Questões de EFAF Português
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Questão 2 15407789
CAp-UERJ 8 ano 2020A ESCOLA PERFEITA
A Escola de Pais, fundada em Sambaíba, no Maranhão, não deu os resultados com que se sonhava.
O estabelecimento tinha pouca frequência, e os pais iam beber no botequim próximo.
A direção da escola achou conveniente experimentar novos métodos, e colocou a responsabilidade
do ensino nas mãos dos filhos dos alunos.
[5] A princípio o aproveitamento foi extraordinário, pois os adolescentes que passaram a controlar
a casa exerceram disciplina severa, exigindo dos pais o máximo de aplicação, pontualidade e
aproveitamento. Depois, a disciplina foi abrandando, e havia meninos que convidavam seus pais e
os pais de outros meninos a trocar a aula por futebol, no que eram atendidos.
[10] Ao fim do semestre, a Escola de Pais tornara-se Escola de Pais e Filhos, sem programa definido,
despertando imitação em outros pontos do estado e até no Piauí.
Era uma escola festiva, em que os macacos, as borboletas, os seixos* da estrada não só faziam
parte do material escolar como davam palpites sobre a matéria, por esse ou aquele modo peculiar
a cada um deles. O entusiasmo foi tamanho que pais e filhos chegaram à conclusão que melhor fora
transformar o estabelecimento, já então sem sede fixa nem necessidade de tê-la, numa escola natural
[15] de coisas, em que tudo fosse objeto de curiosidade, sem currículo, e surgiu a escola da natureza, sem
mestres, sem alunos, sem decreto, sem diploma, onde todos aprendem de todos, na maior alegria
e falta de cerimônia, até que um organismo civilizador qualquer se lembre de dividir as terras de
Sambaíba em fatias burocráticas e legais. Será a escola perfeita?
CARLOS DRUMMOND DE ANDRADE Adaptado de Tempos de escola: contos, crônicas e memórias. São Paulo: Boa Companhia, 2015.
A princípio o aproveitamento foi extraordinário, pois os adolescentes que passaram a controlar a casa exerceram disciplina severa, (l. 5-6)
A palavra sublinhada pode ser substituída, sem alteração de sentido, por:
Questão 1 15407782
CAp-UERJ 8 ano 2020A ESCOLA PERFEITA
A Escola de Pais, fundada em Sambaíba, no Maranhão, não deu os resultados com que se sonhava.
O estabelecimento tinha pouca frequência, e os pais iam beber no botequim próximo.
A direção da escola achou conveniente experimentar novos métodos, e colocou a responsabilidade
do ensino nas mãos dos filhos dos alunos.
[5] A princípio o aproveitamento foi extraordinário, pois os adolescentes que passaram a controlar
a casa exerceram disciplina severa, exigindo dos pais o máximo de aplicação, pontualidade e
aproveitamento. Depois, a disciplina foi abrandando, e havia meninos que convidavam seus pais e
os pais de outros meninos a trocar a aula por futebol, no que eram atendidos.
[10] Ao fim do semestre, a Escola de Pais tornara-se Escola de Pais e Filhos, sem programa definido,
despertando imitação em outros pontos do estado e até no Piauí.
Era uma escola festiva, em que os macacos, as borboletas, os seixos* da estrada não só faziam
parte do material escolar como davam palpites sobre a matéria, por esse ou aquele modo peculiar
a cada um deles. O entusiasmo foi tamanho que pais e filhos chegaram à conclusão que melhor fora
transformar o estabelecimento, já então sem sede fixa nem necessidade de tê-la, numa escola natural
[15] de coisas, em que tudo fosse objeto de curiosidade, sem currículo, e surgiu a escola da natureza, sem
mestres, sem alunos, sem decreto, sem diploma, onde todos aprendem de todos, na maior alegria
e falta de cerimônia, até que um organismo civilizador qualquer se lembre de dividir as terras de
Sambaíba em fatias burocráticas e legais. Será a escola perfeita?
CARLOS DRUMMOND DE ANDRADE Adaptado de Tempos de escola: contos, crônicas e memórias. São Paulo: Boa Companhia, 2015.
A escola apresentada no ínicio do texto passou por uma transformação, dando origem à Escola de Pais e Filhos.
Considerando a relação entre esses personagens, a palavra e introduz uma ideia de:
Questão 10 15405293
Colégio Pedro II 2020Texto
Redes sociais

BESSA, Bráulio. Poesia que transforma. Rio de Janeiro: Sextante, 2018.
No Texto, conforme é típico em textos poéticos, observa-se o emprego de linguagem figurada, como no 19º verso: celular virou fogão.
Nesse verso, o poeta, em um processo de associação de ideias e das funções dos objetos citados, aproxima-os valendo-se de uma metáfora.
Assinale a alternativa que apresenta o efeito de sentido obtido com esse recurso.
Questão 8 15405291
Colégio Pedro II 2020Texto
Redes sociais

BESSA, Bráulio. Poesia que transforma. Rio de Janeiro: Sextante, 2018.
O Texto critica a relação das pessoas com as redes sociais e evidencia certo distanciamento do cordelista no que se refere a esses espaços virtuais.
Os versos que salientam tal distanciamento, reforçando-o por meio de um advérbio de lugar, é
Questão 7 15405289
Colégio Pedro II 2020Texto

Disponível em: https://www.otempo.com.br. Acesso em: 16 jul. 2019.
A falta de empatia e de solidariedade na sociedade atual está presente em todos os textos desta prova. Na charge, Texto, tal tema é mais bem representado pela
Questão 6 15405288
Colégio Pedro II 2020Texto
Uma vela para Dario
[1] Dario vem apressado, guarda-chuva no braço esquerdo. Assim que dobra a esquina, diminui o
passo até parar, encosta-se a uma parede. Por ela escorrega, senta-se na calçada, ainda úmida de
chuva. Descansa na pedra o cachimbo.
Dois ou três passantes à sua volta indagam se não está bem. Dario abre a boca, move os
[5]lábios, não se ouve resposta. O senhor gordo, de branco, diz que deve sofrer de ataque.
Ele reclina-se mais um pouco, estendido na calçada, e o cachimbo apagou. O rapaz de bigode
pede aos outros se afastem e o deixem respirar. Abre-lhe o paletó, o colarinho, a gravata e a cinta.
Quando lhe tiram os sapatos, Dario rouqueja feio, bolhas de espuma surgem no canto da boca.
Cada pessoa que chega ergue-se na ponta dos pés, não o pode ver. Os moradores da rua
[10]conversam de uma porta a outra, as crianças de pijama acodem à janela. O senhor gordo repete que
Dario sentou-se na calçada, soprando a fumaça do cachimbo, encostava o guarda-chuva na parede.
Mas não se vê guarda-chuva ou cachimbo a seu lado.
A velhinha de cabeça grisalha grita que ele está morrendo. Um grupo o arrasta para o táxi da
esquina. Já no carro a metade do corpo, protesta o motorista: quem pagará a corrida? Concordam
[15]chamar a ambulância. Dario conduzido de volta e recostado à parede não tem os sapatos nem o alfinete
de pérola na gravata.
Alguém informa da farmácia na outra rua. Não carregam Dario além da esquina; a farmácia no
fim do quarteirão e, além do mais, muito peso. É largado na porta de uma peixaria. Enxame de moscas
lhe cobrem o rosto, sem que façam um gesto para espantá-las.
[20] Ocupado o café próximo pelas pessoas que apreciam o incidente e, agora, comendo e
bebendo, gozam as delícias da noite. Dario em sossego e torto no degrau da peixaria, sem o relógio de
pulso.
Um terceiro sugere lhe examinem os papéis, retirados com vários objetos de seus bolsos e
alinhados sobre a camisa branca. Ficam sabendo do nome, idade, sinal de nascença. O endereço na
[25]carteira é de outra cidade.
Registra-se correria de uns duzentos curiosos que, a essa hora, ocupam toda a rua e as
calçadas: é a polícia. O carro negro investe a multidão. Várias pessoas tropeçam no corpo de Dario,
pisoteado dezessete vezes.
O guarda aproxima-se do cadáver, não pode identificá-lo os bolsos vazios. Resta na mão
[30]esquerda a aliança de ouro, que ele próprio quando vivo só destacava molhando no sabonete. A polícia
decide chamar o rabecão.
A última boca repete Ele morreu, ele morreu. A gente começa a se dispersar. Dario levou duas
horas para morrer, ninguém acreditava estivesse no fim. Agora, aos que alcançam vê-lo, todo o ar de
um defunto.
[35] Um senhor piedoso dobra o paletó de Dario para lhe apoiar a cabeça. Cruza as mãos no peito.
Não consegue fechar olho nem boca, onde a espuma sumiu. Apenas um homem morto e a multidão se
espalha, as mesas do café ficam vazias. Na janela alguns moradores com almofadas para descansar
os cotovelos.
Um menino de cor e descalço vem com uma vela, que acende ao lado do cadáver. Parece
[40]morto há muitos anos, quase o retrato de um morto desbotado pela chuva.
Fecham-se uma a uma as janelas. Três horas depois, lá está Dario à espera do rabecão. A
cabeça agora na pedra, sem o paletó. E o dedo sem a aliança. O toco de vela apaga-se às primeiras
gotas da chuva, que volta a cair.
TREVISAN, Dalton. 33 contos escolhidos. Rio de Janeiro: Record, 2005.
Perpassam o texto certos acontecimentos cujo efeito de sentido reforça a falta de empatia manifestada pelos personagens.
Tal efeito de sentido se dá
06
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