Questões de EFAF Português - Leitura e Interpretação de Texto
7.497 Questões
Questão 1 10998315
IFF Integrados 2016TEXTO
Pobre é ladrão?
Ferreira Gullar
Logo após o fim de semana, quando a zona sul do Rio foi tomada pelos arrastões, assisti a um
programa de televisão em que se debatia o assunto. De fato, foram dois dias – um sábado e um
domingo – que deixaram as pessoas apavoradas, sem falar daquelas que sofreram diretamente a
ação dos pivetes.
[5] Eles agiram em grupos de dez, quinze assaltantes que, nas praias, tomavam dos banhistas
celulares, bolsas, cordões de ouro, relógios, enfim, tudo o que pudessem levar.
Em meio a tanta gente, corriam e sumiam, sem que nem mesmo os policiais conseguissem
pegá-los. Alguns foram presos, mas, como disse um delegado, logo seriam soltos para voltar a
assaltar. É que são menores.
[10] Pois bem, durante o debate, a opinião dos participantes era de que a razão dessa crescente ação
dos pivetes está na maneira como agem as autoridades, usando apenas a repressão policial,
quando o problema é social. Ou seja, de nada adianta reprimir a ação dos pivetes, uma vez que a
causa está na desigualdade: esses assaltantes são jovens de classe baixa, filhos de famílias
pobres, que muitas vezes não têm nem mesmo o que comer.
[15] Isso, sem dúvida alguma, é verdade. Mas, partindo dessa constatação, o que fazer para evitar que
eles continuem a assaltar? Na opinião dos debatedores, naquele programa, o governo deveria
oferecer a esses jovens atendimento capaz de reintegrá-los à vida social. Noutras palavras, é a
desigualdade social que os leva a roubar.
Vamos examinar essa tese. Quantos menores pobres existem na cidade do Rio de Janeiro? Não
[20] sei ao certo, mas acredito que cheguem a muitos milhares, a centenas de milhares. Se aqueles
jovens assaltam por serem pobres, por que não há muitos milhares de assaltantes em vez de
algumas dezenas? Os que agiram naquele fim de semana não chegavam a cem.
Diante disso, concluo que não é apenas por ser pobre que o cara se torna assaltante. Ou vamos
admitir que basta ser pobre para ser bandido? Seria uma ignomínia contra os pobres que, pelo
[25] contrário, em sua absoluta maioria trabalham para ganhar o pão de cada dia. Na verdade, a
maioria dos que pegam no pesado são os pobres. E o pessoal do Petrolão, rouba por quê? Por
não ter o que comer certamente não é. Será por vocação?
Citei, certa vez, numa de minhas crônicas, o que disse uma senhora favelada: "Tenho cinco filhos,
duas meninas e três meninos. Quatro deles estão estudando. Só um deles não quis estudar e
[30] virou assaltante". Vejam bem; todos eles foram criados na mesma casa, na mesma favela, pela
mesma mãe, enfrentando as mesmas dificuldades. Por que só um deles optou pelo crime?
Semana passada, um desses garotos declarou que rouba por prazer e não estuda porque não
quer.
A desigualdade social existe e, no Brasil, chega a um nível vergonhoso. E há desigualdade, maior
[35] ou menor, em todos os países, até naqueles de alto desenvolvimento econômico, como os
Estados Unidos. Deve-se observar também que, durante séculos, a humanidade enfrenta esse
problema e luta para livrar-se dele. Admito que talvez nunca cheguemos à sociedade justa, mas
ela pode ser menos injusta, sem dúvida alguma. Só que isso vai demorar - e muito.
[40] Voltemos, então, à tese daquele pessoal do tal programa. Se é verdade que os pivetes assaltam
porque nasceram numa sociedade desigual, significa que, enquanto a desigualdade se mantiver,
haverá assaltantes, os quais não devem ser punidos, pois são vítimas da sociedade desigual.
Puni-los seria cometer uma dupla injustiça, certo? No fundo, é mais ou menos essa visão do
problema que levou à benevolência das leis brasileiras contra os criminosos, tenham a idade que
[45] tiver.
Mas como fica a mocinha inglesa que teve sua bolsa levada pelos pivetes com todo o seu dinheiro
e todos os seus documentos? Chorando, ela prometeu nunca mais voltar ao Brasil. Como fica o
assassinato daquele senhor, morto pelo pivete que queria roubar sua bicicleta?
Se a causa dos crimes é a desigualdade social, e ela vai custar muito a ser superada, vamos ter
[50] de viver o resto da vida trancados em casa ou andar apavorados pelas ruas da cidade. Será que
está certo?
http://www1.folha.uol.com.br/colunas/ferreiragullar/2015/10/1689620-pobre-e-ladrao.shtml Acesso em: 16 out 2015.
Conforme se sabe, qualquer texto responde a uma pergunta que, nem sempre, é tão explicitamente clara. No texto, a pergunta está no título.
Em qual das alternativas abaixo está uma possível resposta a ela?
Questão 20 10783252
Liceu-SP C. Gerais 2016Leia o texto para responder à questão.
Do Carmo
Encontro na praia um velho amigo. Há anos que a vida nos jogou para lados diferentes, em profissões diversas; e nesses muitos anos apenas nos vimos ligeiramente uma vez ou outra. Mas aqui estamos de tanga, em pleno sol, e cada um de nós tem prazer em constatar que não envelheceu sozinho.
Lembramos os amigos de quinze a vinte anos atrás. Um enlouqueceu, outro morreu de beber, outro se matou, outro ficou religioso e muito rico, há outros que a gente encontra às vezes numa porta de cinema ou numa esquina de rua.
E Do Carmo?
Respondo que há uns dez anos atrás, quando andava pelo Sul, tive notícias de que ela estava na mesma cidade; mas não a vi. Nenhum de nós sabe que fim levou essa Maria do Carmo. E sua evocação nos comove, e quase nos surpreende, como se, de súbito, ela estivesse presente na praia e estirasse seu corpo lindo entre nós dois, na areia. Falamos de sua beleza; nenhum de nós sabe que história pessoal o outro poderia contar sobre Do Carmo, mas resistimos sem esforço à tentação de fazer perguntas; não importa o que tenha havido; afinal foi com outro homem, nem eu, nem ele, que Do Carmo partiu para seu destino; e a verdade é que deixou nele e em mim a mesma lembrança misturada de adoração e de encanto.
Não teria sentido encontrá-la hoje; dentro de nós ela permanece como um encantamento, em seu instante de beleza. Maria do Carmo “é uma alegria para sempre”, e sua lembrança nos faz mais amigos.
(Rubem Braga, 200 crônicas escolhidas. Adaptado)
Assinale a alternativa em que a reescrita do trecho altera o sentido original do texto.
Questão 19 10783251
Liceu-SP C. Gerais 2016Leia o texto para responder à questão.
Do Carmo
Encontro na praia um velho amigo. Há anos que a vida nos jogou para lados diferentes, em profissões diversas; e nesses muitos anos apenas nos vimos ligeiramente uma vez ou outra. Mas aqui estamos de tanga, em pleno sol, e cada um de nós tem prazer em constatar que não envelheceu sozinho.
Lembramos os amigos de quinze a vinte anos atrás. Um enlouqueceu, outro morreu de beber, outro se matou, outro ficou religioso e muito rico, há outros que a gente encontra às vezes numa porta de cinema ou numa esquina de rua.
E Do Carmo?
Respondo que há uns dez anos atrás, quando andava pelo Sul, tive notícias de que ela estava na mesma cidade; mas não a vi. Nenhum de nós sabe que fim levou essa Maria do Carmo. E sua evocação nos comove, e quase nos surpreende, como se, de súbito, ela estivesse presente na praia e estirasse seu corpo lindo entre nós dois, na areia. Falamos de sua beleza; nenhum de nós sabe que história pessoal o outro poderia contar sobre Do Carmo, mas resistimos sem esforço à tentação de fazer perguntas; não importa o que tenha havido; afinal foi com outro homem, nem eu, nem ele, que Do Carmo partiu para seu destino; e a verdade é que deixou nele e em mim a mesma lembrança misturada de adoração e de encanto.
Não teria sentido encontrá-la hoje; dentro de nós ela permanece como um encantamento, em seu instante de beleza. Maria do Carmo “é uma alegria para sempre”, e sua lembrança nos faz mais amigos.
(Rubem Braga, 200 crônicas escolhidas. Adaptado)
Leia os trechos:
– Mas aqui estamos de tanga... (1º parágrafo);
– ... outro morreu de beber... (2º parágrafo).
A preposição “de” está empregada, respectivamente,
Questão 18 10783250
Liceu-SP C. Gerais 2016Leia o texto para responder à questão.
Do Carmo
Encontro na praia um velho amigo. Há anos que a vida nos jogou para lados diferentes, em profissões diversas; e nesses muitos anos apenas nos vimos ligeiramente uma vez ou outra. Mas aqui estamos de tanga, em pleno sol, e cada um de nós tem prazer em constatar que não envelheceu sozinho.
Lembramos os amigos de quinze a vinte anos atrás. Um enlouqueceu, outro morreu de beber, outro se matou, outro ficou religioso e muito rico, há outros que a gente encontra às vezes numa porta de cinema ou numa esquina de rua.
E Do Carmo?
Respondo que há uns dez anos atrás, quando andava pelo Sul, tive notícias de que ela estava na mesma cidade; mas não a vi. Nenhum de nós sabe que fim levou essa Maria do Carmo. E sua evocação nos comove, e quase nos surpreende, como se, de súbito, ela estivesse presente na praia e estirasse seu corpo lindo entre nós dois, na areia. Falamos de sua beleza; nenhum de nós sabe que história pessoal o outro poderia contar sobre Do Carmo, mas resistimos sem esforço à tentação de fazer perguntas; não importa o que tenha havido; afinal foi com outro homem, nem eu, nem ele, que Do Carmo partiu para seu destino; e a verdade é que deixou nele e em mim a mesma lembrança misturada de adoração e de encanto.
Não teria sentido encontrá-la hoje; dentro de nós ela permanece como um encantamento, em seu instante de beleza. Maria do Carmo “é uma alegria para sempre”, e sua lembrança nos faz mais amigos.
(Rubem Braga, 200 crônicas escolhidas. Adaptado)
Observe as passagens:
– ... cada um de nós tem prazer em constatar...
(1º parágrafo);
– ... como se, de súbito...
(4º parágrafo).
As expressões em destaque nas passagens podem ser substituídas, sem prejuízo de sentido ao texto, respectivamente, por:
Questão 17 10783248
Liceu-SP C. Gerais 2016Leia o texto para responder à questão.
Do Carmo
Encontro na praia um velho amigo. Há anos que a vida nos jogou para lados diferentes, em profissões diversas; e nesses muitos anos apenas nos vimos ligeiramente uma vez ou outra. Mas aqui estamos de tanga, em pleno sol, e cada um de nós tem prazer em constatar que não envelheceu sozinho.
Lembramos os amigos de quinze a vinte anos atrás. Um enlouqueceu, outro morreu de beber, outro se matou, outro ficou religioso e muito rico, há outros que a gente encontra às vezes numa porta de cinema ou numa esquina de rua.
E Do Carmo?
Respondo que há uns dez anos atrás, quando andava pelo Sul, tive notícias de que ela estava na mesma cidade; mas não a vi. Nenhum de nós sabe que fim levou essa Maria do Carmo. E sua evocação nos comove, e quase nos surpreende, como se, de súbito, ela estivesse presente na praia e estirasse seu corpo lindo entre nós dois, na areia. Falamos de sua beleza; nenhum de nós sabe que história pessoal o outro poderia contar sobre Do Carmo, mas resistimos sem esforço à tentação de fazer perguntas; não importa o que tenha havido; afinal foi com outro homem, nem eu, nem ele, que Do Carmo partiu para seu destino; e a verdade é que deixou nele e em mim a mesma lembrança misturada de adoração e de encanto.
Não teria sentido encontrá-la hoje; dentro de nós ela permanece como um encantamento, em seu instante de beleza. Maria do Carmo “é uma alegria para sempre”, e sua lembrança nos faz mais amigos.
(Rubem Braga, 200 crônicas escolhidas. Adaptado)
O texto refere-se a dois amigos que se reencontram e
Questão 16 10783247
Liceu-SP C. Gerais 2016Leia o texto para responder à questão.
O trabalho do grupo do virologista Paolo Zanotto, do Instituto de Ciências Biomédicas da Universidade de São Paulo, vem apontando caminhos para o combate dengue e sublinhando o risco crescente das epidemias. Um motivo de alerta é a presença dos quatro sorotipos do vírus que eles observaram em Guarujá, em 2012-2013. Em Jundiaí, cidade muito próxima à Região Metropolitana de São Paulo, os pesquisadores encontraram apenas os sorotipos 1 e 4, mas isso não chega ser um alívio. Em conjunto, os dois municípios já revelaram que a capital paulista está sujeita múltiplos vírus, criando uma situação conhecida como hiperendemicidade, que aumenta o risco de uma pessoa ser infectada várias vezes, com maior risco de casos do tipo hemorrágico.
(Pesquisa Fapesp, junho de 2015. Adaptado)
As regras que regem a acentuação das palavras Jundiaí e hemorrágico também justificam, respectivamente, o uso de acento em
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