a Rua XV tinha voltado a ser um aprazível banhado e
[40] reapareceu todo faceiro em pleno calçadão? Senhor sapo, obrigado por nos lembrar o que Curitiba é
em essência: água. Muita água.
Não tem jeito mesmo. Queiramos ou não, isso nos afeta. “Eu sou eu e minha circunstância”, já
dizia Ortega y Gasset. E nossa circunstância é a umidade inevitável. Mas talvez até tenha um lado
bom. Chuvinha: bom para ficar em casa. Quem sabe não seja por isso que o curitibano é um sujeito
[45] tão família, tão apegado aos seus.
Alguém pode contrapor: “Nada a ver; nosso clima é úmido e o curitibano é seco”. É o que
muitos dizem. Pode ser que seja a lei da compensação. Mas também dizem que isso está mudando.
Como o tempo.
Talvez o mais certo seja dizer que somos como nosso clima. Não, lazarentos, não! Se bem que
[50] tem uns lazarentos por aí... Mas isso não vem ao caso. O fato é que por vezes somos fechados, como
o tempo. Mas, do mesmo jeito que por trás das nuvens do céu curitibano há um sol (acreditem, ele
existe!), atrás da nossa fama de antipáticos se esconde o calor humano."
"Viram? Não é que em Curitiba falar do tempo não é só um jeito de dizer algo quando não se
tem nada a dizer? E, aproveitando que vocês ainda estão aí, digam-me uma coisa: será que hoje vai
[55] chover?"
Fernando Martins
Adaptado. Disponível em:https://www.gazetadopovo.com.br/vozes/fernando-martins/que-tempo-lazarento-como-o-clima-explica-o-curitibano/ Acesso em 10 outubro 2019.
TEXTO 3
SONETO XXXII
Quando a chuva cessava e um vento fino
franzia a tarde tímida e lavada,
eu saía a brincar, pela calçada,
nos meus tempos felizes de menino.
Fazia, de papel, toda uma armada;
e, estendendo meu braço pequenino,
eu soltava os barquinhos, sem destino,
ao longo das sarjetas, na enxurrada...
Fiquei moço. E hoje sei, pensando neles,
que não são barcos de ouro os meus ideais:
são feitos de papel, são como aqueles
Perfeitamente, exatamente iguais...
- Que os meus barquinhos, lá se foram eles!
Foram-se embora e não voltaram mais!
Guilherme de Almeida
Disponível em: http://www.academia.org.br/abl/cgi/cgilua.exe/sys/start.htm%3Fsid%3D186/textos-escolhidos Acesso em 10 Outubro 2019.
Após a leitura dos textos I, II e III, é possível identificar um tema recorrente dentre eles. Em alguns, como parte da ideia central, em outros, como uma das ideias secundárias que contribuem na construção da temática principal.
No que se refere a esse tópico comum, bem como a outros elementos que caracterizam esses textos, é incorreto afirmar:
Questão 14 10172130
CMC 1° Ano Prova de Portugues 2019TEXTO
SONETO XXXII
Quando a chuva cessava e um vento fino
franzia a tarde tímida e lavada,
eu saía a brincar, pela calçada,
nos meus tempos felizes de menino.
Fazia, de papel, toda uma armada;
e, estendendo meu braço pequenino,
eu soltava os barquinhos, sem destino,
ao longo das sarjetas, na enxurrada...
Fiquei moço. E hoje sei, pensando neles,
que não são barcos de ouro os meus ideais:
são feitos de papel, são como aqueles
Perfeitamente, exatamente iguais...
- Que os meus barquinhos, lá se foram eles!
Foram-se embora e não voltaram mais!
Guilherme de Almeida
Disponível em: http://www.academia.org.br/abl/cgi/cgilua.exe/sys/start.htm%3Fsid%3D186/textos-escolhidos acesso em 10 Outubro 2019.
Com base na leitura e interpretação do texto , marque a alternativa que melhor transmite a ideia principal do soneto de Guilherme de Almeida.
Questão 13 10172100
CMC 1° Ano Prova de Portugues 2019TEXTO
"Que tempo lazarento: como o clima explica o curitibano"
[1] Choveu tanto aqui
Que até caiu
Outro pingo no ï
(Álvaro Posselt, poeta curitibano, em um inspirado haikai sobre o clima da cidade)
[5] Falar do tempo em Curitiba não é só uma forma de puxar papo. De dizer algo quando não se
tem nada a dizer. É item de primeira necessidade. Tomando emprestado o bordão de uma rádio, aqui,
“em 20 minutos, tudo pode mudar”. Levo ou não o guarda-chuva? Tenho de seguir o conselho de
mamãe: pegar o casaquinho para sair no sereno? Em se tratando de Curitiba, sempre é útil perguntar:
vai fazer sol? Ou será que vai chover?
[10] Se bem que essa pergunta é retórica. Vai chover. Sempre chove. Pelo menos nesses tempos. E
que tempo la-za-ren-to! O tempo úmido e instável talvez explique Curitiba e sua gente. Afinal, ele é
tão ou mais curitibano que o lazarento. O termo, a expressão idiomática, que fique claro. Tanto
quanto a vina, o penal, o loki, o piá, a japona e os daís que usamos para encadear as boas histórias.
Tá bom, as ruins também.
[15] Mas voltemos ao tempo. Nosso clima é mesmo lazarento. Um punhadinho de dias de sol num
mês inteiro?! Em pleno verão?! Tá de brincadeira?! A verdade é que a gente nem devia reclamar. Já
tínhamos de estar acostumados. Sempre foi assim.
Duvida? Em 2014, para promover as delícias do país tropical abençoado por Deus (e atrair
estrangeiros para a Copa do Mundo), a Embratur lançou uma ferramenta on-line para mostrar
[20] quantos dias de sol por ano fazia em cada cidade do planeta. A ideia era mostrar como o Brasil era
ensolarado. Mas deu ruim. Pelo menos por aqui. Curitiba ficou atrás até de Londres. Veja bem: da
Londres mundialmente famosa pelo seu clima... sem querer ofender... lazarento! Pior para nós: de
cada três dias, apenas um tem céu completamente aberto na capital das araucárias.
Tenho para mim que o cacique Tindiquera era um gozador. Pudera: o índio entregaria assim
[25] de mão beijada as suas melhores terras para o homem branco? Reza a lenda que foi ele que guiou os
portugueses desbravadores do Primeiro Planalto, escolheu um local, fincou uma estaca no chão, e
disse: “É aqui! Construam sua cidade aqui”. E deve ter pensado, rindo: “Perdeu, cara-pálida”.
Agora já era. Aqui está Curitiba, erguida ao redor daquela estaca. Em meio àquele brejo.
Bafejada pela umidade do mar que sobe a serra e vira nuvem. Na esquina onde o vento faz a curva e
[30] se dão os encontros furtivos das frentes frias com o ar amazônico. Resumo da ópera-bufa: chuva e
umidade sobre nossas cabeças.
E por falar em bufa, lembrei-me dos bufos. Traduzindo da terminologia zoológica: sapos.
Curitiba foi conhecida por muito tempo como Sapolândia, a terra dos sapos. Darwin explica:
adaptação evolutiva ao ambiente. Um ambiente, no nosso caso, „pra‟ lá de úmido. Paraíso dos
batráquios. E até há não muito tempo, eles pulavam aos montes nos quintais das casas. Cada família
tinha o seu bufo de estimação.
Porém, a cidade foi crescendo e ficando metida demais para se orgulhar da velha alcunha. E os
sapos sumiram. Mas não é que dia desses, em meio a um dos dilúvios que nos acometeram neste
verão molhado, um senhor bufo pensou que a Rua XV tinha voltado a ser um aprazível banhado e
[40] reapareceu todo faceiro em pleno calçadão? Senhor sapo, obrigado por nos lembrar o que Curitiba é
em essência: água. Muita água.
Não tem jeito mesmo. Queiramos ou não, isso nos afeta. “Eu sou eu e minha circunstância”, já
dizia Ortega y Gasset. E nossa circunstância é a umidade inevitável. Mas talvez até tenha um lado
bom. Chuvinha: bom para ficar em casa. Quem sabe não seja por isso que o curitibano é um sujeito
[45] tão família, tão apegado aos seus.
Alguém pode contrapor: “Nada a ver; nosso clima é úmido e o curitibano é seco”. É o que
muitos dizem. Pode ser que seja a lei da compensação. Mas também dizem que isso está mudando.
Como o tempo.
Talvez o mais certo seja dizer que somos como nosso clima. Não, lazarentos, não! Se bem que
[50] tem uns lazarentos por aí... Mas isso não vem ao caso. O fato é que por vezes somos fechados, como
o tempo. Mas, do mesmo jeito que por trás das nuvens do céu curitibano há um sol (acreditem, ele
existe!), atrás da nossa fama de antipáticos se esconde o calor humano."
"Viram? Não é que em Curitiba falar do tempo não é só um jeito de dizer algo quando não se
tem nada a dizer? E, aproveitando que vocês ainda estão aí, digam-me uma coisa: será que hoje vai
[55] chover?"
Fernando Martins
Adaptado. Disponível em:https://www.gazetadopovo.com.br/vozes/fernando-martins/que-tempo-lazarento-como-o-clima-explica-o-curitibano/ Acesso em 10 outubro 2019.
Para evitar repetições, o autor do texto emprega diferentes formas para referir-se a Curitiba.
Qual das alternativas a seguir não apresenta expressão do texto com essa finalidade?
Questão 12 10172086
CMC 1° Ano Prova de Portugues 2019TEXTO
"Que tempo lazarento: como o clima explica o curitibano"
[1] Choveu tanto aqui
Que até caiu
Outro pingo no ï
(Álvaro Posselt, poeta curitibano, em um inspirado haikai sobre o clima da cidade)
[5] Falar do tempo em Curitiba não é só uma forma de puxar papo. De dizer algo quando não se
tem nada a dizer. É item de primeira necessidade. Tomando emprestado o bordão de uma rádio, aqui,
“em 20 minutos, tudo pode mudar”. Levo ou não o guarda-chuva? Tenho de seguir o conselho de
mamãe: pegar o casaquinho para sair no sereno? Em se tratando de Curitiba, sempre é útil perguntar:
vai fazer sol? Ou será que vai chover?
[10] Se bem que essa pergunta é retórica. Vai chover. Sempre chove. Pelo menos nesses tempos. E
que tempo la-za-ren-to! O tempo úmido e instável talvez explique Curitiba e sua gente. Afinal, ele é
tão ou mais curitibano que o lazarento. O termo, a expressão idiomática, que fique claro. Tanto
quanto a vina, o penal, o loki, o piá, a japona e os daís que usamos para encadear as boas histórias.
Tá bom, as ruins também.
[15] Mas voltemos ao tempo. Nosso clima é mesmo lazarento. Um punhadinho de dias de sol num
mês inteiro?! Em pleno verão?! Tá de brincadeira?! A verdade é que a gente nem devia reclamar. Já
tínhamos de estar acostumados. Sempre foi assim.
Duvida? Em 2014, para promover as delícias do país tropical abençoado por Deus (e atrair
estrangeiros para a Copa do Mundo), a Embratur lançou uma ferramenta on-line para mostrar
[20] quantos dias de sol por ano fazia em cada cidade do planeta. A ideia era mostrar como o Brasil era
ensolarado. Mas deu ruim. Pelo menos por aqui. Curitiba ficou atrás até de Londres. Veja bem: da
Londres mundialmente famosa pelo seu clima... sem querer ofender... lazarento! Pior para nós: de
cada três dias, apenas um tem céu completamente aberto na capital das araucárias.
Tenho para mim que o cacique Tindiquera era um gozador. Pudera: o índio entregaria assim
[25] de mão beijada as suas melhores terras para o homem branco? Reza a lenda que foi ele que guiou os
portugueses desbravadores do Primeiro Planalto, escolheu um local, fincou uma estaca no chão, e
disse: “É aqui! Construam sua cidade aqui”. E deve ter pensado, rindo: “Perdeu, cara-pálida”.
Agora já era. Aqui está Curitiba, erguida ao redor daquela estaca. Em meio àquele brejo.
Bafejada pela umidade do mar que sobe a serra e vira nuvem. Na esquina onde o vento faz a curva e
[30] se dão os encontros furtivos das frentes frias com o ar amazônico. Resumo da ópera-bufa: chuva e
umidade sobre nossas cabeças.
E por falar em bufa, lembrei-me dos bufos. Traduzindo da terminologia zoológica: sapos.
Curitiba foi conhecida por muito tempo como Sapolândia, a terra dos sapos. Darwin explica:
adaptação evolutiva ao ambiente. Um ambiente, no nosso caso, „pra‟ lá de úmido. Paraíso dos
batráquios. E até há não muito tempo, eles pulavam aos montes nos quintais das casas. Cada família
tinha o seu bufo de estimação.
Porém, a cidade foi crescendo e ficando metida demais para se orgulhar da velha alcunha. E os
sapos sumiram. Mas não é que dia desses, em meio a um dos dilúvios que nos acometeram neste
verão molhado, um senhor bufo pensou que a Rua XV tinha voltado a ser um aprazível banhado e
[40] reapareceu todo faceiro em pleno calçadão? Senhor sapo, obrigado por nos lembrar o que Curitiba é
em essência: água. Muita água.
Não tem jeito mesmo. Queiramos ou não, isso nos afeta. “Eu sou eu e minha circunstância”, já
dizia Ortega y Gasset. E nossa circunstância é a umidade inevitável. Mas talvez até tenha um lado
bom. Chuvinha: bom para ficar em casa. Quem sabe não seja por isso que o curitibano é um sujeito
[45] tão família, tão apegado aos seus.
Alguém pode contrapor: “Nada a ver; nosso clima é úmido e o curitibano é seco”. É o que
muitos dizem. Pode ser que seja a lei da compensação. Mas também dizem que isso está mudando.
Como o tempo.
Talvez o mais certo seja dizer que somos como nosso clima. Não, lazarentos, não! Se bem que
[50] tem uns lazarentos por aí... Mas isso não vem ao caso. O fato é que por vezes somos fechados, como
o tempo. Mas, do mesmo jeito que por trás das nuvens do céu curitibano há um sol (acreditem, ele
existe!), atrás da nossa fama de antipáticos se esconde o calor humano."
"Viram? Não é que em Curitiba falar do tempo não é só um jeito de dizer algo quando não se
tem nada a dizer? E, aproveitando que vocês ainda estão aí, digam-me uma coisa: será que hoje vai
[55] chover?"
Fernando Martins
Adaptado. Disponível em:https://www.gazetadopovo.com.br/vozes/fernando-martins/que-tempo-lazarento-como-o-clima-explica-o-curitibano/ Acesso em 10 outubro 2019.
Relacione as colunas de acordo com a classificação das orações subordinadas abaixo:
( ) “Choveu tanto aqui que até caiu[...]”. (linhas 1-2).
( ) “De dizer algo quando não se tem nada a dizer.” (linhas 5-6)
( ) “Em se tratando de Curitiba, sempre é útil perguntar: vai fazer sol? Ou será que vai chover? Se
bem que essa pergunta é retórica”. (linhas 8-10).
( ) “O fato é que por vezes somos fechados, como o tempo”. (linhas 50-51)
I. Oração subordinada adverbial causal
II. Oração subordinada adverbial comparativa
III. Oração subordinada adverbial concessiva
IV. Oração subordinada adverbial consecutiva
V. Oração subordinada adverbial temporal
Assinale a alternativa que corresponde ao completamento correto dos parênteses de cima para baixo:
Questão 10 10172042
CMC 1° Ano Prova de Portugues 2019TEXTO
"Que tempo lazarento: como o clima explica o curitibano"
[1] Choveu tanto aqui
Que até caiu
Outro pingo no ï
(Álvaro Posselt, poeta curitibano, em um inspirado haikai sobre o clima da cidade)
[5] Falar do tempo em Curitiba não é só uma forma de puxar papo. De dizer algo quando não se
tem nada a dizer. É item de primeira necessidade. Tomando emprestado o bordão de uma rádio, aqui,
“em 20 minutos, tudo pode mudar”. Levo ou não o guarda-chuva? Tenho de seguir o conselho de
mamãe: pegar o casaquinho para sair no sereno? Em se tratando de Curitiba, sempre é útil perguntar:
vai fazer sol? Ou será que vai chover?
[10] Se bem que essa pergunta é retórica. Vai chover. Sempre chove. Pelo menos nesses tempos. E
que tempo la-za-ren-to! O tempo úmido e instável talvez explique Curitiba e sua gente. Afinal, ele é
tão ou mais curitibano que o lazarento. O termo, a expressão idiomática, que fique claro. Tanto
quanto a vina, o penal, o loki, o piá, a japona e os daís que usamos para encadear as boas histórias.
Tá bom, as ruins também.
[15] Mas voltemos ao tempo. Nosso clima é mesmo lazarento. Um punhadinho de dias de sol num
mês inteiro?! Em pleno verão?! Tá de brincadeira?! A verdade é que a gente nem devia reclamar. Já
tínhamos de estar acostumados. Sempre foi assim.
Duvida? Em 2014, para promover as delícias do país tropical abençoado por Deus (e atrair
estrangeiros para a Copa do Mundo), a Embratur lançou uma ferramenta on-line para mostrar
[20] quantos dias de sol por ano fazia em cada cidade do planeta. A ideia era mostrar como o Brasil era
ensolarado. Mas deu ruim. Pelo menos por aqui. Curitiba ficou atrás até de Londres. Veja bem: da
Londres mundialmente famosa pelo seu clima... sem querer ofender... lazarento! Pior para nós: de
cada três dias, apenas um tem céu completamente aberto na capital das araucárias.
Tenho para mim que o cacique Tindiquera era um gozador. Pudera: o índio entregaria assim
[25] de mão beijada as suas melhores terras para o homem branco? Reza a lenda que foi ele que guiou os
portugueses desbravadores do Primeiro Planalto, escolheu um local, fincou uma estaca no chão, e
disse: “É aqui! Construam sua cidade aqui”. E deve ter pensado, rindo: “Perdeu, cara-pálida”.
Agora já era. Aqui está Curitiba, erguida ao redor daquela estaca. Em meio àquele brejo.
Bafejada pela umidade do mar que sobe a serra e vira nuvem. Na esquina onde o vento faz a curva e
[30] se dão os encontros furtivos das frentes frias com o ar amazônico. Resumo da ópera-bufa: chuva e
umidade sobre nossas cabeças.
E por falar em bufa, lembrei-me dos bufos. Traduzindo da terminologia zoológica: sapos.
Curitiba foi conhecida por muito tempo como Sapolândia, a terra dos sapos. Darwin explica:
adaptação evolutiva ao ambiente. Um ambiente, no nosso caso, „pra‟ lá de úmido. Paraíso dos
batráquios. E até há não muito tempo, eles pulavam aos montes nos quintais das casas. Cada família
tinha o seu bufo de estimação.
Porém, a cidade foi crescendo e ficando metida demais para se orgulhar da velha alcunha. E os
sapos sumiram. Mas não é que dia desses, em meio a um dos dilúvios que nos acometeram neste
verão molhado, um senhor bufo pensou que a Rua XV tinha voltado a ser um aprazível banhado e
[40] reapareceu todo faceiro em pleno calçadão? Senhor sapo, obrigado por nos lembrar o que Curitiba é
em essência: água. Muita água.
Não tem jeito mesmo. Queiramos ou não, isso nos afeta. “Eu sou eu e minha circunstância”, já
dizia Ortega y Gasset. E nossa circunstância é a umidade inevitável. Mas talvez até tenha um lado
bom. Chuvinha: bom para ficar em casa. Quem sabe não seja por isso que o curitibano é um sujeito
[45] tão família, tão apegado aos seus.
Alguém pode contrapor: “Nada a ver; nosso clima é úmido e o curitibano é seco”. É o que
muitos dizem. Pode ser que seja a lei da compensação. Mas também dizem que isso está mudando.
Como o tempo.
Talvez o mais certo seja dizer que somos como nosso clima. Não, lazarentos, não! Se bem que
[50] tem uns lazarentos por aí... Mas isso não vem ao caso. O fato é que por vezes somos fechados, como
o tempo. Mas, do mesmo jeito que por trás das nuvens do céu curitibano há um sol (acreditem, ele
existe!), atrás da nossa fama de antipáticos se esconde o calor humano."
"Viram? Não é que em Curitiba falar do tempo não é só um jeito de dizer algo quando não se
tem nada a dizer? E, aproveitando que vocês ainda estão aí, digam-me uma coisa: será que hoje vai
[55] chover?"
Fernando Martins
Adaptado. Disponível em:https://www.gazetadopovo.com.br/vozes/fernando-martins/que-tempo-lazarento-como-o-clima-explica-o-curitibano/ Acesso em 10 outubro 2019.
Nas alternativas a seguir, as orações introduzidas pelo termo “que” são subordinadas substantivas, exceto:
Questão 20 10151750
CMS 1º Ano - Língua Portuguesa 2019TEXTO
Um Apólogo
(Machado de Assis)
Era uma vez uma agulha, que disse a um novelo de linha:
– Por que está você com esse ar, toda cheia de si, toda enrolada, para fingir que vale alguma coisa neste mundo?
– Deixe-me, senhora.
– Que a deixe? Que a deixe, por quê? Porque lhe digo que está com um ar insuportável? Repito que sim, e falarei
[5] sempre que me der na cabeça.
– Que cabeça, senhora? A senhora não é alfinete, é agulha. Agulha não tem cabeça. Que lhe importa o meu ar? Cada
qual tem o ar que Deus lhe deu. Importe-se com a sua vida e deixe a dos outros.
– Mas você é orgulhosa.
– Decerto que sou.
[10] – Mas por quê?
– É boa! Porque coso. Então os vestidos e enfeites de nossa ama, quem é que os cose, senão eu?
– Você? Esta agora é melhor. Você é que os cose? Você ignora que quem os cose sou eu, e muito eu?
– Você fura o pano, nada mais; eu é que coso, prendo um pedaço ao outro, dou feição aos babados...
– Sim, mas que vale isso? Eu é que furo o pano, vou adiante, puxando por você, que vem atrás, obedecendo ao que
[15] eu faço e mando...
– Também os batedores vão adiante do imperador.
– Você é imperador?
– Não digo isso. Mas a verdade é que você faz um papel subalterno, indo adiante; vai só mostrando o caminho, vai
fazendo o trabalho obscuro e ínfimo. Eu é que prendo, ligo, ajunto...
[20] Estavam nisto, quando a costureira chegou à casa da baronesa. Não sei se disse que isto se passava em casa de uma
baronesa, que tinha a modista ao pé de si, para não andar atrás dela. Chegou a costureira, pegou do pano, pegou da agulha,
pegou da linha, enfiou a linha na agulha, e entrou a coser. Uma e outra iam andando orgulhosas, pelo pano adiante, que era a
melhor das sedas, entre os dedos da costureira, ágeis como os galgos de Diana – para dar a isto uma cor poética. E dizia a
agulha:
[25] – Então, senhora linha, ainda teima no que dizia há pouco? Não repara que esta distinta costureira só se importa
comigo; eu é que vou aqui entre os dedos dela, unidinha a eles, furando abaixo e acima.
A linha não respondia nada; ia andando. Buraco aberto pela agulha era logo enchido por ela, silenciosa e altiva como
quem sabe o que faz, e não está para ouvir palavras loucas. A agulha vendo que ela não lhe dava resposta, calou-se também,
e foi andando. E era tudo silêncio na saleta de costura; não se ouvia mais que o plic-plic plic-plic da agulha no pano. Caindo o
[30] sol, a costureira dobrou a costura, para o dia seguinte; continuou ainda nesse e no outro, até que no quarto acabou a obra, e
ficou esperando o baile.
Veio a noite do baile, e a baronesa vestiu-se. A costureira, que a ajudou a vestir-se, levava a agulha espetada no
corpinho, para dar algum ponto necessário. E quando compunha o vestido da bela dama, e puxava a um lado ou outro,
arregaçava daqui ou dali, alisando, abotoando, acolchetando, a linha, para mofar da agulha, perguntou-lhe:
[35] – Ora agora, diga-me quem é que vai ao baile, no corpo da baronesa, fazendo parte do vestido e da elegância? Quem
é que vai dançar com ministros e diplomatas, enquanto você volta para a caixinha da costureira, antes de ir para o balaio das
mucamas? Vamos, diga lá.
Parece que a agulha não disse nada; mas um alfinete, de cabeça grande e não menor experiência, murmurou à pobre
agulha:
[40] – Anda, aprende, tola. Cansas-te em abrir caminho para ela e ela é que vai gozar da vida, enquanto aí ficas na caixinha
de costura. Faze como eu, que não abro caminho para ninguém. Onde me espetam, fico.
Contei esta história a um professor de melancolia, que me disse, abanando a cabeça:
– Também eu tenho servido de agulha a muita linha ordinária!
Chegou a costureira, pegou do pano, pegou da agulha, pegou da linha, enfiou a linha na agulha, e entrou a coser. (linhas 21 e 22)
A respeito do trecho sublinhado acima, assinale a afirmativa correta.
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