Questões de EFAF Português - Leitura e Interpretação de Texto
7.497 Questões
Questão 12 10226350
CMBH 1° ano prova de Língua portugesa 2016INSTRUÇÃO: Observe a tirinha abaixo para responder à questão.

Em relação aos elementos que constituem a construção de significado do texto, todas as alternativas abaixo são verdadeiras, EXCETO:
Questão 11 10226331
CMBH 1° ano prova de Língua portugesa 2016TEXTO
COISAS QUE EU FARIA
Se eu fosse um bilionário entediado, já tivesse bebido os vinhos mais caros, comido as trufas
mais raras, me hospedado em castelos e dado rolês em ônibus espaciais: compraria um sítio com uma
paisagem a perder de vista, compraria uma bazuca, encheria essa paisagem a perder de vista com
Fuscas, Brasílias, Del Reys [- e por que não -] Land Rovers a perder de vista; encheria um cálice de
[5] Bourbon e passaria uma tarde inteira explodindo carros.
(De noite, após um banho de cachoeira, leria Proust).
Se eu fosse um bilionário engajado, já tivesse investido na Amazônia e nas baleias, no Zimbábue
e no ozônio, na alfabetização, na fibra de coco e na energia solar: criaria uma bolsa sabática. Nada de
financiar pesquisas, estudos, livros, filmes como fazem essas incríveis instituições tipo a Fulbright, a
[10] Ford, a antiga Vitae. A minha instituição financiaria um ano de ociosidade, seria a Fulbright Farniente.
Um candidato se proporia a assistir aos principais campeonatos mundiais in loco. Aprovado. Outro diria
gostar muito da luz da manhã e pediria para viajar pelo mundo por um ano, aproveitando o amanhecer
em Lisboa, no deserto de Atacama, no topo do Himalaia. Aprovado. Outra diria: “Eu e o Jurandir, a
gente gosta muito de massa, mas nunca “foi” pra Itália; então a gente “tava” pensando em passar 2017
[15] por lá, comendo uns “macarrãozinho”(sic)”. “Tá” aqui o dinheiro, amiga.
Se eu fosse o presidente dos Estados Unidos, no discurso do Estado da União, televisionado ao
vivo para o mundo: começaria cantando “Mariana conta um/ Um conta Mariana/ É um é Ana/ Viva a
Mariana!”. Terminada a música, faria a cara mais contrita, pediria desculpas, diria “brincadeira, fellows
americans! Agora, falando sério” – e cantaria “Um elefante incomoda muita gente/ Dois elefantes
[20] incomodam muito mais” até chegar a 58 elefantes ou até o Serviço Secreto cortar a transmissão e me
levar para Guantánamo – o que vier primeiro.
Se eu fosse um Deus altruísta: encarnava de novo e passava uns tempos resolvendo esse conflito
sobre o qual não se pode dizer que Ele (ou Eu) é (ou sou) inteiramente inocente.
Se eu fosse um Deus egoísta: “desencanaria” desse embaraço de uma vez por todas, encarnaria
[25] com uma pinta de Leonardo Di Caprio e passaria a eternidade me esbaldando por aí. (Aos domingos,
iria para o meu sítio tomar Bourbon e explodir Del Reys).
Se eu fosse um Deus piadista: encarnaria como presidente de uma portentosa nação, cantaria
canções bem populares como “Mariana, conta um” e “Um elefante incomoda muita gente” e, então,
quando o Serviço Secreto tentasse dar sumiço em mim, sairia levitando sobre cabeças de congressistas
[30] atônitos e sob os olhos esbugalhados de boa parte da população mundial, diria, com voz tonitruante: “Eu
sou aquele que é e tudo pode, ó fariseus!” E todos se curvariam. E eu, aos brados, voltaria para as
alturas.
(Adaptado de: PRATA, Antônio- colunista Folha de São Paulo. Disponível em: Acesso em: 10/07/2016)
VOCABULÁRIO – Texto: “COISAS QUE EU FARIA”
Trufas: cogumelo comestível; bombom aromatizado com conhaque.
Bazuca: lança-foguetes; arma que dispara granadas.
Proust: escritor francês; autor de “Em busca do tempo perdido”.
Engajado: empenhado, comprometido.
Bolsa sabática: bolsa de estudos para cursos no exterior.
Farniente: ociosidade agradável; fazer nada, ócio.
In loco: no lugar; no próprio local.
Contrita: constrangida; contida; arrependida.
Altruísta: aquele que se preocupa com o bem-estar e a felicidade alheios.
Tonitruante: com estrondo, muito ruidoso.
Fariseus: membros de um grupo judaico que vivia na estrita observância de preceitos religiosos; pessoas que seguem rigorosamente as formalidades de uma religião.
Nos trechos abaixo, todas as palavras destacadas são articuladores sintáticos e estabelecem as relações semânticas indicadas, EXCETO:
Questão 9 10226303
CMBH 1° ano prova de Língua portugesa 2016TEXTO
COISAS QUE EU FARIA
Se eu fosse um bilionário entediado, já tivesse bebido os vinhos mais caros, comido as trufas
mais raras, me hospedado em castelos e dado rolês em ônibus espaciais: compraria um sítio com uma
paisagem a perder de vista, compraria uma bazuca, encheria essa paisagem a perder de vista com
Fuscas, Brasílias, Del Reys [- e por que não -] Land Rovers a perder de vista; encheria um cálice de
[5] Bourbon e passaria uma tarde inteira explodindo carros.
(De noite, após um banho de cachoeira, leria Proust).
Se eu fosse um bilionário engajado, já tivesse investido na Amazônia e nas baleias, no Zimbábue
e no ozônio, na alfabetização, na fibra de coco e na energia solar: criaria uma bolsa sabática. Nada de
financiar pesquisas, estudos, livros, filmes como fazem essas incríveis instituições tipo a Fulbright, a
[10] Ford, a antiga Vitae. A minha instituição financiaria um ano de ociosidade, seria a Fulbright Farniente.
Um candidato se proporia a assistir aos principais campeonatos mundiais in loco. Aprovado. Outro diria
gostar muito da luz da manhã e pediria para viajar pelo mundo por um ano, aproveitando o amanhecer
em Lisboa, no deserto de Atacama, no topo do Himalaia. Aprovado. Outra diria: “Eu e o Jurandir, a
gente gosta muito de massa, mas nunca “foi” pra Itália; então a gente “tava” pensando em passar 2017
[15] por lá, comendo uns “macarrãozinho”(sic)”. “Tá” aqui o dinheiro, amiga.
Se eu fosse o presidente dos Estados Unidos, no discurso do Estado da União, televisionado ao
vivo para o mundo: começaria cantando “Mariana conta um/ Um conta Mariana/ É um é Ana/ Viva a
Mariana!”. Terminada a música, faria a cara mais contrita, pediria desculpas, diria “brincadeira, fellows
americans! Agora, falando sério” – e cantaria “Um elefante incomoda muita gente/ Dois elefantes
[20] incomodam muito mais” até chegar a 58 elefantes ou até o Serviço Secreto cortar a transmissão e me
levar para Guantánamo – o que vier primeiro.
Se eu fosse um Deus altruísta: encarnava de novo e passava uns tempos resolvendo esse conflito
sobre o qual não se pode dizer que Ele (ou Eu) é (ou sou) inteiramente inocente.
Se eu fosse um Deus egoísta: “desencanaria” desse embaraço de uma vez por todas, encarnaria
[25] com uma pinta de Leonardo Di Caprio e passaria a eternidade me esbaldando por aí. (Aos domingos,
iria para o meu sítio tomar Bourbon e explodir Del Reys).
Se eu fosse um Deus piadista: encarnaria como presidente de uma portentosa nação, cantaria
canções bem populares como “Mariana, conta um” e “Um elefante incomoda muita gente” e, então,
quando o Serviço Secreto tentasse dar sumiço em mim, sairia levitando sobre cabeças de congressistas
[30] atônitos e sob os olhos esbugalhados de boa parte da população mundial, diria, com voz tonitruante: “Eu
sou aquele que é e tudo pode, ó fariseus!” E todos se curvariam. E eu, aos brados, voltaria para as
alturas.
(Adaptado de: PRATA, Antônio- colunista Folha de São Paulo. Disponível em: Acesso em: 10/07/2016)
VOCABULÁRIO – Texto: “COISAS QUE EU FARIA”
Trufas: cogumelo comestível; bombom aromatizado com conhaque.
Bazuca: lança-foguetes; arma que dispara granadas.
Proust: escritor francês; autor de “Em busca do tempo perdido”.
Engajado: empenhado, comprometido.
Bolsa sabática: bolsa de estudos para cursos no exterior.
Farniente: ociosidade agradável; fazer nada, ócio.
In loco: no lugar; no próprio local.
Contrita: constrangida; contida; arrependida.
Altruísta: aquele que se preocupa com o bem-estar e a felicidade alheios.
Tonitruante: com estrondo, muito ruidoso.
Fariseus: membros de um grupo judaico que vivia na estrita observância de preceitos religiosos; pessoas que seguem rigorosamente as formalidades de uma religião.
Leia os trechos abaixo:
“A minha instituição financiaria um ano de ociosidade (...)” (l.10)
“Se eu fosse o presidente dos Estados Unidos (...)” (l.16)
“Passaria a eternidade me esbaldando por aí.” (l.25)
O autor emprega verbos e pronomes em 1ª pessoa para:
Questão 8 10226294
CMBH 1° ano prova de Língua portugesa 2016TEXTO
COISAS QUE EU FARIA
Se eu fosse um bilionário entediado, já tivesse bebido os vinhos mais caros, comido as trufas
mais raras, me hospedado em castelos e dado rolês em ônibus espaciais: compraria um sítio com uma
paisagem a perder de vista, compraria uma bazuca, encheria essa paisagem a perder de vista com
Fuscas, Brasílias, Del Reys [- e por que não -] Land Rovers a perder de vista; encheria um cálice de
[5] Bourbon e passaria uma tarde inteira explodindo carros.
(De noite, após um banho de cachoeira, leria Proust).
Se eu fosse um bilionário engajado, já tivesse investido na Amazônia e nas baleias, no Zimbábue
e no ozônio, na alfabetização, na fibra de coco e na energia solar: criaria uma bolsa sabática. Nada de
financiar pesquisas, estudos, livros, filmes como fazem essas incríveis instituições tipo a Fulbright, a
[10] Ford, a antiga Vitae. A minha instituição financiaria um ano de ociosidade, seria a Fulbright Farniente.
Um candidato se proporia a assistir aos principais campeonatos mundiais in loco. Aprovado. Outro diria
gostar muito da luz da manhã e pediria para viajar pelo mundo por um ano, aproveitando o amanhecer
em Lisboa, no deserto de Atacama, no topo do Himalaia. Aprovado. Outra diria: “Eu e o Jurandir, a
gente gosta muito de massa, mas nunca “foi” pra Itália; então a gente “tava” pensando em passar 2017
[15] por lá, comendo uns “macarrãozinho”(sic)”. “Tá” aqui o dinheiro, amiga.
Se eu fosse o presidente dos Estados Unidos, no discurso do Estado da União, televisionado ao
vivo para o mundo: começaria cantando “Mariana conta um/ Um conta Mariana/ É um é Ana/ Viva a
Mariana!”. Terminada a música, faria a cara mais contrita, pediria desculpas, diria “brincadeira, fellows
americans! Agora, falando sério” – e cantaria “Um elefante incomoda muita gente/ Dois elefantes
[20] incomodam muito mais” até chegar a 58 elefantes ou até o Serviço Secreto cortar a transmissão e me
levar para Guantánamo – o que vier primeiro.
Se eu fosse um Deus altruísta: encarnava de novo e passava uns tempos resolvendo esse conflito
sobre o qual não se pode dizer que Ele (ou Eu) é (ou sou) inteiramente inocente.
Se eu fosse um Deus egoísta: “desencanaria” desse embaraço de uma vez por todas, encarnaria
[25] com uma pinta de Leonardo Di Caprio e passaria a eternidade me esbaldando por aí. (Aos domingos,
iria para o meu sítio tomar Bourbon e explodir Del Reys).
Se eu fosse um Deus piadista: encarnaria como presidente de uma portentosa nação, cantaria
canções bem populares como “Mariana, conta um” e “Um elefante incomoda muita gente” e, então,
quando o Serviço Secreto tentasse dar sumiço em mim, sairia levitando sobre cabeças de congressistas
[30] atônitos e sob os olhos esbugalhados de boa parte da população mundial, diria, com voz tonitruante: “Eu
sou aquele que é e tudo pode, ó fariseus!” E todos se curvariam. E eu, aos brados, voltaria para as
alturas.
(Adaptado de: PRATA, Antônio- colunista Folha de São Paulo. Disponível em: Acesso em: 10/07/2016)
VOCABULÁRIO – Texto: “COISAS QUE EU FARIA”
Trufas: cogumelo comestível; bombom aromatizado com conhaque.
Bazuca: lança-foguetes; arma que dispara granadas.
Proust: escritor francês; autor de “Em busca do tempo perdido”.
Engajado: empenhado, comprometido.
Bolsa sabática: bolsa de estudos para cursos no exterior.
Farniente: ociosidade agradável; fazer nada, ócio.
In loco: no lugar; no próprio local.
Contrita: constrangida; contida; arrependida.
Altruísta: aquele que se preocupa com o bem-estar e a felicidade alheios.
Tonitruante: com estrondo, muito ruidoso.
Fariseus: membros de um grupo judaico que vivia na estrita observância de preceitos religiosos; pessoas que seguem rigorosamente as formalidades de uma religião.
A relação semântica estabelecida pela conjunção na oração: “(...) até chegar a 58 elefantes ou até o Serviço Secreto cortar a transmissão (...)” (l.20), encontra-se também em:
Questão 7 10226274
CMBH 1° ano prova de Língua portugesa 2016TEXTO
COISAS QUE EU FARIA
Se eu fosse um bilionário entediado, já tivesse bebido os vinhos mais caros, comido as trufas
mais raras, me hospedado em castelos e dado rolês em ônibus espaciais: compraria um sítio com uma
paisagem a perder de vista, compraria uma bazuca, encheria essa paisagem a perder de vista com
Fuscas, Brasílias, Del Reys [- e por que não -] Land Rovers a perder de vista; encheria um cálice de
[5] Bourbon e passaria uma tarde inteira explodindo carros.
(De noite, após um banho de cachoeira, leria Proust).
Se eu fosse um bilionário engajado, já tivesse investido na Amazônia e nas baleias, no Zimbábue
e no ozônio, na alfabetização, na fibra de coco e na energia solar: criaria uma bolsa sabática. Nada de
financiar pesquisas, estudos, livros, filmes como fazem essas incríveis instituições tipo a Fulbright, a
[10] Ford, a antiga Vitae. A minha instituição financiaria um ano de ociosidade, seria a Fulbright Farniente.
Um candidato se proporia a assistir aos principais campeonatos mundiais in loco. Aprovado. Outro diria
gostar muito da luz da manhã e pediria para viajar pelo mundo por um ano, aproveitando o amanhecer
em Lisboa, no deserto de Atacama, no topo do Himalaia. Aprovado. Outra diria: “Eu e o Jurandir, a
gente gosta muito de massa, mas nunca “foi” pra Itália; então a gente “tava” pensando em passar 2017
[15] por lá, comendo uns “macarrãozinho”(sic)”. “Tá” aqui o dinheiro, amiga.
Se eu fosse o presidente dos Estados Unidos, no discurso do Estado da União, televisionado ao
vivo para o mundo: começaria cantando “Mariana conta um/ Um conta Mariana/ É um é Ana/ Viva a
Mariana!”. Terminada a música, faria a cara mais contrita, pediria desculpas, diria “brincadeira, fellows
americans! Agora, falando sério” – e cantaria “Um elefante incomoda muita gente/ Dois elefantes
[20] incomodam muito mais” até chegar a 58 elefantes ou até o Serviço Secreto cortar a transmissão e me
levar para Guantánamo – o que vier primeiro.
Se eu fosse um Deus altruísta: encarnava de novo e passava uns tempos resolvendo esse conflito
sobre o qual não se pode dizer que Ele (ou Eu) é (ou sou) inteiramente inocente.
Se eu fosse um Deus egoísta: “desencanaria” desse embaraço de uma vez por todas, encarnaria
[25] com uma pinta de Leonardo Di Caprio e passaria a eternidade me esbaldando por aí. (Aos domingos,
iria para o meu sítio tomar Bourbon e explodir Del Reys).
Se eu fosse um Deus piadista: encarnaria como presidente de uma portentosa nação, cantaria
canções bem populares como “Mariana, conta um” e “Um elefante incomoda muita gente” e, então,
quando o Serviço Secreto tentasse dar sumiço em mim, sairia levitando sobre cabeças de congressistas
[30] atônitos e sob os olhos esbugalhados de boa parte da população mundial, diria, com voz tonitruante: “Eu
sou aquele que é e tudo pode, ó fariseus!” E todos se curvariam. E eu, aos brados, voltaria para as
alturas.
(Adaptado de: PRATA, Antônio- colunista Folha de São Paulo. Disponível em: Acesso em: 10/07/2016)
VOCABULÁRIO – Texto: “COISAS QUE EU FARIA”
Trufas: cogumelo comestível; bombom aromatizado com conhaque.
Bazuca: lança-foguetes; arma que dispara granadas.
Proust: escritor francês; autor de “Em busca do tempo perdido”.
Engajado: empenhado, comprometido.
Bolsa sabática: bolsa de estudos para cursos no exterior.
Farniente: ociosidade agradável; fazer nada, ócio.
In loco: no lugar; no próprio local.
Contrita: constrangida; contida; arrependida.
Altruísta: aquele que se preocupa com o bem-estar e a felicidade alheios.
Tonitruante: com estrondo, muito ruidoso.
Fariseus: membros de um grupo judaico que vivia na estrita observância de preceitos religiosos; pessoas que seguem rigorosamente as formalidades de uma religião.
Releia atentamente o 4° parágrafo do texto, observando as relações de sentido que se estabelecem entre as frases do fragmento:
“Se eu fosse um Deus altruísta: encarnava de novo e passava uns tempos resolvendo esse conflito (...)” (l.22)
Assinale a alternativa em que as expressões destacadas traduzem exatamente a relação de sentido sugerida
nesse fragmento.
Questão 6 10226270
CMBH 1° ano prova de Língua portugesa 2016TEXTO
COISAS QUE EU FARIA
Se eu fosse um bilionário entediado, já tivesse bebido os vinhos mais caros, comido as trufas
mais raras, me hospedado em castelos e dado rolês em ônibus espaciais: compraria um sítio com uma
paisagem a perder de vista, compraria uma bazuca, encheria essa paisagem a perder de vista com
Fuscas, Brasílias, Del Reys [- e por que não -] Land Rovers a perder de vista; encheria um cálice de
[5] Bourbon e passaria uma tarde inteira explodindo carros.
(De noite, após um banho de cachoeira, leria Proust).
Se eu fosse um bilionário engajado, já tivesse investido na Amazônia e nas baleias, no Zimbábue
e no ozônio, na alfabetização, na fibra de coco e na energia solar: criaria uma bolsa sabática. Nada de
financiar pesquisas, estudos, livros, filmes como fazem essas incríveis instituições tipo a Fulbright, a
[10] Ford, a antiga Vitae. A minha instituição financiaria um ano de ociosidade, seria a Fulbright Farniente.
Um candidato se proporia a assistir aos principais campeonatos mundiais in loco. Aprovado. Outro diria
gostar muito da luz da manhã e pediria para viajar pelo mundo por um ano, aproveitando o amanhecer
em Lisboa, no deserto de Atacama, no topo do Himalaia. Aprovado. Outra diria: “Eu e o Jurandir, a
gente gosta muito de massa, mas nunca “foi” pra Itália; então a gente “tava” pensando em passar 2017
[15] por lá, comendo uns “macarrãozinho”(sic)”. “Tá” aqui o dinheiro, amiga.
Se eu fosse o presidente dos Estados Unidos, no discurso do Estado da União, televisionado ao
vivo para o mundo: começaria cantando “Mariana conta um/ Um conta Mariana/ É um é Ana/ Viva a
Mariana!”. Terminada a música, faria a cara mais contrita, pediria desculpas, diria “brincadeira, fellows
americans! Agora, falando sério” – e cantaria “Um elefante incomoda muita gente/ Dois elefantes
[20] incomodam muito mais” até chegar a 58 elefantes ou até o Serviço Secreto cortar a transmissão e me
levar para Guantánamo – o que vier primeiro.
Se eu fosse um Deus altruísta: encarnava de novo e passava uns tempos resolvendo esse conflito
sobre o qual não se pode dizer que Ele (ou Eu) é (ou sou) inteiramente inocente.
Se eu fosse um Deus egoísta: “desencanaria” desse embaraço de uma vez por todas, encarnaria
[25] com uma pinta de Leonardo Di Caprio e passaria a eternidade me esbaldando por aí. (Aos domingos,
iria para o meu sítio tomar Bourbon e explodir Del Reys).
Se eu fosse um Deus piadista: encarnaria como presidente de uma portentosa nação, cantaria
canções bem populares como “Mariana, conta um” e “Um elefante incomoda muita gente” e, então,
quando o Serviço Secreto tentasse dar sumiço em mim, sairia levitando sobre cabeças de congressistas
[30] atônitos e sob os olhos esbugalhados de boa parte da população mundial, diria, com voz tonitruante: “Eu
sou aquele que é e tudo pode, ó fariseus!” E todos se curvariam. E eu, aos brados, voltaria para as
alturas.
(Adaptado de: PRATA, Antônio- colunista Folha de São Paulo. Disponível em: Acesso em: 10/07/2016)
VOCABULÁRIO – Texto: “COISAS QUE EU FARIA”
Trufas: cogumelo comestível; bombom aromatizado com conhaque.
Bazuca: lança-foguetes; arma que dispara granadas.
Proust: escritor francês; autor de “Em busca do tempo perdido”.
Engajado: empenhado, comprometido.
Bolsa sabática: bolsa de estudos para cursos no exterior.
Farniente: ociosidade agradável; fazer nada, ócio.
In loco: no lugar; no próprio local.
Contrita: constrangida; contida; arrependida.
Altruísta: aquele que se preocupa com o bem-estar e a felicidade alheios.
Tonitruante: com estrondo, muito ruidoso.
Fariseus: membros de um grupo judaico que vivia na estrita observância de preceitos religiosos; pessoas que seguem rigorosamente as formalidades de uma religião.
No texto, as “realidades” são construídas ficcionalmente porque o narrador
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