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Questão 13 15408095
CAp-UERJ 8 ano 2020O ALUNO PERFEITO
Era uma vez um jovem casal que estava muito feliz. Ela estava grávida e eles esperavam com
grande ansiedade o filho que iria nascer.
Transcorridos os nove meses de gravidez, ele nasceu. Ela deu à luz um lindo computador! Que
felicidade ter um computador como filho! Era o filho que desejavam ter!
[5] Deram-lhe o nome de “Memorioso” porque julgavam que uma memória perfeita é o essencial
para uma boa educação. Educação é memorização. Crianças com memória perfeita vão muito bem
na escola e não têm problemas para passar no vestibular.
E foi isso mesmo que aconteceu. Memorioso memorizava tudo que os professores ensinavam.
Mas tudo mesmo. E não reclamava. Seus companheiros reclamavam, diziam que aquelas coisas que
[10] lhes eram ensinadas não faziam sentido.
Isso não acontecia com Memorioso. Ele memorizava com a mesma facilidade a maneira de extrair
raiz quadrada, fórmulas de física, acidentes geográficos, populações de países longínquos, datas
de eventos históricos, nomes de reis, escritores, descobridores, cientistas, palavras novas, regras de
gramática, livros inteiros, línguas estrangeiras. Sabia de cor todas as informações sobre o mundo
[15] cultural.
Memorioso foi o primeiro no vestibular. O cursinho que ele frequentara publicou sua fotografia em
outdoors*. Na universidade foi a mesma coisa. Só tirava 10. Chegou, finalmente, o dia tão esperado:
a formatura. Memorioso foi o grande herói, elogiado pelos professores.
Depois da cerimônia acadêmica, foi a festa. E estavam todos felizes no jantar quando uma moça
[20] se aproximou de Memorioso e se apresentou: “Sou repórter. Posso lhe fazer uma pergunta?”. “Pode
fazer”, disse Memorioso, confiante. Sua memória continha todas as respostas.
Aí ela falou: “De tudo o que você memorizou, o que foi que você mais amou, que mais prazer
lhe deu?”.
Memorioso ficou mudo. Os circuitos de sua memória funcionavam com a velocidade da luz
[25] procurando a resposta. Seu rosto ficou vermelho. Começou a suar. Sua temperatura subiu. E, de
repente, seus olhos ficaram muito abertos, parados, e se ouviu um chiado estranho dentro de sua
cabeça, enquanto fumaça saía por suas orelhas. Memorioso primeiro travou. Depois apagou, entrou
em coma. Levado às pressas para o hospital de computadores, verificaram que seu disco rígido
estava irreparavelmente danificado.
[30] Há perguntas para as quais a memória, por perfeita que seja, não tem respostas. É que tais respostas
não se encontram na memória. Encontram-se no coração, onde mora a felicidade...
RUBEM ALVES Adaptado de Quer que eu lhe conte uma estória? Campinas: Papirus, 2010.
Memorioso mistura traços humanos com características de máquina.
Esse caráter duplo do personagem é observado no seguinte trecho:
Questão 12 15408093
CAp-UERJ 8 ano 2020O ALUNO PERFEITO
Era uma vez um jovem casal que estava muito feliz. Ela estava grávida e eles esperavam com
grande ansiedade o filho que iria nascer.
Transcorridos os nove meses de gravidez, ele nasceu. Ela deu à luz um lindo computador! Que
felicidade ter um computador como filho! Era o filho que desejavam ter!
[5] Deram-lhe o nome de “Memorioso” porque julgavam que uma memória perfeita é o essencial
para uma boa educação. Educação é memorização. Crianças com memória perfeita vão muito bem
na escola e não têm problemas para passar no vestibular.
E foi isso mesmo que aconteceu. Memorioso memorizava tudo que os professores ensinavam.
Mas tudo mesmo. E não reclamava. Seus companheiros reclamavam, diziam que aquelas coisas que
[10] lhes eram ensinadas não faziam sentido.
Isso não acontecia com Memorioso. Ele memorizava com a mesma facilidade a maneira de extrair
raiz quadrada, fórmulas de física, acidentes geográficos, populações de países longínquos, datas
de eventos históricos, nomes de reis, escritores, descobridores, cientistas, palavras novas, regras de
gramática, livros inteiros, línguas estrangeiras. Sabia de cor todas as informações sobre o mundo
[15] cultural.
Memorioso foi o primeiro no vestibular. O cursinho que ele frequentara publicou sua fotografia em
outdoors*. Na universidade foi a mesma coisa. Só tirava 10. Chegou, finalmente, o dia tão esperado:
a formatura. Memorioso foi o grande herói, elogiado pelos professores.
Depois da cerimônia acadêmica, foi a festa. E estavam todos felizes no jantar quando uma moça
[20] se aproximou de Memorioso e se apresentou: “Sou repórter. Posso lhe fazer uma pergunta?”. “Pode
fazer”, disse Memorioso, confiante. Sua memória continha todas as respostas.
Aí ela falou: “De tudo o que você memorizou, o que foi que você mais amou, que mais prazer
lhe deu?”.
Memorioso ficou mudo. Os circuitos de sua memória funcionavam com a velocidade da luz
[25] procurando a resposta. Seu rosto ficou vermelho. Começou a suar. Sua temperatura subiu. E, de
repente, seus olhos ficaram muito abertos, parados, e se ouviu um chiado estranho dentro de sua
cabeça, enquanto fumaça saía por suas orelhas. Memorioso primeiro travou. Depois apagou, entrou
em coma. Levado às pressas para o hospital de computadores, verificaram que seu disco rígido
estava irreparavelmente danificado.
[30] Há perguntas para as quais a memória, por perfeita que seja, não tem respostas. É que tais respostas
não se encontram na memória. Encontram-se no coração, onde mora a felicidade...
RUBEM ALVES Adaptado de Quer que eu lhe conte uma estória? Campinas: Papirus, 2010.
Memorioso memorizava tudo que os professores ensinavam. (l. 8)
O nome escolhido pelo casal para seu filho valoriza a memória a partir de uma ideia de:
Questão 11 15407816
CAp-UERJ 8 ano 2020O ALUNO PERFEITO
Era uma vez um jovem casal que estava muito feliz. Ela estava grávida e eles esperavam com
grande ansiedade o filho que iria nascer.
Transcorridos os nove meses de gravidez, ele nasceu. Ela deu à luz um lindo computador! Que
felicidade ter um computador como filho! Era o filho que desejavam ter!
[5] Deram-lhe o nome de “Memorioso” porque julgavam que uma memória perfeita é o essencial
para uma boa educação. Educação é memorização. Crianças com memória perfeita vão muito bem
na escola e não têm problemas para passar no vestibular.
E foi isso mesmo que aconteceu. Memorioso memorizava tudo que os professores ensinavam.
Mas tudo mesmo. E não reclamava. Seus companheiros reclamavam, diziam que aquelas coisas que
[10] lhes eram ensinadas não faziam sentido.
Isso não acontecia com Memorioso. Ele memorizava com a mesma facilidade a maneira de extrair
raiz quadrada, fórmulas de física, acidentes geográficos, populações de países longínquos, datas
de eventos históricos, nomes de reis, escritores, descobridores, cientistas, palavras novas, regras de
gramática, livros inteiros, línguas estrangeiras. Sabia de cor todas as informações sobre o mundo
[15] cultural.
Memorioso foi o primeiro no vestibular. O cursinho que ele frequentara publicou sua fotografia em
outdoors*. Na universidade foi a mesma coisa. Só tirava 10. Chegou, finalmente, o dia tão esperado:
a formatura. Memorioso foi o grande herói, elogiado pelos professores.
Depois da cerimônia acadêmica, foi a festa. E estavam todos felizes no jantar quando uma moça
[20] se aproximou de Memorioso e se apresentou: “Sou repórter. Posso lhe fazer uma pergunta?”. “Pode
fazer”, disse Memorioso, confiante. Sua memória continha todas as respostas.
Aí ela falou: “De tudo o que você memorizou, o que foi que você mais amou, que mais prazer
lhe deu?”.
Memorioso ficou mudo. Os circuitos de sua memória funcionavam com a velocidade da luz
[25] procurando a resposta. Seu rosto ficou vermelho. Começou a suar. Sua temperatura subiu. E, de
repente, seus olhos ficaram muito abertos, parados, e se ouviu um chiado estranho dentro de sua
cabeça, enquanto fumaça saía por suas orelhas. Memorioso primeiro travou. Depois apagou, entrou
em coma. Levado às pressas para o hospital de computadores, verificaram que seu disco rígido
estava irreparavelmente danificado.
[30] Há perguntas para as quais a memória, por perfeita que seja, não tem respostas. É que tais respostas
não se encontram na memória. Encontram-se no coração, onde mora a felicidade...
RUBEM ALVES Adaptado de Quer que eu lhe conte uma estória? Campinas: Papirus, 2010.
e eles esperavam com grande ansiedade o filho que iria nascer. (l. 1-2)
A expressão verbal destacada transmite ao leitor uma ideia de futuro entendido como:
Questão 5 15407793
CAp-UERJ 8 ano 2020A ESCOLA PERFEITA
A Escola de Pais, fundada em Sambaíba, no Maranhão, não deu os resultados com que se sonhava.
O estabelecimento tinha pouca frequência, e os pais iam beber no botequim próximo.
A direção da escola achou conveniente experimentar novos métodos, e colocou a responsabilidade
do ensino nas mãos dos filhos dos alunos.
[5] A princípio o aproveitamento foi extraordinário, pois os adolescentes que passaram a controlar
a casa exerceram disciplina severa, exigindo dos pais o máximo de aplicação, pontualidade e
aproveitamento. Depois, a disciplina foi abrandando, e havia meninos que convidavam seus pais e
os pais de outros meninos a trocar a aula por futebol, no que eram atendidos.
[10] Ao fim do semestre, a Escola de Pais tornara-se Escola de Pais e Filhos, sem programa definido,
despertando imitação em outros pontos do estado e até no Piauí.
Era uma escola festiva, em que os macacos, as borboletas, os seixos* da estrada não só faziam
parte do material escolar como davam palpites sobre a matéria, por esse ou aquele modo peculiar
a cada um deles. O entusiasmo foi tamanho que pais e filhos chegaram à conclusão que melhor fora
transformar o estabelecimento, já então sem sede fixa nem necessidade de tê-la, numa escola natural
[15] de coisas, em que tudo fosse objeto de curiosidade, sem currículo, e surgiu a escola da natureza, sem
mestres, sem alunos, sem decreto, sem diploma, onde todos aprendem de todos, na maior alegria
e falta de cerimônia, até que um organismo civilizador qualquer se lembre de dividir as terras de
Sambaíba em fatias burocráticas e legais. Será a escola perfeita?
CARLOS DRUMMOND DE ANDRADE Adaptado de Tempos de escola: contos, crônicas e memórias. São Paulo: Boa Companhia, 2015.
onde todos aprendem de todos, (l. 16)
A palavra sublinhada se refere ao seguinte elemento do último parágrafo do texto:
Questão 4 15407791
CAp-UERJ 8 ano 2020A ESCOLA PERFEITA
A Escola de Pais, fundada em Sambaíba, no Maranhão, não deu os resultados com que se sonhava.
O estabelecimento tinha pouca frequência, e os pais iam beber no botequim próximo.
A direção da escola achou conveniente experimentar novos métodos, e colocou a responsabilidade
do ensino nas mãos dos filhos dos alunos.
[5] A princípio o aproveitamento foi extraordinário, pois os adolescentes que passaram a controlar
a casa exerceram disciplina severa, exigindo dos pais o máximo de aplicação, pontualidade e
aproveitamento. Depois, a disciplina foi abrandando, e havia meninos que convidavam seus pais e
os pais de outros meninos a trocar a aula por futebol, no que eram atendidos.
[10] Ao fim do semestre, a Escola de Pais tornara-se Escola de Pais e Filhos, sem programa definido,
despertando imitação em outros pontos do estado e até no Piauí.
Era uma escola festiva, em que os macacos, as borboletas, os seixos* da estrada não só faziam
parte do material escolar como davam palpites sobre a matéria, por esse ou aquele modo peculiar
a cada um deles. O entusiasmo foi tamanho que pais e filhos chegaram à conclusão que melhor fora
transformar o estabelecimento, já então sem sede fixa nem necessidade de tê-la, numa escola natural
[15] de coisas, em que tudo fosse objeto de curiosidade, sem currículo, e surgiu a escola da natureza, sem
mestres, sem alunos, sem decreto, sem diploma, onde todos aprendem de todos, na maior alegria
e falta de cerimônia, até que um organismo civilizador qualquer se lembre de dividir as terras de
Sambaíba em fatias burocráticas e legais. Será a escola perfeita?
CARLOS DRUMMOND DE ANDRADE Adaptado de Tempos de escola: contos, crônicas e memórias. São Paulo: Boa Companhia, 2015.
Em relação ao papel desempenhado por macacos, borboletas e seixos, descrito no último parágrafo, não é correto afirmar que:
Questão 3 15407790
CAp-UERJ 8 ano 2020A ESCOLA PERFEITA
A Escola de Pais, fundada em Sambaíba, no Maranhão, não deu os resultados com que se sonhava.
O estabelecimento tinha pouca frequência, e os pais iam beber no botequim próximo.
A direção da escola achou conveniente experimentar novos métodos, e colocou a responsabilidade
do ensino nas mãos dos filhos dos alunos.
[5] A princípio o aproveitamento foi extraordinário, pois os adolescentes que passaram a controlar
a casa exerceram disciplina severa, exigindo dos pais o máximo de aplicação, pontualidade e
aproveitamento. Depois, a disciplina foi abrandando, e havia meninos que convidavam seus pais e
os pais de outros meninos a trocar a aula por futebol, no que eram atendidos.
[10] Ao fim do semestre, a Escola de Pais tornara-se Escola de Pais e Filhos, sem programa definido,
despertando imitação em outros pontos do estado e até no Piauí.
Era uma escola festiva, em que os macacos, as borboletas, os seixos* da estrada não só faziam
parte do material escolar como davam palpites sobre a matéria, por esse ou aquele modo peculiar
a cada um deles. O entusiasmo foi tamanho que pais e filhos chegaram à conclusão que melhor fora
transformar o estabelecimento, já então sem sede fixa nem necessidade de tê-la, numa escola natural
[15] de coisas, em que tudo fosse objeto de curiosidade, sem currículo, e surgiu a escola da natureza, sem
mestres, sem alunos, sem decreto, sem diploma, onde todos aprendem de todos, na maior alegria
e falta de cerimônia, até que um organismo civilizador qualquer se lembre de dividir as terras de
Sambaíba em fatias burocráticas e legais. Será a escola perfeita?
CARLOS DRUMMOND DE ANDRADE Adaptado de Tempos de escola: contos, crônicas e memórias. São Paulo: Boa Companhia, 2015.
No 3º parágrafo, o par de palavras que expressa a mudança de comportamento dos alunos da escola é:
06
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