Questões de EFAF Português - Leitura e Interpretação de Texto
7.497 Questões
Questão 18 15438049
CBNB 1 ano Ensino Médio 2024TEXTO
Cordel para Santos Dumont: O Pai da Aviação
Cordel para Santos Dumont:
O Verdadeiro Pai da Aviação(1873-1932)
O Pai da Aviação:
É o inventor brasileiro
Alberto Santos Dumont
E não tem pra estrangeiro
Foi o primeiro a voar
Visto pelo mundo inteiro...
No ano de 1901
o prêmio Deutsche ganhou
Do Aeroclube da França
Com mérito ele conquistou
De Saint-Claud à Torre Eiffel
Santos Dumont bem voou...
Voou em aeroplano
O primeiro avião...
É um fato consagrado
Até por Filme e Comissão
No ano de 1906:
Foi visto pela Multidão....
O resto é papo furado
Conversa pra boi dormir
Dumont foi o primeiro
O mérito a conseguir
Os tais Irmãos Wright:
De catapulta!?: fazem rir...
Dumont voou exclusivo
14-Bis e Demoiselle,
Visto lá em Paris
Até por mademoiselle
Restabeleça-se a verdade
O Pai do Avião:... é... Ele...
Vivas a Santos Dumont
Grande Herói Brasileiro
Todo o reconhecimento
Ao grandioso mineiro
Que conquistou as alturas
Por ter voado primeiro...
Disponível em: http://www.gustavodourado.com.br/cordel/Cordel%20%para20%Dumont%20O%20Pai%20da%Aviacao.htm. Acesso em 31/05/2023.
Considere o texto e ASSINALE a alternativa em que se observa o uso formal da Língua Portuguesa:
Questão 16 15438041
CBNB 1 ano Ensino Médio 2024TEXTO
“Santos Dumont era um homem brilhante e doce”, diz romancista holandês
Arthur Japin conta a história do coração do inventor brasileiro
Não foi apenas a vida inventiva de Alberto Santos Dumont que chamou a atenção de um dos principais escritores contemporâneos holandeses – o romancista Arthur Japin, de 65 anos de idade. Uma história real após a morte do brasileiro trouxe enredo em formato de mistério ao romance histórico O Homem com Asas (The Winged Man), lançado há cinco anos
Japin soube que o coração do brasileiro foi retirado pelo médico Walter Haberfeld, que ficou responsável por tratar o corpo antes do sepultamento. O coração foi recuperado na década de 1940 e foi guardado em uma peça em exposição no Museu Aeroespacial, no Rio de Janeiro.
Os detalhes dessa intrigante história, segundo Japin, homenageiam a trajetória e os sentimentos do brasileiro, por quem o autor estrangeiro ficou impressionado. “Se a vida se esvai do coração, o coração se esvai da vida. A única maneira de fazê-lo bater de novo é buscando a história por detrás dele”, justifica Japin na obra.
Em entrevista à Agência Brasil, Arthur Japin considera que os feitos de Santos Dumont precisam ser permanentemente difundidos. “Acho que devemos saber mais sobre Santos Dumont, não só na Europa, mas em todo o mundo. Talvez meu livro tenha ajudado um pouco. Qualquer um que o leu agora sabe a verdade”.
Disponível em: https://agenciabrasil.ebc.com.br/geral/noticia/2021-10/santos-dumont-era-um-homem-brilhante-e-doce-dizromancista-holandes. Acesso em 31/05/2023.
Considere os seguintes trechos transcritos do texto e, a seguir, AVALIE o uso das aspas.
“Santos Dumont era um homem brilhante e doce”, diz romancista holandês
“Se a vida se esvai do coração, o coração se esvai da vida. A única maneira de fazê-lo bater de novo é buscando a história por detrás dele”, justifica Japin na obra.
O uso das aspas, nos excertos em questão, foi empregado com a finalidade de:
I – destacar o título do Texto.
II – sinalizar que frase foi empregada em sentido figurado.
III – indicar discurso proferido pelo entrevistado.
IV – expressar ironia.
É CORRETO o que se afirma em:
Questão 15 15438036
CBNB 1 ano Ensino Médio 2024TEXTO
“Santos Dumont era um homem brilhante e doce”, diz romancista holandês
Arthur Japin conta a história do coração do inventor brasileiro
Não foi apenas a vida inventiva de Alberto Santos Dumont que chamou a atenção de um dos principais escritores contemporâneos holandeses – o romancista Arthur Japin, de 65 anos de idade. Uma história real após a morte do brasileiro trouxe enredo em formato de mistério ao romance histórico O Homem com Asas (The Winged Man), lançado há cinco anos
Japin soube que o coração do brasileiro foi retirado pelo médico Walter Haberfeld, que ficou responsável por tratar o corpo antes do sepultamento. O coração foi recuperado na década de 1940 e foi guardado em uma peça em exposição no Museu Aeroespacial, no Rio de Janeiro.
Os detalhes dessa intrigante história, segundo Japin, homenageiam a trajetória e os sentimentos do brasileiro, por quem o autor estrangeiro ficou impressionado. “Se a vida se esvai do coração, o coração se esvai da vida. A única maneira de fazê-lo bater de novo é buscando a história por detrás dele”, justifica Japin na obra.
Em entrevista à Agência Brasil, Arthur Japin considera que os feitos de Santos Dumont precisam ser permanentemente difundidos. “Acho que devemos saber mais sobre Santos Dumont, não só na Europa, mas em todo o mundo. Talvez meu livro tenha ajudado um pouco. Qualquer um que o leu agora sabe a verdade”.
Disponível em: https://agenciabrasil.ebc.com.br/geral/noticia/2021-10/santos-dumont-era-um-homem-brilhante-e-doce-dizromancista-holandes. Acesso em 31/05/2023.
A linguagem figurada é uma importante ferramenta de construção de sentidos do texto.
Assim, considerando o contexto do texto, dentre as alternativas abaixo, esse recurso só é observado em:
Questão 14 15438029
CBNB 1 ano Ensino Médio 2024TEXTO
Minha primeira ascensão
Alberto Santos-Dumont
Guardo uma recordação indelével das deliciosas sensações de minha primeira tentativa aérea.
Cheguei cedo ao parque de aerostação de Vaugirard, a fim de não perder nenhum dos preparativos. O balão, de uma capacidade de setecentos e cinqüenta metros cúbicos, jazia estendido sobre a grama. A uma ordem do Sr. Lachambre, os operários começaram a enchê-lo de gás. E em pouco a massa informe começou a se transformar numa vasta esfera.
Às 11 horas, os preparativos estavam terminados. Uma brisa fresca acariciava a barquinha, que se balançava suavemente sob o balão. A um dos cantos dela, com um saco de lastro na mão, eu aguardava com impaciência o momento da partida. Do outro, o Sr. Machuron gritou:
– Larguem tudo!
No mesmo instante, o vento deixou de soprar. Era como se o ar em volta de nós se tivesse imobilizado. É que havíamos partido, e a corrente que atravessávamos nos comunicava sua própria velocidade. Eis o primeiro grande fato que se observa quando se sobe num balão esférico.
Esse movimento imperceptível de marcha possui um sabor infinitamente agradável. A ilusão é absoluta. Acreditar-se-ia, não que é o balão que se move, mas que é a Terra que foge dele e se abaixa.
No fundo do abismo que se cavava sob nós, a mil e quinhentos metros, a Terra, em lugar de parecer redonda como uma bola, apresentava a forma côncava de uma tigela (...).
Aldeias e bosques, prados e castelos desfilavam como quadros movediços, em cima dos quais os apitos das locomotivas desferiam notas agudas e longínquas. Com os latidos dos cães, eram os únicos sons que chegavam ao alto. A voz humana não vai a essas solidões sem limites. As pessoas apresentavam o aspecto de formigas caminhando sobre linhas brancas, as estradas, as filas de casas assemelhavam-se a brinquedos de crianças.
Meu olhar sentia ainda a fascinação do espetáculo quando uma nuvem passou diante do Sol. A sombra assim produzida provocou um esfriamento do gás do balão, que, murchando, começou a descer, a princípio lentamente, depois com velocidade cada vez maior. Para reagir, deitamos lastro fora. E eis a segunda grande observação a que se é levado com os balões esféricos: alguns quilos de areia bastam para restituir ao indivíduo o domínio da altitude! (...)
O som de um alegre carrilhão chegou aos nossos ouvidos. Os sinos tocavam o Angelus do meio-dia. Havíamos levado uma refeição substancial: ovos duros, vitela e frango frios, queijo, gelo, frutos, doces, champanha, café e licor. Nada mais delicioso do que semelhante repasto acima das nuvens. Que salão de refeições oferecia mais maravilhosa decoração? (...).
Acabava eu de beber um cálice de licor quando uma cortina desceu subitamente sobre esse admirável cenário de Sol, nuvens e céu azul. O barômetro elevou-se rapidamente cinco milímetros, indicando uma brusca ruptura do equilíbrio e uma descida precipitada. O balão devia ter-se sobrecarregado de muitos quilos de neve; caía com uma nuvem. (...)
Após alguns minutos de uma queda que amortecemos soltando lastro, vimo-nos abaixo das nuvens, a uma distância de cerca de trezentos metros do solo. Uma aldeia fugia debaixo de nós. Localizamos o ponto e comparamos nossa carta com a imensa carta natural que a vista lobrigava. Foi-nos fácil identificar as estradas, os caminhos de ferro, as aldeias, os bosques. Tudo isso avançava para o horizonte com a própria rapidez do vento.
A nuvem que provocara a nossa descida era prenúncio de uma mudança de tempo. Pequenas rajadas começavam a impelir o balão da direita para a esquerda e de cima para baixo. De espaço a espaço, o cabopendente – uma grande corda de uns cem metros de comprido, que flutuava fora da barquinha – tocava no chão. A barquinha não tardou, por sua vez, a roçar as copas das árvores. (...)
Mais de cinqüenta metros do cabo arrastavam-se já pelo chão. Não era preciso tanto para nos mantermos em equilíbrio a uma altitude inferior a cem metros, pois havíamos decidido não exceder disso até o fim da viagem. (...)
Quando franqueávamos um pequeno maciço de árvores, um balanço mais forte do que os outros atirou-me para trás, na barquinha. Imobilizado de súbito, o balão estremecia açoitado pelas lufadas de vento, na extremidade do seu cabo-pendente enrolado nas franças de um carvalho. Durante um quarto de hora fomos sacudidos como um cesto de legumes e só nos libertamos aliviando um pouco de lastro. O balão deu então um pulo terrível e foi como uma bala furar as nuvens. Estávamos ameaçados de atingir alturas que depois nos podiam ser perigosas para a descida, dada a pequena provisão de lastro de que já dispúnhamos. Era tempo de recorrer a meios mais eficazes: abrir a válvula e deixar fugir gás.
Foi obra de um minuto. O balão retomou a descida e o cabo-pendente tocou de novo o solo. Não nos restava senão dar por encerrada aí a excursão; a areia estava quase esgotada.
(...) Atiramos a âncora, ao mesmo tempo que abríamos completamente a válvula para dar escapamento ao gás.
A dupla manobra colocou-nos em terra sem menor abalo. Saltamos e assistimos ao balão murchar. Alongado no chão, ele esvaziava-se do restante do seu conteúdo em estremecimentos convulsivos, como um grande pássaro batendo as asas ao morrer.
(...) Às seis e meia estávamos novamente em Paris. Havíamos efetuado um percurso de cem quilômetros e passado quase duas horas nos ares.
No dia 23 de março de 1898, Alberto Santos-Dumont voou pela primeira vez em um balão. O vôo custou 400 francos e o brasileiro embarcou em um invento construído pela firma Lachambre e Machuron. Santos-Dumont registrou todas as sensações que a experiência lhe proporcionou em seu livro Meus balões. Dessa obra, publicada pela Biblioteca do Exército Editora, retiramos parte do relato feito pelo inventor para que, a partir das próprias palavras do pai da aviação, você saiba como é voar ao sabor do vento, a bordo de um balão.
Disponível em: https://chc.org.br/wp-content/uploads/2006/09/172otimizado.pdf. Acesso em 31/05/2023.
Os textos fazem uso constante de recursos que permitem a articulação entre suas partes.
Quanto à construção do texto, o elemento que possui referente incorreto é:
Questão 13 15438023
CBNB 1 ano Ensino Médio 2024TEXTO
Minha primeira ascensão
Alberto Santos-Dumont
Guardo uma recordação indelével das deliciosas sensações de minha primeira tentativa aérea.
Cheguei cedo ao parque de aerostação de Vaugirard, a fim de não perder nenhum dos preparativos. O balão, de uma capacidade de setecentos e cinqüenta metros cúbicos, jazia estendido sobre a grama. A uma ordem do Sr. Lachambre, os operários começaram a enchê-lo de gás. E em pouco a massa informe começou a se transformar numa vasta esfera.
Às 11 horas, os preparativos estavam terminados. Uma brisa fresca acariciava a barquinha, que se balançava suavemente sob o balão. A um dos cantos dela, com um saco de lastro na mão, eu aguardava com impaciência o momento da partida. Do outro, o Sr. Machuron gritou:
– Larguem tudo!
No mesmo instante, o vento deixou de soprar. Era como se o ar em volta de nós se tivesse imobilizado. É que havíamos partido, e a corrente que atravessávamos nos comunicava sua própria velocidade. Eis o primeiro grande fato que se observa quando se sobe num balão esférico.
Esse movimento imperceptível de marcha possui um sabor infinitamente agradável. A ilusão é absoluta. Acreditar-se-ia, não que é o balão que se move, mas que é a Terra que foge dele e se abaixa.
No fundo do abismo que se cavava sob nós, a mil e quinhentos metros, a Terra, em lugar de parecer redonda como uma bola, apresentava a forma côncava de uma tigela (...).
Aldeias e bosques, prados e castelos desfilavam como quadros movediços, em cima dos quais os apitos das locomotivas desferiam notas agudas e longínquas. Com os latidos dos cães, eram os únicos sons que chegavam ao alto. A voz humana não vai a essas solidões sem limites. As pessoas apresentavam o aspecto de formigas caminhando sobre linhas brancas, as estradas, as filas de casas assemelhavam-se a brinquedos de crianças.
Meu olhar sentia ainda a fascinação do espetáculo quando uma nuvem passou diante do Sol. A sombra assim produzida provocou um esfriamento do gás do balão, que, murchando, começou a descer, a princípio lentamente, depois com velocidade cada vez maior. Para reagir, deitamos lastro fora. E eis a segunda grande observação a que se é levado com os balões esféricos: alguns quilos de areia bastam para restituir ao indivíduo o domínio da altitude! (...)
O som de um alegre carrilhão chegou aos nossos ouvidos. Os sinos tocavam o Angelus do meio-dia. Havíamos levado uma refeição substancial: ovos duros, vitela e frango frios, queijo, gelo, frutos, doces, champanha, café e licor. Nada mais delicioso do que semelhante repasto acima das nuvens. Que salão de refeições oferecia mais maravilhosa decoração? (...).
Acabava eu de beber um cálice de licor quando uma cortina desceu subitamente sobre esse admirável cenário de Sol, nuvens e céu azul. O barômetro elevou-se rapidamente cinco milímetros, indicando uma brusca ruptura do equilíbrio e uma descida precipitada. O balão devia ter-se sobrecarregado de muitos quilos de neve; caía com uma nuvem. (...)
Após alguns minutos de uma queda que amortecemos soltando lastro, vimo-nos abaixo das nuvens, a uma distância de cerca de trezentos metros do solo. Uma aldeia fugia debaixo de nós. Localizamos o ponto e comparamos nossa carta com a imensa carta natural que a vista lobrigava. Foi-nos fácil identificar as estradas, os caminhos de ferro, as aldeias, os bosques. Tudo isso avançava para o horizonte com a própria rapidez do vento.
A nuvem que provocara a nossa descida era prenúncio de uma mudança de tempo. Pequenas rajadas começavam a impelir o balão da direita para a esquerda e de cima para baixo. De espaço a espaço, o cabopendente – uma grande corda de uns cem metros de comprido, que flutuava fora da barquinha – tocava no chão. A barquinha não tardou, por sua vez, a roçar as copas das árvores. (...)
Mais de cinqüenta metros do cabo arrastavam-se já pelo chão. Não era preciso tanto para nos mantermos em equilíbrio a uma altitude inferior a cem metros, pois havíamos decidido não exceder disso até o fim da viagem. (...)
Quando franqueávamos um pequeno maciço de árvores, um balanço mais forte do que os outros atirou-me para trás, na barquinha. Imobilizado de súbito, o balão estremecia açoitado pelas lufadas de vento, na extremidade do seu cabo-pendente enrolado nas franças de um carvalho. Durante um quarto de hora fomos sacudidos como um cesto de legumes e só nos libertamos aliviando um pouco de lastro. O balão deu então um pulo terrível e foi como uma bala furar as nuvens. Estávamos ameaçados de atingir alturas que depois nos podiam ser perigosas para a descida, dada a pequena provisão de lastro de que já dispúnhamos. Era tempo de recorrer a meios mais eficazes: abrir a válvula e deixar fugir gás.
Foi obra de um minuto. O balão retomou a descida e o cabo-pendente tocou de novo o solo. Não nos restava senão dar por encerrada aí a excursão; a areia estava quase esgotada.
(...) Atiramos a âncora, ao mesmo tempo que abríamos completamente a válvula para dar escapamento ao gás.
A dupla manobra colocou-nos em terra sem menor abalo. Saltamos e assistimos ao balão murchar. Alongado no chão, ele esvaziava-se do restante do seu conteúdo em estremecimentos convulsivos, como um grande pássaro batendo as asas ao morrer.
(...) Às seis e meia estávamos novamente em Paris. Havíamos efetuado um percurso de cem quilômetros e passado quase duas horas nos ares.
No dia 23 de março de 1898, Alberto Santos-Dumont voou pela primeira vez em um balão. O vôo custou 400 francos e o brasileiro embarcou em um invento construído pela firma Lachambre e Machuron. Santos-Dumont registrou todas as sensações que a experiência lhe proporcionou em seu livro Meus balões. Dessa obra, publicada pela Biblioteca do Exército Editora, retiramos parte do relato feito pelo inventor para que, a partir das próprias palavras do pai da aviação, você saiba como é voar ao sabor do vento, a bordo de um balão.
Disponível em: https://chc.org.br/wp-content/uploads/2006/09/172otimizado.pdf. Acesso em 31/05/2023.
A partir de janeiro de 2016, passou a vigorar o Novo Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa. Dessa forma, algumas palavras sofreram mudanças com relação à ortografia.
ASSINALE a opção em que o vocábulo destacado está grafado conforme as regras da nova ortografia da Língua Portuguesa:
Questão 12 15438016
CBNB 1 ano Ensino Médio 2024TEXTO
Minha primeira ascensão
Alberto Santos-Dumont
Guardo uma recordação indelével das deliciosas sensações de minha primeira tentativa aérea.
Cheguei cedo ao parque de aerostação de Vaugirard, a fim de não perder nenhum dos preparativos. O balão, de uma capacidade de setecentos e cinqüenta metros cúbicos, jazia estendido sobre a grama. A uma ordem do Sr. Lachambre, os operários começaram a enchê-lo de gás. E em pouco a massa informe começou a se transformar numa vasta esfera.
Às 11 horas, os preparativos estavam terminados. Uma brisa fresca acariciava a barquinha, que se balançava suavemente sob o balão. A um dos cantos dela, com um saco de lastro na mão, eu aguardava com impaciência o momento da partida. Do outro, o Sr. Machuron gritou:
– Larguem tudo!
No mesmo instante, o vento deixou de soprar. Era como se o ar em volta de nós se tivesse imobilizado. É que havíamos partido, e a corrente que atravessávamos nos comunicava sua própria velocidade. Eis o primeiro grande fato que se observa quando se sobe num balão esférico.
Esse movimento imperceptível de marcha possui um sabor infinitamente agradável. A ilusão é absoluta. Acreditar-se-ia, não que é o balão que se move, mas que é a Terra que foge dele e se abaixa.
No fundo do abismo que se cavava sob nós, a mil e quinhentos metros, a Terra, em lugar de parecer redonda como uma bola, apresentava a forma côncava de uma tigela (...).
Aldeias e bosques, prados e castelos desfilavam como quadros movediços, em cima dos quais os apitos das locomotivas desferiam notas agudas e longínquas. Com os latidos dos cães, eram os únicos sons que chegavam ao alto. A voz humana não vai a essas solidões sem limites. As pessoas apresentavam o aspecto de formigas caminhando sobre linhas brancas, as estradas, as filas de casas assemelhavam-se a brinquedos de crianças.
Meu olhar sentia ainda a fascinação do espetáculo quando uma nuvem passou diante do Sol. A sombra assim produzida provocou um esfriamento do gás do balão, que, murchando, começou a descer, a princípio lentamente, depois com velocidade cada vez maior. Para reagir, deitamos lastro fora. E eis a segunda grande observação a que se é levado com os balões esféricos: alguns quilos de areia bastam para restituir ao indivíduo o domínio da altitude! (...)
O som de um alegre carrilhão chegou aos nossos ouvidos. Os sinos tocavam o Angelus do meio-dia. Havíamos levado uma refeição substancial: ovos duros, vitela e frango frios, queijo, gelo, frutos, doces, champanha, café e licor. Nada mais delicioso do que semelhante repasto acima das nuvens. Que salão de refeições oferecia mais maravilhosa decoração? (...).
Acabava eu de beber um cálice de licor quando uma cortina desceu subitamente sobre esse admirável cenário de Sol, nuvens e céu azul. O barômetro elevou-se rapidamente cinco milímetros, indicando uma brusca ruptura do equilíbrio e uma descida precipitada. O balão devia ter-se sobrecarregado de muitos quilos de neve; caía com uma nuvem. (...)
Após alguns minutos de uma queda que amortecemos soltando lastro, vimo-nos abaixo das nuvens, a uma distância de cerca de trezentos metros do solo. Uma aldeia fugia debaixo de nós. Localizamos o ponto e comparamos nossa carta com a imensa carta natural que a vista lobrigava. Foi-nos fácil identificar as estradas, os caminhos de ferro, as aldeias, os bosques. Tudo isso avançava para o horizonte com a própria rapidez do vento.
A nuvem que provocara a nossa descida era prenúncio de uma mudança de tempo. Pequenas rajadas começavam a impelir o balão da direita para a esquerda e de cima para baixo. De espaço a espaço, o cabopendente – uma grande corda de uns cem metros de comprido, que flutuava fora da barquinha – tocava no chão. A barquinha não tardou, por sua vez, a roçar as copas das árvores. (...)
Mais de cinqüenta metros do cabo arrastavam-se já pelo chão. Não era preciso tanto para nos mantermos em equilíbrio a uma altitude inferior a cem metros, pois havíamos decidido não exceder disso até o fim da viagem. (...)
Quando franqueávamos um pequeno maciço de árvores, um balanço mais forte do que os outros atirou-me para trás, na barquinha. Imobilizado de súbito, o balão estremecia açoitado pelas lufadas de vento, na extremidade do seu cabo-pendente enrolado nas franças de um carvalho. Durante um quarto de hora fomos sacudidos como um cesto de legumes e só nos libertamos aliviando um pouco de lastro. O balão deu então um pulo terrível e foi como uma bala furar as nuvens. Estávamos ameaçados de atingir alturas que depois nos podiam ser perigosas para a descida, dada a pequena provisão de lastro de que já dispúnhamos. Era tempo de recorrer a meios mais eficazes: abrir a válvula e deixar fugir gás.
Foi obra de um minuto. O balão retomou a descida e o cabo-pendente tocou de novo o solo. Não nos restava senão dar por encerrada aí a excursão; a areia estava quase esgotada.
(...) Atiramos a âncora, ao mesmo tempo que abríamos completamente a válvula para dar escapamento ao gás.
A dupla manobra colocou-nos em terra sem menor abalo. Saltamos e assistimos ao balão murchar. Alongado no chão, ele esvaziava-se do restante do seu conteúdo em estremecimentos convulsivos, como um grande pássaro batendo as asas ao morrer.
(...) Às seis e meia estávamos novamente em Paris. Havíamos efetuado um percurso de cem quilômetros e passado quase duas horas nos ares.
No dia 23 de março de 1898, Alberto Santos-Dumont voou pela primeira vez em um balão. O vôo custou 400 francos e o brasileiro embarcou em um invento construído pela firma Lachambre e Machuron. Santos-Dumont registrou todas as sensações que a experiência lhe proporcionou em seu livro Meus balões. Dessa obra, publicada pela Biblioteca do Exército Editora, retiramos parte do relato feito pelo inventor para que, a partir das próprias palavras do pai da aviação, você saiba como é voar ao sabor do vento, a bordo de um balão.
Disponível em: https://chc.org.br/wp-content/uploads/2006/09/172otimizado.pdf. Acesso em 31/05/2023.
Segundo o texto, no trecho “O balão deu então um pulo terrível (...)” observa-se a figura de linguagem:
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