Questões de EFAF Português
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Questão 4 10682220
CMM 6º Ano - Português 2020ESTRANHAS GENTILEZAS
Ivan Ângelo
Estão acontecendo coisas estranhas. Sabe-se que as pessoas nas grandes cidades não têm o hábito da gentileza. Não é por ruindade, é falta de tempo. Gastam a paciência nos ônibus, no trânsito, nas filas, nos mercados, nas salas de espera, nos embates familiares, e depois economizam com a gente.
Comigo, dá-se o contrário, é o que estou notando de uns dias pra cá. Tratam-me com inquietante delicadeza. Já captava aqui e ali sinais suspeitos, imprecisos, ventinho de asas de borboleta, quase nada. A impressão de que há algo estranho tomou corpo mesmo foi na semana passada. Um vizinho que já fora meu amigo telefonou-me desfazendo o engano que nos afastava, intriga de pessoa que nem conheço e que afinal resolvera esclarecer tudo. Difícil reconstruir a amizade, mas a inimizade morria ali.
Como disse, eu vinha desconfiando tenuemente de algumas amabilidades. O episódio do vizinho fez surgir em meu espírito a hipótese de uma trama, que já mobilizava até pessoas distantes. E as próximas?
Tenho reparado. As próximas telefonam amáveis, sem motivo. Durante o telefonema fico aguardando o assunto que estaria embrulhado nos enfeites da conversa, e ele não sai. Um número inesperado de pessoas me cumprimenta na rua, com acenos de cabeça. Mulheres, antes esquivas, sorriem transitáveis nas ruas dos Jardins. Num restaurante caro o maître, com uma piscadela, fura a demorada fila de executivos à espera e me arruma rapidinho uma mesa para dois. Um homem de pasta que parecia impaciente à minha frente me cede o último lugar no elevador. O jornaleiro larga sua banca na avenida Sumaré e vem ao prédio avisar-me de que o jornal chegou. Os vizinhos de cima silenciam após as dez da noite.
Caminhões baixam a luz dos faróis quando cruzam comigo na estrada. Motoristas, mesmo mulheres, cedem-me a preferência nas esquinas. Vendedores de bugigangas nos faróis de trânsito passam direto pelo meu carro, sem me olhar. Até crianças cumprimentam-me cúmplices: oi, tio.
Que está acontecendo? Quem e por que está querendo me convencer de que as pessoas são um doce? Penso: não são gentilezas, são homenagens aos meus cabelos brancos, por eu ter aguentado tanto, como se fosse um atleta de maratona, daqueles retardatários que são mais aplaudidos na chegada do que os vencedores.
A última manobra: botaram um pintassilgo a cantar para mim na árvore em frente à janela do meu apartamento de segundo andar.
Que significa isto? Que querem comigo? Que complô é este? Que vão pedir em troca de tanta gentileza? Aguardo, meio apreensivo, meio feliz.
Interrompo a crônica nesse ponto, saio para ir ao banco, desço pelas escadas porque alguém segura o elevador lá em cima, o segurança do banco faz-me esvaziar os bolsos antes de entrar pela porta giratória, enfrento a fila do caixa, não aceitam meus cheques para pagar contas em nome de minha mulher, saio malhumorado do banco, atravesso a avenida arriscando a vida entre bólidos, um caminhão joga-me a água suja de uma poça, o elevador continua preso lá em cima, subo a pé, entro no apartamento, sento-me ao computador e ponho-me de novo a sonhar com gentilezas.
Fonte: ÂNGELO, Ivan. O comprador de aventuras. São Paulo: Ática, 2000.
Glossário
Embates: choque, encontro forte de opiniões
Imprecisos: que não se podem precisar, vago, sem clareza
Tenuemente: suavemente
Mobilizava: mexia
Esquivas: afastadas
Transitáveis: agradáveis
Jardins: bairro elegante de São Paulo
Maître: funcionário responsável por agendamentos e reservas nos restaurantes
Retardatários: atrasados
Pintassilgo: espécie de passarinho
Complô: trama, armação
Apreensivo: preocupado Bólidos: carros velozes
Observe a expressão “ventinho de asas de borboleta” (2º parágrafo), utilizada no texto.
A expressão foi usada para:
Questão 3 10682219
CMM 6º Ano - Português 2020ESTRANHAS GENTILEZAS
Ivan Ângelo
Estão acontecendo coisas estranhas. Sabe-se que as pessoas nas grandes cidades não têm o hábito da gentileza. Não é por ruindade, é falta de tempo. Gastam a paciência nos ônibus, no trânsito, nas filas, nos mercados, nas salas de espera, nos embates familiares, e depois economizam com a gente.
Comigo, dá-se o contrário, é o que estou notando de uns dias pra cá. Tratam-me com inquietante delicadeza. Já captava aqui e ali sinais suspeitos, imprecisos, ventinho de asas de borboleta, quase nada. A impressão de que há algo estranho tomou corpo mesmo foi na semana passada. Um vizinho que já fora meu amigo telefonou-me desfazendo o engano que nos afastava, intriga de pessoa que nem conheço e que afinal resolvera esclarecer tudo. Difícil reconstruir a amizade, mas a inimizade morria ali.
Como disse, eu vinha desconfiando tenuemente de algumas amabilidades. O episódio do vizinho fez surgir em meu espírito a hipótese de uma trama, que já mobilizava até pessoas distantes. E as próximas?
Tenho reparado. As próximas telefonam amáveis, sem motivo. Durante o telefonema fico aguardando o assunto que estaria embrulhado nos enfeites da conversa, e ele não sai. Um número inesperado de pessoas me cumprimenta na rua, com acenos de cabeça. Mulheres, antes esquivas, sorriem transitáveis nas ruas dos Jardins. Num restaurante caro o maître, com uma piscadela, fura a demorada fila de executivos à espera e me arruma rapidinho uma mesa para dois. Um homem de pasta que parecia impaciente à minha frente me cede o último lugar no elevador. O jornaleiro larga sua banca na avenida Sumaré e vem ao prédio avisar-me de que o jornal chegou. Os vizinhos de cima silenciam após as dez da noite.
Caminhões baixam a luz dos faróis quando cruzam comigo na estrada. Motoristas, mesmo mulheres, cedem-me a preferência nas esquinas. Vendedores de bugigangas nos faróis de trânsito passam direto pelo meu carro, sem me olhar. Até crianças cumprimentam-me cúmplices: oi, tio.
Que está acontecendo? Quem e por que está querendo me convencer de que as pessoas são um doce? Penso: não são gentilezas, são homenagens aos meus cabelos brancos, por eu ter aguentado tanto, como se fosse um atleta de maratona, daqueles retardatários que são mais aplaudidos na chegada do que os vencedores.
A última manobra: botaram um pintassilgo a cantar para mim na árvore em frente à janela do meu apartamento de segundo andar.
Que significa isto? Que querem comigo? Que complô é este? Que vão pedir em troca de tanta gentileza? Aguardo, meio apreensivo, meio feliz.
Interrompo a crônica nesse ponto, saio para ir ao banco, desço pelas escadas porque alguém segura o elevador lá em cima, o segurança do banco faz-me esvaziar os bolsos antes de entrar pela porta giratória, enfrento a fila do caixa, não aceitam meus cheques para pagar contas em nome de minha mulher, saio malhumorado do banco, atravesso a avenida arriscando a vida entre bólidos, um caminhão joga-me a água suja de uma poça, o elevador continua preso lá em cima, subo a pé, entro no apartamento, sento-me ao computador e ponho-me de novo a sonhar com gentilezas.
Fonte: ÂNGELO, Ivan. O comprador de aventuras. São Paulo: Ática, 2000.
Glossário
Embates: choque, encontro forte de opiniões
Imprecisos: que não se podem precisar, vago, sem clareza
Tenuemente: suavemente
Mobilizava: mexia
Esquivas: afastadas
Transitáveis: agradáveis
Jardins: bairro elegante de São Paulo
Maître: funcionário responsável por agendamentos e reservas nos restaurantes
Retardatários: atrasados
Pintassilgo: espécie de passarinho
Complô: trama, armação
Apreensivo: preocupado Bólidos: carros velozes
De acordo com as informações e características do texto, marque a alternativa correta:
Questão 2 10652428
IFCE* 6º Ano 2020/1Texto:
GALILEU
CULTURA
Quem foi Carolina Maria de Jesus, que completaria 105 anos em março
Ela foi uma das primeiras escritoras negras do Brasil e é considerada uma das mais relevantes para a literatura nacional
• MARILIA MARASCIULO
29 MAR 2019 - 15H06 | ATUALIZADO EM 29 MAR 2019 - 15H06
Negra, catadora de papel e favelada, Carolina Maria de Jesus foi
uma autora improvável. Nasceu em 14 de março de 1914 em
Sacramento, Minas Gerais, em uma comunidade rural, filha de pais
analfabetos. Foi maltratada durante a infância, mas aos sete anos
[5] frequentou a escola — em pouco tempo, aprendeu a ler e escrever e
desenvolveu o gosto pela leitura.
Em 1937, após a morte da mãe, ela mudou para São Paulo. Aos 33
anos, desempregada e grávida, mudou-se para a favela do Canindé, na
zona norte da capital paulista. Trabalhava como catadora de papel e, nas
[10] horas vagas, registrava o cotidiano da favela em cadernos que encontrava
no material que recolhia.
Um destes diários deu origem a seu primeiro livro, Quarto de
Despejo - Diário de uma Favelada, publicado em 1960. A obra virou best-
seller, foi vendida em 40 países e traduzida para 16 idiomas.
(...)
Texto adaptado, disponível em: https://revistagalileu.globo.com/Cultura/noticia/2019/03/quem-foicarolina-maria-de-jesus-que-completaria-105-anos-em-marco.html, acesso em 22 de outubro de 2019.
A palavra grifada no trecho “... Carolina Maria de Jesus foi uma autora improvável” (linha 2) equivale à
Questão 20 10616245
Colégio Embraer 2020Mesmo que você não seja um profissional da área da saúde ou não tenha os sintomas da COVID-19, deve usar máscara. A recomendação é do Ministério da Saúde e serve como uma importante ferramenta de proteção e ..... . Todos devem usá-la ao sair de casa, sem ...... . Além de minimizar a proliferação do novo coronavírus, principalmente pelos pacientes ....... , você se ...... da doença.
(http://www.jornalmetas.com.br. Adaptado)
Em conformidade com a norma-padrão, as lacunas do texto devem ser preenchidas, respectivamente, com:
Questão 13 10616140
Colégio Embraer 2020Leia o texto para responder à questão
Dois anos depois do nascimento de Artur, o Rei Uther Pendragon adoeceu gravemente e teve de ficar acamado por muito tempo. Os inimigos aproveitaram a ocasião para invadir suas terras, matando muitos de seus homens e causando grandes tumultos.
– Senhor – aconselhou Merlin –, sem o vosso comando, nossos exércitos não serão vitoriosos. Mesmo que seja numa liteira levada por cavalos, Vossa Majestade deve ir ao campo de batalha.
O conselho foi seguido, e o rei foi transportado ao local onde estavam suas tropas para combater os inimigos. Sua simples presença deu novo ânimo aos soldados, que lutaram com muito mais disposição, vencendo os inimigos que ameaçavam o norte do país.
Uther voltou a Londres; a cidade rejubilava-se com a vitória obtida. Mas o esforço tinha sido grande demais para quem estava tão doente; durante três dias e três noites, ele não conseguiu nem mesmo falar.
Preocupados, os nobres se reuniram e consultaram Merlin.
– Não há nada a fazer, a não ser deixar que se cumpra a vontade de Deus – disse o sábio. – Mas já que estamos todos reunidos, podemos perguntar ao nosso soberano sobre o futuro do reino.
E, na presença de todos os nobres, Uther Pendragon declarou bem alto, para que todos ouvissem:
– Que Deus abençoe meu filho Artur como eu o abençoo, para que ele possa rezar por minha alma e herdar minha coroa. Dele será o reino da Inglaterra, e quando for chegada a hora vós sabereis reconhecer o verdadeiro descendente de Uther Pendragon, único herdeiro de toda a Inglaterra. Depois de dizer isso, entregou sua alma a Deus.
(Thomas Malory, Os cavaleiros da Távola Redonda [Tradução de Ana Maria Machado], 1991)
Assinale a alternativa em que o adjetivo está flexionado em conformidade com a norma- padrão.
Questão 12 10616127
Colégio Embraer 2020Leia o texto para responder à questão
Dois anos depois do nascimento de Artur, o Rei Uther Pendragon adoeceu gravemente e teve de ficar acamado por muito tempo. Os inimigos aproveitaram a ocasião para invadir suas terras, matando muitos de seus homens e causando grandes tumultos.
– Senhor – aconselhou Merlin –, sem o vosso comando, nossos exércitos não serão vitoriosos. Mesmo que seja numa liteira levada por cavalos, Vossa Majestade deve ir ao campo de batalha.
O conselho foi seguido, e o rei foi transportado ao local onde estavam suas tropas para combater os inimigos. Sua simples presença deu novo ânimo aos soldados, que lutaram com muito mais disposição, vencendo os inimigos que ameaçavam o norte do país.
Uther voltou a Londres; a cidade rejubilava-se com a vitória obtida. Mas o esforço tinha sido grande demais para quem estava tão doente; durante três dias e três noites, ele não conseguiu nem mesmo falar.
Preocupados, os nobres se reuniram e consultaram Merlin.
– Não há nada a fazer, a não ser deixar que se cumpra a vontade de Deus – disse o sábio. – Mas já que estamos todos reunidos, podemos perguntar ao nosso soberano sobre o futuro do reino.
E, na presença de todos os nobres, Uther Pendragon declarou bem alto, para que todos ouvissem:
– Que Deus abençoe meu filho Artur como eu o abençoo, para que ele possa rezar por minha alma e herdar minha coroa. Dele será o reino da Inglaterra, e quando for chegada a hora vós sabereis reconhecer o verdadeiro descendente de Uther Pendragon, único herdeiro de toda a Inglaterra. Depois de dizer isso, entregou sua alma a Deus.
(Thomas Malory, Os cavaleiros da Távola Redonda [Tradução de Ana Maria Machado], 1991)
Nas passagens “Os inimigos aproveitaram a ocasião para invadir suas terras...” (1º parágrafo) e “... que lutaram com muito mais disposição...” (3º parágrafo), as preposições destacadas expressam, correta e respectivamente, sentido de:
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