Questões de EFAF Português - Leitura e Interpretação de Texto
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Questão 6 10779785
IFMT 2017/2Texto
Tecnologia
Para começar, ele nos olha na cara. Não é como a máquina de escrever, que a gente olha de cima, com su-
perioridade. Com ele é olho no olho ou tela no olho. Ele nos desafia. Parece estar dizendo: vamos lá, seu
desprezível pré-eletrônico, mostre o que você sabe fazer. A máquina de escrever faz tudo que você manda,
mesmo que seja a tapa. Com o computador é diferente. Você faz tudo que ele manda. Ou precisa fazer tu-
[5] do ao modo dele, senão ele não aceita. Simplesmente ignora você. Mas se apenas ignorasse ainda seria
suportável. Ele responde. Repreende. Corrige. Uma tela vazia, muda, nenhuma reação aos nossos coman-
dos digitais, tudo bem. Quer dizer, você se sente como aquele cara que cantou a secretária eletrônica. É
um vexame privado. Mas quando você o manda fazer alguma coisa, mas manda errado, ele diz “Errado”.
Não diz “Burro”, mas está implícito. É pior, muito pior. Às vezes, quando a gente erra, ele faz “bip”. Assim,
[10] para todo mundo ouvir. Comecei a usar o computador na redação do jornal e volta e meia errava. E lá vi-
nha ele: “Bip!” “Olha aqui, pessoal: ele errou.” “O burro errou!”
Outra coisa: ele é mais inteligente que você. Sabe muito mais coisa e não tem nenhum pudor em dizer que
sabe. Esse negócio de que qualquer máquina só é tão inteligente quanto quem a usa não vale com ele. Es-
tá subentendido, nas suas relações com o computador, que você jamais aproveitará metade das coisas
[15] que ele tem para oferecer. Que ele só desenvolverá todo o seu potencial quando outro igual a ele o estiver
programando. A máquina de escrever podia ter recursos que você nunca usaria, mas não tinha a mesma
empáfia, o mesmo ar de quem só aguentava os humanos por falta de coisa melhor, no momento. E a má-
quina, mesmo nos seus instantes de maior impaciência conosco, jamais faria “bip” em público.
Dito isto, é preciso dizer também que quem provou pela primeira vez suas letrinhas dificilmente voltará à
[20] máquina de escrever sem a sensação de que está desembarcando de uma Mercedes e voltando à carroça.
Está certo, jamais teremos com ele a mesma confortável cumplicidade que tínhamos com a velha máquina.
É outro tipo de relacionamento, mais formal e exigente. Mas é fascinante. Agora compreendo o entusias-
mo de gente como Millôr Fernandes e Fernando Sabino, que dividem a sua vida profissional em antes dele
e depois dele. Sinto falta do papel e da fiel Bic, sempre pronta a inserir entre uma linha e outra a palavra
[25] que faltou na hora, e que nele foi substituída por um botão, que, além de mais rápido, jamais nos sujará os
dedos, mas acho que estou sucumbindo. Sei que nunca seremos íntimos, mesmo porque ele não ia querer
se rebaixar a ser meu amigo, mas retiro tudo o que pensei sobre ele. Claro que você pode concluir que eu
só estou querendo agradá-lo, precavidamente, mas juro que é sincero.
Quando saí da redação do jornal depois de usar o computador pela primeira vez, cheguei em casa e bati
[30] na minha máquina. Sabendo que ela aguentaria sem reclamar, como sempre, a pobrezinha.
(VERÍSSIMO, Luís Fernando. Pai não entende nada. Porto Alegre: L&PM, 1990, p. 58-60.)
Para formar o plural das palavras sensação e relação, acrescenta-se a terminação ões sensações e relações.
As palavras que NÃO seguem essa regra são:
Questão 4 10779783
IFMT 2017/2Texto
Tecnologia
Para começar, ele nos olha na cara. Não é como a máquina de escrever, que a gente olha de cima, com su-
perioridade. Com ele é olho no olho ou tela no olho. Ele nos desafia. Parece estar dizendo: vamos lá, seu
desprezível pré-eletrônico, mostre o que você sabe fazer. A máquina de escrever faz tudo que você manda,
mesmo que seja a tapa. Com o computador é diferente. Você faz tudo que ele manda. Ou precisa fazer tu-
[5] do ao modo dele, senão ele não aceita. Simplesmente ignora você. Mas se apenas ignorasse ainda seria
suportável. Ele responde. Repreende. Corrige. Uma tela vazia, muda, nenhuma reação aos nossos coman-
dos digitais, tudo bem. Quer dizer, você se sente como aquele cara que cantou a secretária eletrônica. É
um vexame privado. Mas quando você o manda fazer alguma coisa, mas manda errado, ele diz “Errado”.
Não diz “Burro”, mas está implícito. É pior, muito pior. Às vezes, quando a gente erra, ele faz “bip”. Assim,
[10] para todo mundo ouvir. Comecei a usar o computador na redação do jornal e volta e meia errava. E lá vi-
nha ele: “Bip!” “Olha aqui, pessoal: ele errou.” “O burro errou!”
Outra coisa: ele é mais inteligente que você. Sabe muito mais coisa e não tem nenhum pudor em dizer que
sabe. Esse negócio de que qualquer máquina só é tão inteligente quanto quem a usa não vale com ele. Es-
tá subentendido, nas suas relações com o computador, que você jamais aproveitará metade das coisas
[15] que ele tem para oferecer. Que ele só desenvolverá todo o seu potencial quando outro igual a ele o estiver
programando. A máquina de escrever podia ter recursos que você nunca usaria, mas não tinha a mesma
empáfia, o mesmo ar de quem só aguentava os humanos por falta de coisa melhor, no momento. E a má-
quina, mesmo nos seus instantes de maior impaciência conosco, jamais faria “bip” em público.
Dito isto, é preciso dizer também que quem provou pela primeira vez suas letrinhas dificilmente voltará à
[20] máquina de escrever sem a sensação de que está desembarcando de uma Mercedes e voltando à carroça.
Está certo, jamais teremos com ele a mesma confortável cumplicidade que tínhamos com a velha máquina.
É outro tipo de relacionamento, mais formal e exigente. Mas é fascinante. Agora compreendo o entusias-
mo de gente como Millôr Fernandes e Fernando Sabino, que dividem a sua vida profissional em antes dele
e depois dele. Sinto falta do papel e da fiel Bic, sempre pronta a inserir entre uma linha e outra a palavra
[25] que faltou na hora, e que nele foi substituída por um botão, que, além de mais rápido, jamais nos sujará os
dedos, mas acho que estou sucumbindo. Sei que nunca seremos íntimos, mesmo porque ele não ia querer
se rebaixar a ser meu amigo, mas retiro tudo o que pensei sobre ele. Claro que você pode concluir que eu
só estou querendo agradá-lo, precavidamente, mas juro que é sincero.
Quando saí da redação do jornal depois de usar o computador pela primeira vez, cheguei em casa e bati
[30] na minha máquina. Sabendo que ela aguentaria sem reclamar, como sempre, a pobrezinha.
(VERÍSSIMO, Luís Fernando. Pai não entende nada. Porto Alegre: L&PM, 1990, p. 58-60.)
Assinale a alternativa em que o verbo está empregado no mesmo tempo e modo que o verbo destacado em “A máquina de escrever faz tudo que você manda, mesmo que seja a tapa”.
Questão 3 10779719
IFMT 2017/2Texto
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Para começar, ele nos olha na cara. Não é como a máquina de escrever, que a gente olha de cima, com su-
perioridade. Com ele é olho no olho ou tela no olho. Ele nos desafia. Parece estar dizendo: vamos lá, seu
desprezível pré-eletrônico, mostre o que você sabe fazer. A máquina de escrever faz tudo que você manda,
mesmo que seja a tapa. Com o computador é diferente. Você faz tudo que ele manda. Ou precisa fazer tu-
[5] do ao modo dele, senão ele não aceita. Simplesmente ignora você. Mas se apenas ignorasse ainda seria
suportável. Ele responde. Repreende. Corrige. Uma tela vazia, muda, nenhuma reação aos nossos coman-
dos digitais, tudo bem. Quer dizer, você se sente como aquele cara que cantou a secretária eletrônica. É
um vexame privado. Mas quando você o manda fazer alguma coisa, mas manda errado, ele diz “Errado”.
Não diz “Burro”, mas está implícito. É pior, muito pior. Às vezes, quando a gente erra, ele faz “bip”. Assim,
[10] para todo mundo ouvir. Comecei a usar o computador na redação do jornal e volta e meia errava. E lá vi-
nha ele: “Bip!” “Olha aqui, pessoal: ele errou.” “O burro errou!”
Outra coisa: ele é mais inteligente que você. Sabe muito mais coisa e não tem nenhum pudor em dizer que
sabe. Esse negócio de que qualquer máquina só é tão inteligente quanto quem a usa não vale com ele. Es-
tá subentendido, nas suas relações com o computador, que você jamais aproveitará metade das coisas
[15] que ele tem para oferecer. Que ele só desenvolverá todo o seu potencial quando outro igual a ele o estiver
programando. A máquina de escrever podia ter recursos que você nunca usaria, mas não tinha a mesma
empáfia, o mesmo ar de quem só aguentava os humanos por falta de coisa melhor, no momento. E a má-
quina, mesmo nos seus instantes de maior impaciência conosco, jamais faria “bip” em público.
Dito isto, é preciso dizer também que quem provou pela primeira vez suas letrinhas dificilmente voltará à
[20] máquina de escrever sem a sensação de que está desembarcando de uma Mercedes e voltando à carroça.
Está certo, jamais teremos com ele a mesma confortável cumplicidade que tínhamos com a velha máquina.
É outro tipo de relacionamento, mais formal e exigente. Mas é fascinante. Agora compreendo o entusias-
mo de gente como Millôr Fernandes e Fernando Sabino, que dividem a sua vida profissional em antes dele
e depois dele. Sinto falta do papel e da fiel Bic, sempre pronta a inserir entre uma linha e outra a palavra
[25] que faltou na hora, e que nele foi substituída por um botão, que, além de mais rápido, jamais nos sujará os
dedos, mas acho que estou sucumbindo. Sei que nunca seremos íntimos, mesmo porque ele não ia querer
se rebaixar a ser meu amigo, mas retiro tudo o que pensei sobre ele. Claro que você pode concluir que eu
só estou querendo agradá-lo, precavidamente, mas juro que é sincero.
Quando saí da redação do jornal depois de usar o computador pela primeira vez, cheguei em casa e bati
[30] na minha máquina. Sabendo que ela aguentaria sem reclamar, como sempre, a pobrezinha.
(VERÍSSIMO, Luís Fernando. Pai não entende nada. Porto Alegre: L&PM, 1990, p. 58-60.)
A respeito da estrutura dessa crônica e da linguagem empregada na sua construção, assinale a alternativa INCORRETA.
Questão 2 10779695
IFMT 2017/2Texto
Tecnologia
Para começar, ele nos olha na cara. Não é como a máquina de escrever, que a gente olha de cima, com su-
perioridade. Com ele é olho no olho ou tela no olho. Ele nos desafia. Parece estar dizendo: vamos lá, seu
desprezível pré-eletrônico, mostre o que você sabe fazer. A máquina de escrever faz tudo que você manda,
mesmo que seja a tapa. Com o computador é diferente. Você faz tudo que ele manda. Ou precisa fazer tu-
[5] do ao modo dele, senão ele não aceita. Simplesmente ignora você. Mas se apenas ignorasse ainda seria
suportável. Ele responde. Repreende. Corrige. Uma tela vazia, muda, nenhuma reação aos nossos coman-
dos digitais, tudo bem. Quer dizer, você se sente como aquele cara que cantou a secretária eletrônica. É
um vexame privado. Mas quando você o manda fazer alguma coisa, mas manda errado, ele diz “Errado”.
Não diz “Burro”, mas está implícito. É pior, muito pior. Às vezes, quando a gente erra, ele faz “bip”. Assim,
[10] para todo mundo ouvir. Comecei a usar o computador na redação do jornal e volta e meia errava. E lá vi-
nha ele: “Bip!” “Olha aqui, pessoal: ele errou.” “O burro errou!”
Outra coisa: ele é mais inteligente que você. Sabe muito mais coisa e não tem nenhum pudor em dizer que
sabe. Esse negócio de que qualquer máquina só é tão inteligente quanto quem a usa não vale com ele. Es-
tá subentendido, nas suas relações com o computador, que você jamais aproveitará metade das coisas
[15] que ele tem para oferecer. Que ele só desenvolverá todo o seu potencial quando outro igual a ele o estiver
programando. A máquina de escrever podia ter recursos que você nunca usaria, mas não tinha a mesma
empáfia, o mesmo ar de quem só aguentava os humanos por falta de coisa melhor, no momento. E a má-
quina, mesmo nos seus instantes de maior impaciência conosco, jamais faria “bip” em público.
Dito isto, é preciso dizer também que quem provou pela primeira vez suas letrinhas dificilmente voltará à
[20] máquina de escrever sem a sensação de que está desembarcando de uma Mercedes e voltando à carroça.
Está certo, jamais teremos com ele a mesma confortável cumplicidade que tínhamos com a velha máquina.
É outro tipo de relacionamento, mais formal e exigente. Mas é fascinante. Agora compreendo o entusias-
mo de gente como Millôr Fernandes e Fernando Sabino, que dividem a sua vida profissional em antes dele
e depois dele. Sinto falta do papel e da fiel Bic, sempre pronta a inserir entre uma linha e outra a palavra
[25] que faltou na hora, e que nele foi substituída por um botão, que, além de mais rápido, jamais nos sujará os
dedos, mas acho que estou sucumbindo. Sei que nunca seremos íntimos, mesmo porque ele não ia querer
se rebaixar a ser meu amigo, mas retiro tudo o que pensei sobre ele. Claro que você pode concluir que eu
só estou querendo agradá-lo, precavidamente, mas juro que é sincero.
Quando saí da redação do jornal depois de usar o computador pela primeira vez, cheguei em casa e bati
[30] na minha máquina. Sabendo que ela aguentaria sem reclamar, como sempre, a pobrezinha.
(VERÍSSIMO, Luís Fernando. Pai não entende nada. Porto Alegre: L&PM, 1990, p. 58-60.)
Analise as afirmações abaixo e assinale a alternativa correta.
I. Em “Olha aqui, pessoal: ele errou.” “O burro errou!” as aspas marcam o uso do discurso direto
.
II. No enunciado, “Parece estar dizendo: vamos lá, seu desprezível, pré-eletrônico, mostre o que você sabe fazer” os dois-pontos introduzem uma explicação.
III. Em “Comecei a usar o computador na redação do jornal e volta e meia errava” e “Sinto falta do papel e da fiel Bic...” o autor faz uso da primeira pessoa do singular para reforçar a sua opinião a respeito do assunto tratado.
IV. No trecho “Claro que você pode concluir que eu só estou querendo agradá-lo, precavidamente, mas juro que é sincero”, o autor dialoga com o leitor.
Estão corretas as afirmativas
Questão 15 10769800
CTI (UNIFICADO) C. Gerais 2017Leia o poema para responder à questão.
O Cavalinho Branco
À tarde, o cavalinho branco
está muito cansado:
mas há um pedacinho do campo
onde é sempre feriado.
O cavalo sacode a crina loura e comprida
e nas verdes ervas atira sua branca vida.
Seu relincho estremece as raízes e ele ensina aos ventos
a alegria de sentir livres seus movimentos.
Trabalhou todo o dia, tanto! desde a madrugada!
Descansa entre as flores. cavalinho branco, de crina dourada!
(Cecília Meireles. Ou isto ou aquilo)
Na última estrofe, o eu lírico demonstra
Questão 14 10769799
CTI (UNIFICADO) C. Gerais 2017Leia o poema para responder à questão.
O Cavalinho Branco
À tarde, o cavalinho branco
está muito cansado:
mas há um pedacinho do campo
onde é sempre feriado.
O cavalo sacode a crina loura e comprida
e nas verdes ervas atira sua branca vida.
Seu relincho estremece as raízes e ele ensina aos ventos
a alegria de sentir livres seus movimentos.
Trabalhou todo o dia, tanto! desde a madrugada!
Descansa entre as flores. cavalinho branco, de crina dourada!
(Cecília Meireles. Ou isto ou aquilo)
Os versos - "Trabalhou todo o dia, tanto! / desde a madrugada!" - revelam que o eu lírico
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