Questões de EFAF Português - Ortografia
329 Questões
Questão 14 485303
IFMA 2018O texto que segue refere-se à questão.
TEXTO
Amou daquela vez como se fosse a última
Beijou sua mulher como se fosse a última
E cada filho seu como se fosse o único
E atravessou a rua com seu passo tímido
Subiu a construção como se fosse máquina
Ergueu no patamar quatro paredes sólidas
Tijolo com tijolo num desenho mágico
Seus olhos embotados de cimento e lágrima
Sentou pra descansar como se fosse sábado
Comeu feijão com arroz como se fosse príncipe
(Canção Construção, de Chico Buarque)
As palavras destacadas, ainda no texto, classificam-se como :
Questão 9 422862
IFSul - Rio-Grandense 2018/1Texto
Há escritores que se queixam, mas escrever só me traz alegria
Passei dois anos escrevendo o livro que acabo de terminar. A tarefa não foi realizada em
tempo integral, mas nos momentos livres que ainda me restam.
Há escritores que precisam de silêncio, solidão e ambiente adequado para a prática do ofício.
Se fosse esperar por essas condições teria demorado 20 anos para publicá-lo, tempo de vida de
[5] que não disponho, infelizmente.
Por força da necessidade, aprendi a escrever em qualquer lugar em que haja espaço para
sentar com o computador.
Por exemplo, nas salas de embarque durante as viagens de bate-e-volta que sou obrigado a
fazer. Consigo me concentrar apesar das vozes esganiçadas que anunciam os voos, os atrasos, as
[10] trocas de portões, a ordem nas filas, os nomes dos retardatários.
Os avisos vêm aos berros como se fossem destinados a uma horda de deficientes auditivos;
mal termina um, começa outro. Suspeito de uma conspiração das companhias aéreas contra a
integridade dos tímpanos dos passageiros.
Embora com dificuldade, sou capaz de escrever no meio daqueles idiotas que xingam as
[15] secretárias pelo celular, alguns dos quais o fazem andando nervosamente de um lado para outro,
com a intenção declarada de atazanar o maior número possível de circunstantes.
São executivos de terno que empregam adjetivos fortes: incompetente, burra, ignorante.
Escutei um deles dizer: "Contratei você para cumprir ordens, se fosse para pensar escolhia outra
pessoa". Nunca os ouvi chegar perto desse tom ao falar com o chefe, ocasiões identificáveis pela
[20] voz melosa e submissa.
Mal o avião levanta voo, puxo a mesinha e abro o computador. Estou nas nuvens, às portas
do paraíso celestial. O telefone não vai tocar, ninguém me cobrará o texto que prometi, a
presença na palestra para a qual fui convidado, os e-mails atrasados, nenhum ser humano me
pedirá para apoiar um projeto e não descobrirei que me incluíram num grupo de WhatsApp em
[25] que os 300 participantes dão bom dia uns aos outros.
Já escrevi por 13 horas consecutivas num voo de volta da Ásia. Num retorno de Salvador,
escrevi uma coluna como esta sentado na primeira fila, ao lado de um bebê com dor de ouvido
que chorou sem dar um minuto de trégua. Só ficou quietinho, quando o comandante anunciou
que o pouso em Guarulhos fora autorizado.
[30] Minha carreira de escritor começou com "Estação Carandiru", publicado quando eu tinha 56
anos. Foi tão grande o prazer de contar aquelas histórias, que senti ódio de mim mesmo por ter
vivido meio século sem escrever livros.
A dificuldade vinha da timidez e da autocrítica. Para mim, o que eu escrevesse seria
fatalmente comparado com Machado de Assis, Gógol, Faulkner, Joyce, Pushkin, Turgenev, Dante
[35] Alighieri. Depois do que disseram esses e outros gênios, que livro valeria a pena ser escrito?
A resposta encontrei em "On Writing", que reúne entrevistas e textos de Ernest Hemingway
sobre o ato de escrever. Em conversa com um estudante, Hemingway diz que ao escritor de
nossos tempos cabem duas alternativas: escrever melhor do que os grandes mestres já falecidos
ou contar histórias que nunca foram contadas.
[40] De fato, se eu escrevesse melhor do que Machado de Assis, poderia recriar personagens
como Dom Casmurro ou descrever com mais poesia o olhar de ressaca de Capitu.
Restava a outra alternativa: a vida numa cadeia com mais de 7.000 presidiários, na cidade
de São Paulo, nas últimas décadas do século 20, não poderia ser descrita por Tchékhov, Homero
ou pelo padre Antonio Vieira. O médico que atendia pacientes no Carandiru havia dez anos era
[45] quem reunia as condições para fazê-lo.
Seguindo o mesmo critério, publiquei outros livros. Às cotoveladas, a literatura abriu espaço
em minha agenda. Há escritores talentosos que se queixam dos tormentos e da angústia
inerentes ao processo de criação. Não é o meu caso, escrever só me traz alegria.
Diante da tela do computador, fico atrás das palavras, encontro algumas, apago outras,
[50] corrijo, leio e releio até sentir que o texto está pronto. Às vezes, ficou melhor do que eu
imaginava. Nesse momento sou invadido por uma sensação de felicidade plena que vai e volta
por vários dias.
Drauzio Varella
Disponível em:http://www1.folha.uol.com.br/colunas/drauziovarella/2017/05/1883616-ha-escritores-quese-queixam-mas-escrever-so-me-traz-alegria.shtml Acesso em 18 de ago 2017.
Em qual trecho a substituição proposta gera erro no que diz respeito ao emprego do acento grave?
Questão 8 422861
IFSul - Rio-Grandense 2018/1Texto
Há escritores que se queixam, mas escrever só me traz alegria
Passei dois anos escrevendo o livro que acabo de terminar. A tarefa não foi realizada em
tempo integral, mas nos momentos livres que ainda me restam.
Há escritores que precisam de silêncio, solidão e ambiente adequado para a prática do ofício.
Se fosse esperar por essas condições teria demorado 20 anos para publicá-lo, tempo de vida de
[5] que não disponho, infelizmente.
Por força da necessidade, aprendi a escrever em qualquer lugar em que haja espaço para
sentar com o computador.
Por exemplo, nas salas de embarque durante as viagens de bate-e-volta que sou obrigado a
fazer. Consigo me concentrar apesar das vozes esganiçadas que anunciam os voos, os atrasos, as
[10] trocas de portões, a ordem nas filas, os nomes dos retardatários.
Os avisos vêm aos berros como se fossem destinados a uma horda de deficientes auditivos;
mal termina um, começa outro. Suspeito de uma conspiração das companhias aéreas contra a
integridade dos tímpanos dos passageiros.
Embora com dificuldade, sou capaz de escrever no meio daqueles idiotas que xingam as
[15] secretárias pelo celular, alguns dos quais o fazem andando nervosamente de um lado para outro,
com a intenção declarada de atazanar o maior número possível de circunstantes.
São executivos de terno que empregam adjetivos fortes: incompetente, burra, ignorante.
Escutei um deles dizer: "Contratei você para cumprir ordens, se fosse para pensar escolhia outra
pessoa". Nunca os ouvi chegar perto desse tom ao falar com o chefe, ocasiões identificáveis pela
[20] voz melosa e submissa.
Mal o avião levanta voo, puxo a mesinha e abro o computador. Estou nas nuvens, às portas
do paraíso celestial. O telefone não vai tocar, ninguém me cobrará o texto que prometi, a
presença na palestra para a qual fui convidado, os e-mails atrasados, nenhum ser humano me
pedirá para apoiar um projeto e não descobrirei que me incluíram num grupo de WhatsApp em
[25] que os 300 participantes dão bom dia uns aos outros.
Já escrevi por 13 horas consecutivas num voo de volta da Ásia. Num retorno de Salvador,
escrevi uma coluna como esta sentado na primeira fila, ao lado de um bebê com dor de ouvido
que chorou sem dar um minuto de trégua. Só ficou quietinho, quando o comandante anunciou
que o pouso em Guarulhos fora autorizado.
[30] Minha carreira de escritor começou com "Estação Carandiru", publicado quando eu tinha 56
anos. Foi tão grande o prazer de contar aquelas histórias, que senti ódio de mim mesmo por ter
vivido meio século sem escrever livros.
A dificuldade vinha da timidez e da autocrítica. Para mim, o que eu escrevesse seria
fatalmente comparado com Machado de Assis, Gógol, Faulkner, Joyce, Pushkin, Turgenev, Dante
[35] Alighieri. Depois do que disseram esses e outros gênios, que livro valeria a pena ser escrito?
A resposta encontrei em "On Writing", que reúne entrevistas e textos de Ernest Hemingway
sobre o ato de escrever. Em conversa com um estudante, Hemingway diz que ao escritor de
nossos tempos cabem duas alternativas: escrever melhor do que os grandes mestres já falecidos
ou contar histórias que nunca foram contadas.
[40] De fato, se eu escrevesse melhor do que Machado de Assis, poderia recriar personagens
como Dom Casmurro ou descrever com mais poesia o olhar de ressaca de Capitu.
Restava a outra alternativa: a vida numa cadeia com mais de 7.000 presidiários, na cidade
de São Paulo, nas últimas décadas do século 20, não poderia ser descrita por Tchékhov, Homero
ou pelo padre Antonio Vieira. O médico que atendia pacientes no Carandiru havia dez anos era
[45] quem reunia as condições para fazê-lo.
Seguindo o mesmo critério, publiquei outros livros. Às cotoveladas, a literatura abriu espaço
em minha agenda. Há escritores talentosos que se queixam dos tormentos e da angústia
inerentes ao processo de criação. Não é o meu caso, escrever só me traz alegria.
Diante da tela do computador, fico atrás das palavras, encontro algumas, apago outras,
[50] corrijo, leio e releio até sentir que o texto está pronto. Às vezes, ficou melhor do que eu
imaginava. Nesse momento sou invadido por uma sensação de felicidade plena que vai e volta
por vários dias.
Drauzio Varella
Disponível em:http://www1.folha.uol.com.br/colunas/drauziovarella/2017/05/1883616-ha-escritores-quese-queixam-mas-escrever-so-me-traz-alegria.shtml Acesso em 18 de ago 2017.
A nica palavra que, ao perder o acento, NÃO gera outra palavra existente na língua é
Questão 7 422765
IFSul - Rio-Grandense 2018/2Leia o Texto, para responder à questão.
Texto
Dias de luta, dias de glória
Charlie Brown Jr
Canto minha vida com orgulho
Na minha vida tudo acontece
Mas quanto mais a gente rala, mais a gente cresce
Hoje estou feliz porque eu sonhei com você
E amanhã posso chorar por não poder te ver
Mas o seu sorriso vale mais que um diamante
Se você vier comigo, aí nós vamos adiante
Com a cabeça erguida e mantendo a fé em Deus
O seu dia mais feliz vai ser o mesmo que o meu
A vida me ensinou a nunca desistir
Nem ganhar, nem perder mas procurar evoluir
Podem me tirar tudo que tenho
Só não podem me tirar as coisas boas que eu já fiz pra quem eu amo
E eu sou feliz e canto e o universo é uma canção
E eu vou que vou
História, nossas histórias
Dias de luta, dias de glória
História, nossas histórias
Dias de luta, dias de glória
História, nossas histórias
Dias de luta, dias de glória
História, nossas histórias
Dias de luta, dias de glória
Oh minha gata, morada dos meus sonhos
Todo dia, se pudesse eu ia estar com você
Já te via muito antes nos meus sonhos
Eu procurei a vida inteira por alguém como você
Por isso eu canto a minha vida com orgulho
Com melodia, alegria e barulho
Eu sou feliz e rodo pelo mundo
Sou correria mas também sou vagabundo
Mas hoje dou valor de verdade pra minha saúde,
Pra minha liberdade
Que bom te encontrar nessa cidade
Esse brilho intenso me lembra você
Disponível em: https://www.google.com.br/search?ei=z6W3WpHBAYmDwQTEYGABw&q=dias+de+luta+dias+de+gloria+letra&oq=dias+de+luta+dias+de+gloria&gs_l. Acesso em: 24 de março de 2018.
Quanto à acentuação gráfica das palavras sublinhadas, é INCORRETO afirmar que
Questão 4 413692
IFAL 2018Saudade de escrever
Apesar da concorrência (internet, celular), a carta continua firme e forte. Basta uma folha de papel, selo, caneta e envelope para que uma pessoa do Rio Grande do Norte, por exemplo, fique por dentro das fofocas registradas por um amigo em São Paulo, dois dias depois. “Adoro receber cartas, fico super ansiosa para descobrir o que está escrito”, conta Lívia Maria, de 9 anos. Mas ela admite que faz tempo que não escreve nenhuma cartinha. “As últimas foram para a Angélica e para um dos programas do Gugu.”
Isabela, de 9 anos, lembra que, quando morava em Curitiba, no Paraná, trocava correspondência com sua amiga Raquel, que vive em Belo Horizonte, Minas Gerais.
“ Eu ficava sabendo das novidades e não gastava dinheiro com telefonemas.”
Já Amanda, de 10 anos, também gosta de receber cartinhas, mas prefere enviar e-mails. “Atualmente estou conversando com meu primo que está nos Estados Unidos via computador, já que a mensagem chega mais rápido e não pago interurbano.”
TOURRUCCO, Juliana. Saudade de escrever. O Estado de São Paulo, p.5, 25 jul.1998. Suplemento infantil. Suplemento infantil.
Quanto à análise morfossintática dos elementos textuais, apenas uma alternativa está errada, contrariando o que prescreve a norma padrão da Língua Portuguesa. Assinale-a.
Questão 3 413691
IFAL 2018Um futuro singular
Ivan Jaf
Senhor diretor, estou escrevendo esta carta porque temo pela minha saúde mental, e se algo acontecer comigo quero que todos saibam o motivo, principalmente o senhor, do qual eu esperava toda a compreensão, já que partilha comigo a crença de que só com um profundo respeito à gramática da língua portuguesa construiremos uma nação desenvolvida. O caso, senhor, é que o Grande Pajé está me perseguindo, e tenho certeza de que neste exato momento ele está ali, do outro lado da janela, escondido entre as folhas da amendoeira... e não resistirei a mais um ataque... Minhas força... forças!... estão se esgotando!
Sempre fui um dedicado professor de português, o senhor me conhece bem, tantas vezes me elogiou... Trabalho no ensino fundamental de sua escola há mais de vinte anos! Desde quando ainda se dizia “1º grau”! Sempre tive devoção pela língua portuguesa! É uma verdadeira religião para mim! Luto contra as gírias, os estrangeirismos e os erros gramaticais como um cristão contra os hereges! Minha luta pelo emprego do português correto é uma verdadeira cruzada! Uma guerra santa! E agora, quando mais preciso de apoio, quando descubro o verdadeiro inimigo por trás da falência a que o nosso idioma pátrio está condenado, quando passo a sofrer ameaças diretas do Grande Pajé, o senhor me abandona, e, em vez de se aliar a mim numa batalha sem trégua pelo resgate de nossa língua, em vez de acreditar em mim, francamente... me manda procurar um psiquiatra!
Mas não entregarei os ponto! Os pontos! Minha mente morrerá lutando! Se o Grande Pajé afinal conseguir seu intento, e plantar à força a semente da língua Tupi dentro da minha cabeça, através desta carta o povo brasileiro saberá que lutei até o fim!
Tudo começou naquela tarde de sábado, quando fui lavar meu carro e o rapaz me cobrou “dez real”. Depois deixei o carro numa vaga, e me custou “dois real”. O camelô me ofereceu “três cueca”, minha empregada tinha pedido “quatro quilo de batata”, o feirante me ofereceu “seis limão”, outro gritou “os peixe tão fresco!”; depois, meu porteiro se prontificou a levar “as sacola” até o elevador e deu o recado de que “meus filho” ainda não tinham chegado “das compra”. Desesperado, me dei conta de que os plurais estavam sumindo!
[...]
Não chego a ser um tupinólogo, mas naquele sábado subitamente lembrei-me de que uma das características da língua tupi é a ausência de plural! Uma estranha intuição me fez iniciar uma pesquisa na internet, e eis que logo me deparo com uma declaração do conceituado crítico literário Alfredo Bosi: “O tupi vive subterraneamente na fala de nosso povo... É nosso inconsciente selvagem e primitivo”. Levei as mão... mãos à cabeça! Eu havia encontrado a resposta! O tupi estava voltando! A língua tupi, depois de mais de dois séculos extirpada de nosso convívio, brotava agora das profundezas do inconsciente coletivo e começava a se manifestar na fala do povo! E o primeiro sinal era a abolição do plural!
[...]
http://paginasclandestinas.blogspot.com.br/2011/03/licoes-de-gramatica-para-quem-gosta-de.html
Assinale a única alternativa cujas palavras são acentuadas pela mesma razão da palavra gramática.
06
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